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03 novembro, 2026

Fokker passa a atender frota holandesa de C-390 como centro autorizado da Embraer

Empresa já responsável pelas modificações dos aviões destinados aos Países Baixos e à Áustria fará a manutenção e o suporte técnico dos cinco C-390 holandeses, com equipes em campo durante a entrada em serviço 



*LRCA Defense Consulting - 03/11/2026 -  10h41

A Embraer designou a Fokker Services Group como centro de serviços autorizado (Authorized Service Center) para os cinco C-390 Millennium encomendados pela Força Aérea Real dos Países Baixos. O acordo, anunciado nesta terça-feira (3), em Hoofddorp, prevê manutenção e suporte técnico, inclusive assistência presencial durante a entrada das aeronaves em serviço. A primeira entrega está prevista para o último trimestre de 2027, segundo o Ministério da Defesa holandês.

Pelo acordo, a Fokker disponibilizará representantes de serviço de campo (Field Service Representatives, FSRs), técnicos que acompanharão a incorporação do avião e darão apoio às equipes locais de manutenção e operação. O objetivo, segundo as empresas, é facilitar a transição para o novo modelo, ampliar a disponibilidade da frota e preservar sua prontidão para as missões.

Uma relação que começou antes dos aviões 
A designação amplia um vínculo firmado em 21 de novembro de 2024, quando a Fokker foi escolhida pela Embraer Defesa & Segurança para um pacote de engenharia, certificação e modificações de nove aeronaves (cinco holandesas e quatro austríacas), identificadas pela empresa como C-390M. As adaptações atendem a requisitos de transporte tático, operações especiais da OTAN e missões humanitárias.

São, portanto, duas frentes distintas: o pacote de modificações de 2024 e a autorização de serviços de manutenção e apoio anunciada agora. O comunicado não informa valores, duração do contrato e níveis de manutenção cobertos, nem se o escopo poderá alcançar as aeronaves austríacas e suecas.

A parceria tem também um braço civil. Em setembro de 2024, a Fokker Services Asia foi credenciada como centro autorizado da Embraer para a manutenção da primeira geração dos E-Jets em Cingapura, acordo independente do programa militar.

Países Baixos lideram compra conjunta de 13 aeronaves 
Os Países Baixos coordenam o programa de aquisição compartilhada com Áustria e Suécia, que soma 13 aviões: cinco holandeses, quatro austríacos e quatro suecos. A Suécia anunciou sua adesão em abril de 2025, e a cerimônia de assinatura ocorreu em outubro do mesmo ano, na base aérea de Uppsala. Segundo o governo holandês, o modelo multinacional permite configurações comuns e pode reduzir custos de treinamento, manutenção e sustentação, além de facilitar o intercâmbio de pessoal e as operações conjuntas.

A fabricação do primeiro C-390 holandês começou em novembro de 2025, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). As demais unidades devem ser recebidas até 2029 e substituirão os quatro C-130 Hercules hoje empregados no transporte tático.

Woensdrecht e o conteúdo industrial local 
Parte da conclusão e das modificações das aeronaves será feita em Woensdrecht, polo que reúne instalações militares e empresas aeroespaciais, entre elas a Fokker. A participação de uma empresa nacional na introdução e na sustentação do avião agrega conteúdo industrial holandês à escolha de um equipamento brasileiro, argumento de peso nas compras governamentais europeias.

A disponibilidade de uma aeronave militar depende tanto de seu desempenho em voo quanto de equipes qualificadas, documentação técnica, ferramental, peças e capacidade de manutenção ao longo de décadas de operação. A credencial da Fokker formaliza essa estrutura de atendimento junto ao operador holandês.

Uma rede europeia de suporte em formação 

O acordo se soma a outras iniciativas da Embraer para sustentar o C-390 no continente. Em fevereiro de 2026, a fabricante assinou contrato de manutenção e apoio logístico e técnico para a frota da Força Aérea da Hungria; em maio, firmou memorando com a Hellenic Aerospace Industry (HAI) para o suporte aos aviões gregos. Em Portugal, primeiro cliente europeu, a OGMA, da qual a Embraer é acionista, fabrica componentes da aeronave. Em julho, a República Tcheca recebeu seu primeiro exemplar, 20 meses após a assinatura do contrato.

Para a Embraer e para a base industrial de defesa brasileira, essa malha de centros de suporte é o que transforma contratos de exportação em frotas efetivamente disponíveis e consolida a presença do C-390 em um mercado no qual disputa espaço com o C-130J e o A400M.

Capacidade e emprego previsto 
O C-390 é um transporte multimissão a jato, com capacidade de carga de até 26 toneladas e velocidade de cruzeiro de até 470 nós. Além do transporte de tropas e material, realiza lançamento de cargas e paraquedistas, evacuação aeromédica, busca e salvamento e missões humanitárias. Com equipamento específico, atua no reabastecimento em voo, como abastecedor ou receptor. Em junho de 2025, os Países Baixos adquiriram equipamentos aeromédicos da Knight Aerospace, cuja integração e certificação ficarão a cargo da Embraer.

Para Roland van Dijk, CEO da Fokker Services Group, a credencial reconhece as competências técnicas da empresa e amplia sua capacidade de apoiar operadores militares. Frederico Lemos, diretor comercial da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que a cooperação estreita os laços da fabricante com a Força Aérea Real dos Países Baixos e abre caminho para uma relação de longo prazo.

A cerca de um ano da primeira entrega, a Embraer passa a contar nos Países Baixos com uma estrutura de suporte montada antes mesmo da chegada do primeiro avião. Em um programa que reúne três países, essa base poderá servir de referência para as frotas austríaca e sueca, caso os parceiros decidam estendê-la.


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