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27 janeiro, 2020

Taurus Armas e Jindal Group firmam joint venture para produzir armas na Índia

 
Segundo a empresa gaúcha, o início da produção ocorrerá ainda em 2020 e existe uma expectativa de o governo indiano comprar meio milhão de fuzis em cinco anos. 

Salesio Nuhs, Presidente e CEO Global da Taurus Armas, acompanhado de executivos da empresa e do Jindal Group, mostra a pasta com o documento assinado

*LRCA Consulting – 27-01-2020

Após quase um ano de negociações com grupo indiano Jindal, a empresa gaúcha Taurus Armas S.A., por meio de Fato Relevante (comunicado) divulgado nesta manhã (https://urlzs.com/DrfzU), informou que foi assinado nesta segunda-feira (27) um acordo definitivo para criação de uma joint venture que permitirá a fabricação e comercialização de armas na Índia. A assinatura da parceria aconteceu durante a missão comercial do governo brasileiro à Índia, em reunião entre empresários indianos e brasileiros, e contou com a presença de autoridades do Ministério das Relações Exteriores e Ministério da Defesa.

Salesio Nuhs, Presidente e CEO global da empresa, assim se pronunciou “É um passo muito importante para o futuro da Taurus. Temos 80 anos no Brasil e uma fábrica nos Estados Unidos há 40 anos. Porém, pela primeira vez, estamos num programa de transferência de tecnologia na área de Defesa de governo, de uma grande economia mundial, segundo maior comprador de armas do mundo, a Índia. Brasil e Índia, duas potências econômicas mundiais. Taurus e Jindal, dois grupos econômicos que são referência no mundo em suas áreas de atuação. Queremos montar uma fábrica aqui na Índia que será referência mundial, a exemplo das nossas fábricas no Brasil e nos Estados Unidos”.

O Jindal Group é um dos mais poderosos grupos industriais indianos, além de ser o maior fabricante de aço da Índia e um dos dez maiores do mundo, com um faturamento superior a US$ 24 bilhões e com 200 mil funcionários no mundo, sendo 45 mil deles somente na divisão de aço.

Na joint venture, a Taurus ficará com 49% e o grupo indiano com 51% do empreendimento. O aporte da empresa brasileira se dará por meio da transferência de tecnologia para o Jindal Group, ou seja, não haverá dispêndio financeiro por parte da Taurus.

A parceria resultará no estabelecimento de uma grande fábrica de armas na Índia, aproveitando a recente abertura do mercado de defesa desse país a iniciativas abrigadas no programa "Make in India", que contam com o total apoio e incentivo do governo indiano.

As armas produzidas para o mercado civil terão a marca “Taurus”; as produzidas para o mercado militar terão a marca “Taurus Jindal”, com o início da produção ocorrendo ainda em 2020.

Desde sua fundação em São Leopoldo-RS no ano de 1939, este é o maior e mais significativo negócio da história da Taurus Armas.

Momento da assinatura


Produção de fuzis CQB e pistolas

Dentre as múltiplas possibilidades de negócios no imenso mercado militar e civil indiano, despontam as referentes a fuzis CQB e pistolas para as forças armadas, paramilitares e policiais. 

Até poucos anos sob o domínio completo do governo, a produção de munições e de armas portáteis (fuzis, metralhadoras de mão e pistolas) era feita por empresas pertencentes ao Departamento de Defesa, o que gerou uma grande defasagem tecnológica em relação aos modernos produtos existentes no mundo.

1. Fuzis CQB

O governo da Índia está realizando uma milionária licitação internacional para adquirir uma grande quantidade de fuzis CQB (close-quarter-battle) para equipar suas forças policiais e militares. Estas armas nada mais são do que fuzis de assalto menores e com um cano mais curto, comparativamente mais leves e fáceis de manusear do que o fuzil de assalto, sendo adequados para operações policiais ou militares que requeiram combates a curta distância.

O fuzil Taurus T4, em suas três versões, é o grande trunfo da empresa para essa licitação.

Adotado, desde o segundo semestre de 2017, como arma padrão pela Polícia Real de Omã, que importou 10 mil unidades, o Fuzil T4 produzido pela Taurus Armas S.A. em São Leopoldo-RS é um dos atuais carros-chefes da empresa para os mercados policial e militar do Brasil e do exterior.

No Brasil, o T4 é utilizado com sucesso pelas polícias militares e civis de diversos Estados. Recentemente, venceu uma licitação internacional para equipar a Polícia Civil do Estado de São Paulo.

É baseado na consagrada plataforma M4/M16, amplamente empregada pelas forças militares em todo o mundo e, principalmente, pelos países membros da OTAN, por ser considerada uma arma extremamente confiável, leve e de fácil emprego e manutenção.

Além disso, tem alta performance, confiabilidade, segurança e é fabricado com materiais de última geração, sendo adaptado para permitir o uso de uma vasta gama de acessórios. 

Segundo a Taurus: “Existe uma expectativa de o governo comprar meio milhão de fuzis em cinco anos”.

2. Pistolas

A pistola padrão das forças armadas, paramilitares e policiais indianas é a Pistol Auto 9mm 1A, uma antiga e obsoleta pistola semiautomática de ação simples, cópia licenciada da pistola Inglis 9mm (Browning Hi-Power), fabricada sob licença na Índia pela empresa estatal Rifle Factory Ishapore desde 1981. A Hi-Power foi descontinuada em 2017 pela Browning Arms, mas permanece em produção sob licença e ainda é utilizada como pistola padrão pelas forças armadas e policiais de diversos países. 

Em virtude dessa obsolescência, a joint venture entre a Taurus Armas S.A. e o Jindal Group poderá também fabricar a nova pistola padrão para as forças armadas, paramilitares e policiais. Para estas áreas, a Taurus disponibiliza pistolas de última geração, como a TS9, por exemplo.

A Taurus Striker TS9, no calibre 9mm, foi adotada pela Polícia Nacional da Filipinas - uma das mais exigentes do mundo - como resultado de uma licitação internacional no final de 2018. A aquisição de um grande lote inicial de 10 mil pistolas Striker TS9 foi realizada após as armas passarem por um dos mais rigorosos processos de avaliação, incluindo teste de resistência de 20.000 disparos, onde as amostras foram aprovadas sem nenhum incidente, atendendo plenamente os requisitos da Norma NATO AC-225.

Um mercado que impressiona pelo tamanho

O segundo país mais populoso do mundo (1,37 bilhão de pessoas) é considerado também uma das maiores potências militares do planeta, atrás apenas dos EUA, Rússia e China. Com mais de 1,3 milhão de homens e mulheres a serviço da nação, a Índia possui a quarta maior força militar do mundo em termos de efetivo, segundo levantamento da Global Firepower. Seu orçamento de defesa para 2018 foi de 45 bilhões de dólares previstos, embora haja fontes que situem os gastos militares do país nesse ano entre 62 e 66,5 bilhões de dólares (Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo - Sipri).

Na área de Segurança Pública, a Índia possui 1,4 milhão de policiais e cerca de sete milhões de agentes de segurança particulares, sendo um dos países do mundo em que o efetivo de agentes de segurança pertencentes às empresas particulares do setor supera em muito o efetivo policial. Seja como for, o número de agentes e policiais armados impressiona.

Uma joint venture bilionária

O objetivo final da joint venture com o poderoso Jindal Group é montar uma grande fábrica nesse país e passar a fabricar e comercializar todo o seu portfólio de armas. 

Conforme a Taurus: “A empresa indiana está apta a participar de processos licitatórios realizados pelo governo da Índia, oferecendo as pistolas, revólveres, carabinas, fuzis e submetralhadoras que a Taurus fabrica, abastecendo o imenso mercado militar, policial e de segurança privada”.

Com a associação ao Jindal Group, a Taurus Armas conquistou um poderoso aliado com porte suficiente para abrir o imenso mercado indiano e de outros países asiáticos aos seus produtos.



A Era Taurus

Conforme esta consultoria divulgou no relatório datado de 03 de julho de 2019 (“A Nova Taurus Armas”), posteriormente atualizado na análise divulgada em 15 de dezembro (“O turnaround da Taurus Armas”), as profundas transformações efetuadas na empresa desde 2017, o novo cenário brasileiro, a entrada em operação da nova fábrica nos Estados Unidos (duplicando a capacidade produtiva naquele país), o agora confirmado estabelecimento de uma fábrica na Índia e a agressiva conquista de importantes mercados internacionais têm tudo para tornar a década em curso uma era de ouro na história da companhia – a Era Taurus, representando um auspicioso e ímpar momento para a empresa gaúcha, que realizou uma completa reengenharia em seus processos e, num verdadeiro turnaround, passou a oferecer somente produtos de alta qualidade e com inovações tecnológicas, voltando a ser lucrativa e a ter excelentes perspectivas.

Saiba mais sobre o assunto:



 

Presidente da Taurus diz que não há monopólio e anuncia fábrica na Índia

'Ninguém fabrica no Brasil porque ninguém é maluco de pagar 70% de taxas', afirmou Salesio Nuhs em entrevista à BBC News Brasil na Índia.

"Tenho fábrica nos Estados Unidos, inauguramos no ano passado, e vamos inaugurar agora uma na Índia."




O CEO da fabricante de armas Taurus reagiu à declaração de Eduardo Bolsonaro, deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, que pretende atuar para atrair empresas estrangeiras do setor ao país e acabar com o que chama de monópolio no Brasil.

"Esse discurso do Eduardo Bolsonaro é descabido. Não existe monopólio, isso é uma bobagem. Ninguém fabrica no Brasil porque ninguém é maluco de pagar 70% de taxas", afirmou Salesio Nuhs em entrevista à BBC News Brasil na Índia, onde acompanha Bolsonaro em visita oficial como parte de uma comitiva de empresários do setor de defesa.

Eduardo Bolsonaro tem conversado com gigantes estrangeiras do mundo dos armamentos e munições, como a alemã SIG Sauer e a italiana Beretta, e quer ajudá-las a abrirem filiais no Brasil. Outras empresas do setor, como a austríaca Glock e a americana Smith & Wesson também estariam interessadas em investir no país.

O objetivo, diz, é "gerar empregos no Brasil, abrindo finalmente uma concorrência nesse setor, que hoje é dominado pela CBC/Taurus" — empresa privada que é alvo de críticas por dominar o setor e ter forte lobby junto a parlamentares, militares e forças de segurança.

"Se eu tivesse lobby, eu teria resolvido", rebate Nuhs sobre os entraves burocráticos do setor e a alta tributação. Segundo ele, há mais de 200 armas da empresa à espera da homologação do Exército brasileiro para poderem ser vendidas no país.

O executivo também negou ter influência sobre o governo Bolsonaro e afirmou que as doações eleitorais que fez a parlamentares em eleições passadas, antes do veto a repasses empresariais em eleições em 2015, foram todas dentro da lei. A Taurus doou, por exemplo, R$ 460 mil em quatro pleitos para Onyx Lorenzoni, hoje ministro da Casa Civil. Ele recebeu ainda R$ 100 mil da Associação Nacional da Indústria de Armas e Munições, também comandada pela Taurus.

O presidente Bolsonaro já prometeu tanto derrubar decretos e portarias do Poder Executivo, que criam obstáculos à importação de armas e munições quanto reduzir a carga tributária que incide sobre os produtos do setor.

Controlada pela Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC, única fabricante de munições do país), a empresa fabrica mais de 1,3 milhão de armas por ano, e apenas 15% da produção é voltada ao mercado brasileiro. Hoje, é a quarta marca mais vendida nos Estados Unidos, onde abriu uma fábrica no ano passado, o maior mercado consumidor mundial de armas.

BBC News Brasil - O deputado federal Eduardo Bolsonaro fez críticas a um 'monopólio da Taurus' no Brasil. Como o senhor reage a essa declaração?

Salesio Nuhs - Hoje, a legislação brasileira acaba privilegiando quem exporta para o Brasil, não quem investe no Brasil. Eu tenho fábrica e pago 70% de impostos no segmento de armas.

Tenho fábrica nos Estados Unidos, inauguramos no ano passado, e vamos inaugurar agora uma na Índia.

Isso é uma coisa que o governo tem que resolver.

Esse discurso do Eduardo Bolsonaro é descabido. Não existe monopólio, isso é uma bobagem. Ninguém fabrica no Brasil porque ninguém é maluco de pagar 70% de taxas.

Além da questão tributária, há também a regulatória. Para você lançar uma arma no Brasil, você precisa passar por um órgão regulador. Isso hoje demora mais ou menos dois anos, se não tiver nada na fila. Nós, da Taurus, temos mais de 200 armas na fila para serem homologadas. É uma questão complexa que o governo tem que resolver.

BBC News Brasil - Figuras importantes do governo também sugerem que há um lobby da Taurus que dificulta a entrada de outras empresas no país.

Nuhs - Se eu tivesse lobby, eu teria resolvido isso (da homologação das armas). Isso é uma bobagem.

BBC News Brasil - Vários leitores da BBC News Brasil dizem que a Taurus tem uma relação muito próxima com o governo Bolsonaro. Foi uma importante doadora e por isso teria privilégios. Vocês, por exemplo, já doaram muito para o então deputado federal Onix Lorenzoni, hoje ministro da Casa Civil.

Nuhs - Não, até porque na eleição do Bolsonaro (empresa) não podia mais fazer doação. E sempre que fizemos doação fizemos dentro da lei. Para o Bolsonaro, nunca fizemos nenhuma doação. Nós somos uma empresa, e o que as pessoas não conseguem compreender é que a Taurus é uma empresa estratégica de defesa.

Não porque eu me considero. Isso é um decreto do Ministério da Defesa. Algumas empresas do Brasil são de defesa, como é o caso da CBC e da Taurus. Não existe relacionamento ou lobby nem nada parecido. Somos uma empresa com a qual o governo tem interesses estratégicos.

Essa questão do monopólio é uma bobagem também porque a gente exporta para mais de cem países. Todo dia eu ganho uma licitação em algum lugar no Brasil. Qual é o problema?

Nós somos a quarta marca mais vendida nos Estados Unidos, o maior mercado consumidor mundial de armas. Nós tivemos a coragem de ir para os Estados Unidos produzir lá em 1981 e disputamos o mercado americano. Não temos nenhuma dificuldade de concorrer no mundo competitivo do setor. Pelo contrário.

BBC News Brasil - Hoje vocês vão assinar um acordo junto a Jindal Group, uma empres indiana, uma negociação que está acontecendo há 11 meses.

Nuhs - Estamos finalmente para assinar essa joint venture, uma indústria aqui na Índia parte do projeto indiano Make in India. Todo mundo quer ter uma indústria de defesa. E a nossa parceria aqui envolve transferência de tecnologia para o governo indiano.

BBC News Brasil - Vocês terão 49% e os indianos 51%.

Nuhs - Sim. Por conta do projeto Make in India. Indústria de defesa é estratégica em todo lugar do mundo. A ideia, partindo daqui, só o mundo sabe. Para os interesses que vieram pela frente aí, nós estamos abertos.

26 janeiro, 2020

Brasil vai assinar dois acordos de defesa com a Índia, diz secretário

Governo estima aumentar exportação de armamentos ao país para US$ 1 bi em 5 anos




O governo brasileiro tem como meta aumentar para US$ 1 bilhão em cinco anos a exportação de armamentos para a Índia, o segundo maior importador do mundo de produtos de defesa.

Neste sábado, Brasil e Índia anunciaram a assinatura de 15 acordos comerciais.

Segundo afirmou à Folha Marcos Degaut, secretário de produtos de defesa do Ministério da Defesa, o Brasil está na fase final de negociação de dois acordos com a Índia, que serão assinados nos próximos meses pelo ministro da pasta, Fernando Azevedo.

Um deles prevê um fundo para financiar projetos estratégicos, produção e exportação de produtos resultantes. O outro é para cooperação no desenvolvimento e comercialização de equipamentos de defesa.

“A base industrial de defesa do Brasil quer ter acesso ao gigantesco mercado indiano e, por conseguinte, ao mercado asiático, além de formar parcerias estratégicas para desenvolvimento tecnológico, captar investimentos e desenvolver instrumentos de financiamento à exportação”, diz Degaut.

Ao lado do secretário da defesa da índia, Ajay Kumar, Degaut abrirá nesta segunda-feira (27) o Primeiro Diálogo da Indústria de Defesa Brasil-Índia. Uma delegação de empresários de dez grandes empresas de armas, munição, vigilância e aviação (Altave, Atech, Avibras , CBC, Condor, Embraer, Iveco, Macjee, Omnisys e Taurus) acompanha a comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita oficial à Índia.

A Taurus, empresa brasileira que é uma das três maiores produtoras de armas leves do mundo, está em fase final de negociação de uma joint-venture com a siderúrgica indiana Jindal.

Quando concretizada a joint-venture, a Taurus passará a fabricar revólveres e pistolas   para os mercados civil e militar do país. Para o segundo, também vai participar de licitações para armas táticas.

Segundo disse à Folha o presidente da Taurus, Salésio Nuhs, o acordo se encaixaria no programa Make in India do primeiro-ministro Narendra Modi, que estimula a substituição de importações e instalação de indústrias no país, com transferência de tecnologia.

No acordo, a Taurus seria dona de 51% da nova empresa, e a Jindal, de 49%.

Hoje, o Brasil exporta para a Índia um valor muito pequeno em produtos de defesa: em 2019, foram apenas US$ 427 mil. Segundo Degaut, um dos principais obstáculos para o aumento de vendas é a escassez de mecanismos de financiamento à exportação no Brasil, incluindo instrumentos de seguro e crédito.

A Índia é o segundo maior comprador de equipamentos de defesa do planeta, atrás apenas da Arábia Saudita, e tem o quarto maior orçamento militar do mundo.

Segundo Degaut, o Brasil poderia exportar aeronaves como o Super Tucano e o KC-390 —ambos da Embraer—, sistemas de artilharia e de defesa aérea, de controle de tráfego aéreo e monitoramento de fronteiras, blindados e veículos de combate, helicópteros, submarinos classe Scorpène, embarcações leves, armas e munições e equipamento não-letais.

O projeto faz parte de um plano do governo brasileiro de facilitar e incentivar o setor de equipamentos de defesa. Em 2019, o Brasil registrou aumento de 30% nas autorizações de exportações de produtos de Defesa, em relação a 2018 —um salto de US$ 915 milhões para US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões).

Nenhuma indústria bélica vai investir no Brasil sem redução de impostos, diz presidente da Taurus

Executivo rebate ideia de Eduardo Bolsonaro sobre entrada de fabricantes no país




Com a atual tributação sobre a indústria bélica, nenhuma empresa estrangeira vai querer fabricar no Brasil. Essa é a opinião de Salésio Nuhs, presidente da Taurus, maior fabricantes de armas de pequeno porte no Brasil, em resposta à proposta do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

Na manhã deste domingo (26), Eduardo defendeu a entrada de fabricantes estrangeiros de armamentos no país, dizendo que o monopólio virtual da Taurus no mercado faz com que as armas tenham preços altos no Brasil, o que restringe o acesso da população a armas.

“Eu não quero falir a Taurus, quero apenas que haja concorrência para aumentar a qualidade e baixar o preço”, disse Eduardo, que afirmou ter conversado com a suíça SigSauer e a italiana Beretta sobre investimentos no Brasil.

“Isso vai permitir que a população tenha mais acesso a armas, hoje em dia esse mercado é elitista, por causa dos preços das armas”, disse o deputado

Para Nuhs, ninguém vai ser “maluco” de investir no Brasil se for mantida a atual carga tributária sobre os armamentos, de quase 70%. “O problema no Brasil não é o preço, é o imposto; nenhuma empresa estrangeira irá investir se não mudarem a tributação”, disse à Folha o presidente da Taurus.

“Essa proposta é equivocada, não existe monopólio no Brasil”, afirmou. A Taurus emprega 2.100 pessoas no Brasil e gera 5 mil empregos indiretos, segundo Nuhs.  

A Taurus está em fase final de negociação para firmar uma joint-venture com a Jindal Steel, siderúrgica indiana que fatura US$ 3,3 bilhões ao ano. Segundo Nuhs, o acordo se encaixaria no programa Make in India do primeiro-ministro Narendra Modi, que estimula a substituição de importações e instalação de indústrias na Índia. No acordo, a Taurus seria dona de 51% da nova empresa, e a Jindal, de 49%. [Nota: o padrão de joint venture indiano não é esse, mas sim 51% para a empresa local e 49% para a estrangeira]

O objetivo é fabricar armamentos para o mercado civil, revólveres e pistolas, e para o mercado militar, participando de licitações para armas táticas.

Eduardo faz parte da comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita oficial à Índia. Nuhs veio com a delegação de empresários que participará do seminário conjunto de indústrias de Defesa da Índia e do Brasil que se realiza em Déli.

Dez grandes empresas brasileiras de armas, munição, vigilância e aviação fazem parte da delegação do presidente Bolsonaro. O seminário, chamado de Primeiro Diálogo da Indústria de defesa Brasil-Índia, será realizado na segunda-feira (27). O evento será aberto por Marcos Degaut, secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, e por Ajay Kumar, ministro da defesa da Índia.

Eduardo Bolsonaro afirmou que irá se dedicar este ano à abertura do mercado brasileiro de armamentos. Hoje em dia, há poucas empresas fabricando armamento civil no Brasil —a estatal Imbel e a CBC-Taurus dominam o mercado. O deputado afirmou que já teve videoconferências com a suíça-alemã SigSauer e a italiana Beretta, que querem se instalar no Brasil e fabricar no país.

De acordo com Eduardo, o virtual monopólio da CBC-Taurus em armas de pequeno porte faz com que o preço de armamentos seja muito alto. Munição também, afirmou, é cinco vezes mais barata nos Estados Unidos.

Nuhs apontou também problemas no setor regulatório, afirmando que o órgão homologador leva dois anos para liberar uma nova arma. “Onde fica nossa competitividade? Nós temos 280 produtos na fila.”

A posição dos Estados Unidos sobre o desarmamento civil


LRCA Consulting - 26/01/2020

No vídeo, o presidente da maior e mais sólida democracia do mundo se posiciona sobre a tentativa de os democratas, parte da imprensa e alguns membros do judiciário dos EUA pregarem o desarmamento civil.

Com as devidas adaptações, esse discurso poderia estar sendo feito pelo presidente do Brasil, pois os "atores" são semelhantes lá e cá...

Declarações de Eduardo Bolsonaro na Índia fazem ressurgir a pergunta: "Make in Brasil" ou "Make outside Brazil"?



Em face das declarações do deputado federal Eduardo Bolsonaro na Índia, abaixo transcritas, esta consultoria apresenta um contraponto, trazendo parte de uma análise prospectiva publicada anteriormente.



O deputado Eduardo Bolsonaro defendeu neste domingo (26) a entrada de fabricantes estrangeiros de armamentos no Brasil, para aumentar o acesso da população a armas.

"Eu não quero falir a Taurus, quero apenas abrir o mercado para que haja concorrência e isso aumente a qualidade e baixe o preço", disse Eduardo. "Isso vai permitir que a população tenha mais acesso a armas, hoje em dia esse mercado é elitista, por causa dos preços das armas", disse. Eduardo faz parte da comitiva do presidente Jair Bolsonaro na visita oficial à Índia.

O deputado afirmou que irá se dedicar este ano à abertura do mercado brasileiro de armamentos. Hoje em dia, há poucas empresas fabricando armamento civil no Brasil, a estatal Imbel e a CBC-Taurus dominam o mercado. Eduardo afirmou que já teve videoconferências com a suíça-alemã SigSauer e a italiana Beretta, que querem se instalar no Brasil e fabricar no país.

De acordo com o deputado, o virtual monopólio da CBC-Taurus em armas de pequeno porte faz com que o preço de armamentos seja muito alto. Munição também, afirmou, é cinco vezes mais barata nos Estados Unidos.

Na segunda-feira, Eduardo participa do seminário conjunto de indústrias de Defesa da Índia e do Brasil que se realiza em Déli. Dez grandes empresas brasileiras de armas, munição, vigilância e aviação fazem parte da delegação do presidente Bolsonaro. O governo quer aumentar as vendas de armamentos para Índia.

Segundo Eduardo, também há expectativa de aumentar vendas de armamentos para o Oriente Médio, principalmente Arábia Saudita e Emirados Árabes.

No mercado interno, segundo o deputado, há muita burocracia que impede que indústrias bélicas estrangeiras se instalem, por causa do lobby para manter o virtual monopólio da Taurus.

O deputado quer também desburocratizar o acesso de atiradores e colecionadores - grandes entusiastas do presidente Bolsonaro - a armas.

Indagado, ele afirma que o maior acesso da população a armas não irá aumentar a criminalidade no Brasil.

"O que mata não é a arma, é o ser humano", disse Eduardo. "Antes de 2003 (adoção doe estatuto do desarmamento), havia muito menos mortos que hoje, o estatuto impede a população de ter arma, passa recado para a bandidagem: fiquem tranquilos."

Ele também afirmou que a redução de 22% na queda no número de mortes violentas em 2019 decorre também de um efeito moral do governo Bolsonaro. "Quando um presidente se diz armamentista, diz que invasor de terra será recebido a bala e que pretende dar à população acesso a armas, isso tem impacto sobre a bandidagem."
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CONTRAPONTO

Indústria de Armamentos: falta de isonomia tributária e regulatória pode levar empresas a abandonar o Brasil 

 *LRCA Consulting – 07/10/2019 (atualizado em 26/01/2020)

Políticas tributárias e regulatórias favorecem somente importações

Para ilustrar o problema, esta consultoria toma o exemplo da Taurus Armas S.A., que, além de ser uma grande empresa de capital aberto que tem seus dados e notícias amplamente divulgados pela mídia especializada e pela imprensa em geral, é a empresa mais afetada pelas novas normas e pelas discrepâncias tributárias e regulatórias.

Sendo uma companhia global, a maior fabricante de armamento leve da América Latina e uma das maiores do mundo exporta 85% de sua produção para mais de 100 países e, assim, está absolutamente preparada para enfrentar a concorrência no Brasil e no exterior, pois compete com as maiores empresas de armas nos mercados de exportação e, por este motivo, não tem razão alguma para temer qualquer tipo de concorrência no Brasil, desde que haja isonomia tributária e regulatória.

Uma simulação permite entender melhor a questão tributária. Quando um cidadão compra uma arma, 70% do valor final são impostos e 30% é o valor do produto. Numa arma que custa R$ 4200,00 no Rio de Janeiro, os impostos federais e estaduais (IPI, PIS/CONFINS e ICMS) totalizam R$ 2.940,00. Subtraindo-se do restante o frete de R$ 265,00 que a empresa paga, o valor que esta recebe é de apenas R$ 995,00, por um produto que custou R$ 4200,00 ao consumidor.

Quando a arma é importada, não sofre a maior parte dessa carga tributária, criando uma concorrência desleal e predatória com os fabricantes locais.

Hoje, as leis beneficiam unilateralmente as exportações de armas para o Brasil e este tende a ser o sistema preferencial para as empresas estrangeiras, já que não há vantagem nenhuma para virem se instalar aqui, pois seriam tão penalizadas como a Taurus o é. Além disso, as empresas que exportam para cá não geram empregos e divisas para o País.

Quanto à questão regulatória (certificação de qualidade), para homologar um produto, se não tiver mais nada na fila, a Taurus alega demorar de 18 a 24 meses para obter a certificação junto aos órgãos competentes. Como a empresa tem hoje mais de 100 novos produtos na fila, pela média dos últimos tempos iria demorar muitos anos até homologar todos, o que significa expressivas perdas em oportunidades de negócios, em competitividade e em inovação.

Claro que isso é apenas uma perspectiva, pois certamente os órgãos governamentais irão criar mecanismos para agilizar o processo, como homologar laboratórios independentes e simplificar o mecanismo, por exemplo. Caso contrário, em condições de acirrada concorrência com outras não dependentes desse processo, nenhuma empresa sobreviveria a esse gargalo regulatório.

O problema é que a agilização desse processo não é algo que vá acontecer no curto prazo, diferentemente das importações, que começaram tão logo a nova norma legal passou a surtir seus efeitos. O resultado tende, assim, a vir em total detrimento da empresa brasileira.

Se uma empresa vier fabricar armas no Brasil, terá o mesmo problema regulatório. No entanto, as empresas que exportam para o País não precisam passar por nenhuma homologação, o que torna a concorrência estrangeira ainda mais predatória, pois elas conseguem, em seus países de origem, certificar novos produtos com muito mais agilidade e rapidez.

Logística pós-venda: um diferencial de peso

Um fato sobejamente conhecido neste mercado é a falta de mentalidade de manutenção de grande parte dos consumidores normais brasileiros e, até mesmo, de algumas entidades de segurança pública, fazendo com que as armas apresentem problemas diversos por falta de manutenção preventiva periódica e/ou após o uso diário em serviço. Segundo um documento do Comando Logístico do Exército, de 2016, “Em algumas instituições de segurança existe deficiência de política/gestão de manutenção preditiva, preventiva ou corretiva” das armas.

Isso fez com que a Taurus passasse a investir pesadamente na qualificação dos armeiros das entidades de segurança pública e privada, bem como na de sua equipe de representantes capilarizada por todo o país, procurando difundir a mentalidade de manutenção.

Além disso, a empresa oferece ao consumidor uma ampla e ágil rede de distribuidores, pontos de venda e assistência técnica treinada em todo o território nacional, além de uma equipe de instrutores credenciados e peças de reposição rapidamente acessíveis, fazendo com que, no médio prazo, a empresa tenha vantagens difíceis de superar por qualquer futura concorrência que venha, realmente, a se estabelecer no território nacional, fabricando aqui suas armas e gerando empregos e divisas para o Brasil.

Orgulho de ser uma empresa brasileira

Fundada em 1939 e sediada em São Leopoldo-RS, a Taurus é uma das empresas brasileiras que mais exportou em 2018 no Estado. Foram mais de 715 mil armas, entre revólveres, pistolas, fuzis, submetralhadoras e espingardas exportados pela Taurus Brasil, totalizando mais de U$ 132 milhões de dólares. A empresa contribuiu com a economia nacional arrecadando R$ 155,2 milhões em impostos e gerando milhares de empregos.

"Make in Brasil" ou "Make outside Brazil"?

Por mais que a posse de armas seja flexibilizada, é difícil imaginar no Brasil a mesma liberdade encontrada nos EUA. Isto torna o nosso mercado interno muito pequeno, o que faz com que uma indústria de armamentos não se viabilize apenas no País.

Com 85% da produção brasileira exportada, o movimento estratégico da empresa vai no sentido de diversificar a presença internacional e depender menos dos EUA, país que importa US$ 1 bilhão em armas por ano de diversos fornecedores mundiais. A Taurus mudou sua fábrica da Flórida para a Geórgia. Em parceria com o governo local, investiu US$ 42 milhões na unidade, o que a possibilita dobrar sua capacidade nesse país, passando a produzir até 800.000 armas/ano.

A empresa gaúcha é a líder mundial na fabricação de revólveres e a quarta marca mais vendida nos EUA. A pistola G2c, produzida em São Leopoldo, é a mais vendida nos Estados Unidos. No mundo, são 2 milhões de unidades comercializadas.

Desde o começo do ano, a Taurus está negociando uma joint venture com o grupo indiano Jindal para, dentro do programa “Make in India”, montar uma grande fábrica nesse país e passar a produzir e comercializar seu portfólio de armas portáteis para abastecer o seu imenso mercado militar, paramilitar, policial e de segurança privada.

Assim, possuindo uma moderna fábrica nos EUA - maior mercado mundial para armamentos leves - e com possibilidade de montar outra com todo o apoio do governo indiano, a Taurus, apesar de todo o orgulho em ser brasileira, de empregar milhares de brasileiros e de gerar divisas para o País, continua sendo uma empresa privada de capital aberto e, como tal, necessita ser lucrativa e remunerar seus acionistas, merecendo um tratamento isonômico do País para o qual tanto contribui. Caso contrário, não haverá mais motivos para permanecer no Brasil, podendo se transferir integralmente para o exterior, de onde poderia exportar seus produtos para cá em condições mais vantajosas.

Ao fim e ao cabo, caberá ao Brasil decidir se quer manter uma grande Empresa Estratégica de Defesa que é fundamental para a segurança e para a autonomia do pais no setor, que gera mais de 5 mil empregos diretos e 15 mil indiretos, além de milhões de dólares em exportações, ou se irá permitir que políticas tributárias e regulatórias equivocadas façam com que a empresa acabe deixando o País.

Ou seja, enquanto a Índia fomenta o "Make in India", o Brasil irá permitir o "Make outside Brazil"?

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