Pesquisar este portal

13 janeiro, 2026

C-390 Millennium em versão MPA: parceria com Elbit Systems sinaliza nova era na patrulha marítima

Vídeo promocional da empresa israelense apresenta aeronave brasileira em operações navais, reforçando expectativa de desenvolvimento da variante de patrulha marítima

 

*
LRCA Defense Consulting - 13/01/2026

A aparição do Embraer C-390 Millennium em um vídeo promocional publicado hoje (13) pela Elbit Systems no LinkedIn pode não ser apenas uma peça de marketing. A imagem da aeronave brasileira em missões navais reflete uma relação comercial consolidada entre as duas empresas e reforça a expectativa de que a variante de patrulha marítima (MPA) do C-390 está cada vez mais próxima de se tornar realidade.

Parceria estratégica consolidada
A conexão entre Embraer e Elbit Systems vai muito além de uma colaboração ocasional. A empresa israelense já fornece sistemas críticos de autoproteção para o C-390, incluindo a suíte DIRCM (Directional Infrared Countermeasures) que protege a aeronave contra ameaças de mísseis guiados por infravermelho.

Em novembro de 2025, essa relação se aprofundou com um contrato de US$ 175 milhões para o fornecimento de suítes completas de guerra eletrônica e autoproteção DIRCM para C-390 Millennium e helicópteros H225M de países europeus membros da OTAN. O acordo inclui o pod de contramedidas eletrônicas SPEAR, sistema modular que pode ser transferido entre aeronaves, ampliando a flexibilidade operacional.

No Brasil, os laços entre as empresas têm raízes ainda mais profundas. A AEL Sistemas, subsidiária brasileira da Elbit desde 2001, teve 25% de sua participação adquirida pela Embraer Defesa e Segurança em 2011. No mesmo ano, foi constituída a Harpia Sistemas, joint venture focada no desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados (encerrada em janeiro de 2016).

Programa C-390 IVR ganha força
Em dezembro de 2024, Embraer e Força Aérea Brasileira (FAB) formalizaram um acordo para desenvolver a variante de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) do C-390 Millennium, denominada C-390 IVR, com foco específico em patrulha marítima. O programa ganhou impulso adicional em abril de 2025, quando a Força Aérea Portuguesa se juntou à iniciativa.

Os estudos colaborativos, que devem ser concluídos até o final de 2026, já avançam em aspectos técnicos cruciais. Imagens divulgadas pela Embraer mostram a aeronave equipada com um pod de vigilância sob o nariz e mísseis anti-navio sob cada asa, indicando capacidade para operações de ataque à superfície.

"Os estudos para adaptar a aeronave C-390 Millennium às missões ISR evoluíram de forma estruturada, analisando a capacidade da aeronave de evoluir para atender às necessidades atuais e futuras da Força Aérea Brasileira, especialmente em relação à Patrulha Marítima", declarou o Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, comandante da FAB.

Capacidades da versão MPA
A futura variante MPA do C-390 deverá incorporar uma série de sistemas avançados que transformarão a aeronave em uma plataforma naval multifuncional:

  • Armamento: suportes externos reforçados sob as asas para mísseis anti-navio, incluindo os MANSUP/MANSUP-ER desenvolvidos em parceria entre Brasil e Emirados Árabes Unidos.

  • Guerra antissubmarina: sistema interno de lançamento de sonoboias com datalink integrado para rastreamento de ameaças submarinas.

  • Inteligência artificial: sistema de missão baseado em IA para priorização automática de alvos.

  • Guerra eletrônica: modificações em antenas para operações ELINT (Electronic Intelligence) e SIGINT (Signals Intelligence).

  • Estrutura reforçada: capacidade para cargas úteis maiores e integração de sensores avançados.

Vídeo promocional da Elbit Systems

Plataforma comprovada
Com mais de 15.000 horas operacionais acumuladas pela frota da FAB, o C-390 demonstra confiabilidade excepcional: taxa de disponibilidade técnica de 93% e taxa de conclusão de missão de 99%. Essas estatísticas fortalecem a confiança no desenvolvimento da variante MPA.

A aeronave já foi escolhida por nove países — Brasil, Hungria, Áustria, Coreia do Sul, Holanda, República Tcheca, Portugal, Suécia e, mais recentemente, em negociações avançadas com outros clientes, para modernizar suas forças aéreas. Com capacidade de carga de 26 toneladas e velocidade máxima de 470 nós, o C-390 Millennium é considerado o mais avançado em sua categoria.

Elbit Systems no centro da estratégia
A inclusão do C-390 no vídeo promocional de soluções navais da Elbit Systems não é coincidência. A empresa israelense está posicionada para fornecer não apenas os sistemas de autoproteção já contratados, mas potencialmente toda a suíte de missão, sensores e sistemas de armamento para a futura variante MPA.

O conceito de "dominância naval" apresentado no vídeo da Elbit alinha-se perfeitamente com as capacidades que o C-390 MPA pretende oferecer: vigilância de longo alcance, capacidade de ataque à superfície e integração em redes de defesa multinacional.

"Estamos honrados em avançar com a FAB nos estudos para expandir as capacidades operacionais do C-390 Millennium", afirmou Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. "Isso reforça nosso compromisso de sempre oferecer aos nossos clientes uma aeronave capaz de realizar suas missões mais desafiadoras com eficiência incomparável."

Mercado promissor
O desenvolvimento da versão MPA posiciona a Embraer em um nicho de mercado atrativo. Países que buscam capacidades de patrulha marítima avançadas, mas sem acesso a alternativas mais caras como o Boeing P-8 Poseidon ou o Kawasaki P-1 devido a restrições políticas ou econômicas, podem encontrar no C-390 MPA a solução ideal.

Com a conclusão dos estudos prevista para 2026, e considerando a sólida parceria com a Elbit Systems, a entrada do C-390 Millennium no segmento de patrulha marítima deixa de ser apenas uma possibilidade para se tornar uma perspectiva cada vez mais concreta no horizonte da aviação militar brasileira e internacional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Seu comentário será submetido ao Administrador. Não serão publicados comentários ofensivos ou que visem desabonar a imagem das empresas (críticas destrutivas).

Postagem em destaque