Parceria prevê linha de montagem final do E175 no país
asiático, com aumento progressivo de conteúdo local, e pode inaugurar o
primeiro polo de montagem comercial de aeronaves da Índia
*LRCA Defense Consulting - 21/02/2026
A fabricante brasileira de aeronaves Embraer e o conglomerado indiano Adani Defence & Aerospace anunciaram, em cerimônia realizada em Nova Delhi, a assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) para o desenvolvimento de um ecossistema integrado de aviação regional na Índia. O centro da iniciativa é a instalação de uma linha de montagem final (FAL) do jato regional E175 em solo indiano, o que, se concretizado, representará o primeiro polo de montagem de aeronaves comerciais de passageiros do país.
O acordo foi assinado na presença do presidente brasileiro e do ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, e marca um passo estratégico tanto para a Embraer quanto para o programa Aatmanirbhar Bharat (“Índia Autossuficiente”), política do governo indiano voltada à industrialização e à redução da dependência de importações em setores estratégicos. Esse avanço aprofunda o MoU inicial de janeiro de 2026 e se insere em um plano mais amplo para desenvolver o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA), além de reforçar o estreitamento das relações estratégicas entre os dois países.
Um ecossistema, não apenas uma fábrica
Diferente de acordos convencionais de montagem, a parceria Embraer–Adani foi desenhada com escopo ampliado. A proposta vai além da FAL e contempla o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores local, serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de pilotos e técnicos e suporte de longo prazo às aeronaves entregues.
As duas empresas já trabalham em conjunto para avançar em todos os aspectos do MoU, incluindo oportunidades na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços pós-venda, treinamento de pilotos e obtenção de encomendas que sustentem a operação da futura linha de montagem.
“A aviação regional é um dos pilares da expansão econômica. Com iniciativas como o programa UDAN ampliando a conectividade aérea nas cidades de médio e pequeno porte, é essencial fortalecer a aviação regional no país”, afirmou Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. “Essa parceria também reforça as relações estratégicas entre Índia e Brasil, com a sinergia entre capacidades complementares dos dois países.”
“Estamos estruturando o segmento de jatos regionais na Índia. Esse é um passo importante rumo a uma aviação autossuficiente, capaz de reduzir as distâncias entre áreas urbanas e rurais, gerar empregos de alta qualificação e fortalecer a posição do país na indústria aeroespacial global”, declarou Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace.
Do lado brasileiro, o presidente e CEO de Aviação Comercial da Embraer, Arjan Meijer, ressaltou a importância estratégica do mercado indiano: “A Índia é um mercado central para a Embraer, e esta parceria combina nossa expertise aeroespacial com as robustas capacidades industriais da Adani e seu compromisso com a indigenização. Juntos, avaliaremos as soluções mais viáveis e eficientes para apoiar as ambições da Índia no transporte aéreo regional.”
“O E175 tem um histórico reconhecido de operação em rotas regionais de alta frequência em diversos mercados, e a Índia é um dos principais países em expansão nesse segmento”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. “Esta assinatura representa um marco importante para a parceria, à medida que seguimos trabalhando em todos os aspectos relacionados à implantação da linha de montagem final no país, incluindo a obtenção de encomendas.”
O papel do E175 no mercado indiano
Com capacidade para até 88 passageiros, o E175 é particularmente adequado para atender mercados pouco explorados em cidades de pequeno e médio porte na Índia, hoje subatendidas por aeronaves maiores. O modelo pode viabilizar novas rotas, ampliar a conectividade, assegurar operações confiáveis e acelerar a expansão da aviação regional, oferecendo uma solução comprovada e eficiente para o RTA, em linha com os objetivos do programa UDAN de levar o transporte aéreo a um número maior de cidades de segundo e terceiro escalão.
Embraer já tem raízes na Índia
A Embraer opera hoje com quase 50 aeronaves e 11 modelos diferentes na Índia, distribuídos entre aviação comercial, de defesa e executiva. A Força Aérea Indiana utiliza o Legacy 600 e o Netra AEW&C, baseado na plataforma ERJ145, enquanto a Star Air mantém uma frota totalmente composta por jatos Embraer, incluindo E175 e ERJ145 em rotas regionais que, em grande parte, se enquadram na malha do programa UDAN.
Esse histórico consolida a confiança institucional e operacional necessária para um projeto dessa magnitude, e é justamente sobre essa base estabelecida que a nova parceria pretende crescer.
Make in India e aviação regional
A parceria se alinha diretamente às diretrizes de Aatmanirbhar Bharat e ao programa Make in India, que buscam construir capacidades industriais domésticas em setores estratégicos, incluindo defesa e aeroespacial. No setor aeronáutico, o crescimento acelerado da demanda por viagens domésticas e a necessidade de conectar cidades de segundo e terceiro escalão criam um ambiente propício para aeronaves regionais como o E175.
Jeet Adani enquadrou o acordo como um movimento que vai além da dimensão industrial, ao unir capacidades complementares de Índia e Brasil em torno de uma mesma agenda de autossuficiência tecnológica e fortalecimento da conectividade aérea interna.
Detalhes ainda a definir, mas o sinal é claro
O MoU não especificou ainda o local da futura instalação, os volumes de produção previstos nem um cronograma definitivo. Segundo Jeet Adani, esses detalhes serão revelados nos próximos meses, mas o trabalho de seleção do local já foi iniciado em paralelo às negociações sobre a estrutura societária do empreendimento; a Embraer busca uma participação igualitária no projeto.
O anúncio definitivo das condições do investimento era esperado durante a visita do presidente brasileiro à Índia, que está ocorrendo agora, o que reforça a dimensão diplomática do acordo entre os dois países emergentes.
Um clube seleto de países
Se o projeto avançar conforme planejado, a Índia ingressará em um grupo restrito de nações com capacidade de montagem final de aeronaves comerciais, ao lado de Brasil, Estados Unidos, Canadá, França e China. O feito sinalizaria uma transformação estrutural na posição do país nas cadeias globais de valor da indústria aeroespacial.
Para a Embraer, o acordo representa mais um passo em sua estratégia de internacionalização da produção, que já conta com unidades industriais nos Estados Unidos e em Portugal, além dos polos de São José dos Campos, Gavião Peixoto, Botucatu e Taubaté, no Brasil.
Sobre a Adani Defence & Aerospace
A Adani Defence & Aerospace, parte do Grupo Adani, é considerada a maior empresa privada integrada de defesa e aeroespacial da Índia, atuando no desenvolvimento de capacidades estratégicas nos domínios terrestre, aéreo e marítimo. A companhia se dedica ao projeto, desenvolvimento, fabricação e sustentação de uma ampla variedade de plataformas e sistemas de defesa e aeroespaciais, incluindo soluções de vigilância aerotransportada e AEW&C, sistemas não tripulados, armamentos e munições, guerra eletrônica, aviônicos e tecnologias avançadas de munições.
Com foco em sustentação ao longo do ciclo de vida, serviços de MRO e treinamento aeronáutico, a Adani Defence vem desenvolvendo um ecossistema industrial de defesa robusto por meio de parcerias estratégicas com empresas globais, start-ups e MPMEs. Alinhada à visão Aatmanirbhar Bharat, a companhia reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de capacidades de longo prazo, a prontidão operacional e o fortalecimento da segurança nacional da Índia.
O acordo foi assinado na presença do presidente brasileiro e do ministro da Aviação Civil da Índia, Ram Mohan Naidu, e marca um passo estratégico tanto para a Embraer quanto para o programa Aatmanirbhar Bharat (“Índia Autossuficiente”), política do governo indiano voltada à industrialização e à redução da dependência de importações em setores estratégicos. Esse avanço aprofunda o MoU inicial de janeiro de 2026 e se insere em um plano mais amplo para desenvolver o programa de Aeronaves de Transporte Regional (RTA), além de reforçar o estreitamento das relações estratégicas entre os dois países.
Um ecossistema, não apenas uma fábrica
Diferente de acordos convencionais de montagem, a parceria Embraer–Adani foi desenhada com escopo ampliado. A proposta vai além da FAL e contempla o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores local, serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de pilotos e técnicos e suporte de longo prazo às aeronaves entregues.
As duas empresas já trabalham em conjunto para avançar em todos os aspectos do MoU, incluindo oportunidades na fabricação de aeronaves, cadeia de suprimentos, serviços pós-venda, treinamento de pilotos e obtenção de encomendas que sustentem a operação da futura linha de montagem.
“A aviação regional é um dos pilares da expansão econômica. Com iniciativas como o programa UDAN ampliando a conectividade aérea nas cidades de médio e pequeno porte, é essencial fortalecer a aviação regional no país”, afirmou Jeet Adani, diretor da Adani Defence & Aerospace. “Essa parceria também reforça as relações estratégicas entre Índia e Brasil, com a sinergia entre capacidades complementares dos dois países.”
“Estamos estruturando o segmento de jatos regionais na Índia. Esse é um passo importante rumo a uma aviação autossuficiente, capaz de reduzir as distâncias entre áreas urbanas e rurais, gerar empregos de alta qualificação e fortalecer a posição do país na indústria aeroespacial global”, declarou Ashish Rajvanshi, presidente e CEO da Adani Defence & Aerospace.
Do lado brasileiro, o presidente e CEO de Aviação Comercial da Embraer, Arjan Meijer, ressaltou a importância estratégica do mercado indiano: “A Índia é um mercado central para a Embraer, e esta parceria combina nossa expertise aeroespacial com as robustas capacidades industriais da Adani e seu compromisso com a indigenização. Juntos, avaliaremos as soluções mais viáveis e eficientes para apoiar as ambições da Índia no transporte aéreo regional.”
“O E175 tem um histórico reconhecido de operação em rotas regionais de alta frequência em diversos mercados, e a Índia é um dos principais países em expansão nesse segmento”, afirmou Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer. “Esta assinatura representa um marco importante para a parceria, à medida que seguimos trabalhando em todos os aspectos relacionados à implantação da linha de montagem final no país, incluindo a obtenção de encomendas.”
O papel do E175 no mercado indiano
Com capacidade para até 88 passageiros, o E175 é particularmente adequado para atender mercados pouco explorados em cidades de pequeno e médio porte na Índia, hoje subatendidas por aeronaves maiores. O modelo pode viabilizar novas rotas, ampliar a conectividade, assegurar operações confiáveis e acelerar a expansão da aviação regional, oferecendo uma solução comprovada e eficiente para o RTA, em linha com os objetivos do programa UDAN de levar o transporte aéreo a um número maior de cidades de segundo e terceiro escalão.
Embraer já tem raízes na Índia
A Embraer opera hoje com quase 50 aeronaves e 11 modelos diferentes na Índia, distribuídos entre aviação comercial, de defesa e executiva. A Força Aérea Indiana utiliza o Legacy 600 e o Netra AEW&C, baseado na plataforma ERJ145, enquanto a Star Air mantém uma frota totalmente composta por jatos Embraer, incluindo E175 e ERJ145 em rotas regionais que, em grande parte, se enquadram na malha do programa UDAN.
Esse histórico consolida a confiança institucional e operacional necessária para um projeto dessa magnitude, e é justamente sobre essa base estabelecida que a nova parceria pretende crescer.
Make in India e aviação regional
A parceria se alinha diretamente às diretrizes de Aatmanirbhar Bharat e ao programa Make in India, que buscam construir capacidades industriais domésticas em setores estratégicos, incluindo defesa e aeroespacial. No setor aeronáutico, o crescimento acelerado da demanda por viagens domésticas e a necessidade de conectar cidades de segundo e terceiro escalão criam um ambiente propício para aeronaves regionais como o E175.
Jeet Adani enquadrou o acordo como um movimento que vai além da dimensão industrial, ao unir capacidades complementares de Índia e Brasil em torno de uma mesma agenda de autossuficiência tecnológica e fortalecimento da conectividade aérea interna.
Detalhes ainda a definir, mas o sinal é claro
O MoU não especificou ainda o local da futura instalação, os volumes de produção previstos nem um cronograma definitivo. Segundo Jeet Adani, esses detalhes serão revelados nos próximos meses, mas o trabalho de seleção do local já foi iniciado em paralelo às negociações sobre a estrutura societária do empreendimento; a Embraer busca uma participação igualitária no projeto.
O anúncio definitivo das condições do investimento era esperado durante a visita do presidente brasileiro à Índia, que está ocorrendo agora, o que reforça a dimensão diplomática do acordo entre os dois países emergentes.
Um clube seleto de países
Se o projeto avançar conforme planejado, a Índia ingressará em um grupo restrito de nações com capacidade de montagem final de aeronaves comerciais, ao lado de Brasil, Estados Unidos, Canadá, França e China. O feito sinalizaria uma transformação estrutural na posição do país nas cadeias globais de valor da indústria aeroespacial.
Para a Embraer, o acordo representa mais um passo em sua estratégia de internacionalização da produção, que já conta com unidades industriais nos Estados Unidos e em Portugal, além dos polos de São José dos Campos, Gavião Peixoto, Botucatu e Taubaté, no Brasil.
Sobre a Adani Defence & Aerospace
A Adani Defence & Aerospace, parte do Grupo Adani, é considerada a maior empresa privada integrada de defesa e aeroespacial da Índia, atuando no desenvolvimento de capacidades estratégicas nos domínios terrestre, aéreo e marítimo. A companhia se dedica ao projeto, desenvolvimento, fabricação e sustentação de uma ampla variedade de plataformas e sistemas de defesa e aeroespaciais, incluindo soluções de vigilância aerotransportada e AEW&C, sistemas não tripulados, armamentos e munições, guerra eletrônica, aviônicos e tecnologias avançadas de munições.
Com foco em sustentação ao longo do ciclo de vida, serviços de MRO e treinamento aeronáutico, a Adani Defence vem desenvolvendo um ecossistema industrial de defesa robusto por meio de parcerias estratégicas com empresas globais, start-ups e MPMEs. Alinhada à visão Aatmanirbhar Bharat, a companhia reafirma seu compromisso com o desenvolvimento de capacidades de longo prazo, a prontidão operacional e o fortalecimento da segurança nacional da Índia.

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