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23 maio, 2026

Radar Embraer SABER M200 Vigilante enfrenta seu teste mais exigente: caça F-39 Gripen como alvo no Escudo-Tínia

Desenvolvido pelo CTEx em parceria com a Embraer ao longo de mais de 15 anos, o radar nacional de tecnologia phased array foi submetido à avaliação operacional em exercício conjunto das três Forças. O desempenho do sistema definirá as próximas etapas da agenda de defesa antiaérea do Exército Brasileiro e o potencial de exportação do produto



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LRCA Defense Consulting - 23/05/2026

O Exercício Conjunto Escudo-Tínia (EXCON Escudo-Tínia), realizado de 11 a 29 de maio de 2026 em Anápolis (GO), tornou-se o cenário mais exigente até agora para o radar SABER M200 Vigilante. Promovido pelo Ministério da Defesa e coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB), o exercício reúne aeronaves, militares e estruturas da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro (EB) e da FAB em missões de alta complexidade, e foi nesse ambiente que, pela primeira vez, o radar brasileiro foi colocado diante de um caça de 4,5ª geração.

Entre 11 e 15 de maio, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) deslocou uma equipe de militares e engenheiros para Anápolis com a finalidade de testar o desempenho do sistema. O ápice da avaliação foi a integração do radar com os meios orgânicos da Artilharia Antiaérea (Art AAe) e o emprego do caça F-39 Gripen da FAB como alvo, um marco técnico relevante para aferir a capacidade de detecção de aeronaves de última geração. O general de brigada Marcus Cesar Oliveira de Assis, comandante do Comando de Defesa Antiaérea do Exército (Cmdo DAAe Ex) e gerente do Subprograma Defesa Antiaérea do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS, acompanhou pessoalmente as atividades.

Quinze anos de parceria entre Exército e Embraer
A apresentação pública do SABER M200 Vigilante ocorreu em dezembro de 2021, em evento realizado na unidade Embraer Campinas. Na ocasião, o então chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, general de Exército Guido Amin Naves, destacou que mais de 15 anos de trabalho conjunto entre o Exército e a Embraer foram necessários para atingir autonomia nacional no desenvolvimento de radares digitais com tecnologia phased array. Ele ressaltou que apenas de 10 a 12 países no mundo dominam esse tipo de tecnologia e seus processos produtivos.

O radar é fruto de uma colaboração entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a Bradar/Embraer Defesa & Segurança. A Bradar, empresa privada especializada em radares de defesa, segurança e vigilância, integra o grupo Embraer Defesa & Segurança desde maio de 2011. O projeto contou com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e se insere no planejamento estratégico tanto do Exército quanto da Embraer.

A propriedade intelectual do SABER M200 Vigilante é inteiramente do Exército Brasileiro, o que confere ao programa caráter singular na Base Industrial de Defesa (BID) nacional. O sistema integra a família de radares nacionais ao lado do radar SABER M60, voltado à busca de alvos aéreos, e do radar SENTIR M20, empregado no Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) para vigilância terrestre.

Radar SABER M60 e radar SABER M200 Vigilante no Exercício Conjunto Escudo-Tínia

Da Amazônia ao cerrado: etapas de uma avaliação progressiva
Antes do Escudo-Tínia, o Vigilante já havia sido submetido a testes operacionais em ambiente desafiador. Em junho de 2023, durante o Festival Folclórico de Parintins (AM), o sistema foi transportado pela primeira vez em um KC-390 da FAB, em trajeto de três horas entre Campinas e a cidade amazonense. O aeroporto Júlio Belém registrou mais de 800 operações de pouso e decolagem em uma semana durante o evento, criando um cenário representativo de tráfego aéreo intenso para validar a capacidade de detecção e identificação do radar.

Na época, o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, avaliou positivamente o exercício, destacando a versatilidade, a flexibilidade, a precisão e a robustez do equipamento em sua primeira implantação operacional conjunta.

Com o Escudo-Tínia 2026, o radar deu um passo adicional: a avaliação saiu do contexto experimental e passou a integrar um exercício de alta complexidade, com forças conjuntas e meios de combate reais. O Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp) da FAB também participou dos testes, reforçando o caráter interoperacional do programa.

Especificações do M200 Vigilante
O SABER M200 Vigilante, cuja sigla SABER significa Sistema de Acompanhamento de Alvos Aéreos Baseado em Emissão de Radiofrequência, é um radar de banda S com varredura azimutal totalmente eletrônica (matriz de fase ativa). Seu alcance chega a 200 km, reduzido a 150 km para aeronaves de combate de perfil baixo. A cobertura é de 360° obtida por quatro conjuntos de antenas fixas, cada um abrangendo um setor de 100°, com sobreposição entre eles.

O equipamento opera em formato de contêiner, podendo ser transportado ou operado em caminhões 6x6. Conta com gerador de energia integrado capaz de sustentar operação autônoma por até 48 horas. Essa configuração modular e portátil viabiliza rápida implantação em diferentes terrenos e cenários táticos, incluindo o transporte aéreo em KC-390 ou C-130.

O sistema processa sinais para detectar e rastrear posições e trajetórias de aeronaves, classificando-as como amigas ou inimigas por meio do radar secundário IFF SABER S200R, com alcance de até 400 km. Esse subsistema, presente nas duas versões do M200, emprega antena monopulso de rotação contínua instalada no teto do contêiner.

Contratos e a próxima geração: o M200 Multimissão
Em dezembro de 2024, durante a 8ª Mostra BID Brasil, em Brasília, dois contratos relevantes foram assinados. O primeiro, no valor de R$ 102 milhões, formalizou a entrega de uma unidade do SABER M200 Vigilante em configuração de série ao Exército Brasileiro, tornando a Força Terrestre o primeiro operador do sistema. O processo inclui a continuidade da avaliação técnica e operacional do equipamento, com vistas ao seu emprego futuro nas Unidades de Artilharia Antiaérea.

O segundo contrato, firmado com a Finep no valor de R$ 147 milhões, destinou-se à conclusão das novas tecnologias a serem utilizadas no radar SABER M200 Multimissão. Enquanto o Vigilante cumpre o papel de detecção e alerta antecipado de baixa e média altitude, seu irmão maior tem escopo distinto: trata-se de um radar AESA multimissão banda S, tridimensional, com varredura 100% eletrônica em azimute e elevação, instalado em contêiner de 20 pés, com capacidade de guiar sistemas de defesa antiaérea de média altura num raio de 400 km a 500 km.

O M200 Multimissão representa o primeiro passo prático para preencher uma lacuna estratégica significativa da defesa aérea brasileira: a proteção de média altitude. O sistema foi concebido para integrar futuros sistemas de mísseis de média altitude que o Brasil estuda adquirir, ampliando a capacidade de dissuasão do País. Pode ser operado em caminhões 8x8 ou transportado em KC-390 e C-130.

Radar SABER M200 Multimissão

Importância estratégica e potencial de exportação
O SABER M200 Vigilante é descrito pelo Exército Brasileiro como material de emprego militar de tecnologia totalmente nacional, representando avanço significativo na capacidade de defesa antiaérea da Força Terrestre e na interoperabilidade entre as Forças Armadas. A participação no Escudo-Tínia, ao envolver simultaneamente a Artilharia Antiaérea do Exército, o Instituto de Aplicações Operacionais da FAB e o emprego de um caça Gripen como alvo, consolida o radar como instrumento de uso conjunto, não restrito ao domínio terrestre.

O sucesso das avaliações tem valor duplo: valida o sistema para uso operacional nas Forças Armadas brasileiras e credencia o produto para exportação. Segundo informações divulgadas em dezembro de 2024, República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita já demonstraram interesse no Vigilante. O radar também pode funcionar como vetor de cooperação industrial de defesa, abrindo espaço para o Brasil promover um produto de alta demanda em mercados que buscam modernizar suas capacidades antiaéreas.

Para a Embraer Defesa & Segurança, os programas SABER representam um pilar relevante do portfólio de sistemas terrestres, com potencial de geração de receita tanto no mercado doméstico quanto no exterior. A combinação de propriedade intelectual nacional, tecnologia de ponta e respaldo operacional das Forças Armadas brasileiras confere ao produto credibilidade comercial de difícil replicação para a concorrência estrangeira.

O Escudo-Tínia 2026, ao colocar o SABER M200 Vigilante frente a frente com o F-39 Gripen, não apenas fechou um ciclo de avaliação iniciado em laboratório há mais de uma década: sinalizou que o Brasil deu um passo concreto na construção de uma capacidade de defesa aérea verdadeiramente soberana.

 

Em números: família SABER M200

SABER M200 Vigilante: radar de banda S, phased array, alcance de até 200 km (150 km para aeronaves de combate). Cobertura de 360° com quatro conjuntos de antenas fixas, cada um cobrindo setor de 100°. Gerador integrado com autonomia de 48 horas. Pode ser operado ou transportado em caminhões 6x6 e transportado em KC-390 e C-130. Contrato de fornecimento de R$ 102 milhões assinado com o Exército Brasileiro em dezembro de 2024.

SABER M200 Multimissão: radar AESA banda S, tridimensional, phased array com varredura 100% eletrônica em azimute e elevação. Alcance de 400 km a 500 km. Instalado em contêiner de 20 pés; pode ser operado ou transportado em caminhões 8x8 ou transportado em KC-390 e C-130. Contrato com a Finep de R$ 147 milhões assinado em dezembro de 2024 para conclusão das tecnologias AESA nacionais.

SABER S200R: radar secundário IFF com alcance de até 400 km. Presente nas duas versões do M200; antena monopulso com rotação contínua.

Exercício Escudo-Tínia 2026: 11 a 29 de maio, com fase de testes do Vigilante em Anápolis (GO) de 11 a 15 de maio. Promovido pelo Ministério da Defesa e coordenado pela FAB.

Países com interesse declarado no Vigilante: República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita.

 

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