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21 agosto, 2026

Radar SENTIR M20 é testado contra drones e amplia potencial antidrone do Exército Brasileiro

Ensaio do CTEx no CAEx usou um DJI Matrice 400 como alvo e obteve detecção a até 4 km; resultado é promissor, mas ainda não comprova uma capacidade antidrone plenamente operacional 



*LRCA Defense Consulting - 21/08/2026

O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) realizou, no Centro de Avaliações do Exército (CAEx), um ensaio específico para verificar a capacidade do radar de vigilância terrestre SENTIR M20 de detectar e acompanhar veículos aéreos não tripulados (VANTs). O alvo empregado foi um DJI Matrice 400, drone profissional de porte relativamente grande, fabricado pela chinesa DJI. Durante o teste, o radar conseguiu detectar e acompanhar o alvo a uma distância de até 4 km, resultado que o próprio CTEx classificou, em publicação institucional, como evidência de "excelente desempenho de sensoriamento".

O SENTIR M20 foi desenvolvido pelo CTEx e é produzido pela Embraer, por meio das empresas Savis e Bradar, ambas integrantes do grupo Embraer Defesa & Segurança, com apoio financeiro da FINEP e do próprio Exército. Trata-se de um radar de vigilância terrestre e de baixa altitude, portátil, de banda X, que utiliza tecnologia SAR (synthetic aperture radar), e que já integra o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) desde a primeira fase do programa. Sua versão portátil teve o protótipo homologado pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército em abril de 2025, conforme o Relatório de Teste e Avaliação nº 58/24 do CAEx, e atualmente está licenciado à Embraer para produção.

Por que o teste era necessário 
As especificações originais do SENTIR M20 já previam a detecção de alvos aéreos de baixa altitude, como helicópteros e aeronaves de pequeno porte, com alcance declarado de até 20 km. No entanto, um VANT apresenta características de detecção distintas das de uma aeronave tripulada convencional: menor seção reta radar, menor velocidade, menor altitude de voo e maior manobrabilidade. Por isso, ainda que o radar já contasse com essa capacidade em suas especificações técnicas, era necessário verificar seu desempenho diante de um alvo real desse tipo. Foi exatamente esse o objetivo do ensaio conduzido pelo CTEx no CAEx. 



O que os 4 km efetivamente significam 
É importante não interpretar os 4 km obtidos no ensaio como o alcance máximo do SENTIR M20 contra drones. Trata-se da distância máxima de detecção alcançada naquele teste específico, com aquele tipo de alvo, o DJI Matrice 400, e nas condições em que o experimento foi conduzido. O desempenho do radar diante de drones menores, como os modelos FPV (first person view) e micro-VANTs, tende a ser significativamente diferente, já que esses alvos apresentam seção reta radar ainda mais reduzida. Para uma avaliação mais completa do real potencial do sistema, seriam relevantes dados adicionais sobre altitude, velocidade e trajetória do Matrice 400 durante o ensaio, a capacidade de manutenção da track ao longo do tempo, a capacidade de classificação do alvo, o desempenho na detecção simultânea de múltiplos VANTs e, sobretudo, o comportamento do radar contra drones de menor assinatura.

Sensor, não sistema completo 
O aspecto mais relevante da divulgação do CTEx está na conclusão de que o resultado "reforça o potencial do Radar SENTIR M20 como uma solução para sistemas anti-drone". Essa formulação não significa, contudo, que o M20 seja, isoladamente, um sistema C-UAS (counter-unmanned aircraft systems) completo. Seu papel numa arquitetura desse tipo é o de sensor, responsável pela detecção e pelo acompanhamento do alvo, e não pela neutralização dele. Numa arquitetura antidrone típica, o radar forneceria a pista, isto é, a posição e a trajetória do alvo, para outros componentes do sistema, como sensores eletro-ópticos de identificação visual, meios de comando e controle e, por fim, os efetores responsáveis pela neutralização, que podem ser sistemas de guerra eletrônica, armamento cinético ou outras soluções de interdição. 


A dimensão estratégica 

Há uma dimensão estratégica relevante embutida nesse resultado. O ensaio demonstra a possível expansão da utilidade de um sistema desenvolvido inteiramente no País, originalmente concebido para vigilância terrestre no âmbito do SISFRON, para a proteção do espaço aéreo de baixa altitude. Essa expansão permitiria ao Exército aproveitar uma tecnologia já madura, homologada e integrada ao seu ecossistema de vigilância e de comando e controle, para enfrentar uma ameaça, a dos drones, que ganhou importância crescente nos conflitos recentes e que vem sendo tratada como prioridade pela própria Força Terrestre.

O momento do teste também chama atenção por coincidir com outro movimento paralelo do Exército na mesma direção: o radar SABER M200 Vigilante, de médio alcance e também fruto de parceria entre o CTEx e a Bradar/Embraer, vem sendo submetido a testes semelhantes. No exercício Sagitta Primus 2026, o M200 detectou drones de baixa seção reta radar, categoria 0, a distâncias de até 8 km, com um novo modo de operação desenvolvido especificamente para alvos de assinatura reduzida. Os dois radares nacionais de vigilância terrestre e de médio alcance parecem, assim, caminhar simultaneamente rumo a uma capacidade de detecção antidrone orgânica à Força Terrestre.

Esse movimento ganha ainda mais relevância à luz do gap de detecção identificado durante a Operação Punhos de Aço 2025, quando os radares orgânicos das viaturas blindadas Gepard, o de vigilância MPDR-12 e o de controle de tiro em banda Juliet, falharam em adquirir drones de baixa seção reta, obrigando as guarnições a recorrer ao método manual de periscópio para acompanhar os alvos. Um sensor terrestre nacional com capacidade de detecção de VANT validada, como o SENTIR M20, seria um candidato plausível para prover a designação externa que o computador digital do Gepard 1A2 já possui capacidade latente de receber via datalink. 


Uma demonstração promissora, não uma capacidade comprovada 
Em síntese, o ensaio do CAEx demonstrou que o SENTIR M20 consegue detectar e acompanhar um DJI Matrice 400 a uma distância de até 4 km, e abriu uma possibilidade operacional relevante, a de transformar um radar nacional de vigilância terrestre em um dos sensores de uma futura arquitetura brasileira de defesa contra drones. O teste, no entanto, deve ser lido como uma demonstração inicial e promissora de capacidade, e não como a comprovação de uma solução antidrone plenamente operacional. A confirmação desse potencial dependerá de novos ensaios, com maior variedade de alvos, sobretudo os de menor porte e menor assinatura radar, e da eventual integração do radar a uma arquitetura completa de comando, controle e neutralização.

13 agosto, 2026

Radar Embraer Saber M200 Vigilante detecta drones categoria 0 a até 8 km em exercício do Exército

Resultado obtido no Exercício Sagitta Primus 2026 evidencia avanço da capacidade brasileira de detecção de pequenos drones e ganha relevância para a arquitetura nacional de defesa antidrone e para exportação


*LRCA Defense Consulting - 13/08/2026

O radar Saber M200 Vigilante, desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) em parceria com a Embraer, detectou drones de baixa seção reta radar, classificados como Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) categoria 0, a distâncias de até 8 km. O resultado foi obtido durante o Exercício Sagitta Primus 2026, realizado entre 27 de julho e 5 de agosto no Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, e divulgado pelo CTEx em publicação oficial no Instagram.

O desempenho foi alcançado por meio da validação de um novo modo de operação, desenvolvido pelo CTEx e pela Embraer para ampliar a capacidade do radar de detectar alvos com baixa seção reta radar, resposta direta às demandas impostas pelo cenário operacional contemporâneo de proliferação de pequenos drones. Segundo o CTEx, o marco tecnológico foi obtido em experimentos de engenharia realizados durante o exercício, com o Saber M200 Vigilante integrado ao 12º Grupo de Artilharia Antiaérea.

O experimento no Sagitta Primus 2026 
O Sagitta Primus 2026 foi conduzido pelo Comando de Defesa Antiaérea do Exército e reuniu mais de 500 militares de 23 organizações militares da Força Terrestre, além de participantes e equipamentos da Força Aérea Brasileira, segundo nota oficial do Exército divulgada pela Agência Gov. Foi a primeira edição do exercício a testar, de forma dedicada, soluções para a proteção do espaço aéreo contra ameaças de SARP.

Coordenada pelo Centro de Doutrina do Exército, a atividade incluiu a primeira experimentação doutrinária de uma seção anti-SARP, com o objetivo de articular soluções cinéticas, de confronto direto ao drone físico, e não cinéticas, de anulação das frequências que controlam o equipamento. O procedimento integra defesa antiaérea e defesa antidrone segundo o conceito de proteção em camadas de altitude e alcance. Bloqueadores de sinal como o SCE 0100, da IACIT, e o SCJ 2000M, da AICOX, foram operados por militares do 1º Batalhão de Guerra Eletrônica.

O exercício também contou com radares de busca Saber M60 e Saber M200, Centros de Operações Antiaéreas Eletrônicos e a participação de empresas da Base Industrial de Defesa convidadas a demonstrar inovações em sistemas anti-SARP, entre torres de identificação e análise de sinais, fuzis de interceptação de frequência e drones de combate para interceptação cinética. 



Radar Saber M200 Vigilante durante o Exercício Sagitta Primus 2026

O que significa a detecção de categoria 0 a 8 km 
A classificação de SARP do Exército Brasileiro segue a Portaria COTER/C Ex nº 333, de 26 de setembro de 2023, que aprovou a Norma Operacional de Emprego dos Sistemas de Aeronaves Remotamente Pilotadas. A categoria 0 corresponde aos microdrones, com até 2 kg de peso máximo de decolagem e autonomia inferior a uma hora, empregados normalmente em nível pelotão ou companhia para reconhecimento próximo. É a categoria de drone civil e militar mais disseminada e, por seu pequeno porte, a de menor seção reta radar, portanto a mais difícil de detectar.

Até então, as informações públicas sobre o Saber M200 Vigilante enfatizavam seu papel como radar de vigilância e alerta antecipado de médio alcance, com raio da ordem de 200 km. No primeiro teste operacional do equipamento, realizado em 2023 em Parintins, o radar acompanhou o tráfego aéreo em um raio de 200 km, demonstrando justamente essa capacidade de vigilância de longo alcance contra alvos convencionais.

O resultado do Sagitta Primus 2026 é qualitativamente distinto: o mesmo radar concebido para vigilância de médio alcance demonstrou, em situação de campo, capacidade de detectar alvos extremamente pequenos e de baixa assinatura radar a até 8 km. Esse número não deve ser interpretado como o alcance máximo do equipamento, mas como o alcance obtido especificamente contra uma classe de alvo de seção reta muito reduzida, o que representa um dado tecnicamente relevante para a arquitetura de defesa antiaérea e antidrone (C-UAS) do Exército.

Trajetória do programa 
O Saber M200 Vigilante foi apresentado publicamente em dezembro de 2021, em evento na unidade Embraer Campinas, fruto de mais de 15 anos de parceria entre a Embraer e o CTEx. Em dezembro de 2024, durante a 8ª Mostra BID Brasil, Embraer e Exército assinaram contrato de R$ 102 milhões para a entrega de uma unidade do radar em configuração de série, tornando a Força Terrestre a primeira operadora do sistema. Na mesma ocasião, foi firmado contrato de R$ 147 milhões com a Finep para o desenvolvimento do Saber M200 Multimissão, variante distinta do Vigilante.

Em maio de 2026, o radar foi submetido ao seu teste mais exigente até então, no Exercício Conjunto Escudo-Tínia, realizado em Anápolis, quando, pela primeira vez, foi posto diante de um caça de 4,5ª geração, o F-39 Gripen. Em junho e julho de 2026, o Centro de Avaliações do Exército conduziu, no Campo de Provas da Marambaia, uma série de ensaios ambientais de certificação, entre eles os testes de umidade, de alta temperatura e de baixa temperatura, dentro do cronograma do programa, vinculado ao Projeto Estratégico do Exército Astros-Fogos.

Segundo o CTEx, o radar se encontra em fase final de avaliação junto ao Centro de Avaliações do Exército, com término previsto para 2026, o que soma mais uma entrega do Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército e contribui, segundo a instituição, para a garantia da soberania tecnológica do País. 

Relevância para a defesa antidrone brasileira 
Até 2024, apenas SARP de categoria 0 e 1 estavam efetivamente em uso nas organizações militares do Exército, com a experimentação doutrinária da categoria 2 apenas se iniciando, segundo estudo do Observatório Militar da Praia Vermelha. É justamente contra a categoria mais disseminada, de menor porte e de mais difícil detecção que o Saber M200 Vigilante demonstrou nova capacidade.

O dado se soma a um movimento mais amplo do Exército Brasileiro na construção de uma arquitetura de defesa em camadas contra pequenos drones, que inclui a criação de seções anti-SARP, o emprego de bloqueadores de radiofrequência, a Diretriz para a Experimentação Doutrinária de Operação de Sistemas Não Tripulados prevista para o Exercício Conjunto Perseu 2026 e o processo de aquisição de drones de ataque das categorias 0 e 1 lançado pela Diretoria de Fabricação do Departamento de Ciência e Tecnologia. Um radar de vigilância de médio alcance com capacidade comprovada de detecção de alvos de baixíssima assinatura passa a ser peça relevante nessa arquitetura, ao permitir a designação antecipada de ameaças que hoje escapam com facilidade a sensores convencionais. 

Um atrativo a mais para a exportação
O Saber M200 Vigilante já desperta interesse comercial fora do País. Segundo apuração do portal LRCA Defense Consulting, informações divulgadas em dezembro de 2024 apontam que República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita já demonstraram interesse no radar. Para o Exército Brasileiro, o sucesso das avaliações tem valor duplo: valida o sistema para uso operacional nas Forças Armadas nacionais e credencia o produto para exportação.

Nesse cenário, a nova capacidade de detecção de SARP categoria 0 a 8 km, evidenciada no Sagitta Primus 2026, tende a se somar como diferencial competitivo. Um radar de vigilância de médio alcance já em fase final de avaliação pelo CAEx e com desempenho comprovado contra caças de 4,5ª geração, caso do F-39 Gripen no Escudo-Tínia, e agora também contra microdrones de baixíssima assinatura radar, amplia o espectro de ameaças que o sistema comprovadamente cobre, argumento relevante para compradores que hoje buscam soluções duplas de vigilância aérea convencional e de defesa antidrone em um único equipamento.

A Embraer Defesa & Segurança já sinalizava, desde a apresentação do radar em 2021, a intenção de ampliar a participação brasileira no mercado internacional de radares, área hoje dominada por poucos países, segundo o então chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército, general de exército Guido Amin Naves. A confirmação de uma capacidade adicional contra drones categoria 0, ainda não creditada a concorrentes internacionais em domínio público, pode reforçar essa estratégia comercial, sobretudo junto a países que hoje enfrentam de forma mais aguda a ameaça de pequenos drones em contextos de conflito ou de proteção de fronteira.

Sauditas e brasileiros com o Radar Saber M200 Vigilante em dezembro de 2023 na área da 11ª Brigada de Infantaria Mecanizada do Exército Brasileiro

O que ainda não está confirmado
O CTEx não detalhou, em sua nota, a natureza técnica do novo modo de operação que possibilitou o ganho de desempenho contra alvos categoria 0, o que não permite ainda saber se a mudança está associada a processamento de sinal, como maior tempo de integração coerente ou ajuste de filtro Doppler, ou também a alterações na forma de onda emitida pelo radar. A instituição tampouco apresentou data mais precisa para a conclusão da avaliação do CAEx além da referência genérica a 2026.

Também é importante registrar que a informação sobre o interesse de República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita no Saber M200 Vigilante é anterior à divulgação da nova capacidade de detecção de drones categoria 0, remontando a dezembro de 2024. Não há, até o momento, confirmação pública de que esses ou outros países tenham manifestado interesse específico motivado pelo resultado obtido no Sagitta Primus 2026, nem declaração de Embraer ou Exército associando diretamente o novo dado técnico a negociações de exportação em curso. 

23 maio, 2026

Radar Embraer SABER M200 Vigilante enfrenta seu teste mais exigente: caça F-39 Gripen como alvo no Escudo-Tínia

Desenvolvido pelo CTEx em parceria com a Embraer ao longo de mais de 15 anos, o radar nacional de tecnologia phased array foi submetido à avaliação operacional em exercício conjunto das três Forças. O desempenho do sistema definirá as próximas etapas da agenda de defesa antiaérea do Exército Brasileiro e o potencial de exportação do produto


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LRCA Defense Consulting - 23/05/2026

O Exercício Conjunto Escudo-Tínia (EXCON Escudo-Tínia), realizado de 11 a 29 de maio de 2026 em Anápolis (GO), tornou-se o cenário mais exigente até agora para o radar SABER M200 Vigilante. Promovido pelo Ministério da Defesa e coordenado pela Força Aérea Brasileira (FAB), o exercício reúne aeronaves, militares e estruturas da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro (EB) e da FAB em missões de alta complexidade, e foi nesse ambiente que, pela primeira vez, o radar brasileiro foi colocado diante de um caça de 4,5ª geração.

Entre 11 e 15 de maio, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) deslocou uma equipe de militares e engenheiros para Anápolis com a finalidade de testar o desempenho do sistema. O ápice da avaliação foi a integração do radar com os meios orgânicos da Artilharia Antiaérea (Art AAe) e o emprego do caça F-39 Gripen da FAB como alvo, um marco técnico relevante para aferir a capacidade de detecção de aeronaves de última geração. O general de brigada Marcus Cesar Oliveira de Assis, comandante do Comando de Defesa Antiaérea do Exército (Cmdo DAAe Ex) e gerente do Subprograma Defesa Antiaérea do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS, acompanhou pessoalmente as atividades.

Quinze anos de parceria entre Exército e Embraer
A apresentação pública do SABER M200 Vigilante ocorreu em dezembro de 2021, em evento realizado na unidade Embraer Campinas. Na ocasião, o então chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT) do Exército, general de Exército Guido Amin Naves, destacou que mais de 15 anos de trabalho conjunto entre o Exército e a Embraer foram necessários para atingir autonomia nacional no desenvolvimento de radares digitais com tecnologia phased array. Ele ressaltou que apenas de 10 a 12 países no mundo dominam esse tipo de tecnologia e seus processos produtivos.

O radar é fruto de uma colaboração entre o Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a Bradar/Embraer Defesa & Segurança. A Bradar, empresa privada especializada em radares de defesa, segurança e vigilância, integra o grupo Embraer Defesa & Segurança desde maio de 2011. O projeto contou com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e se insere no planejamento estratégico tanto do Exército quanto da Embraer.

A propriedade intelectual do SABER M200 Vigilante é inteiramente do Exército Brasileiro, o que confere ao programa caráter singular na Base Industrial de Defesa (BID) nacional. O sistema integra a família de radares nacionais ao lado do radar SABER M60, voltado à busca de alvos aéreos, e do radar SENTIR M20, empregado no Sistema de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) para vigilância terrestre.

Radar SABER M60 e radar SABER M200 Vigilante no Exercício Conjunto Escudo-Tínia

Da Amazônia ao cerrado: etapas de uma avaliação progressiva
Antes do Escudo-Tínia, o Vigilante já havia sido submetido a testes operacionais em ambiente desafiador. Em junho de 2023, durante o Festival Folclórico de Parintins (AM), o sistema foi transportado pela primeira vez em um KC-390 da FAB, em trajeto de três horas entre Campinas e a cidade amazonense. O aeroporto Júlio Belém registrou mais de 800 operações de pouso e decolagem em uma semana durante o evento, criando um cenário representativo de tráfego aéreo intenso para validar a capacidade de detecção e identificação do radar.

Na época, o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior, avaliou positivamente o exercício, destacando a versatilidade, a flexibilidade, a precisão e a robustez do equipamento em sua primeira implantação operacional conjunta.

Com o Escudo-Tínia 2026, o radar deu um passo adicional: a avaliação saiu do contexto experimental e passou a integrar um exercício de alta complexidade, com forças conjuntas e meios de combate reais. O Instituto de Aplicações Operacionais (IAOp) da FAB também participou dos testes, reforçando o caráter interoperacional do programa.

Especificações do M200 Vigilante
O SABER M200 Vigilante, cuja sigla SABER significa Sistema de Acompanhamento de Alvos Aéreos Baseado em Emissão de Radiofrequência, é um radar de banda S com varredura azimutal totalmente eletrônica (matriz de fase ativa). Seu alcance chega a 200 km, reduzido a 150 km para aeronaves de combate de perfil baixo. A cobertura é de 360° obtida por quatro conjuntos de antenas fixas, cada um abrangendo um setor de 100°, com sobreposição entre eles.

O equipamento opera em formato de contêiner, podendo ser transportado ou operado em caminhões 6x6. Conta com gerador de energia integrado capaz de sustentar operação autônoma por até 48 horas. Essa configuração modular e portátil viabiliza rápida implantação em diferentes terrenos e cenários táticos, incluindo o transporte aéreo em KC-390 ou C-130.

O sistema processa sinais para detectar e rastrear posições e trajetórias de aeronaves, classificando-as como amigas ou inimigas por meio do radar secundário IFF SABER S200R, com alcance de até 400 km. Esse subsistema, presente nas duas versões do M200, emprega antena monopulso de rotação contínua instalada no teto do contêiner.

Contratos e a próxima geração: o M200 Multimissão
Em dezembro de 2024, durante a 8ª Mostra BID Brasil, em Brasília, dois contratos relevantes foram assinados. O primeiro, no valor de R$ 102 milhões, formalizou a entrega de uma unidade do SABER M200 Vigilante em configuração de série ao Exército Brasileiro, tornando a Força Terrestre o primeiro operador do sistema. O processo inclui a continuidade da avaliação técnica e operacional do equipamento, com vistas ao seu emprego futuro nas Unidades de Artilharia Antiaérea.

O segundo contrato, firmado com a Finep no valor de R$ 147 milhões, destinou-se à conclusão das novas tecnologias a serem utilizadas no radar SABER M200 Multimissão. Enquanto o Vigilante cumpre o papel de detecção e alerta antecipado de baixa e média altitude, seu irmão maior tem escopo distinto: trata-se de um radar AESA multimissão banda S, tridimensional, com varredura 100% eletrônica em azimute e elevação, instalado em contêiner de 20 pés, com capacidade de guiar sistemas de defesa antiaérea de média altura num raio de 400 km a 500 km.

O M200 Multimissão representa o primeiro passo prático para preencher uma lacuna estratégica significativa da defesa aérea brasileira: a proteção de média altitude. O sistema foi concebido para integrar futuros sistemas de mísseis de média altitude que o Brasil estuda adquirir, ampliando a capacidade de dissuasão do País. Pode ser operado em caminhões 8x8 ou transportado em KC-390 e C-130.

Radar SABER M200 Multimissão

Importância estratégica e potencial de exportação
O SABER M200 Vigilante é descrito pelo Exército Brasileiro como material de emprego militar de tecnologia totalmente nacional, representando avanço significativo na capacidade de defesa antiaérea da Força Terrestre e na interoperabilidade entre as Forças Armadas. A participação no Escudo-Tínia, ao envolver simultaneamente a Artilharia Antiaérea do Exército, o Instituto de Aplicações Operacionais da FAB e o emprego de um caça Gripen como alvo, consolida o radar como instrumento de uso conjunto, não restrito ao domínio terrestre.

O sucesso das avaliações tem valor duplo: valida o sistema para uso operacional nas Forças Armadas brasileiras e credencia o produto para exportação. Segundo informações divulgadas em dezembro de 2024, República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita já demonstraram interesse no Vigilante. O radar também pode funcionar como vetor de cooperação industrial de defesa, abrindo espaço para o Brasil promover um produto de alta demanda em mercados que buscam modernizar suas capacidades antiaéreas.

Para a Embraer Defesa & Segurança, os programas SABER representam um pilar relevante do portfólio de sistemas terrestres, com potencial de geração de receita tanto no mercado doméstico quanto no exterior. A combinação de propriedade intelectual nacional, tecnologia de ponta e respaldo operacional das Forças Armadas brasileiras confere ao produto credibilidade comercial de difícil replicação para a concorrência estrangeira.

O Escudo-Tínia 2026, ao colocar o SABER M200 Vigilante frente a frente com o F-39 Gripen, não apenas fechou um ciclo de avaliação iniciado em laboratório há mais de uma década: sinalizou que o Brasil deu um passo concreto na construção de uma capacidade de defesa aérea verdadeiramente soberana.

 

Em números: família SABER M200

SABER M200 Vigilante: radar de banda S, phased array, alcance de até 200 km (150 km para aeronaves de combate). Cobertura de 360° com quatro conjuntos de antenas fixas, cada um cobrindo setor de 100°. Gerador integrado com autonomia de 48 horas. Pode ser operado ou transportado em caminhões 6x6 e transportado em KC-390 e C-130. Contrato de fornecimento de R$ 102 milhões assinado com o Exército Brasileiro em dezembro de 2024.

SABER M200 Multimissão: radar AESA banda S, tridimensional, phased array com varredura 100% eletrônica em azimute e elevação. Alcance de 400 km a 500 km. Instalado em contêiner de 20 pés; pode ser operado ou transportado em caminhões 8x8 ou transportado em KC-390 e C-130. Contrato com a Finep de R$ 147 milhões assinado em dezembro de 2024 para conclusão das tecnologias AESA nacionais.

SABER S200R: radar secundário IFF com alcance de até 400 km. Presente nas duas versões do M200; antena monopulso com rotação contínua.

Exercício Escudo-Tínia 2026: 11 a 29 de maio, com fase de testes do Vigilante em Anápolis (GO) de 11 a 15 de maio. Promovido pelo Ministério da Defesa e coordenado pela FAB.

Países com interesse declarado no Vigilante: República Tcheca, Áustria e Arábia Saudita.

 

16 abril, 2026

EDGE/SIATT e Indra estabelecem parceria para produção local de radares no Brasil

Iniciativa abre caminho para a criação de um novo ecossistema de produção de radares no Brasil 


*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

O EDGE, um dos principais grupos mundiais de defesa e tecnologia avançada, e o Grupo Indra assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para explorar conjuntamente o desenvolvimento e a produção de sistemas de radar de última geração no Brasil. A assinatura ocorreu durante a LAAD Security 2026, realizada de 14 a 16 de abril em São Paulo.

O acordo estabelece as bases para uma colaboração estratégica tripartite, combinando a reconhecida experiência da Indra em tecnologias de radar e integração de sistemas, as capacidades industriais e tecnológicas da SIATT e o alcance global da EDGE no mercado de defesa, juntamente com suas competências avançadas de fabricação.

A iniciativa abre caminho para a criação de um novo ecossistema de produção de radares no Brasil, fomentando o desenvolvimento de capacidades nacionais, a transferência de tecnologia e a criação de empregos altamente qualificados na indústria de defesa nacional.

Este acordo representa o capítulo mais recente de uma relação estratégica cada vez mais sólida entre a EDGE e a Indra, que se expandiu de forma constante desde 2023, abrangendo joint ventures em Abu Dhabi para o desenvolvimento de radares e guerra eletrônica, e, mais recentemente, o acordo para a criação de uma nova unidade fabril na Espanha para munições de ataque e armas inteligentes. O memorando de entendimento assinado hoje em São Paulo leva essa crescente parceria para a América Latina. 

Embraer avança na modernização dos radares SABER M60 para o Exército Brasileiro

 


*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

A Embraer concluiu a modernização de dois radares SABER M60 operados pelo Exército Brasileiro para a versão 2.0, no âmbito de um contrato em andamento para renovação de equipamentos em serviço. A iniciativa faz parte do programa de manutenção de radares do Exército e inclui a modernização de oito unidades, preservando a capacidade operacional da Artilharia Antiaérea.

“Já iniciamos com sucesso a operação das versões modernizadas do radar M60. As atualizações do sistema foram realizadas de forma eficaz, aprimorando o desempenho operacional. Parcerias como a desenvolvida com a Embraer têm sido fundamentais para apoiar o Exército Brasileiro na geração e manutenção de novas capacidades e no fortalecimento da soberania nacional”, afirmou o Major-General Tales Eduardo Areco Villela, Diretor de Manufatura do Exército Brasileiro.

“A modernização do radar é um passo fundamental para manter a capacidade de defesa aérea do Exército Brasileiro ao longo do tempo. Os radares SABER M60 versão 1.0 passaram por um processo de atualização de meia-vida para a versão 2.0 por meio da aplicação de um Boletim de Serviço, incorporando o padrão tecnológico mais recente do sistema, com ganhos em confiabilidade, disponibilidade e desempenho operacional. Esse esforço é essencial para sustentar as capacidades operacionais e padronizar os equipamentos ao longo do ciclo de vida dos sistemas”, afirmou Douglas Lobo, Vice-Presidente de Suporte ao Cliente e Serviços Pós-Venda da Embraer Serviços e Suporte.

Além das atualizações de hardware, o SABER M60 recebeu melhorias significativas de software, incluindo algoritmos de processamento de sinal mais robustos, maior resistência a interferências e uma interface operacional redesenhada, facilitando o uso pelas equipes em ambientes operacionais complexos.


Desenvolvido pela Embraer em parceria com o Exército Brasileiro, o SABER M60 é um radar de vigilância e controle de tiro de baixa altitude com tecnologia 3D e alcance de até 60 quilômetros, capaz de rastrear simultaneamente até 60 alvos. O sistema pode ser integrado a soluções de defesa aérea baseadas em mísseis ou canhões, bem como a outros sistemas de defesa aérea, incluindo o Sistema Brasileiro de Defesa Aeroespacial (SISDABRA).

O radar também incorpora a tecnologia de Baixa Probabilidade de Interceptação (LPI), reduzindo a probabilidade de detecção por sistemas hostis e aumentando sua eficácia em cenários táticos. Fácil de transportar e de rápida implantação, o SABER M60 é um dos principais componentes da defesa aérea de baixa altitude do Exército Brasileiro, contribuindo para a proteção de áreas sensíveis e infraestrutura estratégica. 

29 novembro, 2025

Exército Brasileiro valida atualizações no Radar Saber M60 modernizados na Embraer

Imagem meramente ilustrativa

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LRCA Defense Consulting - 29/11/2025

Entre 3 e 14 de novembro de 2025, militares do Exército Brasileiro concluíram testes de aceitação de fábrica para dois Radares Saber M60 modernizados nas instalações da Embraer, marcando avanço na defesa antiaérea de baixa altitude. O evento integrou representantes da Diretoria de Fabricação (DF), do Arsenal de Guerra de São Paulo (AGSP) e do Batalhão de Manutenção e Suprimento da Artilharia Antiaérea (B Mnt Sup AAAe), demonstrando sinergia entre engenharia e logística militar.​

Capacidades técnicas e modernização
Desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) com parceria da Embraer e Orbita, o Saber M60 é um radar tático 3D móvel que detecta alvos a até 60 km de alcance primário, com teto de 5.000 m e capacidade para rastrear 60 alvos simultaneamente na versão atualizada. As melhorias recentes ampliam precisão, alcance e confiabilidade, integrando-o ao SISDABRA para proteção de áreas estratégicas como bases e usinas.​

Contexto do contrato e operações
Assinado em abril de 2024 durante a LAAD, o contrato prevê a entrega de oito unidades atualizadas, com inspeções prévias pela DF em 2025 para monitorar o progresso. O radar já opera em exercícios como a Operação Agulhas Negras 2025, reforçando sistemas de defesa de curto alcance como o MSHORAD. Essa modernização eleva a interoperabilidade das Forças Armadas brasileiras em cenários de ameaça aérea de baixa altitude.

 

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