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05 setembro, 2026

Analista turco defende compra do C-390 para substituir C-130 na força aérea da Turquia

Artigo do centro de estudos ODAP, de Istambul, aponta o cargueiro da Embraer como caminho para renovar a frota de transporte militar turca e aprofundar a cooperação industrial com o Brasil



*LRCA Defense Consulting - 05/09/2026 

Um artigo publicado nesta sexta-feira (4) pelo ODAP (Centro de Estudos do Oriente Médio, Eurásia e Ásia-Pacífico), think tank sediado em Istambul, defende que o C-390 Millennium, cargueiro militar fabricado pela Embraer, é a alternativa mais adequada para substituir a envelhecida frota de C-130 Hercules operada pela Força Aérea da Turquia. O texto é assinado por Umur Tugay Yücel, cientista político e especialista em política externa, e argumenta que a troca de plataforma envolve, além do aspecto técnico, dimensões estratégicas, econômicas e geopolíticas para Ancara.

Uma frota que envelhece 

Segundo o autor, o C-130 forma há décadas a espinha dorsal do transporte aéreo militar turco, cumprindo missões que vão da ajuda humanitária a operações transfronteiriças e atividades da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). No entanto, boa parte dos exemplares em serviço na Turquia foi produzida ainda nas décadas de 1960 e 1970, com base em um projeto que remonta aos anos 1950. Programas de modernização estenderam a vida útil da frota, mas, para Yücel, não bastam mais diante do envelhecimento estrutural, do aumento dos custos de manutenção e das exigências do ambiente de combate atual, como guerra eletrônica e sistemas digitais de missão.

O artigo também associa a dependência de plataformas americanas a riscos políticos, citando as restrições sofridas pela Turquia no programa do caça F-35 em razão da lei americana Caatsa (Countering America's Adversaries Through Sanctions Act, ou lei de combate aos adversários dos Estados Unidos por meio de sanções).

O C-390 como resposta às novas exigências 
Yücel descreve o C-390 como um projeto concebido do zero para as necessidades operacionais do século XXI, e não apenas como herdeiro dos cargueiros tradicionais. Entre os pontos destacados estão a velocidade de cruzeiro de Mach 0,8, obtida com motores turbofan; a capacidade de carga de aproximadamente 26 toneladas, com compatibilidade total com paletes padrão da Otan; e a arquitetura de aviônica baseada em comandos de voo eletrônicos, a chamada tecnologia fly-by-wire, que reduz a carga de trabalho do piloto e amplia a segurança de voo. O texto lembra ainda a versatilidade da aeronave, empregada como cargueiro, aeronave de reabastecimento em voo, plataforma de busca e salvamento e para evacuação médica, além de sua capacidade de transportar até 84 militares.

O artigo cita a adoção do C-390 por países da Otan como Portugal, Países Baixos, Hungria, República Tcheca, Eslováquia e Suécia, além da Coreia do Sul e do Uzbequistão, este último membro da Organização dos Estados Turcos, como indicativo da maturidade tecnológica da aeronave e de sua compatibilidade com os padrões da aliança.

Um novo eixo de cooperação entre Turquia e Brasil 
Para o cientista político, o principal atrativo do C-390 para Ancara vai além da ficha técnica. O artigo sustenta que a compra da aeronave poderia evoluir para produção conjunta, compartilhamento de tecnologia e centros locais de manutenção, com a participação de empresas turcas como TAI, ASELSAN, HAVELSAN e TEI no ecossistema industrial do C-390. Segundo o autor, a infraestrutura aeroespacial turca oferece base suficiente para esse tipo de parceria, enquanto as políticas de controle de exportação do Brasil, mais flexíveis do que as dos Estados Unidos, tornariam a Embraer um parceiro estratégico para um país que busca autonomia em sua cadeia de suprimentos de defesa.

O texto conclui que a escolha do C-390 se somaria à política externa turca de diversificação de parceiros, reduzindo a dependência de Washington e de fornecedores europeus e projetando uma cooperação de defesa entre Turquia e Brasil em ambos os lados do Atlântico. 
 

Comandante da Força Aérea da Turquia, general Ziya Cemal Kadıoğlu, visitou a Base Aérea de Beja, 
em Portugal, para conhecer de perto o C-390


Negociações já em curso 

A publicação do ODAP chega em meio a negociações que já estão em andamento entre os dois países. Em abril de 2025, durante a Feira Internacional de Defesa e Segurança (LAAD), no Rio de Janeiro, a Turkish Aerospace e a Embraer assinaram um memorando de entendimento para explorar cooperação industrial, incluindo a produção de jatos comerciais E190 e E195-E2 na Turquia. Na mesma ocasião, o então ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, afirmou à agência Reuters que a Embraer negociava a venda do C-390 também para Turquia, Polônia e Finlândia.

Mais recentemente, o comandante da Força Aérea da Turquia, general Ziya Cemal Kadıoğlu, visitou a Base Aérea de Beja, em Portugal, para conhecer de perto o C-390 que equipa a esquadra portuguesa, em um gesto interpretado pela imprensa especializada como sinal do interesse turco em suceder a frota de C-130. Segundo apurações da LRCA Defense Consulting, o Brasil segue como facilitador diplomático das negociações, que incluem, além da Turquia, países como Polônia, Grécia, Colômbia e Marrocos.

O artigo completo, em inglês, está disponível no site do ODAP.

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