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09 setembro, 2026

Nauru 100D obtém certificação da Anac e amplia espaço para operações táticas no Brasil

Autorização para voos de até 30 km, a 6 mil pés, de dia e à noite marca nova etapa de maturidade do drone brasileiro da XMobots e fortalece uma plataforma que já evolui para versões de reconhecimento, combate reutilizável e emprego em enxame 

 

*LRCA Defense Consulting - 09/09/202

A XMobots acaba de alcançar um marco relevante na trajetória do Nauru 100D. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou o projeto da aeronave não tripulada brasileira para operações com alcance de até 30 quilômetros e altitude de até 6 mil pés em relação ao nível do mar, durante o dia e à noite, dentro das condições estabelecidas pelo órgão regulador. A autorização elimina ainda a exigência anterior de permanência exclusivamente sobre áreas de solo com controle de acesso, ampliando de forma significativa o universo de emprego da plataforma.

Mais do que uma formalidade administrativa, o avanço regulatório representa um passo importante na maturidade de um sistema concebido desde a origem para Defesa e Segurança. Com apenas 9 kg de peso máximo de decolagem, decolagem e pouso vertical elétrico, sensores eletro-ópticos, inteligência embarcada e capacidade de ser transportado por uma pequena equipe, o Nauru 100D passa a reunir mobilidade tática e um envelope operacional autorizado muito mais amplo.

A certificação chega em um momento particularmente importante para a XMobots. Nos últimos meses, a companhia vem transformando o Nauru 100D de um drone tático de inteligência, vigilância e reconhecimento em uma família de sistemas capaz de evoluir para ataque de precisão e operações coordenadas com múltiplas aeronaves. 

Uma autorização que muda o patamar operacional 
Segundo o release encaminhado pela XMobots à LRCA Defense Consulting, o processo regulatório foi conduzido a partir de requisitos dos regulamentos brasileiros aplicáveis aos sistemas aéreos não tripulados, incluindo a transição do antigo RBAC-E 94 para o novo RBAC 100. A norma, publicada pela Anac em junho de 2026, substituiu a lógica predominantemente baseada no peso das aeronaves por uma abordagem proporcional ao risco operacional.

O RBAC 100 passou a dividir as operações em três categorias: Aberta, Específica e Certificada. Para operações que excedem os limites mais simples da categoria Aberta, como missões além da linha de visada visual ou acima de 120 metros, a regulamentação prevê avaliação proporcional ao risco e requisitos específicos de projeto e operação. A mudança aproxima o ambiente regulatório brasileiro de práticas internacionais e cria espaço para soluções mais complexas, desde que seus fabricantes e operadores demonstrem níveis adequados de segurança.

É nesse contexto que a autorização do Nauru 100D ganha importância. A aeronave deixa de estar associada apenas a demonstrações controladas ou a cenários restritos e passa a contar com uma base regulatória para missões de maior alcance e altitude, inclusive noturnas, respeitadas as demais autorizações e regras aplicáveis ao uso do espaço aéreo.

A XMobots afirma que, com o novo ato, torna-se a empresa brasileira com o maior número de projetos de drones certificados pela Anac. O resultado reforça uma experiência regulatória acumulada pela companhia ao longo de anos, aspecto particularmente relevante em um setor no qual não basta desenvolver uma aeronave capaz de voar: é necessário demonstrar confiabilidade, segurança, controle, navegação e capacidade de resposta a emergências.

Dois operadores, duas mochilas e três minutos 
O Nauru 100D foi concebido para reduzir a estrutura necessária ao emprego de um sistema aéreo tático. A aeronave tem 2,1 metros de envergadura, peso máximo de decolagem de 9 kg, velocidade de cruzeiro de aproximadamente 17 m/s (33 nós) e autonomia de até duas horas por bateria. O kit padrão utiliza três baterias, permitindo até seis horas de missões sucessivas, com substituição das fontes de energia entre os voos.

Todo o conjunto pode ser transportado em duas mochilas táticas. Além de acondicionar a aeronave e os equipamentos, elas integram funções de apoio, como estação de comando e controle e sistema de carregamento das baterias. A montagem é do tipo plug and play e pode colocar o sistema em condições de operação em até três minutos.

Essa combinação é particularmente importante para pequenas frações militares, forças especiais, unidades de fronteira e equipes de Segurança Pública. Um sistema que não depende de pista, catapulta ou grande estação terrestre pode acompanhar a tropa, ser lançado a partir de clareiras ou posições improvisadas e mudar de local rapidamente após a missão, reduzindo a exposição da equipe e aumentando a flexibilidade operacional. 

Sensores e inteligência embarcada 
Na configuração ISR autorizada pela Anac, o Nauru 100D pode receber o sensor SIS031A, conjunto eletro-óptico que combina câmera RGB e infravermelho termal LWIR. A solução permite operação diurna e noturna e oferece funções de detecção, acompanhamento e geolocalização de pessoas, veículos e embarcações.

A própria XMobots informa que o sistema incorpora processamento e inteligência embarcada para aplicações como rastreamento de alvos, leitura de placas, apoio a busca e salvamento e geração de coordenadas geográficas. As imagens e os dados são enviados às equipes em solo, ampliando a consciência situacional e permitindo que a aeronave funcione não apenas como um sensor aéreo, mas como um elemento integrado ao ciclo de decisão.

A página técnica da fabricante acrescenta características voltadas à redução da detectabilidade, com baixa assinatura visual, acústica e térmica, emprego de materiais antirreflexo e resistência a chuva forte. Em um ambiente militar, esses atributos são relevantes porque a sobrevivência de pequenos drones depende cada vez mais da capacidade de operar discretamente, permanecer pouco tempo expostos e transmitir informação antes que sejam localizados ou neutralizados.

Da vigilância ao ataque reutilizável 
A autorização agora obtida refere-se à configuração ISR do Nauru 100D. A mesma arquitetura, entretanto, serve de base para o Nauru 100D UCAV, versão de combate que a XMobots vem desenvolvendo para emprego de munições.

Em maio de 2026, durante o Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre, em Brasília, a empresa demonstrou ao Exército Brasileiro uma operação coordenada entre as versões ISR e UCAV. Na simulação, o primeiro drone localizou e transmitiu as coordenadas do alvo, enquanto a aeronave armada realizou o ataque. Segundo a XMobots, a demonstração registrou erro circular provável de 1,4 metro.

O conceito apresenta uma diferença importante em relação às munições vagantes: depois de liberar a carga, o Nauru 100D UCAV pode retornar à base, ser rearmado e empregado novamente. Estão em estudo cargas de alto explosivo (HE) e antitanque (HEAT), além de correção de trajetória em tempo real. A proposta procura preservar a plataforma aérea e concentrar o custo consumível na munição, uma lógica que pode ser relevante em conflitos prolongados, nos quais custo, disponibilidade industrial e capacidade de reposição passaram a ter peso semelhante ao desempenho individual dos sistemas.

O LRCA Defense Consulting já havia destacado, em agosto, que a modularidade é um dos pontos centrais do projeto. Informações obtidas diretamente junto à empresa indicaram que as configurações ISR e UCAV utilizam a mesma célula aérea, recebendo módulos de carga útil diferentes conforme a missão. Isso abre a possibilidade de uma frota comum ser reconfigurada entre reconhecimento e ataque, simplificando treinamento, manutenção e logística. 

O próximo passo: operações em enxame 
A XMobots também trabalha no conceito Nauru 100D Swarm. A arquitetura apresentada pela companhia prevê um contêiner de 20 pés capaz de lançar até 30 aeronaves, sendo três destinadas ao reconhecimento e aquisição de alvos e outras 27 ao ataque coordenado.

O conceito, ainda em desenvolvimento, busca levar a plataforma de uma lógica de emprego individual para uma arquitetura distribuída. A empresa já divulgou alcance previsto entre 120 e 340 quilômetros para o sistema contentorizado, mas vários aspectos essenciais, como comunicações, nível de autonomia, resistência à guerra eletrônica e cronograma de produção, ainda dependem do amadurecimento do projeto e dos requisitos de futuros usuários.

A certificação da configuração ISR não significa, por si só, a certificação automática das futuras versões armadas ou do sistema em enxame. Ela, porém, consolida a célula básica, seus sistemas de navegação, comando e controle e a experiência regulatória associada à plataforma, criando uma base tecnológica mais madura sobre a qual novas configurações poderão evoluir.

Um ativo para Defesa, Segurança e soberania tecnológica 
Fundada em 2007, em São Carlos (SP), a XMobots reúne cerca de 500 profissionais, mais de 250 deles engenheiros, segundo a empresa. Seu modelo de desenvolvimento verticalizado abrange aeronaves, aviônicos, software embarcado, sensores, navegação, controle, inteligência artificial, comunicações e sistemas de missão.

O Nauru 100D é também o primeiro representante da chamada geração Delta da companhia, concebida para ampliar a produção por meio de uma arquitetura modular e processos industrializados. O LRCA Defense Consulting já mostrou que a plataforma foi desenvolvida com foco em escalabilidade, substituição rápida de componentes e fabricação em maior série, características que ganham importância diante das lições dos conflitos contemporâneos, nos quais drones passaram a ser empregados e perdidos em grande quantidade.

Nesse cenário, a autorização da Anac tem significado que vai além dos 30 quilômetros e dos 6 mil pés. Ela indica que um sistema nacional voltado a missões críticas começa a transpor a fronteira entre desenvolvimento tecnológico, demonstração militar e operação regulamentada em ambientes mais complexos.

Para o Brasil, o resultado reforça um ponto estratégico: possuir uma indústria capaz de projetar a aeronave, desenvolver sensores e inteligência embarcada, produzir sistemas de comando e controle e, ao mesmo tempo, conduzir seus produtos pelos processos regulatórios necessários à operação real. Para a XMobots, a certificação amplia a credibilidade do Nauru 100D justamente quando a plataforma avança de um pequeno drone de reconhecimento para uma família com potencial de ocupar diferentes níveis do campo de batalha não tripulado.

09 maio, 2026

Harpia: quando um drone brasileiro desenha um novo mapa da segurança nacional

Da fábrica em São José dos Campos às fronteiras amazônicas: como o drone de maior alcance já certificado no Brasil redefine o panorama da vigilância, defesa e segurança pública nacional.


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LRCA Defense Consulting - 09/05/2026

Em 6 de abril de 2026, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) publicou a Autorização de Projeto do Harpia, um feito que mais de quatro anos de desenvolvimento, três protótipos experimentais e centenas de horas de voo tornaram possível. Naquele dia, o drone fabricado pela Advanced Technologies Security & Defense (AdTech SD), empresa sediada em São José dos Campos (SP), cruzou uma fronteira regulatória até então inédita para aeronaves não tripuladas civis no país.

Com a homologação, um número ilimitado de unidades do Harpia passou a poder ser vendido e operado em voos BVLOS (Beyond Visual Line of Sight — além da linha de visada visual) até 180 km de distância da estação de pilotagem, em altitudes acima de 400 pés e até o teto operacional de 10.000 pés. Trata-se do maior alcance e da maior altitude já autorizados para qualquer aeronave não tripulada de iniciativa privada no Brasil.

"O Harpia é uma solução tecnológica desenhada para as demandas do Brasil. A entrada no mercado nacional com todas as credenciais necessárias é o que os órgãos públicos e os clientes privados precisavam para aderir em definitivo aos benefícios que o uso das aeronaves não tripuladas pode trazer." - Bruno Santos Cunha · CEO, Advanced Technologies Security & Defense

Mais do que um avanço regulatório isolado, a conquista consolida a posição do Harpia como o principal Sistema de Aeronave Remotamente Pilotada (SARP) de uso dual (civil e militar) produzido integralmente em solo brasileiro, num contexto em que a soberania tecnológica em sistemas de vigilância e defesa ganhou urgência estratégica.

Anatomia de um veículo aéreo não tripulado de alto desempenho
O Harpia é classificado como um VANT de asa fixa movido a motor a combustão, uma configuração que lhe confere vantagens decisivas em autonomia e alcance em relação a quadrotores elétricos. Com 4 metros de envergadura, 2 metros de comprimento e peso máximo de 23 kg equipado, a aeronave transporta uma plataforma modular capaz de receber diferentes cargas úteis conforme a missão.

O sistema de lançamento por catapulta dispensa infraestrutura aeroportuária e funciona em qualquer tipo de terreno, incluindo ambientes alagados, essencial para operações na Amazônia e no Pantanal. O pouso, por sua vez, é realizado por acionamento de paraquedas combinado a um airbag integrado à fuselagem, garantindo recuperação segura da aeronave mesmo em áreas sem pista.

O payload principal é a câmera giro-estabilizada Epsilon 140Z G2, que combina sensor eletro-óptico Full HD 1080p com câmera térmica LWIR 640×512 e zoom óptico de até 30x, além de telêmetro a laser. Toda a captação é transmitida em tempo real para a estação de pilotagem por meio de um sistema de comunicação de quatro canais criptografados homologado pela ANATEL, certificação de número 08223-23-14691. O link de dados pode também ser acessado por uma estação móvel adaptável a viaturas, barcos ou operadores a pé, ampliando a flexibilidade tática do sistema.

Dados técnicos
Envergadura: 4,0 metros
Comprimento: 2,0 metros
Peso máximo equipado: 23 kg
Propulsão: motor a combustão / gasolina
Velocidade de cruzeiro: 65 – 135 km/h
Velocidade máxima: 150 km/h
Autonomia de voo: até 12 horas
Alcance operacional: até 1.200 km percorridos
Alcance de comunicação (certificado): 180 km (BVLOS)
Teto operacional: 10.000 pés (≈ 3.050 m ASL)
Altitude operacional máxima: 5.000 m ASL
Pouso: Paraquedas + airbag
Lançamento: Catapulta (qualquer terreno)

 

Uma jornada de cinco anos até a plena certificação
A trajetória regulatória do Harpia é, por si só, um estudo de caso sobre a maturação do ecossistema de drones profissionais no Brasil. A parceria entre a AdTech SD e a consultoria aeronáutica AL Drones iniciou-se em novembro de 2021, ainda nas fases iniciais de concepção do projeto. Desde o princípio, os requisitos de certificação da ANAC foram incorporados ao próprio processo de design da aeronave.

- Novembro 2021Início da parceria AdTech SD + AL Drones
A consultoria especializada em certificação aeronáutica passa a integrar o desenvolvimento do Harpia desde a prancheta, incorporando requisitos de segurança ao projeto de engenharia.

- Maio 2023CAVE — Primeiro Certificado de Autorização de Voo Experimental
A ANAC emite o CAVE para o primeiro protótipo, autorizando voos de desenvolvimento BVLOS até 218 km e a 8.200 pés (2.500 m), maiores limites já autorizados para uma aeronave não tripulada civil no Brasil até então.

- 2023 – 2025Desenvolvimento com três protótipos e CAVEs sucessivos
Inúmeras iterações de engenharia, incluindo desenvolvimento de software de comando de voo proprietário, sistemas FPV, paraquedas e airbag embarcado. Cada protótipo recebe seu próprio CAVE e acumula horas de voo em perfil BVLOS.

- 6 de Abril 2026 Autorização de Projeto pela ANAC — Primeira sob a IS E94-004A
A ANAC publica a Autorização de Projeto do Harpia, tornando-o o primeiro modelo autorizado pelos moldes da Instrução Suplementar IS E94-004A. A aeronave pode agora ser produzida em série para venda comercial.

- Maio 2026 - CAER — Certificado de Aeronavegabilidade Especial de RPA
Com o CAER, o Harpia torna-se o único drone de sua categoria autorizado a operar sobre áreas urbanas quando empregado por forças de segurança e defesa pública.

"O Harpia é um marco para a Aviação Não Tripulada do Brasil, expandindo vários limites que antes eram paradigmas para aeronaves dessa categoria, como é o caso do seu alcance e seu teto operacional." - Lucas Florêncio · Sócio Cofundador, AL Drones

Defesa e segurança pública: o coração da missão
Com dimensões continentais de mais de 8,5 milhões de km² e 23 mil km de fronteiras terrestres e fluviais, o Brasil enfrenta desafios imensos de vigilância e controle territorial. O Harpia foi concebido precisamente para endereçar essa lacuna, oferecendo capacidade de monitoramento persistente em áreas onde aeronaves tripuladas ou drones de menor porte são ineficientes ou economicamente inviáveis.

- Patrulhamento de Fronteiras: o Harpia opera de forma autônoma ou automatizada por longas horas, cobrindo extensas faixas de fronteira terrestre e fluvial para detectar contrabando, tráfico de drogas e passagem ilegal de pessoas.

- Vigilância e Segurança Pública: câmeras de alta definição e câmera térmica LWIR permitem vigilância diurna e noturna de áreas dominadas por facções criminosas, com transmissão em tempo real para centros de comando.

- Apoio a Operações Militares: emprego tático e operacional para reconhecimento, inteligência, vigilância e apoio de fogo de artilharia. Integra-se a redes C4ISR e pode controlar até cinco aeronaves por estação de comando.

- Busca e Salvamento: equipado com módulo de rastreamento de sinais celulares 2G/3G/4G e emissões UHF/VHF, o Harpia localiza vítimas em desastres naturais, naufráfios e acidentes em áreas remotas.

- Defesa Ambiental: monitoramento de focos de incêndio, grilagem e desmatamento ilegal em biomas como Amazônia e Cerrado, com cobertura territorial que seria inviável para equipes terrestres.

- Escolta e Proteção Patrimonial: monitoramento aéreo de comboios terrestres por centenas de quilômetros, substituindo funções de risco para agentes e garantindo segurança em deslocamentos críticos.

Capacidade inédita: operação sobre áreas urbanas
Com a emissão do CAER em abril de 2026, o Harpia tornou-se o único drone de sua categoria no Brasil autorizado a voar sobre áreas urbanas quando empregado por órgãos públicos de segurança e defesa. A ANAC concede essa prerrogativa exclusivamente a órgãos públicos (forças policiais, corpo de bombeiros, defesa civil, fiscalização aduaneira e tributária), tornando o sistema uma ferramenta extraordinariamente poderosa para o combate ao crime e a proteção da vida nas cidades.

Do laboratório às fronteiras: o Acre como laboratório vivo
A teoria encontrou a prática de maneira concreta quando o Governo do Estado do Acre tornou-se o primeiro a adquirir o Harpia para uso na segurança pública estadual. Com investimento de R$ 6,6 milhões, provenientes de recursos próprios e emenda parlamentar, a Secretaria de Segurança Pública acreana implantou o sistema para uso integrado pela Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e órgãos de fiscalização ambiental.

A escolha não é casual: o Acre concentra mais de 2.300 km de fronteiras com Peru e Bolívia, em território majoritariamente coberto pela floresta amazônica. A combinação de alcance operacional, câmera térmica e capacidade de rastreamento de sinais celulares faz do Harpia um multiplicador de força em um estado onde a logística tradicional de segurança é extremamente desafiadora.

"O HARPIA é uma ferramenta que permite otimizar os recursos, tanto logísticos quanto humanos. O maior benefício é a proteção do servidor e também da população, porque permite um olhar avançado sem que o servidor seja colocado em risco." - Cel. Américo Gaia · Secretário de Segurança Pública do Acre

O Amazonas também confirmou interesse no sistema, e a tendência é de expansão para outros estados que enfrentam desafios semelhantes de vigilância territorial, especialmente aqueles com fronteiras internacionais ou grandes extensões de bioma preservado.

Autonomia nacional em tecnologia estratégica sensível
Um aspecto frequentemente subestimado na análise do Harpia é sua relevância geopolítica. O sistema foi desenvolvido integralmente no Brasil e, crucialmente, sem restrições ITAR (International Traffic in Arms Regulations), a legislação norte-americana que controla a exportação de tecnologias de defesa e que frequentemente limita o uso e a personalização de equipamentos importados por países como o Brasil.

Essa independência regulatória confere ao país plena liberdade para desenvolver variantes, integrar novos sensores, exportar o sistema e compartilhá-lo com aliados sem a necessidade de autorização de terceiros. Trata-se de um ativo estratégico em um cenário geopolítico no qual a autonomia em tecnologias de duplo uso, civil e militar, é crescentemente valorizada.

O reconhecimento formal do Ministério da Defesa como Produto Estratégico de Defesa (PED) e da AdTech SD como Empresa Estratégica de Defesa (EED) consagra essa dimensão. O Harpia integra um portfólio que inclui ainda o sistema anti-drone SIMAD, o radar ATALAIA e o transponder MXS, sinalizando uma aposta consistente na construção de uma base industrial de defesa nacional em tecnologias de vigilância e guerra eletrônica.

Integração C4ISR e Guerra Eletrônica
Na dimensão militar avançada, o Harpia pode ser configurado com sistemas de designação a laser, comunicações criptografadas de quatro canais, radar de abertura sintética (SAR) e equipamentos de guerra eletrônica para interceptação de comunicações. A estação de controle tem capacidade de gerenciar simultaneamente até cinco aeronaves em operações coordenadas, tornando o sistema escalável para coberturas de área estratégica. Sua assinatura acústica reduzida e perfil visual discreto o tornam adequado para missões em ambientes contestados.

 

 

Um novo patamar para a aviação não tripulada nacional
A trajetória do Harpia ilustra com precisão o que é possível quando engenharia nacional, regulação responsável e visão estratégica caminham juntas. Da primeira reunião entre AdTech SD e AL Drones em 2021 à publicação da Autorização de Projeto pela ANAC em 2026, cada etapa foi marcada pelo rigor técnico que a aviação exige, e que os operadores de segurança e defesa demandam.

A certificação para voo sobre áreas urbanas, um feito inédito para a categoria no Brasil, abre possibilidades operacionais que estavam até agora vedadas a qualquer outro sistema de drone do país. Combinada ao alcance de 180 km em modo BVLOS e à autonomia de 12 horas, essa prerrogativa posiciona o Harpia como um ativo sem equivalente doméstico no atual inventário de segurança pública e defesa.

Para um país com as dimensões e os desafios territoriais do Brasil, o Harpia não é apenas mais um produto da indústria de defesa. É, potencialmente, um divisor de águas na forma como o Estado monitora suas fronteiras, protege seus biomas e responde a ameaças: com tecnologia própria, sem dependências externas e com plena soberania operacional.

"A Autorização de Projeto do Harpia é uma etapa muito importante da aviação não tripulada do país. Agora um número ilimitado de unidades pode ser vendido para voo BVLOS acima de 400ft." - André Arruda · Sócio Cofundador, AL Drones

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