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08 junho, 2026

O substituto do Orion: FAB e Embraer avançam no C-390 como aeronave de patrulha marítima

Denominado C-390 IVR, o projeto prevê transformar o cargueiro em plataforma multissensora e armada; com frota de P-3AM reduzida a dois ou quatro aparelhos operacionais, a urgência cresce 


*LRCA Defense Consulting - 08/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer avançam nos estudos para transformar o C-390 Millennium em uma plataforma de patrulha marítima (Maritime Patrol Aircraft - MPA), sob o programa denominado C-390 IVR. O projeto responde a uma necessidade operacional crescente: a frota de P-3AM Orion do Esquadrão Orungan da FAB, encarregada de vigiar a Amazônia Azul, opera hoje com apenas dois a quatro aparelhos em condições de voo, limitados por restrições estruturais que impedem o uso de armamento.

Dois acordos, um programa
O ponto de partida formal ocorreu em 3 de dezembro de 2024, durante a Mostra BID, feira nacional de defesa e segurança realizada em Brasília. Na ocasião, FAB e Embraer assinaram um memorando de entendimento para aprofundar estudos colaborativos voltados à adaptação do C-390 para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco específico em patrulha marítima.

O programa ganhou dimensão internacional quatro meses depois. Em 1º de abril de 2025, durante a 15ª edição da LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro, a Força Aérea Portuguesa (FAP) aderiu formalmente aos estudos. O acordo tripartite foi assinado na presença do Comandante da Aeronáutica, Ten.-Brig. Marcelo Kanitz Damasceno; do Chefe do Estado-Maior da FAP, General João Cartaxo Alves; do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto; e do CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior. Na cerimônia, a Embraer apresentou a imagem conceitual de um sistema modular roll-on/roll-off de missão IVR, desenhado para que o C-390 execute funções de vigilância sem abrir mão de suas capacidades multimissão originais.

A conclusão dos estudos está prevista para o final de 2026. Segundo Bosco da Costa Junior, o objetivo é garantir um cliente lançador "o mais rapidamente possível". A se dar crédito a informações da imprensa internacional, este cliente poderia ser o próprio Brasil ou Portugal.

O que é o C-390 IVR
A variante em desenvolvimento incorpora um conjunto de sistemas que transformam o cargueiro em plataforma naval multifuncional. Imagens conceituais divulgadas pela Embraer mostram a aeronave com um pod de vigilância instalado sob a fuselagem dianteira e um míssil antinavio sob cada asa. A configuração prevê radar de abertura sintética, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas avançados de comunicação e dois hardpoints externos para carga útil.

A arquitetura modular é central ao conceito: o sistema IVR seria instalado como roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes, mantendo a aeronave disponível para missões de transporte, reabastecimento em voo ou evacuação aeromédica quando necessário. A opção evita o dilema da especialização excessiva que encareceu e limitou a vida operacional de plataformas anteriores.

Para o armamento antinavio, a tendência aponta para o MANSUP/MANSUP-ER, desenvolvido pela brasileira SIATT em parceria com o Grupo EDGE (Emirados Árabes Unidos), em substituição ao AGM-84 Harpoon atualmente integrado aos P-3AM. Em junho de 2025, a SIATT assinou contrato com a Marinha do Brasil para fornecimento do míssil às fragatas classe Tamandaré. A lógica de uma versão ar-superfície (MAS) para o C-390 IVR está embutida na própria família multimissão em desenvolvimento: o mesmo míssil poderá operar a partir de navios, do sistema ASTROS e de aeronaves.

Um ponto de atenção: os renderings divulgados pela Embraer até o momento não apresentam tubos de lançamento de sonoboias nem detector de anomalias magnéticas (MAD), elementos indispensáveis para guerra antissubmarina (ASW) plena. A variante parece estar sendo otimizada, em primeiro lugar, para patrulha de superfície e strike antinavio. A inclusão de capacidade ASW integral permanece como questão em aberto a ser confirmada junto à FAB.

A crise silenciosa do Orungan
O Esquadrão Orungan, 1º/7º GAV, é a unidade responsável pela vigilância marítima de longo alcance da FAB. Transferido da Base Aérea de Salvador para Santa Cruz (RJ) em janeiro de 2018, opera os P-3AM e, desde agosto de 2020, também o sistema de aeronave remotamente pilotada (SARP) IAI RQ-1150 Heron I, formando uma Esquadrilha IVR dedicada.

A história dos P-3AM é, ao mesmo tempo, um capítulo de modernização e de precariedade estrutural. A FAB recebeu nove aparelhos entre 2011 e 2014, adquiridos do excedente da US Navy e modernizados na Espanha pela CASA. Com quatro motores turboélice, autonomia de até 16 horas de voo e capacidade ASW completa (sonoboias, MAD, torpedos, mísseis Harpoon), o Orion representou, à época, um salto de geração para a aviação de patrulha brasileira.

O problema veio com o uso intenso em ambiente marítimo, voos a baixa altitude e velocidade sobre o oceano, sujeitos à corrosão pela salinidade e ao desgaste estrutural nas asas. Em maio de 2024, a Akaer (São José dos Campos, SP) executou o primeiro voo de um P-3AM com asas revitalizadas, projeto destinado a prolongar a vida operacional da frota. Mas o diagnóstico é sombrio: naquele momento, apenas dois aparelhos (FAB 7202 e 7207) estavam operacionais, com a previsão de que a revitalização trouxesse mais dois de volta à linha. O total operacional oscila entre dois e quatro aeronaves, e parte delas voa com restrições que impedem o emprego de armamento.

Constitucionalmente, a vigilância da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira, quase 4,5 milhões de km², é atribuição da Marinha, que conta com o apoio do Orungan para cumpri-la. Com o pré-sal e rotas de navegação estratégicas, a Amazônia Azul permanece como um dos espaços mais relevantes para a segurança nacional, monitorada por uma frota que se aproxima do fim de sua vida útil.

A Elbit no circuito
Em fevereiro de 2026, durante o Singapore Airshow, a Elbit Systems revelou que está trabalhando em uma variante ISR/SIGINT do C-390, independentemente do programa IVR conduzido pela Embraer em parceria com a FAB e a FAP. O modelo apresentado pela empresa israelense no salão mostrava um pod sob o queixo semelhante ao sistema multiespectral MS-110, além de antenas na derive provavelmente associadas a conjunto de guerra eletrônica, ELINT e COMINT.

A Elbit tem presença consolidada no C-390. Já fornece suítes de autoproteção DIRCM para a aeronave e, em novembro de 2025, firmou contrato de US$ 175 milhões para fornecimento de sistemas de guerra eletrônica e autoproteção, incluindo o pod SPEAR, para C-390 e helicópteros H225M de países europeus membros da OTAN. No Brasil, a empresa israelense é sócia na AEL Sistemas (subsidiária brasileira desde 2001) juntamente com a Embraer, e entre 2011 e 2016 manteve com a Embraer a joint venture Harpia Sistemas, voltada a veículos aéreos não tripulados.

A aparição do C-390 na comunicação de marketing de soluções navais da Elbit sinaliza que a empresa se posiciona como integradora de missão para a variante IVR, um papel que inclui não apenas os sistemas de autoproteção já contratados, mas potencialmente a suíte completa de sensores eletro-ópticos, SIGINT e guerra eletrônica.

Captura de tela de um vídeo da Elbit Systems de janeiro de 2026 mostrando um C-390 Millennium em um sistema de segurança naval em rede mais amplo, contra ameaças simétricas e assimétricas, desempenhando funções de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e detecção eletrônica.

Um close do pod montado no queixo, retirado do vídeo de janeiro de 2026, também visto no modelo em escala exibido no show aéreo de Singapura.

Dimensão internacional: Portugal e o mercado global
A adesão da Força Aérea Portuguesa tem duplo significado. Do ponto de vista técnico, Portugal opera cinco KC-390 (com um sexto encomendado durante o Salão de Paris em junho de 2025, mais dez opções adicionais) e enfrenta necessidade análoga à do Brasil: a substituição de suas capacidades de patrulha marítima. A FAP opera os P-3C Orion e busca uma solução para suas missões no Atlântico, incluindo a vigilância das águas ao redor do arquipélago dos Açores.

Do ponto de vista comercial, a participação de Portugal empresta credibilidade exportadora ao programa. Um terceiro operador que desenvolva e adote a configuração IVR transforma o C-390 MPA de projeto bilateral em produto catálogo, reduzindo custos de desenvolvimento e abrindo caminho para vendas a outros usuários da plataforma: Hungria, Áustria, Holanda, República Tcheca, Suécia e Coreia do Sul, além dos países em negociações avançadas.

A Coreia do Sul, por exemplo, avalia a aquisição de seis aeronaves de patrulha marítima adicionais (além da frota P-8A já operacional), com decisão prevista para 2026. A Embraer disputa essa concorrência com o P-8A da Boeing e uma proposta da KAI baseada no Global 6500, apresentando tanto o E190-E2 MPA quanto o C-390 MPA como alternativas.

Plataforma de missões especiais: além do MPA
O C-390 IVR é a ponta mais visível de uma estratégia mais ampla da Embraer de converter o Millennium em uma família de plataformas de missões especiais. Conforme reportagem do portal indiano Indian Defence Research Wing (IDRW), a fabricante brasileira apresentou à Força Aérea Indiana (IAF), no contexto da concorrência pelo programa MTA (60 aeronaves de transporte médio para substituir os An-32 e Il-76), um roteiro de variantes que inclui: configuração armada com hardpoints subalares para mísseis ar-superfície; lançamento de enxames de drones pela rampa traseira; emprego do conceito Rapid Dragon (paletes de ataque stand-off lançados em voo); versão AEW&C (alerta aéreo antecipado); e versão SIGINT/ELINT.

Para a Índia, a Embraer firmou parceria com o Grupo Mahindra para linha de montagem local, alinhando-se às políticas "Make in India" e "Aatmanirbhar Bharat". A exigência da IAF de que a aeronave transporte o tanque leve Zorawar (25 toneladas), caso seja mantida, elimina o C-130J Super Hercules da competição, deixando o C-390 (26 toneladas de carga útil) e o A400M (37 toneladas) como únicos concorrentes viáveis.

Esse posicionamento multiuso reforça a atratividade da plataforma: para a FAB, a compra de C-390 na versão IVR não significaria adquirir uma aeronave especializada de nicho, mas expandir as capacidades de uma frota já em operação, aproveitando logística, treinamento e infraestrutura existentes.

Imagem meramente ilustrativa

O que ainda precisa ser respondido
Apesar do avanço dos estudos, questões fundamentais permanecem em aberto. A quantidade de aeronaves a ser adquirida para o Orungan, frequentemente mencionada como seis unidades na imprensa especializada estrangeira, não foi confirmada por documento oficial da FAB, da Embraer ou do governo brasileiro. A capacidade ASW plena (sonoboias, MAD, torpedos) não está refletida nos renderings conceituais divulgados até o momento. O cronograma de desativação dos P-3AM tampouco foi formalizado.

O que está claro é a urgência, pois a realidade que se sobrepõe é uma ZEE de quase 4,5 milhões de km², vigiada por dois a quatro Orion envelhecidos, com restrições de armamento e crescente demanda por presença nas rotas do pré-sal. 

O C-390 IVR pode ser a resposta, desde que os estudos se convertam, até o fim de 2026, em decisão de aquisição.

08 fevereiro, 2026

Elbit Systems revela variante do Embraer C-390 Millennium de inteligência (ISR) e guerra eletrônica (SIGINT) no Singapore Airshow

A empresa israelense de defesa Elbit Systems revelou, durante o Singapore Airshow, que está trabalhando em uma versão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) e Inteligência de Sinais (SIGINT) da aeronave de carga Embraer C/KC-390 Millennium

Captura de tela de um vídeo da Elbit Systems de janeiro de 2026 mostrando um C-390 Millennium em um sistema de segurança naval em rede mais amplo, contra ameaças simétricas e assimétricas, desempenhando funções de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e detecção eletrônica. (Crédito da imagem: Elbit Systems) 

*TheAviationist, por Parth Satam – 07/02/2026

A empresa israelense de defesa Elbit Systems revelou, durante o Singapore Airshow, que está trabalhando em uma versão de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR) e Inteligência de Sinais (SIGINT) da aeronave de carga Embraer C/KC-390 Millennium. A Aviation Week publicou ainda uma imagem de um modelo em escala reduzida na exposição e citou representantes da Elbit, em segundo plano, afirmando que a empresa está "buscando o mercado para utilizar o Embraer C-390 como uma plataforma aérea de inteligência".

Além disso, durante o salão aeronáutico de 3 de fevereiro, a Embraer anunciou que o primeiro C-390 da Coreia do Sul "chegou à fase final do processo de montagem" e também identificou o Uzbequistão como um dos compradores da aeronave, cujo nome não havia sido divulgado anteriormente. Além do Brasil, o C-390 também é utilizado pela Suécia , Portugal, República Tcheca, Lituânia e Hungria, enquanto os futuros clientes são a Holanda, a Eslováquia e a Áustria. Com a adição da Coreia do Sul e do Uzbequistão, o número total de usuários do C-390 chega a 11.

A missão da Elbit com o C-390 era de inteligência aérea e patrulha marítima
Embora os executivos da Elbit não tenham revelado o potencial comprador da nova variante, o relatório afirmou que o modelo mostrou que o conceito SIGINT possui uma torreta esférica eletro-óptica/infravermelha (EO/IR) e sistemas de guerra eletrônica. Tanto o vídeo quanto a foto do modelo publicados pela Aviation Week também mostram a presença de um pod instalado sob o queixo, que lembra o Sistema de Reconhecimento Aerotransportado Multiespectral MS-110 .

O sensor eletro-óptico pode ser uma das estruturas em forma de torre na carenagem que abriga o trem de pouso esquerdo. Várias antenas nas deriva também são visíveis, provavelmente relacionadas ao conjunto de guerra eletrônica/inteligência de sinais (EW/SIGINT), bem como à inteligência eletrônica e de comunicações (COMINT/ELINT).

A Elbit já trabalhou no C-390 anteriormente, instalando seus sistemas de contramedidas eletrônicas (ECM) e sensores de autodefesa contra mísseis, radares e alertas infravermelhos em C-390 portugueses após uma encomenda em 2019, e tem contrato desde 10 de dezembro de 2024 para futuros C-390 holandeses e austríacos.  

Um close do pod montado no queixo, retirado do vídeo de janeiro de 2026, também visto no modelo em escala exibido no show aéreo de Singapura. (Crédito da imagem: Elbit Systems)

Recentemente, a Elbit apresentou o C-390 em um cenário marítimo em um vídeo conceitual publicado em 13 de janeiro de 2026 , onde a aeronave atuava como componente de uma rede naval integrada de sensoriamento, detecção, rastreamento, comunicação e guerra eletrônica. O C-390, em sua configuração para a missão, é mostrado operando em conjunto com navios de combate de superfície amigos, veículos de superfície não tripulados (USVs) e drones ISR de longa duração na destruição de USVs hostis, mísseis antinavio disparados da costa e enxames de drones inimigos. 

O vídeo da Elbit de janeiro também mostra a aeronave carregando os pods SPEAR de contramedidas eletrônicas avançadas (AECM) sob as asas. Entramos em contato com a Embraer e a Elbit em janeiro a respeito do vídeo conceitual e, recentemente, sobre a apresentação no Singapore Airshow para obter mais detalhes, e atualizaremos esta matéria assim que recebermos uma resposta.

É possível que a versão de janeiro esteja vagamente relacionada ao conceito de SIGINT, ISR e EW revelado no Singapore Airshow. As pequenas divergências na configuração e no equipamento dos sensores provavelmente permanecerão inalteradas até que a empresa identifique um cliente em potencial.

Curiosamente, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer trabalham juntas desde 2024 no desenvolvimento de uma versão dedicada à Patrulha Marítima (MPA), designada C-390 IVR.

Suítes de guerra eletrônica e autoproteção da Elbit
Como mencionado anteriormente, a Elbit anunciou em 31 de outubro de 2019 que havia sido contratada por Portugal em um contrato de US$ 50 milhões para integrar seu pacote completo de ECM (Contramedidas Eletrônicas) e autoproteção nos KC-390 da Força Aérea Portuguesa (PtAF). Na ocasião, a Elbit afirmou que o pacote incluía o conjunto completo de guerra eletrônica, composto por “sistemas de alerta de radar e laser, sistema de alerta de mísseis infravermelhos, sistema de lançamento de contramedidas, sistema de contramedidas infravermelhas direcionais (DIRCM) e sistema de POD (Disparo de Contramedidas Eletrônicas Ativas) de ECM”.  

O trabalho deveria ser concluído ao longo de um período de cinco anos e, em 5 de julho de 2023, surgiram imagens da implantação oficial dos dois pods em uma demonstração aérea. Em seguida, em 10 de dezembro de 2024, a Elbit anunciou dois contratos com duas nações europeias não identificadas, avaliados coletivamente em US$ 175 milhões, que incluíam Suítes de Autoproteção para as aeronaves C-390 de uma nação europeia e uma “Sistema Avançado de Guerra Eletrônica” para o C-390 de outro membro europeu da OTAN. Observadores concluíram que essas nações eram a Holanda e a Áustria.

A Elbit identificou o sistema de guerra eletrônica como seu pod SPEAR AECM, “que pode ser facilmente instalado e transferido entre aeronaves na linha de voo”. A empresa listou os sistemas de autoproteção como o “Receptor Digital de Alerta de Radar, Sistema de Alerta de Mísseis por Infravermelho (MWS), Sistema de Alerta a Laser (LWS), Sistema Dispensador de Contramedidas (CMDS) e o sistema DIRCM da família MUSIC”.

O sistema J-MUSIC DIRCM da Elbit, parte da família de sensores MUSIC que interferem nos sistemas de busca de mísseis com energia direcionada, também equipa parte dos A400M alemães. A Luftwaffe (Força Aérea Alemã) recebeu sua primeira aeronave equipada com o sistema em setembro de 2025. 

Um modelo C-390 adaptado com equipamentos da Elbit Systems está em exposição no estande da Elbit no Singapore Airshow. Crédito: Robert Wall/Aviation Week

C-390 uzbeques e sul-coreanos
Entretanto, em 3 de fevereiro, após identificar o Uzbequistão como um novo cliente do C-390, informação que não havia divulgado anteriormente, a Embraer afirmou que o país é o primeiro da Ásia Central a operar a aeronave Millennium, validando seu sucesso no segmento de transporte militar. Nem a Embraer nem os relatórios do Uzbequistão especificam o número de aeronaves encomendadas pelo país.

“Damos as boas-vindas oficiais à República do Uzbequistão ao grupo de operadores do C-390, enquanto a Força Aérea do Uzbequistão moderniza suas capacidades de transporte”, disse Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. No mesmo dia, a Embraer também anunciou que o primeiro dos C-390 da Força Aérea da República da Coreia (RoKAF) chegou à fase final de montagem, antes dos “voos de produção que antecedem a integração de sistemas específicos”.                 

A Embraer foi escolhida em 2023, após um processo de licitação competitivo, para o programa de Aeronaves de Transporte de Grande Porte (LTA-II) da Força Aérea da República da Coreia (RoKAF), para três aeronaves, conforme noticiamos na época aqui no The Aviationist . Isso a torna a primeira cliente na região da Ásia-Pacífico. A Embraer também possui parcerias com empresas sul-coreanas como a Aerospace Technology of Global (ASTG), a EM Korea (EMK) e a Kencoa Aerospace para a fabricação de peças de reposição e componentes.

01 dezembro, 2025

Mac Jee e AERO.ID ampliam portfólio de drones com LM-1 Defensor e MQ-25 PTROS

Imagem meramente representativa

*LRCA Defense Consulting - 01/12/2025

A Mac Jee Defesa e a AERO.ID deram um novo passo na consolidação do Brasil como player relevante no mercado de sistemas aéreos não tripulados ao avançar simultaneamente em dois projetos complementares: a munição suicida de asa fixa LM-1 Defensor e o drone de vigilância marítima MQ-25 PTROS. 

Os dois sistemas, ainda em fase de desenvolvimento e demonstração, foram concebidos para atender demandas de ataque de precisão e de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), alinhando-se às lições recentes dos conflitos que têm mostrado o papel central dos drones no campo de batalha.​

O LM-1 Defensor é uma munição suicida de asa fixa projetada para missões de ataque pontual, com alcance aproximado de 70 km, autonomia de até cerca de 93 minutos e capacidade de carga bélica em torno de 3,5 kg, permitindo engajar alvos estratégicos mantendo as tropas lançadoras em segurança. 

Com dimensões compactas e operação modular, o sistema pode ser integrado a viaturas táticas ou plataformas terrestres leves, oferecendo às forças usuárias uma solução de fogo de longo alcance e alta precisão, particularmente adequada a cenários de negação de área, apoio de fogo e operações especiais.​

Voltado mais à vigilância marítima e missões de ISR, mas não restrito a elas, o MQ-25 PTROS surge como um drone de asa fixa com capacidade de decolagem e pouso vertical (VTOL), combinando a eficiência em cruzeiro de uma aeronave convencional com a flexibilidade operacional de um vetor que não depende de pistas. 

Com alcance de até 300 km, autonomia de 12 horas e carga útil de 10 kg, o sistema poderá empregar câmeras dia/noite, sensores infravermelho e outros equipamentos de reconhecimento para patrulhar extensas áreas oceânicas ou terrestres, apoiar o monitoramento de infraestrutura crítica e reforçar a segurança de fronteiras marítimas.​

Imagem meramente representativa

Na avaliação de especialistas do setor, a combinação de um drone de vigilância de longo alcance com uma munição suicida própria pode criar um ecossistema integrado de capacidades, em que o MQ-25 PTROS desempenha o papel de “sensor” e o LM-1 Defensor atua como “efetor” no ciclo de combate. 

Ao oferecer soluções que vão da detecção à neutralização de alvos, Mac Jee e AERO.ID fortalecem a autonomia operacional das Forças Armadas brasileiras e ampliam o potencial de exportação de sistemas inteligentes produzidos pela Base Industrial de Defesa nacional.

Saiba mais sobre os drones da Mac Jee & AERO.ID
- Brasil avança em drones de ataque com demonstração do MQ-18 ao Exército Brasileiro 

07 fevereiro, 2025

Atobá XR: o drone da Stella Tecnologia para missões ISR, patrulha e ataque que interessa à FAB


*LRCA Defense Consulting - 07/02/2025

À medida que avança com os testes do Albatroz - projetado para operações em navios - a Stella Tecnologia continua a progredir em outras frentes. No ano passado, a fabricante de UAV táticos com sede no Rio de Janeiro apresentou o Atobá XR, uma versão aprimorada do Atobá, a maior plataforma aérea desenvolvida na América Latina e no Caribe.

Três vezes o tamanho de seu antecessor, o Atobá XR sem ITAR (Regulamentos de Tráfego Internacional de Armas) oferece uma capacidade de carga útil de 300 kg, uma velocidade de cruzeiro de 370 km/h e configurações sob medida para três missões principais, a saber: inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), patrulha e ataque.

A variante de ataque pode ser equipada com munições ociosas proprietárias, bombas guiadas e outros sistemas avançados de armas, tornando-se um ativo valioso da Base Industrial e Tecnológica de Defesa brasileira.

 
Segundo a Stella Tecnologia, o Atobá XR (ou Condor) é uma plataforma de última geração em desenvolvimento, concebida como resposta a um memorando de entendimento assinado com a Força Aérea Brasileira.

Projetado para atender às demandas de monitoramento persistente de fronteiras, o Atobá XR possui autonomia projetada de até 35 horas e capacidade de embarcar múltiplos sensores e subsistemas, suportando uma carga útil de até 350 kg.

Uma de suas características marcantes é a presença de dois pontos de fixação sob cada asa, permitindo a integração de armamentos, como até dois mísseis da classe Hellfire por asa.

Essa capacidade amplia significativamente o escopo operacional da plataforma, tornando-a uma solução altamente versátil para missões de vigilância e combate estratégico.

Dados técnicos:
MTOW: 1400kg
Comprimento: 9,5m
Envergadura: 17m
Motorização: 145hp
Carga-paga: 350kg
Autonomía: 35h
Alcance do datalink: 250km
Alcance do datalink satelital: ilimitado
Decolagem e pouso: 650m
Possibilidade de embarcar múltiplos sensores.

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