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08 junho, 2026

O substituto do Orion: FAB e Embraer avançam no C-390 como aeronave de patrulha marítima

Denominado C-390 IVR, o projeto prevê transformar o cargueiro em plataforma multissensora e armada; com frota de P-3AM reduzida a dois ou quatro aparelhos operacionais, a urgência cresce 


*LRCA Defense Consulting - 08/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer avançam nos estudos para transformar o C-390 Millennium em uma plataforma de patrulha marítima (Maritime Patrol Aircraft - MPA), sob o programa denominado C-390 IVR. O projeto responde a uma necessidade operacional crescente: a frota de P-3AM Orion do Esquadrão Orungan da FAB, encarregada de vigiar a Amazônia Azul, opera hoje com apenas dois a quatro aparelhos em condições de voo, limitados por restrições estruturais que impedem o uso de armamento.

Dois acordos, um programa
O ponto de partida formal ocorreu em 3 de dezembro de 2024, durante a Mostra BID, feira nacional de defesa e segurança realizada em Brasília. Na ocasião, FAB e Embraer assinaram um memorando de entendimento para aprofundar estudos colaborativos voltados à adaptação do C-390 para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR), com foco específico em patrulha marítima.

O programa ganhou dimensão internacional quatro meses depois. Em 1º de abril de 2025, durante a 15ª edição da LAAD Defence & Security, no Rio de Janeiro, a Força Aérea Portuguesa (FAP) aderiu formalmente aos estudos. O acordo tripartite foi assinado na presença do Comandante da Aeronáutica, Ten.-Brig. Marcelo Kanitz Damasceno; do Chefe do Estado-Maior da FAP, General João Cartaxo Alves; do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto; e do CEO da Embraer Defesa & Segurança, Bosco da Costa Junior. Na cerimônia, a Embraer apresentou a imagem conceitual de um sistema modular roll-on/roll-off de missão IVR, desenhado para que o C-390 execute funções de vigilância sem abrir mão de suas capacidades multimissão originais.

A conclusão dos estudos está prevista para o final de 2026. Segundo Bosco da Costa Junior, o objetivo é garantir um cliente lançador "o mais rapidamente possível". A se dar crédito a informações da imprensa internacional, este cliente poderia ser o próprio Brasil ou Portugal.

O que é o C-390 IVR
A variante em desenvolvimento incorpora um conjunto de sistemas que transformam o cargueiro em plataforma naval multifuncional. Imagens conceituais divulgadas pela Embraer mostram a aeronave com um pod de vigilância instalado sob a fuselagem dianteira e um míssil antinavio sob cada asa. A configuração prevê radar de abertura sintética, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas avançados de comunicação e dois hardpoints externos para carga útil.

A arquitetura modular é central ao conceito: o sistema IVR seria instalado como roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes, mantendo a aeronave disponível para missões de transporte, reabastecimento em voo ou evacuação aeromédica quando necessário. A opção evita o dilema da especialização excessiva que encareceu e limitou a vida operacional de plataformas anteriores.

Para o armamento antinavio, a tendência aponta para o MANSUP/MANSUP-ER, desenvolvido pela brasileira SIATT em parceria com o Grupo EDGE (Emirados Árabes Unidos), em substituição ao AGM-84 Harpoon atualmente integrado aos P-3AM. Em junho de 2025, a SIATT assinou contrato com a Marinha do Brasil para fornecimento do míssil às fragatas classe Tamandaré. A lógica de uma versão ar-superfície (MAS) para o C-390 IVR está embutida na própria família multimissão em desenvolvimento: o mesmo míssil poderá operar a partir de navios, do sistema ASTROS e de aeronaves.

Um ponto de atenção: os renderings divulgados pela Embraer até o momento não apresentam tubos de lançamento de sonoboias nem detector de anomalias magnéticas (MAD), elementos indispensáveis para guerra antissubmarina (ASW) plena. A variante parece estar sendo otimizada, em primeiro lugar, para patrulha de superfície e strike antinavio. A inclusão de capacidade ASW integral permanece como questão em aberto a ser confirmada junto à FAB.

A crise silenciosa do Orungan
O Esquadrão Orungan, 1º/7º GAV, é a unidade responsável pela vigilância marítima de longo alcance da FAB. Transferido da Base Aérea de Salvador para Santa Cruz (RJ) em janeiro de 2018, opera os P-3AM e, desde agosto de 2020, também o sistema de aeronave remotamente pilotada (SARP) IAI RQ-1150 Heron I, formando uma Esquadrilha IVR dedicada.

A história dos P-3AM é, ao mesmo tempo, um capítulo de modernização e de precariedade estrutural. A FAB recebeu nove aparelhos entre 2011 e 2014, adquiridos do excedente da US Navy e modernizados na Espanha pela CASA. Com quatro motores turboélice, autonomia de até 16 horas de voo e capacidade ASW completa (sonoboias, MAD, torpedos, mísseis Harpoon), o Orion representou, à época, um salto de geração para a aviação de patrulha brasileira.

O problema veio com o uso intenso em ambiente marítimo, voos a baixa altitude e velocidade sobre o oceano, sujeitos à corrosão pela salinidade e ao desgaste estrutural nas asas. Em maio de 2024, a Akaer (São José dos Campos, SP) executou o primeiro voo de um P-3AM com asas revitalizadas, projeto destinado a prolongar a vida operacional da frota. Mas o diagnóstico é sombrio: naquele momento, apenas dois aparelhos (FAB 7202 e 7207) estavam operacionais, com a previsão de que a revitalização trouxesse mais dois de volta à linha. O total operacional oscila entre dois e quatro aeronaves, e parte delas voa com restrições que impedem o emprego de armamento.

Constitucionalmente, a vigilância da Zona Econômica Exclusiva (ZEE) brasileira, quase 4,5 milhões de km², é atribuição da Marinha, que conta com o apoio do Orungan para cumpri-la. Com o pré-sal e rotas de navegação estratégicas, a Amazônia Azul permanece como um dos espaços mais relevantes para a segurança nacional, monitorada por uma frota que se aproxima do fim de sua vida útil.

A Elbit no circuito
Em fevereiro de 2026, durante o Singapore Airshow, a Elbit Systems revelou que está trabalhando em uma variante ISR/SIGINT do C-390, independentemente do programa IVR conduzido pela Embraer em parceria com a FAB e a FAP. O modelo apresentado pela empresa israelense no salão mostrava um pod sob o queixo semelhante ao sistema multiespectral MS-110, além de antenas na derive provavelmente associadas a conjunto de guerra eletrônica, ELINT e COMINT.

A Elbit tem presença consolidada no C-390. Já fornece suítes de autoproteção DIRCM para a aeronave e, em novembro de 2025, firmou contrato de US$ 175 milhões para fornecimento de sistemas de guerra eletrônica e autoproteção, incluindo o pod SPEAR, para C-390 e helicópteros H225M de países europeus membros da OTAN. No Brasil, a empresa israelense é sócia na AEL Sistemas (subsidiária brasileira desde 2001) juntamente com a Embraer, e entre 2011 e 2016 manteve com a Embraer a joint venture Harpia Sistemas, voltada a veículos aéreos não tripulados.

A aparição do C-390 na comunicação de marketing de soluções navais da Elbit sinaliza que a empresa se posiciona como integradora de missão para a variante IVR, um papel que inclui não apenas os sistemas de autoproteção já contratados, mas potencialmente a suíte completa de sensores eletro-ópticos, SIGINT e guerra eletrônica.

Captura de tela de um vídeo da Elbit Systems de janeiro de 2026 mostrando um C-390 Millennium em um sistema de segurança naval em rede mais amplo, contra ameaças simétricas e assimétricas, desempenhando funções de ISR (Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) e detecção eletrônica.

Um close do pod montado no queixo, retirado do vídeo de janeiro de 2026, também visto no modelo em escala exibido no show aéreo de Singapura.

Dimensão internacional: Portugal e o mercado global
A adesão da Força Aérea Portuguesa tem duplo significado. Do ponto de vista técnico, Portugal opera cinco KC-390 (com um sexto encomendado durante o Salão de Paris em junho de 2025, mais dez opções adicionais) e enfrenta necessidade análoga à do Brasil: a substituição de suas capacidades de patrulha marítima. A FAP opera os P-3C Orion e busca uma solução para suas missões no Atlântico, incluindo a vigilância das águas ao redor do arquipélago dos Açores.

Do ponto de vista comercial, a participação de Portugal empresta credibilidade exportadora ao programa. Um terceiro operador que desenvolva e adote a configuração IVR transforma o C-390 MPA de projeto bilateral em produto catálogo, reduzindo custos de desenvolvimento e abrindo caminho para vendas a outros usuários da plataforma: Hungria, Áustria, Holanda, República Tcheca, Suécia e Coreia do Sul, além dos países em negociações avançadas.

A Coreia do Sul, por exemplo, avalia a aquisição de seis aeronaves de patrulha marítima adicionais (além da frota P-8A já operacional), com decisão prevista para 2026. A Embraer disputa essa concorrência com o P-8A da Boeing e uma proposta da KAI baseada no Global 6500, apresentando tanto o E190-E2 MPA quanto o C-390 MPA como alternativas.

Plataforma de missões especiais: além do MPA
O C-390 IVR é a ponta mais visível de uma estratégia mais ampla da Embraer de converter o Millennium em uma família de plataformas de missões especiais. Conforme reportagem do portal indiano Indian Defence Research Wing (IDRW), a fabricante brasileira apresentou à Força Aérea Indiana (IAF), no contexto da concorrência pelo programa MTA (60 aeronaves de transporte médio para substituir os An-32 e Il-76), um roteiro de variantes que inclui: configuração armada com hardpoints subalares para mísseis ar-superfície; lançamento de enxames de drones pela rampa traseira; emprego do conceito Rapid Dragon (paletes de ataque stand-off lançados em voo); versão AEW&C (alerta aéreo antecipado); e versão SIGINT/ELINT.

Para a Índia, a Embraer firmou parceria com o Grupo Mahindra para linha de montagem local, alinhando-se às políticas "Make in India" e "Aatmanirbhar Bharat". A exigência da IAF de que a aeronave transporte o tanque leve Zorawar (25 toneladas), caso seja mantida, elimina o C-130J Super Hercules da competição, deixando o C-390 (26 toneladas de carga útil) e o A400M (37 toneladas) como únicos concorrentes viáveis.

Esse posicionamento multiuso reforça a atratividade da plataforma: para a FAB, a compra de C-390 na versão IVR não significaria adquirir uma aeronave especializada de nicho, mas expandir as capacidades de uma frota já em operação, aproveitando logística, treinamento e infraestrutura existentes.

Imagem meramente ilustrativa

O que ainda precisa ser respondido
Apesar do avanço dos estudos, questões fundamentais permanecem em aberto. A quantidade de aeronaves a ser adquirida para o Orungan, frequentemente mencionada como seis unidades na imprensa especializada estrangeira, não foi confirmada por documento oficial da FAB, da Embraer ou do governo brasileiro. A capacidade ASW plena (sonoboias, MAD, torpedos) não está refletida nos renderings conceituais divulgados até o momento. O cronograma de desativação dos P-3AM tampouco foi formalizado.

O que está claro é a urgência, pois a realidade que se sobrepõe é uma ZEE de quase 4,5 milhões de km², vigiada por dois a quatro Orion envelhecidos, com restrições de armamento e crescente demanda por presença nas rotas do pré-sal. 

O C-390 IVR pode ser a resposta, desde que os estudos se convertam, até o fim de 2026, em decisão de aquisição.

22 março, 2026

Força Aérea Indiana (IAF) e o MoD se preparam para emitir uma solicitação de propostas (RFP) para seis jatos Embraer ERJ-145

 


*DEFENCE.IN - 22/03/2026

Em uma importante iniciativa para reforçar as capacidades de vigilância aérea da Índia, a Força Aérea Indiana (IAF) e o Ministério da Defesa (MoD) estão se preparando para emitir uma Solicitação de Propostas (RFP) formal à empresa aeroespacial brasileira Embraer nos próximos meses.

Essa iniciativa segue as recentes aprovações do Comitê de Segurança do Gabinete (CCS) e do Conselho de Aquisições de Defesa (DAC), que abriram caminho para a aquisição de seis aeronaves Embraer ERJ-145 adicionais.

Esses jatos servirão como base para o programa de Alerta Aéreo Antecipado e Controle (AEW&C) Netra Mk-1A, de fabricação nacional.

A próxima aquisição expandirá significativamente a frota de alerta aéreo antecipado (AEW&C) da Força Aérea Indiana (IAF).

As seis novas aeronaves adquiridas passarão por modificações abrangentes no Centro de Sistemas Aerotransportados (CABS) da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO).

Após a conclusão, essas plataformas avançadas se juntarão às três aeronaves Netra Mk-1 originais atualmente em serviço ativo, que já comprovaram seu valor estratégico em operações como os ataques aéreos de Balakot em 2019.

Essa expansão elevará a frota total de aeronaves AEW&C baseadas em Embraer para nove, fornecendo vigilância aérea crítica 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Embora o exterior do ERJ-145 pareça familiar, os sistemas internos do Mk-1A apresentarão um salto tecnológico geracional.

A pedra angular dessa atualização é a integração de componentes de estado sólido de nitreto de gálio (GaN) no radar de varredura eletrônica ativa (AESA) da aeronave.

Em transição da antiga tecnologia de arseneto de gálio (GaAs), os novos módulos de nitreto de gálio (GaN) proporcionarão geração de energia superior, gerenciamento térmico aprimorado e maior vida útil operacional.

Consequentemente, o sistema de radar modernizado deverá ampliar seu alcance de detecção para aproximadamente 450 quilômetros, uma melhoria significativa em relação ao alcance de 250 a 300 quilômetros das atuais plataformas Mk-1.

Para complementar o novo e poderoso radar, o CABS está desenvolvendo softwares de missão sofisticados e algoritmos de fusão de sensores.

Essa arquitetura digital modernizada é especificamente projetada para identificar e rastrear ameaças complexas e de baixa assinatura, incluindo caças furtivos de quinta geração e veículos aéreos não tripulados.

Além disso, o poder de processamento aprimorado facilitará a detecção precoce de alvos ultrarrápidos, como armas hipersônicas, garantindo que a Força Aérea Indiana (IAF) mantenha uma vantagem tática crucial em um espaço aéreo altamente disputado.

Como a Embraer interrompeu a produção comercial do jato regional ERJ-145 há anos, a empresa está facilitando a venda de fuselagens civis usadas que já passaram por rigorosas inspeções realizadas por equipes da Força Aérea Indiana (IAF).

Após a finalização do contrato, esses jatos serão completamente despojados de seus interiores comerciais para dar lugar a aviônica militar de fabricação nacional, links de dados de comunicação seguros, sistemas de guerra eletrônica e radares de última geração.

A recente criação de uma subsidiária dedicada da Embraer na Índia, prevista para meados de 2025, juntamente com sua colaboração com parceiros do setor privado local, como a Adani Defence and Aerospace, deverá simplificar essa complexa integração e apoiar os objetivos mais amplos da Índia em relação à fabricação de equipamentos de defesa, como o programa "Aatmanirbhar Bharat" (Índia Autossuficiente).

Autoridades da área de defesa preveem um progresso constante para o programa Netra Mk-1A. A solicitação formal de propostas (RFP) e a subsequente assinatura do contrato estão previstas para meados de 2026.

A entrega inicial de uma fuselagem modificada e sem equipamentos para a Índia poderá ocorrer já em 2027. Após isso, a DRDO iniciará o complexo processo de integração de sistemas e testes de voo, que se estenderá até o final de 2027 ou 2028.

Se o cronograma atual for mantido, a Força Aérea Indiana (IAF) receberá seu primeiro Netra Mk-1A totalmente operacional até o final de 2028 ou início de 2029, com as cinco aeronaves restantes sendo entregues em intervalos escalonados de oito a dez meses. 

13 julho, 2025

Embraer C-390 Millennium em versão AWACS para a Índia pode ser uma realidade

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 13/07/2025

Em matéria publicada em abril de 2023, esta Consultoria, em caráter pioneiro, identificou a possibilidade de a Índia ter interesse numa versão do C-390 Millennium para missões AEW&C (Alerta Aéreo Antecipado e Controle). Na época, repercutindo reportagem da imprensa especializada indiana, foi escrito que "O idrw.org informou saber que a aeronave que for selecionada será usada como uma plataforma para o desenvolvimento de aeronaves de reabastecimento em voo (FRA) e, também, de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C), pois a IAF planeja ter mais plataformas locais para reforçar seus requisitos enquanto a Força Aérea Chinesa (PLAAF) expande sua frota de multiplicadores de força (como são conhecidas as aeronaves AEW&C)".

Posteriormente, em dezembro de 2024, o idrw.org divulgou uma novidade importante: "A Embraer, em seu briefing para a Força Aérea Indiana (IAF) para a licitação de aeronaves de transporte médio (MTA) para 60 transportadores, apresentou uma nova proposta ousada: o C-390M Millennium equipado com hardpoints sob suas asas para transportar sistemas de armas ar-superfície. Essa capacidade, destinada a fornecer capacidades operacionais antiterrestres e anti-navio, pode posicionar o C-390M como uma plataforma versátil e multifuncional, além de suas funções primárias de transporte".

Em junho último, o jornal indiano The Economic Times divulgou que o Ministério da Defesa da Índia estava prestes a analisar um projeto de 10.000 crores de rúpias (cerca de US$ 1,166 bilhão) visando adquirir três aviões espiões avançados (ISTAR) para aprimorar as capacidades de vigilância e aquisição de alvos da Força Aérea Indiana, fornecendo inteligência ar-solo detalhada, o que permitirá ataques precisos contra alvos inimigos. O sistema ISTAR será desenvolvido internamente pelo DRDO, que equipará as aeronaves com sensores e sistemas eletrônicos totalmente nacionais. Esses sistemas de vigilância e direcionamento a bordo já foram desenvolvidos e testados pelo Centro de Sistemas Aerotransportados (CABS) do DRDO.

O C-390 Millennium é uma aeronave multimissão que já possui capacidades para missões de transporte tático, reabastecimento aéreo (como KC-390) e está sendo adaptada para missões ISTAR, incluindo patrulha marítima (Maritime Patrol). Em dezembro de 2024, a Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram um acordo para desenvolver uma variante específica do C-390 para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR), chamada C-390 IVR, com foco em patrulha marítima. Essa variante incorpora sistemas avançados de comunicação, sensores e autoproteção, que atendem aos requisitos de missões ISTAR.

C-390 IVR (Embraer)

Portugal está participando do desenvolvimento da nova variante ISR do C-390. Esta versão integrará radar de abertura sintética, sensores eletro-ópticos e infravermelhos, sistemas de comunicação avançados e pontos de fixação externos para carga útil, com uma configuração modular roll-on/roll-off para manter a flexibilidade entre as missões. Esses desenvolvimentos foram anunciados na exposição de defesa LAAD 2025, onde foram formalizados acordos de cooperação entre a Embraer e a Força Aérea Portuguesa.

O Embraer C-390 é uma aeronave de transporte militar tático multimissão que foi projetada principalmente para transportar cargas e tropas, sendo facilmente transformada para a versão de reabastecimento aéreo, a KC-390. Embora não seja uma aeronave dedicada a AEW&C, é possível fazer modificações no projeto original para adaptar a plataforma para essa finalidade.

A transformação do C-390 em uma aeronave de alerta antecipado exigiria a instalação de sistemas de radar e de comunicação especializados, além de outras modificações estruturais e eletrônicas. Essas modificações permitiriam que a aeronave detectasse e monitorasse alvos aéreos, navais e terrestres em uma área ampla e fornecesse informações valiosas para o comando e controle em tempo real. Segundo declarações atribuídas à Embraer, o C-390 Millennium pode ser modificado, interna e externamente, para se adequar às exigências operacionais do usuário. 

Imagem meramente ilustrativa

Em reforço à possibilidade levantada em 2023 e desenvolvida em 2024 e 2025, a matéria do idrw.org abaixo informa que a Embraer teria oferecido à Índia uma versão Sistema de Alerta e Controle Aéreo (AWACS) para o C-390. Confira. 
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Embraer apresenta o C-390M para os requisitos AWACS e MTA da IAF, oferecendo desenvolvimento mais rápido em relação ao ERJ-145 fora de produção

*Indian Defence Research Wing - 13/07/2025

A gigante aeroespacial brasileiro Embraer propôs uma nova abordagem ousada para atender às duas necessidades da Força Aérea Indiana (IAF) — um Sistema de Alerta e Controle Aéreo (AWACS) e uma Aeronave de Transporte Médio (MTA), oferecendo-se para desenvolver em conjunto uma variante AWACS baseada em sua plataforma C-390M Millennium. Esta proposta surge em um momento em que a IAF enfrenta desafios para adquirir aeronaves Embraer ERJ-145 adicionais para seu programa AWACS Netra Mk1A, visto que o ERJ-145 está fora de produção há mais de uma década.

O briefing da Embraer à IAF, conforme relatado pelo idrw.org, destaca o potencial do C-390M para servir como uma plataforma AWACS de próxima geração, equipada com sistemas nativos desenvolvidos pelo Centro de Sistemas Aerotransportados (CABS) da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO). Ao contrário do Netra Mk1, baseado no ERJ-145, que oferece cobertura de radar de 240 graus com alcance de 450 km, o C-390M AWACS poderia incorporar recursos avançados, como um radar AESA (Active Electronically Scanned Array) de 300 graus ou até 360 graus, conjuntos aprimorados de guerra eletrônica e links de dados em tempo real para operações centradas na rede. A maior capacidade de carga útil da plataforma (26 toneladas contra 5,9 toneladas do ERJ-145) e sua maior resistência (até 6 horas sem reabastecimento) a tornam adequada para hospedar sistemas de missão sofisticados, incluindo consoles de operador, radares baseados em nitreto de gálio (GaN) e suítes de autodefesa.

O Embraer C-390M Millennium, uma aeronave de transporte médio bimotor a jato, é um dos principais concorrentes no programa MTA da IAF, que busca de 60 a 80 aeronaves para substituir a antiga frota de Antonov An-32. Projetado para transportar uma carga útil de 26 toneladas em um alcance de 2.815 km, o C-390M é equipado com modernos motores turbofan, um sistema fly-by-wire e um design modular que suporta configurações multifuncionais, incluindo transporte, reabastecimento em voo e inteligência, vigilância, aquisição de alvos e reconhecimento (ISTAR). 

A proposta da Embraer de desenvolver em conjunto uma variante AWACS do C-390M está alinhada à necessidade da IAF por plataformas avançadas de vigilância aérea para combater ameaças regionais da China e do Paquistão, que operam frotas AWACS significativamente maiores.

Situação atual da IAF
A IAF opera atualmente três sistemas AWACS Netra Mk1, baseados em jatos regionais ERJ-145 modificados, que comprovaram sua eficácia operacional em cenários de alto risco, como o ataque aéreo de Balakot em 2019 e a Operação Sindoor em 7 de maio de 2025. Para expandir sua frota de AWACS, a IAF planejou adquirir seis fuselagens ERJ-145 usadas adicionais para o programa Netra Mk1A, que conta com radares AESA baseados em GaN atualizados e conjuntos de missão aprimorados. No entanto, com a produção do ERJ-145 encerrada no início da década de 2010, a obtenção de fuselagens adequadas no mercado secundário global – onde aproximadamente 350 das 700 unidades produzidas permanecem em serviço – apresenta desafios significativos.

A modernização de ERJ-145s usados exige modificações extensas, incluindo a desmontagem e modernização de unidades substituíveis em linha (LRUs), aviônicos e sistemas para atender aos padrões de nível militar. Esse processo é demorado e caro, com preocupações quanto às condições da fuselagem, histórico de manutenção e disponibilidade de peças de reposição. A Embraer, em colaboração com a Adani Defence and Aerospace, foi encarregada de obter essas fuselagens, mas as complexidades da conversão levaram a atrasos no programa Netra Mk1A, estimado em £ 9.000 crore (aproximadamente US$ 1,1 bilhão).

C-390M AWACS: uma alternativa estratégica
A proposta da Embraer para o codesenvolvimento de um AWACS baseado no C-390M aborda esses desafios, alavancando uma plataforma moderna em produção, projetada para adaptabilidade multifuncional. De acordo com fontes do idrw.org, o AWACS do C-390M poderia ser desenvolvido no mesmo prazo da modernização dos ERJ-145, com as seguintes vantagens:

- Integração mais rápida: diferentemente dos ERJ-145 usados, que exigem ampla reconfiguração, o C-390M pode incorporar sistemas AWACS durante a fabricação, agilizando o desenvolvimento e garantindo a conformidade com as especificações da IAF desde o início.

- Recursos avançados: a fuselagem maior do C-390M suporta cargas úteis mais pesadas, permitindo a integração de radares AESA avançados com cobertura potencial de 300–360 graus, maior resistência e compatibilidade com sistemas futuros, como drones lançados do ar ou armas de energia direcionada.

- Eficiência de custo e ciclo de vida: uma nova plataforma evita os desafios de manutenção de fuselagens antigas, oferecendo custos de ciclo de vida mais baixos e maior confiabilidade. O design moderno do C-390M também apoia o impulso da Índia para transferência de tecnologia e produção local no âmbito da iniciativa "Make in India".

Parceria com a Mahindra Defence Systems fortalece a proposta

A parceria da Embraer com a Mahindra Defence Systems, formalizada por meio de um Memorando de Entendimento (MoU) de 2024, fortalece ainda mais sua proposta. O MoU prevê o estabelecimento de uma linha de montagem final do C-390M na Índia, posicionando o país como um polo regional de produção, manutenção, reparo e revisão (MRO) e treinamento. Isso se alinha à iniciativa indiana Aatmanirbhar Bharat, que oferece oportunidades de transferência de tecnologia e fabricação local.

Plataforma C-390M para as funções MTA ou AWACS ainda não foi avaliada pela IAF
A IAF ainda não avaliou formalmente a plataforma C-390M para as funções MTA ou AWACS, gerando incerteza quanto à aceitação da proposta da Embraer. A preferência da IAF pelo ERJ-145 para o Netra Mk1A decorre da comunalidade da frota, visto que já opera cinco variantes do ERJ-145 para transporte VVIP e três para o Netra Mk1, simplificando a logística, o treinamento e a manutenção. No entanto, o desempenho superior do C-390M – oferecendo um alcance de 2.815 km em comparação com os 2.873 km do ERJ-145, um teto de serviço mais alto (36.000 pés contra 37.000 pés) e maior capacidade de carga útil – o torna uma alternativa atraente.

A hesitação da Força Aérea Indiana (IAF) também pode ser influenciada por propostas concorrentes, como o Global 6000 da Bombardier para o Netra Mk1A, que oferece autonomia de 12 horas e maior capacidade de carga útil, mas não possui a mesma frota do ERJ-145. A proposta anterior da Embraer para o Praetor 600, um jato executivo supermédio com o dobro do alcance do ERJ-145 e teto de 45.000 pés, foi rejeitada devido à sua capacidade limitada de carga útil (1,5 toneladas contra 5,9 toneladas do ERJ-145), destacando o foco da IAF em equilibrar custo, capacidade e logística.

Potencial multifuncional do C-390M pode ser decisivo
O potencial multifuncional do C-390M pode ser decisivo, especialmente considerando seu alinhamento com o requisito de MTA da IAF. As avaliações iniciais da IAF favorecem o C-390M em relação a concorrentes como o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o Airbus A400M Atlas devido à sua adaptabilidade para funções como AWACS, MPA e ISTAR. Um acordo de codesenvolvimento com a Embraer também poderia incluir acordos de permuta, com o Brasil expressando interesse em sistemas indianos como o míssil Akash ou o lançador de foguetes Pinaka, fortalecendo os laços bilaterais de defesa. 
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Sobre o portal Indian Defence Research Wing
O idrw.org (Indian Defence Research Wing) é um portal de notícias online lançado em 2006, focado em cobertura detalhada e análise de notícias relacionadas à defesa da Índia. Ele se dedica a reportar sobre as Forças Armadas indianas, incluindo o Exército, a Força Aérea e a Marinha, além de temas como inovações militares, estratégias de aquisição e tecnologias de defesa. O site também aborda questões globais e regionais relacionadas à defesa, com ênfase em projetos indianos, como o desenvolvimento de aeronaves, mísseis e outros sistemas de defesa.

O idrw.org é reconhecido como uma das fontes mais antigas e confiáveis sobre notícias de defesa na Índia, atraindo um público que inclui analistas de defesa, militares e entusiastas. Ele também oferece uma seção chamada “My Take”, onde leitores podem compartilhar opiniões sobre assuntos de segurança e defesa. O portal é conhecido por obter informações de fontes dentro do establishment de defesa indiano, muitas vezes publicando notícias antes da mídia mainstream.

Saiba mais:
- Índia quer aeronaves ISTAR para inteligência ar-solo e aquisição de alvos. Embraer C-390 seria uma opção?

- Embraer C-390 como aeronave de alerta aéreo antecipado AEW&C para a Índia?

24 março, 2025

Na Índia, mais seis Netra Mk1 AEW&C baseados em jatos Embraer serão incorporados pela Força Aérea

 


*The Print, por Snehesh Alex Philip - 20/03/2025

O Ministério da Defesa aprovou na quinta-feira a aquisição de seis sistemas adicionais de Alerta Aéreo Antecipado e Controle (AEW&C), que seriam uma versão atualizada dos dois sistemas atuais em serviço desenvolvidos pela Índia, chamados Netra.

O novo sistema provavelmente será instalado a bordo de seis aeronaves Embraer EMB 145, como as duas existentes. A Índia opera três AEW&C, dos quais um é operado pelo Centre For Air Borne System (CABS), que está sob a Defence Research and Development Organisation (DRDO).

Conhecido como os "olhos no céu", o AEW&C pode detectar e rastrear todos os objetos voadores, incluindo caças, mísseis de cruzeiro e drones, mais rápido do que radares terrestres. Eles também podem atuar como uma sala de controle aéreo para missões, ao mesmo tempo em que rastreiam navios no mar.

A autorização do Conselho de Aquisição de Defesa (DAC) para AEW&C é significativa, pois a Força Aérea Indiana (IAF) precisa incorporar mais sistemas o mais rápido possível.

A força aérea planeja incorporar mais seis sistemas Netra, incluindo Netra Mk1A, além de uma possível substituição para os dois que opera atualmente. Além disso, há planos para induzir outros seis sistemas AEW&C sendo desenvolvidos pelo DRDO e para serem montados em aeronaves Airbus A321, que serão conhecidas como Netra Mk2.

Seis dessas aeronaves para Mk2 foram adquiridas da Air India e estão atualmente com o esquadrão de comunicações da IAF. Essas aeronaves serão equipadas com radar nativo AESA (Active Electronically Scanned Array) feito na Índia.

A Índia também opera três Sistemas de Alerta e Controle Aéreo (AWACS), que são integrados à aeronave russa Il-76.

O Paquistão, por outro lado, opera nove Saab 2000 Erieye AEW&Cs de última geração, além dos quatro AWACS chineses ZDK03 Karakoram Eagle. Dado seu tamanho, o Paquistão tem a capacidade de realizar vigilância 24 horas por dia, uma capacidade que a Índia não tem atualmente.

A criticidade do AEW&C foi sentida durante o duelo aéreo entre a Índia e o Paquistão em 27 de fevereiro de 2019. O Paquistão, que na época tinha seis Saab 2000, aproveitou a mudança do "olho no céu" da IAF ao lançar o ataque.

Enquanto o Netra da Índia atualmente tem um alcance de cerca de 200 km, o sistema baseado no Il76 tem um alcance de 400 km e tem uma cobertura de 360 ​​graus, para uma ligeiramente menor para o primeiro. Entende-se que o Netra Mk 1A e o Mk2 terão alcance e capacidades muito maiores.

22 maio, 2024

Marinha Indiana foca em soluções nacionais para vigilância aérea. Embraer 145 AEW&C é um candidato potencial


*Defence.in, pelo Capitão MS Chatterji (retired) - 21/05/2024

Num pivô estratégico, a Marinha Indiana está focada em soluções desenvolvidas internamente para reforçar as suas capacidades de alerta e controle aéreo antecipado (AEW&C).

Esta mudança surge na sequência dos planos cancelados para aquisição de helicópteros russos Ka-31 adicionais e dos desafios na aquisição de aeronaves E-2 Hawkeye construídas nos EUA.

Por que a mudança de direção?
Vários fatores convergiram para provocar esta mudança de direção. O conflito em curso na Ucrânia tornou incerta a futura aquisição de helicópteros russos Ka-31. Além disso, as complexidades da operação de aeronaves pesadas E-2 Hawkeye de porta-aviões indianos levantaram preocupações.

Os ambiciosos planos da Marinha para expandir a sua frota de porta-aviões realçaram ainda mais a necessidade de uma melhor cobertura de radar para proteger estes valiosos ativos. Os sistemas de radar baseados em navios têm limitações inerentes devido à curvatura da Terra, tornando as plataformas aéreas essenciais para ampliar as capacidades de vigilância e alerta precoce.

Potenciais soluções nacionais

Embora detalhes específicos permaneçam confidenciais, a Índia está a prosseguir ativamente por vários caminhos promissores. O DRDO AEW&CS (Airborne Early Warning and Control System), baseado na aeronave Embraer ERJ 145 e equipado com radar AESA nativo, é um candidato potencial.

Outras opções poderiam incluir sistemas avançados de radar integrados em helicópteros ou aeronaves de asa fixa, bem como veículos aéreos não tripulados (UAV) com capacidades de vigilância.

Desafios e oportunidades
O desenvolvimento de sistemas complexos de AEW&C de forma autóctone apresenta desafios, incluindo a necessidade de investimentos significativos em investigação e desenvolvimento, conhecimentos tecnológicos e integração de diversos sistemas.

No entanto, as recompensas potenciais são substanciais. As soluções nacionais podem ser adaptadas aos requisitos operacionais e às condições ambientais únicas da Índia, oferecendo maior flexibilidade e adaptabilidade.

Um passo estratégico em frente
A adoção de soluções AEW&C nacionais pela Marinha Indiana representa um passo significativo no sentido de melhorar as suas capacidades de vigilância marítima, ao mesmo tempo que promove a autossuficiência em tecnologia de defesa crítica.

À medida que a Índia procura expandir a sua influência regional e proteger os seus interesses marítimos, o desenvolvimento e a implantação de sistemas de vigilância aérea nacionais desempenharão um papel fundamental.

 

10 abril, 2024

Embraer e FAB iniciam estudos para plataformas de missões especiais


*LRCA Defense Consulting - 10/04/2024

A Embraer e a Força Aérea Brasileira anunciaram o início de estudos colaborativos para identificar potenciais adaptações de plataformas para missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento. As plataformas a serem utilizadas já estão operacionais na Força Aérea Brasileira, como o C-390 Millennium.

“A Força Aérea Brasileira monitora constantemente sua capacidade de cumprir plenamente suas missões no contexto atual, ao mesmo tempo em que olha para os desafios futuros e para a evolução das tecnologias. Estudar a aderência e adaptabilidade das plataformas da Embraer aos desafios futuros dessas missões é uma forma esperada de maximizar a uniformidade e a autonomia tecnológica”, afirma o Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Força Aérea Brasileira.

Imagem meramente ilustrativa de um C-390 AEW&C (Crédito: idrw.org ) - Veja o "Saiba mais"

“A Embraer tem um histórico de sucesso na adaptação de suas plataformas para diferentes objetivos. Os estudos conjuntos permitirão a ampliação do portfólio de soluções para atender às necessidades operacionais das missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento da Força Aérea Brasileira e de potenciais clientes internacionais. Este é mais um passo importante no relacionamento de longo prazo entre a Embraer e a Força Aérea Brasileira”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

O anúncio aconteceu na Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE), em Santiago do Chile, com a presença de Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, e do Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica.

Saiba mais:
- Embraer C-390 como aeronave de alerta aéreo antecipado AEW&C para a Índia?

24 novembro, 2023

Embraer entrega quinto jato E-99 modernizado à FAB


*LRCA Defense Consulting - 24/11/2023

A Embraer entregou à Força Aérea Brasileira (FAB) a quinta aeronave modernizada EMB 145 AEW&C, designada na FAB como E-99M. A E-99M executará funções de Alarme Aéreo Antecipado e Controle e Alarme em Voo, além de missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento Aéreo. 

“A entrega do quinto E-99 é um importante marco para o projeto E-99M. Essa é a primeira aeronave entregue na configuração FOC - Full Operational Capability – com os sistemas totalmente certificados para emprego pela Força Aérea Brasileira na proteção do Brasil e de sua soberania nacional”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “As quatro aeronaves entregues previamente serão atualizadas para a versão FOC, para que possam desempenhar plenamente todas as missões para quais foram projetadas”.


Desenvolvido sobre a plataforma do bem-sucedido jato regional ERJ 145, o E-99 da FAB é capaz de detectar, rastrear e identificar alvos em sua área de cobertura e transmitir essas informações via Data Link. A aeronave realiza missões de vigilância do espaço aéreo, controle e gerenciamento de interceptação, inteligência eletrônica e monitoramento de fronteiras. 

Com a modernização, a aeronave E-99M passa a contar com os sistemas Radar Erieye e Comando & Controle (C2) totalmente modernizados. A aeronave também possui novos sistemas de Guerra Eletrônica (Non-Communication – NCOM), novo IFF Transponder, 7 rádios V/UHF definidos por software, novo sistema de Áudio de Missão de tecnologia VOIP e novo gravador de Áudio e Dados de Missão, além da função Data Link adaptada à nova arquitetura. O interior da aeronave também foi atualizado para aumentar o conforto da tripulação e ampliar a capacidade de operação, com cinco consoles reprojetados e otimizados para melhor emprego dos sistemas modernizados.   

O projeto E-99M é conduzido pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) junto à Embraer e fornecedores internacionais, como a SAAB, Aeroelectronica International (AELI) e Rohde & Schwarz. A Atech, empresa do grupo Embraer, participa do projeto no desenvolvimento de parte do sistema de comando e controle, fornecendo seis estações de planejamento e análise de missão, que serão empregadas no treinamento e aperfeiçoamento das tripulações. 

Além da operação pela FAB, o EMB 145 AEW&C também é operado pelas forças aéreas da Índia, México e Grécia.

12 abril, 2023

Embraer C-390 como aeronave de alerta aéreo antecipado AEW&C para a Índia?

Imagem meramente ilustrativa (idrw.org)

*LRCA Defense Consulting com idrw - 12/04/2023

Em matéria com data de 11 do corrente, o portal indiano idrw.org  publicou que a Força Aérea Indiana (IAF) está procurando adquirir de 60 a 80 aeronaves de transporte multifuncionais (MTA) para serem usadas como transportadores de médio curso, para as quais já solicitou propostas de empresas aeroespaciais internacionais que possam concordar em fabricá-las em conjunto no país sob Transferência de Tecnologia (ToT).

O idrw.org informou saber que a aeronave que for selecionada será usada como uma plataforma para o desenvolvimento de aeronaves de reabastecimento em voo (FRA) e, também, de alerta aéreo antecipado e controle (AEW&C), pois a IAF planeja ter mais plataformas locais para reforçar seus requisitos enquanto a Força Aérea Chinesa (PLAAF) expande sua frota de multiplicadores de força (como são conhecidas as aeronaves AEW&C).

Segundo o portal, a IAF adquirirá seis plataformas AEW&C Netra MkII de próxima geração montadas em aeronaves Ex-Air India Airbus A321, cuja introdução se dará nos próximos 4-5 anos, já que a frota atual é de seis (3 IL-78 Phalcon, 3 Netra MkI Embraer EMB-145) contra uma exigência de quase 18-24 unidades em ambas as frentes. A IAF planejava comprar seis AWACS de cobertura de 360 graus com base na plataforma Airbus A330, mas é provável que isso seja rejeitado devido ao custo, como já foi visto no passado.

De acordo com a mesma fonte, a IAF opera seis aeronaves de reabastecimento em voo (FRA) baseadas em IL-78, mas devido à baixa taxa de disponibilidade da frota, geralmente essas são reservadas para operações especiais ou em situação de alerta elevado. A IAF pretende arrendar um FRA da França baseado na aeronave Airbus A330 da Força Aérea Francesa e está procurando converter MTA em aeronaves Mini FRA para uso a longo prazo em caso de guerra, enquanto também considera a proposta da HAL de adquirir seis aeronaves civis Boeing 767 convertidas  em reabastecedores aéreos.

Por fim, o idrw.org afirma que a IAF pretende ter 12-13 FRA em tempo integral e 12-20 Mini-Multi Mission Tanker Transport Aircraft baseado na plataforma MTA. A visão de longo prazo da IAF para o Force Multiplier é ter recursos de backup suficientes para usar em caso de guerra e, ao mesmo tempo, construir uma frota completa nos próximos dez anos.
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Embraer C-390 como AEW&C?
Aviões equipados com poderosos radares são uma peça essencial no arsenal de uma força aérea moderna. Para a defesa de um país, é um instrumento militar que evita surpresas e encontra os problemas à distância, permitindo um maior tempo de reação contra uma ameaça. Devido a estas vantagens, são conhecidos como  Force Multiplier  (multiplicadores de forças).

Poucas nações possuem aeronaves AEW&C (Airborne Early Warning & Control ou Alerta Aéreo Antecipado e Controle) em suas frotas e um grupo menor ainda de países detém o conhecimento e estruturas para projetar esse tipo de equipamento. São aeronaves caras que exigem profissionais com grande conhecimento técnico para operá-las. Na América do Sul, somente as forças aéreas do Brasil (dois Embraer E-99 e três E-99M) e do Chile (um Boeing EB-707 Condor e três Boeing E-3D Sentinel) operam vetores com essa capacidade.

O Embraer C-390 é uma aeronave de transporte militar tático multimissão que foi projetada principalmente para transportar cargas e tropas, sendo facilmente transformada para a versão de reabastecimento aéreo, a KC-390. Embora não seja uma aeronave dedicada a AEW&C, é possível fazer modificações no projeto original para adaptar a plataforma para essa finalidade.

A transformação do C-390 em uma aeronave de alerta antecipado exigiria a instalação de sistemas de radar e de comunicação especializados, além de outras modificações estruturais e eletrônicas. Essas modificações permitiriam que a aeronave detectasse e monitorasse alvos aéreos, navais e terrestres em uma área ampla e fornecesse informações valiosas para o comando e controle em tempo real.

Segundo declarações atribuídas à Embraer, o C-390 Millennium pode ser modificado, interna e externamente, para se adequar às exigências operacionais do usuário.

Expertise em AEW&C não falta à Embraer, especialmente em parceria com a Índia

EMB 145 AEW&C
O EMB 145 AEW&C é um dos integrantes da família de aeronaves e sistemas de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (Intelligence, Surveillance and Reconnaissance - ISR) da Embraer. O jato é derivado do ERJ 145, um dos mais bem-sucedidos jatos regionais no mundo, com mais de 1.100 aeronaves entregues e mais de 19 milhões de horas de voo acumuladas.

Sua principal missão é detectar, rastrear e identificar alvos dentro da sua área de patrulhamento e transmitir essas informações para forças amigas, de modo a fornecer-lhes uma precisa e ampla visão do teatro de operações. O EMB 145 AEW&C também tem capacidade para monitorar o espaço aéreo, controlar o posicionamento de caças em missões de interceptação, inteligência de sinais e vigilância marítima, de fronteira e de Zonas Econômicas Exclusivas.

Embraer E-99M da FAB

EMB 145 AEW&C da Força Aérea Mexicana

Dez aeronaves EMB 145 AEW&C já foram entregues a três forças aéreas no mundo.

Desde 2002, Força Aérea Brasileira (FAB) opera cinco delas no Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM), sendo duas sob a designação de E-99 e três sob a de E-99M (modernizado). A primeira versão do E-99 detecta alvos aéreos e navais. Com a modernização (M), ele incorporou a capacidade de observar objetos em terra. O equipamento também ficou mais preciso e pode acompanhar veículos menores, como motos aquáticas, botes e helicópteros em voo pairado.

Uma outra aeronave está em serviço no México, com a Secretaría de la Defensa Nacional (SEDENA), enquanto que a Força Aérea da Grécia (Hellenic Air Force) tem quatro jatos operando junto à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Na Índia, onde a primeira aeronave chegou em 2011, as três plataformas EMB 145 AEW&C - chamados de Netra Mark-1 ou Netra AEW&C nesse país - juntaram-se à bem-sucedida família de aeronaves de vigilância da Embraer, sendo produto da colaboração entre a Embraer e a estatal indiana Organização de Desenvolvimento e Pesquisa de Defesa (DRDO). É equipada com um conjunto completo de sistemas de missão, composto por um potente radar de vigilância aérea e sistema de comando e controle, além de um conjunto completo de sistemas de apoio à missão, tais como avançados sistemas de comunicação e apoio eletrônico, link de dados, e dispositivos de autoproteção.

Os sistemas de missão foram desenvolvidos pelo Centre for Airborne Systems (CABS) do Departamento de Defesa da Índia e pela DRDO, e foram integrados com a plataforma do EMB 145, sob a coordenação do CABS. A Embraer também instalou, de acordo com os requisitos da DRDO, um sistema de reabastecimento ar-ar, uma fonte adicional de energia elétrica e uma unidade extra de refrigeração sobre a plataforma anterior do EMB 145 AEW&C.

Em 27 de fevereiro de 2019, um avião de vigilância Netra MkI atuou como posto de controle aéreo avançado e orientou caças indianos na interceptação de aviões de ataque do Paquistão na conflituosa região da Caxemira. O encontro resultou num feroz embate aéreo, resultando na queda de um F-16 paquistanês e um MiG-21 indiano.

Praetor 600 AEW&C
Em termos de vigilância, controle e alerta aéreo antecipado - e indo além do EMB 145 AEW&C - a Embraer está disponibilizando agora uma de suas "joias da coroa". Em desenvolvimento conjunto com a israelense IAI / ELTA Systems, a gigante aeroespacial brasileira transformou o jato executivo Praetor 600 na moderníssima aeronave Praetor 600 AEW&C, equipada com um radar de última geração Dorsal Mounted, usando tecnologia GaN AESA e um Sistema de Missão AEW avançado e altamente automatizado para uma gama de missões de defesa e segurança.

O sistema P600 AEW&C é um multiplicador de força e ativos estratégicos. Ele é equipado com um conjunto único e abrangente de sistemas e recursos projetados especificamente para manter a integridade soberana de uma nação. Promove dissuasão contra ameaças internas e externas, reforçada pela coordenação eficaz e resposta rápida de meios aéreos, marítimos e terrestres, oferecendo solução avançada para cenários operacionais modernos, como segurança nacional, alerta aéreo antecipado, garantia da lei e da ordem, comando e controle, vigilância marítima, defesa e vigilância aérea e inteligência eletrônica.

Com o desempenho superior da aeronave e um conjunto de sensores de última geração, o Praetor 600 AEW está pronto para missões de vigilância, defesa, segurança e alerta aéreo antecipado contra todas as ameaças aéreas e marítimas por uma fração do custo dos sistemas AEW atuais. Esta combinação proporciona soberania e controle de um sistema AEW líder de sua classe.

Saiba mais sobre a aeronave: Índia tem interesse no Praetor 600 AEW&C, a "joia da coroa" da Embraer em vigilância e alerta antecipado

Um novo e promissor mercado
Assim, caso a Índia escolha o Embraer C-390 como sua próxima aeronave de transporte tático e de reabastecimento aéreo, a ser produzida localmente em joint venture com a HAL (Hindustan Aeronautics Limited - principal indústria dos poderosos setores aeronáutico e aeroespacial da Índia) dentro do Programa Make in India, a opção de usar a plataforma para transformá-la em uma aeronave AEW&C é bastante razoável, haja vista que a Embraer, além de toda a tecnologia própria que possui, ainda detém vasta expertise no assunto em parceria com a estatal indiana DRDO.

Caso se concretize tal cenário, um novo e promissor mercado estaria se abrindo para a Embraer.

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