Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador E-99M. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador E-99M. Mostrar todas as postagens

30 outubro, 2026

LINK-BR2 cumpre primeiro voo de certificação e recebe alvos do E-99M em Canoas

Campanha IRIS 2026, encerrada nesta sexta-feira (30), leva o enlace de dados da FAB à etapa decisiva; segundo o DCTA, a integração a outras aeronaves será planejada após a certificação



*
LRCA Defense Consulting - 30/10/2026 - 10h00

O LINK-BR2, sistema de enlace de dados táticos da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou em 20 de outubro seu primeiro voo de certificação. A missão ocorreu na Base Aérea de Canoas (BACO), no Rio Grande do Sul, durante a Campanha IRIS 2026, realizada de 19 a 30 de outubro. Segundo a FAB, que divulgou os resultados na quinta-feira (29), o sistema foi submetido a uma extensa lista de verificações e alcançou resultados expressivos, num voo classificado pela Força como marco decisivo para o projeto. O objetivo da campanha é certificar o 
LINK-BR2 para uso operacional.

Alvos do avião-radar na cabine dos caças 
Em 27 de outubro, um segundo voo verificou a integração do 
LINK-BR2 com o avião de alerta aéreo antecipado E-99M. Na ocasião, os caças F-5M receberam com sucesso os alvos detectados pelo radar da aeronave. A campanha empregou três F-5M e um E-99M. A ligação entre os caças e o avião-radar já havia sido utilizada no Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, em maio, em Anápolis (GO); agora, passou por verificação formal, etapa exigida para a certificação.

Quem conduz os ensaios 
A campanha é conduzida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e reúne a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), pilotos de prova do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), engenheiros do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), militares do Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAV), o Esquadrão Pampa, da BACO e do Comando de Preparo (Comprep), além de engenheiros e técnicos da AEL Sistemas, desenvolvedora do sistema. 


Certificação antes das novas plataformas 
O Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, acompanhou parte dos ensaios na sala de controle da BACO. "Os resultados evidenciam o nível de maturidade do Sistema LINK-BR2, que avança mais um passo para certificação e, a partir daí, permitir o planejamento para integração em outras plataformas e sistemas da Força Aérea Brasileira", afirmou.

A declaração estabelece uma sequência: primeiro a certificação, depois o planejamento da expansão. Como a LRCA mostrou em 26 de outubro, a integração ao caça F-39 Gripen e ao cargueiro KC-390 Millennium está, até aqui, na fase de workshops técnicos, realizados com a Saab em julho e dezembro de 2025 e com a Embraer em março de 2026. A meta do DCTA é concluir o desenvolvimento do 
LINK-BR2 até dezembro de 2026. A certificação formal ainda não foi anunciada.

Um programa de 14 anos 

O contrato do 
LINK-BR2 foi assinado em dezembro de 2012 com a Mectron, no valor de R$ 193 milhões, e previa o sistema instalado até 2016 em quatro F-5M, quatro A-29 e dois E-99. Após o encerramento da Mectron, em 2017, o programa passou à AEL Sistemas, de Porto Alegre, responsável pelo núcleo do sistema. O voo de 20 de outubro é o primeiro passo oficial para que o enlace deixe a fase de desenvolvimento e entre em serviço na FAB.

26 outubro, 2026

Link-BR2: o enlace de dados prometido para 2016 busca a certificação no fim de 2026

Campanha IRIS 2026 tenta encerrar os ensaios no F-5M, enquanto FAB, AEL Sistemas, Saab e Embraer preparam a chegada do sistema ao Gripen e ao KC-390 



*
LRCA Defense Consulting - 26/10/2026 - 20h10 (atualizado em 27/10 às 15h36)

O Link-BR2, sistema brasileiro de enlace de dados táticos que permite a aeronaves, sensores e centros de comando e controle compartilhar informações com segurança, chega ao fim de 2026 diante de uma prova decisiva. Na Base Aérea de Canoas (RS), a Operação IRIS 2026 busca concluir, no caça F-5M, os requisitos de certificação que ficaram pendentes na campanha anterior. Ao mesmo tempo, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a indústria preparam a integração do sistema ao F-39 Gripen e ao KC-390 Millennium, plataformas que permanecerão em serviço por décadas.

Em publicação no LinkedIn, o Tenente-Coronel Mattos Brito, gerente técnico do projeto na FAB e coordenador-geral da operação, classificou como positivos os resultados preliminares e informou que os dados subsidiarão decisões do Alto Comando da Aeronáutica. A certificação definitiva, porém, ainda não foi anunciada. O planejamento do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) fixa dezembro de 2026 como meta para encerrar os ensaios de certificação e a integração final dos sistemas de solo e voo.

Um prazo que avançou uma década 
O contrato foi assinado em 6 de dezembro de 2012 entre a FAB e a Mectron, de São José dos Campos (SP), com valor divulgado de R$ 193 milhões. O cronograma original previa que, até 2016, o sistema estivesse instalado em quatro F-5M, quatro A-29 e dois E-99, além de estações em solo, inclusive para uso do Exército e da Marinha. A meta atual registrada pela FAB, de dez Rádios Terminais Data Link (RTDL), corresponde numericamente ao total de aeronaves previsto naquele cronograma.

A busca por uma rede única é anterior ao contrato. A FAB já operava o Link-BR1, que ligava os aviões E/R-99 às estações do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), e o A-1 modernizado recebeu uma primeira versão do Link-BR2. O contrato de 2012 visava a uma versão com capacidades adicionais, capaz de unificar enlaces até então restritos a aeronaves específicas e de trocar dados com a versão instalada no A-1.

Da Mectron à AEL Sistemas 
O atraso tem origem conhecida. A partir de 2015, a Operação Lava Jato atingiu o grupo Odebrecht, controlador da Mectron, que encerrou suas atividades em 2017, deixando inconclusos também programas de mísseis da FAB. Segundo relato publicado pela DefesaNet, o contrato foi então dividido, e a parcela da Mectron foi transferida à AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, durante a gestão do Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Rossato no Comando da Aeronáutica (2015-2019).

Sob a AEL, sediada em Porto Alegre (RS), os ensaios avançaram. Os primeiros voos com o sistema embarcado no F-5M ocorreram em 2020; em outubro de 2021, dois caças trocaram dados entre si. Em janeiro de 2022, a empresa concluiu, a bordo de dois F-5M, ensaios de integração do rádio definido por software E-LynX, da Elbit, que serve de transmissor ao sistema. Em outubro de 2024, os voos passaram a contar, pela primeira vez, com soluções embarcadas de criptografia e cibersegurança da Kryptus, de Campinas (SP). Na mesma ocasião, a AEL anunciou que o sistema estava em fase final de integração com o Gripen, em parceria com a Saab. Dois anos depois, essa integração ainda está na etapa de workshops técnicos.


As campanhas IRIS 
A campanha IRIS 2025 durou 20 dias, com atividades em solo e em voo. Segundo Mattos Brito, os resultados indicavam atendimento à maior parte dos requisitos da FAB, mas ainda exigiam redução e análise detalhada dos dados. A IRIS 2026 retoma parte dessas verificações e demonstra funcionalidades adicionais. A página de projetos estratégicos da FAB registra seis dos dez rádios previstos já recebidos, com previsão de atualização dos dois primeiros, além de 67,74% das etapas contratuais executadas. 

Visita do Diretor-Geral do DCTA e o Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), organizações da Força Aérea Brasileira - FAB, na Operação IRIS 2026

Rumo ao Gripen e ao KC-390 
O F-5M foi a principal plataforma de ensaios do Link-BR2, mas está na fase final de sua carreira na FAB. Preservar o investimento depende de levar o enlace às aeronaves que o substituem. A preparação para o Gripen ocorreu em duas etapas. De 22 a 24 de julho de 2025, o Laboratório de Guerra Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, sediou um workshop com militares da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), do Comando de Preparo (Comprep), do 1º Grupo de Defesa Aérea e do DCTA. Entre 2 e 4 de dezembro de 2025, representantes da Saab, da AEL Sistemas e da FAB voltaram a se reunir, desta vez no 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis (GO), conforme relatou Mattos Brito, que participou do encontro.

A segunda frente envolve o cargueiro da Embraer. Um workshop de dois dias, encerrado em 24 de março de 2026 no DCTA (foto abaixo), reuniu Embraer e AEL Sistemas para alinhar os requisitos de integração do Link-BR2 ao KC-390, segundo publicação de Mattos Brito. A inclusão da aeronave amplia o alcance do enlace para além da aviação de caça. Cronograma de integração, quantidade de equipamentos e resultados de ensaios no KC-390, contudo, ainda não foram divulgados. 


Interoperabilidade em exercício 

O emprego mais visível ocorreu no Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, realizado de 11 a 29 de maio na Base Aérea de Anápolis, pela primeira vez fora do Rio Grande do Sul. O Link-BR2 conectou caças F-5M a dados do avião de alerta aéreo antecipado E-99M, de radares de solo e de estruturas de comando e controle, num cenário com meios da Marinha e do Exército. Em ensaios anteriores, a partir do rebocador de alto-mar Tritão, em Rio Grande (RS), militares da Marinha trocaram mensagens táticas com a estação do Link-BR2 em Canoas, por meio do enlace naval Sterna (Sistema Tático de Enlace de Radiofrequência Naval), do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), e do processador de dados MDLP, do Centro de Análises de Sistemas Navais (Casnav).

O valor militar de uma rede tática está em distribuir posições e dados de sensores entre participantes autorizados, reduzindo a dependência de relatos por voz e acelerando decisões coordenadas. A extensão dessa vantagem dependerá da cobertura, da segurança e da integração certificada em cada meio. 

Engenharia nacional no núcleo da rede. Radar de exportação (item atualizado)
O Link-BR2 costuma ser apresentado como símbolo de autonomia tecnológica, e a arquitetura do sistema ajuda a medir até onde essa leitura procede. O transmissor de radiofrequência pertence à família E-LynX, de rádios definidos por software da Elbit Systems, controladora da AEL. Segundo apurou a LRCA, porém, o núcleo do sistema, a unidade acoplada ao rádio que funciona como o "cérebro" do enlace, foi desenvolvido integralmente pela AEL Sistemas, em Porto Alegre, tanto em hardware quanto em software. Sem esse componente, o Link-BR2 não existe. A única exceção no desenvolvimento é a criptografia, a cargo da Kryptus, de Campinas (SP).

A divisão importa. O elemento que dá identidade ao Link-BR2 é de engenharia brasileira, enquanto o transmissor é de projeto estrangeiro. Permanece no horizonte, como risco hipotético, um eventual veto político brasileiro a fornecedores israelenses, discutido no setor de defesa; nesse cenário, a exposição recairia sobre o rádio, e não sobre o núcleo do sistema. O grau efetivo de autonomia depende ainda da titularidade da propriedade intelectual, tema que não foi tornado público.

O sistema também entrou no radar da exportação. Durante a feira FIDAE 2026, no Chile, a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil) firmou memorando de entendimento com a AEL Sistemas para ofertas de governo a governo (G2G) que incluem o Link-BR2.

Da certificação à capacidade permanente 
O desafio não se limita a encerrar os ensaios do F-5M. Trata-se de transformar o Link-BR2 em capacidade sustentável, com integração progressiva às plataformas atuais e futuras, formação de operadores, suporte logístico, atualização tecnológica e governança de uma rede compartilhada pelas três Forças. Catorze anos após o contrato e dez anos após o prazo original, a medida do sucesso será a passagem das demonstrações para uma rede certificada, sustentada e efetivamente disseminada nas Forças Armadas.

24 novembro, 2023

Embraer entrega quinto jato E-99 modernizado à FAB


*LRCA Defense Consulting - 24/11/2023

A Embraer entregou à Força Aérea Brasileira (FAB) a quinta aeronave modernizada EMB 145 AEW&C, designada na FAB como E-99M. A E-99M executará funções de Alarme Aéreo Antecipado e Controle e Alarme em Voo, além de missões de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento Aéreo. 

“A entrega do quinto E-99 é um importante marco para o projeto E-99M. Essa é a primeira aeronave entregue na configuração FOC - Full Operational Capability – com os sistemas totalmente certificados para emprego pela Força Aérea Brasileira na proteção do Brasil e de sua soberania nacional”, afirma Bosco da Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. “As quatro aeronaves entregues previamente serão atualizadas para a versão FOC, para que possam desempenhar plenamente todas as missões para quais foram projetadas”.


Desenvolvido sobre a plataforma do bem-sucedido jato regional ERJ 145, o E-99 da FAB é capaz de detectar, rastrear e identificar alvos em sua área de cobertura e transmitir essas informações via Data Link. A aeronave realiza missões de vigilância do espaço aéreo, controle e gerenciamento de interceptação, inteligência eletrônica e monitoramento de fronteiras. 

Com a modernização, a aeronave E-99M passa a contar com os sistemas Radar Erieye e Comando & Controle (C2) totalmente modernizados. A aeronave também possui novos sistemas de Guerra Eletrônica (Non-Communication – NCOM), novo IFF Transponder, 7 rádios V/UHF definidos por software, novo sistema de Áudio de Missão de tecnologia VOIP e novo gravador de Áudio e Dados de Missão, além da função Data Link adaptada à nova arquitetura. O interior da aeronave também foi atualizado para aumentar o conforto da tripulação e ampliar a capacidade de operação, com cinco consoles reprojetados e otimizados para melhor emprego dos sistemas modernizados.   

O projeto E-99M é conduzido pela Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC) junto à Embraer e fornecedores internacionais, como a SAAB, Aeroelectronica International (AELI) e Rohde & Schwarz. A Atech, empresa do grupo Embraer, participa do projeto no desenvolvimento de parte do sistema de comando e controle, fornecendo seis estações de planejamento e análise de missão, que serão empregadas no treinamento e aperfeiçoamento das tripulações. 

Além da operação pela FAB, o EMB 145 AEW&C também é operado pelas forças aéreas da Índia, México e Grécia.

04 novembro, 2023

Na Defense & Security 2023, Embraer foca no mercado asiático de Defesa

Soluções Embraer para Defesa

*LRCA Defense Consulting - 04/11/2023

De 6 a 9 de Novembro, a Embraer estará presente na 11ª edição do Asian Defense & Security, que será realizado no centro de convenções e exibições Impact em Bangcoc, Tailândia, onde a empresa apresentará o seu portfólio completo de soluções da Defesa e Segurança.

A feira espera receber mais de 500 fabricantes militares e de segurança interna líderes mundiais, oriundos de 50 países, incluindo de 30 dos mais expressivos. Mais de 20.000 profissionais de 65 países e mais de 400 delegações oficiais representando cerca de 35 países estarão presentes na feira Asian Defense & Security 2023.

Há 20 anos, a importante bienal Defense & Security tem sido o principal evento tripartite (ar, mar e terra) de defesa e segurança interna da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN).  A feira apresentará as novidades de empresas da Tailândia e internacionais relacionadas aos setores de Segurança, Defesa e Serviços de Segurança.

O evento enfatiza a colaboração regional e as alianças empresariais para melhor abordar a gestão de desastres, a segurança cibernética, o combate ao terrorismo e a produção de defesa, tornando-se uma oportunidade ímpar para os fabricantes internacionais e para o mercado de compras de defesa e segurança da ASEAN.

São esperados fabricantes e prestadores de serviços referentes a:
Defesa: Sistemas de armas, obuses, mísseis, tanques, UAVs, veículos e embarcações de transporte, satélites e telecomunicações, tecnologia de defesa eletrônica, sistema de controle de fogo, lançadores, segurança cibernética, produtos e serviços de resgate e gerenciamento de desastres, e outros sistemas militares importantes (hardware e software).

Segurança Interna CFTV: alarmes contra intrusão, acesso e segurança eletrônica, armas de mão pessoais, coletes à prova de balas, equipamentos antimotim, luvas de proteção, tecnologia de visão noturna, dispositivos de interferência de comunicação e muitos outros produtos de última geração.

12 maio, 2023

Embraer E-99M AEW&C recebe o Certificado Suplementar Final


*Agência Força Aérea - 11/05/2023

O Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI) entregou, no dia 04/05, pelas mãos do Diretor-Geral do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), Tenente-Brigadeiro do Ar Maurício Augusto Silveira de Medeiros, o Certificado Suplementar de Tipo Final do E-99 Modernizado à Embraer, empresa responsável pela modernização da aeronave.

A emissão do certificado, resultado do trabalho dos técnicos da Divisão de Certificação de Produto Aeroespacial (CPA) do IFI - em interação com a Embraer -, atesta que o projeto de modernização dos sensores dessa aeronave atende aos requisitos de segurança e desempenho previstos em contrato. Isso significa que a aeronave pode voar com segurança e é capaz de cumprir a missão determinada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

De acordo com o Chefe da Assessoria Técnica do IFI, Tenente-Coronel Gustavo Borges Basílio, o E-99M executa uma missão muito importante para o país. "A certificação de sua modernização, levada a cabo pela Embraer junto com o IFI, promove uma melhoria considerável na capacidade estratégica brasileira, na Tarefa de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento, além das Ações de Alerta em Voo e Controle e Alarme em Voo”, afirmou.

Durante a cerimônia, o Tenente-Brigadeiro Medeiros comentou o processo de modernização do E-99, destacando a importância dessas aeronaves e a relevância do trabalho conjunto do IFI e da Embraer em prol da FAB. “Parabéns à engenharia da Embraer, que trabalhou na concepção desse projeto, e ao IFI, que certificou todo o processo que envolveu a modernização da frota de E-99. Para mim, este momento tem um significado muito especial, pois tive o privilégio de participar da implantação dos R-99 A/B no Segundo do Sexto Grupo de Aviação (2º/6º GAV)  e, hoje, tenho a satisfação de assinar este certificado”, disse.

Ainda durante o evento, o Vice-Presidente e Engenheiro-Chefe da Embraer, Henrique Langenegger, agradeceu especialmente o trabalho do IFI, na pessoa de seu Diretor, Coronel Aviador Luiz Marcelo Terdulino de Brito, mencionando as inúmeras atividades envolvidas na certificação da modernização do E-99. “Houve muitas viagens ao exterior para realizar os ensaios, além de workshops de planejamento para agilizar o trabalho. O IFI sempre esteve disposto a cooperar para que a atividade fosse realizada”, comentou.

Histórico
A modernização das aeronaves E-99 introduziu modificações no Erieye Mission System, com a instalação de novos consoles, novos rádios e a implementação de gravação de áudio e dados de missão, aumentando a capacidade de comando e controle, principalmente em operações aéreas compostas. O processo de certificação iniciou-se em 2018, sob a responsabilidade da CPA. De 2020 a 2023 ocorreram os ensaios de desenvolvimento e certificação, a despeito dos impactos ocasionados pela pandemia de Covid-19.

Ao longo do processo foram verificados 434 requisitos contratuais, distribuídos entre 30 diferentes tecnologias, sendo produzidos mais de 250 relatórios técnicos. O Grupo de Trabalho responsável pelas atividades de certificação envolveu cerca de 60 pessoas, com a colaboração do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), do Parque de Material Aeronáutico do Galeão (PAMA-GL), do Grupo de Acompanhamento e Controle – Programa Aeronave de Combate (GAC-PAC), do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV) e do Segundo Esquadrão do Sexto Grupo de Aviação (2º/6º GAV – Esquadrão Guardião), responsável por operar as aeronaves.

08 fevereiro, 2022

Conheça o Embraer E-99M, avião da FAB que enxerga o que os radares não podem ver


*O Progresso - 07/02/2022

Uma estação de radar consegue detectar aviões a centenas de quilômetros de distância. No entanto, o equipamento tem um ponto fraco. Objetos no nível do mar ou voando em baixas altitudes só podem ser captados se estiverem no horizonte dos radares. Isso acontece porque a Terra é redonda.

Aproveitando essa brecha na curvatura do planeta, aviões militares podem executar ataques surpresa. Mesmo que a antena de um radar possa localizar objetos a centenas ou milhares de quilômetros de distância, um objeto voando a 200 metros acima do nível do mar só aparece nas telas dos operadores quando está a cerca de 50 km da antena. Pode ser um caça supersônico ou um míssil, que pode alcançar (e destruir) a estação em menos de dois minutos.

Quem também se aproveita dessa tática são os aviões usados no narcotráfico, que podem ultrapassar fronteiras despercebidos voando sem permissão além do horizonte dos radares.

Aqui no Brasil, a Força Aérea Brasileira (FAB) tem uma frota de aeronaves específicas para lidar com esse tipo de ameaça. É o jato E-99M, um “avião-radar”. No jargão militar, é o que chamam aeronave AEW&C, sigla em inglês para Plataforma Aérea de Controle Aéreo e Alerta Antecipado. De uma forma simples, é uma estação de radar voadora.

O E-99M consegue detectar objetos voando além do alcance de cobertura horizontal das estações terrestres. Ele faz a varredura no sentido de cima para baixo e não contrário como nas antenas em solo, aumentando o alcance de visão panorâmica sobre o nível do mar.

Olhos no céu

O avião-radar da FAB com sua grande antena na parte superior da fuselagem é uma das peças mais exóticas e avançadas no inventário da Aeronáutica.

O E-99 é baseado no jato regional ERJ-145 da Embraer e está em serviço no Brasil há quase 20 anos. Em 2021, a Força Aérea recebeu os primeiros E-99M, versão modernizada com equipamentos de busca de maior alcance e capacidade.

A aeronave AEW&C foi um pedido da Aeronáutica para a implementação do projeto SIVAM (Sistema de Vigilância da Amazônia), uma rede de radares e outros recursos de monitoramento da atividade aérea na Amazônia Legal. A ativação do sistema aconteceu em 2002, mesmo ano em que o E-99 foi declarado operacional na FAB.

O desenvolvimento do E-99 começou nos anos 1990. O projeto da Embraer em parceria com a FAB era baseado originalmente no turboélice comercial EMB-120 Brasília. Porém, com atrasos no programa e o fim da produção do Brasília em 2001, optou-se por transformar a plataforma do jato regional ERJ-145.

O primeiro modelo com modificações primárias voou em 22 de maio de 1999. Oito meses depois, a aeronave decolou com sua característica antena no alto da fuselagem.

A antena do E-99M é um radar Erieye-ER de última geração, fabricado pela Saab Electronic Defence Systems, divisão do grupo sueco especializado em sistemas eletrônicos de defesa.

O equipamento funciona com pulso Doppler de média e alta frequência (pulsos eletromagnéticos que refletem em objetos por sua área de varredura).

No interior da antena, em forma de tábua, há 192 módulos de transmissão e recepção bidirecionais. São como os olhos de um lagarto, cada um capaz de se movimentar de forma independente e fixar o olhar em diferentes ameaças.

Cada lado da antena do E-99M cobre um setor de 150°. Voando a 7.620 metros de altitude, o avião-radar consegue detectar uma aeronave em voo rasante a 450 km de distância. Objetos em altitudes mais elevadas podem ser detectados há mais de 700 km.

A primeira versão do E-99 detectava alvos aéreos e navais. Com a modernização, ele incorporou a capacidade de observar objetos em terra. O equipamento também ficou mais preciso e pode acompanhar veículos menores, como motos aquáticas, botes e helicópteros em voo pairado.

O E-99M voa com oito tripulantes, sendo dois pilotos e seis operadores dos sistemas de radar. A FAB possui cinco unidades da aeronave, que são operadas pela Esquadrão Guardião, baseado em Anápolis (GO). A jato tem alcance de 3.000 km ou seis horas de voo sobre uma área de monitoramento.

A versão militar do ERJ-145 também foi exportada para o México, Grécia e Índia.


Ave rara
Poucas nações possuem aeronaves AEW&C em suas frotas e um grupo menor ainda de países detém o conhecimento e estruturas para projetar esse tipo de equipamento. São aeronaves caras que exigem profissionais com grande conhecimento técnico para operá-los.

Na América do Sul, somente as forças aéreas do Brasil e do Chile (um Boeing EB-707) operam vetores com essa capacidade. Os chilenos, inclusive, confirmam recentemente a aquisição de dois Boeing E-3D Sentry de segunda mão do Reino Unido.

O E-3 Sentry, baseado no antigo jato comercial quadrimotor Boeing 707, é o avião-radar mais conhecido no mundo militar, em operação desde 1977 e com uma extensa ficha de combate com a força aérea dos Estados Unidos e de países membros da OTAN.

Diferentemente do E-99 da Embraer, que usa uma antena fixa, o avião de alerta da Boeing tem uma antena giratória, como de uma estação terrestre.

Os dois sistemas cumprem a mesma função, mas com algumas diferenças: a antena rotativa tem maior alcance de busca e cobertura 350°, enquanto a peça fixa é mais precisa e tem maior velocidade de recepção, fora a praticidade de ser compatível com aeronaves menores (e com custos operacionais reduzidos).

Aeronaves AEW&C também foram desenvolvidas na Rússia e China, enquanto a Suécia é famosa no fornecimento dos sistemas embarcados. Uma versão da antena sueca usada no E-99M, por exemplo, é usada no Saab GlobalEye (baseado na plataforma do jato executivo Bombardier Global 6000), outro expoente nessa categoria.

A tecnologia, no entanto, nasceu no Reino Unido, país pioneiro no desenvolvimento de radares. Durante a Segunda Guerra Mundial, os britânicos testaram bombardeiro adaptados com antenas giratórias. Nos anos seguintes, o sistema foi aperfeiçoado até os formatos de hoje.

Currículo de guerra do E-99
Os E-99 da FAB já participaram de ações de interceptação de aeronaves do narcotráfico em algumas oportunidades, auxiliando aviões de ataque e caças nos procedimentos de contato com o elemento em voo irregular. Esses encontros no território brasileiro, porém, nunca resultaram em ações confirmadas de abate.

Nesse tipo de ocorrência os pilotos dos aviões ilegais são obrigados a aterrissar ou acabam destruindo as aeronaves em pousos forçados na tentativa de escapar das autoridades.

Os modelos da Embraer em serviço com a força aérea da Índia são os que chegaram mais próximos de um autêntico combate aéreo.

Em 27 de fevereiro de 2019, um avião de vigilância Netra (designação indiana para o Embraer EMB-145 AEW&C) atuou como posto de controle aéreo avançado e orientou caças indianos na interceptação de aviões de ataque do Paquistão na conflituosa região da Caxemira. O encontro resultou num feroz embate aéreo, resultando na queda de um F-16 paquistanês e um MiG-21 indiano.

Aviões equipamentos com os poderosos radares são uma peça essencial no arsenal de uma força aérea moderna. Para a defesa de um país, é um instrumento militar que evita surpresas e encontra os problemas a distância, permitindo um maior tempo de reação contra uma ameaça.

Postagem em destaque