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30 outubro, 2026

LINK-BR2 cumpre primeiro voo de certificação e recebe alvos do E-99M em Canoas

Campanha IRIS 2026, encerrada nesta sexta-feira (30), leva o enlace de dados da FAB à etapa decisiva; segundo o DCTA, a integração a outras aeronaves será planejada após a certificação



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LRCA Defense Consulting - 30/10/2026 - 10h00

O LINK-BR2, sistema de enlace de dados táticos da Força Aérea Brasileira (FAB), realizou em 20 de outubro seu primeiro voo de certificação. A missão ocorreu na Base Aérea de Canoas (BACO), no Rio Grande do Sul, durante a Campanha IRIS 2026, realizada de 19 a 30 de outubro. Segundo a FAB, que divulgou os resultados na quinta-feira (29), o sistema foi submetido a uma extensa lista de verificações e alcançou resultados expressivos, num voo classificado pela Força como marco decisivo para o projeto. O objetivo da campanha é certificar o 
LINK-BR2 para uso operacional.

Alvos do avião-radar na cabine dos caças 
Em 27 de outubro, um segundo voo verificou a integração do 
LINK-BR2 com o avião de alerta aéreo antecipado E-99M. Na ocasião, os caças F-5M receberam com sucesso os alvos detectados pelo radar da aeronave. A campanha empregou três F-5M e um E-99M. A ligação entre os caças e o avião-radar já havia sido utilizada no Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, em maio, em Anápolis (GO); agora, passou por verificação formal, etapa exigida para a certificação.

Quem conduz os ensaios 
A campanha é conduzida pelo Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) e reúne a Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), pilotos de prova do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), engenheiros do Instituto de Fomento e Coordenação Industrial (IFI), militares do Primeiro Esquadrão do Décimo Quarto Grupo de Aviação (1º/14º GAV), o Esquadrão Pampa, da BACO e do Comando de Preparo (Comprep), além de engenheiros e técnicos da AEL Sistemas, desenvolvedora do sistema. 


Certificação antes das novas plataformas 
O Diretor-Geral do DCTA, Tenente-Brigadeiro do Ar Mauro Bellintani, acompanhou parte dos ensaios na sala de controle da BACO. "Os resultados evidenciam o nível de maturidade do Sistema LINK-BR2, que avança mais um passo para certificação e, a partir daí, permitir o planejamento para integração em outras plataformas e sistemas da Força Aérea Brasileira", afirmou.

A declaração estabelece uma sequência: primeiro a certificação, depois o planejamento da expansão. Como a LRCA mostrou em 26 de outubro, a integração ao caça F-39 Gripen e ao cargueiro KC-390 Millennium está, até aqui, na fase de workshops técnicos, realizados com a Saab em julho e dezembro de 2025 e com a Embraer em março de 2026. A meta do DCTA é concluir o desenvolvimento do 
LINK-BR2 até dezembro de 2026. A certificação formal ainda não foi anunciada.

Um programa de 14 anos 

O contrato do 
LINK-BR2 foi assinado em dezembro de 2012 com a Mectron, no valor de R$ 193 milhões, e previa o sistema instalado até 2016 em quatro F-5M, quatro A-29 e dois E-99. Após o encerramento da Mectron, em 2017, o programa passou à AEL Sistemas, de Porto Alegre, responsável pelo núcleo do sistema. O voo de 20 de outubro é o primeiro passo oficial para que o enlace deixe a fase de desenvolvimento e entre em serviço na FAB.

26 outubro, 2026

Link-BR2: o enlace de dados prometido para 2016 busca a certificação no fim de 2026

Campanha IRIS 2026 tenta encerrar os ensaios no F-5M, enquanto FAB, AEL Sistemas, Saab e Embraer preparam a chegada do sistema ao Gripen e ao KC-390 



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LRCA Defense Consulting - 26/10/2026 - 20h10 (atualizado em 27/10 às 15h36)

O Link-BR2, sistema brasileiro de enlace de dados táticos que permite a aeronaves, sensores e centros de comando e controle compartilhar informações com segurança, chega ao fim de 2026 diante de uma prova decisiva. Na Base Aérea de Canoas (RS), a Operação IRIS 2026 busca concluir, no caça F-5M, os requisitos de certificação que ficaram pendentes na campanha anterior. Ao mesmo tempo, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a indústria preparam a integração do sistema ao F-39 Gripen e ao KC-390 Millennium, plataformas que permanecerão em serviço por décadas.

Em publicação no LinkedIn, o Tenente-Coronel Mattos Brito, gerente técnico do projeto na FAB e coordenador-geral da operação, classificou como positivos os resultados preliminares e informou que os dados subsidiarão decisões do Alto Comando da Aeronáutica. A certificação definitiva, porém, ainda não foi anunciada. O planejamento do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) fixa dezembro de 2026 como meta para encerrar os ensaios de certificação e a integração final dos sistemas de solo e voo.

Um prazo que avançou uma década 
O contrato foi assinado em 6 de dezembro de 2012 entre a FAB e a Mectron, de São José dos Campos (SP), com valor divulgado de R$ 193 milhões. O cronograma original previa que, até 2016, o sistema estivesse instalado em quatro F-5M, quatro A-29 e dois E-99, além de estações em solo, inclusive para uso do Exército e da Marinha. A meta atual registrada pela FAB, de dez Rádios Terminais Data Link (RTDL), corresponde numericamente ao total de aeronaves previsto naquele cronograma.

A busca por uma rede única é anterior ao contrato. A FAB já operava o Link-BR1, que ligava os aviões E/R-99 às estações do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), e o A-1 modernizado recebeu uma primeira versão do Link-BR2. O contrato de 2012 visava a uma versão com capacidades adicionais, capaz de unificar enlaces até então restritos a aeronaves específicas e de trocar dados com a versão instalada no A-1.

Da Mectron à AEL Sistemas 
O atraso tem origem conhecida. A partir de 2015, a Operação Lava Jato atingiu o grupo Odebrecht, controlador da Mectron, que encerrou suas atividades em 2017, deixando inconclusos também programas de mísseis da FAB. Segundo relato publicado pela DefesaNet, o contrato foi então dividido, e a parcela da Mectron foi transferida à AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, durante a gestão do Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Rossato no Comando da Aeronáutica (2015-2019).

Sob a AEL, sediada em Porto Alegre (RS), os ensaios avançaram. Os primeiros voos com o sistema embarcado no F-5M ocorreram em 2020; em outubro de 2021, dois caças trocaram dados entre si. Em janeiro de 2022, a empresa concluiu, a bordo de dois F-5M, ensaios de integração do rádio definido por software E-LynX, da Elbit, que serve de transmissor ao sistema. Em outubro de 2024, os voos passaram a contar, pela primeira vez, com soluções embarcadas de criptografia e cibersegurança da Kryptus, de Campinas (SP). Na mesma ocasião, a AEL anunciou que o sistema estava em fase final de integração com o Gripen, em parceria com a Saab. Dois anos depois, essa integração ainda está na etapa de workshops técnicos.


As campanhas IRIS 
A campanha IRIS 2025 durou 20 dias, com atividades em solo e em voo. Segundo Mattos Brito, os resultados indicavam atendimento à maior parte dos requisitos da FAB, mas ainda exigiam redução e análise detalhada dos dados. A IRIS 2026 retoma parte dessas verificações e demonstra funcionalidades adicionais. A página de projetos estratégicos da FAB registra seis dos dez rádios previstos já recebidos, com previsão de atualização dos dois primeiros, além de 67,74% das etapas contratuais executadas. 

Visita do Diretor-Geral do DCTA e o Presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), organizações da Força Aérea Brasileira - FAB, na Operação IRIS 2026

Rumo ao Gripen e ao KC-390 
O F-5M foi a principal plataforma de ensaios do Link-BR2, mas está na fase final de sua carreira na FAB. Preservar o investimento depende de levar o enlace às aeronaves que o substituem. A preparação para o Gripen ocorreu em duas etapas. De 22 a 24 de julho de 2025, o Laboratório de Guerra Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, sediou um workshop com militares da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), do Comando de Preparo (Comprep), do 1º Grupo de Defesa Aérea e do DCTA. Entre 2 e 4 de dezembro de 2025, representantes da Saab, da AEL Sistemas e da FAB voltaram a se reunir, desta vez no 1º Grupo de Defesa Aérea, em Anápolis (GO), conforme relatou Mattos Brito, que participou do encontro.

A segunda frente envolve o cargueiro da Embraer. Um workshop de dois dias, encerrado em 24 de março de 2026 no DCTA (foto abaixo), reuniu Embraer e AEL Sistemas para alinhar os requisitos de integração do Link-BR2 ao KC-390, segundo publicação de Mattos Brito. A inclusão da aeronave amplia o alcance do enlace para além da aviação de caça. Cronograma de integração, quantidade de equipamentos e resultados de ensaios no KC-390, contudo, ainda não foram divulgados. 


Interoperabilidade em exercício 

O emprego mais visível ocorreu no Exercício Conjunto Escudo-Tínia 2026, realizado de 11 a 29 de maio na Base Aérea de Anápolis, pela primeira vez fora do Rio Grande do Sul. O Link-BR2 conectou caças F-5M a dados do avião de alerta aéreo antecipado E-99M, de radares de solo e de estruturas de comando e controle, num cenário com meios da Marinha e do Exército. Em ensaios anteriores, a partir do rebocador de alto-mar Tritão, em Rio Grande (RS), militares da Marinha trocaram mensagens táticas com a estação do Link-BR2 em Canoas, por meio do enlace naval Sterna (Sistema Tático de Enlace de Radiofrequência Naval), do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), e do processador de dados MDLP, do Centro de Análises de Sistemas Navais (Casnav).

O valor militar de uma rede tática está em distribuir posições e dados de sensores entre participantes autorizados, reduzindo a dependência de relatos por voz e acelerando decisões coordenadas. A extensão dessa vantagem dependerá da cobertura, da segurança e da integração certificada em cada meio. 

Engenharia nacional no núcleo da rede. Radar de exportação (item atualizado)
O Link-BR2 costuma ser apresentado como símbolo de autonomia tecnológica, e a arquitetura do sistema ajuda a medir até onde essa leitura procede. O transmissor de radiofrequência pertence à família E-LynX, de rádios definidos por software da Elbit Systems, controladora da AEL. Segundo apurou a LRCA, porém, o núcleo do sistema, a unidade acoplada ao rádio que funciona como o "cérebro" do enlace, foi desenvolvido integralmente pela AEL Sistemas, em Porto Alegre, tanto em hardware quanto em software. Sem esse componente, o Link-BR2 não existe. A única exceção no desenvolvimento é a criptografia, a cargo da Kryptus, de Campinas (SP).

A divisão importa. O elemento que dá identidade ao Link-BR2 é de engenharia brasileira, enquanto o transmissor é de projeto estrangeiro. Permanece no horizonte, como risco hipotético, um eventual veto político brasileiro a fornecedores israelenses, discutido no setor de defesa; nesse cenário, a exposição recairia sobre o rádio, e não sobre o núcleo do sistema. O grau efetivo de autonomia depende ainda da titularidade da propriedade intelectual, tema que não foi tornado público.

O sistema também entrou no radar da exportação. Durante a feira FIDAE 2026, no Chile, a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil) firmou memorando de entendimento com a AEL Sistemas para ofertas de governo a governo (G2G) que incluem o Link-BR2.

Da certificação à capacidade permanente 
O desafio não se limita a encerrar os ensaios do F-5M. Trata-se de transformar o Link-BR2 em capacidade sustentável, com integração progressiva às plataformas atuais e futuras, formação de operadores, suporte logístico, atualização tecnológica e governança de uma rede compartilhada pelas três Forças. Catorze anos após o contrato e dez anos após o prazo original, a medida do sucesso será a passagem das demonstrações para uma rede certificada, sustentada e efetivamente disseminada nas Forças Armadas.

26 junho, 2026

Link-BR2: tecnologia nacional consolida interoperabilidade entre as Forças Armadas


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LRCA Defense Consulting - 26/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou, em 25 de junho, um balanço sobre o emprego do Link-BR2 durante operações conjuntas recentes, reforçando o papel do sistema nacional de enlace de dados na construção de uma arquitetura de comando e controle mais integrada entre Marinha, Exército e Aeronáutica. Segundo a Agência Força Aérea, a tecnologia permite o compartilhamento seguro e instantâneo de informações entre aeronaves, radares, sensores e centros de comando, formando uma visão operacional comum e reduzindo o tempo de análise e decisão em cenários de alta complexidade.

Uma rede que substitui o rádio convencional
O Coronel Aviador da Reserva Fernando Mauro Medardoni, responsável pelo projeto na AEL Sistemas, empresa desenvolvedora da plataforma, recorre a uma analogia para explicar o funcionamento do sistema. “O Link-BR2 pode ser entendido como uma grande rede de dados que conecta os principais atores no cenário tático de forma segura e eficaz. É como se estivéssemos levando a lógica da internet para o ambiente operacional militar”, afirma. Na prática, dados como posição de meios aéreos e informações de sensores passam a ser distribuídos em rede, em vez de transmitidos isoladamente por voz, o que, segundo o oficial, transforma informações de valor limitado em uma visão ampliada e coordenada do cenário.

Da entrada em operação ao caça Gripen
O Link-BR2 é desenvolvido pela AEL Sistemas (em parceria com a Mectron Communication) e está em operação desde 2020, integrado inicialmente aos caças F-5M. Em outubro de 2024, o programa concluiu uma etapa de testes em que, pela primeira vez, os voos contaram com soluções embarcadas de criptografia e cibersegurança desenvolvidas pela Kryptus, etapa apontada como crucial para a certificação final do sistema.

Mais recentemente, entre os dias 22 e 24 de julho de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) sediou, no Laboratório de Guerra Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um workshop dedicado à integração do Link-BR2 ao caça F-39 Gripen, reunindo militares da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), do Comando de Preparo (Comprep), do 1º Grupo de Defesa Aérea e do próprio DCTA. Para o Coronel Romulo Silva de Oliveira, representante da Copac, o encontro foi decisivo para o progresso operacional da Força; já o Coronel George Luiz Guedes de Oliveira, gerente técnico do projeto F-X2, destacou o Link-BR2 como uma das principais ferramentas de conectividade e consciência situacional da FAB.

O sistema integra ainda um conjunto mais amplo de programas sensíveis de comando e controle conduzidos pela AEL Sistemas para o Ministério da Defesa, entre eles o Sterna, o SIC3MB e o RDS-Defesa, este último voltado ao rádio definido por software para interoperabilidade entre as três Forças.

Exportação e dependência tecnológica: duas faces da mesma moeda
A maturidade alcançada pelo Link-BR2 já repercute fora do país. Durante a feira aeroespacial chilena FIDAE 2026, em abril, a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil) firmou memorando de entendimento com a AEL Sistemas para ampliar a atuação conjunta em exportações governamentais (no modelo G2G), colocando o Link-BR2, ao lado do WAD (Wide Area Display) do Gripen, no radar de potenciais parceiros internacionais.

Esse avanço, contudo, convive com um ponto de atenção identificado por analistas do setor: a AEL Sistemas é subsidiária da israelense Elbit Systems no Brasil. Um eventual veto político brasileiro à aquisição de produtos e serviços de empresas israelenses, hipótese discutida em análises do setor de defesa ao longo de 2025, poderia, em tese, afetar a continuidade de programas que dependem da AEL, entre eles o próprio Link-BR2, o Sisfron e a suíte aviônica do F-39 Gripen. Trata-se, até o momento, de um risco hipotético, sem decisão de governo confirmada, mas que ilustra a sensibilidade estratégica da cadeia de fornecimento por trás de um sistema apresentado como símbolo de soberania tecnológica nacional.

 

Escudo-Tínia 2026: a vitrine do combate em rede
O emprego mais recente do Link-BR2 ocorreu durante o Exercício Conjunto (Excon) Escudo-Tínia 2026, realizado de 11 a 29 de maio na Base Aérea de Anápolis (BAAN), pela primeira vez fora do Rio Grande do Sul, sede tradicional do treinamento. A edição reuniu mais de 40 aeronaves (entre elas F-39 Gripen, F-5M, A-29 Super Tucano, A-1M, E-99, KC-390 Millennium e C-105 Amazonas), cerca de 2.000 militares e quase 1.000 horas de voo, com meios da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da FAB.

Em visita operacional à BAAN no dia 20 de maio, oficiais-generais das três Forças destacaram o papel do sistema na integração alcançada durante o exercício. “O grande sucesso desse exercício conjunto é reunir as Forças Armadas em torno de sistemas integrados, como o Link-BR2. Com todas as Forças conectadas, conseguimos ampliar a interoperabilidade e a capacidade de atuação conjunta”, afirmou um dos oficiais-generais presentes. O Major-Brigadeiro do Ar Ramiro Kirsch Pinheiro, Vice-Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, reforçou que o exercício permite treinar a proteção do espaço aéreo nacional de forma integrada entre meios aéreos, sistemas de defesa antiaérea e estruturas de operações especiais das três Forças.

O conjunto dos episódios recentes, do workshop de integração ao Gripen à validação em ambiente operacional no Escudo-Tínia, indica que o Link-BR2 deixou de ser um projeto em fase de maturação para se consolidar como peça central da arquitetura de comando e controle das Forças Armadas brasileiras, com efeitos que já transbordam para a política de exportação da base industrial de defesa nacional.

22 novembro, 2025

Link-BR2 consolida nova era de interoperabilidade e de guerra em rede na Operação Atlas 2025

 


*LRCA Defense Consulting - 22/11/2025

A Força Aérea Brasileira (FAB) deu um salto estratégico significativo em interoperabilidade e comando e controle durante a Operação Atlas 2025, um dos maiores exercícios combinados das Forças Armadas no país. O destaque da edição ficou para o fortalecimento da maturidade operacional do Link-BR2, sistema tático nacional de enlace de dados desenvolvido pela AEL Sistemas sob supervisão do COPAC - Comitê Executivo do Programa de Aeronaves de Combate, que permite a integração em tempo real de aeronaves (como F-39 Gripen, F-5M, A-29 e E-99) e navios de guerra com centros terrestres e navais de comando e controle.

Link-BR2: a espinha dorsal da guerra em rede brasileira
Durante o exercício, realizado na complexa região amazônica, o Link-BR2 demonstrou sua robustez ao conectar não apenas plataformas aéreas e navais, mas também Centros de Comando e Controle das três forças (FAB, Marinha e Exército), garantindo o fluxo seguro de informações sensíveis em ambiente operacional real. A interoperabilidade conquistada permite que os sensores, radares, imagens e dados sobre ameaças e alvos sejam compartilhados instantaneamente entre meios aéreos, navais e terrestres, ampliando drasticamente a consciência situacional e a capacidade de resposta conjunta do Poder Militar Brasileiro.​

A operação envolveu o uso de tecnologias complementares, como o sistema naval STERNA e rádios definidos por software RDS-Rondon, todos interligados por processadores como o MDLP que traduzem, padronizam e distribuem dados coletados por diversas plataformas. Com isso, informações de missões, ameaças, identificação de aeronaves hostis ou amigas, imagens táticas e comandos foram coordenados e compartilhados com agilidade e segurança criptográfica – um divisor de águas para operações multidomínio, sobretudo numa região remota e estratégica.​

 

Avanço tecnológico nacional e desafios futuros
A Operação Atlas também marca a consolidação dos investimentos brasileiros em autonomia e tecnologia nacional de defesa, como a plataforma Link-BR2, considerada comparável aos principais data links táticos internacionais. Sua incorporação gradativa à frota, incluindo caças de última geração como o Gripen, assegura a evolução das Forças Armadas para cenários de guerra digital e operações centradas em rede, abrindo espaço para futuras integrações com outros sistemas e potencial exportação.

17 outubro, 2025

Embraer reforça o SISFRON com mais de 50 viaturas táticas e avança na integração tecnológica das fronteiras

 


*LRCA Defense Consulting - 17/10/2025

A Embraer alcançou um marco estratégico no fortalecimento da segurança nacional ao entregar mais de 50 viaturas especializadas em comunicações táticas dentro da Fase 2 do Programa SISFRON – Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras, conduzido pelo Exército Brasileiro.​

Expansão da cobertura estratégica
Os novos sistemas ampliam a capacidade de sensoriamento e comando e controle das Organizações Militares situadas nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, áreas críticas da faixa de fronteira oeste do país. A rede tecnológica tem por objetivo integrar vigilância eletrônica, operações terrestres e sistemas de comunicação em tempo real, assegurando maior eficiência na detecção de ilícitos e no apoio à tomada de decisão tática e estratégica.​

O SISFRON é considerado um dos maiores programas militares do mundo, cobrindo aproximadamente 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres e abrangendo 11 estados brasileiros. Desenvolvido sob coordenação do Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército, o sistema faz parte das iniciativas de Transformação Institucional da Força Terrestre e também do portfólio de projetos estratégicos do Ministério da Defesa.​

Equipamentos e tecnologia de ponta
As novas viaturas, baseadas nos robustos chassis Marruá da Agrale, foram adaptadas pela Embraer Defesa & Segurança com a participação das empresas Iturri Brasil e RF COM Sistemas. Elas são dotadas de tração 4x4, autonomia de até 600 quilômetros e capacidade de operar em terrenos difíceis, incluindo travessias em cursos d’água de até 60 centímetros de profundidade. Algumas versões contam ainda com proteção balística modular e blindagem opcional.​

O pacote tecnológico inclui rádios multibanda compatíveis com o sistema Link-BR2, terminais de satélite, redes seguras de dados e integração com sistemas de guerra eletrônica e operações cibernéticas. A modernização dessas plataformas garante interoperabilidade entre as diferentes forças e órgãos governamentais, permitindo o compartilhamento instantâneo de dados sobre atividades suspeitas e operações conjuntas.​

Dimensão operacional e parcerias nacionais
As viaturas de comunicações táticas têm sido empregadas em operações de larga escala, como a Operação Íris, integrando informações de aeronaves E-99M, caças Gripen e unidades navais. O desempenho do sistema já consolidou o SISFRON como pilar operacional da Operação Ágata e do Comando Militar do Oeste, que executam patrulhamento ostensivo e combate a crimes transfronteiriços.​

O projeto representa também uma ampla articulação da Base Industrial de Defesa, mobilizando empresas e centros de pesquisa em diferentes estados. Além da Embraer, participam do SISFRON companhias como AEL Sistemas, Harpia, Savis, Omnisys e Bradar, um ecossistema que assegura desenvolvimento local, geração de empregos qualificados e domínio nacional sobre tecnologias sensíveis de defesa e monitoramento.​

Perspectivas e soberania tecnológica
A continuidade da Fase 2 marca um salto qualitativo para o programa, ao integrar as soluções veiculares de comunicações ao sistema unificado de sensoriamento e decisão (SAD 2). Essa etapa é fundamental para consolidar a infraestrutura tecnológica que, futuramente, deverá cobrir toda a extensão da fronteira terrestre brasileira, fortalecendo a presença do Estado em regiões remotas e fortalecendo a cooperação interagências com a Polícia Federal, Receita Federal e órgãos ambientais.​

A Embraer reafirmou que o SISFRON sintetiza o compromisso da empresa com a soberania e a segurança nacional. Segundo a companhia, o projeto confirma o papel da indústria brasileira como provedora de soluções de defesa de alta complexidade e reforça a capacidade do Brasil em operar sistemas integrados de vigilância e comando e controle em escala continental.​

Com isso, o país avança não apenas na proteção de suas fronteiras, mas também na consolidação de uma infraestrutura tecnológica de defesa autônoma, moderna e interoperável — um passo decisivo para garantir segurança, desenvolvimento regional e soberania no século XXI.

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