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11 fevereiro, 2026

Embraer na disputa bilionária: a fabricante brasileira pode surpreender na megaencomenda da AirAsia

Por que a escolha entre o E2 brasileiro e o A220 europeu vai muito além de números e pode redefinir o futuro da aviação regional na Ásia



*LRCA Defense Consulting - 11/02/2026

A decisão que Tony Fernandes, CEO da Capital A Bhd, controladora da AirAsia, anunciará no próximo mês pode representar um ponto de virada histórico para a aviação comercial na Ásia-Pacífico. A companhia aérea está prestes a escolher entre os jatos regionais da Airbus (A220) e da Embraer (família E2) em uma encomenda que, segundo Fernandes, será "maior do que a relatada anteriormente", superando as estimativas iniciais de 100 a 150 aeronaves.

O que torna essa disputa ainda mais intrigante é que, pela primeira vez em décadas, a fabricante brasileira Embraer tem chances concretas de quebrar o domínio europeu em uma das companhias aéreas de baixo custo mais importantes do mundo. E os sinais de que isso pode acontecer são mais fortes do que muitos observadores imaginam.

O contexto: uma reestruturação que muda tudo
A AirAsia passa por sua maior transformação desde a fundação em 2001. Depois de sobreviver à crise da pandemia sem ajuda governamental, um feito raro no setor, a companhia concluiu recentemente seu processo de reestruturação financeira sob o regime PN17 da Malásia. Agora, com as finanças estabilizadas, Fernandes está redesenhando completamente a estratégia de frota.

O movimento mais significativo foi o cancelamento do pedido de 15 aeronaves Airbus A330neo, sinalizando uma mudança radical de filosofia. Em vez de apostar em jatos de longo alcance e alta capacidade, a AirAsia quer jatos regionais menores para criar uma rede hub-and-spoke ao estilo americano, conectando destinos menores através de centros de conexão.

"Ter uma aeronave com 240 assentos não me permite atender muitos destinos pequenos", explicou Fernandes à Reuters. "Minha filosofia é sobre frequência, conectar ponto a ponto o máximo possível".

Essa visão estratégica favorece naturalmente aeronaves na faixa de 100 a 150 assentos, exatamente o segmento onde a família E2 da Embraer compete diretamente com o A220 da Airbus.

Por que a Embraer tem chances reais
Historicamente, Tony Fernandes sempre foi visto como um cliente fiel à Airbus. Toda a frota atual da AirAsia é composta por aeronaves do fabricante europeu: 258 jatos da família A320 e A330. Além disso, a companhia tem 347 pedidos pendentes de A321neo, incluindo 50 unidades do modelo de longo alcance A321XLR.

Mas há sinais concretos de que, desta vez, a competição pode ser diferente:

1. O momentum da E2 na Ásia-Pacífico
A Embraer vem ganhando terreno significativo na região. A Scoot, subsidiária de baixo custo da Singapore Airlines, tornou-se a primeira operadora do Sudeste Asiático a adotar o E190-E2, recebendo nove unidades entre 2024 e 2025. O sucesso dessa operação abriu portas que antes pareciam fechadas.

"Isso abre as portas, não apenas com a Scoot, mas com todas as companhias aéreas no Sudeste Asiático, que junto com o Sul da Ásia, era o mercado mais difícil para nós penetrarmos", afirmou Raul Villaron, vice-presidente sênior de vendas da Embraer para a Ásia-Pacífico.

A Virgin Australia também firmou pedidos para E2s, e a All Nippon Airways (ANA), um cliente tradicionalmente conservador, surpreendeu o mercado ao encomendar 15 E190-E2 em 2025, sua primeira compra da Embraer.

2. Performance técnica superior em rotas específicas
O E195-E2 oferece vantagens técnicas específicas que podem ser decisivas para a estratégia da AirAsia. A aeronave pode decolar de pistas com apenas 1.300 metros de comprimento, capacidade que permite acesso a aeroportos regionais menores e que o A220 não consegue atender com a mesma eficiência.

Para uma companhia que quer conectar destinos menores através de hubs, essa capacidade de operar em aeroportos com infraestrutura limitada é um diferencial estratégico importante.

3. Melhor economia de combustível no segmento
A Embraer promove o E2 como "o jato de fuselagem estreita pequeno mais eficiente do mundo", uma reivindicação que tem respaldo em dados operacionais. Para uma companhia aérea de baixo custo como a AirAsia, onde cada ponto percentual de economia de combustível impacta diretamente a lucratividade, essa eficiência pode compensar outros fatores.

4. Flexibilidade de financiamento e prazos de entrega
Enquanto a Airbus enfrenta uma carteira de pedidos lotada até meados da década de 2030, a Embraer tem mais flexibilidade para acelerar entregas. Fernandes mencionou que precisa de aeronaves operacionais até 2027, um prazo que pode favorecer a fabricante brasileira.

Além disso, a Embraer tem trabalhado ativamente com arrendadores como a Azorra para oferecer soluções de financiamento competitivas, crucial para uma companhia que acabou de sair de reestruturação financeira.

5. Treinamento simplificado de pilotos
Um ponto frequentemente subestimado é a facilidade de transição. Pilotos migrando de jatos E-Jets antigos para a família E2 precisam de apenas dois dias de treinamento, uma economia operacional significativa. A Embraer inaugurou um centro de treinamento completo em Singapura em 2024, com simuladores de última geração.

A estratégia agressiva da Embraer
Não é coincidência que a Embraer esteja investindo pesadamente na Ásia-Pacífico justamente agora. A fabricante brasileira identificou a região como seu principal alvo de crescimento e está executando uma estratégia de "proximidade", mantendo peças, treinamento e suporte técnico próximos aos operadores.

Em setembro de 2025, Fernandes admitiu à publicação especializada Skift que está "deixando tanto a Airbus quanto a Embraer loucos" com as negociações. "Ainda estamos passando por essa avaliação. Faz parte do meu grande plano mestre de fornecer conectividade", disse.

Essa declaração revela duas coisas: primeiro, que as negociações estão realmente equilibradas; segundo, que Fernandes está usando a competição para extrair as melhores condições possíveis.

Os desafios da Embraer
Apesar das perspectivas favoráveis, a Embraer enfrenta obstáculos significativos:

- Influência política: a Airbus conta com o apoio dos governos europeus, especialmente França e Alemanha, que historicamente usam influência diplomática para fechar negócios. O Brasil, embora tenha peso econômico crescente, não possui a mesma força geopolítica na Ásia.

- Histórico de relacionamento: a AirAsia opera exclusivamente Airbus há mais de duas décadas. Introduzir um novo fabricante significa complexidades operacionais, custos de treinamento e necessidade de novas cadeias de suprimento.

- Questões com motores Pratt & Whitney: tanto o E2 quanto o A220 usam motores GTF (Geared Turbofan) da Pratt & Whitney, que enfrentaram problemas de confiabilidade em 2025. No entanto, a Embraer reportou em fevereiro de 2026 que apenas cinco E2s ainda estavam no solo devido a problemas com motores, uma melhora drástica dos 35 jatos que chegaram a ficar parados no pico da crise.

- Tradição de "jogo duro" de Fernandes: analistas do setor apontam que Fernandes tem histórico de usar fabricantes concorrentes como alavanca para conseguir melhores preços da Airbus. Em 2015, ele visitou o estande da Bombardier (então fabricante do que hoje é o A220) na feira de Le Bourget, uma visita que durou 20 minutos e resultou em nada, mas que garantiu condições melhores com a Airbus logo depois.

Por que desta vez pode ser diferente
Mas há razões para acreditar que, desta vez, não se trata apenas de táticas de negociação:

  1. Necessidade real de diversificação: a AirAsia precisa genuinamente de aeronaves menores para sua nova estratégia. O A220, embora menor que o A320, ainda pode ser grande demais para algumas rotas que Fernandes quer desenvolver.

  2. Momento financeiro da Embraer: a fabricante brasileira teve um 2025 excepcional, com 154 pedidos firmes para a família E2, um recorde. Empresas como Avelo Airlines (50 E195-E2 + 50 opções), LATAM (24 + 50 opções) e Porter Airlines (30 unidades) demonstram que o E2 está conquistando até clientes tradicionais da Airbus.

  3. Maturidade do produto: diferente da tentativa de venda do C-Series/A220 anos atrás, a família E2 hoje é um produto maduro, com operações comprovadas em múltiplos continentes e diferentes condições climáticas.

  4. Aposta estratégica regional: a AirAsia poderia se tornar a "âncora" da Embraer no Sudeste Asiático, um papel que a fabricante brasileira precisa para ganhar escala na região. Isso poderia resultar em condições comerciais excepcionalmente favoráveis.

O que está em jogo
Esta não é apenas uma transação comercial. Para a Embraer, vencer este pedido significaria:

  • Estabelecimento definitivo no mercado de baixo custo asiático;
  • Validação do E2 como alternativa real ao domínio Airbus-Boeing;
  • Plataforma para conquistar outros operadores regionais que observam de perto.

Para a AirAsia, a escolha definirá:

  • A arquitetura de sua rede pelos próximos 15-20 anos;
  • A capacidade de executar sua visão de hub regional;
  • O custo operacional e a competitividade frente a rivais.

O anúncio iminente
Fernandes afirmou que a decisão virá "no próximo mês", uma promessa que já foi adiada algumas vezes enquanto a companhia finalizava o financiamento. Mas agora, com a reestruturação concluída e o plano estratégico definido, o anúncio parece iminente.

A indústria da aviação observa atentamente. Se a Embraer conseguir essa vitória, será um dos maiores feitos comerciais da fabricante brasileira, comparável apenas à entrada no mercado norte-americano décadas atrás.

E mesmo que a Airbus mantenha sua histórica dominação, o simples fato de a Embraer ter chegado tão longe nas negociações já representa uma mudança fundamental na dinâmica competitiva da aviação regional asiática.

A resposta virá em breve. E pode surpreender o mercado.

Tony Fernandes, conhecido por transformar a AirAsia de uma companhia falida em uma das maiores operadoras de baixo custo do mundo, está prestes a tomar uma das decisões mais importantes de sua carreira. E a Embraer pode estar mais perto de uma vitória histórica do que muitos imaginam.

23 dezembro, 2021

Malásia quer adquirir até 400 veículos blindados. Brasil estará na disputa com o Guarani

K806 da Hyundai Rotem, um dos concorrentes para a licitação do Exército da Malásia de novos veículos blindados 6x6. Foto: Defense Security Asia.


*Asia Pacific Defense Jornal - 06/06/2021

O Exército da Malásia está se preparando para abrir uma licitação internacional para a aquisição de veículos blindados de rodas 6x6 para substituir os modelos mais antigos em seu estoque.

A aquisição, batizada de projeto de Veículo Blindado com Rodas de Próxima Geração, visa adquirir 400 novos veículos blindados 6x6 com rodas para substituir sua frota de veículos blindados SIBMAS 6x6 de fabricação belga e 4x4 Condor de fabricação alemã.

O Veículo Blindado de Transporte de Pessoal Condor foi construído pela Henschel Wehrtechnik GmbH da Alemanha, enquanto o SIBMAS 6x6, construído pela BN Constructions Ferroviaires et Metalliques da Bélgica e armado com canhão de baixa pressão Cockerill de 90 mm, está em serviço com o Exército da Malásia desde 1981.

O Condor é sendo usado como um transporte de pessoal blindado, enquanto os SIBMAS são usados ​​como veículos de apoio de fogo de apoio a unidades de infantaria.

Espera-se que o novo veículo se torne o veículo blindado mais numeroso no inventário do Exército da Malásia.

Espera-se que a FNSS da Turquia, a PT Pindad da Indonésia, a General Dynamic Land Systems Canada e a Hyundai Rotem da Coréia do Sul participem da licitação.

A FNSS está potencialmente oferecendo seu veículo PARS II 6x6, enquanto a PTT Pindad deve oferecer seu veículo Anoa 6x6.

A General Dynamics Land Systems Canada também pode prosseguir com uma versão 6x6 de sua bem-sucedida série de veículos LAV, enquanto a Hyundai Rotem pode oferecer o novo veículo blindado de rodas K806 6x6.

O Governo da Malásia pode exigir a produção local dos veículos. Nesse caso, a FNSS da Turquia atualmente tem vantagem devido à recente conclusão da produção dos veículos blindados PARS 8x8, conhecidos localmente como AV8 Gempita pelo parceiro malaio DefTech.

A Hyundai Rotem também abriu a possibilidade de produção local, e confirmou que participa da licitação com o veículo blindado de rodas K806. O K806 foi projetado e construído para o Exército da República da Coreia, e também está sendo oferecido para exportação para outros países.

Além da exigência de 400 novos veículos blindados de rodas 6x6, o Exército da Malásia também deverá licitar 36 novos veículos blindados 4x4, que poderiam ser para requisitos das Operações de Paz das Nações Unidas.

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Blidado Brasileiro Guarani estará na disputa
Desde o mês de setembro, quando o assunto foi divulgado pela imprensa malaia, a concorrência internacional tem despertado grande interesse dos principais fabricantes desse tipo de veículo blindado, inclusive da Iveco Defence Vehicle que, em 16 de dezembro, com o suporte do Centro de Avaliações do Exército Brasileiro (CAEx), realizou uma grande demonstração da VBPT-MSR 6X6 Guarani equipada com uma torre de tiro SARC REMAX a uma comitiva composta por militares do Exército da Malásia e por representantes do setor de defesa desse país.

A demonstração, publicada ontem por esta Consultoria, pode ser vista neste link.



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