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20 março, 2025

O futuro da indústria aeroespacial brasileira: uma jornada rumo à autonomia e inovação


*AIAB - Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil, por Julio Shidara, Presidente da AIAB - 19/03/2025

A indústria aeroespacial brasileira tem conquistado reconhecimento global, destacando-se pela excelência tecnológica e pela capacidade de inovar. A Embraer é um exemplo desse protagonismo no segmento aeronáutico, evidenciando que investimentos consistentes em desenvolvimento tecnológico e valorização dos profissionais brasileiros podem posicionar o Brasil na vanguarda do setor. Essa mesma vocação deve ser aproveitada para fortalecer a indústria espacial, que caminha para conquistar maior autonomia e relevância no mercado internacional.

A dependência do Brasil por satélites estrangeiros é uma vulnerabilidade que precisa ser urgentemente mitigada. Diversos países reconhecem a infraestrutura espacial como estratégica para sua soberania, e o Brasil não pode ficar para trás. A recente iniciativa da FINEP, que destinou as maiores subvenções econômicas de sua história para o desenvolvimento, pela indústria brasileira, de um satélite óptico de alta resolução e de lançadores de nanossatélites, representa um marco na busca por essa autonomia. Essa decisão posiciona o Brasil em uma trilha de boas práticas, seguindo modelos bem-sucedidos de programas espaciais internacionais.

Contudo, para que o Programa Espacial Brasileiro (PEB) avance com consistência, é imprescindível que ele seja tratado como sendo de Estado. O comprometimento de alocação de recursos, com investimentos previsíveis e de longo prazo é essencial para que o Brasil, não apenas reduza sua dependência externa, mas, também, para que conquiste papel de destaque global em aplicações espaciais como observação da Terra, navegação e comunicação por satélite, dentre outras.

É também essencial que a sociedade compreenda a importância do setor espacial para o desenvolvimento do país. Sem esse apoio, persistirão visões limitantes que colocam a exploração espacial como supérflua diante de outras demandas sociais. A história recente de nações como Índia e China mostra que investimentos sólidos no setor espacial resultam em desenvolvimento tecnológico, geração de empregos qualificados e fortalecimento da soberania nacional.

A inovação, pilar essencial para a indústria aeroespacial, deve ser incentivada com mecanismos de financiamento estáveis e previsíveis. É necessário que o Brasil amplie o apoio à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, adotando modelos bem-sucedidos de políticas públicas, como ocorreu no setor de energia eólica com o PROINFA. Programas como esse proporcionam organização da demanda e incentivo para que empresas nacionais ganhem espaço em mercados globais.

Outro aspecto determinante para o crescimento da indústria é o incentivo à formação de profissionais altamente qualificados. Instituições como o ITA são fundamentais para preparar engenheiros e cientistas capacitados a enfrentar os desafios tecnológicos. O diferencial do profissional brasileiro é reconhecido mundialmente por sua criatividade, engenhosidade e flexibilidade, qualidades que devem ser amplamente aproveitadas para impulsionar a inovação no setor espacial.

O Brasil tem potencial para se tornar uma potência nesta área. O caminho passa por decisões estratégicas que priorizem a inovação, organizem a demanda por soluções tecnológicas nacionais e ampliem os investimentos em formação de profissionais. O sucesso da Embraer é a prova cabal de que somos capazes de superar desafios e conquistar protagonismo global. Agora é a vez de replicar essa história de sucesso na indústria espacial, consolidando um futuro de protagonismo e soberania para o Brasil.

27 fevereiro, 2024

Avibras obtém liminar contra sua eliminação em seleção pública da FINEP

 


*LRCA Defense Consulting - 27/02/2024

A Avibras emitiu comunicado ontem (26) onde informou que obteve nesta segunda-feira, dia 26/02/24, liminar na Justiça, que anula a sua eliminação na seleção pública do projeto Veículo Lançador de Pequeno Porte (VLPP) da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para lançamento de nano e ou microssatélites.
 
A Avibras foi selecionada no processo, porém não conseguiu apresentar a certidão negativa de débitos fiscais a tempo devido à greve na Receita Federal e acabou sendo desclassificada. Por esta razão, a companhia impetrou mandado de segurança no início de fevereiro para anular a sua desclassificação.
 
Para a Avibras, participar desse projeto é fundamental para reforçar o seu pioneirismo no Programa Espacial Brasileiro (PEB) e as suas capacidades nesse segmento, além de contribuir ao lado de outras empresas parceiras para o avanço aeroespacial brasileiro, o desenvolvimento de tecnologia de ponta, capacitação da indústria, dos institutos e centros de lançamento, e favorecer o reconhecimento internacional do País no setor aeroespacial.

29 janeiro, 2023

Investimentos no Programa Espacial Brasileiro

Imagem: Expansão Astronauta

*LRCA Defense Consulting - 29/01/2023

O consultor independente e especialista no setor aeroespacial Fernando Ikedo - com a grande expertise adquirida em suas passagens por empresas como Embraer, Avibras, Mectron, AEl Sistemas e Rockwell Collins - publicou no LinkedIn uma reflexão interessante sobre os investimentos no Programa Espacial Brasileiro, à luz de suas postagens sobre o orçamento dos principais projetos estratégicos de Defesa para 2023.

Referindo-se à Lei Orçamentária Anual (LOA 2023), Ikedo afirma que o orçamento dos projetos voltados ao tema "Espaço" vêm, majoritariamente, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com 87% dos recursos, sendo o restante complementado pelo Ministério da Defesa (MD).

Ao observar os números, o especialista conclui que, em termos comparativos, o valor destinado a projetos na área espacial em 2023 corresponde aproximadamente a:
- 1/8 do programa Gripen
- "meio KC-390"
- 50% do projeto SISFRON
- 20% do Forças Blindadas
- 6% do projeto das fragatas

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