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Visitas institucionais em
menos de duas semanas seguem o impacto do SSNTFT e ocorrem na janela em que o
Exército prepara diretrizes de aquisição de drones
Comitiva do CMS na Taurus
*LRCA Defense Consulting - 14/06/2026
O 1º Simpósio de Sistemas Não
Tripulados da Força Terrestre (SSNTFT), realizado entre 25 e 27 de maio de 2026
no Quartel-General do Exército (QGEx), em Brasília, deixou rastros
institucionais que se materializam em visitas. Na ocasião, a Taurus Armas realizou
tiros reais com o Tactical Air Soldier (TAS) equipado com um fuzil T4 5,56 mm e, também, com um lançador de granadas Mertsav 40 mm embarcados.
A demonstração impressionou o Alto Comando e
se firmou como a referência mais concreta de capacidade disponível na Base
Industrial de Defesa (BID) nacional no segmento de drones armados. Ao encerrar
o evento, o comandante do Exército, general de exército Tomás Miguel Miné
Ribeiro Paiva, anunciou que as diretrizes para aquisição de sistemas não
tripulados seriam preparadas a partir de junho de 2026, com nova reunião do
Alto Comando prevista para o mesmo período.
General de
exército Luís Cláudio de Mattos Basto e Salesio Nuhs na Taurus
A janela se abriu e as visitas
vieram. Em 4 de junho, uma comitiva do Comando Militar do Sul (CMS), liderada pelo general de
exército Luís Cláudio de Mattos Basto, esteve na sede da Taurus em São Leopoldo
(RS), sendo recebida pelo CEO Global, Salesio Nuhs,
e pelos diretores da companhia. A pauta declarada incluiu a apresentação das
capacidades industriais, tecnológicas e de inovação da empresa, "incluindo
a divisão de veículos aéreos e terrestres não tripulados".
Em 12 de junho,
o general de divisão Juraci Ferreira Galdino, Comandante do Instituto Militar
de Engenharia (IME), visitou a Taurus e foi recebido por Leonardo Sesti,
diretor do Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE), com pauta
idêntica quanto à divisão de sistemas não tripulados.
A sequência é reveladora. O CMS,
um dos maiores comandos operacionais da Força Terrestre e diretamente
responsável pela capacidade de combate de parcela significativa do Exército,
chegou primeiro: movimento típico de quem avalia o que está disponível para
emprego.
General de divisão Juraci Ferreira Galdino, Comandante IME foi recebido por Leonardo Sesti,
diretor do CITE
O IME, principal referência nacional em formação e desenvolvimento
tecnológico de engenharia militar, veio depois: sinal de aprofundamento, não de
prospecção inicial. A ordem sugere que o Exército já processou a demonstração
do SSNTFT e está agora em fase de mapeamento tanto operacional quanto
técnico-institucional.
Falta saber se o IME formalizará algum protocolo de
cooperação com a Taurus e, acima de tudo, o que emergirá da reunião do Alto
Comando prevista para este mês com as diretrizes de aquisição.
Em demonstração histórica no QGEx, empresa realizou tiros reais com
fuzil e lançador de granadas embarcados no TAS, além de lançamento de granada
de morteiro
Taurus TAS com lança-granadas de 40mm de repetição
*LRCA Defense Consulting - 02/06/2026
A Taurus
Armas foi a grande protagonista do 1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da
Força Terrestre 2026 (SSNTFT), realizado entre 25 e 27 de maio de 2026 nas
dependências do Quartel-General do Exército (QGEx), em Brasília. No último dia
do evento, dedicado às demonstrações práticas no Estande de Tiro General Darcy
Lázaro, a empresa realizou uma sequência de apresentações que exibiu ao Alto
Comando do Exército capacidades táticas inéditas no Brasil: um drone armado, de
fabricação nacional, realizando tiros reais de fuzil e de lançador de granadas,
além do lançamento de uma granada de morteiro de 120 mm.
O evento foi
supervisionado pelo general de exército Hertz Pires do Nascimento, chefe do
Departamento de Ciência e Tecnologia (DCT), instância responsável por orientar
a incorporação de tecnologias emergentes pela Força Terrestre. A presença do
comandante do Exército, general de exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e
do Alto Comando conferiu ao simpósio um peso institucional que ultrapassa o de
uma simples mostra tecnológica: trata-se de etapa do processo decisório sobre
aquisição e desenvolvimento de sistemas não tripulados pelas Forças Armadas
brasileiras.
O SSNTFT
reuniu ao todo mais de uma dezena de empresas da Base Industrial de Defesa.
Entre as participantes: Ares, PlasmaHub, Modirum Gespi, AeroID, XMobots,
RADeCO, Condor Tecnologias Não Letais, Advanced Technologies Security &
Defense (ADTech), BR Vant e Ambipar Robotics, além da própria Taurus, que se
destacou pela abrangência e pelo êxito das demonstrações realizadas.
O pano de fundo: um país sem defesa e um ministro em
desabafo Horas antes
das demonstrações, na manhã do dia 27, o ministro da Defesa, José Múcio
Monteiro Filho, reuniu-se com cerca de 30 executivos da BID no B Hotel, no
setor hoteleiro norte de Brasília, num evento fechado à imprensa. O diagnóstico
que apresentou foi contundente: "A defesa brasileira é incompatível com o
tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa. Eu digo que a
sociedade precisa saber. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós
não temos."
Múcio relatou
os resultados da Operação Atlas, o maior exercício militar realizado pelas
Forças Armadas em 2025, concebido como ensaio para a defesa do território no
Norte diante da ameaça venezuelana ao Essequibo. A constatação foi alarmante: a
Marinha demoraria 20 dias para chegar ao Norte; os blindados do Exército,
baseados no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso do Sul, levariam 55 dias.
"Se houvesse um conflito real, quando nós chegássemos lá, o povo já
estaria instalado", disse o ministro.
Parte dos
executivos presentes ao desabafo de Múcio seguiria, após o almoço, para o
Estande de Tiro General Darcy Lázaro, onde todo o Alto Comando do Exército
chegou por volta das 15 horas para assistir à demonstração de drones e robôs. O
argumento econômico estava no ar: uma munição vagante custa US$ 3,5 mil; um
carro de combate moderno como o Leopard 2A8 sai por US$ 34 milhões. A
assimetria de custo, somada às lições da Ucrânia e do Oriente Médio, tornava o
SSNTFT mais do que um evento técnico.
Vídeo com a demonstração do Taurus TAS e com as palavras do Gen Ex Hertz e Gen Ex Tomás
O TAS em ação: três configurações, três demonstrações
reais O sistema
demonstrado pela Taurus foi o TAS (Tactical Air Soldier), quadricóptero
de emprego tático apresentado inicialmente na LAAD Defence & Security 2025,
no Rio de Janeiro. No simpósio do QGEx, o TAS foi exibido em três configurações
distintas, todas com resultado positivo. A apresentação organizada pelo DCT durou
uma hora.
Na primeira
configuração, o drone operou armado com o fuzil T4, em calibre 5,56 mm, arma
também de fabricação Taurus. O TAS executou disparos em modo semiautomático
(tiro a tiro) e em rajada, comprovando o funcionamento do sistema de controle
de fogo integrado à plataforma. A estabilidade durante os disparos e a precisão
observada geraram reação imediata entre os militares presentes.
Na segunda
configuração, o TAS foi integrado a um lançador de granadas de repetição de 40
mm da fabricante turca Mertsav Savunma Sistemleri, empresa cujas negociações de
aquisição pela Taurus estão em curso. O lançamento de granadas reais a partir
do drone, com impacto confirmado no solo, representou um marco nas
demonstrações do evento. A sinergia entre a plataforma aérea e o lançador
referenda, na prática, a lógica que orienta a estratégia de expansão da Taurus
no segmento de armas coletivas.
Na terceira
demonstração, o TAS foi equipado com uma granada de morteiro de 120 mm em
versão inerte, lançada por gravidade. Ainda que sem carga explosiva real, a
demonstração evidenciou a capacidade da plataforma de transportar e empregar
munições de maior porte, uma perspectiva relevante para o conceito de apoio de
fogo embarcado em plataformas não tripuladas.
Taurus TAS com fuzil Taurus T4 5,56mm. Acima, pronto para abrir fogo; abaixo, atingindo os alvos com precisão
Taurus TAS com granada de morteiro 120mm
Repercussão e impacto estratégico A reação do
Alto Comando às demonstrações da Taurus foi notavelmente positiva. O desempenho
do TAS nas três modalidades, especialmente os tiros reais com o T4 e com o
lançador de granadas, provocou reações de genuína surpresa e interesse entre os
generais presentes. O evento sinalizou que uma empresa brasileira alcançou, por
esforço próprio, um patamar tecnológico até então restrito a poucas indústrias
de defesa no mundo.
O simpósio
tinha como objetivo declarado nivelar o conhecimento estratégico do Alto
Comando sobre sistemas não tripulados e subsidiar decisões de aquisição e
desenvolvimento. Nesse contexto, a demonstração da Taurus se inseriu como a
referência mais concreta de capacidade disponível na BID nacional, com
potencial de encurtar o caminho entre a necessidade operacional identificada
pelas Forças Armadas e a contratação efetiva.
Ao percorrer
os estandes das empresas participantes, o general Tomás Paiva reforçou o
comprometimento institucional do Exército com o desenvolvimento tecnológico
nacional. Em declaração pública, o comandante avaliou positivamente o
desempenho da BID: "Fiquei satisfeito com o que vi, principalmente em
ver a base industrial de defesa correndo atrás e com soluções interessantes e
muito diferentes. A progressão foi muito rápida." Paiva afirmou ainda
que o Brasil tem hoje "percepção de ameaça na América do Sul",
emprestando sentido estratégico imediato ao investimento em sistemas como o
TAS.
Além das
demonstrações de voo, o estande da Taurus exibiu duas outras plataformas. A
mais chamativa foi o mockup de um drone VTOL (Vertical Take-Off and
Landing) de configuração aerodinâmica agressiva, plataforma distinta do
TAS, projetada para atuar como munição vagante (loitering munition),
capaz de operar sozinha ou em enxame. A segunda plataforma, de menor porte e
estrutura aberta no estilo FPV, é dedicada à interceptação de drones
adversários (C-UAS).
A composição
do estande, com um drone de ataque armado (TAS), uma munição vagante VTOL e um
interceptador C-UAS, indica que a Taurus está estruturando uma linha completa
de sistemas aéreos não tripulados para fins militares, complementar ao seu
portfólio tradicional de armas. Tudo indica que a empresa avança na construção
de uma nova divisão voltada à robótica, tanto em plataformas aéreas quanto
terrestres, com foco no mercado de defesa.
Em primeiro plano, drone interceptador (C-UAS), seguido de drone VTOL (laranja) para munição vagante e enxame; ambos ainda em mockup.
O crime organizado como catalisador da urgência O SSNTFT
ocorreu num contexto interno que confere urgência adicional ao tema.
Investigações da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança
Pública do Rio de Janeiro revelaram que o Comando Vermelho passou a utilizar
drones agrícolas de grande porte para transportar armas e drogas entre
comunidades. As aeronaves têm capacidade para transportar até 80 quilos
(equivalente a cerca de 20 fuzis FAL ou AR-15) e autonomia de até 12
quilômetros sem pouso. Segundo as investigações, integrantes da facção teriam
sido enviados à guerra na Ucrânia para adquirir treinamento específico no uso
de drones de grande porte.
Em outubro de
2025, durante a Operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão, drones
menores foram usados pelos traficantes para monitorar movimentações policiais
em tempo real. Como resposta, em maio de 2026, o Governo do Rio formalizou
pedido ao Ministério da Justiça para a compra de fuzis antidrone e a Polícia
Civil criou a Coordenadoria de Operações com Aeronaves Não Tripuladas (COANT),
estrutura dedicada ao uso institucional de drones em operações policiais,
investigações e ações de inteligência em todo o estado.
O quadro
expõe uma assimetria preocupante: o crime organizado brasileiro já operava
drones com doutrina importada de conflitos internacionais, enquanto as forças
de segurança corriam para estruturar sua resposta. O SSNTFT e as capacidades
demonstradas pela Taurus inserem-se precisamente nessa janela de urgência: não
apenas como modernização das Forças Armadas, mas como necessidade de segurança
pública com implicações imediatas.
A convergência entre armamento e robótica A Política
de Transformação da Força Terrestre (Força 40), formalizada em abril de
2026, estabelece os sistemas não tripulados como vetor central de modernização
do Exército Brasileiro, com ênfase em inteligência, vigilância, reconhecimento
e fogos embarcados em plataformas autônomas. O simpósio do QGEx foi, em
essência, o primeiro passo estruturado para que o Alto Comando avalie quais
empresas e sistemas estão aptos a atender essa demanda, num horizonte que se
estende até 2039.
O general
Tomás Paiva detalhou o plano de aquisição: drones das categorias 0, 1 e 2 serão
alocados prioritariamente ao Batalhão de Precursores, à Brigada Aeromóvel e à
11ª Brigada de Infantaria Mecanizada. As munições vagantes ficarão com as
tropas especiais. Para os drones das categorias 3 e 4, de maior alcance e
autonomia, serão criados dois batalhões especializados, um em Taubaté (SP) e
outro no Rio de Janeiro (RJ). Os drones que exigem tecnologia
ainda não disponível na BID nacional serão buscados no exterior via mecanismo
governo a governo (G2G), com perspectiva de incorporação por empresas
brasileiras.
As diretrizes
para aquisição devem ser preparadas a partir de junho de 2026, quando uma nova
reunião do Alto Comando está prevista. A Taurus reúne condições únicas para se
posicionar nesse processo: com o TAS operacional em tiros reais, o portfólio de
armas em expansão e a aquisição da Mertsav em andamento (empresa turca com
expertise em lançadores de granadas e fuzis integráveis a drones), a empresa
oferece uma proposta integrada de plataforma, armamento e munição sob o mesmo
guarda-chuva industrial.
O horizonte,
porém, não é isento de turbulência. No dia 29 de maio, dois dias após o SSNTFT,
o governo federal contingenciou R$ 4,4 bilhões do orçamento do Ministério da
Defesa. O corte chega num momento em que o Exército reconhece publicamente suas
deficiências, planeja aquisições urgentes e enfrenta ameaças crescentes no
entorno estratégico. Resta aos militares fazer planos e torcer para que o
inimigo não chegue antes do dinheiro necessário para a transformação da Força
sair do papel.
TAURUS NO SSNTFT 2026 — DADOS PRINCIPAIS
Evento
1º Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre 2026
(SSNTFT)
Data
25 a 27 de maio de 2026 (demonstrações práticas: dia 27)
Local
QGEx / Estande de Tiro Gen Darcy Lázaro — Brasília (DF)
Empresa
Taurus Armas S.A.
Sistema central
TAS (Tactical Air Soldier) — quadricóptero armado
Armamentos testados
Fuzil T4 5,56 mm (tiro a tiro e rajada); lançador de granadas de
repetição Mertsav 40 mm (tiro real); granada de morteiro inerte 120 mm
(lançamento por gravidade)
Outros itens expostos
Mockup de drone VTOL de ataque; drone interceptador C-UAS de
menor porte
Responsável pela exposição
Gen Ex Hertz Pires do Nascimento, chefe do DCT
Autoridades presentes
Gen Ex Tomás Paiva (Cmt do Exército) e Alto Comando do EB
Próximos passos (EB)
Diretrizes para aquisição a partir de junho/2026; nova reunião do
Alto Comando prevista; batalhões de drones em Taubaté (SP) e Rio de Janeiro
(RJ)
Participantes (SSNTFT)
Ares, PlasmaHub, Taurus, Modirum Gespi, AeroID, XMobots, RADeCO,
Condor Tecnologias Não Letais, ADTech, BR Vant, Ambipar Robotics e outras