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18 agosto, 2026

TideWise mira expansão global às vésperas do lançamento do Suppressor 7

Deeptech carioca de embarcações autônomas amplia operação na Bélgica e capta investimentos enquanto o programa de defesa desenvolvido com a EMGEPRON se prepara para lançar ao mar sua primeira unidade operacional 



*LRCA Defense Consulting - 18/08/2026

A TideWise, deeptech sediada no Rio de Janeiro especializada em embarcações de superfície não tripuladas (USVs), formalizou nas últimas semanas sua expansão para a Europa, com a abertura de um escritório e a assinatura de um primeiro contrato na Bélgica. A movimentação ocorre em paralelo a uma rodada de investimentos aberta pela empresa e antecede por poucos dias um marco relevante do seu programa de defesa: segundo ata do Conselho de Administração da EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais) de 30 de abril de 2026, o lançamento ao mar do Suppressor 7, primeira unidade operacional da série desenvolvida em parceria com a estatal, está previsto para o dia 24 de agosto.

Fundada em 2019 pelo engenheiro naval Rafael Coelho, CEO da empresa, e pelo engenheiro de software francês Sylvain Joyeux, CTO, a TideWise projetou e construiu o USV Tupan, primeira embarcação não tripulada registrada na Marinha do Brasil, em 2020. Dois anos depois, a companhia já operava fora do País: em 2022, realizou na Bélgica a primeira inspeção mundial de parques eólicos offshore a integrar USV e drone, um indício de que a presença europeia da TideWise antecede em quatro anos o anúncio mais recente.

Suppressor: da vigilância submarina ao protocolo de intenções 

No Brasil, a trajetória da TideWise se consolidou principalmente pela parceria com a EMGEPRON no Programa Suppressor, voltado ao desenvolvimento de embarcações autônomas de superfície para guerra de minas, guerra antissubmarino e patrulha naval. O piloto tecnológico da série, o Suppressor-X, passou por dois testes decisivos em novembro de 2025: no dia 12, durante o exercício naval Aramuss, realizou pela primeira vez o lançamento e o recolhimento automáticos de um ROV (fabricado pela BRS Robótica Submarina), concluindo em 45 minutos as etapas de busca, classificação e identificação de uma mina de exercício; nos dias 17 e 18, na Base Naval de Aratu (BA), repetiu o desempenho durante a operação MINEX-2025, com identificação positiva de minas navais inertes.

Foi também durante o Aramuss que a EMGEPRON e a Marinha do Brasil assinaram um protocolo de intenções para a possível aquisição de quatro unidades do Suppressor 7, sinalização que projeta o programa para além da fase de demonstração tecnológica. Em outubro de 2025, o sistema já havia passado por testes de compatibilidade de embarque no cargueiro KC-390 Millennium, da Embraer, no Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte, na Base Aérea do Galeão (RJ): confirmou-se que os USVs Suppressor 7 e Suppressor 11, além da Base Operacional Móvel do sistema, atendem aos requisitos de dimensão, peso e condições técnicas para deslocamento aéreo rápido a portos ou zonas costeiras estratégicas.

O cronograma de lançamento do Suppressor 7 sofreu um ajuste ao longo do processo: previsões anteriores, incluindo um comunicado da própria EMGEPRON em novembro de 2025, indicavam julho de 2026. A ata do conselho de administração de abril deste ano fixou a nova data em 24 de agosto, com comissionamento programado para abril de 2027, segundo apuração da publicação especializada Janes. Até o fechamento desta matéria, a embarcação não havia sido lançada ao mar. 

Testes de compatibilidade de embarque no cargueiro KC-390 Millennium, da Embraer

Antuérpia como porta de entrada para a Europa 
A base europeia da TideWise, batizada TideWise Europe, está sediada em Antuérpia e já era mencionada publicamente pela empresa desde outubro de 2025, quando integrava a lista de próximos marcos apresentada durante a cerimônia de batismo dos USVs Tupan II e Tupan III, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Segundo Rafael Coelho, a Bélgica funciona como porta de entrada para o continente europeu, de onde a empresa pretende avançar para outros mercados, como Alemanha e França, e, num horizonte mais distante, para o Oriente Médio, a Malásia e a Austrália, inclusive por meio de eventuais aquisições de empresas locais.

Para sustentar essa expansão, a empresa mantém uma rodada de investimentos aberta, que deve financiar tanto a escalada europeia quanto a ampliação da frota no Brasil. A TideWise projeta faturamento de cerca de R$ 30 milhões em 2026, já com receita contratada, e deve encerrar o ano com aproximadamente 63 funcionários, acima da estimativa inicial. Desde a fundação, a empresa já captou cerca de R$ 15 milhões em rodadas de investimento, incluindo um aporte de R$ 10 milhões liderado pela MSW Capital, por meio do fundo MultiCorp 2, que tem a Embraer, a BB Seguros, a Baterias Moura e a AgeRio como cotistas, uma participação indireta que conecta a fabricante aeroespacial brasileira ao ecossistema da TideWise.

No mercado offshore, a lista de clientes da empresa inclui a Petrobras, a Equinor, a Repsol Sinopec Brasil e a Shell, além da própria EMGEPRON. Segundo Coelho, a indústria de apoio marítimo enfrenta um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda de embarcações, o que deve pressionar os preços para cima e reforça o interesse de operadoras como Petrobras e Shell em tecnologias autônomas: um USV de cerca de 19 metros pode substituir uma embarcação de aproximadamente 60 metros, com economia estimada entre 30% e 40% para as companhias.

Tecnologia de uso dual: da defesa ao monitoramento ambiental 

A mesma plataforma que sustenta o programa de defesa também opera em aplicações civis. Cerca de três meses atrás, o USV Tupan II concluiu, em parceria com a Bio Bureau Biotecnologia, a Equinor e o MBARI (Monterey Bay Aquarium Research Institute), uma missão de coleta autônoma de DNA ambiental (eDNA) a mais de 200 quilômetros da costa, com cerca de 143 horas de navegação ininterrupta. A embarcação partiu do porto sob ondulação de 3,5 metros e chegou a coletar amostras em posicionamento dinâmico dentro de um raio de 500 metros de uma plataforma de produção em operação plena, reunindo cerca de 50 amostras processadas com a tecnologia de amostragem 3G ESP, do MBARI. A operação, financiada dentro da cláusula de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em projeto da Bio Bureau com a Equinor, é descrita pela Bio Bureau como a primeira campanha autônoma de monitoramento de biodiversidade offshore realizada em um campo de petróleo no País.

Ainda no plano internacional, a TideWise participou, no primeiro semestre deste ano, da 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima da Organização Marítima Internacional (IMO), que adotou o primeiro código internacional para embarcações autônomas (MASS Code), e marcou presença em feiras como a Oceanology International, em Londres, e o Industry Days, em Bruxelas. A empresa soma ainda reconhecimentos como a seleção para o selo KPMG Emerging Giants, o título de uma das 50 startups mais promissoras do globo pelo Enterprise Singapore e uma capa da revista Uncrewed Systems Technology. 


Um setor que amadurece 
Ao avaliar o cenário global do setor após a Oceanology International 2026, Rafael Coelho descreveu a passagem de uma fase de early adopter para uma de early majority: o debate teria deixado de girar em torno de provar a tecnologia para se concentrar em escalar operações com confiabilidade e padrões rigorosos. Segundo o CEO, contratos de USVs passaram a refletir a realidade operacional das plataformas, os softwares deixaram de operar como sistemas fechados e os ROVs compactos ganharam robustez, com um novo patamar de referência de resistência a 400 metros de profundidade. Coelho também chamou atenção para a consolidação do setor, com movimentos de fusão e aquisição, e para o avanço da qualidade dos produtos chineses, hoje considerados concorrentes genuínos no segmento de alta especificação técnica, uma dinâmica que tem se refletido também nos debates sobre a presença de equipamentos de origem chinesa no setor de defesa brasileiro.

Com o lançamento do Suppressor 7 previsto para os próximos dias e a expansão europeia em curso, a TideWise projeta consolidar, ao mesmo tempo, sua posição como fornecedora de tecnologia dual para a Marinha do Brasil e como exportadora de um segmento ainda incipiente na Base Industrial de Defesa nacional: o de sistemas navais autônomos.

11 novembro, 2025

Marinha do Brasil e EMGEPRON investem em mobilidade estratégica com o VSNT SUPPRESSOR

 
*LRCA Defense Consulting - 11/11/2025

Nesta terça-feira, 11 de novembro de 2025, durante o exercício naval ARAMUSS-2025, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) teve um papel de destaque ao firmar um Protocolo de Intenções para a possível futura aquisição do Veículo de Superfície Não Tripulado (VSNT) SUPPRESSOR pela Marinha do Brasil. O documento foi assinado na presença do Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, Diretor de Gestão de Programas da Marinha, reforçando a cooperação estratégica entre a Marinha e a EMGEPRON, com foco no fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira e no desenvolvimento de tecnologias militares avançadas.​

O VSNT SUPPRESSOR é uma embarcação autônoma multipropósito de 7 metros de comprimento, movida a diesel, equipada com avançados sensores de navegação, sonar multifeixe, LIDAR 360°, câmeras FLIR e um Veículo Operado Remotamente (ROV). Desenvolvido em parceria com a startup brasileira TideWise, o SUPPRESSOR é projetado para atuar em missões diversas, como varredura de minas navais, guerra anti-submarino, vigilância marítima, monitoramento de tráfego naval, pesquisas oceanográficas e combate a atividades ilícitas em águas jurisdicionais restritas, inclusive na Amazônia Azul.​

O projeto representa um marco tecnológico na América Latina, sendo o primeiro programa dedicado à construção de embarcações autônomas multipropósito para fins de defesa e segurança na região. O VSNT poderá ser operado remotamente ou autonomamente, com uma estação de controle móvel instalada em um contêiner padrão de 20 pés. A primeira unidade está prevista para ser entregue até o final de 2025, com um orçamento estimado em 20 milhões de reais.​

Além da assinatura do protocolo, o ARAMUSS-2025 contou com um ciclo de palestras em que o sistema SUPPRESSOR foi apresentado detalhadamente, destacando sua importância para a defesa da Amazônia Azul, região estratégica para o Brasil. Também foram exibidos outros projetos e sistemas inovadores da EMGEPRON, demonstrando o comprometimento da Marinha com a modernização tecnológica e a interoperabilidade operacional.​

O protocolo assinado no ARAMUSS-2025 materializa a ambição do Brasil de ampliar sua autonomia tecnológica e capacidade naval por meio da incorporação de sistemas autônomos inovadores, fortalecendo a segurança nacional e a soberania marítima em um contexto regional e global cada vez mais exigente. A cooperação com empresas nacionais, como a EMGEPRON e a TideWise, representa também um avanço para a indústria de defesa brasileira, promovendo geração de empregos, inovação e independência tecnológica.

07 setembro, 2025

SUPPRESSOR 7: Brasil avança em tecnologia naval com embarcação autônoma

 


*LRCA Defense Consulting - 07/09/2025

O projeto SUPPRESSOR atingiu um marco significativo em 28 de agosto de 2025, com o início da construção do Veículo de Superfície Não Tripulado (VSNT) SUPPRESSOR 7, desenvolvido em colaboração entre TideWise e EMGEPRON para a Marinha do Brasil. O corte da primeira chapa do casco inaugura uma fase marcada pela adoção de processos de manufatura avançados, incluindo corte a jato d’água e a montagem automatizada, visando entregar uma embarcação de alta tecnologia até agosto de 2026.

O que é o SUPPRESSOR 7
O SUPPRESSOR 7 faz parte de uma nova geração de sistemas marítimos autônomos: trata-se de um veículo de superfície não tripulado equipado para operações em contramedidas de minagem, levantamentos hidrográficos, missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Com uma configuração dual, o VSNT também suporta missões que vão desde a proteção de infraestruturas críticas até o monitoramento ambiental. É integrado a uma Base Operacional Móvel (MOB), que funciona como estação de controle multiplataforma, permitindo operação remota e autônoma do navio em diferentes teatros de missão.

Tecnologia e inovação nacional
Com 7 metros de comprimento, propulsão a diesel, um radar de navegação, LIDAR 3D, uma câmera PTZ, um sonar multifeixe montado no casco e módulos de missão customizáveis, o SUPPRESSOR 7 demonstra a capacidade tecnológica da indústria naval brasileira. Toda a operação pode ser conduzida sem tripulação embarcada, reduzindo custos operacionais e riscos à vida dos operadores. A embarcação também apresenta mobilidade estratégica, podendo ser transportada em carretas, aviões cargueiros e navios-plataforma, permitindo rápida resposta em diferentes regiões do litoral brasileiro.

Impacto para defesa e indústria
O projeto SUPPRESSOR 7 é apontado como divisor de águas na modernização dos meios navais da Marinha do Brasil, colocando o país em posição de destaque na adoção de sistemas autônomos para defesa e operações marítimas. O objetivo é multiplicar a eficiência operacional, potencializar o monitoramento ambiental e a patrulha de grandes extensões marítimas e, futuramente, servir também para exportação de tecnologia. O SUPPRESSOR 7 e sua arquitetura modular serão emblemáticos na transição para operações remotas no Atlântico Sul e na proteção da chamada “Amazônia Azul”, área estratégica de recursos e biodiversidade para o Brasil.

Parcerias e estratégia em novo capítulo para o setor marítimo brasileiro
A jornada do SUPPRESSOR 7 evidencia a importância da sinergia entre as empresas nacionais de tecnologia, como TideWise e EMGEPROM, e a Marinha do Brasil, além de apoio institucional à inovação. Em eventos como a LAAD 2025, o SUPPRESSOR 7 já foi apresentado como vitrine da vanguarda naval nacional, recebendo atenção de delegações estrangeiras e de outros ramos das Forças Armadas.

 O SUPPRESSOR 7 representa um salto de qualidade para o segmento de navios autônomos do Brasil e simboliza um novo momento para a Base Industrial de Defesa Nacional. Seu lançamento ao mar em 2026 marcará um novo capítulo para o setor marítimo brasileiro — unindo inovação, eficiência, segurança e soberania tecnológica.

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