Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador TideWise. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador TideWise. Mostrar todas as postagens

15 setembro, 2026

Do Mar Negro à Amazônia Azul: a revolução dos drones navais

Experiência da TideWise com o Tupan e o Programa SUPPRESSOR mostra que o Brasil já domina elementos importantes de uma transformação que está alterando o combate no mar, com plataformas não tripuladas assumindo missões de vigilância, guerra de minas, ataque, defesa antiaérea e operação em rede 



*LRCA Defense Consulting - 16/09/2026

Uma embarcação sem tripulação navega no mar, executa uma missão complexa e permanece sob supervisão de um centro de operações situado a centenas de quilômetros. No setor civil, a imagem já deixou o campo das projeções. No Brasil, a TideWise vem empregando seus USVs Tupan em operações offshore e demonstrando que autonomia, sensoriamento e comando remoto podem ser combinados em missões reais.

Uma reportagem publicada pelo Olhar Digital em agosto chamou atenção para essa capacidade ao relatar uma operação do Tupan supervisionada a mais de 300 quilômetros de distância. O dado, observado isoladamente, já é relevante para a indústria marítima. Quando colocado ao lado da evolução dos sistemas não tripulados na Ucrânia e no Oriente Médio, entretanto, assume outra dimensão: tecnologias semelhantes estão contribuindo para uma transformação da guerra naval.

A questão para o Brasil, portanto, não é apenas se embarcações autônomas podem reduzir custos ou retirar pessoas de atividades perigosas. É saber como a capacidade tecnológica que já existe no País poderá ser integrada a uma arquitetura militar distribuída, na qual navios tripulados, USVs, veículos submarinos, aeronaves não tripuladas, sensores e centros de comando atuem como componentes de uma mesma rede.


O Tupan demonstra a tecnologia no mundo real 
A TideWise, fundada em 2019, desenvolveu o Tupan, primeira embarcação não tripulada registrada na Marinha do Brasil, em 2020. Desde então, a plataforma avançou de demonstrações para operações comerciais. Em dezembro de 2025, por exemplo, o Tupan II realizou para a Petrobras um levantamento hidrográfico pós-dragagem no Porto de Imbetiba, em Macaé, percorrendo 27 milhas náuticas de linhas de sondagem em operação 100% remota. Segundo a empresa, a missão reduziu o tempo no mar em 33%, otimizou o processamento de dados em 57%, eliminou a exposição de pessoal a bordo e reduziu a pegada de carbono em 75%.

Em abril de 2026, TideWise, Petrobras e UFES iniciaram outra prova de conceito, desta vez para levantamento hidrográfico e geofísico na área piloto do futuro Parque Eólico Offshore RJ-02-Aracatu e ao longo do traçado de seu cabo submarino, próximo ao Porto do Açu. O Tupan foi empregado com batimetria multifeixe, sonar de varredura lateral e perfilador de subfundo.

O próprio LRCA registrou outra missão particularmente significativa: o Tupan II realizou coleta autônoma de DNA ambiental a mais de 200 quilômetros da costa, permanecendo cerca de 143 horas em navegação ininterrupta e operando nas proximidades de uma plataforma de produção. Essas experiências ajudam a demonstrar persistência, navegação autônoma, integração de sensores e operação remota em condições reais, atributos diretamente relevantes para aplicações militares.

Do uso dual ao Programa SUPPRESSOR 
A passagem da tecnologia civil para a defesa já está em curso. Em parceria com a EMGEPRON, a TideWise desenvolve o Programa SUPPRESSOR, voltado a embarcações não tripuladas para guerra de minas, guerra antissubmarino e patrulha naval.

O SUPPRESSOR-X, demonstrador tecnológico da família, participou em novembro de 2025 do exercício ARAMUSS e da MINEX-2025. Durante o ARAMUSS, realizou lançamento e recolhimento automáticos de um ROV da BRS Robótica Submarina e completou, em 45 minutos, as etapas de busca, classificação e identificação de uma mina de exercício. Poucos dias depois, na Base Naval de Aratu, repetiu a capacidade com identificação positiva de minas navais inertes.

Na mesma ocasião, a EMGEPRON e a Marinha do Brasil assinaram protocolo de intenções para possível aquisição de quatro unidades do SUPPRESSOR 7. O programa também teve sua mobilidade estratégica testada: SUPPRESSOR 7, SUPPRESSOR 11 e a Base Operacional Móvel foram avaliados quanto à compatibilidade com o KC-390 Millennium, permitindo conceber o deslocamento rápido do sistema para diferentes pontos do litoral.

Esse conjunto é importante porque mostra que o Brasil não parte do zero. Já existem plataforma, software, integração com sensores e veículos submarinos, experiência operacional e uma arquitetura logística em desenvolvimento. 


A Ucrânia transformou o drone naval em arma de negação do mar 
A guerra na Ucrânia oferece a referência mais contundente sobre o efeito militar dessas tecnologias. Sem dispor de uma esquadra de superfície comparável à russa, a Ucrânia combinou mísseis antinavio, ataques de longo alcance, inteligência e embarcações não tripuladas para impor severas restrições à Frota do Mar Negro. O RUSI observa que essa combinação contribuiu para afastar parte importante da força naval russa de Sevastopol e criar uma ameaça de negação de área em águas relativamente confinadas.

O efeito estratégico não decorre apenas do número de navios destruídos. Uma plataforma barata e difícil de detectar pode obrigar o adversário a instalar barreiras, reforçar vigilância, deslocar helicópteros e aeronaves para defesa, manter sistemas de armas permanentemente alertas e retirar unidades de bases consideradas vulneráveis. Em outras palavras, o USV pode produzir efeitos muito superiores ao seu próprio valor financeiro.

De embarcação explosiva a plataforma multimissão 
A evolução ucraniana também desmontou a ideia de que o drone naval seria apenas um 'barco-bomba'. A família Magura passou por sucessivas adaptações. Em maio de 2025, a inteligência militar ucraniana afirmou que plataformas Magura V7 armadas com mísseis AIM-9 destruíram dois caças russos Su-30 sobre o Mar Negro. Pouco depois, foram apresentados publicamente Magura V5, V6P e V7 em configurações destinadas a ataque naval, emprego multifuncional, defesa antiaérea e uso de módulo de metralhadora.

A evolução continuou. Na parada ucraniana de sistemas não tripulados de agosto de 2026, foram exibidos Magura V7 com sistema de mísseis Sea Dragon, o maior Magura MV11 configurado como transportador de drones interceptadores e variantes Sargan capazes de levar quadricópteros de ataque, foguetes de 122 mm, sistemas de guerra eletrônica e defesa antiaérea.

O significado tático é profundo: o USV deixa de ser uma arma com finalidade única e passa a ser uma plataforma modular. Dependendo da carga útil, pode observar, retransmitir comunicações, transportar outros drones, realizar guerra eletrônica, lançar armas ou atuar como sensor avançado de uma força naval.

O Oriente Médio mostra a força da ameaça assimétrica 
No Mar Vermelho, os houthis demonstraram outra vertente do problema. O U.S. Central Command registrou repetidamente o emprego ou preparação de USVs contra navios militares e mercantes. Em 12 de junho de 2024, um USV atingiu o cargueiro M/V Tutor, provocando graves danos e inundação na praça de máquinas.

A experiência do Mar Vermelho reforça uma lição distinta da ucraniana. Mesmo quando sistemas não tripulados não conseguem atingir grandes combatentes de superfície, eles podem ameaçar navios mercantes, meios logísticos e infraestrutura marítima, obrigando forças muito mais sofisticadas a dedicar sensores, aeronaves, munições e horas de operação à sua neutralização.

O RUSI chama atenção exatamente para essa assimetria: navios de guerra bem defendidos demonstraram elevada capacidade de sobrevivência, mas unidades menos protegidas, embarcações auxiliares e o tráfego comercial permanecem muito mais expostos. A guerra de minas, por sua vez, torna-se um campo especialmente atraente para sistemas não tripulados, pois permite afastar tripulações da zona de maior risco.

O próximo passo: um USV transportando outros robôs 

Talvez uma das implicações mais importantes seja a transformação do USV em plataforma para outros sistemas não tripulados. A experiência ucraniana já aponta nessa direção. Um veículo de superfície pode transportar UAVs de reconhecimento ou ataque, drones interceptadores, ROVs, sonares, sensores de inteligência eletrônica e repetidores de comunicações.

O conceito encontra paralelo direto no que o SUPPRESSOR-X já demonstrou ao lançar e recolher automaticamente um ROV. Em vez de pensar o veículo apenas como uma embarcação, passa a ser possível imaginá-lo como um nó móvel capaz de levar sensores e outros robôs até uma área de interesse, operar durante longos períodos e transmitir informações para centros de comando muito distantes.

Para a Marinha do Brasil, isso abre possibilidades particularmente relevantes na guerra de minas, vigilância de áreas marítimas, proteção de infraestrutura crítica, guerra antissubmarino e inteligência, vigilância e reconhecimento. 

Da plataforma isolada para a frota híbrida 
O movimento não está restrito aos países envolvidos diretamente nos conflitos. Em relatório publicado em junho de 2026, o Government Accountability Office dos Estados Unidos afirmou que as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio demonstram que sistemas robóticos e autônomos estão perturbando a guerra naval e desafiando formas tradicionais de superioridade marítima.

Segundo o GAO, a U.S. Navy pretende avançar para uma frota híbrida, na qual capacidades menores, mais numerosas e distribuídas complementem navios, submarinos e aeronaves convencionais de alto valor. A lógica não elimina as grandes plataformas. Ao contrário, procura ampliar sua consciência situacional, alcance e capacidade de sobrevivência por meio de uma camada de sistemas distribuídos e, em alguns casos, sacrificáveis.

Essa distinção é essencial. Fragatas, submarinos e navios-aeródromos não se tornam obsoletos porque existem drones navais. O que muda é a composição do sistema de combate: uma parcela crescente das missões de maior risco, persistência ou repetitividade poderá ser transferida para plataformas sem tripulação. 


A IA muda a escala da operação 

Há, entretanto, uma diferença entre teleoperar uma embarcação e construir uma verdadeira força autônoma. Se cada USV exigir um operador dedicado durante toda a missão, parte do ganho de escala desaparece. A mudança decisiva ocorre quando a automação permite que um operador supervisione diversos veículos, intervindo principalmente diante de situações anormais ou decisões de comando.

Nesse modelo, algoritmos podem assumir tarefas como manutenção de rota, prevenção de colisões, controle de formação, gerenciamento de sensores e resposta a contingências previamente estabelecidas. O ser humano permanece no ciclo decisório, especialmente quando há emprego de força, mas deixa de executar manualmente cada movimento da plataforma.

É aí que inteligência artificial e autonomia deixam de representar apenas conveniência tecnológica e passam a produzir massa operacional. Um centro remoto poderia supervisionar diversos USVs e estes, por sua vez, poderiam controlar ou lançar outros sistemas, criando uma rede de sensores e efetores espalhada por extensa área marítima.

A Amazônia Azul oferece um cenário natural para essa transformação

Para o Brasil, a discussão possui uma dimensão geográfica evidente. A Marinha precisa acompanhar uma extensa área marítima e proteger portos, terminais, plataformas de petróleo e gás, cabos submarinos, rotas comerciais e outros ativos estratégicos. Manter meios tripulados permanentemente próximos a todos esses pontos é operacional e economicamente difícil.

Sistemas não tripulados persistentes podem ampliar a presença sem exigir proporcional aumento do número de grandes navios e tripulações. USVs poderiam funcionar como piquetes de sensores, patrulhar áreas predefinidas, investigar contatos, apoiar operações de guerra de minas, transportar ROVs e UAVs ou fornecer dados para unidades tripuladas que permanecessem fora das zonas de maior risco.

A mobilidade estratégica demonstrada pelo Programa SUPPRESSOR acrescenta outra possibilidade. Sistemas transportáveis por KC-390 e apoiados por bases móveis poderiam ser deslocados rapidamente entre diferentes regiões do litoral, reforçando temporariamente áreas consideradas críticas. 


Autonomia também cria vulnerabilidades
A experiência de combate também recomenda cautela. USVs dependem de navegação, comunicações, sensores, processamento embarcado e software. Todos esses elementos podem ser atacados. Interferência ou falsificação de sinais GNSS, bloqueio de enlaces, guerra eletrônica, ataques cibernéticos e captura física da plataforma tornam-se parte da disputa.

Quanto maior a distância entre o centro de controle e o veículo, maior a importância da resiliência das comunicações e da capacidade de continuar a missão durante períodos de perda de enlace. Isso conduz inevitavelmente a graus maiores de autonomia embarcada, mas também amplia os desafios de segurança, certificação, regras de engajamento e controle humano.

Há ainda uma questão industrial. Para que uma capacidade militar desse tipo seja verdadeiramente soberana, não basta fabricar o casco no Brasil. Processadores, sistemas de navegação, comunicações criptografadas, enlaces satelitais, sensores, software de autonomia, inteligência artificial e componentes eletrônicos críticos tornam-se parte da mesma equação estratégica.

Uma oportunidade para a Base Industrial de Defesa 
Nesse aspecto, a trajetória da TideWise merece atenção além da própria empresa. O desenvolvimento do Tupan e do SUPPRESSOR mostra a possibilidade de uma tecnologia de uso dual criar escala no mercado civil e, simultaneamente, gerar capacidades militares. Clientes comerciais, operações offshore e expansão internacional podem contribuir para sustentar competências industriais que seriam difíceis de manter exclusivamente com encomendas de defesa.

O Brasil dispõe ainda de outros projetos de sistemas não tripulados de superfície, submarinos e aéreos. O ARAMUSS 2025 reuniu, ao lado do SUPPRESSOR, o VSNT do CASNAV, o LAUV Triton, o FlatFish e o NAURU, mostrando que já existe um ecossistema nacional que pode ser explorado de forma integrada.

O desafio passa a ser transformar projetos e demonstrações em doutrina, escala, interoperabilidade e capacidade operacional permanente.

A pergunta já mudou 
A experiência da Ucrânia mostra que uma força naval inferior pode usar sistemas não tripulados para impor custos e restringir a liberdade de ação de uma potência naval superior. O Mar Vermelho demonstra que plataformas relativamente simples podem ameaçar o tráfego comercial e obrigar forças avançadas a gastar recursos consideráveis para proteger linhas marítimas. Os Estados Unidos, por sua vez, já tratam sistemas robóticos como componentes de uma futura frota híbrida.

No Brasil, o Tupan demonstra que embarcações autônomas podem realizar missões reais no ambiente offshore, enquanto o Programa SUPPRESSOR leva essa competência para problemas militares concretos, como guerra de minas, patrulha e guerra antissubmarino.

Por isso, talvez a pergunta relevante já não seja se a Marinha do Brasil precisará incorporar embarcações autônomas em maior escala.

A questão passa a ser quantas serão necessárias, quais missões deverão cumprir, qual grau de autonomia terão e, principalmente, como serão integradas aos navios, submarinos, aeronaves, satélites, centros de comando e demais sistemas que defendem a Amazônia Azul.

A guerra naval não tripulada deixou de ser uma hipótese. Ela já está sendo testada diariamente em combate. Para o Brasil, a oportunidade está em transformar a capacidade tecnológica que já possui em vantagem operacional antes que essa transformação deixe de ser oportunidade e passe a ser requisito.

18 agosto, 2026

TideWise mira expansão global às vésperas do lançamento do Suppressor 7

Deeptech carioca de embarcações autônomas amplia operação na Bélgica e capta investimentos enquanto o programa de defesa desenvolvido com a EMGEPRON se prepara para lançar ao mar sua primeira unidade operacional 



*LRCA Defense Consulting - 18/08/2026

A TideWise, deeptech sediada no Rio de Janeiro especializada em embarcações de superfície não tripuladas (USVs), formalizou nas últimas semanas sua expansão para a Europa, com a abertura de um escritório e a assinatura de um primeiro contrato na Bélgica. A movimentação ocorre em paralelo a uma rodada de investimentos aberta pela empresa e antecede por poucos dias um marco relevante do seu programa de defesa: segundo ata do Conselho de Administração da EMGEPRON (Empresa Gerencial de Projetos Navais) de 30 de abril de 2026, o lançamento ao mar do Suppressor 7, primeira unidade operacional da série desenvolvida em parceria com a estatal, está previsto para o dia 24 de agosto.

Fundada em 2019 pelo engenheiro naval Rafael Coelho, CEO da empresa, e pelo engenheiro de software francês Sylvain Joyeux, CTO, a TideWise projetou e construiu o USV Tupan, primeira embarcação não tripulada registrada na Marinha do Brasil, em 2020. Dois anos depois, a companhia já operava fora do País: em 2022, realizou na Bélgica a primeira inspeção mundial de parques eólicos offshore a integrar USV e drone, um indício de que a presença europeia da TideWise antecede em quatro anos o anúncio mais recente.

Suppressor: da vigilância submarina ao protocolo de intenções 

No Brasil, a trajetória da TideWise se consolidou principalmente pela parceria com a EMGEPRON no Programa Suppressor, voltado ao desenvolvimento de embarcações autônomas de superfície para guerra de minas, guerra antissubmarino e patrulha naval. O piloto tecnológico da série, o Suppressor-X, passou por dois testes decisivos em novembro de 2025: no dia 12, durante o exercício naval Aramuss, realizou pela primeira vez o lançamento e o recolhimento automáticos de um ROV (fabricado pela BRS Robótica Submarina), concluindo em 45 minutos as etapas de busca, classificação e identificação de uma mina de exercício; nos dias 17 e 18, na Base Naval de Aratu (BA), repetiu o desempenho durante a operação MINEX-2025, com identificação positiva de minas navais inertes.

Foi também durante o Aramuss que a EMGEPRON e a Marinha do Brasil assinaram um protocolo de intenções para a possível aquisição de quatro unidades do Suppressor 7, sinalização que projeta o programa para além da fase de demonstração tecnológica. Em outubro de 2025, o sistema já havia passado por testes de compatibilidade de embarque no cargueiro KC-390 Millennium, da Embraer, no Primeiro Esquadrão do Primeiro Grupo de Transporte, na Base Aérea do Galeão (RJ): confirmou-se que os USVs Suppressor 7 e Suppressor 11, além da Base Operacional Móvel do sistema, atendem aos requisitos de dimensão, peso e condições técnicas para deslocamento aéreo rápido a portos ou zonas costeiras estratégicas.

O cronograma de lançamento do Suppressor 7 sofreu um ajuste ao longo do processo: previsões anteriores, incluindo um comunicado da própria EMGEPRON em novembro de 2025, indicavam julho de 2026. A ata do conselho de administração de abril deste ano fixou a nova data em 24 de agosto, com comissionamento programado para abril de 2027, segundo apuração da publicação especializada Janes. Até o fechamento desta matéria, a embarcação não havia sido lançada ao mar. 

Testes de compatibilidade de embarque no cargueiro KC-390 Millennium, da Embraer

Antuérpia como porta de entrada para a Europa 
A base europeia da TideWise, batizada TideWise Europe, está sediada em Antuérpia e já era mencionada publicamente pela empresa desde outubro de 2025, quando integrava a lista de próximos marcos apresentada durante a cerimônia de batismo dos USVs Tupan II e Tupan III, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Segundo Rafael Coelho, a Bélgica funciona como porta de entrada para o continente europeu, de onde a empresa pretende avançar para outros mercados, como Alemanha e França, e, num horizonte mais distante, para o Oriente Médio, a Malásia e a Austrália, inclusive por meio de eventuais aquisições de empresas locais.

Para sustentar essa expansão, a empresa mantém uma rodada de investimentos aberta, que deve financiar tanto a escalada europeia quanto a ampliação da frota no Brasil. A TideWise projeta faturamento de cerca de R$ 30 milhões em 2026, já com receita contratada, e deve encerrar o ano com aproximadamente 63 funcionários, acima da estimativa inicial. Desde a fundação, a empresa já captou cerca de R$ 15 milhões em rodadas de investimento, incluindo um aporte de R$ 10 milhões liderado pela MSW Capital, por meio do fundo MultiCorp 2, que tem a Embraer, a BB Seguros, a Baterias Moura e a AgeRio como cotistas, uma participação indireta que conecta a fabricante aeroespacial brasileira ao ecossistema da TideWise.

No mercado offshore, a lista de clientes da empresa inclui a Petrobras, a Equinor, a Repsol Sinopec Brasil e a Shell, além da própria EMGEPRON. Segundo Coelho, a indústria de apoio marítimo enfrenta um desequilíbrio crescente entre oferta e demanda de embarcações, o que deve pressionar os preços para cima e reforça o interesse de operadoras como Petrobras e Shell em tecnologias autônomas: um USV de cerca de 19 metros pode substituir uma embarcação de aproximadamente 60 metros, com economia estimada entre 30% e 40% para as companhias.

Tecnologia de uso dual: da defesa ao monitoramento ambiental 

A mesma plataforma que sustenta o programa de defesa também opera em aplicações civis. Cerca de três meses atrás, o USV Tupan II concluiu, em parceria com a Bio Bureau Biotecnologia, a Equinor e o MBARI (Monterey Bay Aquarium Research Institute), uma missão de coleta autônoma de DNA ambiental (eDNA) a mais de 200 quilômetros da costa, com cerca de 143 horas de navegação ininterrupta. A embarcação partiu do porto sob ondulação de 3,5 metros e chegou a coletar amostras em posicionamento dinâmico dentro de um raio de 500 metros de uma plataforma de produção em operação plena, reunindo cerca de 50 amostras processadas com a tecnologia de amostragem 3G ESP, do MBARI. A operação, financiada dentro da cláusula de pesquisa, desenvolvimento e inovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) em projeto da Bio Bureau com a Equinor, é descrita pela Bio Bureau como a primeira campanha autônoma de monitoramento de biodiversidade offshore realizada em um campo de petróleo no País.

Ainda no plano internacional, a TideWise participou, no primeiro semestre deste ano, da 111ª sessão do Comitê de Segurança Marítima da Organização Marítima Internacional (IMO), que adotou o primeiro código internacional para embarcações autônomas (MASS Code), e marcou presença em feiras como a Oceanology International, em Londres, e o Industry Days, em Bruxelas. A empresa soma ainda reconhecimentos como a seleção para o selo KPMG Emerging Giants, o título de uma das 50 startups mais promissoras do globo pelo Enterprise Singapore e uma capa da revista Uncrewed Systems Technology. 


Um setor que amadurece 
Ao avaliar o cenário global do setor após a Oceanology International 2026, Rafael Coelho descreveu a passagem de uma fase de early adopter para uma de early majority: o debate teria deixado de girar em torno de provar a tecnologia para se concentrar em escalar operações com confiabilidade e padrões rigorosos. Segundo o CEO, contratos de USVs passaram a refletir a realidade operacional das plataformas, os softwares deixaram de operar como sistemas fechados e os ROVs compactos ganharam robustez, com um novo patamar de referência de resistência a 400 metros de profundidade. Coelho também chamou atenção para a consolidação do setor, com movimentos de fusão e aquisição, e para o avanço da qualidade dos produtos chineses, hoje considerados concorrentes genuínos no segmento de alta especificação técnica, uma dinâmica que tem se refletido também nos debates sobre a presença de equipamentos de origem chinesa no setor de defesa brasileiro.

Com o lançamento do Suppressor 7 previsto para os próximos dias e a expansão europeia em curso, a TideWise projeta consolidar, ao mesmo tempo, sua posição como fornecedora de tecnologia dual para a Marinha do Brasil e como exportadora de um segmento ainda incipiente na Base Industrial de Defesa nacional: o de sistemas navais autônomos.

11 novembro, 2025

Marinha do Brasil e EMGEPRON investem em mobilidade estratégica com o VSNT SUPPRESSOR

 
*LRCA Defense Consulting - 11/11/2025

Nesta terça-feira, 11 de novembro de 2025, durante o exercício naval ARAMUSS-2025, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) teve um papel de destaque ao firmar um Protocolo de Intenções para a possível futura aquisição do Veículo de Superfície Não Tripulado (VSNT) SUPPRESSOR pela Marinha do Brasil. O documento foi assinado na presença do Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes, Diretor de Gestão de Programas da Marinha, reforçando a cooperação estratégica entre a Marinha e a EMGEPRON, com foco no fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira e no desenvolvimento de tecnologias militares avançadas.​

O VSNT SUPPRESSOR é uma embarcação autônoma multipropósito de 7 metros de comprimento, movida a diesel, equipada com avançados sensores de navegação, sonar multifeixe, LIDAR 360°, câmeras FLIR e um Veículo Operado Remotamente (ROV). Desenvolvido em parceria com a startup brasileira TideWise, o SUPPRESSOR é projetado para atuar em missões diversas, como varredura de minas navais, guerra anti-submarino, vigilância marítima, monitoramento de tráfego naval, pesquisas oceanográficas e combate a atividades ilícitas em águas jurisdicionais restritas, inclusive na Amazônia Azul.​

O projeto representa um marco tecnológico na América Latina, sendo o primeiro programa dedicado à construção de embarcações autônomas multipropósito para fins de defesa e segurança na região. O VSNT poderá ser operado remotamente ou autonomamente, com uma estação de controle móvel instalada em um contêiner padrão de 20 pés. A primeira unidade está prevista para ser entregue até o final de 2025, com um orçamento estimado em 20 milhões de reais.​

Além da assinatura do protocolo, o ARAMUSS-2025 contou com um ciclo de palestras em que o sistema SUPPRESSOR foi apresentado detalhadamente, destacando sua importância para a defesa da Amazônia Azul, região estratégica para o Brasil. Também foram exibidos outros projetos e sistemas inovadores da EMGEPRON, demonstrando o comprometimento da Marinha com a modernização tecnológica e a interoperabilidade operacional.​

O protocolo assinado no ARAMUSS-2025 materializa a ambição do Brasil de ampliar sua autonomia tecnológica e capacidade naval por meio da incorporação de sistemas autônomos inovadores, fortalecendo a segurança nacional e a soberania marítima em um contexto regional e global cada vez mais exigente. A cooperação com empresas nacionais, como a EMGEPRON e a TideWise, representa também um avanço para a indústria de defesa brasileira, promovendo geração de empregos, inovação e independência tecnológica.

25 outubro, 2025

Drone naval brasileiro revoluciona operações da Marinha no exercício ARAMUSS 2025

 


*LRCA Defense Consulting - 25/10/2025

A EMGEPRON, em parceria com a TideWise, terá papel de destaque no exercício naval ARAMUSS - ARATU MARITIME UNMANNED SYSTEMS SIMULATION, promovido pelo Comando do 2º Distrito Naval e sediado entre 10 e 14 de novembro na Base Naval de Aratu, Bahia. A iniciativa marca um passo decisivo na introdução de sistemas navais autônomos no âmbito da Marinha do Brasil, com foco no desenvolvimento tecnológico nacional e no aumento da eficiência operacional das Forças Armadas. 

O VSNT - veículo de superfície não tripulado (drone naval) SUPPRESSOR-X
O ponto alto da participação será a apresentação do SUPPRESSOR-X, uma embarcação autônoma que funciona como plataforma demonstradora das capacidades desenvolvidas para os modelos SUPPRESSOR-7 e SUPPRESSOR-11. O SUPPRESSOR-X incorpora sistemas avançados de navegação autônoma, sensores para detecção hidrográfica e equipamentos para identificação de artefatos explosivos, sendo capaz de operar em cenários complexos e perigosos sem exposição humana direta. 

Durante o ARAMUSS, o SUPPRESSOR-X participará de simulações de guerra de minas, com demonstrações de suas habilidades para detectar e identificar minas marítimas e realizar levantamentos hidrográficos detalhados na região costeira de Aratu. No dia 11 de novembro, a embarcação será apresentada em exposição estática, seguida por demonstrações práticas nos dias 12 e 13, ampliando o conhecimento sobre operações navais robotizadas no contexto brasileiro. 

Importância para a Marinha do Brasil
A introdução de plataformas como o SUPPRESSOR-X representa um avanço estratégico para a Marinha do Brasil, proporcionando aumento na capacidade de vigilância marítima, proteção de rotas navais e combate a ameaças assimétricas, como minas e explosivos submersos. Por operar de forma autônoma ou remotamente controlada, esse tipo de drone naval contribui para a redução de riscos ao pessoal, além de ampliar o alcance e a rapidez da resposta diante de situações críticas.

Essa inovação reforça o compromisso da Marinha com a modernização, inserindo a força naval brasileira no seleto grupo de marinhas mundiais que investem em veículos não tripulados de última geração para missões de segurança, resgate e defesa. 

Avanços em inovação e tecnologia nacional
A parceria entre EMGEPRON e TideWise também enfatiza o fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira. O desenvolvimento de embarcações autônomas como o SUPPRESSOR-X fortalece o domínio nacional de tecnologias sensíveis e gera oportunidades de transferência de conhecimento, capacitação especializada e geração de empregos de alta qualificação. 

O evento ARAMUSS, ao reunir estandes, workshops e mesas com especialistas da área e autoridades, também fomenta debates sobre legislação, estratégias e desafios para adoção de sistemas navais autônomos no Brasil. Isso posiciona o país como pioneiro na América Latina na integração de plataformas autônomas ao poder naval, abrindo portas para exportação de tecnologia e reconhecendo o potencial inovador da indústria nacional.

Panorama Geral

  • O SUPPRESSOR-X integra sensores de última geração para detecção de objetos submersos e coleta de dados oceanográficos.

  • Demonstrações práticas incluem guerra de minas e levantamentos hidrográficos.

  • Evento destaca sinergia entre Marinha, indústria nacional e centros de pesquisa.

  • Participação ativa em painéis de discussão, com ênfase em desafios regulatórios e perspectivas para o setor de defesa autônoma no Brasil.

Os investimentos em drones navais e embarcações autônomas simbolizam uma transformação no paradigma da defesa marítima brasileira, consolidando a EMGEPRON e a TideWise como protagonistas do avanço tecnológico e operacional da Marinha do Brasil.

Postagem em destaque