Fabricante brasileira negocia encomendas com Air India e IndiGo após ter firmado acordo com o Grupo Adani; Dholera, em Gujarat, desponta como
sede da linha de montagem.
*LRCA Defense Consulting - 22/02/2026
A fabricante aeroespacial brasileira Embraer tem uma meta clara para desembarcar definitivamente na Índia com produção local: conseguir pedidos firmes de mais de 200 aeronaves de companhias aéreas indianas. Esse volume é considerado pelo presidente e CEO da empresa, Francisco Gomes Neto, o patamar mínimo para tornar viável a instalação de uma Linha de Montagem Final (FAL, na sigla em inglês) no país para aeronaves comerciais de asa fixa.
"Sendo o mercado de aviação que mais cresce no mundo, a Índia precisará de pelo menos 500 jatos regionais nos próximos anos. Precisamos de um pedido firme de 200 aeronaves para que a FAL seja viável." - Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer
Em sua primeira visita à Índia após a assinatura, no mês passado, de um memorando de entendimento com o Grupo Adani para a instalação da FAL, Gomes Neto detalhou o cronograma ao jornal Times of India: a linha de montagem pode ser erguida em 24 meses após o início das obras, o que, caso os pedidos sejam firmados ainda em 2026, resultaria na entrega dos primeiros jatos em 2028.
Caso o volume de encomendas demore a se materializar, a Embraer avalia uma solução intermediária: um "centro de conclusão", onde aeronaves produzidas no Brasil voariam até a Índia para receber pintura, instalação de assentos e acabamentos internos antes de serem entregues aos operadores locais.
Números-chave do projeto
- 200 pedidos firmes necessários para viabilizar a FAL
- 24 meses estimados para montar a linha de produção
- Entrega dos primeiros jatos prevista para 2028, se pedidos vierem em 2026
- Aeronave-alvo: E175, de 76 a 88 passageiros
- Mais de 15 fornecedores indianos já na cadeia da Embraer
- Dholera (Gujarat) é o principal candidato para sediar a fábrica
Na pauta das reuniões durante a visita estão os principais grupos da aviação indiana. Gomes Neto se encontrou com executivos da Air India, braço aéreo do Grupo Tata, e tem encontros programados com a IndiGo, maior companhia aérea do país em número de passageiros. O modelo a ser montado localmente é o E175, jato regional com capacidade para 76 a 88 passageiros, voltado a rotas de curta e média distância. Atualmente, oito unidades do E175 operam na Star Air e uma integra a frota da Reliance Industries.
O compromisso com o programa "Make in India" do governo Modi vai além da montagem. A Embraer trabalha há cerca de um ano e meio na construção de uma base de fornecedores locais para abastecer inclusive as fábricas no Brasil. Recentemente, foi assinado um memorando com a Hindalco para explorar oportunidades na fabricação de alumínio aeronáutico. No segmento de defesa, a empresa também monitora o programa da Força Aérea Indiana para aeronaves de transporte médio, no qual pretende oferecer o cargueiro militar C-390 Millennium, incluindo capacidade de manutenção, reparo e revisão (MRO) no país caso seja selecionada.
Até hoje, a Embraer mantém linhas de montagem final apenas no Brasil, onde produz aeronaves comerciais e de defesa, e nos Estados Unidos, exclusivamente para jatos executivos, além de fabricar alguns componentes em Portugal. A Índia seria, portanto, sua primeira plataforma de produção comercial fora do continente americano. "Estamos vindo para a Índia principalmente para atender o mercado indiano. Uma vez estabelecidos aqui, buscaremos atender também mercados próximos a partir da Índia", afirmou o CEO.

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