*LRCA Defense Consulting - 11/02/2026
A Marinha do Brasil, por
meio do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), celebrou na terça-feira (10/2) um
Protocolo de Intenções com a Taurus Armas S.A., maior fabricante de armas leves
do mundo, para o desenvolvimento de novos sistemas de armas leves e coletivas nos calibres 5,56, 7,62 e .50, além do inédito drone armado, destinados
às tropas anfíbias, ampliando assim a capacidade tecnológica nacional. A cerimônia, realizada na histórica Fortaleza de São José,
no Centro do Rio de Janeiro, contou com o apoio institucional do Banco Nacional
de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Desenvolvimento tecnológico e autonomia
estratégica
A
parceria nasce com a missão de traduzir as necessidades operacionais reais dos
Fuzileiros Navais em soluções tecnológicas efetivas. O foco principal está no
desenvolvimento de estudos para novos sistemas de armas leves e coletivas, além
de drones armados, projetados especificamente para os diversos ambientes onde a
Marinha opera, desde operações anfíbias em zonas costeiras até missões em rios
e regiões de mata.
De
acordo com o Comandante-Geral do CFN, Almirante de Esquadra Carlos Chagas
Vianna Braga, a iniciativa representa uma conquista coletiva. "O
armamento empregado pelo Fuzileiro Naval deve ser sempre o mais confiável.
Disso depende a segurança dele, de todas as pessoas que estão à sua volta e
daqueles que ele está protegendo. Assim, a busca por armamento desenvolvido especificamente para atender plenamente aos nossos requisitos operacionais representa uma excelente oportunidade", destacou o comandante.
O
protocolo estabelece que o CFN será responsável por identificar as necessidades
específicas da tropa e orientar o desenvolvimento dos equipamentos, garantindo
que estejam alinhados aos objetivos da Força Naval. Além disso, conduzirá a
avaliação prática dos produtos em ambiente operacional, visando homologar os
novos materiais e assegurar que suportem as exigências das missões reais.
Taurus amplia atuação no segmento militar
A
Taurus Armas, fundada há 86 anos e com sede em São Leopoldo (RS), vem
investindo fortemente no segmento militar, que representa cerca de 39% do
mercado mundial de armas leves. A empresa, que possui unidades produtivas no
Brasil, Estados Unidos e Índia, apresentou recentemente sua linha militar em
eventos internacionais, incluindo a DSEI 2025 no Reino Unido e a World Defense
Show 2026 na Arábia Saudita.
Entre
os destaques do portfólio militar da Taurus estão os fuzis T4 (calibres 5,56mm
e .300 Blackout) e T10 (7,62mm), plataformas versáteis e modulares projetadas
para missões que exigem alta confiabilidade. A empresa também lançou a pistola
TX9, desenvolvida sob protocolo militar com sistema modular que permite
adaptação a diferentes perfis de emprego, e a submetralhadora RPC, ambas em
calibre 9×19mm.
Segundo
o CEO Global e Diretor Presidente da Taurus, Salesio Nuhs, a parceria com o CFN
marca um passo decisivo. "Essa colaboração com os Fuzileiros Navais
para nós é extremamente importante. Estamos dando um passo decisivo dentro da
Taurus, indo em direção ao mercado de armamento militar, que são as Minimi e calibre 5.56 mm, a 7.62 mm, e a .50. Isso é uma tecnologia que nós estamos desenvolvendo. O Brasil, a nossa Base Industrial de Defesa, tem que ampliar os seus horizontes, tem que ampliar a sua área de atuação", afirmou.
A
Taurus atuará como o braço industrial e tecnológico da aliança, mobilizando sua
equipe técnica especializada para propor soluções inovadoras que atendam aos
requisitos definidos pelo CFN. A fabricante também dará suporte direto à
execução dos testes, disponibilizando suas instalações laboratoriais para
garantir a qualidade e eficiência dos produtos.
BNDES e a Nova Indústria Brasil
Durante
a cerimônia, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, formalizou o apoio da
instituição por meio de documento oficial. O banco destacou que a parceria está
em plena sintonia com as missões da Nova Indústria Brasil (NIB), política
industrial lançada em janeiro de 2024 que mobiliza R$ 3,4 trilhões em
investimentos públicos e privados até 2033.
A
Missão 6 da NIB, voltada para a defesa nacional, conta com R$ 112,9 bilhões em
investimentos até 2026, sendo R$ 79,8 bilhões de recursos públicos e R$ 33,1
bilhões do setor privado. As metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de
Desenvolvimento Industrial (CNDI) preveem alcançar 55% de domínio das
tecnologias críticas para a defesa até 2026, e 75% até 2033. Atualmente, o
Brasil domina 42,7% dessas tecnologias.
"Um
dos esforços grandes que o BNDES precisa fazer é o resgate da Indústria
Nacional de Defesa. Hoje estamos trabalhando com a tropa de pronto emprego,
representada pelos Fuzileiros Navais, a única 100% profissional. Nós precisamos
que essa tropa se debruce sobre a produção junto com a Taurus, que possui
tecnologia secular desenvolvida. Eu vejo isso como uma semente promissora,
inclusive para equipamentos mais pesados e mais sofisticados", afirmou Mercadante.
O
BNDES já investiu R$ 205 bilhões nas seis missões da NIB desde janeiro de 2023,
sendo R$ 23,9 bilhões destinados especificamente para a defesa. A instituição
se colocou à disposição para discutir futuras ações conjuntas e analisar o
apoio financeiro a projetos que assegurem avanços tecnológicos e maior conteúdo
local na Base Industrial de Defesa.
Fomento à indústria nacional
A
iniciativa busca contribuir diretamente para o fortalecimento da Base
Industrial de Defesa (BID), priorizando o uso de produtos de alta qualidade
fabricados no Brasil. O objetivo é fomentar o desenvolvimento conjunto de
tecnologias ainda inexistentes no mercado nacional, reduzindo a dependência de
importações e aumentando a autonomia estratégica do país.
O
protocolo, que possui vigência de dois anos, prevê a realização de reuniões
técnicas periódicas para avaliar o andamento dos estudos. As atividades serão
conduzidas em regime de cooperação mútua, sem transferência de recursos
financeiros entre os participantes nesta fase inicial.
Caso
os estudos apontem soluções viáveis, poderão ser propostos futuramente novos
instrumentos jurídicos para a aquisição das tecnologias desenvolvidas. A
parceria também pode abrir caminho para futuras exportações, uma vez que
equipamentos certificados por forças brasileiras ganham maior credibilidade no
mercado internacional de defesa.
Contexto e desafios
A
parceria surge em um momento de modernização das capacidades do Corpo de
Fuzileiros Navais, que busca ampliar sua prontidão com equipamentos de alta
robustez adaptados às demandas de uma força anfíbia. Conforme admitido pelo
comandante-geral do CFN em 2025, a tropa enfrenta desafios relacionados à
obsolescência de equipamentos, com a desativação de obuseiros de 155 milímetros
e envelhecimento de mísseis antiaéreos e carros de combate.
O
programa de investimento PROADSUMUS, voltado para a modernização do CFN, tem
avançado com dificuldades, concentrando-se principalmente em aquisições
relacionadas à mobilidade, que também possibilitam atuação em ações
humanitárias.
Os
Fuzileiros Navais, conhecidos como a tropa de elite da Marinha, são uma força
de pronto emprego de caráter expedicionário, composta exclusivamente por
militares voluntários selecionados e treinados para combate em terra, mar e ar.
Com 217 anos de história, o CFN atua desde operações anfíbias até missões de
paz das Nações Unidas, sendo considerado a infantaria naval mais antiga da
América Latina.
Perspectivas
A
aproximação institucional entre Marinha e Taurus fortalece a Base Industrial de
Defesa ao criar condições para que processos de demonstração, testes de campo e
homologação nacional elevem o nível de autonomia tecnológica do país. A
parceria também se alinha à Estratégia Nacional de Defesa, que desde 2008
destaca a importância de desenvolver capacidades nacionais nos setores
espacial, cibernético e nuclear.
Com
a Taurus investindo fortemente em pesquisa e desenvolvimento (a empresa já
recebeu 38 prêmios internacionais por inovação e qualidade) e o BNDES
mobilizando recursos significativos para a indústria de defesa, a expectativa é
que novos produtos sejam desenvolvidos nos próximos dois anos, contribuindo
para reduzir a dependência de armamentos importados e posicionar o Brasil como
exportador de tecnologia militar.
A
iniciativa representa não apenas um avanço tecnológico, mas também um passo
importante na construção de uma indústria de defesa robusta, capaz de atender
às necessidades das Forças Armadas brasileiras e competir no mercado
internacional.


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