Embraer e Mahindra avançam na preparação de uma linha de montagem e de uma rede de suporte, enquanto disputam o programa indiano de transporte médio
*LRCA Defense Consulting - 01/10/2026
A Embraer e o Grupo Mahindra identificaram Nagpur, no estado de Maharashtra, como a localização proposta para uma linha de montagem final do C-390 Millennium na Índia. Anunciada nesta quinta-feira, 1º de outubro, a definição acrescenta um passo concreto aos preparativos industriais da parceria, que disputa o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. A implantação, porém, depende da seleção do cargueiro brasileiro e da formalização de uma encomenda pelo governo indiano.
Segundo o comunicado, as empresas trabalham com o Governo de Maharashtra para concluir os processos necessários e permitir que a infraestrutura seja implementada rapidamente, caso vençam a concorrência. Vinod Sahay, membro do Conselho Executivo do Grupo Mahindra, agradeceu ao governo estadual pela rápida alocação do terreno em Nagpur. O anúncio não informa a área, o valor do investimento ou o prazo de construção.
Esse é o avanço mais relevante em relação às manifestações recentes da Embraer. A proposta de produção local passa a ter uma cidade identificada e, conforme a declaração da Mahindra, terreno alocado. O movimento fortalece a preparação da candidatura, mas não representa uma decisão de compra da Força Aérea Indiana nem o início anunciado das obras.
Uma parceria que avança para a implantação industrial
A cooperação começou com um memorando de entendimento assinado em fevereiro de 2024. Em outubro de 2025, Embraer e Mahindra firmaram um acordo estratégico que ampliou o trabalho conjunto em industrialização, fabricação, montagem, cadeia de suprimentos e manutenção, reparo e revisão, atividade conhecida pela sigla MRO.
Em fevereiro de 2026, as empresas detalharam a intenção de estabelecer capacidade de MRO na Índia. Agora, a identificação de Nagpur aproxima o planejamento da etapa de implantação física, embora a execução permaneça condicionada ao resultado do programa MTA.
Como o portal LRCA registrou em 27 de setembro, Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, já havia reafirmado a Mahindra como parceira da proposta militar, esclarecendo que a colaboração com o Grupo Adani se concentra na aviação comercial. O comunicado desta quinta-feira acrescenta uma definição territorial e o envolvimento do governo estadual a essa estrutura de cooperação já conhecida.
Para Bosco, a identificação de Nagpur constitui um passo importante na construção de uma base aeroespacial de longo prazo na Índia. Segundo a Embraer, a unidade proposta envolveria conhecimentos de montagem de aeronaves, integração de sistemas, engenharia de manufatura e desenvolvimento de fornecedores locais.
Por que Nagpur importa
Nagpur já abriga atividades aeronáuticas e o projeto MIHAN, que reúne aeroporto, zona econômica especial e áreas destinadas a manufatura e serviços. A infraestrutura regional ajuda a explicar a atratividade da cidade para uma instalação que precisará combinar produção industrial, logística e acesso aeroportuário. Trata-se de uma leitura das condições locais, não de uma justificativa técnica detalhada divulgada por Embraer e Mahindra.
Há um precedente expressivo. Em junho de 2025, a Dassault Aviation e a Reliance anunciaram um acordo para fabricar jatos executivos Falcon 2000 LXS na Índia. O projeto prevê ampliar as instalações da Dassault Reliance Aerospace Limited, no MIHAN, em Nagpur, com a meta anunciada de realizar o primeiro voo de um Falcon 2000 fabricado localmente até 2028.
Esse histórico demonstra que a proposta do C-390 se insere em uma região com atividade aeroespacial e outros projetos de expansão. Não significa, entretanto, que as empresas compartilharão instalações ou fornecedores. O comunicado da Embraer identifica Nagpur, mas não especifica o lote nem confirma que sua unidade ficará dentro da zona econômica especial do MIHAN.
A disputa também envolve indústria e sustentação da frota
A dimensão industrial ocupa posição central na concorrência. Segundo o Financial Express, em reportagem de 29 de setembro, o programa contempla a aquisição de 60 aeronaves e o pedido de propostas foi emitido em agosto. O jornal destaca as ofertas do C-390, com a Mahindra, e do C-130J-30 Super Hercules, com a Tata Advanced Systems. O comunicado atual da Embraer não detalha quantidades ou condições do processo de aquisição.
A candidatura norte-americana conta com uma relação industrial anterior. Em setembro de 2024, a Lockheed Martin e a Tata Advanced Systems anunciaram um acordo abrangendo manutenção na Índia e a possibilidade de ampliar a fabricação e a montagem do C-130J no país, caso obtenham o contrato MTA e as aprovações governamentais necessárias.
A Lockheed Martin também informou, em dezembro de 2025, a realização da cerimônia de início das obras de uma instalação de MRO em Bengaluru. Essa estrutura foi concebida para apoiar uma aeronave que já integra a frota indiana. Assim, a comparação entre as propostas envolve tanto as características dos aviões quanto a capacidade de produzir, manter e sustentar sua operação por décadas.
No caso do C-390, o plano divulgado em fevereiro prevê manutenção básica e pesada, inspeções estruturais, reparo e revisão de componentes, suporte de aviônicos e treinamento. A Embraer também avalia transformar a Índia em um centro regional de manutenção para outros operadores, possibilidade que ainda depende da concretização do projeto.
Montagem local e autonomia operacional
A parceria pretende integrar progressivamente empresas indianas à fabricação, aos serviços de pós-venda e ao suporte durante o ciclo de vida do C-390. A proposta se alinha às iniciativas Make in India e Atmanirbhar Bharat, voltadas à produção local e à autossuficiência indiana.
Do ponto de vista operacional, dispor de manutenção e fornecedores próximos pode reduzir a necessidade de enviar componentes ou aeronaves ao exterior e facilitar a formação de pessoal. Esses benefícios potenciais dependerão, contudo, da profundidade da capacitação efetivamente contratada, dos estoques disponíveis e das responsabilidades atribuídas à indústria local.
O C-390 oferece capacidade de carga útil de até 26 toneladas e foi projetado para operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, segundo a fabricante. Suas missões incluem transporte de tropas e cargas, lançamento aéreo, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e apoio humanitário. A Embraer também informa que a aeronave pode receber configuração de reabastecimento em voo, como reabastecedor e recebedor.
A implantação de uma linha de montagem, por si só, não esclarece o grau de autonomia tecnológica que a Índia terá. O anúncio não apresenta percentuais de conteúdo local, relação de componentes a fabricar, direitos sobre tecnologias ou a divisão de trabalho entre unidades brasileiras e indianas. Esses elementos serão necessários para avaliar o alcance industrial de um eventual contrato.
O significado para a Embraer e o Brasil
Para a Embraer, uma encomenda indiana acompanhada de produção local poderá ampliar a escala do C-390 e sua presença em um mercado que exige participação industrial doméstica. O acordo estratégico de 2025 já estabelecia a ambição de atender necessidades indianas e regionais, e não apenas entregar aeronaves prontas.
Para o Brasil, os possíveis ganhos incluem a expansão internacional de uma plataforma desenvolvida no País e oportunidades de fornecimento e serviços vinculadas ao programa. A dimensão desses benefícios, entretanto, dependerá do contrato e da parcela de trabalho preservada ou ampliada na cadeia brasileira. Sem essa divisão, não é possível quantificar exportações, empregos ou efeitos sobre a produção nacional.
A identificação de Nagpur permite à Embraer e à Mahindra apresentar um planejamento industrial mais definido à Índia. Os próximos marcos relevantes serão a conclusão dos processos locais, a seleção da aeronave e a contratação. Até lá, terreno e preparação industrial são sinais de comprometimento com a proposta, sem constituir garantia de vitória na concorrência.
A Embraer e o Grupo Mahindra identificaram Nagpur, no estado de Maharashtra, como a localização proposta para uma linha de montagem final do C-390 Millennium na Índia. Anunciada nesta quinta-feira, 1º de outubro, a definição acrescenta um passo concreto aos preparativos industriais da parceria, que disputa o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. A implantação, porém, depende da seleção do cargueiro brasileiro e da formalização de uma encomenda pelo governo indiano.
Segundo o comunicado, as empresas trabalham com o Governo de Maharashtra para concluir os processos necessários e permitir que a infraestrutura seja implementada rapidamente, caso vençam a concorrência. Vinod Sahay, membro do Conselho Executivo do Grupo Mahindra, agradeceu ao governo estadual pela rápida alocação do terreno em Nagpur. O anúncio não informa a área, o valor do investimento ou o prazo de construção.
Esse é o avanço mais relevante em relação às manifestações recentes da Embraer. A proposta de produção local passa a ter uma cidade identificada e, conforme a declaração da Mahindra, terreno alocado. O movimento fortalece a preparação da candidatura, mas não representa uma decisão de compra da Força Aérea Indiana nem o início anunciado das obras.
Uma parceria que avança para a implantação industrial
A cooperação começou com um memorando de entendimento assinado em fevereiro de 2024. Em outubro de 2025, Embraer e Mahindra firmaram um acordo estratégico que ampliou o trabalho conjunto em industrialização, fabricação, montagem, cadeia de suprimentos e manutenção, reparo e revisão, atividade conhecida pela sigla MRO.
Em fevereiro de 2026, as empresas detalharam a intenção de estabelecer capacidade de MRO na Índia. Agora, a identificação de Nagpur aproxima o planejamento da etapa de implantação física, embora a execução permaneça condicionada ao resultado do programa MTA.
Como o portal LRCA registrou em 27 de setembro, Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, já havia reafirmado a Mahindra como parceira da proposta militar, esclarecendo que a colaboração com o Grupo Adani se concentra na aviação comercial. O comunicado desta quinta-feira acrescenta uma definição territorial e o envolvimento do governo estadual a essa estrutura de cooperação já conhecida.
Para Bosco, a identificação de Nagpur constitui um passo importante na construção de uma base aeroespacial de longo prazo na Índia. Segundo a Embraer, a unidade proposta envolveria conhecimentos de montagem de aeronaves, integração de sistemas, engenharia de manufatura e desenvolvimento de fornecedores locais.
Por que Nagpur importa
Nagpur já abriga atividades aeronáuticas e o projeto MIHAN, que reúne aeroporto, zona econômica especial e áreas destinadas a manufatura e serviços. A infraestrutura regional ajuda a explicar a atratividade da cidade para uma instalação que precisará combinar produção industrial, logística e acesso aeroportuário. Trata-se de uma leitura das condições locais, não de uma justificativa técnica detalhada divulgada por Embraer e Mahindra.
Há um precedente expressivo. Em junho de 2025, a Dassault Aviation e a Reliance anunciaram um acordo para fabricar jatos executivos Falcon 2000 LXS na Índia. O projeto prevê ampliar as instalações da Dassault Reliance Aerospace Limited, no MIHAN, em Nagpur, com a meta anunciada de realizar o primeiro voo de um Falcon 2000 fabricado localmente até 2028.
Esse histórico demonstra que a proposta do C-390 se insere em uma região com atividade aeroespacial e outros projetos de expansão. Não significa, entretanto, que as empresas compartilharão instalações ou fornecedores. O comunicado da Embraer identifica Nagpur, mas não especifica o lote nem confirma que sua unidade ficará dentro da zona econômica especial do MIHAN.
A disputa também envolve indústria e sustentação da frota
A dimensão industrial ocupa posição central na concorrência. Segundo o Financial Express, em reportagem de 29 de setembro, o programa contempla a aquisição de 60 aeronaves e o pedido de propostas foi emitido em agosto. O jornal destaca as ofertas do C-390, com a Mahindra, e do C-130J-30 Super Hercules, com a Tata Advanced Systems. O comunicado atual da Embraer não detalha quantidades ou condições do processo de aquisição.
A candidatura norte-americana conta com uma relação industrial anterior. Em setembro de 2024, a Lockheed Martin e a Tata Advanced Systems anunciaram um acordo abrangendo manutenção na Índia e a possibilidade de ampliar a fabricação e a montagem do C-130J no país, caso obtenham o contrato MTA e as aprovações governamentais necessárias.
A Lockheed Martin também informou, em dezembro de 2025, a realização da cerimônia de início das obras de uma instalação de MRO em Bengaluru. Essa estrutura foi concebida para apoiar uma aeronave que já integra a frota indiana. Assim, a comparação entre as propostas envolve tanto as características dos aviões quanto a capacidade de produzir, manter e sustentar sua operação por décadas.
No caso do C-390, o plano divulgado em fevereiro prevê manutenção básica e pesada, inspeções estruturais, reparo e revisão de componentes, suporte de aviônicos e treinamento. A Embraer também avalia transformar a Índia em um centro regional de manutenção para outros operadores, possibilidade que ainda depende da concretização do projeto.
Montagem local e autonomia operacional
A parceria pretende integrar progressivamente empresas indianas à fabricação, aos serviços de pós-venda e ao suporte durante o ciclo de vida do C-390. A proposta se alinha às iniciativas Make in India e Atmanirbhar Bharat, voltadas à produção local e à autossuficiência indiana.
Do ponto de vista operacional, dispor de manutenção e fornecedores próximos pode reduzir a necessidade de enviar componentes ou aeronaves ao exterior e facilitar a formação de pessoal. Esses benefícios potenciais dependerão, contudo, da profundidade da capacitação efetivamente contratada, dos estoques disponíveis e das responsabilidades atribuídas à indústria local.
O C-390 oferece capacidade de carga útil de até 26 toneladas e foi projetado para operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, segundo a fabricante. Suas missões incluem transporte de tropas e cargas, lançamento aéreo, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e apoio humanitário. A Embraer também informa que a aeronave pode receber configuração de reabastecimento em voo, como reabastecedor e recebedor.
A implantação de uma linha de montagem, por si só, não esclarece o grau de autonomia tecnológica que a Índia terá. O anúncio não apresenta percentuais de conteúdo local, relação de componentes a fabricar, direitos sobre tecnologias ou a divisão de trabalho entre unidades brasileiras e indianas. Esses elementos serão necessários para avaliar o alcance industrial de um eventual contrato.
O significado para a Embraer e o Brasil
Para a Embraer, uma encomenda indiana acompanhada de produção local poderá ampliar a escala do C-390 e sua presença em um mercado que exige participação industrial doméstica. O acordo estratégico de 2025 já estabelecia a ambição de atender necessidades indianas e regionais, e não apenas entregar aeronaves prontas.
Para o Brasil, os possíveis ganhos incluem a expansão internacional de uma plataforma desenvolvida no País e oportunidades de fornecimento e serviços vinculadas ao programa. A dimensão desses benefícios, entretanto, dependerá do contrato e da parcela de trabalho preservada ou ampliada na cadeia brasileira. Sem essa divisão, não é possível quantificar exportações, empregos ou efeitos sobre a produção nacional.
A identificação de Nagpur permite à Embraer e à Mahindra apresentar um planejamento industrial mais definido à Índia. Os próximos marcos relevantes serão a conclusão dos processos locais, a seleção da aeronave e a contratação. Até lá, terreno e preparação industrial são sinais de comprometimento com a proposta, sem constituir garantia de vitória na concorrência.

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