Acordo assinado em 29 de outubro prevê protótipo para testes no primeiro semestre de 2027, visando proteger as guarnições do Guarani e do Guaicurus contra drones de pequeno porte
*LRCA Defense Consulting - 03/11/2026 - 09h27
O Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e a ARES Aeroespacial e Defesa S.A. assinaram, em 29 de outubro de 2026, no Rio de Janeiro, um Acordo de Parceria para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação para criar um atuador antidrone baseado no REMAX, o sistema de armas remotamente controlado (SARC) que as duas instituições desenvolvem juntas desde 2006. O anúncio foi feito pelo próprio CTEx em seu perfil oficial no Instagram.
De acordo com o CTEx, o objetivo é chegar a um sistema completo, com conjuntos dedicados à detecção, identificação, acompanhamento e neutralização cinética de drones de pequeno porte, operado integralmente do interior de viaturas como a Viatura Blindada de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas (VBTP-MSR) 6x6 Guarani e a Viatura Blindada Multitarefa Leve de Rodas (VBMT-LR) Guaicurus. A previsão é de que um protótipo esteja disponível para testes no primeiro semestre de 2027; trata-se da data de início dos ensaios, não de entrada em serviço.
A ameaça que move o projeto
A iniciativa responde a uma lição que a guerra na Ucrânia tornou evidente: drones baratos, tanto os de ataque guiados em primeira pessoa (FPV) quanto os quadricópteros de reconhecimento, passaram a localizar e destruir viaturas blindadas a um custo muito inferior ao do alvo. Para as frações mecanizadas, a resposta passa por uma proteção orgânica, embarcada na própria viatura, que não dependa apenas da artilharia antiaérea para enfrentar ameaças que voam baixo e chegam em poucos segundos.
Uma nova função para um sistema consolidado
A escolha do REMAX aproveita uma tecnologia com histórico de fabricação, integração e suporte no País. O primeiro protótipo foi contratado pelo CTEx em dezembro de 2006, e a Portaria nº 065-EME, de março de 2016, adotou oficialmente a versão REMAX 3. Segundo o CTEx, mais de 300 exemplares já foram entregues ao Exército Brasileiro. Em abril de 2026, a Força padronizou o REMAX 4 em suas viaturas, o que amplia a base instalada sobre a qual a nova capacidade poderá ser acrescentada.
Na configuração atual, a estação recebe metralhadoras de 7,62 mm e 12,7 mm, tem estabilização em dois eixos e conjunto optrônico com câmera diurna, câmera termal e telêmetro laser, o que permite ao atirador operar abrigado no interior da viatura. Enfrentar drones, porém, exige mais do que apontar uma arma: o sistema precisará descobrir alvos pequenos, distingui-los de outros elementos do ambiente, acompanhar trajetórias irregulares e engajá-los com segurança, tudo isso integrado à alimentação elétrica e às interfaces de cada viatura.
O que já foi apresentado e financiado
O acordo não parte do zero. Na LAAD Defence & Security de abril de 2025, a ARES apresentou o conceito REMAX ANTISARP, com quatro radares em banda S para cobertura de 360 graus, o conjunto eletro-óptico COAPS-L e duas metralhadoras M240B de 7,62 × 51 mm, segundo relato da revista Tecnologia & Defesa. A empresa também mantém um termo de subvenção com a Finep (nº 1501/22), com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), para o projeto Sistema de Defesa Anti-ARP, com vigência de 36 meses.
Em paralelo, a ARES desenvolve com o CTEx e o SENAI CIMATEC, também com recursos da Finep, um kit antidrone para a torre UT30BR2, que equipa o Guarani com o canhão Mk44 Bushmaster II de 30 × 173 mm e deverá empregar munição fragmentada e radares em banda S. O REMAX, de calibre menor e presente em maior número de viaturas, pode vir a ocupar outra faixa dessa defesa em camadas.
O comunicado do CTEx, contudo, fala apenas em atuador antidrone e não especifica radar, sensores, armamento ou munição. Frederico Medella, diretor comercial e de marketing da ARES, já havia afirmado que a definição do radar caberá ao Exército, o que indica que a configuração exibida em 2025 não será necessariamente a do protótipo.
Uma semana de marcos para o REMAX
A assinatura coincidiu com o último dia dos ensaios de integração do REMAX 4 ao veículo terrestre não tripulado Apollo, da Ambipar Robotics, conduzidos pelo CTEx com a ARES no Centro de Avaliações do Exército (CAEx) entre 25 e 29 de outubro. Na ocasião, o REMAX realizou seu primeiro tiro remoto a partir de uma plataforma sem tripulantes. São iniciativas distintas sobre a mesma base tecnológica: no Apollo, o foco é o emprego em plataforma terrestre não tripulada; na parceria com o CTEx, a defesa contra ameaças aéreas de pequeno porte.
O que ainda não se sabe
Não foram divulgados o valor do acordo, a divisão de tarefas entre CTEx e ARES, o cronograma de ensaios, os critérios de aceitação do protótipo nem a relação entre a nova parceria, o projeto subvencionado pela Finep e o conceito REMAX ANTISARP. Também não está claro qual será a participação da Elbit Systems, grupo israelense que controla a ARES desde 2010, em um projeto apresentado como avanço da autonomia tecnológica nacional. A conclusão do desenvolvimento e uma eventual aquisição em série dependerão dos resultados dos testes de 2027 e de decisões ainda não anunciadas.
A assinatura coincidiu com o último dia dos ensaios de integração do REMAX 4 ao veículo terrestre não tripulado Apollo, da Ambipar Robotics, conduzidos pelo CTEx com a ARES no Centro de Avaliações do Exército (CAEx) entre 25 e 29 de outubro. Na ocasião, o REMAX realizou seu primeiro tiro remoto a partir de uma plataforma sem tripulantes. São iniciativas distintas sobre a mesma base tecnológica: no Apollo, o foco é o emprego em plataforma terrestre não tripulada; na parceria com o CTEx, a defesa contra ameaças aéreas de pequeno porte.
O que ainda não se sabe
Não foram divulgados o valor do acordo, a divisão de tarefas entre CTEx e ARES, o cronograma de ensaios, os critérios de aceitação do protótipo nem a relação entre a nova parceria, o projeto subvencionado pela Finep e o conceito REMAX ANTISARP. Também não está claro qual será a participação da Elbit Systems, grupo israelense que controla a ARES desde 2010, em um projeto apresentado como avanço da autonomia tecnológica nacional. A conclusão do desenvolvimento e uma eventual aquisição em série dependerão dos resultados dos testes de 2027 e de decisões ainda não anunciadas.

