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27 setembro, 2020

Após decreto de Bolsonaro, MS mais que dobra registros de armas entre atiradores


*Jornal Midiamax, por Fábio Oruê - 27/09/2020

Desde o começo de 2020, a Polícia Federal emitiu mais que o dobro de registros de aquisição de armas para os CACs (Caçadores, Atiradores desportivos e Colecionadores) de Mato Grosso do Sul, comparando com 2019. O aumento na procura se deu em razão da flexibilização no acesso às armas, colocada em prática pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no ano passado.

O segundo semestre deste ano apresentou crescimento, chegando a 21, em julho. Conforme dados do Sinarm (Sistema Nacional de Armas), de abril a dezembro de 2019 foram emitidos 28 registros no Estado.

Já em 2020 (de janeiro a agosto) esse número chegou a 78. Junho, julho e agosto bateram recordes de emissões com 14, 21 e 14 documentos, respectivamente – números nunca alcançados desde abril de 2019. O mês de abril de 2020 chegou perto com 10 registros emitidos.

Segundo a PF, são considerados “registros”, os pedidos de aquisição, sendo que registro em si pode ser de outro sistema, de arma já adquirida. A média mensal de 2019 fechou em 3,11 e de 2020 está em 9,5, registrando um aumento de 205%.

Fila congestionada
Este aumento pela procura de registro no Estado foi sentido também em clubes de tiro e de caçadores, que notaram o interesse maior da população.

Segundo Maicon Bruce, do Clube de Caçadores de Campo Grande, a fila interna para se associar congestionou. “Desde o ano passado teve um aumento bem grande e o Exército está um pouco mais ágil [nas emissões] também”, disse ele ao Jornal Midiamax.

“Todo dia liga um aqui querendo informação”, disse Edson Fonseca, do Clube de Tiro para Desporto de Capo Grande. Segundo ele, a flexibilização do governo Federal no decreto do uso de armas contribuiu para o aumento na procura.

“O pessoal acha que é simples; só pegar a arma e vir atirar”, contou ele, que também alerta que há alguns processos tanto para se associar ao clube quanto para adquirir o registro.

Mudança na lei
Decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em maio flexibilizou algumas normas para o armamento civil no Brasil.

Entre as principais medidas está a permissão para que a pessoa possa ir de casa ao lugar de treinamento (ou participar de competições) com as armas carregadas de munição, desde que tenham posse de seu certificado de CAC (Registro de Colecionador, Atirador e Caçador).

Anteriormente, somente uma das armas poderia com munição e as outras deveriam estar separadas dos cartuchos, para evitar disparos acidentais ou intencionais.

Além disso, o decreto também aumenta de 50 para mil, o máximo de cartuchos e munições anuais que podem ser adquiridas pelos CACs e amplia a validade de seus documentos de cinco para dez anos.

Bolsonaro também permitiu o porte para políticos com mandato no Executivo ou Legislativo, advogados, moradores da área rural, jornalistas que façam cobertura policial, motoristas de carga, agentes de trânsito, entre outros.

Porém, este último foi revogado pelo presidente em junho daquele ano.

14 agosto, 2020

Estado de Goiás e Delfire oficializam fábrica de armas para Anápolis

 

 
*Empreender em Goiás - 13/08/2020

O governador Ronaldo Caiado assinou nesta quinta-feira (13/08) protocolo de intenções para garantir incentivo fiscal ao investimento da empresa Delfire Fire Arms (DFA) para a produção de armas leves no Daia, em Anápolis. O investimento não foi revelado. No início deste ano, a empresa goiana já teve autorização do Estado Maior do Exército Brasileiro para fabricar em Goiás pistolas e rifles da marca eslovena Arex.

O início da operação da fábrica está prevista para o próximo ano, com a expectativa de gerar 195 empregos diretos, para a produção anual de 90 mil pistolas calibres 380 e 9mm. O foco inicial da empresa, comandada pelos empresários Augusto de Jesus Delgado e Gustavo Daher Delgado, será o mercado civil e a venda direta para policiais e militares. As instalações no Daia estão praticamente prontas em área de 10 mil metros quadrados, onde inicialmente eram produzidos extintores pela mesma empresa goiana.

É a primeira vez, em 80 anos, que o Exército autoriza uma fábrica de armas leves a se instalar no Brasil. Outras empresas estrangeiras também tentaram, mas não conseguiram. A austríaca Glock e a alemã Sig Sauer chegaram a pedir autorização, sem sucesso. O terreno onde será instalada a fábrica de armamentos foi concedido pelo Estado à Delfire por meio de subsídio. O contrato que estabelece os incentivos à Delfire prevê R$ 6,4 bilhões em créditos tributários para até 2040.

A Delfire chegou a tentar uma parceria com outra fabricante estrangeira de armas, a Caracal, dos Emirados Árabes. Em 2016, o governo de Goiás até assinou um protocolo de intenções de investimento com o governo dos Emirados. O projeto, no entanto, não avançou. Após o encerramento das tratativas com a Caracal, a DFA passou a importar armamentos da Arex. De acordo com o governo de Goiás, a DFA estima faturamento de aproximadamente R$ 2,5 bilhões em cinco anos.

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