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22 agosto, 2026

Eve, da Embraer, deixa de discutir "se vai dar certo" e foca em "quando e quanto", diz CEO

Fabricação do "táxi voador" em Taubaté avança com carteira de US$ 13,5 bilhões e caixa de US$ 531 milhões



*LRCA Defense Consulting - 21/08/2026

A Eve Air Mobility, empresa de mobilidade aérea urbana controlada pela Embraer, começa a colocar em prática seu plano de fabricação do eVTOL apelidado de “táxi voador”. Segundo o CEO da companhia, o francês naturalizado brasileiro Johann Bordais, em entrevista ao portal Broadcast publicada em 21 de agosto de 2026, a empresa não tem mais dúvidas de que o veículo é viável, tanto como produto de engenharia quanto como modelo de negócio, e avança agora para a etapa de produção em série, com o objetivo de atender a uma carteira de pedidos que já soma US$ 13,5 bilhões.

A força da controladora Embraer foi apontada por Bordais como diferencial para reduzir o risco de a Eve seguir o caminho de concorrentes mundo afora que ficaram sem recursos à espera de dois desafios ainda incertos no setor: a segurança do produto em voo e a certificação. Com os engenheiros e recursos da empresa-mãe, somados ao apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Eve diz ter caixa para aguardar a certificação, prevista para 2028, sem pressa.

O eVTOL (aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical) da Eve lembra um grande drone e decola como um helicóptero, na vertical, para depois voar como um avião, na horizontal. Entre suas vantagens, segundo a empresa, está o custo operacional, 25% mais baixo do que o de um helicóptero, além da ausência de ruído por ser elétrico. Cada aeronave deve custar em torno de US$ 5 milhões.

Fábrica em Taubaté 
Uma unidade de apoio fabril da Embraer, localizada em Taubaté, no interior de São Paulo, deve começar a dar lugar, nos próximos meses, à primeira linha de produção do veículo. O projeto executivo, orçado em US$ 88 milhões, já está pronto e passa agora pela fase de validação. Segundo Bordais, o plano prevê, inicialmente, um módulo de produção com capacidade para até 120 aeronaves por ano; o local poderá abrigar até quatro módulos, elevando a capacidade máxima a 480 unidades anuais. “Não sabemos o quão rápido vamos chegar nesse patamar. Vai depender da demanda”, afirmou o executivo.

O cronograma da empresa prevê o primeiro voo com piloto humano no segundo semestre de 2027 e a certificação completa da aeronave pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e pela Federal Aviation Administration (FAA) em 2028. Uma vez certificada, a primeira entrega deverá ocorrer no prazo de uma semana e será destinada à empresa brasileira Revo, que detém pedido firme para até 50 unidades, além de contrato de serviços de pós-venda, e será pioneira no uso comercial da aeronave.

Carteira de pedidos 
A Eve possui atualmente uma carteira de aproximadamente 2,7 mil eVTOLs, distribuída entre 28 clientes de dez países, com valor potencial estimado em cerca de US$ 500 milhões em pedidos firmes. Somado o livro de pré-vendas, o valor total sobe para US$ 13,5 bilhões. A previsão de Bordais é a de que o breakeven do negócio, ponto de equilíbrio financeiro, seja alcançado quando o nível de produção atingir de 90 a 100 aeronaves por ano, o que o executivo estima ocorrer entre dois e três anos após a certificação.

Finanças 
A Eve registra queima de caixa anual entre US$ 225 milhões e US$ 275 milhões, mas conta com liquidez de US$ 531 milhões. “Temos caixa suficiente para chegar à certificação. A disciplina de gastos é uma prioridade”, disse Bordais, descartando novas captações no mercado, ao menos no curto prazo.

O executivo lembrou que a empresa teve três principais fontes de financiamento: a própria Embraer, que detém 72% do capital da Eve; o BNDES, com pouco mais de R$ 1 bilhão aportados; e a abertura de capital no exterior, realizada em 2022. A Eve é listada na Bolsa de Nova York, com valor de mercado de cerca de US$ 900 milhões (aproximadamente R$ 4,6 bilhões); como comparação, a própria Embraer vale hoje pouco mais de R$ 70 bilhões na bolsa. A partir da certificação, segundo Bordais, a empresa passa a ser financiada pela receita da venda das aeronaves.

A Eve revê constantemente o processo em busca de sinergias adicionais, tanto com a Embraer quanto com os 22 fornecedores atuais do programa. Entre eles estão a britânica BAE Systems, responsável pelas baterias; a japonesa Nidec Aerospace, fabricante dos motores elétricos; e a americana Beta Technologies, que fornece os sistemas de propulsão.

Bordais rejeitou a hipótese de inviabilidade do projeto e afirmou que a discussão central deixou de ser “se vai dar certo” para se concentrar em “quando e quanto”, condicionada à escala do ecossistema e da infraestrutura de mobilidade aérea urbana. “O eVTOL nasceu da necessidade do cliente. E a Eve tem o mesmo DNA da Embraer, que é uma referência mundial na área de aeronáutica, com know-how de 57 anos, completados nesta semana”, declarou. Atualmente, a Eve conta com 176 funcionários próprios e outras 800 pessoas da Embraer dedicadas integralmente ao desenvolvimento do eVTOL, em regime de prestação de serviços, distribuídas entre as áreas de engenharia, suprimentos, finanças, compliance e pós-venda.

Mercado endereçável 
A Eve projeta que a frota global de táxis voadores possa atingir 30 mil unidades até 2045, volume necessário para atender a uma estimativa de 3 bilhões de passageiros transportados no período, o que geraria receita potencial de US$ 280 bilhões. Os números constam do estudo de perspectivas de mercado global de eVTOLs publicado pela própria companhia, que considerou dados de 1.800 cidades do banco World Urbanization Prospects, das Nações Unidas, informações de cerca de mil aeroportos e mais de 27 mil helicópteros civis atualmente em operação.

A chegada da Eve ao mercado deve ter reflexo positivo também para a Embraer. Em relatório divulgado na semana anterior à reportagem, analistas do Citi destacaram o avanço da companhia no processo regulatório e observaram que pouco ou nada do valor da Eve está refletido na avaliação de mercado da Embraer. Os analistas citaram ainda concorrentes da Eve mais bem avaliadas em bolsa, como as americanas Joby Aviation, com valor de mercado de US$ 7,3 bilhões, e Archer Aviation, avaliada em cerca de US$ 4 bilhões, ambas listadas na Bolsa de Nova York.

Na última teleconferência de resultados da Embraer, o presidente da companhia, Francisco Gomes Neto, destacou que a Eve terá papel fundamental nos planos de longo prazo do grupo. “Estamos muito confiantes com relação à contribuição da Eve com o crescimento da Embraer, principalmente em 2029 e 2030, para complementar a nossa estratégia de crescimento no início da próxima década”, afirmou. Segundo o executivo, a Embraer pretende acompanhar a evolução da demanda antes de decidir sobre eventuais novas unidades de produção do eVTOL.

A fábrica de Taubaté já vinha sendo acompanhada por esta Consultoria desde o anúncio original do sítio industrial, em 2023, passando pela conclusão da fase de voos pairados do protótipo em escala real, em maio de 2026, e pela assinatura do pedido firme da Revo para o Eve 100. Os números de investimento (US$ 88 milhões) e a estrutura modular da planta, com capacidade entre 120 e 480 aeronaves por ano, confirmam o cronograma já sinalizado pela empresa nos últimos meses.

19 agosto, 2026

Revo aposta no Eve 100 e se torna operadora lançadora da Eve Air Mobility

Contrato de US$ 250 milhões prevê até 50 eVTOLs para o mercado de São Paulo, com entregas a partir de 2027 e início das operações comerciais em 2028 

Imagem ilustrativa renderizada por IA


*LRCA Defense Consulting - 19/08/2026

No programa É Negócio, da CNN Brasil, exibido no domingo, dia 9 de agosto de 2026, o CEO da Revo, João Welsh, detalhou os planos da operadora de mobilidade aérea urbana para incorporar o Eve 100, eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, à sua frota em São Paulo. A entrevista reforça um movimento acompanhado desde junho de 2025, quando as duas empresas assinaram o primeiro contrato firme para o fornecimento da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. 

Quem é a Revo
Lançada em agosto de 2023, a Revo é uma operadora de mobilidade aérea urbana voltada ao público de alta renda, com atuação em São Paulo. A empresa oferece um serviço porta a porta que combina transporte terrestre em carros blindados, lounges e hosts exclusivos a voos regulares de helicóptero, com plataforma própria de reservas via aplicativo, site ou concierge. Segundo Welsh, a operação não se resume ao voo: dos onze passos que compõem a jornada do cliente, o trecho aéreo é apenas um deles, do momento em que o passageiro sai de casa até a porta do avião no destino.

A Revo pertence à Omni Helicopters International (OHI), grupo multinacional de origem portuguesa com frota de cerca de 90 helicópteros, mais de 1.500 voos semanais e histórico de mais de 7 milhões de passageiros transportados com segurança, segundo dados da própria companhia. A Revo opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque em São Paulo, cinco deles fixos, com a rota entre a Zona Sul da capital e o Aeroporto de Guarulhos entre as mais procuradas. De acordo com Welsh, a base de clientes é mais ampla do que se poderia supor, e vai de executivos em início de carreira a famílias bilionárias que buscam o padrão de segurança e o cuidado oferecidos pela empresa.

O contrato entre a Revo e a Eve 
A Revo assinou em 15 de junho de 2025, durante o Paris Air Show, o primeiro binding agreement da Eve Air Mobility para a compra de até 50 unidades do Eve 100. O negócio, avaliado em US$ 250 milhões (R$ 1,39 bilhão à época), inclui ainda soluções de entrada em operação e suporte pós-venda pelo pacote TechCare, da própria Eve. Pelo acordo, a Revo se tornará a operadora launch operator do eVTOL da Embraer, com a primeira entrega prevista para o quarto trimestre de 2027.

Como funcionará a operação 

Segundo Welsh, o Eve 100 tem capacidade para quatro passageiros mais um piloto e autonomia de até 100 quilômetros. As primeiras rotas devem conectar pontos estratégicos da Região Metropolitana de São Paulo, entre eles os aeroportos de Guarulhos e Congonhas, as avenidas Paulista e Faria Lima, além de Alphaville e Bragança Paulista. A Revo planeja integrar helipontos já existentes a novos vertiportos, com recarga elétrica em até 15 minutos, e prevê o início das operações comerciais no começo de 2028.

Redução de custo e treinamento de pilotos 
Na entrevista à CNN Brasil, Welsh afirmou que a expectativa da Revo é reduzir em cerca de 30% o custo operacional em relação ao helicóptero, no médio e longo prazo, número compatível com a faixa de 20% a 30% de redução nos custos de viagem informada pela empresa em julho. Segundo o executivo, a companhia já iniciou o treinamento de pilotos em simuladores da Eve, processo que deve se estender por 18 a 24 meses, ao lado da capacitação de mecânicos, para que exista equipe pronta no momento da entrega da primeira unidade. Welsh destacou que o eVTOL exige um modo de operação mais automatizado, com poucas semelhanças em relação ao helicóptero.

Um mercado maduro para a decolagem urbana 
São Paulo concentra mais de 400 helicópteros registrados e cerca de 2 mil pousos e decolagens diários, o que torna a cidade um dos mercados mais avançados do mundo em mobilidade aérea, segundo a Eve. A Revo já opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque na capital paulista, sendo cinco fixos, e amplia a rede conforme identifica demanda dos clientes, caso recente de Alphaville. De acordo com a empresa, a introdução do eVTOL não vai substituir o helicóptero, mas ampliar as possibilidades de deslocamento, com os trajetos curtos ganhando lógica operacional própria.

A importância do contrato para a Eve Air Mobility 
Para a Eve, o acordo com a Revo representa a transição do desenvolvimento para a execução comercial do Eve 100 e um marco na consolidação da empresa como líder do setor de mobilidade aérea urbana. Segundo Johann Bordais, CEO da Eve, o contrato demonstra a confiança crescente do mercado na tecnologia e no modelo operacional da companhia e contribui para a construção de um ecossistema sustentável de eVTOLs no País.

A Eve mantém carteira de cartas de intenção de compra (letters of intent, ou LOIs) que somava cerca de 2.700 aeronaves em maio de 2026, distribuídas entre mais de 26 clientes em mais de 12 países, o maior portfólio de pedidos do setor. Em julho, durante o Farnborough International Airshow, a companhia ampliou a carteira comercial com uma carta de intenção da Shearwater Global Capital para até 16 unidades destinadas a operações de leasing, ao mesmo tempo em que avançou em duas etapas regulatórias: a abertura de consulta setorial pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre critérios revisados de aeronavegabilidade e o pedido de validação do certificado de tipo junto à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Testes e cronograma de certificação 
O protótipo em escala real do Eve 100 já soma dezenas de voos de teste na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, com mais de duas horas de voo acumuladas. A empresa concluiu a fase de voos pairados e avança agora para os testes de transição, etapa que antecede o voo do primeiro protótipo de produção, previsto para 2027, antes da campanha final de certificação com seis aeronaves conformes aos requisitos da ANAC, autoridade certificadora primária do projeto, em alinhamento com a FAA, dos Estados Unidos, e a EASA. A fábrica da Eve em Taubaté, no Vale do Paraíba paulista, terá capacidade projetada entre 120 e 480 unidades por ano em regime de maturidade.

Ao lado da Revo, a aposta da Eve Air Mobility no Eve 100 integra a estratégia mais ampla da Embraer de diversificar receitas para além da aviação comercial, executiva e de defesa, com um novo segmento de mobilidade aérea urbana que a companhia projeta se tornar, no médio prazo, um vetor relevante de faturamento.

03 agosto, 2026

Eve Air Mobility alcança o primeiro marco de voo de transição, avançando com o programa eVTOL rumo ao voo convencional

Acionamento do sistema de propulsão traseiro confirma aspectos fundamentais do design da aeronave 
 

 
*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A Eve Air Mobility, líder em mobilidade aérea avançada (AAM), anuncia que seu protótipo de engenharia realizou o primeiro voo da fase de transição, representando um marco fundamental no desenvolvimento e nos ensaios da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da empresa.

O voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira da aeronave (pusher), sinalizando o início da fase de transição do voo vertical para o voo horizontal. Durante o ensaio, a aeronave atingiu uma velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e velocidade máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice propulsora operando até 1.200 RPM.

O voo teve duração de 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 0,84 milha náutica (1.550 metros) e atingiu uma altura de 90 pés (27 metros) acima do nível do solo.

"Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante na trajetória de desenvolvimento da Eve", afirma Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. "A ativação bem-sucedida do sistema de propulsão traseiro valida um aspecto fundamental do design da nossa aeronave e nos aproxima cada vez mais de entregar soluções de mobilidade aérea seguras, eficientes e escaláveis."

A fase de transição é um dos aspectos mais críticos do voo de eVTOL, envolvendo a transição da sustentação vertical para o voo horizontal. A conclusão do ensaio inicial de transição parcial representa um avanço significativo nos esforços da Eve para ampliar o envelope de voo da aeronave e validar o desempenho dos seus sistemas.


"Este voo demonstrou com êxito a ativação da hélice propulsora traseira durante o voo e validou as principais metas de desempenho no início da fase de transição", destaca Marcelo Basile, diretor de engenharia da Eve Air Mobility. "Os dados coletados darão apoio à expansão contínua do envelope de voo à medida que avançamos em direção a velocidades mais elevadas e a ensaios de transição progressivamente mais complexos."

A equipe de engenharia de ensaios em voo da Eve continua conduzindo análises de cargas e estruturais para apoiar a futura expansão do envelope de voo. Na sequência do programa de ensaios em voo da aeronave, a empresa planeja realizar testes de enlace de dados para validar o desempenho do enlace de rádio e apoiar operações em velocidades de até 50 nós (92 km/h).

Nas próximas semanas, a Eve prevê expandir progressivamente o envelope de velocidade da aeronave como parte da campanha de ensaios em voo de transição.

21 julho, 2026

Embraer vende ou negocia mais de 100 jatos em jornada histórica no Farnborough Airshow

Fabricante brasileira assina acordos com Saab, Anduril, Mubadala e Strata Manufacturing, enquanto a Eve amplia carteira de eVTOLs e a companhia soma novos pedidos de jatos comerciais com Abra Group, Binter, Fuji Dream Airlines, Luxair, SkyWest e Azorra


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer encerrou nesta terça-feira (21/7) uma das jornadas mais movimentadas de sua história recente no Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Entre a tarde de domingo (19/7) e o fim do dia local desta terça, a fabricante brasileira e sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, a Eve Air Mobility, encadearam treze anúncios distintos, somando encomendas comerciais, memorandos industriais e acordos de defesa que devem render à companhia muitos milhões de dólares em receita futura. O salão britânico, que segue até sexta-feira (24/7), reúne o E195-E2 e o KC-390 Millennium na exposição estática, além de um modelo em tamanho real do eVTOL da Eve.

Saab amplia produção do Gripen em Gavião Peixoto
A Embraer e a Saab assinaram um memorando de entendimento (Heads of Agreement) que estabelece as bases para a produção de mais 20 caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto (SP), única linha de montagem final do caça sueco fora do território da Suécia. O documento não equivale a contrato fechado: define um arcabouço de cooperação que as duas empresas pretendem transformar em acordo definitivo ainda em 2026. 

O movimento já vinha sendo sinalizado por Brasília; em junho, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, mencionara "talvez 20 Gripen" adicionais aos 36 já contratados pela Força Aérea Brasileira, enquanto o governo sueco confirmara o interesse formal do País. O acordo não detalha valores, cronograma de entregas ou origem do financiamento das aeronaves adicionais.

Anduril: o C-390 vira plataforma de lançamento de mísseis
Em memorando separado, a Embraer e a norte-americana Anduril estabeleceram a intenção de integrar ao C-390 Millennium o míssil de cruzeiro Barracuda-500M (designação oficial AGM-189A na Força Aérea dos Estados Unidos), lançado a partir de paletes por meio de sistemas roll-on/roll-off, sem modificações estruturais permanentes na aeronave. O míssil, com alcance superior a 500 milhas náuticas (cerca de 926 quilômetros) e custo unitário estimado entre US$ 200 mil e US$ 216 mil, é apresentado pela Anduril como fração do preço de mísseis tradicionais como o Tomahawk ou o JASSM-ER. 

Se avançar para contrato firme, a integração aproximaria o C-390 do conceito de transporte militar convertido em lançador de munições em massa a baixo custo, tema já discutido em análises sobre a guerra na Ucrânia e em tratativas com a Índia, transformando a aeronave em uma plataforma de projeção de poder.

Mubadala e Strata Manufacturing: aprofundamento no ecossistema dos Emirados
A Embraer também assinou acordo-quadro estratégico com a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi, prevendo colaboração de longo prazo em manutenção, reparo e revisão (MRO), formação de mão de obra e pesquisa e desenvolvimento conjuntos. A Sanad, subsidiária da Mubadala especializada em MRO de motores, ganha oportunidade de prestar serviços à fabricante brasileira, com potencial de expansão para o Golfo e o norte da África. 

Já a Strata Manufacturing, também controlada pela Mubadala, firmou memorando separado que avalia o fornecimento de aeroestruturas compostas para a família E-Jet E2, com intenção declarada de estender a cooperação a outras plataformas da Embraer no futuro. Segundo o comunicado conjunto, o entendimento se insere nos objetivos da Operação 300 Bilhões e da Estratégia Industrial de Abu Dhabi, iniciativas de diversificação econômica dos Emirados Árabes Unidos.

Suécia e Áustria reforçam o ecossistema de treinamento do C-390
Um dia antes, a Embraer havia fechado acordo para fornecer dispositivos de treinamento do C-390 Millennium às forças aéreas da Suécia e da Áustria. A Força Aérea Sueca recebe um pacote completo, com simulador de voo (Full Flight Simulator) buscando qualificação Nível D, estação de manuseio de carga desenvolvida com a Rheinmetall e treinamento baseado em computador (Computer-Based Training) da empresa ETI; a Força Aérea Austríaca recebe apenas o módulo de treinamento computadorizado. O pacote dá continuidade ao modelo trilateral de aquisição compartilhada entre Suécia, Holanda e Áustria, que busca padronizar frotas e maximizar interoperabilidade. 

O anúncio coincidiu com a incorporação, pela Força Aérea da República Tcheca, de seu primeiro C-390, batizado em homenagem ao brigadeiro-general Karel Toman Mareš, ex-comandante do 311º Esquadrão Tchecoslovaco da Royal Air Force na Segunda Guerra Mundial.

Mercado comercial: onda de pedidos de E-Jets
No front comercial, a Embraer fechou uma sucessão de pedidos da família E-Jet. 

O Abra Group, holding controladora da Avianca, da GOL e da Wamos Air, assinou acordo para até 45 unidades do E195-E2 (20 firmes, 10 opções e 15 direitos de compra), confirmando negociação já apurada pela imprensa desde a semana anterior. 

A companhia espanhola Binter, sediada nas Ilhas Canárias e primeira operadora europeia do modelo, fechou pedido firme de mais cinco E195-E2, além de direitos de compra para outras quatro unidades, elevando para 21 o total de aeronaves encomendadas desde 2018. 

A Luxair, companhia aérea nacional de Luxemburgo, converteu direitos de compra existentes em pedido firme de três E190-E2, além de garantir direito de compra adicional para mais uma unidade, elevando sua carteira firme da família E2 para nove aeronaves; a primeira entrega está prevista para o final de 2028, com destino a rotas corporativas de alta frequência, entre elas a ligação entre Luxemburgo e o aeroporto de London City. 

Já a japonesa Fuji Dream Airlines comprou dois E175 em configuração de classe única, com entregas previstas para 2027 e 2028, passando a operar 15 aeronaves 100% Embraer. 

Em paralelo, a locadora Azorra fechou acordo para até 30 E-Freighters (20 firmes e dez direitos de compra), marcando sua entrada no leasing de aeronaves cargueiras. O E190F, primeiro modelo da linha, segue praticamente sem concorrência direta no segmento de conversão de jatos regionais em cargueiros. 

Ao todo, os cinco clientes somaram, em um único dia, pedidos firmes de 50 jatos comerciais, em meio a uma carteira que já reúne, entre encomendas recentes, as 18 unidades do E195-E2 firmadas pela finlandesa Finnair e o pedido de até 100 jatos da norte-americana Avelo Airlines.  

Se todos os pedidos firmes, opções e direitos de compra forem confirmados, só hoje a Embraer vendeu 90 jatos. Segundo estimativa do JPMorgan, o backlog comercial da fabricante pode se aproximar de US$ 15,6 bilhões no segundo trimestre de 2026, ano que já havia começado com a maior carteira de pedidos da história da companhia, avaliada em US$ 31,6 bilhões a preços de lista.

SkyWest: suporte pós-venda
A Embraer também ampliou sua presença em serviços e em um novo nicho de mercado. A norte-americana SkyWest Airlines, maior operadora de E175 do mundo, estendeu por longo prazo o contrato de manutenção pesada que cobre os 271 jatos do tipo em sua frota, com atividades distribuídas entre as unidades de Nashville, Macon e Fort Worth; a fabricante investe ainda cerca de US$ 70 milhões em nova instalação de MRO em Fort Worth, com operação prevista para 2027. 

Eve Air Mobility: eVTOLs Eve 100 para Cabo Verde e novos financiamentos
A subsidiária de mobilidade aérea urbana da Embraer também somou anúncios ao longo do salão. A Eve assinou carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da gestora de crédito privado Bay Point, para até 16 eVTOLs, e firmou entendimento com a companhia suíça Moov para até 30 unidades destinadas a turismo e mobilidade regional em Cabo Verde, além de operações na Europa. 

No campo regulatório, a ANAC publicou proposta de critérios de certificação acústica para o Eve 100, com consulta pública aberta até 8 de agosto. A empresa mantém carteira de cerca de 2.700 pré-pedidos e segue a campanha de testes de voo do protótipo de engenharia, iniciada em dezembro de 2025.

Por que importa
O conjunto de anúncios reforça o movimento de internacionalização da base produtiva da Embraer, que já mantinha parcerias e negociações em mercados como Índia, Polônia, Marrocos e Grécia, ao mesmo tempo em que amplia sua presença na cadeia de suprimentos dos Emirados Árabes Unidos por meio da Mubadala e da Strata. 

No plano de defesa, os memorandos com a Saab e com a Anduril sinalizam dois movimentos simultâneos: a consolidação de Gavião Peixoto como polo regional de produção do Gripen para a América do Sul, e a possível transformação do C-390 Millennium em plataforma de projeção de poder, para além do transporte tático. 

No mercado comercial, a sequência de pedidos de E195-E2 e E175, somada à entrada no segmento de cargueiros (E190F) com a Azorra, indica que a fabricante brasileira chega ao Farnborough 2026 em um dos momentos de maior impulso comercial de sua história recente.

19 julho, 2026

Eve fecha pedidos de até 16 e 30 eVTOLs em Farnborough, com destaque para Cabo Verde

Farnborough Airshow reúne avanços comerciais, regulatórios e de testes de voo do eVTOL da Embraer


*LRCA Defense Consulting - 19/07/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada à mobilidade aérea urbana (UAM, na sigla em inglês), reuniu, entre os dias 14 e 19 de julho de 2026, uma sequência de anúncios comerciais e regulatórios durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido. Os destaques incluem um novo pedido de até 16 aeronaves eVTOL, uma carta de intenções (LOI) para até 30 unidades destinadas a Cabo Verde e a publicação, pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), da proposta de critérios de certificação acústica do Eve 100.

Pedido da Shearwater Global Capital
A Eve assinou, em 19 de julho, uma carta de intenções com a Shearwater Global Capital, braço de financiamento aeronáutico da Bay Point, para até 16 aeronaves eVTOL. Segundo comunicado da empresa, a Shearwater atua como credora especializada em financiamento baseado em ativos para clientes não bancários dos setores comercial e privado da aviação, com experiência em financiamentos de pré-entrega, aeronaves de missão especial e ativos de geração mais antiga.

Fundada em 2014 por Chris Miller, a Shearwater integrou a Bay Point, gestora de crédito privado sediada em Atlanta, em abril de 2026, para estabelecer uma vertical dedicada a mobilidade aérea avançada (AAM, na sigla em inglês). De acordo com Chris Miller, diretor administrativo de aviação da Shearwater, a companhia pretende usar o backlog da Eve e seu ecossistema integrado de aeronaves e serviços para oferecer soluções de leasing a operadores.

O CEO da Eve, Johann Bordais, afirmou que a mobilidade aérea avançada deve desempenhar papel relevante no futuro do transporte e que a empresa espera apoiar a Shearwater na oferta de soluções de leasing ao mercado.

LOI com a Moov para Cabo Verde
Também em 19 de julho, a Eve e a Moov, companhia aérea suíça sediada em Lugano, firmaram carta de intenções para até 30 eVTOLs, com o objetivo de explorar oportunidades de turismo e mobilidade regional no arquipélago de Cabo Verde e, em paralelo, na Europa.

As empresas devem avaliar usos como passeios turísticos e deslocamentos entre aeroportos, portos e resorts, além de mobilidade regional entre as ilhas de São Vicente, Santo Antão, Sal, Praia e Boa Vista. Segundo o comunicado, também foi identificado potencial para transporte médico e inspeção de infraestrutura. Dados do Banco Mundial citados pela Eve indicam que o setor turístico de Cabo Verde recebeu cerca de 1,18 milhão de visitantes em 2024, alta de 16,5% em relação ao ano anterior.

A Moov integra o projeto Atlantic Gateway, plataforma que pretende conectar Europa, África e América Latina, e conta com executivos oriundos de empresas como Azul, Swiss International Air Lines, Etihad Airways, FedEx e ASL Aviation Group, segundo a própria companhia.

ANAC publica critério de ruído para o Eve 100
Ainda em 19 de julho, a ANAC publicou a proposta de critérios de certificação de ruído para o Eve 100, aeronave eVTOL da Eve que, pela primeira vez oficialmente, é assim denominada. A consulta pública sobre o tema segue aberta até 8 de agosto e representa, segundo a empresa, um passo relevante para o estabelecimento do arcabouço de certificação ambiental de eVTOLs no País.

De acordo com Isabel Lima, responsável pela área de ruído e vibração da Eve, a certificação acústica define metodologias de medição e critérios de conformidade que devem garantir a introdução de aeronaves com proteção ambiental adequada às comunidades no entorno das operações.

A empresa afirma que o projeto do Eve 100, de arquitetura lift-plus-cruise, foi concebido para operar de forma mais silenciosa que helicópteros convencionais, com apoio de um estudo de percepção visual e sonora conduzido em parceria com o Centro Aeroespacial Real dos Países Baixos (NLR, na sigla em inglês), que reuniu mais de 100 participantes em Nova York, Orlando e São Francisco. Encerrada a consulta, a ANAC deve avaliar as contribuições recebidas e seguir com a definição dos requisitos aplicáveis.

 

Testes de voo e panorama comercial
Ainda no âmbito do Farnborough Airshow, a Eve destacou o andamento da campanha de testes de voo do protótipo de engenharia do Eve 100, iniciada em dezembro de 2025. Segundo a empresa, dezenas de voos já foram realizados, com a fase de testes de transição prevista para este trimestre e a produção de seis protótipos de conformidade a começar ainda neste ano.

A companhia afirma manter uma carteira de aproximadamente 2.700 pré-pedidos de eVTOL, a maior do setor segundo a própria Eve, e cita como pedidos vinculantes recentes os da Revo, do Brasil, para até 50 aeronaves, e da AirX, do Japão, também para até 50 unidades, com previsão de operação inicial a partir de 2029. Os produtos Eve TechCare, de manutenção e suporte de frota, e Eve Vector, de gestão de tráfego aéreo urbano, completam o ecossistema comercial da empresa.

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