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19 agosto, 2026

Revo aposta no Eve 100 e se torna operadora lançadora da Eve Air Mobility

Contrato de US$ 250 milhões prevê até 50 eVTOLs para o mercado de São Paulo, com entregas a partir de 2027 e início das operações comerciais em 2028 

Imagem ilustrativa renderizada por IA


*LRCA Defense Consulting - 19/08/2026

No programa É Negócio, da CNN Brasil, exibido no domingo, dia 9 de agosto de 2026, o CEO da Revo, João Welsh, detalhou os planos da operadora de mobilidade aérea urbana para incorporar o Eve 100, eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, à sua frota em São Paulo. A entrevista reforça um movimento acompanhado desde junho de 2025, quando as duas empresas assinaram o primeiro contrato firme para o fornecimento da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical. 

Quem é a Revo
Lançada em agosto de 2023, a Revo é uma operadora de mobilidade aérea urbana voltada ao público de alta renda, com atuação em São Paulo. A empresa oferece um serviço porta a porta que combina transporte terrestre em carros blindados, lounges e hosts exclusivos a voos regulares de helicóptero, com plataforma própria de reservas via aplicativo, site ou concierge. Segundo Welsh, a operação não se resume ao voo: dos onze passos que compõem a jornada do cliente, o trecho aéreo é apenas um deles, do momento em que o passageiro sai de casa até a porta do avião no destino.

A Revo pertence à Omni Helicopters International (OHI), grupo multinacional de origem portuguesa com frota de cerca de 90 helicópteros, mais de 1.500 voos semanais e histórico de mais de 7 milhões de passageiros transportados com segurança, segundo dados da própria companhia. A Revo opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque em São Paulo, cinco deles fixos, com a rota entre a Zona Sul da capital e o Aeroporto de Guarulhos entre as mais procuradas. De acordo com Welsh, a base de clientes é mais ampla do que se poderia supor, e vai de executivos em início de carreira a famílias bilionárias que buscam o padrão de segurança e o cuidado oferecidos pela empresa.

O contrato entre a Revo e a Eve 
A Revo assinou em 15 de junho de 2025, durante o Paris Air Show, o primeiro binding agreement da Eve Air Mobility para a compra de até 50 unidades do Eve 100. O negócio, avaliado em US$ 250 milhões (R$ 1,39 bilhão à época), inclui ainda soluções de entrada em operação e suporte pós-venda pelo pacote TechCare, da própria Eve. Pelo acordo, a Revo se tornará a operadora launch operator do eVTOL da Embraer, com a primeira entrega prevista para o quarto trimestre de 2027.

Como funcionará a operação 

Segundo Welsh, o Eve 100 tem capacidade para quatro passageiros mais um piloto e autonomia de até 100 quilômetros. As primeiras rotas devem conectar pontos estratégicos da Região Metropolitana de São Paulo, entre eles os aeroportos de Guarulhos e Congonhas, as avenidas Paulista e Faria Lima, além de Alphaville e Bragança Paulista. A Revo planeja integrar helipontos já existentes a novos vertiportos, com recarga elétrica em até 15 minutos, e prevê o início das operações comerciais no começo de 2028.

Redução de custo e treinamento de pilotos 
Na entrevista à CNN Brasil, Welsh afirmou que a expectativa da Revo é reduzir em cerca de 30% o custo operacional em relação ao helicóptero, no médio e longo prazo, número compatível com a faixa de 20% a 30% de redução nos custos de viagem informada pela empresa em julho. Segundo o executivo, a companhia já iniciou o treinamento de pilotos em simuladores da Eve, processo que deve se estender por 18 a 24 meses, ao lado da capacitação de mecânicos, para que exista equipe pronta no momento da entrega da primeira unidade. Welsh destacou que o eVTOL exige um modo de operação mais automatizado, com poucas semelhanças em relação ao helicóptero.

Um mercado maduro para a decolagem urbana 
São Paulo concentra mais de 400 helicópteros registrados e cerca de 2 mil pousos e decolagens diários, o que torna a cidade um dos mercados mais avançados do mundo em mobilidade aérea, segundo a Eve. A Revo já opera atualmente cerca de dez pontos de embarque e desembarque na capital paulista, sendo cinco fixos, e amplia a rede conforme identifica demanda dos clientes, caso recente de Alphaville. De acordo com a empresa, a introdução do eVTOL não vai substituir o helicóptero, mas ampliar as possibilidades de deslocamento, com os trajetos curtos ganhando lógica operacional própria.

A importância do contrato para a Eve Air Mobility 
Para a Eve, o acordo com a Revo representa a transição do desenvolvimento para a execução comercial do Eve 100 e um marco na consolidação da empresa como líder do setor de mobilidade aérea urbana. Segundo Johann Bordais, CEO da Eve, o contrato demonstra a confiança crescente do mercado na tecnologia e no modelo operacional da companhia e contribui para a construção de um ecossistema sustentável de eVTOLs no País.

A Eve mantém carteira de cartas de intenção de compra (letters of intent, ou LOIs) que somava cerca de 2.700 aeronaves em maio de 2026, distribuídas entre mais de 26 clientes em mais de 12 países, o maior portfólio de pedidos do setor. Em julho, durante o Farnborough International Airshow, a companhia ampliou a carteira comercial com uma carta de intenção da Shearwater Global Capital para até 16 unidades destinadas a operações de leasing, ao mesmo tempo em que avançou em duas etapas regulatórias: a abertura de consulta setorial pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) sobre critérios revisados de aeronavegabilidade e o pedido de validação do certificado de tipo junto à Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA).

Testes e cronograma de certificação 
O protótipo em escala real do Eve 100 já soma dezenas de voos de teste na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior paulista, com mais de duas horas de voo acumuladas. A empresa concluiu a fase de voos pairados e avança agora para os testes de transição, etapa que antecede o voo do primeiro protótipo de produção, previsto para 2027, antes da campanha final de certificação com seis aeronaves conformes aos requisitos da ANAC, autoridade certificadora primária do projeto, em alinhamento com a FAA, dos Estados Unidos, e a EASA. A fábrica da Eve em Taubaté, no Vale do Paraíba paulista, terá capacidade projetada entre 120 e 480 unidades por ano em regime de maturidade.

Ao lado da Revo, a aposta da Eve Air Mobility no Eve 100 integra a estratégia mais ampla da Embraer de diversificar receitas para além da aviação comercial, executiva e de defesa, com um novo segmento de mobilidade aérea urbana que a companhia projeta se tornar, no médio prazo, um vetor relevante de faturamento.

24 janeiro, 2026

Portugal recebe quarto KC-390 e consolida papel de hub europeu da aeronave

 Entrega antecipada marca novo capítulo na aviação militar portuguesa


*LRCA Defense Consulting - 24/01/2026

A Força Aérea Portuguesa (FAP) recebeu ontem seu quarto KC-390 Millennium, numa entrega que representa um marco histórico: pela primeira vez, Portugal dispõe de capacidade própria de reabastecimento aéreo. A aeronave, equipada com o kit opcional de reabastecimento REVO (roll on/off), aterrizou às 10h na Base Aérea n.º 11 em Beja, após uma travessia transatlântica sem escalas de oito horas desde o Brasil.

A entrega, realizada dois meses antes do prazo contratual, demonstra o compromisso da Embraer em superar expectativas. A cerimônia de transferência ocorreu nas instalações da fabricante em Gavião Peixoto, com presença de comitiva portuguesa liderada pelo Major-General João Nogueira, diretor do programa KC-390.

Capacidade inédita de reabastecimento aéreo
O kit REVO transforma o C-390 numa aeronave tanque (KC-390) através de tanques de combustível modulares instalados na fuselagem e pods sob as asas. A solução de rápida instalação permite configurar qualquer aeronave da frota portuguesa como reabastecedor conforme as necessidades operacionais, expandindo significativamente o alcance e autonomia das missões.

"A entrega do kit de reabastecimento aéreo assinala um marco histórico para a Força Aérea, que passa a dispor, pela primeira vez, da capacidade de reabastecimento em voo", destacou a FAP em comunicado oficial. Esta nova capacidade reforçará sobretudo a projeção de Portugal em missões conjuntas no âmbito da OTAN e de países aliados.

Portugal: porta de entrada do KC-390 na Europa
A importância estratégica de Portugal no programa KC-390 vai muito além da operação das aeronaves. O país assumiu um papel central na divulgação e comercialização da plataforma junto a parceiros europeus e africanos, gerando retornos financeiros significativos para o Estado.

Segundo o ministro da Defesa, Nuno Melo, cada aeronave KC-390 vendida a países aliados através de Portugal gera um lucro superior a 11 milhões de euros. Em setembro de 2025, o governante anunciou a compra de uma sexta aeronave e a reserva de dez opções adicionais destinadas a países da OTAN.

A Suécia foi o primeiro país europeu a aderir ao "Clube KC-390", adquirindo quatro aeronaves em abril de 2025, numa operação que renderá cerca de 45 milhões de euros a Portugal. Durante visita à Base Aérea de Beja, o ministro sueco da Defesa, Pål Jonson, destacou a crescente parceria estratégica entre os dois países no setor de defesa.

 

Centro Europeu de Formação em Beja
Portugal sediará o único centro europeu de formação de pilotos do KC-390, instalado na Base Aérea n.º 11. Esta infraestrutura representa não apenas uma fonte de receita adicional através do treino de tripulações internacionais, mas também um instrumento de coesão territorial, atraindo recursos técnicos e humanos qualificados para o interior do país.

"A Força Aérea, com este investimento, acaba por ser um instrumento de coesão territorial", sustentou Nuno Melo, destacando o impacto do programa para além da esfera militar.

Participação portuguesa no desenvolvimento
O KC-390 possui componentes produzidos em solo nacional nas antigas instalações da Embraer em Évora e nas OGMA em Alverca do Ribatejo. A concepção da aeronave envolveu 650 mil horas de trabalho da engenharia portuguesa, desenvolvidas pelo CEiiA.

As modificações para adequação aos padrões OTAN, ONU e União Europeia foram realizadas em Portugal, incluindo sistemas seguros de comunicação, navegação e conhecimento situacional. A certificação pela Autoridade Aeronáutica Nacional portuguesa abriu caminho para que outros países europeus adquiram as aeronaves já configuradas para os requisitos das principais alianças internacionais.

Reação das autoridades portuguesas
O General João Cartaxo Alves, Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, classificou o programa como "o maior de Defesa até hoje, quer em termos financeiros, de ambição, quer em termos de futuro". Em cerimônia de certificação em outubro de 2024, destacou que "a prontidão com que atuamos e todos os sistemas de modernização permitiram que a aeronave adoçasse o apetite dos nossos parceiros pela Europa".

Nuno Melo tem enfatizado consistentemente que o investimento em defesa não compete com o Estado social, citando o KC-390 como exemplo de retorno econômico. "É bom que os portugueses percebam que, quando às vezes ouvem aquela conversa de ou é o avião, ou é o hospital, ou é o quartel, isso é tudo conversa. Porque um país decente tem de tudo", afirmou o ministro em setembro de 2025.

Cobertura da mídia portuguesa
A mídia portuguesa tem dado destaque ao programa KC-390, reconhecendo sua importância estratégica e econômica. A CNN Portugal descreveu a chegada do quarto avião como um "brinquedo novo" que permite à FAP fazer algo inédito em sua história. O Poder Aéreo ressaltou que a Esquadra 506 – "Rinocerontes" passa a ter capacidade de reabastecimento pela primeira vez.

Veículos de comunicação regionais, como a Rádio Elvas e o Diário de Aveiro, destacaram o feito técnico da travessia transatlântica sem escalas e o impacto para a Base Aérea de Beja. O Público e o Correio da Manhã focaram na dimensão econômica do programa e nas parcerias estratégicas com países europeus.

Perspectivas futuras
Com quatro KC-390 em operação e mais dois a caminho, Portugal consolida-se como operador de referência da plataforma na Europa. A frota, operada pela Esquadra 506 sediada em Beja, já acumulou centenas de horas de voo em missões que vão desde transporte estratégico até evacuações médicas.

O papel de Portugal como intermediário nas vendas para países OTAN e como centro de formação europeu posiciona o país como peça-chave na expansão do KC-390 no continente. A estratégia portuguesa de aliar capacidade operacional, participação industrial e intermediação comercial cria um modelo único de cooperação internacional no setor de defesa.

A versatilidade do KC-390, capaz de executar desde combate a incêndios até reabastecimento aéreo, e seu alcance intercontinental fazem da aeronave uma solução multimissão ideal para as necessidades da OTAN num cenário geopolítico cada vez mais complexo.

29 novembro, 2025

Índia: transporte aéreo em colapso e REVO no limite. O que o Embraer C‑390 pode fazer pela Força Aérea Indiana


*LRCA Defense Consulting - 29/11/2025

A Força Aérea Indiana (IAF) vive hoje um paradoxo incômodo: é uma das maiores do mundo em número de aeronaves de combate, mas opera com margens perigosamente estreitas em dois dos vetores que sustentam qualquer campanha aérea moderna: o transporte e o reabastecimento em voo. Em ambos os casos, as frotas envelhecidas e parcialmente inoperantes transformaram uma limitação técnica em problema estratégico, forçando Nova Délhi a correr contra o tempo para evitar um colapso de capacidade num cenário de crescente tensão com China e Paquistão.​

Reabastecimento aéreo
No reabastecimento aéreo, a situação é emblemática. A IAF dispõe de apenas seis Il‑78MKI, uma frota pequena para o tamanho do país e que há anos sofre com baixa disponibilidade, dificuldades de manutenção e limitações em missões de longo alcance. Para ganhar fôlego, o Ministério da Defesa recorreu ao wet lease de um KC‑135 Stratotanker, operado pela empresa americana Metrea e baseado em Agra, que já começou a apoiar o treinamento de tripulações e a qualificação de caças. Mas há um detalhe crucial: por cláusula contratual, o KC‑135 está restrito a perfis de instrução e não pode participar de operações bélicas, o que evidencia seu papel de “muleta temporária”, e não de reforço efetivo de capacidade em caso de crise.​

Transporte aéreo
No transporte aéreo, o quadro não é menos preocupante. Os veteranos An‑32, adquiridos em grande número ainda na era soviética, têm chegado ao limite da vida útil, com parte da frota já desmobilizada e outra parte operando sob forte restrição de disponibilidade e custo de manutenção. Os Il‑76, por sua vez, continuam relevantes no transporte pesado, mas são poucos, caros de operar e frequentemente deslocados para missões que seriam mais bem atendidas por aeronaves táticas médias, o que desgasta a frota e encarece cada hora de voo.​

A Índia buscou mitigar esse vácuo com a aquisição de C‑17 Globemaster III, que se destacam em missões estratégicas, e com o programa C‑295, que cobre o segmento leve, mas o “miolo” da pirâmide – a faixa de 18 a 30 toneladas de carga útil – segue como um buraco negro de capacidade exatamente no momento em que o Exército demanda maior mobilidade para meios como o tanque leve Zorawar em rotas de alta altitude. É nesse contexto que o governo reativou o Programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA), autorizado para a compra de 60 a 80 aeronaves, com forte ênfase em transferência de tecnologia, produção local e alinhamento às políticas “Atmanirbhar Bharat” e “Make in India”.​


C‑390 Millennium: solução flexível e urgente 
Entre os concorrentes, o C‑390 Millennium da brasileira Embraer desponta com uma combinação pouco comum de desempenho, custo e aderência política. A aeronave, capaz de levar até 26 toneladas a cerca de 470 nós, operar em pistas curtas e não preparadas, e assumir funções que vão de transporte de tropas a evacuação aeromédica e missões humanitárias, já acumula mais de 20 mil horas de voo em serviço com taxas de conclusão de missão acima de 99%. 

Em sua variante KC‑390, soma ainda a função de avião‑tanque e receptor, permitindo que uma parte da frota MTA cumpra duplo papel: reforçar o transporte tático e, ao mesmo tempo, gerar surtidas adicionais de reabastecimento em áreas avançadas, reduzindo a pressão sobre os Il‑78 e a dependência de arrendamentos como o KC‑135 “de treino”.​

No plano industrial e político, a Embraer moveu peças importantes. A empresa firmou com o Grupo Mahindra um acordo de cooperação estratégica que prevê comercialização conjunta, industrialização, montagem local, cadeia de suprimentos e MRO na Índia – com a ambição explícita de transformar o país em hub regional do C‑390. Paralelamente, inaugurou um escritório em Nova Délhi para coordenar negócios em defesa, aviação comercial, executiva e mobilidade aérea urbana, reforçando a narrativa de compromisso de longo prazo com o mercado indiano.​

Analistas militares em Nova Délhi, como o marechal‑do‑ar (reformado) Anil Chopra, apontam que a combinação de carga útil adequada para transportar o Zorawar, velocidade superior à de cargueiros turboélice e a prontidão da Embraer em discutir transferência de tecnologia e montagem local colocam o C‑390 em posição privilegiada frente ao C‑130J e ao A400M, este último mais capaz em carga, porém mais caro e de operação mais pesada. 

Se a Índia caminhar para o teto de 80 aeronaves e optar por configurar uma fração delas como KC‑390, estará não apenas reconstruindo a espinha dorsal de transporte tático, mas também criando uma malha de reabastecimento flexível e distribuída, algo crítico em um teatro vasto e fragmentado como o sul da Ásia.​

Nesse cenário, a urgência do MTA deixa de ser apenas um número em um plano plurianual e passa a representar uma linha de defesa contra a perda de credibilidade dissuasória da IAF. O leasing de um KC‑135 “que não pode ir à guerra”, embora seja fundamental para o treinamento dos pilotos da IAF, é um lembrete contundente de que soluções emergenciais ou improvisadas normalmente têm prazo de validade.

A escolha do futuro cargueiro médio, e de quanto da frota será capaz também de reabastecer em voo, dirá se a Índia continuará a depender de soluções provisórias ou se vai, de fato, fechar a janela de vulnerabilidade em que hoje se encontra. 

11 novembro, 2025

Primeira operação do software de tráfego aéreo da Eve Air Mobility marca avanço da mobilidade aérea urbana no Brasil

Imagem meramente representativa

*LRCA Defense Consulting - 11/11/2025

A Eve Air Mobility deu mais um passo rumo à consolidação da Mobilidade Aérea Avançada (AAM) ao realizar, em parceria com a startup brasileira Revo, a primeira operação real de seu software de gerenciamento de tráfego aéreo urbano, o Vector. O teste ocorreu durante o Grande Prêmio de São Paulo de 2025, evento que serviu como campo de prova para o sistema em um ambiente de alta complexidade operacional.

Durante o fim de semana do GP, o Vector foi utilizado pela equipe da Revo para coordenar as rotas e pousos de helicópteros no autódromo de Interlagos. O software, desenvolvido com arquitetura modular e escalável, iniciou suas operações com o Módulo de Operações em Solo e Vertiportos — voltado à gestão de heliportos de alta demanda. A próxima etapa, prevista para 2026, será o lançamento do Módulo de Operações de Frota, que integrará helicópteros e eVTOLs a uma mesma plataforma de controle dinâmico.

De acordo com o CEO da Eve, Johann Bordais, o projeto representa mais do que um avanço tecnológico: trata-se de um salto de maturidade operacional. “Operações reais nos fornecem dados valiosos que aceleram a evolução do Vector e nos aproximam de soluções confiáveis e ágeis para clientes no mundo todo”, afirmou o executivo.

A Revo foi pioneira no uso do sistema, após treinamentos conjuntos com a equipe da Eve. Para o CEO da empresa, João Welsh, o teste é o início de uma nova fase para a mobilidade aérea paulistana. “Após introduzirmos voos sob reserva em poucos minutos, estamos prontos para um novo capítulo. Em grandes eventos como o GP de São Paulo, os eVTOLs despontam como alternativa segura, sustentável e eficiente”, destacou.

A parceria entre as duas companhias reforça a estratégia da Eve de construir um ecossistema completo de UAM — desde aeronaves elétricas de pouso e decolagem vertical até sistemas de controle e suporte. O Vector foi concebido com foco na automação e em serviços orientados por dados, visando garantir segurança e eficiência nas operações de baixa altitude.

Em junho de 2025, a Revo assinou um acordo que prevê a aquisição de até 50 eVTOLs da Eve e o acesso ao portfólio completo de serviços da companhia, configurando uma solução integrada do tipo turn-key. A aliança planeja acelerar a adoção da mobilidade aérea elétrica e conectada no Brasil, com foco em hubs urbanos e comerciais a partir de 2026.

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer listada na Bolsa de Nova York sob os códigos EVEX e EVEXW, combina mentalidade de startup com a solidez de mais de meio século de expertise aeroespacial brasileira. A empresa aposta na união entre inovação, automação e sustentabilidade para liderar a transição global rumo a uma nova era da aviação urbana.

 

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