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31 março, 2026

Será que a guerra ficou barata mesmo? Se isso realmente for verdade, tudo muda para o Brasil

 


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 31/03/2026

Os conflitos recentes no Oriente Médio e as lições da Ucrânia revelam uma ruptura histórica, a guerra deixou de ser domínio exclusivo de plataformas caras e passou a ser definida por escala, velocidade e custo. Drones baratos, inteligência artificial e integração de sensores inauguram a era da precisão em massa, alterando o equilíbrio geopolítico global.

Para o entorno do Brasil, o impacto é direto. Países com menor capacidade industrial passam a acessar meios de dissuasão antes restritos às grandes potências. E o mais preocupante, atores não estatais ganham poder. Organizações criminosas, grupos insurgentes e redes transnacionais passam a operar com capacidades que, há pouco tempo, eram exclusivas de forças armadas.

E aqui está um ponto crítico para o Brasil, pois já convivemos com um problema crônico de crime organizado estruturado, com presença territorial, capacidade financeira e logística sofisticada. A incorporação de tecnologias militares de baixo custo, como drones adaptados para vigilância, transporte ou ataque, eleva esse desafio a outro patamar. Não é mais segurança pública. É uma zona cinzenta entre segurança e defesa. E o que estamos fazendo nessa direção? 

Enquanto isso, o país enfrenta sua fragilidade conhecida, a falta de previsibilidade orçamentária em defesa. Conflitos modernos exigem escala industrial, ciclos curtos de inovação e capacidade de adaptação contínua. O Brasil, ao contrário, mantém programas longos, caros e frequentemente interrompidos. Temos competência instalada, mas sem ritmo e sem continuidade, o que deixa a mercê de uma nova era.

A nova lógica da guerra não substitui sistemas complexos, eles continuam essenciais, mas exige complementaridade com soluções mais simples, baratas e produzidas em massa. Sem orçamento estável, ficamos no pior dos mundos, não sustentamos o sofisticado e atrasamos no acessível.

Para as Forças Armadas, as implicações são profundas. Doutrinárias, ao incorporar enxames de drones e guerra em rede. Estruturais, ao demandar formação em tecnologia, dados e inteligência artificial. E operacionais, ao lidar com um ambiente onde ameaças podem surgir dentro do próprio território, impulsionadas por atores não estatais.

A fronteira entre guerra e crime se estreita. E ignorar isso é um risco estratégico.

A lição é simples e desconfortável: não vence quem tem apenas o melhor equipamento, mas quem combina escala, integração e velocidade. Países que entenderam isso tratam defesa como projeto de Estado. Os demais seguem reagindo a um tipo de conflito que já mudou, e que já começou a bater à porta.

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília. 

 

21 março, 2026

Até quando trataremos um ativo estratégico como Despesa?


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 21/03/2026

Tenho escrito em vários artigos sobre um ponto que o Brasil insiste em adiar, a necessidade de previsibilidade orçamentária para a defesa e o entendimento de que defesa não é gasto, mas um ativo estratégico do Estado.

Infelizmente, ao longo dos últimos anos, diferentes governos de turno passaram a tratar defesa quase como um passivo administrativo, algo que pode ser comprimido no orçamento sempre que necessário. Essa visão ignora um princípio básico da geopolítica, países que não investem de forma consistente em sua defesa acabam pagando mais caro no futuro, seja em autonomia, capacidade de decisão ou soberania.

Outro efeito preocupante já começa a aparecer. O interesse pela carreira militar tem diminuído, e tudo que se relaciona ao tema defesa passou a enfrentar uma resistência crescente no debate público. Isso não ocorre porque a profissão perdeu relevância, mas porque o país deixou de tratar defesa como política de Estado e passou a tratá-la como tema circunstancial de governo.

Sem previsibilidade orçamentária, sem planejamento de longo prazo e sem valorização institucional, torna-se impossível sustentar uma indústria de defesa forte, manter capacidades tecnológicas críticas e formar lideranças militares altamente qualificadas. Defesa exige continuidade, visão estratégica e estabilidade, exatamente o oposto do improviso orçamentário que frequentemente vemos.

O risco de seguir nesse caminho é claro. Em um ambiente internacional cada vez mais duro, vácuos de capacidade acabam sendo preenchidos por outros atores. Quando um país demonstra incapacidade de enfrentar desafios internos complexos, como o crime organizado transnacional, abre-se espaço para pressões externas sob diferentes justificativas, inclusive a de combater ameaças à estabilidade regional.

Nesse cenário, o precedente é perigoso. Uma vez que se aceite a ideia de que atores externos precisam intervir para resolver problemas internos, a discussão deixa de ser apenas sobre segurança pública e passa a tocar diretamente a soberania nacional.

Defesa nacional não pode depender da vontade ou da visão de cada governo de turno. Ela precisa ser tratada como política permanente de Estado, com orçamento previsível, valorização institucional e planejamento estratégico de longo prazo.

Países que entendem isso preservam sua autonomia.

Os que ignoram essa realidade acabam descobrindo, tarde demais, que soberania não se improvisa. Até quando vamos viver na terra de Oz ou em Nárnia ?

Nosso país é um grande ativo e não podemos achar que tudo se resolve abrindo uma cervejinha em uma mesa de bar, como alguns governantes acreditam. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.   

04 novembro, 2022

CEO da Taurus prevê mais de 300 vagas de emprego em nova operação de São Leopoldo


*Berlinda News, por Juliano Palhinha - 21/10/2022

Cumprindo fielmente o Planejamento Estratégico de cinco anos, a Taurus prevê abrir mais de 300 vagas de empregos para operação da nova planta localizada no bairro São Borja, em São Leopoldo.

A empresa investiu R$ 14,6 milhões em 14 novos maquinários. São eles: oito centros de usinagem verticais série KF, quatro centros de usinagem verticais série I-CUT e dois centros de torneamento horizontal. Todos estão sendo instalados no pavilhão de aproximadamente 2 mil metros quadrados. O prédio que já passou por reformas fica em uma área que foi adquirida pela Taurus no final de 2021. A partir da utilização destes equipamentos, a empresa terá um significativo aumento na linha de produção de pistolas e armas táticas.

“A Taurus continua fortemente comprometida com a nossa sociedade e sempre que possível aumentando os postos de trabalho, mas principalmente investindo no desenvolvimento das pessoas. A ampliação do complexo industrial da Taurus prevê uma geração de mais de 300 novos empregos na operação. Seguindo sempre com nosso compromisso com a sociedade, de gerar empregos e capacitar/treinar as pessoas”, afirmou o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, com exclusividade à reportagem do BerlindaNews.

O CEO também destacou os programas e projetos desenvolvidos pela empresa, entre eles o do Jovem Aprendiz, Taurus do Bem e o Projeto Brilhar.

“Temos vários projetos envolvendo a área de recursos humanos. O Jovem Aprendiz tem como objetivo incluir jovens-adolescentes no mercado de trabalho, através da qualificação técnica. Há ainda o Programa Educacional de Excelência em Pesquisa e Inovação, o PROET, que visa a qualificação acadêmica e profissional, através de desenvolvimento de talentos em parcerias universitárias com até 70% de reembolso no valor do curso. Este programa é destinado aos colaboradores-estudantes que, através do aprendizado adquirido nos cursos de pós-graduação, mestrado, e doutorado, desenvolvem projetos de melhoria contínua em produtos e processos nas áreas estratégicas da companhia”, explicou Nuhs, que detalhou como funciona outros programas e projetos realizados pela empresa. 

“Tem o Taurus do Bem – Respeitando as diferenças em prol da igualdade, que por meio de capacitação técnica, visa incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho, em parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de São Leopoldo e o Projeto Trilhar, que iniciou como forma de desenvolvimento profissional, através da criação de trilhas de carreiras dentro de cada unidade fabril. Assim, todos os colaboradores têm acesso claro sobre a trilha de desenvolvimento profissional dentro da companhia, gerando engajamento e satisfação dos profissionais.”

Produção de armas para este ano e 2023
De acordo com o planejamento estratégico da Taurus, o ano de 2023 deve seguir dentro do previsto, considerando um forte plano de lançamento de novos produtos e novas tecnologias, além de focar nos principais mercados, como os Estados Unidos, priorizando sempre o mercado interno. “Somos uma empresa global e nosso direcionamento estará focado naqueles mercados onde teremos melhor rentabilidade e estrategicamente compensando possíveis fatores externos regionais”, afirma Nuhs.

Só ano passado, a Taurus produziu 2,250 milhões armas, sendo que dessas, 1,382 milhão armas foram produzidas aqui no Brasil. “Não estamos prevendo grandes mudanças nesse momento, apenas no mix de produtos, em virtude da mudança de comportamento do mercado norte-americano, que está mais direcionado para aquisição de revólveres, ao invés de pistolas. A fabricação do revólver envolve mais mão de obra e horas de trabalho”, projeta.

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