Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador C4I. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador C4I. Mostrar todas as postagens

09 outubro, 2026

Embraer e Atech apresentam aeronaves e sistemas de defesa em campanha conjunta no Marrocos

Depoimentos no Marrakech Airshow destacam KC-390, Super Tucano e integração de comando e controle, com interesse em participação industrial local; compra marroquina permanece sem anúncio público localizado



*LRCA Defense Consulting - 09/10/2026

A participação da Embraer no Marrakech Airshow 2026 ganhou um alcance mais amplo do que a divulgação inicial centrada no KC-390 Millennium. Em vídeo publicado pelo perfil oficial do evento, representantes da fabricante e da Atech, empresa do Grupo Embraer, apresentam uma atuação conjunta que reúne aeronaves de transporte, ataque leve e treinamento, sistemas de defesa aérea e soluções navais. Os depoimentos também reafirmam o interesse em integrar o ecossistema industrial do Marrocos.

O salão, realizado de 7 a 10 de outubro na base aérea de Marrakech, oferece às empresas brasileiras uma oportunidade de apresentar capacidades complementares às autoridades e aos operadores da região. Até a manhã desta sexta-feira (9), a apuração não localizou anúncio público de seleção ou contrato marroquino envolvendo as duas empresas no evento.

Super Tucano também está na campanha 
No depoimento, Guillaume Beurnaux, apresentado como diretor de vendas da Embraer Defense, identifica o KC-390 e o A-29 Super Tucano como os dois principais produtos promovidos pela empresa. O executivo afirma que esta é a quinta participação da companhia no Marrakech Airshow e manifesta a motivação para apresentá-los à Força Aérea Real Marroquina.

A menção ao A-29 acrescenta uma frente à comunicação divulgada antes do salão, que destacava o cargueiro. A fabricante apresenta ao público marroquino tanto uma plataforma de transporte quanto uma aeronave de ataque leve e treinamento. O depoimento, entretanto, não informa a existência de negociação específica para a compra do Super Tucano, nem menciona quantidade, configuração ou cronograma.

Atech leva integração à apresentação brasileira 
Ricardo Machado, apresentado como diretor de desenvolvimento de negócios da Atech, explica que acompanha o representante da Embraer para mostrar os sistemas da empresa e suas possibilidades de integração, especialmente na defesa aérea. Ele também menciona a atuação naval, os sistemas de comando e controle e os sistemas de gerenciamento de combate.

Essa apresentação conjunta é o elemento mais significativo do vídeo. Além das aeronaves, o grupo coloca em evidência capacidades de integração de sistemas, permitindo discutir uma relação comercial mais abrangente com potenciais clientes. O portfólio oficial da Atech inclui C4I, sistemas navais, sistemas embarcados e integração, áreas compatíveis com o conteúdo do depoimento.

A declaração não identifica produtos específicos escolhidos para o Marrocos ou uma arquitetura já definida para suas Forças Armadas. Tampouco anuncia que aeronaves e sistemas serão necessariamente adquiridos em um único pacote. 


O vínculo com a proposta de C4I 
Em junho, a LRCA repercutiu informação do Africa Intelligence sobre a oferta de um centro de comando e controle C4I ao Marrocos, associada à campanha comercial do KC-390. Na ocasião, a negociação foi descrita pela imprensa como envolvendo cinco aeronaves e valor superior a US$ 600 milhões.

A presença da Atech e sua manifestação pública sobre integração com a Embraer são coerentes com aquele relato e lhe acrescentam um elemento direto: a empresa de sistemas está efetivamente promovendo suas soluções ao lado da fabricante no salão. Isso não equivale, porém, à confirmação integral da proposta noticiada em junho. Machado não menciona um centro nacional específico, os cinco cargueiros ou valores.

O dado novo, portanto, é a exposição pública da atuação conjunta. A composição de uma eventual oferta contratual e o estágio de avaliação pelas autoridades marroquinas continuam sem esclarecimento nos depoimentos.

Participação industrial permanece no horizonte 
Beurnaux também manifesta o objetivo de fazer parte do ecossistema industrial marroquino. A intenção se conecta ao memorando assinado pela Embraer e pelo governo local no Marrakech Airshow de 2024, que estabeleceu um quadro de cooperação em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana, incluindo oportunidades em fornecedores, treinamento e manutenção.

Em balanço publicado antes da edição atual, o portal Aeronautique.ma registrou que uma delegação da Embraer avaliou a cadeia local em abril de 2025 e identificou possíveis fornecedores. A publicação observava, contudo, que ainda não havia confirmação oficial de projeto industrial específico, investimento firme ou encomenda diretamente decorrente daquele memorando.

O vídeo reafirma essa intenção industrial, mas não anuncia fábrica, fornecedor contratado ou compromisso de transferência de tecnologia. Também não permite concluir que a participação local esteja condicionada a uma aquisição militar específica.

O que o salão já revelou
Nas duas sessões de assinaturas do segundo dia divulgadas pelo organizador, foram relacionados acordos de outras empresas, sem menção à Embraer ou à Atech. Esse registro não exclui conversas reservadas ou anúncios posteriores, mas delimita os resultados formalmente apresentados nessas sessões.

Em relação à cobertura anterior da LRCA, a evolução está no alcance agora explicitado pelos executivos: KC-390 e Super Tucano são promovidos junto às possibilidades de integração da Atech, com interesse em cooperação industrial. Marrakech dá visibilidade a uma campanha brasileira que reúne plataformas e sistemas; a decisão marroquina de compra permanece uma questão em aberto.

13 junho, 2026

Embraer vai além do KC-390 e oferece ao Marrocos um centro de comando C4I

Imagem representativa produzida com IA pela LRCA Defense Consulting


*
LRCA Defense Consulting - 13/06/2026

A Embraer ampliou sua proposta ao Marrocos para além da venda de aeronaves de transporte militar. Segundo reportagem publicada pelo portal Africa Intelligence em 12 de junho de 2026, a fabricante brasileira está oferecendo às Forças Armadas Reais (FAR) marroquinas um centro de comando e controle C4I  (sistema que integra operações terrestres, aéreas e navais em tempo real) como argumento adicional para fechar o contrato de aquisição de cinco KC-390 Millennium, avaliado em mais de US$ 600 milhões.

Um pacote que vai além da aeronave
O sistema C4I (do inglês Command, Control, Communications, Computers and Intelligence) reúne em uma única estrutura de tecnologia a capacidade de centralizar o gerenciamento de forças militares de diferentes naturezas (exército, força aérea e marinha), possibilitando coordenação mais veloz, compartilhamento de dados em tempo real e tomada de decisão mais eficaz. A oferta da Embraer, portanto, não se limita a uma aeronave: é um produto de defesa integrado, concebido para elevar o nível operacional das forças armadas marroquinas como um todo.

O Marrocos busca há anos estabelecer um centro unificado de comando nos moldes dos sistemas americanos e franceses. Atualmente, apenas a Marinha Real Marroquina dispõe de protocolo C4I próprio, o que evidencia a lacuna operacional que a proposta brasileira pretende preencher.

A notícia foi divulgada às vésperas de uma janela diplomática relevante: o ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, anunciou, em abril de 2026, uma missão internacional a ser realizada em junho com o objetivo declarado de fechar novas vendas do C-390. O Marrocos figura entre os destinos mais prováveis, dado o estágio avançado das negociações.

Uma negociação com histórico longo
O relacionamento entre a Embraer e o Marrocos não é recente. Em março de 2024, um KC-390 da Força Aérea Brasileira realizou campanha de demonstração na base aérea de Rabat diante de oficiais das Forças Aéreas Reais (FRA). Meses depois, em outubro de 2024, durante a Conferência de Usuários do C-390 realizada em São José dos Campos (SP), o nome do Marrocos apareceu em um slide institucional da Embraer ao lado dos operadores confirmados do programa, revelação pioneiramente publicada pela LRCA Defense Consulting naquela ocasião. No mesmo mês, os dois países assinaram um Memorando de Entendimento no Marrakech Air Show, contemplando um plano de desenvolvimento de ecossistema aeronáutico com investimento previsto de US$ 1 bilhão.

Em agosto de 2025, fontes especializadas apontavam que as negociações haviam atingido estágio avançado para a aquisição de quatro a cinco KC-390, com o país tendo recebido uma aeronave em regime de empréstimo para fins de avaliação e testes operacionais. Em abril de 2025, uma delegação da Embraer visitou o Marrocos para avaliar a cadeia de fornecimento aeroespacial local. E em abril de 2026, as conversas avançaram em Rabat durante reunião entre representantes do Ministério da Defesa brasileiro e altos oficiais das FAR.

O que a Embraer oferece ao Marrocos
A proposta brasileira combina, em um único pacote, a venda das aeronaves, o desenvolvimento de capacidade industrial local e agora o sistema C4I. No Marrakech Air Show de 2024, a Embraer havia anunciado um plano de investimento de US$ 1 bilhão no país para a criação de um ecossistema aeronáutico com foco em manutenção, reparo e revisão (MRO) de aeronaves civis e militares, além da criação de 1.000 empregos qualificados até 2035.

Do lado da defesa, o portfólio da Embraer Defense & Security inclui, além do KC-390 Millennium, sistemas C4I, plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), sistemas de gerenciamento naval e aplicações de monitoramento de fronteiras, todos com presença em mais de 60 países.

A contraposição é significativa: enquanto a concorrente americana Lockheed Martin, tradicional parceira militar do Marrocos (F-16, C-130H), oferece basicamente a modernização dos Hercules existentes com novos motores e aviônicos, a Embraer oferece uma renovação completa da capacidade operacional marroquina, com transferência de tecnologia e enraizamento industrial.

O KC-390 Millennium e a frota marroquina
O Marrocos opera atualmente uma frota envelhecida de aeronaves de transporte militar, que inclui 16 C-130H Hercules (alguns convertidos para reabastecimento aéreo e vigilância eletrônica), quatro C-27J Spartans e seis CASA CN-235. A idade média dos Hercules, somada ao crescente custo de manutenção, pressiona o orçamento de defesa e reduz as taxas de disponibilidade operacional.

O KC-390 Millennium representa um salto qualitativo relevante. Propulsionado por dois turbofans IAE V2500-E5, o avião brasileiro atinge velocidade de cruzeiro de 870 km/h e capacidade máxima de carga de 26 toneladas, superando o C-130H em velocidade e eficiência logística. O sistema fly-by-wire de quarta geração e a cabine digital Pro Line Fusion reduzem a carga de trabalho da tripulação e aumentam a segurança em missões táticas de baixa altitude. A aeronave pode operar em pistas semi-preparadas de até 1.300 metros, o que é decisivo para operações no Saara e no Sahel.

Do ponto de vista estratégico, a aquisição posicionaria o Marrocos ao lado de sete membros da OTAN que já operam o KC-390, reforçando a interoperabilidade e o valor político da decisão internamente.

O contexto regional e a competição com a Lockheed Martin
A decisão marroquina não ocorre no vácuo. A Argélia, principal rival regional de Rabat, mantém frota robusta de Il-76 e tem investido em capacidade de transporte estratégico. Ao adquirir o KC-390, o Marrocos reduziria a assimetria de mobilidade aérea no Magreb e consolidaria sua posição como parceiro confiável em operações multinacionais na África e no Mediterrâneo.

A concorrência da Lockheed Martin com o C-130J Super Hercules permanece real. A empresa americana acumula décadas de relação com as forças armadas marroquinas e detém vantagens em integração logística com os sistemas da OTAN. Contudo, o C-130J oferece carga máxima inferior (cerca de 20 toneladas) a velocidade menor, sem contrapartida industrial comparável à proposta brasileira.

Em termos financeiros, o custo do KC-390 é estimado em cerca de US$ 85 milhões por unidade (dependendo da configuração e pacotes complementares, que podem aumentar o valor), enquanto aeronaves concorrentes ultrapassam os US$ 130 milhões, o que torna a proposta brasileira significativamente mais acessível para um país que busca modernização e autonomia industrial ao mesmo tempo.

A janela está aberta
Com os Emirados Árabes Unidos tendo assinado, em 4 de maio de 2026, o maior contrato internacional do programa (dez pedidos firmes e dez opções), o Marrocos é agora o candidato mais maduro entre os que ainda não formalizaram a compra. O slide de outubro de 2024 listava três países além dos operadores confirmados: Marrocos, EAU e Chile. Um deles já converteu o interesse em contrato. A oferta do C4I ao Marrocos, divulgada pelo Africa Intelligence, indica que a Embraer está disposta a ir além da oferta inicial para fechar o negócio. Com isso, a pergunta já não é mais se o Marrocos vai comprar o KC-390, mas quando.

Postagem em destaque