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29 julho, 2026

FNAC amplia para R$ 13,56 bilhões o crédito destinado às companhias aéreas

BNDES ficará responsável por avaliar a liberação dos recursos, que devem beneficiar GOL, LATAM, Azul e Abaeté, e podem impulsionar indiretamente a demanda por aeronaves da Embraer

 

*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

O Comitê Gestor do Fundo Nacional de Aviação Civil (CG-FNAC) aprovou, em 22 de junho, a ampliação do acesso das companhias aéreas brasileiras a duas linhas de crédito que somam R$ 13,56 bilhões. O valor é mais de três vezes superior aos R$ 4 bilhões previstos originalmente para o fundo e representa, segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), o maior pacote de crédito já estruturado com recursos do FNAC para o setor. 

Apesar da aprovação do comitê, a contratação ainda depende de análise técnica do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que avaliará risco de crédito, capacidade de pagamento e garantias de cada companhia antes de liberar os valores.

A primeira modalidade é uma linha emergencial de capital de giro, no valor de R$ 8 bilhões, criada pela Resolução CMN nº 5.297/2026. Gol, Latam Airlines Brasil e Azul poderão captar até R$ 2,5 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté terá acesso a até R$ 80 milhões. As operações têm prazo de até 60 meses, juros de 4% ao ano e carência de até 12 meses para início do pagamento. Como contrapartida, as empresas que aderirem à linha ficam proibidas de distribuir dividendos a acionistas durante o período de vigência dos contratos.

A segunda modalidade, prevista na Resolução CMN nº 5.260/2025, disponibiliza R$ 5,56 bilhões para investimentos de longo prazo, com até R$ 1,8 bilhão para cada uma das três grandes companhias. Os recursos dessa linha, com juros entre 6,5% e 7,5% ao ano a depender do investimento, podem ser usados na aquisição de aeronaves, modernização de frota, manutenção, compra de combustível sustentável de aviação (SAF) e obras de infraestrutura aeroportuária. Como condição, as aéreas participantes precisam ampliar a oferta de voos para regiões consideradas estratégicas para a integração nacional, como a Amazônia Legal e o Nordeste.

A ampliação do pacote de crédito responde ao aumento dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, em especial com o querosene de aviação (QAV), item que passou a representar quase 45% das despesas das companhias em razão dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, as linhas de crédito garantem condições para que as empresas sigam investindo em suas operações e fortalecendo a conectividade aérea em todas as regiões do País.

Benefício indireto à Embraer
O financiamento aprovado pelo CG-FNAC não se destina diretamente à Embraer; o benefício direto é das próprias companhias aéreas, e não da fabricante. Ainda assim, o efeito sobre a Embraer tende a ser positivo por via indireta: Gol, Latam e Azul, principais beneficiárias da linha de investimento de longo prazo, são clientes da fabricante brasileira e têm pedidos e negociações em curso para aeronaves da família E-Jets E2, o que faz da nova disponibilidade de crédito um fator que pode sustentar ou ampliar essa demanda. 

A ampliação do FNAC é distinta de outros movimentos recentes do BNDES em relação à Embraer, como o financiamento de R$ 279 milhões aprovado em abril para projetos de inovação da companhia, no âmbito do programa BNDES Mais Inovação, e as linhas Exim Pós-Embarque usadas para viabilizar a exportação de aeronaves a clientes internacionais.

21 julho, 2026

Abra Group fecha acordo com a Embraer para até 45 jatos E195-E2

Encomenda firme de 20 aeronaves, anunciada no Farnborough International Airshow, confirma negociações que já vinham sendo apuradas pela imprensa desde a semana passada 


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2026

A Embraer e o Abra Group, holding controladora da Avianca, da GOL e da Wamos Air, anunciaram nesta terça-feira (21/7), durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido, um acordo para a compra de aeronaves E195-E2. O contrato prevê a aquisição firme de 20 unidades, além de 10 opções de compra e 15 direitos de compra, totalizando até 45 aeronaves, número que depende do cumprimento de condições adicionais ainda não detalhadas pelas duas empresas.

Segundo o comunicado conjunto, divulgado pela agência PRNewswire, a incorporação do E195-E2 à frota do Abra Group tem como objetivo permitir um melhor equilíbrio entre capacidade e demanda ao longo da rede do grupo, com abertura de novos mercados e aumento de frequências em rotas domésticas e regionais na América Latina.

As declarações
O presidente-executivo do Abra Group, Adrian Neuhauser, afirmou que o E195-E2 vai dar ao grupo flexibilidade para buscar novas oportunidades, dentro de uma abordagem disciplinada de alocação de frota, entregando mais valor quando e onde os clientes mais precisam. Segundo ele, o acordo reflete o compromisso do grupo em seguir investindo em aeronaves eficientes e de nova geração, à medida que amplia a conectividade e fortalece sua rede regional e doméstica.

Já o presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, Arjan Meijer, disse que a empresa tem orgulho de apoiar o Abra Group em sua trajetória de crescimento com o E195-E2, descrito por ele como uma das aeronaves de corredor único mais eficientes e ambientalmente sustentáveis disponíveis atualmente. Meijer acrescentou que o acordo reforça a posição da Embraer como parceira estratégica de companhias aéreas na região.

Meses de negociação
O anúncio confirma um movimento que já vinha sendo apurado pela imprensa. Na sexta-feira (18/7), a Bloomberg News noticiou, com base em fontes não identificadas e em reportagem replicada pelo jornal Valor Econômico, que o Abra Group estava próximo de fechar um pedido de jatos E2 da Embraer, com possível anúncio durante o Farnborough International Airshow, evento que ocorre entre os dias 20 e 24 de julho.

O interesse do grupo, no entanto, é anterior. Em outubro de 2025, o CEO da GOL, Celso Ferrer, já havia afirmado, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a compra era uma possibilidade real, ainda que dependente de uma decisão do Abra Group e de um momento oportuno. À época, Ferrer citou tanto o E195-E2 quanto o Airbus A220 como opções em avaliação para as rotas regionais do grupo, com a perspectiva de incorporar até 30 aeronaves desse porte. No mesmo período, o então ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, chegou a declarar que a GOL estaria na fila para anunciar a compra de jatos E2, na esteira do acordo histórico fechado pela Latam para até 74 unidades do E195-E2.

Em março de 2026, o presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou ao Valor Econômico que havia conversas em andamento tanto com a GOL quanto com o Abra Group, e disse haver interesse em repetir com a GOL o movimento já realizado com a Latam e a Azul.

A aeronave e o programa E2
O E195-E2 é a maior aeronave da família E-Jet E2 da Embraer, projetada para oferecer maior eficiência de combustível, menores emissões e mais conforto aos passageiros em comparação com as gerações anteriores da família E-Jet. O modelo já opera com companhias como Azul, Azorra, Porter Airlines, LOT Polish Airlines e Air Astana, entre outras.

O acordo com o Abra Group chega poucas semanas depois de a Embraer ampliar, em 5 de junho, o pedido firme da arrendadora Azorra em mais 15 unidades do E195-E2, elevando o total de encomendas firmes da empresa para 54 aeronaves, além de direitos de compra para outras 15 unidades. Segundo dados divulgados pela fabricante, o programa E2 já soma mais de 500 pedidos, com mais de 200 aeronaves em operação em 24 companhias aéreas ao redor do mundo.

A Embraer chega ao Farnborough International Airshow em momento de forte impulso comercial. No primeiro semestre de 2026, a fabricante entregou 109 aeronaves, cerca de 20% a mais que as 91 unidades entregues no mesmo período do ano anterior, segundo dados compilados pela imprensa especializada.

O que ainda não foi confirmado
O comunicado oficial não detalha valores financeiros da transação, cronograma de entregas, nem como as aeronaves serão distribuídas entre as operações da Avianca, da GOL e da Wamos Air. Também não há, até o fechamento desta reportagem, indicação de motor escolhido para a aplicação, item recorrente entre operadores do E-Jet E2, que utiliza motores Pratt & Whitney PW1900G.

18 julho, 2026

Abra negocia até 20 jatos E2 da Embraer para anúncio no Farnborough International Airshow

Bloomberg diz que acordo está próximo de fechar; Gol já sinalizava interesse desde 2025 

 

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LRCA Defense Consulting - 18/07/2026

A Abra, holding controladora da Gol, está próxima de fechar um pedido de jatos E2 da Embraer, segundo apuração da Bloomberg News publicada nesta sexta-feira (18/7) pelo jornal Valor Econômico. De acordo com fontes não identificadas ouvidas pela agência, que pediram sigilo por se tratar de informação confidencial, um pedido de até 20 aeronaves da família E2 poderá ser anunciado já na semana que vem, durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido.

As aeronaves, segundo as fontes, poderão ser distribuídas entre as companhias aéreas do portfólio do grupo, que reúne a própria Gol, a colombiana Avianca e a espanhola Wamos Air. A Embraer fabrica jatos de corredor único da família E-Jets com capacidade para até 146 passageiros. Procurados pela reportagem original, representantes da Abra, da Gol e da Embraer se recusaram a comentar o assunto.

Uma negociação que já dura quase um ano
O interesse do grupo pelos jatos brasileiros não é novo. Em outubro de 2025, o CEO da Gol, Celso Ferrer, já afirmava, em entrevista à Folha de S.Paulo, que a compra era uma possibilidade real, mas que dependeria de uma decisão do Grupo Abra e seria feita num momento certo. Na ocasião, Ferrer mencionou tanto o E2 quanto o Airbus A220 como opções em avaliação para rotas regionais, com a ideia de incorporar até 30 aeronaves desse porte.

Ainda em 2025, o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, declarou que a Gol estaria na fila para anunciar a compra de jatos Embraer E2, na esteira do acordo histórico fechado pela Latam para até 74 unidades do E195-E2. Em março de 2026, o próprio presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto, confirmou ao Valor Econômico que havia conversas em andamento tanto com a Gol quanto com a Abra, e disse haver interesse em repetir com a Gol o movimento já feito com a Latam e a Azul.

Fim da frota única
A eventual chegada do E2 se soma a um movimento mais amplo de diversificação de frota da Gol e da Abra, que historicamente opera com frota única de Boeing 737. Nas últimas semanas, o grupo já havia confirmado a aquisição de até sete Airbus A330-900neo, em contrato de leasing com a Avolon, além de cinco A350 e 50 A320neo de corredor único. Ferrer chegou a afirmar publicamente que tem interesse em ver os A330 operando sob a marca Gol no Brasil, embora a decisão final sobre a alocação das aeronaves caiba à Abra.

O que ainda não está confirmado
Até o fechamento desta matéria, não há confirmação oficial do número exato de aeronaves, nem de como elas seriam divididas entre Gol e Avianca. Também não é certo que o anúncio de fato ocorrerá durante o Farnborough, embora analistas de mercado já apontem o salão como uma janela provável para novas encomendas: XP, JPMorgan e BTG Pactual citaram o evento, que ocorre entre os dias 20 e 24 de julho, como possível catalisador para as ações da Embraer.

Se confirmado, o pedido tornaria a Gol a terceira grande companhia aérea brasileira, ao lado de Azul e Latam, a operar aeronaves da família E-Jets, reforçando a posição da Embraer no segmento de jatos de até 150 assentos e ampliando o mercado interno para a fabricante em um momento de carteira de pedidos recorde.

01 novembro, 2025

Embraer ganha impulso com novo financiamento do Fundo Nacional de Aviação Civil


*LRCA Defense Consulting - 01/11/2025

O avanço das companhias aéreas brasileiras na renovação e ampliação de suas frotas acaba de ganhar um importante aliado. O Comitê Monetário Nacional (CMN) aprovou, em 25 de outubro de 2025, novas regras que liberam até R$ 4 bilhões por ano em empréstimos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para a aquisição de aeronaves fabricadas pela Embraer, a maior indústria aeronáutica nacional. A medida representa um marco relevante para o setor, com impactos diretos na economia, no fortalecimento da indústria local e na competitividade das companhias aéreas nacionais.

O programa oferece seis linhas de crédito com taxas de juros atrativas, entre 6,5% e 7,5% ao ano, com o objetivo de facilitar o acesso das empresas aéreas aos jatos regionais da Embraer, conhecidos mundialmente pela eficiência e tecnologia avançada. Essas condições não contemplam apenas a compra de aviões, mas também investimentos em manutenção de motores, infraestrutura operacional e na aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido no Brasil, alinhando o sector aéreo nacional às tendências internacionais de sustentabilidade.

A nova política de financiamento está condicionada a contrapartidas claras e estratégicas. As companhias aéreas que se beneficiarem dos recursos deverão ampliar em ao menos 30% as frequências entre a Amazônia Legal e o Nordeste, fomentando a conectividade regional e o desenvolvimento econômico dessas regiões. Além disso, será obrigatório o uso de combustível sustentável produzido no país, reforçando um compromisso ambiental que acompanha metas de redução de emissões para os próximos anos.

Durante o período do financiamento, previsto para 18 meses para atingimento das metas, as empresas deverão manter os resultados alcançados e terão a restrição de não distribuir lucros a seus acionistas, garantindo que os recursos sejam integralmente aplicados no crescimento e na modernização do setor aéreo brasileiro.

Atualmente, a Azul Linhas Aéreas é a principal operadora de jatos Embraer no Brasil, mas com o novo programa de financiamento, outras companhias poderão expandir suas frotas com aeronaves brasileiras, alavancando a posição da Embraer no mercado doméstico. Para a Embraer, essa medida significa não apenas um aumento potencial nas vendas, mas também um fortalecimento da cadeia produtiva nacional e a consolidação do Brasil como polo global de aviação regional.

Fundado em 2011, o Fnac tem como missão estimular o sistema nacional de aviação civil por meio de investimentos estratégicos em infraestrutura e modernização de frota. A decisão do CMN nesta semana reforça o alinhamento do governo federal com políticas setoriais voltadas para o estímulo à fabricação nacional, à inovação tecnológica e à sustentabilidade ambiental — pilares essenciais para a manutenção da competitividade da indústria brasileira em um mercado global cada vez mais exigente.

Especialistas do setor destacam que o incentivo fortalece a Embraer frente aos gigantes internacionais, viabilizando não só a sobrevivência, mas a expansão da indústria aeronáutica nacional em um momento de transformação global, marcado pela busca por eficiência e menor impacto ambiental.

Com essa iniciativa, o Brasil imprime um passo decisivo para garantir desenvolvimento regional, geração de empregos e tecnologias de ponta em seu setor de aviação — com a Embraer liderando o caminho como símbolo da capacidade industrial brasileira e da inovação tecnológica aplicada à aviação civil.

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