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13 outubro, 2026

Embraer amplia parceria com a LATAM e assume suporte de componentes dos novos E195-E2

Contrato do Programa Pool contempla mais de 300 componentes e reforça a estrutura de manutenção para a expansão da companhia aérea no Brasil



*LRCA Defense Consulting - 12/10/2026 - 09h25

A Embraer e o LATAM Airlines Group anunciaram nesta terça-feira, 13 de outubro, em Santiago do Chile, um acordo para incluir a futura frota de E195-E2 da companhia aérea no Programa Pool de compartilhamento de componentes da fabricante brasileira. O contrato abrange as 24 aeronaves encomendadas em caráter firme e estabelece uma estrutura de suporte técnico e logístico para sua introdução nas operações da LATAM. O grupo também possui opções de compra de outros 50 jatos.

O anúncio ocorre em um momento decisivo da parceria. Em 8 de outubro, as empresas celebraram, em São José dos Campos (SP), o início do processo de entrega do primeiro E195-E2 da LATAM, de um total de 12 aeronaves previstas para 2026. A chegada do modelo inaugura uma nova etapa de expansão da malha aérea da companhia no Brasil.

Como funciona o Programa Pool 

O acordo compreende mais de 300 componentes de diferentes sistemas do E195-E2 e prevê fornecimento de peças por meio de trocas antecipadas, serviços de reparo e revisão geral, além da manutenção de um estoque selecionado nas instalações da LATAM no Brasil. Em vez de adquirir e armazenar individualmente um grande volume de componentes sobressalentes, a companhia passa a contar com uma estrutura compartilhada de atendimento, administrada pela Embraer.

Na prática, o modelo procura reduzir o tempo de indisponibilidade das aeronaves quando algum componente precisa ser substituído. O acesso a peças de reposição, associado à capacidade de reparo e à gestão de estoques, é especialmente importante na fase de entrada em serviço de um novo tipo de avião, quando a empresa ainda está consolidando seus processos de manutenção e sua cadeia de suprimentos.

Segundo a Embraer, o programa permite reduzir despesas com reparos, estoques e armazenagem, operando sob níveis de desempenho contratualmente garantidos. O comunicado, entretanto, não informa o valor financeiro do novo acordo, sua duração nem os indicadores específicos de disponibilidade previstos.

“Este acordo do Programa de Pool de Componentes representa um passo importante para a LATAM na preparação para a introdução do E195-E2 em sua frota”, afirmou Carlos Naufel, presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte, segundo o comunicado divulgado pela fabricante. O executivo destacou o objetivo de oferecer uma solução de suporte robusta e economicamente eficiente desde o primeiro dia de operação.

Uma frota voltada à ampliação da conectividade 
A encomenda dos E195-E2 foi anunciada em setembro de 2025 e envolve 24 pedidos firmes, avaliados em aproximadamente US$ 2,1 bilhões a preços de tabela, além de 50 opções de compra. As opções não constituem vendas adicionais confirmadas. Inicialmente, os jatos serão destinados à LATAM Airlines Brasil, embora o grupo tenha indicado a possibilidade de utilização futura por outras afiliadas sul-americanas.

Em agosto de 2026, a LATAM apresentou a primeira fase de utilização do modelo no Brasil: até 14 aeronaves incorporadas gradualmente entre novembro de 2026 e março de 2027, distribuídas por 42 rotas. O planejamento inclui quatro novas bases, em Cabo Frio (RJ), Ji-Paraná (RO), Macaé (RJ) e Rondonópolis (MT), elevando a rede doméstica prevista para 67 destinos nessa etapa.

O E195-E2 permitirá à LATAM ajustar a capacidade oferecida em mercados nos quais aeronaves maiores podem não representar a solução operacional mais adequada. Esse perfil favorece a abertura de ligações e a ampliação de frequências, embora a viabilidade de cada rota dependa da demanda e dos custos efetivos de operação.

O valor estratégico do suporte pós-venda 
Para a Embraer, o contrato também reforça uma frente de negócios que se estende muito além da entrega das aeronaves. Serviços de manutenção, reparo, revisão e fornecimento de componentes acompanham os aviões ao longo de sua vida operacional e podem gerar receitas recorrentes, além de estreitar o relacionamento com os operadores.

A presença de um estoque selecionado de componentes nas instalações da LATAM no Brasil merece atenção especial. Essa solução aproxima peças críticas da operação e pode reduzir a dependência de remessas emergenciais, embora o comunicado não detalhe a localização, a quantidade de itens ou os prazos de atendimento contratados.

O novo acordo, portanto, complementa a aquisição dos E195-E2 com uma estrutura de sustentação operacional. Seu resultado deverá ser avaliado na prática, à medida que as aeronaves entrarem em serviço e a LATAM ampliar sua rede, especialmente quanto à disponibilidade da frota, à eficiência da manutenção e à regularidade dos voos.

29 julho, 2026

FNAC amplia para R$ 13,56 bilhões o crédito destinado às companhias aéreas

BNDES ficará responsável por avaliar a liberação dos recursos, que devem beneficiar GOL, LATAM, Azul e Abaeté, e podem impulsionar indiretamente a demanda por aeronaves da Embraer

 

*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026

O Comitê Gestor do Fundo Nacional de Aviação Civil (CG-FNAC) aprovou, em 22 de junho, a ampliação do acesso das companhias aéreas brasileiras a duas linhas de crédito que somam R$ 13,56 bilhões. O valor é mais de três vezes superior aos R$ 4 bilhões previstos originalmente para o fundo e representa, segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), o maior pacote de crédito já estruturado com recursos do FNAC para o setor. 

Apesar da aprovação do comitê, a contratação ainda depende de análise técnica do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que avaliará risco de crédito, capacidade de pagamento e garantias de cada companhia antes de liberar os valores.

A primeira modalidade é uma linha emergencial de capital de giro, no valor de R$ 8 bilhões, criada pela Resolução CMN nº 5.297/2026. Gol, Latam Airlines Brasil e Azul poderão captar até R$ 2,5 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté terá acesso a até R$ 80 milhões. As operações têm prazo de até 60 meses, juros de 4% ao ano e carência de até 12 meses para início do pagamento. Como contrapartida, as empresas que aderirem à linha ficam proibidas de distribuir dividendos a acionistas durante o período de vigência dos contratos.

A segunda modalidade, prevista na Resolução CMN nº 5.260/2025, disponibiliza R$ 5,56 bilhões para investimentos de longo prazo, com até R$ 1,8 bilhão para cada uma das três grandes companhias. Os recursos dessa linha, com juros entre 6,5% e 7,5% ao ano a depender do investimento, podem ser usados na aquisição de aeronaves, modernização de frota, manutenção, compra de combustível sustentável de aviação (SAF) e obras de infraestrutura aeroportuária. Como condição, as aéreas participantes precisam ampliar a oferta de voos para regiões consideradas estratégicas para a integração nacional, como a Amazônia Legal e o Nordeste.

A ampliação do pacote de crédito responde ao aumento dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, em especial com o querosene de aviação (QAV), item que passou a representar quase 45% das despesas das companhias em razão dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, as linhas de crédito garantem condições para que as empresas sigam investindo em suas operações e fortalecendo a conectividade aérea em todas as regiões do País.

Benefício indireto à Embraer
O financiamento aprovado pelo CG-FNAC não se destina diretamente à Embraer; o benefício direto é das próprias companhias aéreas, e não da fabricante. Ainda assim, o efeito sobre a Embraer tende a ser positivo por via indireta: Gol, Latam e Azul, principais beneficiárias da linha de investimento de longo prazo, são clientes da fabricante brasileira e têm pedidos e negociações em curso para aeronaves da família E-Jets E2, o que faz da nova disponibilidade de crédito um fator que pode sustentar ou ampliar essa demanda. 

A ampliação do FNAC é distinta de outros movimentos recentes do BNDES em relação à Embraer, como o financiamento de R$ 279 milhões aprovado em abril para projetos de inovação da companhia, no âmbito do programa BNDES Mais Inovação, e as linhas Exim Pós-Embarque usadas para viabilizar a exportação de aeronaves a clientes internacionais.

01 novembro, 2025

Embraer ganha impulso com novo financiamento do Fundo Nacional de Aviação Civil


*LRCA Defense Consulting - 01/11/2025

O avanço das companhias aéreas brasileiras na renovação e ampliação de suas frotas acaba de ganhar um importante aliado. O Comitê Monetário Nacional (CMN) aprovou, em 25 de outubro de 2025, novas regras que liberam até R$ 4 bilhões por ano em empréstimos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) para a aquisição de aeronaves fabricadas pela Embraer, a maior indústria aeronáutica nacional. A medida representa um marco relevante para o setor, com impactos diretos na economia, no fortalecimento da indústria local e na competitividade das companhias aéreas nacionais.

O programa oferece seis linhas de crédito com taxas de juros atrativas, entre 6,5% e 7,5% ao ano, com o objetivo de facilitar o acesso das empresas aéreas aos jatos regionais da Embraer, conhecidos mundialmente pela eficiência e tecnologia avançada. Essas condições não contemplam apenas a compra de aviões, mas também investimentos em manutenção de motores, infraestrutura operacional e na aquisição de combustível sustentável de aviação (SAF) produzido no Brasil, alinhando o sector aéreo nacional às tendências internacionais de sustentabilidade.

A nova política de financiamento está condicionada a contrapartidas claras e estratégicas. As companhias aéreas que se beneficiarem dos recursos deverão ampliar em ao menos 30% as frequências entre a Amazônia Legal e o Nordeste, fomentando a conectividade regional e o desenvolvimento econômico dessas regiões. Além disso, será obrigatório o uso de combustível sustentável produzido no país, reforçando um compromisso ambiental que acompanha metas de redução de emissões para os próximos anos.

Durante o período do financiamento, previsto para 18 meses para atingimento das metas, as empresas deverão manter os resultados alcançados e terão a restrição de não distribuir lucros a seus acionistas, garantindo que os recursos sejam integralmente aplicados no crescimento e na modernização do setor aéreo brasileiro.

Atualmente, a Azul Linhas Aéreas é a principal operadora de jatos Embraer no Brasil, mas com o novo programa de financiamento, outras companhias poderão expandir suas frotas com aeronaves brasileiras, alavancando a posição da Embraer no mercado doméstico. Para a Embraer, essa medida significa não apenas um aumento potencial nas vendas, mas também um fortalecimento da cadeia produtiva nacional e a consolidação do Brasil como polo global de aviação regional.

Fundado em 2011, o Fnac tem como missão estimular o sistema nacional de aviação civil por meio de investimentos estratégicos em infraestrutura e modernização de frota. A decisão do CMN nesta semana reforça o alinhamento do governo federal com políticas setoriais voltadas para o estímulo à fabricação nacional, à inovação tecnológica e à sustentabilidade ambiental — pilares essenciais para a manutenção da competitividade da indústria brasileira em um mercado global cada vez mais exigente.

Especialistas do setor destacam que o incentivo fortalece a Embraer frente aos gigantes internacionais, viabilizando não só a sobrevivência, mas a expansão da indústria aeronáutica nacional em um momento de transformação global, marcado pela busca por eficiência e menor impacto ambiental.

Com essa iniciativa, o Brasil imprime um passo decisivo para garantir desenvolvimento regional, geração de empregos e tecnologias de ponta em seu setor de aviação — com a Embraer liderando o caminho como símbolo da capacidade industrial brasileira e da inovação tecnológica aplicada à aviação civil.

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