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19 outubro, 2026

Carteira do Gripen passa de 130 caças e amplia o espaço de Gavião Peixoto na produção global

Segunda fase tailandesa, contrato ucraniano e meta de quase dobrar a produção valorizam a linha da Embraer, mas a montagem de aeronaves estrangeiras no Brasil ainda depende de decisões contratuais

 


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LRCA Defense Consulting - 19/10/2026 - 22h31

A Real Força Aérea da Tailândia (RTAF) pretende dar sequência à compra de caças Gripen E/F, com recursos previstos no orçamento fiscal de 2027 e recebimento das novas aeronaves em 2029. O anúncio, feito em 12 de outubro pelo comandante da força, Seksan Khantha, soma-se a um ano de forte expansão da carteira do caça sueco e aumenta a pressão sobre a capacidade industrial da Saab, que tem no complexo da Embraer em Gavião Peixoto (SP) sua única linha de montagem final fora da Suécia.

A segunda fase tailandesa ainda não constitui contrato, e o comandante não informou publicamente quantas aeronaves serão adquiridas. O Parlamento sueco autorizou a venda de até 12 Gripen E/F à Tailândia, e a Saab mencionou, em fevereiro, conversas sobre um segundo e um terceiro lotes de quatro aeronaves cada; publicações especializadas brasileiras falam em até oito unidades adicionais. O orçamento de 2027 poderá, portanto, cobrir um lote de quatro aviões ou as oito unidades restantes de uma só vez.

O primeiro lote tailandês, contratado em 25 de agosto de 2025 por aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas, reúne três Gripen E e um Gripen F, além de equipamentos, suporte e treinamento. O contrato prevê entregas no período de 2025 a 2030, com a primeira aeronave esperada para 2029. As novas unidades substituirão os F-16A/B da Ala 1, em Nakhon Ratchasima, e operarão ao lado dos 11 Gripen C/D que a RTAF mantém desde 2011.

Ucrânia muda a escala da carteira 
Desde a origem, o programa Gripen E/F acumula 133 aeronaves contratadas: 60 para a Suécia, 36 para o Brasil, 17 para a Colômbia, 16 para a Ucrânia e quatro para a Tailândia. O número inclui unidades já entregues e, por isso, não equivale à carteira de produção ainda pendente. Caso a segunda fase tailandesa seja formalizada com oito aeronaves, o total chegará a 141.

O contrato ucraniano é o fato mais relevante do ano para o programa. Assinado em 30 de junho entre a Saab e a Administração de Material de Defesa da Suécia (FMV), cobre 16 Gripen E, peças de reposição e equipamentos, por cerca de 24,6 bilhões de coroas suecas, com entregas à FMV em 2029 e 2030. É a primeira parcela de uma cooperação que, segundo os governos sueco e ucraniano, poderá chegar a até 150 aeronaves. Paralelamente, a Suécia decidiu doar Gripen C/D à Ucrânia e comprar caças novos para repor os aviões cedidos, o que cria demanda adicional para a fabricante.

A Colômbia, por sua vez, firmou em novembro de 2025 contrato estimado em 3,1 bilhões de euros para 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. O Peru, que chegou a anunciar a escolha do Gripen em julho de 2025, ilustra o outro lado da moeda: o processo travou em meio à instabilidade política, e o governo peruano passou a sinalizar preferência pelo F-16 Block 70, ainda sem decisão formal confirmada. Intenções de compra, portanto, não podem ser somadas a contratos firmes.

Meta de quase dobrar a produção 
O desafio para a Saab está menos na soma dos pedidos do que na sobreposição dos cronogramas entre 2028 e 2032. Na teleconferência de resultados do segundo trimestre, em 17 de julho, o presidente e CEO da empresa, Micael Johansson, informou que a capacidade efetiva atual está próxima de 15 aeronaves por ano e que a meta é alcançar algo entre 25 e 30. A companhia não anunciou o ano em que atingirá esse ritmo, e a execução depende de fornecedores de motores, radares e sistemas eletrônicos, além de mão de obra qualificada e estoques.

A expansão não se limita à montagem final. Em São Bernardo do Campo (SP), a Saab abriu uma segunda linha de aeroestruturas e dobrou, de oito para 16 unidades por ano, a capacidade de produção da fuselagem traseira do caça, o que amplia a participação brasileira na cadeia de fornecimento do programa. 



O lugar de Gavião Peixoto 
Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, Saab e Embraer assinaram um acordo preliminar (Heads of Agreement, HoA) para a potencial produção de 20 Gripen adicionais em Gavião Peixoto, em complemento à linha sueca de Linköping, como noticiou o LRCA. As empresas pretendem concluir o acordo definitivo ainda em 2026; até lá, não há valores, cronograma nem destinatário definidos para essas aeronaves.

O acordo industrial veio pouco mais de um mês depois de o governo brasileiro manifestar, em 4 de junho, em Estocolmo, interesse em adquirir mais 20 Gripen para a Força Aérea Brasileira (FAB), além dos 36 do contrato de 2014. A intenção foi registrada em declaração assinada pelos ministros da Defesa José Múcio Monteiro Filho e Pål Jonson, que informaram estar em negociação um aditivo ao contrato existente; segundo Jonson, essas aeronaves seriam fabricadas no Brasil. As empresas, contudo, descrevem os 20 Gripen do HoA como capacidade para oportunidades nacionais e internacionais, sem esclarecer se correspondem ao lote pretendido pela FAB. Os dois números não devem, portanto, ser somados nem tratados automaticamente como a mesma encomenda.

A capacidade da linha brasileira ganhou demonstração concreta em 6 de outubro, quando o primeiro Gripen E montado no País realizou seu voo inaugural, conduzido por um piloto de testes da Saab. A aeronave é a primeira de 15 previstas para produção local dentro do contrato da FAB, que abrange 28 Gripen E e oito Gripen F. Concluída a campanha de aceitação, seguirá para o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), na Base Aérea de Anápolis (GO).

Colômbia, o primeiro teste exportador 
O contrato colombiano é o candidato mais provável a inaugurar a exportação a partir de Gavião Peixoto. Em junho, Johansson declarou à CNN Brasil que a Saab pretende fazer no Brasil o máximo possível do contrato com a Colômbia, ampliando a capacidade tanto em Linköping quanto na linha brasileira. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada em 7 de outubro informou que os 15 Gripen E colombianos deverão ser montados em Gavião Peixoto, e os dois Gripen F, em Linköping. A divisão de tarefas, entretanto, ainda carece de confirmação formal das fabricantes.

Tailândia, uma possibilidade ainda distante 
No caso tailandês, a montagem no Brasil é apenas uma hipótese. A RTAF exige transferência de tecnologia e cooperação industrial com a própria Tailândia, e a definição sobre onde as aeronaves serão montadas dependerá da negociação com Bangkok, da ocupação das linhas, dos custos e das condições de fornecimento. A distância geográfica, por si só, não determina a origem dos aviões; a ocupação de Linköping com os contratos sueco e ucraniano, por outro lado, pode fazer de Gavião Peixoto uma alternativa para distribuir a carga de produção.

Gripen F e os limites da participação brasileira 
A versão biposto, desenvolvida com participação da indústria brasileira, constitui outra dimensão da parceria. O primeiro F-39F foi apresentado em Linköping em 2 de junho e voou em agosto, na Suécia, onde cumprirá a campanha de ensaios antes da entrega à FAB. Brasil, Colômbia e Tailândia encomendaram exemplares dessa configuração. O envolvimento nacional no desenvolvimento pode gerar atividades adicionais de engenharia e fornecimento, mas não significa que os Gripen F exportados serão montados no País; no caso colombiano, a previsão é de que os bipostos saiam da linha sueca.

O que está em jogo para a BID 
Para a Base Industrial de Defesa (BID), a principal oportunidade é transformar a infraestrutura criada pelo Projeto F-X2 em atividade contínua. O programa já qualificou mais de 350 profissionais brasileiros na Suécia e, segundo levantamento do LRCA, está associado a mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos. Sem novas encomendas, porém, a linha de Gavião Peixoto teria sua carga de trabalho esgotada com o último dos 15 caças previstos no contrato original.

A nova intenção tailandesa reforça essa perspectiva, mas não assegura a montagem de aeronaves daquele país no Brasil. O avanço mais concreto está na combinação entre a capacidade já demonstrada pela Embraer, o acordo preliminar com a Saab, a intenção da FAB de ampliar a frota e o contrato colombiano. O passo decisivo será converter esses movimentos em contratos com atribuições de produção efetivamente definidas.

07 outubro, 2026

Primeiro Gripen E produzido no Brasil voa e consolida Gavião Peixoto na cadeia global do caça

Marco comprova que a transferência de tecnologia avançou da capacitação para uma capacidade industrial efetiva; linha da Embraer poderá complementar a produção sueca e atender futuras encomendas nacionais e internacionais



*LRCA Defense Consulting - 07/10/2026

O primeiro F-39E Gripen produzido no Brasil pela Embraer realizou nesta quarta-feira, 7 de outubro, seu voo inaugural a partir do complexo industrial de Gavião Peixoto (SP). Mais do que uma etapa prevista no processo de fabricação, o voo representa a comprovação prática de que o País passou a dominar, em território nacional, capacidades de montagem final, integração de sistemas, ensaios em solo e preparação de uma aeronave de caça avançada para testes em voo.


A missão foi conduzida por um piloto de testes da Saab e teve como objetivo verificar o funcionamento dos principais sistemas e validar as características de voo da aeronave. Segundo Embraer e Saab, os resultados confirmaram o desempenho esperado e produziram os dados necessários para a continuidade da campanha de ensaios de produção e aceitação que antecede a entrega à Força Aérea Brasileira (FAB).

Apresentado oficialmente em 25 de março, o caça é o primeiro de 15 exemplares previstos para produção no Brasil dentro do programa atualmente contratado. Depois da conclusão dos testes e do processo de aceitação, deverá seguir para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde se integrará ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade que opera o Gripen E no País. 


Da transferência de tecnologia à capacidade comprovada 
O significado industrial do voo está diretamente ligado à arquitetura escolhida pela FAB para o Programa Gripen. O contrato assinado em 2014 não se limitou à compra de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Ele incorporou um amplo processo de transferência de tecnologia e cooperação industrial, com engenheiros, técnicos, pilotos de testes e especialistas brasileiros trabalhando junto às equipes suecas em desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração, testes e manutenção.

Durante mais de uma década, esse processo criou infraestrutura, formou pessoal e inseriu empresas brasileiras na cadeia de fornecimento do programa. Em março, levantamento publicado pelo LRCA Defense Consulting apontou mais de 350 profissionais brasileiros treinados na Suécia, além da geração de mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos relacionados ao programa. A Saab também ampliou em São Bernardo do Campo (SP) a fabricação de aeroestruturas do Gripen, incluindo a fuselagem traseira, cuja capacidade anual passou de oito para 16 unidades após a abertura de uma segunda linha.

O voo inaugural em Gavião Peixoto é particularmente relevante porque transforma conhecimento transferido em capacidade demonstrada. Montar uma aeronave não equivale, por si só, a dominar todo o ciclo industrial. Ao participar do planejamento e da execução do primeiro voo, além da integração e dos testes anteriores, a Embraer demonstra que a estrutura brasileira alcançou um estágio no qual pode entregar uma aeronave completa para a campanha de aceitação. 


Gavião Peixoto deixa de ser apenas uma linha brasileira 

A evolução mais importante, porém, está no papel reservado à unidade paulista para os próximos anos. Gavião Peixoto abriga a única linha de montagem final do Gripen fora da Suécia e, desde julho, passou a ser formalmente considerada por Saab e Embraer como parte da expansão da capacidade mundial de produção do caça.

Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, as duas empresas assinaram um Heads of Agreement (HoA) que estabelece as bases para a potencial produção de 20 Gripen adicionais no Brasil. O documento ainda não constitui o contrato definitivo, mas prevê que a Embraer assuma a montagem dessas aeronaves e que a linha brasileira complemente a de Linköping, na Suécia, para responder ao crescimento da demanda global. As empresas declararam a intenção de concluir o acordo correspondente ainda em 2026.

Esse aspecto altera qualitativamente a posição brasileira no programa. A instalação criada inicialmente para atender parte da encomenda da FAB passa a ser tratada como elemento do sistema produtivo internacional do Gripen. O próprio comunicado divulgado após o voo inaugural afirma que o sucesso da missão valida Gavião Peixoto como parte integrante do sistema global de produção do caça.

Mercado internacional aumenta a importância da linha brasileira 

A expansão ocorre em um momento favorável ao Gripen E/F. Além das encomendas do Brasil e da Suécia, a Colômbia assinou em novembro de 2025 contrato de 3,1 bilhões de euros para 17 aeronaves, sendo 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. A Tailândia, que já opera o Gripen C/D, contratou quatro aeronaves da nova geração, três Gripen E e um Gripen F, em negócio de aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas.

A Ucrânia acrescenta uma variável de grande dimensão. Em maio, Estocolmo e Kiev anunciaram passos para uma possível aquisição inicial de até 20 Gripen E/F pela Ucrânia, paralelamente à intenção sueca de doar até 16 Gripen C/D. A Saab ressalvou, entretanto, que a negociação dos novos Gripen ainda não representa uma encomenda contratada.

Esse crescimento potencial da carteira pressiona a capacidade produtiva da Saab e ajuda a explicar a decisão de estruturar dois polos de montagem. Informações divulgadas pela própria empresa e acompanhadas pelo LRCA indicam que aeronaves destinadas a clientes internacionais poderão ser produzidas no Brasil. Isso não significa que toda nova encomenda será automaticamente direcionada a Gavião Peixoto, mas torna a unidade brasileira uma alternativa industrial concreta para distribuir carga de produção e reduzir prazos de entrega. 


A Colômbia pode ser o primeiro teste da vocação exportadora 

A encomenda colombiana é especialmente relevante por razões geográficas, logísticas e industriais. O LRCA vem acompanhando desde 2025 a possibilidade de participação da Embraer na produção dos Gripen destinados à Força Aeroespacial Colombiana. Com o contrato já assinado, o tema deixou de ser apenas uma hipótese comercial sobre a escolha do caça e passou a depender da definição de como Saab e Embraer distribuirão efetivamente a fabricação dos exemplares colombianos.

A proximidade entre os dois países e a existência de uma linha já capacitada na América do Sul favorecem Gavião Peixoto, mas a participação brasileira em cada lote deve ser tratada com cautela até que os fabricantes divulguem o planejamento industrial definitivo. O fato objetivo é que Saab e Embraer passaram a apresentar a planta paulista como instrumento para atender também à demanda global. 

Um ativo estratégico para a Embraer e para a BID 

Para a Embraer, a maturidade alcançada no Gripen amplia um conjunto de competências que vai além da fabricação de uma aeronave específica. A empresa já domina projetos complexos de aviação comercial, executiva e militar, mas a produção e os ensaios de um caça supersônico moderno acrescentam experiência em integração de sistemas de missão, processos industriais de elevada segurança, testes de produção e interação com cadeias internacionais de defesa.

Para a Base Industrial de Defesa (BID), o ganho mais importante é a permanência dessas competências no País. Transferência de tecnologia só produz valor estratégico duradouro quando gera pessoal qualificado, instalações, processos, propriedade intelectual acessível nos termos acordados e capacidade de aplicar o conhecimento em novos ciclos industriais. O voo de 7 de outubro constitui uma evidência concreta de que uma parcela relevante desse objetivo foi atingida.

Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, classificou o primeiro voo como um marco histórico e afirmou que as competências desenvolvidas ao longo dos anos se converteram em capacidades industriais reais e comprovadas no Brasil. Marcus Wandt, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab, destacou que a produção brasileira atingiu um novo nível de maturidade e cria uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no País. 


O próximo passo 

A aeronave que voou nesta quarta-feira seguirá agora pela campanha de testes de produção e aceitação antes da entrega à FAB. Em paralelo, a atenção se volta para dois movimentos: a continuidade da fabricação dos demais Gripen previstos para a linha brasileira e a transformação do acordo de julho para 20 aeronaves adicionais em contratos definitivos.

O contrato original de 2014 permanece como a base do programa brasileiro. O comunicado de 7 de outubro informa que dez aeronaves foram entregues à FAB até o momento, embora divulgações oficiais anteriores tenham apresentado contagens diferentes em determinados estágios do programa. Por essa razão, o número mais recente divulgado pelas empresas é o mais prudente para retratar a situação atual.

Se a expansão prevista for confirmada e Gavião Peixoto receber também aeronaves destinadas ao mercado externo, o primeiro voo realizado em 7 de outubro poderá ser lembrado como o momento em que a transferência de tecnologia do Programa Gripen ultrapassou definitivamente a condição de compensação industrial e passou a sustentar uma atividade brasileira permanente dentro de um programa mundial de aeronaves de combate.

24 outubro, 2025

Embraer como hub mundial de produção do Gripen: a oportunidade histórica além fronteiras


*LRCA Defense Consulting - 24/10/2025

A Embraer está diante de uma oportunidade histórica para se tornar uma das grandes produtoras mundiais de caças, especialmente do Gripen E, ao lado da Saab. A demanda internacional pelo caça sueco cresce graças ao seu equilíbrio entre tecnologia avançada e custo-benefício em relação aos concorrentes ocidentais, chineses e russos. No entanto, a capacidade de produção da Saab é limitada, e pressões políticas dos EUA intensificam a competição, especialmente contra aviões produzidos em larga escala como o J-10C chinês.

Mercado global e parceria estratégica
A projeção da Saab estima um mercado potencial para cerca de 3.000 caças supersônicos fora de Rússia e China nos próximos 20 anos, e um objetivo de conquistar de 10% a 15% desse mercado junto à Embraer, o que equivaleria a aproximadamente 300 a 450 aeronaves Gripen E/F em contratos internacionais, somando até US$ 35 bilhões em negócios. O Brasil, único país com uma linha de montagem do Gripen fora da Suécia, possui uma robusta estrutura de cooperação industrial e transferência de tecnologia com a Saab, incluindo engenharia, integração de sistemas, montagem final e ensaios em voo.​

Potencial industrial da Embraer
O envolvimento da Embraer na produção, desenvolvimento e, possivelmente, exportação do Gripen E permite ao Brasil assumir papel de destaque na cadeia global de fornecimento de caças de quarta e quinta geração. A parceria já gerou domínio tecnológico em radares, sensores de guerra eletrônica, sistemas de armas e aviônica, elevando a Embraer a patamares nunca antes alcançados pela indústria nacional.​

Além de aumentar sua capacidade instalada para atender aos pedidos nacionais e internacionais (atualmente para 15 das 36 unidades brasileiras, com capacidade ampliada), a Embraer pode absorver parte do mercado que a Saab não consiga atender sozinha, especialmente diante de contratos massivos como o negociado com a Ucrânia (até 150 aeronaves).​

Pressões geopolíticas e competição
Os EUA têm tentado dificultar vendas do Gripen, pressionando sobre transferências tecnológicas e componentes sensíveis, como o motor norte-americano do Gripen E, já ameaçando vetar exportações para países como a Colômbia. Isso torna o Brasil e a Embraer ainda mais estratégicos como plataforma de produção e exportação, podendo diversificar fornecedores e buscar soluções autônomas para manter o programa viável.​

Por outro lado, com o Rafale francês e outros concorrentes cheios de pedidos e com custos mais elevados, cresce o apelo internacional do Gripen E, competindo diretamente com o chinês J-10C e o russo Su-35, ambos produzidos em larga escala e fortemente subsidiados em seus mercados.​

A grande chance brasileira
A Embraer, ancorada em transferências de tecnologia, inovação e domínio na montagem do Gripen em solo nacional, pode ampliar sua capacidade produtiva e assumir protagonismo global na fabricação do caça, suprindo mercados estratégicos e respondendo à demanda cada vez maior por aeronaves de alto desempenho, baixo custo e moderna integração eletrônica. 

O momento é crítico para consolidar o Brasil como “hub” mundial de produção e exportação de Gripen, aproveitando brechas deixadas pela concorrência saturada e restrições impostas pelos EUA, transformando o país não só em consumidor, mas também em exportador de tecnologia militar de ponta.​

O futuro da Embraer como produtora mundial de caças, em parceria com a Saab, depende do sucesso em ampliar sua participação nos contratos internacionais, garantir autonomia diante de pressões externas e estimular o desenvolvimento tecnológico contínuo para manter o Gripen E competitivo frente a rivais chineses, russos e ocidentais.

Saiba mais:

- Brasil pode ser chave na produção dos caças Gripen para Ucrânia após conflito 

- Ucrânia e Suécia firmam acordo histórico para aquisição de até 150 caças Saab Gripen E 

23 outubro, 2025

Brasil pode ser chave na produção dos caças Gripen para Ucrânia após conflito


*LRCA Defense Consulting - 23/10/2025

Nesta quarta-feira, 22 de outubro de 2025, foi oficializada uma carta de intenções entre Suécia e Ucrânia para a venda de até 150 caças Gripen E, com a condição de que as entregas ocorram após o fim do conflito entre Ucrânia e Rússia. Diante do volume desse pedido, da já significativa produção em curso para a Força Aérea Brasileira e de outros pedidos existentes, há uma forte possibilidade de que a unidade brasileira da Saab, em parceria com a Embraer, integre o esforço produtivo para atender a essa demanda.

Desde 2015, Brasil e Suécia conduzem um programa de transferência de tecnologia pioneiro, que permite a produção local do caça Gripen E/F nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto, São Paulo, e na planta da Saab em São Bernardo do Campo. A Embraer é responsável pela montagem final de 15 das 36 aeronaves contratadas pela Força Aérea Brasileira, além de engajar cerca de 200 funcionários altamente treinados na produção e desenvolvimento do caça. 

A Saab já conta com uma capacidade anual de cerca de 24 unidades na Suécia, e a planta brasileira praticamente dobrou sua capacidade ao inaugurar uma segunda linha de produção exclusiva para fuselagens traseiras, a parte que abriga o motor supersônico do caça, passando a produzir até 16 fuselagens por ano.

Essa expansão industrial no Brasil não só fortalece a indústria aeroespacial nacional com transferência de tecnologia, geração de empregos qualificados e autonomia produtiva, mas posiciona o país como um importante polo de produção e exportação para a América Latina e o mundo. 

Experts destacam que, considerando a magnitude do pedido ucraniano, a capacidade exclusiva da Saab na Suécia dificilmente seria suficiente para entregas rápidas. Assim, a planta brasileira, dotada de infraestrutura moderna, engenheiros experientes e integração plena com a cadeia produtiva sueca, aparece como peça-chave para a fabricação conjunta das aeronaves pretendidas.

Primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson e presidente ucraniano Volodymyr Zelensky

Além da produção, o programa inclui desenvolvimento, ensaios em voo e manutenção do Gripen, com laboratórios dedicados à alta tecnologia, incluindo radares AESA e sensores de guerra eletrônica, equipamentos essenciais para o caça. A capacidade brasileira já ultrapassa o escopo do contrato inicial com a Força Aérea Brasileira, indicando a Saab Brasil como plataforma estratégica para a fabricante sueca se consolidar globalmente.

Em resumo, a aliança Saab-Embraer no Brasil tem potencial para viabilizar a produção em série dos caças Gripen E para a Ucrânia, complementando a linha sueca, e acelerar entregas após o término do conflito, além de consolidar o Brasil como um hub tecnológico e industrial premium no setor aeroespacial militar.

Verifica-se assim o impacto transformador do Programa Gripen Brasileiro, que há uma década vem moldando a indústria de defesa nacional, e agora assume uma dimensão internacional estratégica crucial para o futuro da aviação militar e as relações bilaterais Brasil-Suécia-Ucrânia.

Saiba mais:
- Ucrânia e Suécia firmam acordo histórico para aquisição de até 150 caças Saab Gripen E

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