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07 outubro, 2026

Primeiro Gripen E produzido no Brasil voa e consolida Gavião Peixoto na cadeia global do caça

Marco comprova que a transferência de tecnologia avançou da capacitação para uma capacidade industrial efetiva; linha da Embraer poderá complementar a produção sueca e atender futuras encomendas nacionais e internacionais



*LRCA Defense Consulting - 07/10/2026

O primeiro F-39E Gripen produzido no Brasil pela Embraer realizou nesta quarta-feira, 7 de outubro, seu voo inaugural a partir do complexo industrial de Gavião Peixoto (SP). Mais do que uma etapa prevista no processo de fabricação, o voo representa a comprovação prática de que o País passou a dominar, em território nacional, capacidades de montagem final, integração de sistemas, ensaios em solo e preparação de uma aeronave de caça avançada para testes em voo.


A missão foi conduzida por um piloto de testes da Saab e teve como objetivo verificar o funcionamento dos principais sistemas e validar as características de voo da aeronave. Segundo Embraer e Saab, os resultados confirmaram o desempenho esperado e produziram os dados necessários para a continuidade da campanha de ensaios de produção e aceitação que antecede a entrega à Força Aérea Brasileira (FAB).

Apresentado oficialmente em 25 de março, o caça é o primeiro de 15 exemplares previstos para produção no Brasil dentro do programa atualmente contratado. Depois da conclusão dos testes e do processo de aceitação, deverá seguir para a Base Aérea de Anápolis (GO), onde se integrará ao 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade que opera o Gripen E no País. 


Da transferência de tecnologia à capacidade comprovada 
O significado industrial do voo está diretamente ligado à arquitetura escolhida pela FAB para o Programa Gripen. O contrato assinado em 2014 não se limitou à compra de 36 aeronaves, sendo 28 Gripen E monopostos e oito Gripen F bipostos. Ele incorporou um amplo processo de transferência de tecnologia e cooperação industrial, com engenheiros, técnicos, pilotos de testes e especialistas brasileiros trabalhando junto às equipes suecas em desenvolvimento, engenharia, fabricação, integração, testes e manutenção.

Durante mais de uma década, esse processo criou infraestrutura, formou pessoal e inseriu empresas brasileiras na cadeia de fornecimento do programa. Em março, levantamento publicado pelo LRCA Defense Consulting apontou mais de 350 profissionais brasileiros treinados na Suécia, além da geração de mais de 2 mil empregos diretos e 10 mil indiretos relacionados ao programa. A Saab também ampliou em São Bernardo do Campo (SP) a fabricação de aeroestruturas do Gripen, incluindo a fuselagem traseira, cuja capacidade anual passou de oito para 16 unidades após a abertura de uma segunda linha.

O voo inaugural em Gavião Peixoto é particularmente relevante porque transforma conhecimento transferido em capacidade demonstrada. Montar uma aeronave não equivale, por si só, a dominar todo o ciclo industrial. Ao participar do planejamento e da execução do primeiro voo, além da integração e dos testes anteriores, a Embraer demonstra que a estrutura brasileira alcançou um estágio no qual pode entregar uma aeronave completa para a campanha de aceitação. 


Gavião Peixoto deixa de ser apenas uma linha brasileira 

A evolução mais importante, porém, está no papel reservado à unidade paulista para os próximos anos. Gavião Peixoto abriga a única linha de montagem final do Gripen fora da Suécia e, desde julho, passou a ser formalmente considerada por Saab e Embraer como parte da expansão da capacidade mundial de produção do caça.

Em 21 de julho, durante o Farnborough International Airshow, as duas empresas assinaram um Heads of Agreement (HoA) que estabelece as bases para a potencial produção de 20 Gripen adicionais no Brasil. O documento ainda não constitui o contrato definitivo, mas prevê que a Embraer assuma a montagem dessas aeronaves e que a linha brasileira complemente a de Linköping, na Suécia, para responder ao crescimento da demanda global. As empresas declararam a intenção de concluir o acordo correspondente ainda em 2026.

Esse aspecto altera qualitativamente a posição brasileira no programa. A instalação criada inicialmente para atender parte da encomenda da FAB passa a ser tratada como elemento do sistema produtivo internacional do Gripen. O próprio comunicado divulgado após o voo inaugural afirma que o sucesso da missão valida Gavião Peixoto como parte integrante do sistema global de produção do caça.

Mercado internacional aumenta a importância da linha brasileira 

A expansão ocorre em um momento favorável ao Gripen E/F. Além das encomendas do Brasil e da Suécia, a Colômbia assinou em novembro de 2025 contrato de 3,1 bilhões de euros para 17 aeronaves, sendo 15 Gripen E e dois Gripen F, com entregas previstas até 2032. A Tailândia, que já opera o Gripen C/D, contratou quatro aeronaves da nova geração, três Gripen E e um Gripen F, em negócio de aproximadamente 5,3 bilhões de coroas suecas.

A Ucrânia acrescenta uma variável de grande dimensão. Em maio, Estocolmo e Kiev anunciaram passos para uma possível aquisição inicial de até 20 Gripen E/F pela Ucrânia, paralelamente à intenção sueca de doar até 16 Gripen C/D. A Saab ressalvou, entretanto, que a negociação dos novos Gripen ainda não representa uma encomenda contratada.

Esse crescimento potencial da carteira pressiona a capacidade produtiva da Saab e ajuda a explicar a decisão de estruturar dois polos de montagem. Informações divulgadas pela própria empresa e acompanhadas pelo LRCA indicam que aeronaves destinadas a clientes internacionais poderão ser produzidas no Brasil. Isso não significa que toda nova encomenda será automaticamente direcionada a Gavião Peixoto, mas torna a unidade brasileira uma alternativa industrial concreta para distribuir carga de produção e reduzir prazos de entrega. 


A Colômbia pode ser o primeiro teste da vocação exportadora 

A encomenda colombiana é especialmente relevante por razões geográficas, logísticas e industriais. O LRCA vem acompanhando desde 2025 a possibilidade de participação da Embraer na produção dos Gripen destinados à Força Aeroespacial Colombiana. Com o contrato já assinado, o tema deixou de ser apenas uma hipótese comercial sobre a escolha do caça e passou a depender da definição de como Saab e Embraer distribuirão efetivamente a fabricação dos exemplares colombianos.

A proximidade entre os dois países e a existência de uma linha já capacitada na América do Sul favorecem Gavião Peixoto, mas a participação brasileira em cada lote deve ser tratada com cautela até que os fabricantes divulguem o planejamento industrial definitivo. O fato objetivo é que Saab e Embraer passaram a apresentar a planta paulista como instrumento para atender também à demanda global. 

Um ativo estratégico para a Embraer e para a BID 

Para a Embraer, a maturidade alcançada no Gripen amplia um conjunto de competências que vai além da fabricação de uma aeronave específica. A empresa já domina projetos complexos de aviação comercial, executiva e militar, mas a produção e os ensaios de um caça supersônico moderno acrescentam experiência em integração de sistemas de missão, processos industriais de elevada segurança, testes de produção e interação com cadeias internacionais de defesa.

Para a Base Industrial de Defesa (BID), o ganho mais importante é a permanência dessas competências no País. Transferência de tecnologia só produz valor estratégico duradouro quando gera pessoal qualificado, instalações, processos, propriedade intelectual acessível nos termos acordados e capacidade de aplicar o conhecimento em novos ciclos industriais. O voo de 7 de outubro constitui uma evidência concreta de que uma parcela relevante desse objetivo foi atingida.

Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, classificou o primeiro voo como um marco histórico e afirmou que as competências desenvolvidas ao longo dos anos se converteram em capacidades industriais reais e comprovadas no Brasil. Marcus Wandt, chefe da área de negócios Aeronautics da Saab, destacou que a produção brasileira atingiu um novo nível de maturidade e cria uma base sólida para o futuro desenvolvimento do Gripen no País. 


O próximo passo 

A aeronave que voou nesta quarta-feira seguirá agora pela campanha de testes de produção e aceitação antes da entrega à FAB. Em paralelo, a atenção se volta para dois movimentos: a continuidade da fabricação dos demais Gripen previstos para a linha brasileira e a transformação do acordo de julho para 20 aeronaves adicionais em contratos definitivos.

O contrato original de 2014 permanece como a base do programa brasileiro. O comunicado de 7 de outubro informa que dez aeronaves foram entregues à FAB até o momento, embora divulgações oficiais anteriores tenham apresentado contagens diferentes em determinados estágios do programa. Por essa razão, o número mais recente divulgado pelas empresas é o mais prudente para retratar a situação atual.

Se a expansão prevista for confirmada e Gavião Peixoto receber também aeronaves destinadas ao mercado externo, o primeiro voo realizado em 7 de outubro poderá ser lembrado como o momento em que a transferência de tecnologia do Programa Gripen ultrapassou definitivamente a condição de compensação industrial e passou a sustentar uma atividade brasileira permanente dentro de um programa mundial de aeronaves de combate.

26 setembro, 2026

Taurus no Gripen reforça perspectiva para mísseis brasileiros, mas integração exige etapas próprias

Avanço anunciado na Suécia mostra a capacidade de adaptação do caça; MICLA-BR é o candidato mais diretamente associado ao F-39, enquanto emprego do MARSUP ainda dependeria de decisões e estudos específicos



*LRCA Defense Consulting - 26/09/2026

A TAURUS Systems anunciou em 24 de setembro que concluiu em “tempo recorde” a integração do míssil de cruzeiro Taurus ao Gripen. O resultado é um sinal favorável para o Brasil, que opera o F-39 e desenvolve projetos próprios de mísseis de lançamento aéreo. Ele, contudo, não estabelece um prazo para integrar armamentos brasileiros nem prova que esse trabalho poderia repetir a velocidade alcançada na Suécia.

O comunicado da fabricante não informa a duração dos trabalhos, os testes realizados, o alcance da certificação ou a configuração precisa da aeronave. A notícia da Defense Express identifica o Gripen C/D sueco e relata que houve um primeiro lançamento em agosto. O F-39 brasileiro pertence à família Gripen E/F. Por isso, a experiência é um precedente relevante, mas seus resultados não podem ser transferidos automaticamente para a versão brasileira. 


O que a integração realmente demonstra 
A Saab apresenta o Gripen E como uma plataforma concebida para incorporar novos armamentos e atualizar suas funções de missão. Essa arquitetura pode facilitar o trabalho de engenharia. Ainda assim, a integração de um míssil envolve verificar peso e dimensões, suportes e alimentação elétrica, troca de dados, apresentação de informações ao piloto, programação da missão e separação segura durante o lançamento. Ensaios em solo e em voo e a aprovação da configuração completam o processo. A dificuldade e o prazo variam de arma para arma.

Há outra particularidade: a TAURUS Systems reúne a MBDA e a Saab entre seus acionistas. Essa relação industrial pode ter facilitado a cooperação no programa sueco. Ela não constitui, por si só, garantia de acesso equivalente a interfaces, equipes e recursos para um projeto brasileiro.

MICLA-BR é a conexão mais direta 
O MICLA-BR nasceu da busca da Força Aérea Brasileira por uma capacidade nacional de ataque de precisão a longa distância. Documentos de planejamento da Aeronáutica o descrevem como míssil de cruzeiro ar-superfície, com histórico de estudos para adaptar tecnologia do AV-TM 300. O LRCA Defense Consulting já registrou sua ligação histórica com a futura integração à família Gripen e observou que o projeto aparece no PLOA 2027 com R$ 11 milhões previstos para aquisição de mísseis de longo alcance.

A rubrica orçamentária, entretanto, não esclarece que material será adquirido, em que estágio está o armamento nem se há contrato de integração ao F-39. Uma eventual campanha dependeria de uma configuração definida do míssil, requisitos da FAB, financiamento, acesso aos dados técnicos necessários e um programa de ensaios acordado com os responsáveis pela aeronave.

MARSUP tem outro ponto de partida 
O MARSUP é objeto de um protocolo de intenções firmado em fevereiro entre a Marinha do Brasil e a SIATT para estudar mísseis ar-superfície antinavio derivados da experiência do MANSUP. Segundo a divulgação do projeto, o foco inicial está em aeronaves da Aviação Naval. Não há anúncio público de escolha do Gripen como plataforma do MARSUP ou de uma campanha para integrá-lo ao F-39.

A possibilidade merece estudo, sobretudo se houver interesse conjunto da Marinha e da FAB em uma capacidade antinavio lançada pelo caça. Seria necessário definir qual versão do míssil seria adequada, sua compatibilidade com a aeronave, a cadeia de designação de alvos marítimos e o custo da integração. Nesse caso, a experiência sueca inspira uma pergunta, não oferece uma resposta pronta. 


Uma oportunidade que depende de decisões 
O avanço com o Taurus mostra que o Gripen pode receber um míssil de cruzeiro de grande porte mediante um programa de integração bem conduzido. Para o Brasil, o principal ganho potencial está em planejar desde cedo o desenvolvimento do míssil e sua interface com o F-39 como partes de uma mesma capacidade operacional. A rapidez sueca fortalece a perspectiva, mas o calendário brasileiro só poderá ser estimado quando houver armamento definido, recursos contratados e dados públicos sobre os ensaios previstos.

06 agosto, 2026

Brasil e Suécia assinam plano de ação ampliando cooperação em defesa: Gripen, C-390 e novas frentes

Documento firmado em Brasília durante visita da chanceler sueca celebra bicentenário das relações bilaterais e abre novas frentes industriais em blindados, munições, drones e ciberespaço
 


*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, esteve em Brasília nesta quarta-feira (5/8) para uma visita oficial que resultou na assinatura, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, do documento intitulado Parceria Estratégica Brasil–Suécia, plano de ação para o terceiro século das relações bilaterais. O ato, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) como Nota à Imprensa nº 258, celebra os duzentos anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, iniciadas em 1826, e estabelece diretrizes para o aprofundamento da parceria em oito áreas, entre elas a cooperação em defesa, tratada no capítulo III do texto.

Brasil e Suécia reafirmaram, no documento, a satisfação com o andamento do contrato firmado em 27 de outubro de 2014 entre o governo brasileiro e a Saab, relativo ao Programa FX Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB), destinado à modernização e ao reequipamento da frota de caças supersônicos do País. As partes elogiaram a continuidade das entregas das 36 aeronaves Gripen F-39 adquiridas pelo Brasil e a consolidação da integração do programa na Base Aérea de Anápolis.

O texto também celebra dois marcos recentes do programa: a apresentação, em 25 de março de 2026, do primeiro Gripen E produzido em território brasileiro, e a cerimônia de roll-out, realizada em 2 de junho de 2026 na fábrica da Saab em Linköping, do primeiro Gripen F destinado à FAB, ocasião que contou com a presença do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho.

O plano de ação recorda ainda a declaração conjunta assinada por ocasião da visita oficial de Múcio ao seu homólogo sueco, Pål Jonson, em 4 de junho de 2026, que formalizou o início de negociações para uma emenda ao contrato vigente, com vistas à aquisição de vinte aeronaves Gripen E/F adicionais, de modo a atender requisitos identificados para a defesa nacional do Brasil. O mesmo encontro tratou da criação de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen, iniciativa que, segundo o documento, deve fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio da ampliação de capacidades tecnológicas e da formação de recursos humanos qualificados.

Entre as estruturas industriais citadas no acordo estão a unidade de apoio da Saab instalada na Base Aérea de Anápolis, a planta de produção erguida em São Bernardo do Campo e a integração da empresa sueca às instalações da Embraer em Gavião Peixoto, onde funciona a linha de produção do Gripen e onde a primeira aeronave nacional foi concluída em 2026.

Em contrapartida, o documento saúda a aquisição, pela Suécia, de quatro aeronaves multimissão de transporte tático Embraer C-390 em outubro de 2025, e registra a intenção dos dois governos de atuar conjuntamente na promoção do Gripen e do C-390 em terceiros mercados. O ato também comemora a entrada em vigor, em setembro de 2025, do Protocolo sobre Controle de Exportação de Produtos de Defesa entre os dois países, assinado em Brasília em 8 de novembro de 2022.

Novas frentes de cooperação e integração entre as bases industriais de defesa
Além da parceria aeronáutica, já consolidada, Brasil e Suécia sinalizaram intenção de explorar novas frentes de cooperação em material de defesa, incluindo veículos blindados, armamentos, munições, sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) e de combate a esses sistemas (C-UAS), resiliência de cadeias de suprimento, espaço e ciberespaço. O texto prevê ainda o incentivo à participação de delegações dos dois países em atividades de treinamento, no desenvolvimento de procedimentos táticos e em feiras e exposições do setor de defesa.

O plano de ação encoraja a integração entre as bases industriais de defesa dos dois países, com a identificação de oportunidades para que empresas brasileiras atuem como fornecedoras certificadas de subconjuntos, matérias-primas e tecnologias de uso dual nas cadeias de suprimento sueca e brasileira. Os governos também manifestaram intenção de fortalecer a cooperação institucional e industrial para assegurar fornecimento contínuo e previsível de armamentos e munições, e de incentivar parcerias de longo prazo, joint ventures e o codesenvolvimento de tecnologias entre empresas dos dois países, com vistas ao fortalecimento das capacidades de Defesa Total e da estrutura de mobilização suecas.

Do ponto de vista institucional, o documento reforça a importância das reuniões do Diálogo Político-Militar Brasil–Suécia, conhecido como Diálogo 2+2 e estabelecido em 2015, bem como da continuidade dos encontros do Comitê Executivo de Alto Nível (CAE) entre os dois países. Também é mencionado o grupo de trabalho formado pelo Ministério da Defesa do Brasil, pela FAB e pelo Ministério da Defesa da Suécia, criado a partir da carta de intenções assinada pelos ministros da Defesa dos dois países em novembro de 2024, em Natal (RN). 

Plano de ação mais amplo
A cooperação em defesa integra um plano de ação mais amplo, que também trata de diálogo político, comércio e investimentos, ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável, combate ao crime organizado e cooperação cultural. Segundo o próprio texto, o documento não cria obrigações juridicamente vinculantes, e sua implementação será acompanhada nas reuniões anuais do Mecanismo Bilateral de Consultas Políticas, realizadas de forma alternada em Brasília e Estocolmo.

15 fevereiro, 2026

F-39 Gripen atinge marco histórico com primeiro lançamento de bombas por piloto brasileiro

Operação Thor valida capacidade ar-solo da aeronave sueca e coloca Brasil como pioneiro em testes com armamentos específicos 


*LRCA Defense Consulting - 15/02/2026

A Base Aérea de Natal (BANT), no Rio Grande do Norte, foi palco de um marco histórico para a aviação militar brasileira. Durante a Operação Thor, finalizada no dia 06 de fevereiro, o Major Aviador Thiago Camargo, do Instituto de Pesquisas e Ensaios em Voo (IPEV), tornou-se o primeiro piloto brasileiro a lançar bombas com o caça F-39 Gripen, consolidando uma etapa crucial no desenvolvimento operacional da aeronave mais avançada da Força Aérea Brasileira (FAB).

Testes intensivos em solo potiguar
Ao longo de duas semanas, a aeronave de matrícula 4100, alocada no Gripen Flight Test Center em Gavião Peixoto (SP), foi submetida a ensaios rigorosos para validação da separação segura de armamentos. O objetivo principal foi garantir um desprendimento previsível, estável e sem comprometer a integridade estrutural do caça durante missões ar-solo.

"A separação acontece no instante em que o piloto aciona o botão de liberação de armamento, considerado um momento sensível da missão", explica o Coronel Aviador Alisson Henrique Vieira, coordenador geral da Operação Thor. "Por vezes, podem ocorrer fenômenos aerodinâmicos que interferem neste processo e geram situações de insegurança ou até mesmo danos à aeronave".

Pioneirismo brasileiro em escala global
Os testes realizados em Natal colocaram o Brasil em posição de destaque no cenário internacional. Segundo Mikael Olsson, chefe de Ensaios em Voos da Saab, o país tornou-se a primeira nação a realizar a separação das bombas Mk84 e Lizard 500 guiadas a laser a partir do Gripen.

"Os dados obtidos reforçam como a aeronave amplia de forma significativa a capacidade da Força Aérea Brasileira", afirmou Olsson, destacando o sucesso da campanha e o papel pioneiro do Brasil no desenvolvimento operacional do caça sueco.

Monitoramento em tempo real
Cada lançamento foi acompanhado por equipes técnicas altamente especializadas. No estande de tiro de Maxaranguape, ao norte de Natal, militares prepararam alvos, coordenaram as operações com a aeronave e registraram imagens para verificação precisa dos pontos de impacto.

O Coronel Alisson ressalta que, embora os voos sejam curtos, exigem intensa interação entre piloto e máquina. "Envolve ajustes e configurações não tão usuais na rotina. Por isso, recebemos uma carga de treinamento específico", esclarece.

Rumo à capacidade operacional plena
Considerado o estado da arte em aeronaves de caça, o F-39 Gripen integra tecnologias de ponta, sistemas avançados de sensores e armamentos projetados para operar em ambientes hostis e cenários de combate complexos. Com os dados coletados durante a Operação Thor, a aeronave avança para se tornar plenamente operacional em missões de defesa aérea, ataque ao solo e reconhecimento.

A validação bem-sucedida representa mais do que um avanço técnico; trata-se de um passo estratégico para ampliar a capacidade de dissuasão e defesa nacional. Em breve, o Gripen estará apto a cumprir todo o espectro de missões previsto, combinando eficiência operacional, elevada disponibilidade e custos reduzidos de manutenção, características essenciais para a modernização das forças armadas brasileiras.

Em muito breve, também, a Embraer apresentará o primeiro F-39 Gripen E totalmente produzido no Brasil. 

30 dezembro, 2025

Com caça F-39E Gripen plenamente operacional, FAB eleva dissuasão e soberania no espaço aéreo brasileiro

 


*LRCA Defense Consulting - 30/12/2025

A Força Aérea Brasileira (FAB) consolidou um dos passos mais aguardados de seu processo de modernização ao declarar que o caça F-39E Gripen alcançou plena capacidade operacional, coroando uma sequência de ensaios, certificações e exercícios de tiro real conduzidos ao longo de 2024 e 2025. O marco coloca o Brasil em um novo patamar de dissuasão e capacidade de resposta, ao combinar armamentos de última geração, integração em rede e elevada consciência situacional em um vetor já inserido na rotina operacional do Primeiro Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), o Esquadrão Jaguar.​

Segundo a FAB, a certificação operacional do Gripen resulta de uma campanha abrangente que envolveu o lançamento real do míssil ar-ar de longo alcance Meteor, a integração de mísseis de curto alcance e a plena validação dos sistemas de reabastecimento em voo com o KC-390 Millennium, além do primeiro exercício de tiro aéreo com o canhão Mauser BK-27 de 27 mm. Esses eventos, realizados em coordenação com o Instituto de Aplicações Operacionais (IAOP) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), permitiram avaliar desempenho, logística e doutrina de emprego em cenários reais, desde o alerta de defesa aérea até desdobramentos em diferentes regiões do território nacional.​

Do ponto de vista operacional, a chegada do Gripen representa um salto em relação às plataformas de gerações anteriores, como o F-5M, ao oferecer maior alcance, melhor performance em combate além do alcance visual (BVR) e um pacote de sensores e armamentos capaz de engajar múltiplos alvos em ambientes complexos. Com a combinação do radar avançado, sistemas de guerra eletrônica e datalinks táticos, o caça torna-se um nó central na arquitetura de comando e controle da FAB, ampliando a capacidade de vigilância e resposta rápida frente a ameaças aéreas ou incursões em áreas sensíveis.​

A plena capacidade operacional do F-39E também tem impacto direto sobre a doutrina e a formação de pilotos de caça, que vêm passando por processos de treinamento específicos, tanto na Suécia quanto no Brasil, para explorar todo o potencial do novo vetor multimissão. Exercícios recentes de tiro e reabastecimento em voo são usados como laboratório para o desenvolvimento de táticas, técnicas e procedimentos, reforçando a prontidão do 1º GDA para manter o alerta de defesa aérea 24 horas por dia.​
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No plano estratégico, a FAB destaca que a consolidação do Gripen como caça plenamente operacional fortalece a soberania e o domínio aeroespacial do país, ao integrar capacidade de defesa aérea, policiamento do espaço aéreo e missões de emprego de precisão em profundidade. A frota em expansão de F-39E, recebida em lotes ao longo dos últimos anos, passa agora a operar com todo o espectro de armamentos homologados, elevando o patamar tecnológico da Força e projetando efeitos sobre a indústria de defesa nacional, envolvida em transferência de tecnologia, engenharia e suporte logístico ao longo de todo o ciclo de vida da aeronave.

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