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24 julho, 2026

Grécia: KYSEA aprova contratos do C-390 e do Escudo de Aquiles e fecha o maior pacote de defesa do país

Conselho de Segurança Nacional grego referendou em 23 de julho a compra dos três C-390 por EUR 597 milhões, inserida num programa de modernização de EUR 4,3 bilhões presidido pelo sistema antimíssil israelense; ministro Dendias confirma que entregas do cargueiro da Embraer começam em 2027


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LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

A Grécia deu nesta quinta-feira, 23 de julho, o último passo institucional que faltava para transformar intenção em contrato: o Conselho de Governo para Assuntos Externos e Defesa Nacional (KYSEA), reunido no Palácio Maximos sob a presidência do primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis, aprovou os contratos de um pacote de aquisições de defesa avaliado em aproximadamente EUR 4,3 bilhões. O ministro da Defesa, Nikos Dendias, apresentou os programas e confirmou as decisões em entrevista coletiva ainda na tarde de quinta-feira.

Entre os itens aprovados estão os três Embraer C-390 Millennium — programa avaliado em EUR 597,5 milhões e que, desde a aprovação parlamentar de 10 de junho, aguardava o referendo do KYSEA para ter força contratual plena. A compra será executada por acordo governo a governo com Portugal, com a primeira aeronave prevista para 2027 e a última para 2030. Dendias confirmou que os aparelhos também terão capacidade de reabastecimento aéreo.

O Escudo de Aquiles: o centro de gravidade do pacote
A peça principal do programa aprovado pelo KYSEA é o sistema de defesa multicamadas batizado de Escudo de Aquiles, avaliado em até EUR 3,5 bilhões e construído em torno de tecnologia israelense. Rafael e Israel Aerospace Industries (IAI) fornecerão os componentes centrais: o sistema Spyder, o Barak MX e uma versão do David's Sling para defesa antibalística. Os três sistemas serão integrados por uma camada de comando e controle desenvolvida pela indústria de defesa grega, que participará do programa com EUR 700 milhões em contratos locais — ou seja, 25% do valor total.

"Estará pronto e totalmente operacional em 35 meses a partir de hoje", disse Dendias. O sistema substituirá e complementará as baterias Patriot americanas e os vetustos S-300 russos que hoje compõem o escudo aéreo grego, integrando-se à rede de sensores e armas que inclui as futuras fragatas FDI Belharra, os F-16 Viper modernizados e os até 40 caças F-35 previstos para aquisição nos próximos anos.

Os demais programas aprovados pelo KYSEA
Além do Escudo de Aquiles e dos três C-390, o KYSEA referendou em 23 de julho outros sete programas. A compra de dez veículos submarinos VICTA da britânica SubSea Craft, ao custo de EUR 145 milhões, equipará as Forças de Operações Especiais com plataformas de inserção capaz de operar tanto na superfície quanto submersa, com oito unidades a serem construídas nos estaleiros de Skaramangas e duas no Reino Unido. A aquisição de dez sistemas de drone V-BAT Classe II, da Shield AI, por EUR 71 milhões, provê a Força Aérea e o Exército com capacidade de reconhecimento e designação de alvos em vertical takeoff and landing. Um sistema adicional Heron 1 da IAI, por EUR 40 milhões, reforça a frota de VANTs de longa endurance da Força Aérea Helênica, que já opera um sistema do tipo. 

A modernização antisubmarina das quatro fragatas MEKO-200HN, com sonares de casco M660 da Elbit Systems (subsidiária canadense Geospectrum Technologies), custa EUR 24 milhões. A compra de mísseis anticarro Hellfire AGM-114R2 de guiamento a laser, por EUR 108 milhões via FMF americano, amplia a capacidade ofensiva dos helicópteros de ataque AH-64A+. Microsatélites de radar de abertura sintética (SAR) serão desenvolvidos em parceria com a Polônia, no âmbito do mecanismo europeu SAFE, por EUR 80 milhões. Por fim, EUR 75,6 milhões foram aprovados para binóculos de visão noturna com câmera térmica para a infantaria.

Uma cronologia que se acelerou
O programa C-390 para a Grécia percorreu em sete semanas um caminho que, em outros países, levou anos. Em 22 de maio, a Embraer e a Hellenic Aerospace Industry (HAI) assinaram um Memorando de Entendimento para o desenvolvimento de capacidades de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) em solo grego, um passo incomum que precedeu a aprovação formal e sinalizou que a decisão política já estava tomada. Em 10 de junho, a Comissão Especial Permanente de Programas e Contratos de Armamentos do Parlamento heleno aprovou o programa com os detalhes financeiros completos: EUR 597.586.682, com custo unitário médio de EUR 157,9 milhões e suporte logístico de EUR 90 milhões separados. Em 23 de julho, o KYSEA aprovou os contratos, encerrando o ciclo de aprovações institucionais.

A velocidade do processo reflete a urgência operacional. Dos 15 C-130 Hercules no inventário da Força Aérea Helênica, apenas cinco estavam operacionais no início de 2026, segundo o portal Defence-Point.gr. A situação levou o governo Mitsotakis a optar pelo mecanismo governo a governo com Portugal para acelerar a contratação, dispensando um processo concorrencial autônomo que poderia levar mais dois anos.

A derrota da Lockheed Martin após cinco décadas
A escolha do C-390 encerrou um monopólio de cinco décadas da Lockheed Martin no mercado de aeronaves de transporte tático da Grécia. O C-130J Super Hercules foi avaliado, assim como o Airbus A400M, mas o Estado-Maior da Aeronáutica heleno concluiu que o C-390 apresenta custo total de ciclo de vida inferior e desempenho superior nas missões prioritárias para a HAF. O C-390 é mais veloz, carrega mais carga e opera com dois motores turbofan IAE V2500 amplamente distribuídos na aviação civil, o que facilita e barateia a manutenção. O portal Pronews.gr, em análise publicada antes da aprovação do KYSEA, citou diferença de até 35% no custo operacional em favor do cargueiro brasileiro.

Há ainda um fator estratégico raramente mencionado nas declarações oficiais, mas registrado pelo MiGFlug e outros portais especializados: a Grécia evita, por princípio, operar os mesmos sistemas que a Turquia, sua rival regional. Ancara emprega uma extensa frota de C-130 e Airbus A400M, o que tornaria a adoção de qualquer uma dessas aeronaves politicamente delicada em Atenas.

O 13º país de um programa em expansão acelerada
Com a aprovação do KYSEA, a Grécia se consolida como o 13º país a selecionar o C-390 Millennium. O programa acumula operadores entre membros da Otan (Brasil, Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Suécia, Lituânia, Eslováquia, Coreia do Sul) e expandiu seu alcance geográfico em maio de 2026 com o pedido dos Emirados Árabes Unidos por 20 aeronaves (10 firmes e 10 opções), sua estreia no Oriente Médio. A frota brasileira, com 19 unidades em serviço e mais de 14.000 horas de voo acumuladas, apresenta taxa de disponibilidade superior a 99%.

Para a Embraer, o contrato grego é também um ativo de campanha comercial. A Eslováquia ainda negocia os termos finais para três aeronaves, e a Turquia  (cujo comandante da Força Aérea, general Ziya Cemal Kadıoğlu, visitou a Base Aérea nº 11 de Beja em maio de 2026) analisa o C-390 como opção para modernizar sua própria frota de C-130. Cada novo operador europeu amplia a rede de MRO, formação e cadeia de suprimentos que torna a plataforma mais atrativa para os seguintes.

O contexto: EUR 28 bilhões e uma nova doutrina
O pacote aprovado pelo KYSEA não é um evento isolado. É o maior salto de um programa de modernização das Forças Armadas gregas que prevê investimentos de EUR 28 bilhões até 2036, o mais ambicioso da história moderna do País. O programa inclui ainda até 40 caças F-35 adquiridos dos Estados Unidos, fragatas FDI Belharra encomendadas à França e corvetas Belh@rra da Itália. A Grécia destina perto de 3,5% do seu PIB à defesa, uma das proporções mais altas entre os membros da Otan, impulsionada pela disputa territorial persistente com a Turquia e pelo novo ambiente de segurança moldado pelos conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.

A aprovação do Escudo de Aquiles e do C-390 no mesmo pacote revela uma doutrina em construção: a Grécia busca simultaneamente a capacidade de negar o espaço aéreo (com o escudo multicamadas israelense) e a capacidade de projetar força e executar missões logísticas e de evacuação além de seu território (com o C-390 em papel de transporte, tanqueiro e medevac). Os dois vetores, defesa e projeção, integram a mesma decisão política.

GRÉCIA: CRONOLOGIA E NÚMEROS DO C-390

MoU Embraer / HAI (MRO)

22 de maio de 2026

Aprovação parlamentar

10 de junho de 2026

Aprovação KYSEA (contratual)

23 de julho de 2026

Valor total do contrato

EUR 597.586.682 (incl. retenções de 6%)

Custo das 3 aeronaves

EUR 473.723.440 (média: EUR 157,9 M/unidade)

Suporte logístico inicial

EUR 90.037.580

Mecanismo contratual

Governo a governo com Portugal

Entregas previstas

2027 (1ª aeronave) a 2030 (última)

Capacidade de reabastecimento

Sim (sistema de cesta/basket, confirmado por Dendias)

Contexto orçamentário grego

EUR 28 bilhões em defesa até 2036

Posição no ranking de operadores

13º país a selecionar o C-390

 

10 junho, 2026

Grécia aprova compra de três C-390 por EUR 597 milhões e se torna o 13º país a escolher o cargueiro da Embraer

Comissão de Armamentos do Parlamento helênico aprovou o programa nesta quarta-feira; contrato será firmado com Portugal via acordo governo a governo; entregas previstas entre 2027 e 2030

 

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LRCA Defense Consulting - 10/06/2026

A Grécia cruzou nesta quarta-feira, 10 de junho, o limiar que transforma intenção em decisão. A Comissão Especial Permanente de Programas e Contratos de Armamentos do Parlamento helênico aprovou, em sessão realizada no período da tarde, a aquisição de três aeronaves de transporte C-390 Millennium da Embraer, num contrato avaliado em 597.586.682 euros, incluindo impostos e retenções de 6%. O programa, que será executado ao longo de seis anos por meio de acordo governo a governo com Portugal, marca o ingresso da Grécia em um clube europeu de operadores do cargueiro brasileiro que já reúne 12 países.

A aprovação parlamentar é o rito institucional que, no sistema grego de aquisições de defesa, precede formalmente a assinatura do contrato. Com ela, o C-390 passa de candidato favorito a escolha ratificada.

Os números do contrato
O documento examinado pela comissão parlamentar detalha a estrutura financeira do programa com precisão incomum para esta fase do processo. O custo das três aeronaves em si soma 473.723.440 euros, o que resulta em um preço unitário médio de 157.907.813 euros, valor que inclui a configuração com sistemas de autodefesa, capacidade de reabastecimento aéreo e equipamento de evacuação aeromédica exigidos pela Força Aérea Helênica (HAF). O suporte logístico integrado para os primeiros anos de operação acrescenta outros 90.037.580 euros ao total.

O primeiro avião será entregue em 2027 e o último em 2030. O mecanismo contratual escolhido é o acordo governo a governo com Portugal, o primeiro operador europeu e o primeiro membro da Otan a incorporar o C-390 ao serviço. Lisboa assinou em setembro de 2025 um aditivo ao seu contrato original que incluiu dez opções de compra transferíveis a nações parceiras, mecanismo que viabiliza a aquisição grega sem a necessidade de um processo concorrencial autônomo.

O portal Defence-Point.gr, que publicou os detalhes financeiros do pacote antes da sessão parlamentar, destacou ainda que a aquisição não será financiada pelo instrumento europeu SAFE, pois este exige que 65% do valor econômico do produto seja gerado na Europa, condição que o C-390 não atende integralmente na configuração prevista.

Uma frota em colapso operacional
O pano de fundo que tornou a decisão urgente é conhecido há anos, mas os números apresentados ao Parlamento grego são mais graves do que o noticiado até recentemente. O portal especializado Pronews.gr revelou que a Força Aérea Helênica possui 15 C-130 Hercules em seu inventário, mas apenas cinco se encontram operacionais e em voo ativo no momento. Segundo o mesmo texto, houve períodos recentes em que um único exemplar ou mesmo nenhum estava disponível para missões, resultado de crônicos problemas de manutenção e falta de sobressalentes.

Dos 15 C-130 gregos, os demais estão em manutenção de fábrica pesada (na Hellenic Aerospace Industry, em hangares estrangeiros ou sob programas de suporte), ou imobilizados em armazenamento de longa duração na base de Tanagra. A situação dos C-27J Spartan, aeronaves de porte menor, também é precária: das oito unidades recebidas (de uma encomenda original de 12), entre cinco e seis estão operacionais, com disponibilidade que já chegou a níveis críticos por falta de peças.

O Defence-Point.gr acrescenta que a rápida execução do programa derruba, na avaliação do portal, a narrativa do Ministério da Defesa Nacional sobre a recuperação da disponibilidade da frota existente, dado que a taxa de retorno das aeronaves após manutenção na HAI permanece muito baixa. A última entrega de um C-130 revisado ocorreu em 14 de março de 2025.

C-130J derrotado após cinco décadas de monopólio
O C-390 venceu a disputa contra o C-130J Super Hercules da Lockheed Martin, que durante cinco décadas abasteceu sozinho o estoque de aeronaves de transporte da Força Aérea Helênica. A avaliação técnica do Estado-Maior da Aeronáutica grego concluiu que o C-130J apresenta custo total de aquisição e custo operacional superiores aos do cargueiro brasileiro. Os números colocados em circulação nos portais gregos apontam para uma diferença de até 60% no custo de ciclo de vida em favor do C-390.

A superioridade técnica do C-390 sobre o C-130J é multidimensional. O jato brasileiro é mais veloz (988 km/h contra 643 a 670 km/h do turboprop americano), carrega mais carga (26 toneladas contra 19 a 20 toneladas), opera em altitude de cruzeiro de até 36.000 pés (contra 26.000 a 28.000 pés do C-130J com carga), e tem dois motores turbofan IAE V2500 em vez dos quatro turboprops do Hercules, o que reduz sensivelmente as horas de manutenção e o custo de sobressalentes. A Grécia também considerou e descartou o Airbus A400M, plataforma maior e mais cara, avaliada como excessiva para as necessidades operacionais da HAF.

Reabastecimento aéreo, autodefesa e medevac: três requisitos não negociáveis
A especificação grega vai além da simples substituição de capacidade de transporte. A HAF exigiu três funcionalidades adicionais que transformam o C-390 em multiplicador de poder para o conjunto das Forças Armadas. A primeira é o sistema de autodefesa (suíte de guerra eletrônica, alerta de mísseis, flares, chaffs e contramedidas infravermelhas direcionadas), essencial para operações no Mar Egeu e no Mediterrâneo Oriental, cenário de tensão permanente no contexto das relações greco-turcas. A segunda é a capacidade de reabastecimento aéreo com sistema de cesta (basket), que permitirá apoiar os caças Rafale da frota helênica e, em uma segunda fase, eventualmente também os F-16, abrindo para a Grécia uma capacidade que o país historicamente não possui. A terceira é o equipamento de evacuação aeromédica, de relevância tanto militar quanto humanitária para um país com centenas de ilhas habitadas.

Portugal como intermediário e modelo operacional
A escolha do mecanismo governo a governo com Portugal reflete um cálculo estratégico que vai além da conveniência procedimental. Lisboa é o país europeu com mais experiência operacional no C-390: a Base Aérea nº 11 de Beja concentra toda a frota portuguesa, opera o simulador de voo completo do tipo e formou pilotos de outros países. Em janeiro de 2026, Portugal recebeu o quarto C-390 da frota, o primeiro equipado com kit completo de reabastecimento aéreo, com tanques na fuselagem e pods sob as asas.

O ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, visitou Beja em maio de 2026 a convite do colega português, Nuno Melo, e declarou publicamente o interesse de Atenas na aeronave. Menos de três semanas depois, a Embraer e a Hellenic Aerospace Industry (HAI) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para o desenvolvimento de capacidades locais de MRO (Manutenção, Reparo e Revisão) na Grécia, sinalizando que a decisão política já estava tomada. A aprovação parlamentar desta quarta-feira confirma essa leitura.

O 13º país de um clube em expansão acelerada
Com a decisão grega, o C-390 alcança 13 países compradores ou operadores. O programa acumula clientes entre membros da Otan (Brasil, Portugal, Hungria, Áustria, República Tcheca, Países Baixos, Suécia, Lituânia, Eslováquia, Coreia do Sul) e ampliou seu alcance geográfico em maio de 2026 com um pedido dos Emirados Árabes Unidos de 20 aeronaves (10 firmes e 10 opções), sua estreia no Oriente Médio. A frota brasileira, com 19 unidades em serviço e mais de 14.000 horas de voo acumuladas, apresenta taxa de disponibilidade superior a 99%, número frequentemente citado pela Embraer em apresentações a clientes potenciais.

Para a Embraer, a adesão da Grécia representa mais um avanço na substituição dos veteranos C-130 no mercado europeu. O contrato grego, somado ao MoU com a HAI e ao histórico de mais de duas décadas de parceria com a Força Aérea Helênica por meio dos jatos ERJ-135LR e ERJ-145 AEW&C em operação desde 2000, consolida a empresa brasileira como fornecedora de referência no setor aeroespacial de defesa grego. As entregas estão previstas para o período de 2027 a 2030.

GRÉCIA: OS NÚMEROS DA COMPRA DO C-390

Valor total do contrato

EUR 597.586.682 (incl. retenções de 6%)

Custo das 3 aeronaves

EUR 473.723.440 (média: EUR 157,9 M/unidade)

Suporte logístico inicial

EUR 90.037.580

Mecanismo contratual

Governo a governo com Portugal

Prazo de execução

6 anos (entregas: 2027 a 2030)

Financiamento SAFE

Não aplicável (regra dos 65% europeus)

C-130 operacionais na HAF

5 de 15 em inventário

C-390 selecionados (fase 1)

3 unidades (opção de mais 3 em fase 2)

Concorrentes avaliados

C-130J Super Hercules (Lockheed Martin) e A400M (Airbus)

Aprovação parlamentar

10 de junho de 2026

 

22 maio, 2026

Embraer e indústria aeroespacial grega firmam MoU e pavimentam caminho para o C-390 em Atenas

Acordo com a Hellenic Aerospace Industry prevê capacidade de MRO na Grécia e autonomia operacional para a Força Aérea Helênica; país está na reta final para adquirir até seis unidades do cargueiro multimissão

 

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LRCA Defense Consulting - 22/05/2026

A Embraer formalizou nesta sexta-feira, 22 de maio, um Memorando de Entendimento (MoU) com a Hellenic Aerospace Industry (HAI), a principal organização industrial da Grécia nos setores aeroespacial e de defesa. O documento foi assinado por Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa e Segurança, e por Alexandros Diakopoulos, presidente executivo da HAI, e estabelece as bases para o desenvolvimento de capacidades locais de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO) para a futura frota de aeronaves C-390 Millennium da Força Aérea Helênica (HAF), conforme os termos literais do comunicado da empresa.

O acordo chega em momento de alta relevância estratégica. Informações do portal de defesa grego OnAlert indicam que a decisão sobre a compra das primeiras três aeronaves pode ser formalizada nos próximos meses, com possibilidade de expansão para seis unidades em uma segunda fase. O ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, visitou a Base Aérea de Beja, em Portugal, em maio de 2026, e declarou publicamente o interesse de Atenas no cargueiro brasileiro.

Industrialização como pilar do negócio
O MoU vai além da declaração de intenções comerciais. O texto descreve como objetivo dotar a Força Aérea Helênica da autonomia operacional e de suporte necessária para gerenciar sua futura frota, ao mesmo tempo que aprimora as capacidades da indústria nacional. Na prática, isso significa transferência de tecnologia e edificação de infraestrutura de manutenção em solo grego, sob gestão da HAI.

Com sede em Tanagra, a HAI tem meio século de experiência em manutenção, reparo e modernização de aeronaves militares e civis, além de desenvolvimento de veículos aéreos não tripulados e participação em programas aeroespaciais internacionais. "A HAI destaca-se naturalmente como o parceiro ideal para nós na Grécia", afirmou Caparica, ao justificar a escolha do parceiro local.

Para Diakopoulos, o acordo transcende a dimensão comercial. "O desenvolvimento de capacidades de manutenção e suporte para o C-390 na Grécia não só atende às necessidades operacionais da Força Aérea Helênica, como também constrói uma base industrial de valor duradouro para o nosso país", declarou o executivo.

Douglas Lobo, vice-presidente de Suporte ao Cliente e Vendas Pós-Venda da Embraer Serviços e Suporte, destacou que o memorando "permitirá que a Embraer fortaleça ainda mais sua presença na Grécia e reforce seu relacionamento de longa data com o país", e anunciou planos de expansão das capacidades de MRO locais com compartilhamento de expertise em suporte.

Uma relação que antecede o C-390
A parceria Embraer-Grécia não começa do zero. Em dezembro de 2023, a empresa brasileira assinou com a Força Aérea Helênica um contrato de serviços e suporte integrado para uma aeronave ERJ-135LR e quatro ERJ-145 AEW&C (aeronave de alerta antecipado e controle aéreo), cobrindo peças de reposição, reparos, pool de componentes, manutenção e serviços técnicos. Os jatos da família ERJ-135/145 operam na Grécia desde janeiro de 2000, o que confere à relação bilateral mais de duas décadas de histórico operacional. O MoU desta sexta-feira é, portanto, um aprofundamento de parceria já consolidada.

A frota que precisa ser renovada
O principal catalisador do programa é a situação da frota de C-130H da Força Aérea Helênica. No início de 2025, apenas quatro das nove aeronaves do tipo disponíveis no inventário grego se encontravam operacionais. A Grécia avaliou a compra de C-130J usados da Itália e fez pedido formal ao governo americano por C-130J-30 novos em dezembro de 2025, mas a balança da avaliação técnica e econômica pende progressivamente para o lado da Embraer.

A vantagem brasileira é multidimensional. O KC-390 é mais veloz (870 km/h contra 660 km/h do turbopropulsor americano), carrega mais carga (26 toneladas contra 21 toneladas) e tem seus motores turbofan IAE V2500 amplamente difundidos na aviação comercial, o que simplifica e barateia a manutenção. Na avaliação do Estado-Maior da Aeronáutica grego, o custo de ciclo de vida e a disponibilidade operacional projetada do C-390 superam as da plataforma americana.

Reabastecimento, autodefesa e medevac: uma aeronave de múltiplos papéis
A Força Aérea Helênica não busca uma simples reposição de capacidade de transporte. O KC-390 grego deverá ser adquirido com sistema de autodefesa, capacidade de reabastecimento aéreo e equipamento de evacuação aeromédica, transformando-o em multiplicador de poder para o conjunto das Forças Armadas do país.

O reabastecimento aéreo é o aspecto mais estratégico do programa. A Grécia historicamente não dispõe dessa capacidade e a aeronave, configurada com sistema de cesta (basket), permitirá apoiar, em uma primeira fase, os caças Rafale da frota helênica, com a perspectiva de uma haste rígida (boom) para outros tipos em um segundo momento. A dimensão da evacuação aeromédica também é sensível para um país com centenas de ilhas habitadas, onde a capacidade assume caráter tanto militar quanto humanitário.

Portugal como modelo e porta de entrada
A cooperação com Portugal é citada pelas duas partes como elemento estruturante do programa. Lisboa é o primeiro país europeu e o primeiro membro da Otan a operar o KC-390. Em setembro de 2025, aditivou o contrato original para incluir uma sexta aeronave e dez novas opções de compra transferíveis a nações parceiras, mecanismo que pode viabilizar a aquisição grega via governo a governo. A Base Aérea nº 11 de Beja, com toda a frota portuguesa e seu simulador de voo completo, é a vitrine europeia da plataforma.

O quarto KC-390 entregue a Portugal, em janeiro de 2026, foi o primeiro da frota lusitana equipado com kit de reabastecimento aéreo completo. A infraestrutura de Beja tem recebido uma sequência de visitantes militares de alto nível: o ministro da Defesa da Eslováquia (março de 2026), o ministro Dendias (maio de 2026) e o general Ziya Cemal Kadıoglu, comandante da Força Aérea da Turquia (também em maio de 2026), este buscando referências para a futura modernização de sua própria frota de C-130, igualmente envelhecida.

Um clube de 12 países e crescendo
Até maio de 2026, o KC-390 havia sido selecionado por 12 países: Brasil (19 unidades), Portugal (6), Hungria, Áustria, Republica Tcheca, Suécia, Países Baixos, Lituânia, Eslováquia, Coreia do Sul, Uzbequistão e Emirados Árabes Unidos. O pedido dos Emirados, anunciado em maio de 2026 e totalizando 20 aeronaves (10 firmes e 10 opções), marcou a estreia do programa no Oriente Médio. A frota brasileira acumulou mais de 14.000 horas de voo com taxa de disponibilidade superior a 99%, números frequentemente citados em apresentações a clientes potenciais.

Para a Embraer, o MoU com a HAI reforça a estratégia de longo prazo de expandir sua presença no mercado europeu. A adesão da Grécia consolidaria mais um avanço no processo de substituição dos veteranos C-130 no Velho Continente. O governo grego sinalizou investimentos da ordem de 28 bilhões de euros em defesa ate 2036, após longo período de restrições decorrente da crise financeira iniciada em 2009.
MBRAER E HAI: OS NÚMEROS DO ACORDO


Acordo firmado

MoU Embraer / Hellenic Aerospace Industry (HAI)

Data

22 de maio de 2026

Signatários

Fabio Caparica (Embraer) e Alexandros Diakopoulos (HAI)

Objeto

MRO e suporte ao C-390 Millennium na Grécia

Aeronaves previstas

3 (fase 1) + ate 3 adicionais (fase 2)

Relação Embraer-Grécia

Desde janeiro de 2000 (ERJ-135/145)

Países operadores do KC-390

12 (ate maio de 2026)

Capacidade de carga KC-390

26 t (C-130J: 21 t)

Velocidade KC-390

870 km/h (C-130J: 660 km/h)

Investimento grego em defesa

EUR 28 bilhões previstos ate 2036

 

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