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17 agosto, 2025

Parcerias estratégicas impulsionam aviação sustentável e militar: a conexão entre SNC, Embraer, Deutsche Aircraft e Akaer


*LRCA Defense Consulting - 17/08/2025

Em um cenário global onde a aviação busca aliar inovação, sustentabilidade e eficiência operacional, as empresas Sierra Nevada Corporation (SNC), Embraer, Deutsche Aircraft e Akaer emergem como protagonistas em parcerias estratégicas que estão moldando o futuro da aviação regional e militar. Essas colaborações combinam expertise técnica, capacidade de produção e visão estratégica para atender às demandas de forças aéreas e mercados comerciais, com foco em soluções econômicas e ambientalmente responsáveis. 

Esta reportagem explora as conexões entre essas empresas, suas contribuições e os projetos que estão transformando o setor aeroespacial.

SNC e Embraer: uma parceria consolidada no A-29 Super Tucano
A relação entre a Sierra Nevada Corporation, sediada em Sparks, Nevada (EUA), e a brasileira Embraer é um exemplo de colaboração bem-sucedida no setor de defesa. Desde o início da década de 2010, as duas empresas uniram forças para produzir, comercializar e oferecer suporte ao A-29 Super Tucano, uma aeronave de ataque leve e treinamento avançado amplamente reconhecida por sua versatilidade e custo-benefício. 

A parceria foi inicialmente impulsionada pelo programa Light Air Support (LAS) da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF), no qual a SNC atua como contratante principal e a Embraer fornece sua expertise em design e fabricação aeronáutica. Para atender aos requisitos do programa LAS, as empresas construíram uma fábrica em Jacksonville, Flórida, onde o A-29 é produzido para contratos militares dos EUA, como o fornecimento de 20 aeronaves para a Força Aérea do Afeganistão, iniciado em 2013, e 12 unidades para a Força Aérea da Nigéria, encomendadas em 2018. Além da fabricação, a parceria inclui treinamento de pilotos, suporte logístico e manutenção, com entregas bem-sucedidas também ao Líbano (6 aeronaves, concluídas em 2018) e demonstrações para outras forças aéreas, como a de Gana.

Com mais de 230 mil horas de voo, incluindo 40 mil em combate, o A-29 Super Tucano é um testemunho da sinergia entre a inovação tecnológica da Embraer e a expertise da SNC em contratos governamentais e logística. “A colaboração combina a capacidade de produção da Embraer com nossa habilidade em atender às demandas do mercado de defesa global”, afirmou um porta-voz da SNC em comunicado recente. A parceria continua a explorar novas oportunidades, com a Embraer prevendo novos pedidos do A-29 em 2025, segundo o CEO de Defesa da empresa, Bosco da Costa Jr.

Dornier 328-110 C-146A Wolfhound - Força Aérea dos EUA (Foto: Gary Hebbard)

SNC e Deutsche Aircraft: sustentabilidade e expansão europeia
A SNC também desempenha um papel central como controladora majoritária da Deutsche Aircraft, uma fabricante alemã de aeronaves regionais que surgiu da aquisição da 328 Support Services GmbH em 2015. Renomeada como Deutsche Aircraft GmbH, a empresa opera como uma subsidiária integral da SNC, com sede em Leipzig, Alemanha, e foco no desenvolvimento de soluções de aviação sustentável, como o D328eco, um turboélice de 40 lugares projetado para entrar em serviço em 2027.

A Deutsche Aircraft aproveita o legado da Dornier 328, detendo os direitos de propriedade intelectual e o certificado de tipo para cerca de 200 aeronaves D328 em operação globalmente. A SNC, por sua vez, aporta sua expertise em modificação de aeronaves e integração de sistemas, apoiando a missão da Deutsche Aircraft de liderar a aviação regional com tecnologias ecoeficientes. 

O D328eco será compatível com combustíveis de aviação sustentáveis (SAF) e está sendo desenvolvido como uma plataforma para testar propulsão híbrida e fontes alternativas de energia, como hidrogênio, em parceria com o German Aerospace Center (DLR) e outros fornecedores.

Em 2022, a Deutsche Aircraft Holdings (DAH), entidade controlada pela SNC, recebeu um investimento minoritário da OHB SE, uma empresa alemã de tecnologia aeroespacial, e da AFK Enterprise AG, um fundo suíço. Esse aporte visa acelerar o desenvolvimento do D328eco e outras tecnologias verdes, mas a SNC mantém o controle majoritário, reforçando sua posição estratégica na Europa. A transação, ainda sujeita à aprovação regulatória do governo alemão, destaca a relevância da Deutsche Aircraft para a indústria aeroespacial alemã.

Além disso, a Deutsche Aircraft é responsável pelo suporte à frota global de Dornier 328, incluindo a variante C-146A Wolfhound, operada pelo Comando de Operações Especiais da USAF. Com cerca de 20 unidades, a USAF é a maior operadora mundial do D328, utilizando-o em missões de transporte, carga e evacuação médica. A colaboração entre SNC e Deutsche Aircraft garante a confiabilidade e versatilidade dessas aeronaves, que já acumulam mais de 200 mil horas de voo operacionais.

Akaer e Deutsche Aircraft: uma ponte transatlântica para o D328eco
A brasileira Akaer, líder em inovação aeroespacial, entrou na equação como parceira estratégica da Deutsche Aircraft no desenvolvimento do D328eco. Em março de 2024, a Akaer foi selecionada para fabricar a fuselagem dianteira do turboélice, incluindo industrialização, ferramental, protótipos e estudos de engenharia. A linha de montagem foi oficialmente inaugurada em 12 de agosto de 2025, em São José dos Campos, Brasil, marcando um marco significativo para a aviação regional sustentável.

Essa parceria não apenas consolida a Akaer como fornecedora global Tier 1, mas também reforça o papel do Brasil como um hub aeroespacial. A linha de montagem, que gerou cerca de 250 empregos diretos e indiretos, reflete a sinergia entre a expertise técnica da Akaer e o compromisso da Deutsche Aircraft com a sustentabilidade. “Ser parte do projeto D328eco é motivo de grande orgulho para a Akaer, solidificando nossa posição no mercado global”, declarou Cesar Silva, CEO da Akaer.

O D328eco, com sua compatibilidade com SAF e potencial para operações em pistas curtas e não pavimentadas, é particularmente relevante para o mercado brasileiro, que possui o quinto maior espaço aéreo do mundo e um crescente interesse em aviação regional. A colaboração entre Akaer e Deutsche Aircraft também apoia a expansão da aviação no Brasil, com investimentos de cerca de US$ 600 milhões para conectar comunidades remotas por via aérea.

Cesar Silva (CEO da Akaer) e Maximilan Fahr (Vice-presidente de Supply Chain da Deutsche Aircraft)

Sinergias e perspectivas futuras
As parcerias entre SNC, Embraer, Deutsche Aircraft e Akaer ilustram como a colaboração transnacional pode impulsionar avanços na aviação militar e comercial. Enquanto a SNC e a Embraer dominam o mercado de defesa com o A-29 Super Tucano, a SNC e a Deutsche Aircraft lideram a transição para uma aviação regional mais sustentável com o D328eco. A Akaer, por sua vez, fortalece a cadeia de suprimentos global, trazendo a expertise brasileira para o cenário internacional.

Além disso, a SNC reforça sua posição como uma integradora de sistemas, conectando suas divisões, como a Sierra Space, com as capacidades da Deutsche Aircraft e parcerias com empresas como a Lufthansa Technik. Essas colaborações ampliam o alcance global das empresas, combinando inovação tecnológica, sustentabilidade e eficiência operacional.

Com o D328eco previsto para entrar em serviço em 2027 e novos contratos para o A-29 no horizonte, as quatro empresas estão bem posicionadas para moldar o futuro da aviação. A integração de tecnologias verdes, como combustíveis sustentáveis e propulsão híbrida, aliada à confiabilidade comprovada em operações militares, coloca essa rede de parcerias na vanguarda do setor aeroespacial. Como afirmou Dave Jackson, CEO da Deutsche Aircraft, “nossa colaboração com parceiros como a Akaer e o suporte da SNC nos permite liderar o caminho para uma aviação mais limpa e eficiente”.


03 junho, 2024

Sierra Nevada e L3Harris: parceiras da Embraer para fabricar o C-390 nos EUA?

Renderização da L3Harris com o KC-390 Millennium, da Embraer

*LRCA Defense Consulting - 03/06/2024

Recentemente, esta Consultoria transcreveu duas matérias que abordam objetivamente a possibilidade de o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA adotar a aeronave multimissão Embraer KC-390 como seu padrão para transporte aéreo tático e reabastecimento aéreo, haja vista haver o reconhecimento de que ela tem inquestionáveis vantagens sobre o Hercules C-130J, atualmente em uso.

Na primeira delas, o autor  - um Coronel aposentado dos Fuzileiros Navais -  escreve no jornal do prestigiado US Naval Institute que, "como é improvável que o Departamento de Defesa e o Congresso aprovem isenções ao Buy American Act para comprar a aeronave, a parceira L3Harris ou outra empresa americana provavelmente teria que construir a aeronave em uma instalação nos EUA".

Com base na possibilidade de produção nos EUA, esta Consultoria estabeleceu um cenário no qual os KC-390 teriam a montagem final nas instalações da Embraer e de sua parceira americana SNC - Sierra Nevada Corporation - localizadas  na cidade de Jacksonville, na Flórida - seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

Para embasar tal cenário, vale discorrer sobre as parcerias da Embraer com a L3Harris e com a SNC - Sierra Nevada Corporation.

L3Harris Technologies

Em setembro de 2022, a Embraer S.A. e a L3Harris anunciaram uma parceria para o desenvolvimento do “Agile Tanker”, uma opção de reabastecimento aéreo tático ágil para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e aos requisitos da Força Conjunta, especialmente para ambientes sob disputa.

O acordo visa expandir as capacidades de reabastecimento do jato tático KC-390 Millennium, da Embraer. Os aprimoramentos incluem a integração de um sistema de reabastecimento conhecido como “flying boom”, além de sistemas de missão, para permitir localização distribuída e apoio a operações em áreas sob disputa, bem como comunicação resiliente atendendo aos requisitos JADC2 (comando e controle conjunto para todos os domínios).

“Os estrategistas da Força Aérea dos Estados Unidos estabeleceram que a realização da visão de emprego ágil em combate (Agile Combat Employment) exigirá plataformas de reabastecimento otimizadas para apoiar uma abordagem desagregada de domínio aéreo em ambientes sob disputa”, disse Christopher E. Kubasik, Presidente e CEO da L3Harris. “A colaboração com a Embraer para desenvolver e integrar novas capacidades à aeronave multimissão KC-390 fornece uma solução econômica e de rápida implementação, que incorpora nossa reconhecida abordagem disruptiva.”

Os aprimoramentos complementarão as atuais capacidades de reabastecimento da aeronave, que incluem o sistema do tipo “sonda e cesto” de velocidade variável, a habilidade de receber combustível em voo, além de decolagem e pouso em pistas curtas e não preparadas, permitindo uma maior cobertura da área de missão.

“Continuamos buscando parcerias significativas e estratégicas que gerem novos desenvolvimentos e ampliem o alcance de mercado do KC-390 Millennium”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer. “Nossa aeronave está chamando a atenção das forças aéreas em todo o mundo, e estamos particularmente entusiasmados com esta oportunidade de combinar a plataforma e os sistemas de última geração da Embraer com as soluções de missão da L3Harris para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos.”

As diretrizes operacionais da USAF são um mapa de referência para se desenvolver com sucesso as novas tecnologias, doutrinas e culturas que as Forças Aérea e Espacial devem possuir para deter e, se necessário, derrotar adversários atuais e futuros.

Para atender aos requisitos da legislação dos Estados Unidos (“Buy American Act”), a produção do programa “Agile Tanker” terá montagem final nos Estados Unidos, seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

No dia 06 de março, em uma aparente evolução do negócio, a L3Harris postou em uma rede social que "Somos parceiros da Embraer para desenvolver opções ágeis de tanque para atender aos futuros requisitos de reabastecimento aéreo da United States Air Force, combinando nossas décadas de experiência em missionamento de aeronaves com a plataforma KC-390 Millennium de última geração da Embraer".

Compartilhando a postagem, João Bosco Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, escreveu: "Estamos orgulhosos de unir forças com a L3Harris neste empreendimento. O Agile Tanker combina os pontos fortes da Embraer e da L3Harris, para oferecer grande valor à USAF".


Em seu site, a L3Harris passou a divulgar a iniciativa afirmando que "A L3Harris e a Embraer estão investindo no futuro da Força Aérea dos Estados Unidos – desenvolvendo soluções de tanques aerotransportados otimizadas para operações Agile Combat Employment e Joint All-Domain Command and Control em apoio a frotas aéreas críticas em todo o mundo."

Prossegue afirmando que "O avião-tanque tático KC-390 Millennium da Embraer, emparelhado com os avançados sistemas de missão L3Harris e décadas de experiência em missões de aeronaves, proporcionará operações de reabastecimento econômicas, suporte multimissão e opções de bases ágeis para maior cobertura da área de missão."

Sobre a colaboração entre as duas empresas, a L3Harris escreve que possibilitará:
- Desenvolver uma solução de reabastecimento ágil focada em logística contestada e emprego de combate ágil.
- Adicionar operações de lança ao KC-390 Millennium da Embraer para maior flexibilidade de missão.
- Complementar as capacidades de tanques estratégicos existentes com uma solução de tanques táticos e ágeis que opera a partir de pistas austeras – colocando mais booms mais perto da luta.
- Adicionar comunicações resilientes que suportam requisitos JADC2 em evolução, autonomia e necessidades de Inteligência Artificial.

Sierra Nevada Corporation
Como foi feito para o Super Tucano atender as normas comerciais americanas, poderia também a Embraer firmar uma nova parceria com a SNC - Sierra Nevada Corporation, uma grande, conceituada e experiente empresa do setor aeroespacial do EUA, para fabricar o KC-390 nos Estados Unidos.

Afinal, além de colaborar na fabricação dos Super Tucano e já possuir um parque fabril nos EUA, a SNC irá agora transformar jatos comerciais de passageiros em Centros de Operações Aerotransportados de Sobrevivência (Survivable Airborne Operations Center, ou SAOC), também conhecidos como "aviões do dia do juízo final” da Força Aérea dos EUA (veja matéria mais abaixo).

Com base nesse possível cenário, segue-se uma breve explicação sobre a SNC e sua parceria com a Embraer no Super Tucano, bem como uma transcrição de matéria sobre a construção do novo SAOC, a fim de que seja possível aquilatar as potencialidades da parceira da Embraer nos Estados Unidos.


Em fevereiro de 2013, a USAF concedeu o contrato do programa LAS à SNC e à sua parceira, a Embraer Defence & Security, para fornecer 20 aeronaves A-29 Super Tucano da Embraer, bem como equipamentos para treinamento em solo, treinamento de pilotos e mecânicos e suporte logístico, com o objetivo de utilizar as aeronaves para desempenhar missões de apoio aéreo tático, reconhecimento e treinamento para as forças militares do Afeganistão. Em março de 2013, a Embraer oficialmente inaugurou instalações com 3.716 metros quadrados na cidade de Jacksonville, na Flórida, para produzir as aeronaves do programa LAS. As instalações em Jacksonville realizam as etapas de pré-equipagem, montagem mecânica e estrutural, instalação e teste de sistemas e testes em voo das aeronaves A-29. Posteriormente, os A-29 foram também vendidos para diversos países.

Como principal contratante da Força Aérea dos EUA para todas as vendas de A-29 para clientes militares nacionais e estrangeiros, a SNC traz um nível de experiência no fornecimento de aeronaves, sistemas de missão e soluções completas de treinamento e sustentação que poucos conseguem igualar.

A integração de sistemas de aeronaves tem estado entre as principais áreas da empresa durante a maior parte dos seus quase 60 anos de história. Na verdade, a SNC tem uma vasta experiência em modernização, design, integração, modificação, teste e certificação em plataformas que vão desde o C-130 ao Pilatus PC-12 e ao Dornier 328.

A SNC gerencia os diversos requisitos de configuração para cada frota de clientes A-29 – que inclui Forças Aéreas em quase todos os continentes – por meio de produção, treinamento, entrega e sustentação do ciclo de vida com o que chama de Abordagem de Pacote Total. Isso inclui suporte logístico de empreiteiro (CLS) presencial e virtual, engenharia de sustentação, treinamento de piloto e manutenção e atualizações e aprimoramentos pós-entrega ao longo da vida do programa. A SNC também trabalha diretamente com a USAF para gerenciar a configuração e aeronavegabilidade da aeronave.

Maior salto da Embraer na área de Defesa e Segurança
O KC-390 Millennium é veloz, versátil e pode ser rapidamente reconfigurado para executar uma série de missões com alto índice de confiabilidade.

Ao combinar a avançada plataforma Embraer KC-390 Millennium com a montagem final pela SNC e a experiência da L3Harris em integrar sistemas de missão, as empresas envolvidas estarão preparadas para o que poderá representar o maior salto na área de Defesa e Segurança da gigante aeroespacial brasileira, ou seja, fornecer a próxima geração de aeronaves de reabastecimento tático ágil ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, à USAF e ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, bem como às forças aéreas de países aliados.

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Renderização da Sierra Nevada Corp. de seu Centro de Operações Aerotransportadas de Sobrevivência

Como a Sierra Nevada Corp. está começando a construir a frota do próximo dia do juízo final

*Aviation Week, por Brian Everstine - 22/05/2024

Menos de um mês depois de ganhar seu maior contrato, a Sierra Nevada Corp. entregou a primeira rodada de projetos necessários e está se preparando para a chegada de seu primeiro 747-8i a ser modificado como parte do programa Survivable Airborne Operations Center da Força Aérea dos EUA.

A SNC recebeu no final de abril um contrato de desenvolvimento de engenharia e fabricação no valor de até US$ 13 bilhões para substituir a antiga frota E-4B Nightwatch do serviço. A SNC comprou cinco 747-8is da Korean Air Lines para começar a construir a frota, e o primeiro deverá chegar em Dayton, Ohio, dentro de semanas.

O prêmio foi de grande importância para a empresa sediada em Sparks, Nevada, que durante décadas se concentrou em programas menores de modificação de aeronaves derivadas comerciais. A empresa venceu a OEM, Boeing, pela SAOC em uma proposta que a empresa diz ser indicativa de uma mudança na forma como os programas de derivativos serão abordados.

“A parte mais importante do SAOC não é o que você vê, é mais do que apenas um E-4B rehospedado, mais do que apenas ferro novo”, diz Brady Hauboldt, vice-presidente de planos e programas estratégicos de aviação da empresa. “Nossa arquitetura modular de sistema aberto traz uma nova abordagem para modificação de aeronaves derivadas comerciais. Fundamentalmente, isso mudará a forma como o DOD vê as modificações de aeronaves comerciais, não mais vinculadas ao OEM.”

A SNC anunciou em 22 de maio que está se unindo à Collins Aerospace, FSI Defense, GE Aerospace, Greenpoint Technologies, Lockheed Martin Skunk Works e Rolls-Royce para o SAOC. A equipe inclui alguns que já fazem parte do programa E-4B e outros programas semelhantes, diz Hauboldt.

“Eles trazem o conhecimento de domínio que forneceram não apenas para a comunidade [E-4B], mas para outras plataformas e sistemas de missão”, disse Hauboldt ao Aerospace DAILY na primeira entrevista da empresa desde que venceu o SAOC. “Então nós os aproveitamos os melhores da raça, por assim dizer. É um termo usado demais, mas realmente tentamos encontrar aqueles que trazem a melhor experiência, conhecimento e capacidade para o SAOC.”

A Korean Airlines anunciou, em um documento no início deste mês, que estava vendendo cinco 747-8is para Sierra Nevada a um custo de US$ 675 milhões. Hauboldt diz que esta venda estava em andamento há muito tempo, começando quando a empresa analisou os requisitos da Força Aérea e determinou que os 747-8is eram a melhor escolha.

“Avaliamos todos os proprietários-operadores, as frotas que existem e fizemos uma seleção com base na disponibilidade e nos altíssimos padrões de manutenção do atual operador de frota”, afirma. “Estamos em negociações há muito tempo para encomendar essas aeronaves e não foi nenhuma surpresa para mim que conseguimos executar tão rapidamente depois que o contratante principal foi adjudicado.”

O tamanho final da frota não está definido, embora as indicações sejam de 8 a dez aeronaves. A SNC está “preparada para apoiar o tamanho objetivo da frota quando estiver pronta”, diz ele.

A maior parte do trabalho ocorrerá no novo complexo da empresa em Dayton, Ohio. A SNC planeja expandir o local para incluir quatro instalações de MRO e o maior complexo de tintas livres de emissões do país. Além disso, a empresa realizará trabalhos de SAOC nas áreas de Dallas-Fort Worth e Denver. Há eventos de contratação planejados para os três nas próximas semanas, como parte dos planos de crescimento da empresa.

A concessão SAOC foi ligeiramente adiada por alguns meses, permitindo à empresa preparar um plano de comunicação juntamente com planos de contratação e crescimento de instalações. Embora houvesse relatos de que a Boeing havia desistido da competição meses antes da premiação, Hauboldt diz que ela era competitiva até a premiação.

Ao contrário dos programas anteriores de derivativos comerciais de preço fixo, como o avião-tanque KC-46 e a substituição da aeronave presidencial VC-25B, o prêmio SAOC foi acrescido de custo. A abordagem de preço fixo causou atrasos e grandes excedentes para o OEM. Além disso, com o plano amadurecido para SAOC, o programa começará mais tarde no ciclo de desenvolvimento, em comparação com um novo início.

“Sinceramente, acho que a estrutura do contrato é apropriada para o nível de risco deste programa, a entrada no desenvolvimento de engenharia e produção é apropriada para este tipo de programa”, diz Hauboldt. “Mas ficou bastante claro na nossa discussão inicial com a Força Aérea dos EUA que ambos concordamos que comunicações abertas e transparentes são essenciais. Ambos estamos nos concentrando na mitigação precoce de riscos e no gerenciamento de oportunidades, e é isso que contribui para um programa saudável no longo prazo, porque haverá desafios pela frente.”

Outro ponto crítico na competição foram os direitos de dados, já que a Boeing é o OEM do 747, enquanto o plano da SNC é fornecer o máximo de dados possível à Força Aérea. O plano de modificações da empresa forneceria um “amortecedor, por assim dizer, entre o que deve permanecer proprietário e o que poderiam ser direitos de dados de propriedade do governo”.

“Todo o trabalho que a SNC realiza sob contrato financiado pelo governo pertence ao governo, de acordo com [o Regulamento de Aquisição Federal], que é como deveria ser”, afirma.

Como a Boeing é o OEM, a FAA exige que os manuais de voo e as instruções para aeronavegabilidade contínua sejam mantidos no certificado de tipo. Além disso, o SNC é flexível quanto aos direitos para todas as outras modificações.

“Minha contribuição para a Força Aérea, o DOD, sempre foi permitir que os OEMs fizessem o que fazem de melhor, que é construir grandes aeronaves, mas deixar o melhor da inovação na indústria competir por essas modificações de aeronaves comerciais derivadas”, diz ele. . “Foi assim que a SNC investiu e se expandiu nas últimas duas décadas, para estar em posição de fazer algo assim em praticamente qualquer aeronave, seja um 747 ou algo muito menor.”

03 dezembro, 2023

Super Tucano será demonstrado para Ministro da Defesa e Chefe do Estado-Maior da Defesa de Gana


 

*LRCA Defense Consulting - 03/12/2023

A Força Aérea de Gana, a empresa brasileira Embraer Defesa & Segurança e a empresa norte-americana Sierra Nevada Corporation realizarão uma demonstração estática e de voo da aeronave A-29 Super Tucano nos dias 04 e 05 de dezembro de 2023, às 09h00, na Base Aérea de Acra, capital de Gana.

As demonstrações estática e de voo serão testemunhadas pelo Ministro da Defesa, Hon Dominic Nitiwul, Membros do Parlamento, o Chefe do Estado-Maior da Defesa e Oficiais Militares Superiores.

Gana já tem cinco A-29
Cinco aeronaves A-29 Super Tucano foram encomendadas pela Força Aérea de Gana no Paris Airshow em junho de 2015, por um valor de contrato relatado de US$ 88 milhões, incluindo apoio logístico e um sistema de treinamento para pilotos e mecânicos no país. As primeiras aeronaves chegaram no segundo semestre de 2016, e a Força Aérea de Gana tem planos de adquirir mais quatro Super Tucanos.

Outros países africanos e o Super Tucano
O Embraer Super Tucano obteve sucesso de vendas na África, principalmente como aeronave operacional de apoio aéreo aproximado e ataque leve.

Em julho de 2011, a Força Aérea da Mauritânia anunciou que estava considerando a aquisição de aeronaves Super Tucano. As negociações para quatro Super Tucanos começaram em dezembro de 2011 e, em 19 de outubro de 2012, a Embraer entregou o primeiro EMB-314, equipado com torre infravermelha FLIR Safire III para operações de vigilância de fronteiras.

Mais três foram entregues à Escadrille de Chasse da Força Aérea de Burkina Faso na Base Aérea de Ouagadougou em setembro de 2011. 

Seis aeronaves A-29B foram encomendadas pela Força Aérea Nacional de Angola, e as três primeiras foram entregues ao 8º Esquadrão de Treinamento em 31 de janeiro de 2013.

Quatro A-29 foram entregues à Força Aérea do Mali em julho de 2018. Seis foram originalmente encomendados, mas foram reduzidos para quatro devido a restrições orçamentárias.

A Nigéria comprou 12 Super Tucanos da Sierra Nevada por 329 milhões de dólares em Novembro de 2018. O primeiro lote de seis, todos equipados com sistemas infravermelhos inovadores, foi entregue em Julho de 2021.

18 julho, 2023

Conheça o A-29 Super Tucano: uma potência movida a hélice


*19FortyFive, por Christian Orr - 02/05/2023

À medida que a humanidade avança na terceira década do século 21, as aeronaves a jato parecem estar na moda quando se trata de aeronaves de combate hoje em dia: caças de 5ª geração como o F-22, F-35, J-20 e Su-57 ; Caças da geração 4.5 como o Tejas da Índia; e até variantes suplementadas de jatos de 4ª geração, como o F-16V “Viper” e o F-15EX. Mesmo as plataformas subsônicas de ataque ar-solo, como o A-10 Warthog e o Su-25 “Frogfoot”, ainda são movidas a jato.

Então, isso levanta a questão: os aviões monomotores movidos a hélice ainda são viáveis ​​no papel de combate aéreo hoje? A resposta curta é um retumbante “Inferno, sim!”. Um excelente exemplo é a versão militarizada do Cessna Caravan, que a Força Aérea do Iraque usou para manter a linha contra o ISIS antes e mesmo depois de receberem seus tão alardeados F-16. Outro excelente exemplo é o que vamos discutir neste artigo: o A-29 Super Tucano do Brasil.

A-29: O Pássaro Fodão do Brasil

O A-29 Super Tucano (português para “Toucan”; deixa as piadas do mascote do cereal Toucan Sam Froot Loops), também conhecido como EMB 314 ou ALX, é projetado e fabricado principalmente pela divisão de Defesa e Segurança da Embraer SA do Brasil, mais conhecida pelo público americano por seus jatos executivos e aviões comerciais de menor porte. Além disso, alguns dos warbirds estão sendo produzidos sob licença pela Sierra Nevada Corporation, com sede nos Estados Unidos, para a fabricação de A-29s para clientes de exportação. O A-29 Super Tucano fez seu voo inaugural em 2 de junho de 1999 e entrou oficialmente em operação em 2003 – momento perfeito em relação à Guerra Global ao Terror (GWOT).

Do ponto de vista comercial, esses clientes de exportação definitivamente foram úteis para a Embraer e a Sierra Nevada Corp., pois mantiveram o avião financeiramente viável depois que seu principal cliente/benfeitor originalmente pretendido, o programa Light Attack Aircraft da Força Aérea dos EUA, fracassou. No entanto, o cancelamento do programa da USAF certamente não impediu o Comando de Operações Especiais da Aeronáutica (AFSOC) de usar o Super Tucano para treinar pilotos de nações parceiras (mais sobre isso daqui a pouco).

Capacidade impressionante de permanecer no ar
Mais de 250 Super Tucanos foram construídos. O avião tem uma velocidade máxima de 370 mph (590 km/h/320 nós) e uma velocidade de cruzeiro de 320 km/h (520 km/h/280 nós) e, talvez o mais significativo, uma resistência de mais de sete horas antes de precisar reabastecer (proporcionando assim uma capacidade impressionante de permanecer no ar, superior a qualquer jet jock “rápido”).

Em termos de armamento, o A-29 tem uma capacidade de carga de 3.400 libras (1.542,21 kg) de mísseis e bombas, apoiado por duas metralhadoras de calibre .50 (12,7 mm) montadas nas asas e uma cápsula GIAT M20A1 20 mm, um canhão abaixo da fuselagem. Os dois últimos sistemas de canhão fornecem uma cadência de tiro de 1.100 tiros por minuto e 650 tiros por minuto, respectivamente, o que é bastante útil para operações de metralhamento.

Tucano Acaba com os “Tangos” (Terroristas)
Quanto à aplicabilidade do Super Tucano em operações de contrainsurgência/contraterrorismo, meu colega do 19FortyFive, Daniel Gouré, resume de forma bastante sucinta:

“Além disso, estão disponíveis plataformas aéreas robustas e de baixo custo que, quando equipadas com sensores, aviônicos e armas modernas, fornecem um meio econômico de lidar com a ameaça extremista violenta. Isso é particularmente importante para nações que precisam de poder aéreo em suas lutas contra ameaças domésticas, mas não podem pagar por caças de ponta. Quando combinadas, conforme necessário, com o apoio seletivo de empreiteiras, pequenas frotas de Embraer EMB 314 Super Tucanos, ou A-29s, podem ter um impacto desproporcional na luta para garantir a segurança e a tranquilidade doméstica de uma nação.”

A partir daí, Daniel passa a citar o deputado americano Michael Waltz (R-FL, Distrito 6), que é o primeiro boina verde eleito para o Congresso e, portanto, com certeza sabe uma coisa ou duas a mais sobre a guerra de contra-insurgência do que o típico político: “'Eles têm muito tempo de espera e podem ficar perto da luta. Eles são interoperáveis ​​de uma forma muito unida com as operações no terreno.'”

Voltando ao assunto dos pilotos de aliados estrangeiros, entre as forças aéreas dos países que levaram isso a sério estão as do Líbano e da Nigéria. Para este último país, o A-29 será bastante útil na luta contra o infame grupo terrorista Boko Haram. De fato, Kathleen Fitzgibbon, Encarregada de Negócios da Embaixada e Consulado dos EUA na Nigéria, declarou oficialmente após a chegada ao país dos primeiros seis desses pássaros de guerra há um ano: “Além do novo hardware que você vê nesta pista, este programa aproximou nossos militares em treinamento formal, desenvolvimento profissional, construção de base aérea, planejamento logístico e negociações. Estamos orgulhosos de fazer parceria com a Nigéria em sua abordagem de 'todo o governo' para acabar com o extremismo violento e garantir um país mais estável e próspero para todos os nigerianos”.

Um A-29 Super Tucano da Força Aérea Afegã sobrevoa Cabul, Afeganistão, em 14 de agosto de 2015.

A-29 para o Talibã?
Os EUA também venderam 12 Super Tucanos para o Afeganistão entre janeiro de 2016 e março de 2018. Como resultado, em 22 de março de 2018, o A-29 fez um pouquinho da história da aviação: a Força Aérea Afegã usou o avião para lançar uma GBU-58 Paveway II, bombardeando e destruindo um complexo talibã em Farah, perto da fronteira iraniana, marcando assim a primeira vez que os militares afegãos lançaram uma arma guiada a laser contra o talibã.

Infelizmente, é claro, o Afeganistão caiu para os mesmos talibãs em 2021, o que significava que o grupo extremista agora tinha a posse dos aviões que haviam sido originalmente enviados para combatê-los.

Felizmente, o Talibã descobriu que a maioria deles estava inoperante, além de não ter a expertise necessária para operá-los, o que fez com que os Super Tucanos permanecessem no solo.

Como um tapa final bem merecido na cara do estado terrorista recém-reconstituído, alguns dos A-29 conseguiram escapar para o Uzbequistão, e os uzbeques recusaram o pedido do governo talibã de devolver os aviões. Como o porta-voz do governo uzbeque, Ismatulla Irgashev, declarou sem rodeios: “O governo dos EUA pagou por eles para apoiar um governo afegão anterior. Portanto, acreditamos que é responsabilidade total de Washington lidar com essas aeronaves”.

Em suma, nenhum talibã tucano precisa se candidatar. 

*Christian D. Orr é um ex-oficial da Força Aérea, policial federal e contratado militar privado (com atribuições no Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kosovo, Japão, Alemanha e Pentágono).

03 abril, 2022

Embraer: Comando de Operações Especiais dos EUA recebe aeronave A-29C Super Tucano


*Defence Blog - 02/04/2022

A empresa privada Sierra Nevada Corporation (SNC) anunciou a entrega final da terceira aeronave A-29C Super Tucano ao Comando de Operações Especiais da Força Aérea dos EUA (AFSOC).

A SNC diz que a aeronave, o A-29 mais tecnologicamente aprimorado e com capacidade de missão lançada no mercado, destina-se à missão Combat Aviation Advisor (CAA) do AFSOC, projetada para aumentar a capacidade de parceiros internacionais.

Os dois primeiros A-29Cs, entregues no início deste mês, já estão realizando operações de treinamento com o AFSOC na Base Aérea de Hurlburt.

Como padrão ouro para aeronaves de ataque leve, combate e reconhecimento, o A-29C é construído nos EUA pela SNC e sua parceira, a Embraer Defesa & Segurança. A SNC também é contratada para fornecer equipamentos de apoio em terra, treinamento de pilotos, suporte logístico contratado, peças de reposição e sustentação para o programa.

“A SNC está incrivelmente orgulhosa de fazer parceria com a Força Aérea dos EUA para apoiar esta missão global crítica”, disse Ed Topps, vice-presidente sênior de sistemas e programas de aeronaves táticas da área de negócios de ISR, Aviação e Segurança (IAS) da SNC. “Com uma linha de produção ativa e baixos custos de ciclo de vida, o A-29C pode fazer a transição facilmente para o campo para aprimorar o suporte aos combatentes e fornecer recursos há muito esperados para aqueles que estão no solo.”

Específico para a missão de CAA, o A-29C fornece ao AFSOC recursos avançados para fins de avaliação, treinamento, aconselhamento, assistência e acompanhamento das forças de aviação das nações parceiras no emprego do poder aéreo, sustentação e integração de forças.

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