Pesquisar este portal

Mostrando postagens com marcador Fuzileiros Navais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fuzileiros Navais. Mostrar todas as postagens

24 dezembro, 2025

Taurus e Marinha selam acordo após polêmica sobre compra de fuzis americanos

 


*LRCA Defense Consulting - 24/12/2025

O que começou como uma polêmica acabou se transformando em uma oportunidade de cooperação. A Taurus, maior vendedora de armas leves do mundo, e a Marinha do Brasil anunciaram que prepararão um memorando de entendimento para desenvolvimento e homologação de armamentos após um imbróglio envolvendo a aquisição de 140 fuzis da fabricante americana Colt's Manufacturing Company.

A polêmica teve início quando a coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, noticiou que a Marinha gastou R$ 1,3 milhão na compra de fuzis da Colt por dispensa de licitação. A Taurus reagiu criticando a decisão, argumentando que produzia equipamento equivalente no Brasil desde 2017.

O mal-entendido e os esclarecimentos
Segundo nota divulgada pela própria Taurus, houve um desencontro de informações. A empresa esclarece que a matéria crítica foi publicada fora do momento adequado e que, em contato posterior com a Marinha, foi informada de que a compra não se tratava de aquisição de novo armamento, mas simplesmente do recompletamento de acervo existente, padronizado há mais de 25 anos.

A justificativa da Marinha para a dispensa de licitação baseou-se na Lei nº 14.133/2021, que permite a aquisição sem certame quando há necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres.

A capacidade industrial brasileira
A crítica inicial da Taurus tinha fundamento técnico. A empresa produz o fuzil T4, calibre 5.56mm, considerado equivalente ao modelo americano adquirido. O Taurus T4, apresentado no SHOT Show de 2017, é fabricado totalmente nas instalações da empresa em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

De acordo com o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, aproximadamente 100 mil unidades do modelo foram produzidas desde 2017, sendo adotado por diversas forças nacionais e exportado para vários países. O armamento já é usado por agências policiais como a Polícia Militar de Santa Catarina e a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, além do Exército Filipino e da Gendarmerie do Senegal.

Contexto geopolítico e tarifas
A reação inicial da Taurus também considerou o contexto das relações comerciais com os Estados Unidos. A empresa argumentou que era contraditório o Brasil importar armamentos americanos enquanto os Estados Unidos impõem tarifas de aproximadamente 50% sobre produtos brasileiros exportados por empresas do setor.

TCU alerta para proteção da indústria nacional
A polêmica coincidiu com um momento de atenção especial do Tribunal de Contas da União sobre o tema. O TCU recomendou ao Ministério da Defesa que desestimule compras militares de bens e serviços no exterior quando esses também estiverem disponíveis no mercado nacional.

O órgão de controle apontou irregularidades nas compras externas, incluindo falhas na publicidade das licitações, inconformidades contábeis, fragilidades nos controles internos e favorecimento a determinadas empresas. Para o ministro-substituto Weder de Oliveira, o Ministério da Defesa, por meio da Portaria GM-MD 5175/2021, criou condições que direcionam as compras militares a empresas estrangeiras em detrimento das nacionais.

Base Industrial de Defesa em expansão
O episódio ilumina um debate mais amplo sobre a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. A indústria de defesa nacional registrou crescimento de 114% entre 2023 e 2025, alcançando US$ 3,1 bilhões em autorizações de exportação. Atualmente, cerca de 80 empresas exportadoras comercializam para aproximadamente 140 países, sendo os principais mercados Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes, Estados Unidos e Portugal.

A Taurus, em particular, tem forte presença internacional. Mais de 80% do faturamento da empresa vem de exportações, e a companhia possui até mesmo uma fábrica nos Estados Unidos.

O acordo e o futuro
Após os esclarecimentos sobre o caráter da compra, o desfecho foi positivo. A Taurus informa que empresa e Corpo de Fuzileiros Navais realizaram reunião onde ficou decidida a preparação de memorando de entendimento para desenvolvimento e homologação de armas de calibres 9mm, 5.56, 7.62 e .50, em parceria técnica com a Marinha.

Os equipamentos desenvolvidos nessa parceria atenderão as necessidades tanto das Forças Armadas quanto das Forças Policiais brasileiras, potencialmente fortalecendo a autonomia tecnológica do país em armamentos estratégicos.

O episódio demonstra que, embora a padronização de equipamentos já existentes justifique compras específicas no exterior, há espaço crescente para a indústria nacional suprir as demandas das Forças Armadas brasileiras, especialmente em novos projetos e modernizações futuras.

Saiba mais:
- CEO da Taurus apresenta portfólio militar ao Comando do Corpo de Fuzileiros Navais 

19 dezembro, 2025

Marinha do Brasil ativa esquadrão inédito de drones e aposta em nova doutrina de combate

Corpo de Fuzileiros Navais inaugura unidade tática que marca salto tecnológico e alinha o país às forças armadas mais modernas do mundo

 

*
LRCA Defense Consulting - 19/12/2025

A Marinha do Brasil ativou no último dia 12 de dezembro o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque no Batalhão de Combate Aéreo, localizado no Complexo Naval da Ilha do Governador. A iniciativa representa um marco na modernização das Forças Armadas brasileiras e coloca o Corpo de Fuzileiros Navais na vanguarda tecnológica e doutrinária do país.

A criação do novo esquadrão vai muito além da simples incorporação de equipamentos. Segundo o Comandante de Operações Navais, Almirante Claudio Henrique Mello de Almeida, trata-se de galgar uma vanguarda tecnológica e doutrinária que deve atender às demandas para o combate, com foco na prontidão operativa e no preparo para enfrentar novas ameaças em um cenário de guerra cada vez mais automatizado.

Uma filosofia diferente
O que torna essa unidade singular não é apenas o armamento ou os sensores de última geração, mas a filosofia operacional que ela representa. O Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante Carlos Chagas Vianna Braga, destacou que o esquadrão já nasce como unidade tecnologicamente avançada e com uma filosofia diferente, na qual os militares devem estar aptos a operar lado a lado com máquinas autônomas.

Esse novo paradigma reflete as lições aprendidas em conflitos recentes, especialmente na guerra da Ucrânia, onde drones tornaram-se elementos decisivos no campo de batalha. O Comandante Rodrigo Rodrigues ressaltou que o esquadrão simboliza a consolidação de um conceito operacional avançado, no qual tecnologia, informação e precisão convergem para ampliar significativamente a capacidade de proteger o território e antecipar ameaças.

Investimento em capacitação
Para dar suporte à nova doutrina, a Marinha anunciou a criação da Escola de Drones do Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo, prevista para entrar em funcionamento em 2026. O curso abrangerá drones dos tipos 0 e 1, que podem ser pilotados por quem não é piloto profissional, e inicialmente será voltado para militares da Marinha, podendo ser expandido futuramente para outras forças.

Além da escola, destaca-se a Unidade Fabril Expedicionária do Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais, capaz de fabricar componentes em campanha, prestando apoio industrial diretamente no campo de batalha. Essa capacidade de produção em ambiente operacional representa um diferencial estratégico importante.

Contexto de modernização
O Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque não é a primeira iniciativa da Marinha com aeronaves remotamente pilotadas. Em 2022, já havia sido criado o 1º Esquadrão de Aeronaves Remotamente Pilotadas, equipado com drones ScanEagle, voltado para missões de inteligência, vigilância e reconhecimento.

Mais recentemente, em outubro de 2024, a Marinha incorporou o drone NAURU 500C, rebatizado de RQ-2, desenvolvido com tecnologia 100% nacional pela empresa XMobots, que conta com participação da Embraer. Esse equipamento opera no Sistema de Busca e Salvamento Marítimo, com capacidade de se afastar até 60 quilômetros do ponto de controle e autonomia de voo de quatro horas.

Desafios e perspectivas
Apesar dos avanços, a modernização enfrenta obstáculos orçamentários significativos. Durante o III Simpósio de Defesa e Segurança Internacional, realizado em outubro no Rio de Janeiro, o Almirante Carlos Chagas admitiu que nos últimos 11 anos houve uma queda nos gastos de defesa de 1,4% para 1% do PIB, enquanto o restante do mundo já ultrapassa 2%. Segundo ele, essa redução compromete a capacidade de resposta a imprevistos e afeta o planejamento de longo prazo.

Outro desafio é a crescente sofisticação do uso de drones pelo crime organizado. Casos recentes no Rio de Janeiro revelaram que facções criminosas têm utilizado drones adaptados com explosivos, inclusive com o envolvimento de militares, o que evidencia a urgência de o Estado desenvolver capacidades de defesa antidrone.

Alinhamento estratégico
A ativação do novo esquadrão posiciona o Brasil como ator relevante em fóruns multilaterais de defesa e inovação. A capacidade de operar tecnologias de ponta não apenas aumenta a efetividade operacional das Forças Armadas, mas também fortalece o papel do país no cenário internacional de segurança e defesa.

Com a nova unidade, o Corpo de Fuzileiros Navais demonstra estar acompanhando o ritmo acelerado da evolução tecnológica militar global, preparando-se para os desafios do futuro enquanto desenvolve uma doutrina própria adaptada à realidade brasileira.

03 junho, 2024

Sierra Nevada e L3Harris: parceiras da Embraer para fabricar o C-390 nos EUA?

Renderização da L3Harris com o KC-390 Millennium, da Embraer

*LRCA Defense Consulting - 03/06/2024

Recentemente, esta Consultoria transcreveu duas matérias que abordam objetivamente a possibilidade de o Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA adotar a aeronave multimissão Embraer KC-390 como seu padrão para transporte aéreo tático e reabastecimento aéreo, haja vista haver o reconhecimento de que ela tem inquestionáveis vantagens sobre o Hercules C-130J, atualmente em uso.

Na primeira delas, o autor  - um Coronel aposentado dos Fuzileiros Navais -  escreve no jornal do prestigiado US Naval Institute que, "como é improvável que o Departamento de Defesa e o Congresso aprovem isenções ao Buy American Act para comprar a aeronave, a parceira L3Harris ou outra empresa americana provavelmente teria que construir a aeronave em uma instalação nos EUA".

Com base na possibilidade de produção nos EUA, esta Consultoria estabeleceu um cenário no qual os KC-390 teriam a montagem final nas instalações da Embraer e de sua parceira americana SNC - Sierra Nevada Corporation - localizadas  na cidade de Jacksonville, na Flórida - seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

Para embasar tal cenário, vale discorrer sobre as parcerias da Embraer com a L3Harris e com a SNC - Sierra Nevada Corporation.

L3Harris Technologies

Em setembro de 2022, a Embraer S.A. e a L3Harris anunciaram uma parceria para o desenvolvimento do “Agile Tanker”, uma opção de reabastecimento aéreo tático ágil para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF) e aos requisitos da Força Conjunta, especialmente para ambientes sob disputa.

O acordo visa expandir as capacidades de reabastecimento do jato tático KC-390 Millennium, da Embraer. Os aprimoramentos incluem a integração de um sistema de reabastecimento conhecido como “flying boom”, além de sistemas de missão, para permitir localização distribuída e apoio a operações em áreas sob disputa, bem como comunicação resiliente atendendo aos requisitos JADC2 (comando e controle conjunto para todos os domínios).

“Os estrategistas da Força Aérea dos Estados Unidos estabeleceram que a realização da visão de emprego ágil em combate (Agile Combat Employment) exigirá plataformas de reabastecimento otimizadas para apoiar uma abordagem desagregada de domínio aéreo em ambientes sob disputa”, disse Christopher E. Kubasik, Presidente e CEO da L3Harris. “A colaboração com a Embraer para desenvolver e integrar novas capacidades à aeronave multimissão KC-390 fornece uma solução econômica e de rápida implementação, que incorpora nossa reconhecida abordagem disruptiva.”

Os aprimoramentos complementarão as atuais capacidades de reabastecimento da aeronave, que incluem o sistema do tipo “sonda e cesto” de velocidade variável, a habilidade de receber combustível em voo, além de decolagem e pouso em pistas curtas e não preparadas, permitindo uma maior cobertura da área de missão.

“Continuamos buscando parcerias significativas e estratégicas que gerem novos desenvolvimentos e ampliem o alcance de mercado do KC-390 Millennium”, disse Francisco Gomes Neto, Presidente e CEO da Embraer. “Nossa aeronave está chamando a atenção das forças aéreas em todo o mundo, e estamos particularmente entusiasmados com esta oportunidade de combinar a plataforma e os sistemas de última geração da Embraer com as soluções de missão da L3Harris para atender às diretrizes operacionais da Força Aérea dos Estados Unidos.”

As diretrizes operacionais da USAF são um mapa de referência para se desenvolver com sucesso as novas tecnologias, doutrinas e culturas que as Forças Aérea e Espacial devem possuir para deter e, se necessário, derrotar adversários atuais e futuros.

Para atender aos requisitos da legislação dos Estados Unidos (“Buy American Act”), a produção do programa “Agile Tanker” terá montagem final nos Estados Unidos, seguida de modernização e preparação para a missão no centro de modificação da L3Harris em Waco, no Texas.

No dia 06 de março, em uma aparente evolução do negócio, a L3Harris postou em uma rede social que "Somos parceiros da Embraer para desenvolver opções ágeis de tanque para atender aos futuros requisitos de reabastecimento aéreo da United States Air Force, combinando nossas décadas de experiência em missionamento de aeronaves com a plataforma KC-390 Millennium de última geração da Embraer".

Compartilhando a postagem, João Bosco Costa Junior, Presidente e CEO da Embraer Defesa e Segurança, escreveu: "Estamos orgulhosos de unir forças com a L3Harris neste empreendimento. O Agile Tanker combina os pontos fortes da Embraer e da L3Harris, para oferecer grande valor à USAF".


Em seu site, a L3Harris passou a divulgar a iniciativa afirmando que "A L3Harris e a Embraer estão investindo no futuro da Força Aérea dos Estados Unidos – desenvolvendo soluções de tanques aerotransportados otimizadas para operações Agile Combat Employment e Joint All-Domain Command and Control em apoio a frotas aéreas críticas em todo o mundo."

Prossegue afirmando que "O avião-tanque tático KC-390 Millennium da Embraer, emparelhado com os avançados sistemas de missão L3Harris e décadas de experiência em missões de aeronaves, proporcionará operações de reabastecimento econômicas, suporte multimissão e opções de bases ágeis para maior cobertura da área de missão."

Sobre a colaboração entre as duas empresas, a L3Harris escreve que possibilitará:
- Desenvolver uma solução de reabastecimento ágil focada em logística contestada e emprego de combate ágil.
- Adicionar operações de lança ao KC-390 Millennium da Embraer para maior flexibilidade de missão.
- Complementar as capacidades de tanques estratégicos existentes com uma solução de tanques táticos e ágeis que opera a partir de pistas austeras – colocando mais booms mais perto da luta.
- Adicionar comunicações resilientes que suportam requisitos JADC2 em evolução, autonomia e necessidades de Inteligência Artificial.

Sierra Nevada Corporation
Como foi feito para o Super Tucano atender as normas comerciais americanas, poderia também a Embraer firmar uma nova parceria com a SNC - Sierra Nevada Corporation, uma grande, conceituada e experiente empresa do setor aeroespacial do EUA, para fabricar o KC-390 nos Estados Unidos.

Afinal, além de colaborar na fabricação dos Super Tucano e já possuir um parque fabril nos EUA, a SNC irá agora transformar jatos comerciais de passageiros em Centros de Operações Aerotransportados de Sobrevivência (Survivable Airborne Operations Center, ou SAOC), também conhecidos como "aviões do dia do juízo final” da Força Aérea dos EUA (veja matéria mais abaixo).

Com base nesse possível cenário, segue-se uma breve explicação sobre a SNC e sua parceria com a Embraer no Super Tucano, bem como uma transcrição de matéria sobre a construção do novo SAOC, a fim de que seja possível aquilatar as potencialidades da parceira da Embraer nos Estados Unidos.


Em fevereiro de 2013, a USAF concedeu o contrato do programa LAS à SNC e à sua parceira, a Embraer Defence & Security, para fornecer 20 aeronaves A-29 Super Tucano da Embraer, bem como equipamentos para treinamento em solo, treinamento de pilotos e mecânicos e suporte logístico, com o objetivo de utilizar as aeronaves para desempenhar missões de apoio aéreo tático, reconhecimento e treinamento para as forças militares do Afeganistão. Em março de 2013, a Embraer oficialmente inaugurou instalações com 3.716 metros quadrados na cidade de Jacksonville, na Flórida, para produzir as aeronaves do programa LAS. As instalações em Jacksonville realizam as etapas de pré-equipagem, montagem mecânica e estrutural, instalação e teste de sistemas e testes em voo das aeronaves A-29. Posteriormente, os A-29 foram também vendidos para diversos países.

Como principal contratante da Força Aérea dos EUA para todas as vendas de A-29 para clientes militares nacionais e estrangeiros, a SNC traz um nível de experiência no fornecimento de aeronaves, sistemas de missão e soluções completas de treinamento e sustentação que poucos conseguem igualar.

A integração de sistemas de aeronaves tem estado entre as principais áreas da empresa durante a maior parte dos seus quase 60 anos de história. Na verdade, a SNC tem uma vasta experiência em modernização, design, integração, modificação, teste e certificação em plataformas que vão desde o C-130 ao Pilatus PC-12 e ao Dornier 328.

A SNC gerencia os diversos requisitos de configuração para cada frota de clientes A-29 – que inclui Forças Aéreas em quase todos os continentes – por meio de produção, treinamento, entrega e sustentação do ciclo de vida com o que chama de Abordagem de Pacote Total. Isso inclui suporte logístico de empreiteiro (CLS) presencial e virtual, engenharia de sustentação, treinamento de piloto e manutenção e atualizações e aprimoramentos pós-entrega ao longo da vida do programa. A SNC também trabalha diretamente com a USAF para gerenciar a configuração e aeronavegabilidade da aeronave.

Maior salto da Embraer na área de Defesa e Segurança
O KC-390 Millennium é veloz, versátil e pode ser rapidamente reconfigurado para executar uma série de missões com alto índice de confiabilidade.

Ao combinar a avançada plataforma Embraer KC-390 Millennium com a montagem final pela SNC e a experiência da L3Harris em integrar sistemas de missão, as empresas envolvidas estarão preparadas para o que poderá representar o maior salto na área de Defesa e Segurança da gigante aeroespacial brasileira, ou seja, fornecer a próxima geração de aeronaves de reabastecimento tático ágil ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, à USAF e ao Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, bem como às forças aéreas de países aliados.

************

Renderização da Sierra Nevada Corp. de seu Centro de Operações Aerotransportadas de Sobrevivência

Como a Sierra Nevada Corp. está começando a construir a frota do próximo dia do juízo final

*Aviation Week, por Brian Everstine - 22/05/2024

Menos de um mês depois de ganhar seu maior contrato, a Sierra Nevada Corp. entregou a primeira rodada de projetos necessários e está se preparando para a chegada de seu primeiro 747-8i a ser modificado como parte do programa Survivable Airborne Operations Center da Força Aérea dos EUA.

A SNC recebeu no final de abril um contrato de desenvolvimento de engenharia e fabricação no valor de até US$ 13 bilhões para substituir a antiga frota E-4B Nightwatch do serviço. A SNC comprou cinco 747-8is da Korean Air Lines para começar a construir a frota, e o primeiro deverá chegar em Dayton, Ohio, dentro de semanas.

O prêmio foi de grande importância para a empresa sediada em Sparks, Nevada, que durante décadas se concentrou em programas menores de modificação de aeronaves derivadas comerciais. A empresa venceu a OEM, Boeing, pela SAOC em uma proposta que a empresa diz ser indicativa de uma mudança na forma como os programas de derivativos serão abordados.

“A parte mais importante do SAOC não é o que você vê, é mais do que apenas um E-4B rehospedado, mais do que apenas ferro novo”, diz Brady Hauboldt, vice-presidente de planos e programas estratégicos de aviação da empresa. “Nossa arquitetura modular de sistema aberto traz uma nova abordagem para modificação de aeronaves derivadas comerciais. Fundamentalmente, isso mudará a forma como o DOD vê as modificações de aeronaves comerciais, não mais vinculadas ao OEM.”

A SNC anunciou em 22 de maio que está se unindo à Collins Aerospace, FSI Defense, GE Aerospace, Greenpoint Technologies, Lockheed Martin Skunk Works e Rolls-Royce para o SAOC. A equipe inclui alguns que já fazem parte do programa E-4B e outros programas semelhantes, diz Hauboldt.

“Eles trazem o conhecimento de domínio que forneceram não apenas para a comunidade [E-4B], mas para outras plataformas e sistemas de missão”, disse Hauboldt ao Aerospace DAILY na primeira entrevista da empresa desde que venceu o SAOC. “Então nós os aproveitamos os melhores da raça, por assim dizer. É um termo usado demais, mas realmente tentamos encontrar aqueles que trazem a melhor experiência, conhecimento e capacidade para o SAOC.”

A Korean Airlines anunciou, em um documento no início deste mês, que estava vendendo cinco 747-8is para Sierra Nevada a um custo de US$ 675 milhões. Hauboldt diz que esta venda estava em andamento há muito tempo, começando quando a empresa analisou os requisitos da Força Aérea e determinou que os 747-8is eram a melhor escolha.

“Avaliamos todos os proprietários-operadores, as frotas que existem e fizemos uma seleção com base na disponibilidade e nos altíssimos padrões de manutenção do atual operador de frota”, afirma. “Estamos em negociações há muito tempo para encomendar essas aeronaves e não foi nenhuma surpresa para mim que conseguimos executar tão rapidamente depois que o contratante principal foi adjudicado.”

O tamanho final da frota não está definido, embora as indicações sejam de 8 a dez aeronaves. A SNC está “preparada para apoiar o tamanho objetivo da frota quando estiver pronta”, diz ele.

A maior parte do trabalho ocorrerá no novo complexo da empresa em Dayton, Ohio. A SNC planeja expandir o local para incluir quatro instalações de MRO e o maior complexo de tintas livres de emissões do país. Além disso, a empresa realizará trabalhos de SAOC nas áreas de Dallas-Fort Worth e Denver. Há eventos de contratação planejados para os três nas próximas semanas, como parte dos planos de crescimento da empresa.

A concessão SAOC foi ligeiramente adiada por alguns meses, permitindo à empresa preparar um plano de comunicação juntamente com planos de contratação e crescimento de instalações. Embora houvesse relatos de que a Boeing havia desistido da competição meses antes da premiação, Hauboldt diz que ela era competitiva até a premiação.

Ao contrário dos programas anteriores de derivativos comerciais de preço fixo, como o avião-tanque KC-46 e a substituição da aeronave presidencial VC-25B, o prêmio SAOC foi acrescido de custo. A abordagem de preço fixo causou atrasos e grandes excedentes para o OEM. Além disso, com o plano amadurecido para SAOC, o programa começará mais tarde no ciclo de desenvolvimento, em comparação com um novo início.

“Sinceramente, acho que a estrutura do contrato é apropriada para o nível de risco deste programa, a entrada no desenvolvimento de engenharia e produção é apropriada para este tipo de programa”, diz Hauboldt. “Mas ficou bastante claro na nossa discussão inicial com a Força Aérea dos EUA que ambos concordamos que comunicações abertas e transparentes são essenciais. Ambos estamos nos concentrando na mitigação precoce de riscos e no gerenciamento de oportunidades, e é isso que contribui para um programa saudável no longo prazo, porque haverá desafios pela frente.”

Outro ponto crítico na competição foram os direitos de dados, já que a Boeing é o OEM do 747, enquanto o plano da SNC é fornecer o máximo de dados possível à Força Aérea. O plano de modificações da empresa forneceria um “amortecedor, por assim dizer, entre o que deve permanecer proprietário e o que poderiam ser direitos de dados de propriedade do governo”.

“Todo o trabalho que a SNC realiza sob contrato financiado pelo governo pertence ao governo, de acordo com [o Regulamento de Aquisição Federal], que é como deveria ser”, afirma.

Como a Boeing é o OEM, a FAA exige que os manuais de voo e as instruções para aeronavegabilidade contínua sejam mantidos no certificado de tipo. Além disso, o SNC é flexível quanto aos direitos para todas as outras modificações.

“Minha contribuição para a Força Aérea, o DOD, sempre foi permitir que os OEMs fizessem o que fazem de melhor, que é construir grandes aeronaves, mas deixar o melhor da inovação na indústria competir por essas modificações de aeronaves comerciais derivadas”, diz ele. . “Foi assim que a SNC investiu e se expandiu nas últimas duas décadas, para estar em posição de fazer algo assim em praticamente qualquer aeronave, seja um 747 ou algo muito menor.”

Postagem em destaque