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24 dezembro, 2025

Taurus e Marinha selam acordo após polêmica sobre compra de fuzis americanos

 


*LRCA Defense Consulting - 24/12/2025

O que começou como uma polêmica acabou se transformando em uma oportunidade de cooperação. A Taurus, maior vendedora de armas leves do mundo, e a Marinha do Brasil anunciaram que prepararão um memorando de entendimento para desenvolvimento e homologação de armamentos após um imbróglio envolvendo a aquisição de 140 fuzis da fabricante americana Colt's Manufacturing Company.

A polêmica teve início quando a coluna de Paulo Cappelli, do portal Metrópoles, noticiou que a Marinha gastou R$ 1,3 milhão na compra de fuzis da Colt por dispensa de licitação. A Taurus reagiu criticando a decisão, argumentando que produzia equipamento equivalente no Brasil desde 2017.

O mal-entendido e os esclarecimentos
Segundo nota divulgada pela própria Taurus, houve um desencontro de informações. A empresa esclarece que a matéria crítica foi publicada fora do momento adequado e que, em contato posterior com a Marinha, foi informada de que a compra não se tratava de aquisição de novo armamento, mas simplesmente do recompletamento de acervo existente, padronizado há mais de 25 anos.

A justificativa da Marinha para a dispensa de licitação baseou-se na Lei nº 14.133/2021, que permite a aquisição sem certame quando há necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres.

A capacidade industrial brasileira
A crítica inicial da Taurus tinha fundamento técnico. A empresa produz o fuzil T4, calibre 5.56mm, considerado equivalente ao modelo americano adquirido. O Taurus T4, apresentado no SHOT Show de 2017, é fabricado totalmente nas instalações da empresa em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

De acordo com o presidente da Taurus, Salesio Nuhs, aproximadamente 100 mil unidades do modelo foram produzidas desde 2017, sendo adotado por diversas forças nacionais e exportado para vários países. O armamento já é usado por agências policiais como a Polícia Militar de Santa Catarina e a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, além do Exército Filipino e da Gendarmerie do Senegal.

Contexto geopolítico e tarifas
A reação inicial da Taurus também considerou o contexto das relações comerciais com os Estados Unidos. A empresa argumentou que era contraditório o Brasil importar armamentos americanos enquanto os Estados Unidos impõem tarifas de aproximadamente 50% sobre produtos brasileiros exportados por empresas do setor.

TCU alerta para proteção da indústria nacional
A polêmica coincidiu com um momento de atenção especial do Tribunal de Contas da União sobre o tema. O TCU recomendou ao Ministério da Defesa que desestimule compras militares de bens e serviços no exterior quando esses também estiverem disponíveis no mercado nacional.

O órgão de controle apontou irregularidades nas compras externas, incluindo falhas na publicidade das licitações, inconformidades contábeis, fragilidades nos controles internos e favorecimento a determinadas empresas. Para o ministro-substituto Weder de Oliveira, o Ministério da Defesa, por meio da Portaria GM-MD 5175/2021, criou condições que direcionam as compras militares a empresas estrangeiras em detrimento das nacionais.

Base Industrial de Defesa em expansão
O episódio ilumina um debate mais amplo sobre a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. A indústria de defesa nacional registrou crescimento de 114% entre 2023 e 2025, alcançando US$ 3,1 bilhões em autorizações de exportação. Atualmente, cerca de 80 empresas exportadoras comercializam para aproximadamente 140 países, sendo os principais mercados Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes, Estados Unidos e Portugal.

A Taurus, em particular, tem forte presença internacional. Mais de 80% do faturamento da empresa vem de exportações, e a companhia possui até mesmo uma fábrica nos Estados Unidos.

O acordo e o futuro
Após os esclarecimentos sobre o caráter da compra, o desfecho foi positivo. A Taurus informa que empresa e Corpo de Fuzileiros Navais realizaram reunião onde ficou decidida a preparação de memorando de entendimento para desenvolvimento e homologação de armas de calibres 9mm, 5.56, 7.62 e .50, em parceria técnica com a Marinha.

Os equipamentos desenvolvidos nessa parceria atenderão as necessidades tanto das Forças Armadas quanto das Forças Policiais brasileiras, potencialmente fortalecendo a autonomia tecnológica do país em armamentos estratégicos.

O episódio demonstra que, embora a padronização de equipamentos já existentes justifique compras específicas no exterior, há espaço crescente para a indústria nacional suprir as demandas das Forças Armadas brasileiras, especialmente em novos projetos e modernizações futuras.

Saiba mais:
- CEO da Taurus apresenta portfólio militar ao Comando do Corpo de Fuzileiros Navais 

05 agosto, 2020

Presidente da Taurus confirma que joint venture na Índia está avançando bem


*LRCA Defense Consulting - 05/08/2020

Em matéria publicada no Estadão de 03 de agosto, foi divulgada uma declaração de Salesio Nuhs, Presidente e CEO Global da Taurus Armas S.A., confirmada posteriormente por esta editoria, onde o executivo respondeu sobre o andamento da joint venture firmada com o Jindal Group na Índia:

- A parceria com o grupo indiano está avançando de acordo o cronograma estabelecido, ainda que a pandemia de covid-19 tenha atrapalhado, por exemplo, viagens e deslocamentos. Estamos trabalhando em toda parte documental e layout da planta. O local onde a fábrica vai ser instalada já está com sua construção pronta, parte de alvenaria, e agora nosso parceiro vai iniciar a aquisição das máquinas para a produção.

Saiba mais:

04 agosto, 2020

Brigada Militar de Passo Fundo recebe armamento Taurus

Foto: Vinicius Coimbra | Diário

*LRCA Defense Consulting - 04/08/2020

A Força Tática do 1º Esquadrão do 3º Regimento de Polícia Montada, unidade da Brigada Militar (BM) sediada em Passo Fundo (RS), recebeu hoje (04) seis fuzis T4 calibre 5.56 e seis espingardas calibre 12 produzidos pela empresa Taurus Armas S.A., juntamente com três armas de eletrochoque e seis rádios HT.

O valor do investimento chega a R$ 180 mil e teve origem na lei de incentivo à segurança pública do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública (Piseg), por meio da qual empresários podem destinar parte do que devem em ICMS para o combate à violência.

De acordo com o comandante do 3º RPMon, Tenente-Coronel Volnei Ceolin, a BM procurou empresários de Passo Fundo para que fosse possível o investimento ainda no ano passado. Com o montante arrecadado, a instituição escolheu o que deveria ser comprado.

A cerimônia de entrega do armamento ocorreu na Associação Beneficente Antônio Mendes Filho da Brigada Militar (Abamf), em Passo Fundo, e contou com a participação de representantes das empresas participantes (Oniz Distribuidora, BSBios, Farmácias São João e Basso Pancote), imprensa e policiais.

22 julho, 2020

Taurus desenvolve três novos fuzis mirando os mercados nacional e internacional

Fuzil ArmaLite AR-10 A4 em uso pelo BOPE


*LRCA Defense Consulting - 21/07/2020

O empresário indiano Abhyuday Jindal, diretor administrativo da Jindal Stainless Ltda e CEO da joint venture desta empresa com a Taurus Armas, em entrevista para o portal indiano Raksha Aniverda publicada no dia 17, citou um fuzil de assalto no calibre 7.62 mm como integrante do portfólio da Taurus, informação que era desconhecida até agora.

Ontem (21), esta Consultoria confirmou que estão em desenvolvimentos pela empresa gaúcha três novos fuzis: um na plataforma AR-10 com calibre 7.62x 51 mm NATO, um na plataforma AR-15 no calibre 7,62x39 e, por último, um fuzil (rifle) de ferrolho nas versões de ação curta e ação longa.

Segundo a fonte, as novas armas serão lançadas no mercado para consolidar a estratégia agressiva de desenvolvimento de novos produtos e mercados com o suporte de alta tecnologia, estratégia essa que a Taurus vem empregando a partir da sua nova gestão.

O fuzil ArmaLite AR-10
O fuzil ArmaLite AR-10 foi desenvolvido nos EUA na década de 1950 e sua concepção inicial é a origem dos modernos e consagrados AR-10, AR-15 e M16. Atualmente, esse modelo é produzido por diversas indústrias de armamentos, mas com outros nomes e em diversos calibres, já que a marca AR-10 pertence à atual empresa ArmaLite. A designação AR significa ArmaLite Rifle, com suas plataformas AR-10 e AR-15.

O AR 10 é um fuzil de última geração que se caracteriza por sua precisão e, por isso, é empregado por unidades especiais de várias forças policiais e militares do Brasil e do mundo.

No Brasil, o AR-10 está sendo utilizado pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e pela Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil, além do Batalhão de Polícia de Choque, Batalhão de Ações com Cães e Grupamento Aeromóvel, todos do Rio de Janeiro, em substituição ao FN FAL e ParaFAL (ambos produzidos nacionalmente pela Imbel). Também é utilizado pelo Grupo de Radiopatrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás, sendo empregado tanto nas aeronaves quanto nas viaturas terrestres, pelo Grupo Tático 3 da Policia Civil de Goiás e pelo BOPE-TO.

O fuzil Colt AR-15
Um fuzil na plataforma AR-15 é um fuzil semiautomático leve baseado no projeto Colt AR-15 que, por sua vez, era baseado no ArmaLite AR-10. Sua versão militar automática é o M16 e suas variantes (que incluem a Carabina M4), em uso, principalmente, pelas forças armadas americanas.

Depois que as patentes da Colt expiraram em 1977, um mercado expandido surgiu, com muitos fabricantes produzindo sua própria versão da plataforma AR-15 para venda comercial.

O AR-15 no calibre 5.56 x 45 mm NATO é o fuzil mais popular dos Estados Unidos, pois é considerada a ferramenta mais eficaz para defesa do lar e da propriedade. É utilizado também nos veículos policiais e pelas equipes da SWAT.

No Brasil, a Taurus Armas produz três versões do fuzil T4 nessa plataforma, que equipa as polícias de vários estados brasileiros e de outros países, como Omã e Senegal. Nas Filipinas, a Taurus já é praticamente a vencedora de uma grande licitação de 11,5 mil fuzis para a polícia nacional. Na Índia, por meio da joint venture com a Jindal Stainless, têm previsão de venda de até 500 mil fuzis em cinco anos.

Por que um fuzil AR-15 no calibre 7.62 x 39 mm?
O calibre 7.62 x 39 mm foi desenvolvido na antiga União Soviética para ser o padrão russo dos fuzis Kalashnikov AK-47. Atualmente, esse calibre é usado principalmente pelas forças armadas e por civis da Rússia, bem como por outros países da antiga URSS e por diversos países do mundo que ainda usam o AK-47 ou suas evoluções, incluindo a última, o modelo AK-203.

Ocorre que, em 2018, foi firmada uma joint venture entre o governo indiano, representado pelo conglomerado de empresas estatais indianas de armamentos (Ordnance Factory Board), e o governo russo, representado pela  empresa Kalashnikov Concern, para produzir na Índia um total de 750 mil fuzis AK-203 (anteriormente conhecido como AK-103M) no calibre 7.62 x 39 mm. O objetivo é tornar esta arma o fuzil padrão das forças armadas (FFAA) indianas nos próximos anos.

Finalizada burocraticamente em meados de 2019, essa JV está tendo dificuldades em sair do papel. Conforme o analista Rakesh Krishnan Simha, autor da matéria citada acima: "o acordo com a Kalashnikov atingiu um gargalo. O projeto de Rs 4.300 milhões foi parado por mais de um ano, com o parceiro russo e o OFB incapaz de apresentar um plano de preços razoável. Isso não é novidade em acordos envolvendo fabricantes russos. De fato, é um padrão que remonta ao contrato de porta-aviões Gorshkov de 2001, em que o custo rapidamente subiu de US $ 700 milhões para US $ 3,2 bilhões. Não esqueça que este é um casamento envolvendo a Rússia, que possui um sistema de cadeia de suprimentos atroz, e um monopólio do setor público indiano não conhecido por sua ética no trabalho. Se a [parte da] manhã mostrar o dia [todo], levará muito tempo até que a fábrica de Korwa produza um único Kalashnikov".

Embora a fonte desta Consultoria tenha declarado que o desenvolvimento de um fuzil nesse calibre vise aumentar o portfólio da empresa, sem declinar se há ou não clientes em vista, chamam a atenção os fatos de não ser utilizado pela OTAN e de a Índia planejar adotá-lo como calibre primordial para os futuros fuzis de assalto de suas forças armadas.

Em um cenário hipotético, do ponto de vista logístico seria bastante interessante a Taurus poder oferecer ao mercado militar, paramilitar e policial indiano um fuzil no mesmo calibre usado pelas forças armadas desse país, ainda mais com possibilidade de exportação para os demais países que também o adotam.

Fuzil Taurus T4, baseado na plataforma AR-15

O fuzil (rifle) de ferrolho
Armas com ação de ferrolho são muito populares nas atividades civis de caça e tiro ao alvo, bem como para o uso por atiradores militares de elite (sniper), pois oferecem um excelente equilíbrio entre força, robustez, confiabilidade e precisão. Via de regra, são mais leves e têm um custo menor do que as armas de fogo semiautomáticas. Outra vantagem é poderem ser desmontadas e remontadas muito mais rápido, devido ao menor número de peças móveis.

A ação de ferrolho é um tipo de ação da arma de fogo em que a abertura e o fechamento da culatra são realizados com ação sobre uma pequena alavanca, normalmente localizada no lado direito da arma. À medida que a alavanca é operada, o parafuso é desbloqueado, a culatra é aberta, a cápsula deflagrada é retirada e ejetada, o percursor fica armado, um novo cartucho (se disponível) é colocado dentro da culatra e o sistema é  fechado.

Dentro do vasto mix de calibres possíveis de serem empregados no fuzil de ferrolho, a fonte desta Consultoria afirmou que ainda não estão definidos quais serão utilizados e priorizados, podendo ser: 6,5 CREED, .308 WIN, 6mm CREED, 7mm-08 REM, .243 WIN, .22-250 REM, .30-06SPG, .270WIN, .25-06 REM, 7mm REM MAG, .300 WIN MAG e .338 LAPUA MAG. Assim, não há como determinar ainda qual seria o emprego principal do armamento, se civil ou militar.

Fuzil inglês de ferrolho L115A3.

Novos nichos e maior presença global
Independentemente de haver objetivos específicos ainda não divulgados, as novas armas irão aumentar e enriquecer o portfólio da Taurus Armas, possibilitando conquistar novos e importantes nichos de mercado e contribuir para uma maior projeção global da empresa.

19 julho, 2020

Joint ventures da Taurus Armas e da CBC avançam na Índia


A decisão do governo de permitir a entrada de empresas privadas ajudará na criação de um ecossistema viável de armas pequenas e munições na Índia e atenderá aos requisitos através da fabricação indígena

*LRCA Defense Consulting - 19/07/2020

Imagem da reportagem indiana mostra as armas da JV da Taurus expostas em evento internacional

A matéria abaixo, condensada de uma reportagem publicada no dia 17 pelo portal indiano Raksha Aniverda com o título: "Desenvolvimento de armas leves: fabricantes particulares podem atingir o alvo?", mostra a importância estratégica que as joint ventures Taurus Armas/Jindal Stainless e CBC/SSS Defence têm na atual situação da Índia, bem como trazem novas e importantes informações sobre o mercado potencial a ser atendido, tais como:

- além do enorme efetivo das forças armadas, com mais de um milhão de homens e mulheres, as forças paramilitares do país compreendem quase um milhão de soldados;

- acresça-se a estes dois milhões de soldados, os enormes efetivos policiais de 30 estados diferentes que também exigem fuzis automáticos, carabinas e pistolas modernos;

- o mercado é completado por seguranças privados (cerca de 7 milhões), bem como por atiradores esportivos e cidadãos de um país com cerca de 1,4 bilhão de pessoas;

- a JV da Taurus está oferecendo armas pequenas para testes das forças armadas com base na prática 'sem custo, sem compromisso';

- a JV da Taurus está visando uma capacidade de 100.000 unidades por ano ao seu mix de produtos (esta informação ainda carece de confirmação, pois pode se referir a cada produto do mix, haja vista que o CEO da Taurus já afirmou que só em fuzis, a previsão é de 500 mil em cinco anos);

- o analista que produziu a matéria afirma que "dependendo do ambiente em que são usadas ​​e de como são mantidas, as armas pequenas têm uma vida útil de 5.000 a 6.000 tiros. Isso significa substituições contínuas, que devem manter as linhas de produção em funcionamento por décadas";

- a joint venture com a Rússia para a produção local de 750.000 fuzis Kalashnikov AK-203 continua incerta;

- a JV da CBC estará operacional em julho de 2021;

- a JV da CBC será a primeira a produzir munição de pequeno e médio calibre no setor privado e a atender à demanda doméstica e à exportação;

- a janela existente no mercado de munição representa um valor de mais de US $ 1 bilhão em contratos de longo prazo.

Os números e as perspectivas do mercado indiano (e de exportações a partir dele) permitem afirmar que a produção de armas e munições na Índia - o maior e mais inexplorado mercado entre os países capitalistas - significará o maior marco na história industrial do binômio Taurus/CBC, capaz de multiplicar muitas vezes os resultados atuais de ambas e levá-las a um patamar nunca antes atingido no mercado mundial.


"Desenvolvimento de armas leves: fabricantes privados podem atingir o alvo?"

*Raksha Aniverda - 17/07/2020

O Exército Indiano está no meio de um enorme esforço de modernização que reequipará mais de um milhão de soldados com armas pessoais avançadas. Paralelamente, as forças paramilitares do país, compreendendo quase um milhão de soldados, declararam inequivocamente que não aceitariam mais os fuzis de má qualidade do INSAS. Como um exercício de compras dessa escala não é mais viável por meio de importações, a chave para equipar as forças é a indigenização [nacionalização].

A longa busca do país por armas leves de qualidade - que inclui fuzis, carabinas, fuzis de precisão e armas de mão - parece ter se espalhado nas seguintes direções:

Em primeiro lugar, importações definitivas. Em 2019, uma competição de concurso reduziu os participantes ao fuzil SIG 716, com sede nos EUA, e à carabina CAR 816 da empresa de armas dos Emirados Árabes Unidos, Caracal. O SIG 716 foi selecionado depois que a empresa citou o preço mais baixo para compras rápidas na Índia de 72.400 novos fuzis de assalto. Do total, a Marinha recebe 2.000, a Força Aérea 6.000 e o Exército 64.400 fuzis. Em uma oferta separada por 94.000 carabinas, a carabina CAR 816 recebeu o sinal verde depois que a cotação da Caracal foi considerada a mais baixa. O SIG 716 e o ​​Caracal 816 são baseados no rifle americano AR-15.

Em segundo lugar, o Exército Indiano assinou um contrato com a Israel Weapon Industries, parceira da PLR Systems, através da rota Fast Track Procurement para 16.479 metralhadoras Negev 7.62x51mm (LMGs). Para a quantidade de saldo de 40.949 LMGs, o Ministério da Defesa emitiu uma solicitação de proposta (RFP) em outubro de 2019 com a categorização sendo Buy & Make (Indian). A PLR Systems é uma das cinco empresas que responderam a esta RFP.

Em terceiro lugar, existe um acordo entre governos e a Rússia para a aquisição de 750.000 fuzis Kalashnikov AK-203, com 40.000 a serem importados diretamente. Uma nova fábrica foi construída em Korwa, em Uttar Pradesh, onde os fuzis de assalto devem ser fabricados por uma empresa de joint venture na Índia, liderada pelo Ordnance Factory Board (OFB) na categoria Buy & Make (Indian). O AK-203 é uma iteração moderna do lendário rifle de assalto AK-47. Esses acordos são os mais próximos que o Exército indiano chegou de equipar seus soldados de infantaria com novas armas pequenas em mais de uma década. No entanto, eles não são uma solução permanente por duas razões principais.

Primeiro, as importações são, na melhor das hipóteses, uma solução de curto prazo, pois esses fuzis precisarão ser substituídos em alguns anos. Depois, voltaremos a licitações e burocracia e - dependendo de qual governo está no poder - os inevitáveis ​​escândalos de corrupção.

Segundo, o acordo com o Kalashnikov atingiu um gargalo. O projeto de Rs 4.300 milhões foi parado por mais de um ano, com o parceiro russo e o OFB incapaz de apresentar um plano de preços razoável. Isso não é novidade em acordos envolvendo fabricantes russos. De fato, é um padrão que remonta ao contrato de porta-aviões Gorshkov de 2001, em que o custo rapidamente subiu de US $ 700 milhões para US $ 3,2 bilhões. Não esqueça que este é um casamento envolvendo a Rússia, que possui um sistema de cadeia de suprimentos atroz, e um monopólio do setor público indiano não conhecido por sua ética no trabalho. Se a [parte da] manhã mostrar o dia [todo], levará muito tempo até que a fábrica de Korwa produza um único Kalashnikov.

Produção privada
Felizmente, há outra maneira de sair do atoleiro. Desta vez, o governo deixou a porta aberta para vários fabricantes privados iniciarem a produção de armas pequenas na Índia. Em junho de 2018, o governo revisou as Regras de Armas de 2016, permitindo que empresas privadas instalassem unidades de fabricação na Índia e atendessem a pedidos de exportação. De acordo com as novas regras, as empresas indianas receberão uma licença de sete anos após a devida verificação e poderão instalar unidades em zonas econômicas especiais.

Além disso, de acordo com uma nova política de munição, o Ministério da Defesa está disposto a fornecer compromissos de longo prazo e ordens firmes de vários tipos de munição para atores privados, mas a preços competitivos. Isso permite às empresas privadas uma brecha no mercado de munição de mais de US $ 1 bilhão, atualmente dominado por importadores estrangeiros e pelo OFB.

Raksha Anirveda conversou com cinco das novas empresas privadas que rapidamente se mudaram para o segmento de manufatura de armas pequenas e munições. Aqui está o que eles dizem. [A LRCA Defense Consulting manteve apenas as duas empresas que interessam ao Brasil]

Jindal Stainless Ltda
Localização: Hisar, Haryana

Abhyuday Jindal, diretor administrativo, JSHL
Em 27 de janeiro de 2020, a Jindal Stainless (Hisar) Ltd assinou um contrato de joint venture com a Taurus Armas SA, Brasil para transferência de tecnologia para a fabricação de armas pequenas na Índia. A Taurus é uma fabricante líder de armas de fogo, com produtos em serviço em muitos países. A gama de produtos inclui uma ampla gama de armas pequenas, como fuzis de assalto de 5,56 mm, fuzis de assalto de 7,62 mm, pistola de 9 mm para as forças armadas e também armas de pequeno calibre não proibidas (NPB), como revólveres e pistolas  para o mercado civil.

Na fase inicial, a empresa pretende fabricar pistolas e revólveres NPB para o mercado civil por meio de nacionalização progressiva. No que diz respeito às armas pequenas para uso militar, a abordagem é capitalizar as oportunidades emergentes por meio de RFIs / RFPs / licitações do exército e de outras forças armadas e planejar a produção. Proativamente, também está oferecendo armas pequenas
para testes das forças armadas com base no sistema 'sem custo, sem compromisso'.

Atualmente, o foco principal da JSHL é estabelecer uma infraestrutura ultramoderna para a fabricação de armas pequenas em Hisar. “No momento, talvez eu não consiga indicar as quantidades que a Jindal estará produzindo, mas posso confirmar que estamos visando uma capacidade de 100.000 unidades por ano ao mix de produtos”, diz Abhyuday Jindal, diretor administrativo da JSHL.

Jindal acrescenta que a iniciativa Make in India do primeiro-ministro Narendra Modi e sua subsequente chamada para Atmanirbhar Bharat criaram enorme entusiasmo no setor privado para investir na fabricação de armas pequenas. O regime liberalizado de IDE, a emissão de licença para a fabricação de armas pequenas para o setor privado e também a RFI / RFP em andamento / planejada na categoria de compra e fabricação (indiana) são testemunhos do compromisso do governo com uma participação mais ampla do setor privado facilitar a aquisição competitiva de armas leves modernas. Essas iniciativas têm como objetivo extrair a melhor relação custo / benefício contra a aquisição pelas forças armadas e reduzir a dependência de importações nesse segmento crítico.

Jindal é de opinião que o maior obstáculo enfrentado pelos fabricantes de armas pequenas é o atraso anormal que está ocorrendo no que diz respeito à aquisição dessas armas. Isso ocorre apesar do setor ser proativo e se aventurar em MoUs e joint ventures com OEMs estrangeiros para criar uma infraestrutura de defesa robusta. Por exemplo, no que diz respeito à carabina de 5,56 mm, desde 2011, RFIs repetidos foram lançados para compras através da produção indígena, mas não concluídos até a fase do contrato.

O governo também recorreu ao tratamento preferencial das unidades de produção estatais, como no caso do Ordnance Factory Board, Korwa, que fabricará em conjunto o fuzil de assalto Kalashnikov AK-103. O acordo trava nos requisitos de longo prazo das forças armadas. Nenhuma oportunidade foi estendida a fabricantes privados para licitação competitiva. “Nesse sentido, devo mencionar que, para sustentar a fabricação indígena de armas pequenas pelo setor privado, os esforços independentes da indústria precisam ser complementados por uma oportunidade comercial consistente. Além disso, em relação à exigência real das forças armadas, também há um fluxo limitado de informações para o setor privado ”, diz Jindal.

Em um cenário tão incerto, com relação ao programa de aquisição e também aos requisitos técnicos reais das armas de pequeno calibre, a indústria privada luta para firmar seu programa de investimentos e adota medidas preparatórias oportunas para responder efetivamente quando surgem requisitos formais.

O processo de aquisição anormalmente longo, particularmente o tempo envolvido na finalização da RFI / RFP, é motivo de preocupação e requer melhorias. O processo de licenciamento também precisa ser simplificado com a introdução do processo on-line para a aplicação da licença, como o DPIT. A indústria privada, sendo um novo participante no setor, não tem conhecimento de várias autorizações regulamentares e requisitos processuais que devem ser atendidos em relação à criação de infraestrutura e fabricação de armas pequenas. O Ministério da Defesa e o Ministério da Administração Interna devem fornecer apoio necessário ao setor privado nesse sentido.

"Em qualquer teatro de guerra, o soldado no terreno sempre terá primazia e é fundamental para o sucesso", diz Jindal. "Nesse cenário, devemos reconhecer que equipar nossos soldados com armas pequenas de alta qualidade produzidas indigenamente é um grande incentivo moral para a nação e uma questão de orgulho, pois essas são suas armas pessoais".


SSS Defense
Localização: Bangalore, Karnataka

Vivek Krishnan, CEO da SSS Defense (ES)
Satish Machani, MD, SSS Defense (R)
SSS Defense é a marca de defesa e aeroespacial da Stumpp, Schuele e Somappa Springs Pvt Ltd, uma empresa com mais de 70 anos de experiência em fabricação. A SSS Defense se concentra na fabricação de armas e sistemas de armas; em particular armas leves, munição, ótica de ponta e acessórios para armas de fogo e equipamentos táticos para forças armadas e policiais.

No mercado desde 2017, a SSS Defense tem como foco armas pequenas, munições e ótica militar. Seus produtos incluem o Sabre, um fuzil sniper de longo alcance em .338 Lapua Magnum; o Viper, um fuzil sniper para atirador tático em 7.62X51 mm; e a família de fuzis P-72. Em breve, estão disponíveis produtos para o mercado internacional de atiradores civis e esportivos.

A plataforma de armas pequenas da empresa é 100% indiana e não possui joint ventures estrangeiras. "Não prevemos uma parceria, considerando que um esforço fenomenal foi investido no desenvolvimento da propriedade intelectual de nossas operações de P&D na Índia", diz o CEO Vivek Krishnan.

A plataforma de óptica militar também é 100% indiana e possui seu próprio design para produtos.

A plataforma de munição da SSS Defense mantém uma joint venture e parceria estratégica com a Companhia Brasileira de Cartuchos. Essa aliança única será a primeira a produzir munição de pequeno e médio calibre no setor privado e a atender à demanda doméstica e à exportação. Líder mundial em munição para armas portáteis e um dos principais fornecedores da OTAN, a CBC é uma marca de defesa de primeira linha no segmento de pequeno calibre.

A SSS Defense recebeu a licença industrial para a fabricação de armas pequenas via Ministério do Interior em 2018 e iniciou o planejamento da fábrica de armas pequenas. A primeira fase da planta de armas de pequeno calibre em Bangalore estará operacional em novembro de 2020.

A construção da planta de munição também começará em breve e o plano deverá estar operacional em julho de 2021. Esta unidade terá mais de 60 acres de terra em Anantapur , Bangalore, e incluirá manufatura, laboratórios balísticos e infraestrutura tática (para treinamento avançado). Esta será a primeira indústria no espaço do setor privado indiano.

De acordo com o diretor-gerente Satish Machani, todos os produtos que a SSS Defense introduziu até agora foram projetados e desenvolvidos de maneira independente. “Uma abordagem moderna ao desenvolvimento incluiu o uso de manufatura aditiva, dinâmica de fluxo, simulação e uma filosofia de design de UX muito avançada”, explica ele. “Aplicamos dados antropométricos para projetar formas físicas indianas. O uso de materiais é outra área em que investimos tempo e recursos significativos. A competência principal de nossa empresa matriz na fabricação em escala industrial com ligas metálicas nos permitiu acessar processos e metalurgia de ponta. Na maioria das vezes, usamos ligas de classe aeroespacial em nossa construção e continuamos a trabalhar em ligas leves. Nossas ações de parafusos para o atirador são projetos proprietários e não se baseiam em nenhum sistema existente como o Remington 700. ”

A vantagem da abordagem da SSS Defence é que a empresa pode ultrapassar certos elementos da construção de armas em que o Ocidente e a Rússia têm sido tradicionalmente lentos, devido à sua persistência em processos de fabricação mais antigos. Isso permite que a empresa desenvolva tecnologia avançada em seus laboratórios - uma nova maneira de fazer as coisas no setor de defesa indiano.

Krishnan acredita que os fabricantes de armas pequenas na Índia precisam ter uma chance. "A política do Make in India, introduzida em 2016, acendeu o coração de muitos empreendedores", diz ele. "O potencial na Índia é imenso e as vantagens de comprar de um fabricante indiano seriam dez vezes maiores."

No entanto, estes são os primeiros dias e existem vários problemas. Krishnan lista os mais críticos:

1) Um grande número de fabricantes indianos busca consolo na transferência de tecnologia. Embora exista algum valor, há uma tendência de acreditar que a transferência de tecnologia em si é uma bala de prata. Em vários casos, o parceiro indiano acaba como um fabricante do Build to Print ou fornecedor de componentes para o OEM global. Depois disso, ocorre uma batalha prolongada para garantir que a indigenização ocorra em vez de confiar nas opções de DRC / SKD. O governo indiano pode garantir que os casos Make II e IDDM (Desenvolvidos e Fabricados com Design Indígeno) tenham prioridade sobre a fabricação indígena com apenas transferência cosmética de tecnologia.

2) Garantir que o uso da infraestrutura militar e do setor público relacionada aos testes seja disponibilizado aos fabricantes indianos.

3) As licitações globais devem ser a última opção e somente se deve contar quando não há absolutamente nenhum fornecedor indiano capaz de apresentar opções viáveis. Passos recentes, como a restrição à emissão de propostas globais para aquisições com menos de R $ 200 milhões, certamente ajudarão.

4) Todo país possui políticas que incentivam a indústria doméstica e restringem a concorrência. Os campeões do mercado livre - EUA e Europa - têm regulamentos como o ITAR e o Buy American Act para garantir que as indústrias domésticas de armas de fogo e defesa sejam protegidas. O governo precisa correr alguns riscos aqui e permitir algum nível de proteção para os setores de armas pequenas e munições.

5) A aquisição de equipamentos de capital estrangeiro por meio de agentes e representantes autorizados de OEMs estrangeiros deve receber a menor prioridade em licitações / propostas governamentais, independentemente da agência - MoD ou MHA.

6) O cronograma para o fechamento de propostas e o cancelamento arbitrário de propostas é um claro negativo para a tomada de riscos no setor privado. Se o espaço militar tiver que crescer, o governo precisará de equipes de gerenciamento de projetos específicas para compras críticas que possam trabalhar em conjunto com a indústria para identificar e fechar requisitos de maneira limitada no tempo.

7) Incentivar as exportações de equipamentos de defesa, incluindo armas pequenas e munições, é um grande passo que o atual governo está seguindo. O valor geopolítico estratégico de ser uma potência de defesa está começando a ganhar sentido. Precisamos de medidas mais agressivas nessa direção.

8) A política deve incentivar uma célula de Tecnologia das Forças Especiais. Estamos muito interessados ​​em aplicar parte de nossa tecnologia avançada para que produtos sob medida para nossas forças especiais possam ser desenvolvidos. Empresas como nós gostariam de trabalhar em tais armas, apesar do menor tamanho de pedidos. Para nós, essas são oportunidades para mostrar nosso compromisso com as forças. De fato, o Comando de Operações Especiais dos EUA (SOCOM) possui programas dessa variedade e muitos produtos interessantes, como a Next Gen Squad Weapon (NGSW), evoluíram dessa maneira.

9) O enquadramento dos GSQRs deve estar mais afinado com a realidade prática.

Conclusão

Ao longo das décadas, a Índia gastou bilhões de dólares em armas de ponta que garantiram que ela permanecesse o poder militar preeminente na região. Hoje, está prestes a se tornar uma potência pan-asiática com a capacidade de projetar energia no Mar da China Meridional e até o Chifre da África.

Mas, enquanto persegue o domínio regional através de mísseis Agni, submarinos da SSBN e porta-aviões, a liderança política não deve esquecer que é o soldado em campo que mantém o inimigo à distância.

Se a Índia está comprando Sukhois e Rafales caros, por que o soldado indiano deveria carregar o fuzil INSAS propenso a falhas? Fuzis de má qualidade para o soldado humilde, portanto, cheiram a elitismo e discriminação. Armas pessoais são tão importantes para o resultado das guerras quanto a aquisição de aeronaves, tanques e armas pesadas.

Além disso, há o efeito da cisão na economia. Com a exigência de armas pequenas para as forças militares e paramilitares em mais de dois milhões, o bolo é grande o suficiente para que tanto a OFB estatal quanto os fabricantes privados possam ter suas ações sem acrimônia. E isso não inclui as forças policiais de 30 estados diferentes que também exigem fuzis automáticos, carabinas e pistolas. Acrescente a demanda por fuzis esportivos e estamos vendo um dos maiores mercados de armas pequenas do mundo.

Além disso, dependendo do ambiente em que são usadas ​​e de como são mantidas, as armas pequenas têm uma vida útil de 5.000 a 6.000 tiros. Isso significa substituições contínuas, que devem manter as linhas de produção em funcionamento por décadas.

O número de empregos que isso criará e as inovações que a indústria criará sem dúvida impulsionarão uma nova era no setor de defesa indiano.

Por várias razões, por mais de 70 anos, a Índia perdeu a oportunidade de criar uma próspera indústria de armas pequenas. Com um governo favoravelmente disposto no poder, agora é a hora de recuperar o tempo perdido.

*O autor da matéria, Rakesh Krishnan Simha, é um analista de defesa citado globalmente. Seu trabalho foi publicado pelos principais think tanks e citado extensivamente em livros sobre diplomacia, combate ao terrorismo, guerra e desenvolvimento econômico.

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