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04 outubro, 2026

O céu sem duelos: por que a Ucrânia ainda quer caças numa guerra quase sem combate aéreo

Anúncio de três F-16 belgas até o fim do ano expõe o novo papel da aviação de combate num conflito em que as defesas antiaéreas negaram o espaço aéreo aos dois lados, com lições diretas para a FAB e para a Artilharia Antiaérea 



*LRCA Defense Consulting - 04/10/2026

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, anunciou no dia 29 de setembro que a Bélgica transferirá três caças F-16 ao país até o fim de 2026, por meio de um procedimento acelerado. Segundo ele, a Ucrânia já recebeu remessas urgentes de munição para os F-16 da Bélgica, da Espanha e de outros parceiros. A justificativa apresentada pelo presidente é reveladora: diante da escalada diária dos ataques russos, a Ucrânia precisa ampliar sua capacidade de abater alvos aéreos e proteger a população.

A frase resume uma das transformações mais profundas, e menos percebidas, da guerra iniciada em fevereiro de 2022. Mais de quatro anos depois, o conflito entre Rússia e Ucrânia praticamente não registra combates entre caças. Os aviões de combate dos dois lados operam quase sempre longe da linha de frente, lançando mísseis e bombas guiadas a distância ou atuando como interceptadores de mísseis de cruzeiro e drones. A disputa clássica pela superioridade aérea, que marcou as guerras desde a II Guerra Mundial, deu lugar a um céu negado a ambos.

Promessas antigas, entregas lentas 
A promessa belga tem mais de dois anos. O compromisso inicial, de 30 aeronaves, foi feito em 2024, mas as entregas foram sendo adiadas porque a Bélgica condicionou a cessão dos F-16 à chegada dos F-35A que vão substituí-los; os primeiros só pousaram na Base Aérea de Florennes em outubro de 2025. O cronograma indicativo de desativação da frota belga prevê sete aeronaves em 2026, três delas destinadas à Ucrânia, e a retirada das demais até 2029.

No mesmo dia do anúncio, Zelensky informou ter recebido um sistema de defesa antiaérea Nasams, desenvolvido por Estados Unidos e Noruega, e disse que prosseguem os testes para melhorar a eficiência dos interceptadores ucranianos contra os drones russos a jato, que voam mais alto e mais rápido do que os modelos convencionais.

O horizonte de médio prazo é o Gripen. Em 30 de junho, a Saab assinou com a FMV (a agência sueca de material de defesa) um contrato de SEK 24,6 bilhões (cerca de US$ 2,5 bilhões), financiado por empréstimo da União Europeia, para o fornecimento de 16 Gripen E à Ucrânia, com entregas previstas para 2029 e 2030. A antecipação da capacidade viria de até 16 Gripen C/D da frota ativa sueca, cuja transferência, segundo a imprensa especializada, começaria no início de 2027; na época da assinatura, o LRCA Defense Consulting registrou que essa doação ainda não tinha confirmação pública. A compra de 16 caças franceses Rafale, por sua vez, ainda não foi assinada, segundo a própria Dassault, e as entregas são visadas para 2028 e 2029.

Caças que caçam mísseis 
Desde a chegada dos primeiros F-16, em agosto de 2024, e dos Mirage 2000 franceses, no início de 2025, a principal missão dos caças ocidentais na Ucrânia tem sido interceptar mísseis de cruzeiro e drones de ataque de longo alcance, como os Shahed de projeto iraniano (Geran, na versão russa), lançados às centenas contra cidades e infraestrutura energética. O combate ar-ar continua a existir, mas raramente tem outro avião tripulado como alvo.

O primeiro F-16 ucraniano perdido, ainda em agosto de 2024, caiu durante a repulsa a um grande ataque de mísseis e drones, com a morte do piloto. O episódio ilustrou o novo perfil de emprego: o caça integra a defesa antiaérea, ao lado de sistemas como Patriot, IRIS-T e Nasams, como mais uma camada de interceptação, e não como instrumento de conquista do céu sobre o campo de batalha.

Negação aérea mútua 
A explicação para esse quadro está nos primeiros dias da guerra. Houve combates aéreos reais em fevereiro e março de 2022, com perdas de MiG-29 e Su-27 ucranianos e de aeronaves russas. A Rússia, contudo, não conseguiu destruir a defesa antiaérea ucraniana na abertura da campanha: os sistemas S-300 e Buk foram dispersos e deslocados pouco antes do ataque, sobreviveram às salvas iniciais de mísseis e passaram a cobrar um preço alto de qualquer aeronave que se aproximasse.

Os dois lados dispõem de defesas integradas, densas e em camadas, que vão dos sistemas de longo alcance, como o S-400 russo e o Patriot norte-americano, aos mísseis portáteis (Manpads) distribuídos entre a infantaria. Nenhum deles demonstrou capacidade consistente de SEAD e DEAD (supressão e destruição de defesas antiaéreas inimigas) em larga escala. O resultado é um regime de negação aérea mútua: nenhum lado domina o céu, e ambos impedem que o outro o faça.

Mesmo as aeronaves de maior valor ficaram vulneráveis. Em janeiro e fevereiro de 2024, a Rússia perdeu dois aviões de alerta aéreo antecipado A-50, atribuídos a mísseis superfície-ar ucranianos. Em junho de 2025, na operação que ficou conhecida como Teia de Aranha, drones lançados a partir de caminhões atingiram bombardeiros estratégicos russos estacionados em bases distantes milhares de quilômetros da frente. Parte das perdas mais significativas da aviação russa, portanto, ocorreu no solo ou por ação de mísseis de superfície, e não em duelos aéreos.

Bombas planadoras e disparos a distância 
Negado o espaço sobre a linha de contato, as duas forças aéreas se adaptaram ao emprego stand-off, isto é, a partir de fora do alcance das defesas inimigas. A Rússia faz o grosso de seu esforço aéreo tático com bombas convencionais de 500, 1.500 e até 3.000 quilos convertidas em armas planadoras por meio de kits de asas e guiagem, lançadas por Su-34 e Su-35 a dezenas de quilômetros do alvo. Os bombardeiros estratégicos Tu-95 e Tu-160 disparam mísseis de cruzeiro sem deixar o espaço aéreo russo.

A Ucrânia adotou a mesma lógica com armamento ocidental: mísseis de cruzeiro Storm Shadow e SCALP lançados por antigos Su-24, e bombas guiadas JDAM-ER, AASM Hammer e GBU-39 adaptadas a aeronaves de origem soviética. O combate ar-ar que sobreviveu é essencialmente disputado além do alcance visual, com mísseis russos R-37M disparados a distâncias muito longas contra aviões ucranianos que ganham altitude para lançar armamento.

Nem tudo é novo 
O declínio do dogfight, o combate aproximado entre caças, não começou na Ucrânia. Na Guerra do Yom Kippur, em 1973, o guarda-chuva de mísseis SA-6 e SA-2 do Egito e da Síria impôs perdas pesadas à Força Aérea de Israel e, nos primeiros dias, negou-lhe o apoio aéreo às tropas no Canal de Suez. Foi o primeiro grande alerta de que mísseis de solo poderiam neutralizar uma aviação tecnicamente superior.

Na guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), talvez o precedente mais próximo do atual, nenhum dos lados obteve superioridade aérea durante oito anos; a aviação serviu sobretudo para ataques à retaguarda, e a chamada guerra das cidades foi travada com mísseis balísticos. No Kosovo, em 1999, a defesa antiaérea sérvia, embora inferior, sobreviveu a 78 dias de bombardeios da OTAN escondendo-se e ligando os radares por curtos períodos, o que obrigou as aeronaves aliadas a voar em grande altitude e resultou até na derrubada de um F-117.

Em maio de 2025, o confronto entre Índia e Paquistão produziu um dos maiores engajamentos aéreos da era moderna, travado quase inteiramente a distância, com os caças disparando mísseis sem cruzar a fronteira. Em escala reduzida, foi o modelo ucraniano. Desde a Guerra do Golfo, em 1991, as vitórias ar-ar em conflitos convencionais tornaram-se raras, e quase todas ocorreram além do alcance visual.

O que muda de fato 
A novidade está na combinação de fatores. Trata-se de uma guerra de alta intensidade, entre duas forças aéreas de porte considerável (a russa é uma das maiores do mundo), que se prolonga por mais de quatro anos sem que nenhuma consiga superioridade aérea sustentada, nem mesmo local e temporária. Nas campanhas conduzidas pelos Estados Unidos e pela OTAN desde 1991, a premissa era obter a supremacia aérea nos primeiros dias, por meio da destruição sistemática das defesas inimigas; na Ucrânia, essa premissa não se confirmou.

O espaço que a aviação tripulada deixou de ocupar foi preenchido por drones, empregados em reconhecimento, ataque de precisão sobre a frente e ataques em profundidade, e por munições de longo alcance. Essa substituição, sim, representa uma mudança estrutural na forma de fazer a guerra.

Duas leituras do mesmo céu
Os analistas divergem sobre o alcance dessas lições. Uma corrente sustenta que o quadro ucraniano reflete menos o fim do poder aéreo e mais as deficiências específicas das Forças Aeroespaciais da Rússia em supressão de defesas, integração de operações conjuntas e disponibilidade de munições de precisão. O argumento costuma ser reforçado pela campanha de Israel contra o Irã, em junho de 2025, na qual a defesa antiaérea iraniana foi rapidamente degradada, permitindo operações sobre o território inimigo.

A outra corrente entende que defesas densas, móveis e em camadas elevaram de tal forma o custo de operar no espaço aéreo contestado que apenas forças com capacidade muito avançada de SEAD, guerra eletrônica e aeronaves furtivas conseguem romper o bloqueio. Para a maioria dos países, a conclusão seria que a aviação de combate tende a operar como plataforma de armamento a distância e como camada da defesa antiaérea, exatamente o papel que Zelensky atribuiu aos F-16 belgas.

Lições para a FAB e para a Artilharia Antiaérea
O debate tem implicações diretas para o País. A Força Aérea Brasileira (FAB) recebe o F-39 Gripen E/F, da mesma família dos caças encomendados pela Ucrânia, e o Brasil manifestou interesse em adquirir mais 20 unidades além das 36 contratadas. Em julho, durante o Farnborough International Airshow, Embraer e Saab assinaram um memorando para a potencial produção dessas aeronaves adicionais em Gavião Peixoto (SP). Ao mesmo tempo, os AMX A-1, hoje os únicos caças da FAB com vocação de ataque ao solo, devem ser aposentados em 2027.

A experiência ucraniana indica que, sem capacidade de supressão de defesas e sem armamento de longo alcance integrado, o F-39 tenderia a ser empregado de forma semelhante à dos caças ucranianos: longe das defesas inimigas, disparando a distância. Nesse sentido, a integração do míssil de cruzeiro Taurus ao Gripen C/D sueco, anunciada em setembro com um primeiro lançamento em agosto, mostra que a família pode receber armamento de grande porte, mas, como observou o LRCA Defense Consulting, não há anúncio público de uma campanha de integração ao F-39, nem de escolha do Gripen como plataforma dos mísseis de cruzeiro brasileiros em desenvolvimento.

A lição tem também um sentido inverso, e talvez mais relevante para um país de dimensões continentais: uma defesa antiaérea em camadas, bem estruturada e integrada, é o que permite negar o espaço aéreo a um oponente mais forte. Foi essa capacidade que impediu a Rússia de conquistar o céu da Ucrânia, e é justamente na defesa antiaérea de média e grande altitude que as Forças Armadas brasileiras apresentam suas lacunas mais conhecidas.

23 setembro, 2024

Caças e mísseis pelo Embraer C-390: um acordo de troca com a Índia?


*LRCA Defense Consulting - 23/09/2024

Ao que tudo indica, Índia e Brasil podem estar considerando um acordo governo a governo na modalidade quid pro quo (expressão latina que significa "tomar uma coisa por outra"), onde a Índia compraria 40 a 80 aeronaves multimissão Embraer C-390 Millennium em troca de o Brasil adquirir algumas baterias do sistema de mísseis antiaéreos Akash SAM, e/ou baterias do míssil de cruzeiro supersônico BrahMos, e/ou helicópteros, e/ou o estabelecimento de colaboração para a manutenção dos submarinos brasileiros da classe Scorpene, e/ou construção de fragatas para a Marinha do Brasil.

Para o Brasil, o negócio seria excelente, pois permitiria que a Embraer realizasse uma venda de bilhões de dólares, deslanchando de vez o C-390 e fincando os pés no enorme mercado asiático, que seria sua maior referência para atrair outros clientes de todos os continentes.

Para a Índia, seria a oportunidade de, finalmente, exportar seus caças Tejas, além dos sistemas de mísseis Akash e/ou Brahmos (e outras possibilidades), com o negócio se constituindo também em referência para atração de outros clientes da América do Sul (principalmente) e dos demais mercados de defesa, que só estão à espera de uma referência como esta.

No entender do jornal indiano Financial Express, "a crescente cooperação militar entre a Índia e o Brasil é uma prova de seu comprometimento compartilhado em aprimorar as capacidades de defesa e alcançar a autossuficiência. Da manutenção de submarinos e aquisição de aeronaves a potenciais colaborações em mísseis, a parceria abrange uma ampla gama de tecnologias e estratégias de defesa. À medida que ambas as nações continuam a se envolver em discussões e trocas de alto nível, a importância de sua cooperação se estende além dos laços bilaterais. Ela contribui para a estabilidade regional e ressalta a importância da colaboração internacional no enfrentamento de desafios comuns de defesa. O futuro das relações de defesa Índia-Brasil parece promissor, com ambos os países prontos para se beneficiar de sua parceria cada vez mais profunda".

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O Brasil poderia comprar o caça LCA Tejas da Índia se a IAF adquirir a aeronave Embraer C-390! Os brasileiros estão insinuando um acordo de troca?

*EurAsian Times, por Ritu Sharma - 12/09/2024

Índia e Brasil têm se aproximado militarmente. Como a delegação brasileira está visitando a Índia, aeronaves leves de combate (LCA) Tejas e helicópteros indianos e a provável venda do Embraer C-390 Millennium para a Força Aérea Indiana (IAF) estão na mesa.

Nos últimos tempos, acordos de defesa têm sido uma decisão política para a Índia visando maximizar o componente do Make in India e dar ímpeto a laços estratégicos com aliados. Não será uma surpresa que a Índia possa optar pelo C-390 Millennium, o mais recente heavy lifter do mundo, que é mais rápido e mais eficiente do que seu equivalente americano, caso o Brasil opte pelo jato de combate indiano 'LCA Tejas'.

O Tejas tem tido dificuldades para encontrar compradores estrangeiros, apesar de estar operacional na IAF e ser destacado nas bases avançadas.

No exercício multinacional em andamento 'Tarang Shakti' na Índia, o Tejas tem estado na vanguarda do novo ciclo, já que um dos LCA pilotados pelo Chefe do Marechal do Ar da IAF AP Singh conseguiu  interceptar um Eurofighter em exercícios simulados. Três Vice-Comandantes das forças armadas indianas e o Comandante da Força Aérea Alemã pilotaram o jato de caça, marcando sua chegada ao cenário internacional.

O Comandante do Ar da IAF, marechal VR Chaudhari, se encontrou com o Comandante da Força Aérea Brasileira, tenente-brigadeiro Marcelo Kantiz Damasceno, em 11 de setembro. Em entrevista ao canal de notícias indiano TimesNow, o comandante do ar brasileiro disse que os caças Tejas eram uma opção para a força aérea latino-americana.

“De acordo com nossas regras, não deveríamos ter menos que dois e não mais que três tipos de aeronaves de caça. Atualmente, temos o F-5 e o Gripen, mas depois de 2030, precisaremos talvez de mais dois tipos, conforme o F-5 for embora. Então, enquanto o Gripen permanecer, o Tejas é uma das opções para nosso segundo ou terceiro avião de caça”, disse ele.

Damasceno visitará a fabricante indiana de aeronaves Hindustan Aeronautics Limited (HAL) em Bangalore e voará no LCA.

Relatórios indicam que o Tejas em breve será implantado em funções operacionais no setor norte, onde terá que combater os F-16 do Paquistão e os JF-17 da joint venture China-Paquistão caso um conflito ecloda.

A IAF introduziu dois esquadrões de LCA em 2016. Após a liberação operacional final, a aeronave foi implantada em Sulur. A aeronave agora começou a operar a partir de bases avançadas e a participar de exercícios internacionais, refletindo a confiança do establishment indiano no jato nativo.

Em 2024, o LCA Tejas Mk1A, a variante avançada do já introduzido LCA Mk1, voou pelos céus, e a IAF fez uma das maiores encomendas de defesa para 83+97 desses caças.

A IAF, a quarta maior força aérea do mundo, em breve operará cerca de 350 LCAs (variantes Mk-1, Mk-1A e Mk-2). A força já introduziu 32 Mk1 (fez um pedido de 40 jatos Mk-1) e fez um pedido de 83+97 da versão Mk1A.

Na próxima década, a IAF, lutando contra a escassez de jatos de combate, terá o LCA nacional como a pedra angular de seu poder de combate. O jato de combate será equipado com armas construídas na Índia.

Apesar de sua relação custo-benefício e agilidade, o jato de caça não conseguiu ganhar pedidos internacionais até agora. Em 2023, o primeiro-ministro Narendra Modi voou a bordo do Tejas, mostrando sua confiança no jato de caça nacional. A mudança visa impulsionar o perfil do LCA como um produto de exportação.

Helicópteros e drones
O Brasil também tem considerado helicópteros e drones feitos na Índia. “Temos sete esquadrões de 12 helicópteros cada, e estamos procurando mais, talvez 24 novos helicópteros”, disse ele. Isso incluirá helicópteros para um novo esquadrão para a área da Amazônia e para socorro em enchentes. “Consideraremos helicópteros indianos”, acrescentou.

Para os drones, o Brasil também considera uma possível transferência de tecnologia da Índia.

C-390 do Brasil para a IAF
O Brasil vem buscando a  licitação de aeronaves de transporte médio  para a IAF. A empresa brasileira Embraer Defense & Security e a empresa indiana Mahindra se uniram para fabricar a aeronave multimissão C-390 Millennium na Índia. A IAF está buscando induzir 40-80 aeronaves em linha com a iniciativa Make in India do governo indiano.

Espera-se que a aquisição envolva transferência de tecnologia e a criação de uma linha de fabricação no país para indigenização de alto nível. Daí a colaboração entre a Embraer e a Mahindra.

O C-390 Millennium é uma aeronave de transporte tático, multimissão, bimotor, a jato. Entrou na Força Aérea Brasileira em 2019.

A Embraer espera que o acordo com a MTA abra caminho para a fabricação conjunta de aeronaves civis na Índia.

O C-390, disse o chefe da aeronáutica brasileira, está em operação há cinco anos. Ele voou 15.000 horas. “Comparado com o C-130 (um avião americano conhecido por sua robustez), o C-390 é mais rápido e transporta pelo menos a mesma quantidade de carga. Estamos oferecendo isso à Índia e os MOUs com a Mahindra já estão prontos. Até agora, seu nível de manutenção está acima de 97 por cento”, disse ele. “A Força Aérea Indiana precisa de aeronaves de transporte médio”, acrescentou.

Aprofundando os laços indo-brasileiros
No ano passado, houve uma onda de visitas de autoridades de ambos os países. Em 2023, a indústria de defesa indiana participou da LAAD (DefExpo) no Rio. Representantes da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa (DRDO), Bharat Dynamics Ltd., Yantra India Ltd., Bharat Electronics, Mazagon Dock Shipbuilders Ltd. e a joint venture indo-russa BrahMos compareceram à exposição.

Em maio de 2023, uma delegação indiana liderada pelo Secretário-Adjunto Anurag Bajpai visitou o Brasil e se encontrou com altos oficiais de defesa. O chefe militar brasileiro também visitou a Índia em uma  viagem de seis dias .

Submarinos e navios de patrulha
O Brasil está particularmente interessado em formar um clube Scorpene de nações que produzem e operam submarinos para trocar melhores práticas e tecnologias. A Índia também opera submarinos Scorpene, e um Memorando de Entendimento para a manutenção dos submarinos da Mazagon Dock Shipbuilders Limited (MDL) no Brasil pode ser finalizado.

A delegação que vem em setembro se concentrará em Coastal Systems. Espera-se que finalize a aquisição de Offshore Patrol Vessels da MDL. A reforma de meia-vida, na MDL, de sua frota de submarinos existente, também está nos planos.

O Brasil está desenvolvendo seu primeiro submarino de ataque com propulsão nuclear, o Alvaro Alberto. O submarino, desenvolvido como parte de uma parceria estratégica entre o Brasil e a França, deve ser lançado em 2029. E pode equipar o submarino com sistemas BrahMos-NG.

Em entrevista no início de 2024, o Major-Brigadeiro Rui Chagas Mesquita, Secretário de Produtos de Defesa do Brasil, disse: “Quando olhamos para a Índia, buscamos trabalhar juntos para que possamos também desenvolver conjuntamente produtos acabados e usar o Brasil como um hub para vender esses produtos comumente desenvolvidos no mercado latino-americano.”

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“Considerará o jato de caça Tejas da Índia como possível substituto do F-5”: Comandante da Força Aérea Brasileira

*India Defence Research Wings - 12/09/2024

Em uma interação recente com a mídia indiana, o Tenente Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Força Aérea Brasileira, revelou que o Brasil pode considerar o jato de caça Tejas da Índia como um possível substituto para sua frota envelhecida Northrop F-5, que deve ser aposentada após 2030. Damasceno reconheceu a necessidade de plataformas de caça adicionais junto com os jatos Gripen-E existentes no Brasil e expressou interesse no Tejas como um candidato para a função.

Atualmente, a Força Aérea Brasileira opera tanto o F-5 quanto o Gripen-E. No entanto, conforme o F-5 se aproxima do fim de sua vida útil, o Brasil precisará introduzir uma nova plataforma para manter suas capacidades operacionais. Falando sobre a busca por um sucessor para o F-5, Damasceno observou: “Precisaremos talvez de mais dois tipos conforme o F-5 for. Então, enquanto o Gripen permanecer, o Tejas é uma das opções para nosso segundo ou terceiro avião de caça.”

Esta declaração marca um desenvolvimento significativo, pois coloca o Tejas Mk1A da Índia e o futuro Tejas MkII na disputa pela aquisição de caças de próxima geração do Brasil. Espera-se que ambas as variantes do Tejas estejam em produção durante o período em que o Brasil buscará aposentar sua frota de F-5, tornando-os opções oportunas para consideração.

O Tejas Mk1A está atualmente em produção e permanecerá ativo até por volta de 2032-33. Até lá, a estatal indiana Hindustan Aeronautics Limited (HAL) também pretende ter o Tejas MkII em produção, expandindo ainda mais as capacidades da plataforma. O Tejas MkII, em particular, é projetado com um peso máximo de decolagem (MTOW) aumentado de cerca de 17,5 toneladas, tornando-o um caça mais poderoso e capaz em comparação ao seu antecessor.

Para efeito de comparação, o F-5 do Brasil, que está em serviço desde a década de 1970, tem um MTOW de aproximadamente 11 toneladas. O Tejas Mk1A, com um MTOW de 13,5 toneladas, oferece uma atualização significativa sobre o F-5 em termos de capacidade de carga útil e desempenho geral. O Gripen-E, atualmente o caça mais avançado da Força Aérea Brasileira, ostenta um MTOW de 16,5 toneladas, colocando-o entre o Tejas Mk1A e o mais avançado Tejas MkII.

O Brasil tem se interessado em adquirir armas indianas em acordos de troca com suas próprias empresas, como a Embraer, que concorre à licitação MTA da IAF para aeronaves de transporte que podem ser fabricadas no país.

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Saiba mais:
- Akash-BrahMos-Scorpene: a crescente cooperação de defesa Índia-Brasil

- Brasil começa a concretizar ações para dispor de um Sistema de Artilharia Antiaérea de Média/Grande Altura

- Proposta do Brasil à Índia: permuta do sistema de defesa aérea Akash por aviões da Embraer?

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