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15 maio, 2026

Brasil avança rumo ao submarino nuclear: EMGEPRON, AMAZUL e CTMSP alinham Projeto USEXA para produção de combustível estratégico

 

*LRCA Defense Consulting - 15/05/2026

Em movimento considerado decisivo para o Programa Nuclear da Marinha, EMGEPRON, AMAZUL e o futuro Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP) alinharam, na última terça-feira (13), ações relacionadas ao Projeto USEXA - Usina de Hexafluoreto de Urânio. O empreendimento, localizado no complexo de Aramar, em Iperó (SP), terá como missão produzir hexafluoreto de urânio (UF₆), insumo essencial para o enriquecimento isotópico do combustível que moverá o primeiro submarino nuclear brasileiro.

O que é o Projeto USEXA
O USEXA é uma usina projetada para converter "yellow cake" (óxido de urânio concentrado) em hexafluoreto de urânio (UF₆) na forma gasosa, etapa indispensável antes do enriquecimento isotópico. Sem esse gás, não é possível alimentar as centrífugas que produzem urânio enriquecido para o reator do submarino.

A iniciativa reforça a cooperação estratégica entre três entidades-chave:

Instituição

Papel no Projeto USEXA

EMGEPRON

Empresa de Gestão de Programas e Projetos da Marinha; lidera projetos de alta complexidade tecnológica e gerencia o Prosub

AMAZUL

Amazônia Azul Tecnologias de Defesa: empresa responsável pelo programa nuclear naval e pela construção do submarino

CTMSP

Futuro Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo: atuará no desenvolvimento tecnológico e na operação da usina

Importância para o submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto
O Projeto USEXA é o elo faltante no ciclo completo do combustível nuclear brasileiro. Até agora, parte do UF₆ necessário era processado no Canadá, criando dependência externa em etapa crítica da cadeia. Com a usina operacional, o Brasil fechará totalmente o ciclo do urânio, da mineração ao combustível enriquecido, garantindo autonomia absoluta para o programa naval.

O submarino em desenvolvimento, o SNCA Almirante Álvaro Alberto, será o primeiro da América Latina e colocará o Brasil no seleto grupo de seis nações com submarinos de propulsão nuclear: EUA, Rússia, China, Reino Unido, França e Índia.

Característica

Submarino convencional (diesel-elétrico)

Submarino nuclear Almirante Álvaro Alberto

Tempo submerso

Dias (precisa emergir para recarregar ar)

Meses sem reabastecimento

Velocidade máxima

~20 nós

30+ nós contínuos

Furtividade

Limitada por necessidade de renovação de ar

Alta - sem motor diesel ruidoso

Alcance operacional

Regional

Global - opera em qualquer oceano

Com reator nuclear próprio e tecnologia 100% nacional de enriquecimento, a embarcação poderá operar por meses sem reabastecimento, reforçando a soberania do Brasil na Amazônia Azul, região de 4,5 milhões de km² rica em petróleo, biodiversidade e rotas comerciais.

Cronograma e desafios
O desenvolvimento do sistema de propulsão nuclear ocorre em Iperó (SP), onde estão localizados o Laboratório de Enriquecimento Isotópico (LEI) e o Labgene, protótipo terrestre do reatornaval. A Marinha pretende tornar o sistema plenamente funcional até 2027–2028, permitindo o início efetivo da construção do casco com propulsão integrada.

A previsão original era entrega do Álvaro Alberto entre 2034–2035, mas desafios orçamentários podem postergar o lançamento para além de 2035, possivelmente para a década de 2040. O orçamento atual do Prosub está estabilizado em cerca de R$ 2 bilhões por ano, mas a Marinha estima necessidade de R$ 1 bilhão adicional anuais para manter o cronograma original.

Apesar dos desafios, o alinhamento entre EMGEPRON, AMAZUL e CTMSP representa passo decisivo para acelerar a implantação da usina USEXA e eliminar a dependência externa de UF₆

A EMGEPRON recebeu, em sua sede, reunião entre o Diretor-Presidente da Empresa, o Diretor-Presidente da AMAZUL e o futuro Diretor do Centro Tecnológico da Marinha em São Paulo (CTMSP)

Impacto na soberania nacional
O Projeto USEXA não beneficia apenas o submarino nuclear. Com capacidade planejada de 40 toneladas de UF₆ por ano, a usina também poderá abastecer as usinas nucleares Angra 1 e Angra 2, atualmente dependentes de processamento externo.

"A iniciativa reforça a atuação da EMGEPRON em projetos de elevada complexidade tecnológica e relevância estratégica, ampliando sua contribuição para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e para a soberania nacional", destacou o comunicado oficial da EMGEPRON.

Com quase cinco décadas de esforço técnico e científico iniciado em 1979, o Programa Nuclear da Marinha chega agora à sua etapa mais decisiva. A conclusão do Almirante Álvaro Alberto será um divisor de águas na história militar e tecnológica do Brasil, garantindo posição estratégica inédita no cenário geopolítico mundial. 

22 agosto, 2023

Brasil está considerando adquirir o míssil de cruzeiro BrahMos-NG SLCM para seus submarinos nucleares


*The IGMP - 22/08/2023

O Brasil, conhecido por sua localização marítima estratégica, demonstrou grande interesse em fortalecer suas proezas navais, integrando tecnologias avançadas em sua frota naval. Reconhecendo a importância de possuir um sistema de mísseis indígena lançado por submarino, o sistema de defesa do Brasil está considerando ativamente a perspectiva de adquirir o BrahMos-NG SLCM em desenvolvimento pela Índia.

A Marinha do Brasil está muito ansiosa para integrar o míssil de cruzeiro BrahMos-NG com capacidade Mach 3.5 de alcance de 290 quilômetros da Índia em seu primeiro submarino de ataque com propulsão nuclear Álvaro Alberto, que é baseado na classe francesa Scorpene e este desenvolvimento ocorre em sou momento em que a BrahMos Aerospace tem já começou a desenvolver a versão lançada em tubo de torpedo do BrahMos-NG para os seis submarinos da classe Kalvari (Scorpene) em serviço da Marinha Indiana.

As deliberações em torno da potencial colaboração entre o Brasil e a Índia no domínio da tecnologia de mísseis lançados por submarinos sublinham a importância dos compromissos diplomáticos destinados a promover parcerias tecnológicas. As discussões bilaterais neste domínio refletem o compromisso partilhado de ambas as nações em reforçar a sua preparação para a segurança marítima através de esforços cooperativos.

O fornecimento potencial de SLCMs BrahMos-NG fabricados na Índia para a frota de submarinos movidos a energia nuclear do Brasil tem o potencial de remodelar a dinâmica das estratégias de defesa marítima em todo o mundo. Esta parceria prevista poderia servir como um testemunho da vontade das nações de transcender as fronteiras geopolíticas e cooperar em tecnologias de defesa cruciais.

A intenção do Brasil de explorar a tecnologia de mísseis de cruzeiro lançados por submarinos marca um momento crucial no cenário de defesa internacional. À medida que ambas as nações contemplam uma parceria que possa promover o intercâmbio tecnológico e melhorar as capacidades de defesa marítima, o resultado desta potencial colaboração poderá repercutir para além dos interesses bilaterais, influenciando a dinâmica mais ampla da segurança marítima. Esta busca serve como um lembrete de que a evolução das tecnologias de defesa depende cada vez mais de empreendimentos cooperativos, transcendendo limites geográficos para o objectivo colectivo de garantir a estabilidade marítima global. 

21 julho, 2022

AIEA: Brasil avança na corrida pelo submarino nuclear


*Portal BIDS - 20/07/2022

O Brasil avança a passos largos para concluir com sucesso o projeto para lançar seu primeiro submarino movido a propulsão nuclear. O Diretor Geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, informou que o Brasil dará início a consultas sobre os procedimentos especiais de verificação aplicados ao material nuclear.

Ao fazer o anúncio, o Diretor-Geral elogiou a decisão brasileira de trabalhar em conjunto com a AIEA nesse projeto. O Brasil é membro da AIEA desde sua criação, em 1957. Esse organismo internacional tem a responsabilidade estatutária de estimular e auxiliar a pesquisa e o desenvolvimento das aplicações práticas da energia nuclear, com objetivos pacíficos. O projeto do submarino a propulsão nuclear dotado de armas convencionais encontra-se atualmente em fase avançada.

Uma vez completado o projeto, o Brasil será o primeiro país não possuidor de armas nucleares a desenvolver, de maneira autóctone, um submersível movido a energia atômica. A vantagem dos submarinos a propulsão nuclear sobre os motores a óleo diesel está na sua permanência submersa por períodos muito mais longos, sem necessidade de reabastecimento. Além disso, são mais rápidos e silenciosos e sendo de difícil detecção.

A embarcação será construída nos estaleiros de Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro. O protótipo do reator, que utilizará urânio de baixo teor de enriquecimento (LEU) como combustível, está sendo desenvolvido nas instalações da Marinha em Aramar, no estado de São Paulo, com tecnologia brasileira.

Para o Brasil, que possui mais de sete mil quilômetros de costa marítima, cerca de 3,6 milhões de km2 de mar territorial e uma significativa zona econômica exclusiva, o submarino a propulsão nuclear dotado de armas convencionais será de grande valia para patrulha, dissuasão e proteção eficiente dos recursos naturais e econômicos existentes nesse espaço marítimo.

01 dezembro, 2021

Marinha avança na construção do submarino convencional com propulsão nuclear


*Centro de Comunicação Social da Marinha - 30/11/2021 (atualizado em 06/12/2021)

Em cerimônia realizada no dia 25 de novembro, no auditório da Diretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha, a Autoridade Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (ANSNQ), Almirante de Esquadra Marcos Sampaio Olsen, assinou a Portaria de Concessão da Primeira Licença Parcial de Construção (LPC1) do Submarino Convencional com Propulsão Nuclear Brasileiro (SCPN). O evento teve a participação de autoridades e representantes de instituições do setor nuclear, como a Agência Internacional de Energia Atômica, a Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares e a Comissão Nacional de Energia Nuclear.
 
A Coordenadoria-Geral do Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (COGESN), como requerente, submeteu à ANSNQ, por intermédio da Agência Naval de Segurança Nuclear e Qualidade (AgNSNQ), um conjunto de documentos relativos ao SN-BR, em atendimento aos requisitos de segurança necessários para o licenciamento nuclear naval. A AgNSNQ, que presta o apoio técnico à tomada de decisões da Autoridade, por meio de seu Comitê Técnico Assessor, avaliou a solicitação da COGESN e manifestou-se favoravelmente à Concessão da LPC1 pela ANSNQ. A emissão dessa 1ª licença atende a um dos pré-requisitos para a requerente contratar o estaleiro construtor e iniciar a construção do casco de pressão do submarino.
 

Representantes da área nuclear e demais autoridades

A LPC1 decorre de uma estratégia que visa proceder ao licenciamento em etapas bem definidas, a fim de permitir um nível adequado de detalhamento nas futuras análises. A estratégia reflete o compromisso da Marinha de atingir o mais alto nível de segurança necessário a um projeto dessa magnitude, inédito, complexo e desafiador.
 
É com base nesse propósito que a ANSNQ foi concebida, nos termos da Lei 14.222, de 15 de outubro de 2021, que atribui no Art. 7º privativamente ao Comando da Marinha poderes para regular, licenciar, fiscalizar e controlar os meios navais com plantas nucleares embarcadas. O SCPN se enquadra precipuamente nesse contexto.

*NOTA da LRCA (06/12/2021): Em virtude da controvérsia causada pelo nome do programa (Submarino Convencional com Propulsão Nuclear Brasileiro), misturando os termos "convencional" e "nuclear", consultamos um Oficial da Força de Submarinos da Armada e obtivemos a seguinte resposta:
"O que levou a troca de nomenclatura foi o fator político, exclusivamente. O nome 'submarino convencional de propulsão nuclear' significa o mesmo que o nome (correto) 'submarino nuclear' (ou submarino nuclear de ataque). Acredito que alteraram a nomenclatura para afastar qualquer tipo de rejeição."

23 setembro, 2020

PROSUB: avança o submarino nuclear brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 23/09/2020

O presidente da Nuclep, Contra-almirante Carlos Henrique Silva Seixas, e seu Diretor Industrial, Capitão de Mar e Guerra Engenheiro Naval Wallace Affonso, foram recebidos na última sexta-feira (18), pelo Diretor do Centro Tecnológico da Marinha de São Paulo, Vice-almirante Noriaki Wada, e autoridades do PROSUB, para visita ao CTMSP e ao Centro Industrial de Aramar (CINA), localizado em Iperó, em São Paulo, onde conferiram os avanços nas instalações do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica e acompanharam de perto o trabalho da NUCLEP à frente da construção do BLOCO 40, reator do Labgene, protótipo em tamanho real do que será o primeiro Submarino de Propulsão Nuclear do Brasil.

“Temos imenso orgulho de construimos a Seção do Bloco 40 do Labgene, parte essencial do Programa Nuclear da Marinha. A Marinha sempre contribuiu para o desenvolvimento da NUCLEP como indústria de base nacional e que nos permitissem avançar com nossa expertise tecnológica, representatividade e importância relevantes ao cenário Nuclear do nosso país. Consolidar mais essa parceria significa muito para nós”, finalizou.


Nuclep e Marinha do Brasil, uma parceria que faz história

Criada em 1975 para atender ao Programa Nuclear Brasileiro, diferenciada por sua capacidade fabril, expertise tecnológica e mão de obra qualificada, a Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A é uma das primeiras empresas Estratégicas de Defesa Nacional e uma das principais indústrias de base do país. E como uma das mais importantes caldeirarias pesadas do nosso continente, dona do seu próprio terminal marítimo privativo e estrategicamente localizada às margens da Baía de Sepetiba, carrega há quatro décadas em seu portfólio uma parceria de sucesso com a Marinha do Brasil.

União que celebra seu marco inicial com a construção dos cascos resistentes de três submarinos convencionais de tecnologia alemã, tipo IKL, Classe Tupi (Tamoio, Timbira e Tapajó) e, na sequência, um submarino Classe Tikuna, incorporados à frota naval do Brasil na década de 90, e que deu à Nuclep o reconhecimento como uma das principais empresas fomentadoras da Industria da Construção Naval, do país.

Mas é no início dos anos 2000, como pioneira no Brasil na construção de blocos semissubmersíveis para as Plataformas P-51 e P-56 da Petrobras, que a Nuclep se consolida como uma indústria de estimulo à economia do mar.

Como instituição ligada aos setores Naval e de Óleo e Gás, a Nuclep se fortalece como propulsora do desenvolvimento da região resultante do aumento da produtividade, emprego e consumo, que transformam o oeste metropolitano fluminense em um verdadeiro Polo Econômico nos ramos industrial-produtivo (metal-siderúrgico) e logístico-portuário.

Em 2019, fortalecendo o seu protagonismo nacional estratégico como única indústria no país capacitada à construção de submarinos, a Nuclep finalizou a entrega dos cascos resistentes do último dos quatro submarinos convencionais de tecnologia francesa, tipo Scorpène, Classe Riachuelo (Riachuelo, Humaitá, Tonelero e Angostura) que atendem ao Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

A soma de forças entre Marinha e Nuclep não só estimula a economia do mar mas fortalece a proteção da área marítima brasileira. É importante manter a segurança e preservação dos nossos recursos marinhos para assegurar o desenvolvimento sustentável.

Como empresa referência do setor nuclear nacional e única capacitada à fabricação e manutenção dos equipamentos nucleares mais importantes e estratégicos da nação, a Nuclep será também a responsável pela construção do primeiro Submarino de Propulsão Nuclear do Brasil (SN-BR), o Álvaro Alberto, tendo sido a conquista junto à Amazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A. (Amazul), da obra de fabricação do Bloco 40 - para confecção do protótipo do reator nuclear que está sendo desenvolvido pela Marinha do Brasil (MB) para o SN-BR - o seu momento de largada.

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