Aquisição pela Globe Investimentos encerra etapa da reorganização societária; Bruno Dantas assume o conselho e exportações ganham prioridade no plano de recuperação
*LRCA Defense Consulting - 15/10/2026 - 15h16
A Avibras Aeroco anunciou nesta quinta-feira, 15 de outubro, a conclusão da venda da totalidade de seu capital à Globe Investimentos, empresa de investimentos pessoais dos empresários Joesley e Wesley Batista. A operação, realizada por meio da aquisição integral da Nova AVB, controladora da fabricante, preserva o controle acionário brasileiro de uma das principais empresas da Base Industrial de Defesa (BID). Ao mesmo tempo, Bruno Dantas assume a presidência executiva do Conselho de Administração, com a missão de apoiar a reconstrução industrial e ampliar a presença internacional da companhia.
O comunicado da Avibras estabelece como prioridades a retomada da produção em escala, o cumprimento dos compromissos assumidos e o crescimento, especialmente por meio das exportações. A empresa não divulgou o valor da aquisição, novos aportes financeiros ou metas de faturamento e vendas externas.
Da recuperação judicial à mudança de controle
Fundada em 1961, a Avibras enfrentou uma crise prolongada, entrou em recuperação judicial em 2022 e passou por paralisação de atividades e conflitos trabalhistas. A reestruturação separou ativos industriais e tecnológicos na Avibras Aeroco, cuja produção foi retomada em maio de 2026. Em agosto, a proposta de aquisição pela Globe foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); em setembro, a Superintendência-Geral do órgão aprovou a operação sem restrições, por não identificar sobreposição relevante de atividades entre os grupos.
A estrutura societária anunciada é precisa: a Globe torna-se acionista única da Nova AVB, que detém integralmente a Avibras Aeroco. A própria empresa esclarece que a Globe é um family office dos irmãos Batista e não integra a J&F S.A. Essa distinção é relevante para identificar corretamente a adquirente e evitar atribuir a compra diretamente ao conglomerado.
Bruno Dantas e a busca por mercados externos
Ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas possui trajetória no controle externo e na auditoria internacional. Presidiu a Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle (INTOSAI) e integrou o Conselho de Auditores das Nações Unidas, por eleição da Assembleia Geral. Segundo o comunicado, sua experiência deverá contribuir para o relacionamento institucional com governos estrangeiros, compradores centrais dos grandes sistemas militares.
A atribuição de Dantas é estratégica, mas não equivale à confirmação de contratos internacionais. A conquista de encomendas dependerá de negociações governamentais, requisitos operacionais, autorizações de exportação, capacidade de entrega e condições de financiamento. Sami Hassuani permanece identificado no comunicado como presidente da Avibras Aeroco.
A retomada industrial já apresenta resultados
A aquisição ocorre poucos dias depois de um marco operacional: em 6 de outubro, a Avibras Aeroco entregou ao Exército Brasileiro o primeiro lote de munições desde a retomada das atividades. O recebimento ocorreu no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, em Formosa (GO). A LRCA Defense Consulting noticiou a entrega e destacou que a fabricante não informou a quantidade nem os modelos das munições, o que impede vinculá-la, com segurança, a um contrato específico.
Outro elemento da recuperação é o Contrato nº 130/2023, no valor de R$ 60,8 milhões, cujos direitos e obrigações foram transferidos à Avibras Aeroco. Conforme documentação examinada pela LRCA, o fornecimento prevê 3.072 foguetes para o Sistema ASTROS: 2.624 AV-SS-09 TS, de treinamento, e 448 SS-30, acondicionados em 56 contêineres com oito unidades cada. A existência do contrato demonstra demanda doméstica, mas não comprova, por si só, a execução integral das entregas.
Tecnologia estratégica e desafios da nova fase
A Avibras reúne competências em propulsão, foguetes, mísseis e integração de sistemas complexos. Seu produto mais conhecido é o Sistema de Artilharia ASTROS, que contribuiu para projetar a indústria brasileira de defesa no exterior. A preservação de instalações, conhecimento acumulado e equipes especializadas é particularmente importante porque capacidades dessa natureza exigem tempo, investimentos e continuidade para serem recompostas.
Para transformar a aquisição em recuperação sustentável, a nova controladora precisará conciliar capital de giro, fornecedores, pessoal qualificado, cumprimento de obrigações e uma carteira consistente de encomendas. No mercado externo, a expansão também depende de apoio institucional e da capacidade de oferecer suporte logístico de longo prazo. Esses são desafios decorrentes da natureza do setor, não resultados já alcançados pela transação.
A conclusão da compra representa, portanto, uma mudança relevante na estrutura de controle e nas perspectivas comerciais da Avibras. A retomada das entregas ao Exército fornece um primeiro indicador concreto de reativação industrial. A dimensão da recuperação, entretanto, será medida pela regularidade da produção, pela execução dos contratos e pela efetiva conquista de novos mercados.
A Avibras Aeroco anunciou nesta quinta-feira, 15 de outubro, a conclusão da venda da totalidade de seu capital à Globe Investimentos, empresa de investimentos pessoais dos empresários Joesley e Wesley Batista. A operação, realizada por meio da aquisição integral da Nova AVB, controladora da fabricante, preserva o controle acionário brasileiro de uma das principais empresas da Base Industrial de Defesa (BID). Ao mesmo tempo, Bruno Dantas assume a presidência executiva do Conselho de Administração, com a missão de apoiar a reconstrução industrial e ampliar a presença internacional da companhia.
O comunicado da Avibras estabelece como prioridades a retomada da produção em escala, o cumprimento dos compromissos assumidos e o crescimento, especialmente por meio das exportações. A empresa não divulgou o valor da aquisição, novos aportes financeiros ou metas de faturamento e vendas externas.
Da recuperação judicial à mudança de controle
Fundada em 1961, a Avibras enfrentou uma crise prolongada, entrou em recuperação judicial em 2022 e passou por paralisação de atividades e conflitos trabalhistas. A reestruturação separou ativos industriais e tecnológicos na Avibras Aeroco, cuja produção foi retomada em maio de 2026. Em agosto, a proposta de aquisição pela Globe foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade); em setembro, a Superintendência-Geral do órgão aprovou a operação sem restrições, por não identificar sobreposição relevante de atividades entre os grupos.
A estrutura societária anunciada é precisa: a Globe torna-se acionista única da Nova AVB, que detém integralmente a Avibras Aeroco. A própria empresa esclarece que a Globe é um family office dos irmãos Batista e não integra a J&F S.A. Essa distinção é relevante para identificar corretamente a adquirente e evitar atribuir a compra diretamente ao conglomerado.
Bruno Dantas e a busca por mercados externos
Ex-presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas possui trajetória no controle externo e na auditoria internacional. Presidiu a Organização Internacional das Instituições Superiores de Controle (INTOSAI) e integrou o Conselho de Auditores das Nações Unidas, por eleição da Assembleia Geral. Segundo o comunicado, sua experiência deverá contribuir para o relacionamento institucional com governos estrangeiros, compradores centrais dos grandes sistemas militares.
A atribuição de Dantas é estratégica, mas não equivale à confirmação de contratos internacionais. A conquista de encomendas dependerá de negociações governamentais, requisitos operacionais, autorizações de exportação, capacidade de entrega e condições de financiamento. Sami Hassuani permanece identificado no comunicado como presidente da Avibras Aeroco.
A retomada industrial já apresenta resultados
A aquisição ocorre poucos dias depois de um marco operacional: em 6 de outubro, a Avibras Aeroco entregou ao Exército Brasileiro o primeiro lote de munições desde a retomada das atividades. O recebimento ocorreu no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, em Formosa (GO). A LRCA Defense Consulting noticiou a entrega e destacou que a fabricante não informou a quantidade nem os modelos das munições, o que impede vinculá-la, com segurança, a um contrato específico.
Outro elemento da recuperação é o Contrato nº 130/2023, no valor de R$ 60,8 milhões, cujos direitos e obrigações foram transferidos à Avibras Aeroco. Conforme documentação examinada pela LRCA, o fornecimento prevê 3.072 foguetes para o Sistema ASTROS: 2.624 AV-SS-09 TS, de treinamento, e 448 SS-30, acondicionados em 56 contêineres com oito unidades cada. A existência do contrato demonstra demanda doméstica, mas não comprova, por si só, a execução integral das entregas.
Tecnologia estratégica e desafios da nova fase
A Avibras reúne competências em propulsão, foguetes, mísseis e integração de sistemas complexos. Seu produto mais conhecido é o Sistema de Artilharia ASTROS, que contribuiu para projetar a indústria brasileira de defesa no exterior. A preservação de instalações, conhecimento acumulado e equipes especializadas é particularmente importante porque capacidades dessa natureza exigem tempo, investimentos e continuidade para serem recompostas.
Para transformar a aquisição em recuperação sustentável, a nova controladora precisará conciliar capital de giro, fornecedores, pessoal qualificado, cumprimento de obrigações e uma carteira consistente de encomendas. No mercado externo, a expansão também depende de apoio institucional e da capacidade de oferecer suporte logístico de longo prazo. Esses são desafios decorrentes da natureza do setor, não resultados já alcançados pela transação.
A conclusão da compra representa, portanto, uma mudança relevante na estrutura de controle e nas perspectivas comerciais da Avibras. A retomada das entregas ao Exército fornece um primeiro indicador concreto de reativação industrial. A dimensão da recuperação, entretanto, será medida pela regularidade da produção, pela execução dos contratos e pela efetiva conquista de novos mercados.

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