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31 outubro, 2026

Startup de São José dos Campos recorre à impressão 3D alemã para dominar o motor do microlançador brasileiro

Acordo com a EOS dá aos engenheiros da BIZU Space acesso à formação em projeto para manufatura aditiva e ao suporte técnico da fabricante, no momento em que a empresa desenvolve o terceiro estágio a propulsão líquida do MLBR

Michael Wohlfart (Gerente de Equipe de Desenvolvimento de Negócios e Academia da EOS) e Raphael Galate (Cofundador da BIZU Space) celebram a nova parceria (da esquerda para a direita)


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LRCA Defense Consulting - 31/10/2026 - 21h39

A fabricante alemã EOS, uma das líderes mundiais em manufatura aditiva industrial, e a BIZU Space, startup de São José dos Campos (SP) especializada em motores de foguete a propelente líquido, anunciaram em 29 de outubro uma colaboração voltada a componentes de propulsão espacial. O comunicado foi divulgado simultaneamente em Krailling, sede da EOS nos arredores de Munique, e na cidade paulista, principal polo aeroespacial do País.


Pelo acordo, os engenheiros da BIZU Space terão acesso à formação em Design for Additive Manufacturing (DfAM), a metodologia de projeto pensada desde o início para a impressão 3D, oferecida pela Additive Minds Academy, braço educacional da EOS. O pacote inclui ainda apoio de engenharia dos especialistas da Additive Minds, a consultoria técnica da fabricante. O objetivo declarado é aplicar a impressão 3D em metal a peças críticas de motores de foguete, como câmaras de combustão e turbobombas de ciclo fechado.

Por que imprimir um motor de foguete 
A câmara de combustão de um motor líquido opera sob pressões e temperaturas extremas e depende de canais internos de refrigeração, por onde circula o próprio propelente antes de ser queimado. Na fabricação convencional, essas peças exigem usinagem complexa, soldagem e brasagem de muitas partes, com prazos longos e custo elevado. A impressão em leito de pó metálico permite produzir a câmara em peça única, com os canais já integrados, e alterar o projeto entre uma campanha de testes e outra em semanas, não em meses.

É por isso que a EOS acumulou clientes no setor de lançadores. A norte-americana Launcher imprimiu em liga de cobre, numa máquina EOS M 290, seu primeiro motor de demonstração; a australiana Gilmour Space escolheu a empresa como parceira de manufatura aditiva em 2023; e a alemã Isar Aerospace, que alcançou a órbita na segunda tentativa, produz a câmara de empuxo de seus motores com equipamentos da EOS e da AMCM, subsidiária do grupo dedicada a impressoras de grande formato. A ArianeGroup, responsável pelo Ariane 6, também integra a carteira.

Na nota, Michael Wohlfart, gerente de desenvolvimento de negócios e da Academy da EOS, afirmou que os programas mais bem-sucedidos de manufatura aditiva combinam tecnologia e educação, e que a meta é dar aos engenheiros domínio do projeto para impressão 3D em aplicações exigentes como a propulsão espacial. Raphael Galate, cofundador da BIZU Space, disse que o setor espacial brasileiro vive uma fase de crescimento e que trabalhar com a EOS ajudará a consolidar a competência necessária para as futuras aplicações da empresa. 


Quem é a BIZU Space 

Fundada por engenheiros formados no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a BIZU Space se define como desenvolvedora verticalizada de propulsão e tecnologias de lançamento. Projeta motores de alto desempenho com propelentes estocáveis, destinados a estágios superiores de lançadores, sistemas de controle de reação, foguetes de treinamento e veículos de transferência orbital. Em julho, a empresa contava com 14 profissionais das engenharias aeroespacial, aeronáutica, química, mecânica e eletrônica.

A startup opera no Parque Tecnológico da Universidade do Vale do Paraíba (Univap), onde montou o T8, banco de ensaios privado para motores líquidos e híbridos, distribuído em contêineres que abrigam a central de controle, um laboratório de química e a bancada de testes. Em 29 de maio, a empresa lançou de Virgínia (MG), na missão Trem Baum, o FTL-Perseu, apresentado como o primeiro foguete brasileiro a decolar e voar exclusivamente com propulsão líquida. O release da EOS registra ainda um teste de queima estática (hot-fire) do sistema propulsivo da empresa realizado em outubro. 

O elo com o Microlançador Brasileiro 

O peso estratégico da parceria está no Microlançador Brasileiro (MLBR), veículo de 12 metros desenvolvido por um consórcio de cerca de dez empresas nacionais, com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e acompanhamento da Agência Espacial Brasileira (AEB). O programa recebeu R$ 189 milhões da Finep e tem na linha de frente a CENIC Engenharia, a PlasmaHub e a Delsis Aerospace, de São José dos Campos, a Etsys, de Jacareí (SP), e a Concert Space, de Belo Horizonte. A configuração básica prevê três estágios a propelente sólido e capacidade para colocar cerca de 40 kg em órbita baixa, a 450 km de altitude, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão.

A BIZU Space entra justamente na evolução do lançador. Em 18 de junho, durante a SpaceBR Show, em São Paulo, a Finep e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) formalizaram R$ 25 milhões para a empresa desenvolver um terceiro estágio a propulsão líquida para o MLBR, num dos primeiros contratos da segunda rodada da chamada Mais Inovação Brasil voltada à Base Industrial de Defesa (BID). Segundo o chefe de propulsão da empresa, Nicolas Miquelin, a troca do motor sólido pelo líquido no último estágio permitiria controlar o empuxo, desligar e religar o motor e dobrar a carga útil, para cerca de 80 kg.

O cronograma, porém, segue apertado. Em abril, a Força Aérea Brasileira (FAB) e as empresas do consórcio trabalhavam com o primeiro voo em 2027, meta considerada otimista por especialistas ouvidos pela revista Pesquisa FAPESP, e o início das campanhas de lançamento passou a ser reavaliado desde então. 


O que a parceria não diz 
O comunicado trata de capacitação e apoio de engenharia, e não informa valores, prazo de vigência nem se a BIZU Space pretende adquirir impressoras da EOS ou contratar a fabricação das peças junto a prestadores de serviço que operam equipamentos da marca. Tampouco detalha qual liga metálica será empregada, escolha relevante num campo em que ligas de cobre e superligas de níquel disputam a preferência dos projetistas de câmaras de combustão.

Ainda assim, o movimento ajuda a entender a lógica do novo ciclo espacial brasileiro. Depois de décadas em que a propulsão líquida ficou restrita a programas de pesquisa do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), uma empresa privada de pequeno porte busca no exterior não um motor pronto, mas o conhecimento para projetar e fabricar o seu. Para um País que tenta garantir acesso autônomo ao espaço, a diferença entre comprar componentes e dominar o processo que os produz é, em última análise, o que separa dependência de soberania tecnológica.

08 outubro, 2026

Brasil e Índia estudam novo lançador orbital a partir de tecnologias do MLBR

Acordo entre Concert Technologies e Skyroot Aerospace prevê estudos para um foguete capaz de transportar ao menos 100 kg à órbita baixa; cooperação pode abrir oportunidades para a indústria espacial brasileira.



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LRCA Defense Consulting - 08/10/2026

A Concert Technologies, integrante do programa Microlançador Brasileiro (MLBR), e a indiana Skyroot Aerospace assinaram em 7 de outubro, durante o 77º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC 2026), em Antalya, na Turquia, um Memorando de Entendimento (MoU) para estudar o codesenvolvimento de um veículo lançador de satélites. A proposta contempla capacidade de carga útil a partir de 100 kg para órbita baixa da Terra (LEO), posicionando o futuro produto entre o MLBR, projetado para até 40 kg, e os foguetes de maior capacidade da família Vikram.


O entendimento tem vigência prevista de dois anos. Nesse período, as empresas pretendem detalhar aspectos técnicos e comerciais e estruturar os instrumentos necessários à execução do projeto. Desenvolvimento, fornecimento, investimentos e comercialização dependerão de acordos posteriores. Portanto, ainda não há anúncio de contrato definitivo, configuração do veículo, orçamento ou data de lançamento.

O acordo foi assinado pela Concert com participação de Rafael Mordente, CEO da Concert Space, e acompanhado pelo presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Marco Antônio Chamon, e pelo senador e astronauta Marcos Pontes. Para Chamon, a aproximação exemplifica a função do congresso de estimular parcerias entre empresas e países.

Tecnologia brasileira como ponto de partida 
A relevância da iniciativa está no possível aproveitamento de competências que a indústria nacional vem consolidando no MLBR. A Concert participa do desenvolvimento do sistema de navegação inercial integrado à navegação por satélite (SNI-GNSS), em colaboração com HORUSEYE TECH e CRON, tecnologia associada ao controle e à orientação do lançador. O LRCA já havia examinado, em janeiro de 2025, a importância desse sistema para determinar posição, velocidade e atitude durante o voo.

A contribuição brasileira poderá ir além da navegação, mas o anúncio não especifica quais equipamentos serão transferidos para o novo projeto nem confirma a participação das demais empresas do MLBR. Durante o IAC, Fibraforte e BIZU Space também apresentaram tecnologias relacionadas ao programa: a primeira, um sistema de propulsão para controle do veículo; a segunda, desenvolvimentos em propulsão líquida, incluindo turbobomba e motor.

O MLBR avançou pela revisão crítica de projeto em 2025 e entrou em etapas de fabricação, integração e ensaios. Em junho de 2026, conforme noticiado pelo LRCA, a Finep formalizou aporte adicional de R$ 25 milhões à BIZU Space para desenvolver um terceiro estágio de propulsão líquida, tecnologia com potencial de aplicação em veículos maiores. Esse financiamento diz respeito ao programa brasileiro, não ao novo lançador previsto no MoU.

Parceira indiana já alcançou a órbita 
A Skyroot acrescenta experiência operacional recente. Segundo a Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO), em 18 de julho de 2026 o Vikram-I partiu do Centro Espacial Satish Dhawan e colocou dois satélites em órbita baixa, tornando a Skyroot a primeira empresa privada indiana a realizar um lançamento orbital bem-sucedido a partir do território nacional. A empresa anuncia para o Vikram-I capacidade de até 350 kg em LEO e 260 kg em órbita heliossíncrona.

Essa experiência reduz parte das incertezas associadas à maturidade industrial da parceira, mas não elimina os riscos de engenharia, financiamento e certificação de um novo veículo. Ainda será necessário definir sua arquitetura, propulsão, integração, ensaios e modelo econômico.

Alcântara: oportunidade, não decisão 
O comunicado destaca a demanda por lançamentos para órbitas equatoriais, segmento em que a posição geográfica do Centro Espacial de Alcântara, próximo à Linha do Equador, pode oferecer vantagens. Para missões de baixa inclinação, a rotação terrestre favorece o desempenho do lançador. A localização brasileira também abre uma hipótese de operação comercial a partir do País.

Entretanto, nem o anúncio do MLBR nem os detalhes públicos do MoU confirmam Alcântara como base do futuro foguete. Também não foram divulgadas decisões sobre fabricação, integração ou repartição de propriedade intelectual entre as empresas. Tratar Alcântara como destino já escolhido seria antecipar uma definição ainda inexistente.

Da capacitação à oportunidade comercial 
O principal significado estratégico do entendimento é a possibilidade de transformar tecnologias desenvolvidas no âmbito de um programa nacional em componentes de uma oferta internacional de serviços espaciais. O desafio será converter a intenção em contratos, assegurar participação industrial brasileira efetiva e demonstrar que um lançador intermediário pode atender clientes com custo e confiabilidade competitivos.

Por ora, o acordo representa uma oportunidade concreta de negociação, não um programa de lançamento contratado. Seu avanço dependerá das decisões técnicas e financeiras que Concert e Skyroot deverão tomar durante a vigência do MoU.

05 julho, 2026

Bizu Space lança o FTL-Perseu e realiza o primeiro voo brasileiro com propulsão totalmente líquida

Foguete de treinamento decolou em 29 de maio e feito foi anunciado oficialmente pela startup no dia 12 de junho

 

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LRCA Defense Consulting - 05/07/2026

A Bizu Space, startup brasileira de tecnologias espaciais sediada em São José dos Campos (SP), realizou em 29 de maio o lançamento inaugural do FTL-Perseu (Foguete de Treinamento Líquido). O evento, classificado pela própria empresa como um marco para o setor aeroespacial nacional, corresponde ao primeiro voo de um foguete brasileiro impulsionado exclusivamente por propulsão líquida desde a decolagem.

A novidade foi divulgada oficialmente pela Bizu Space em nota publicada em sua página no LinkedIn na sexta-feira, 12 de junho. Na publicação, a empresa relembrou que, há cerca de um século, o cientista norte-americano Robert H. Goddard realizou o primeiro lançamento bem-sucedido de um foguete a propelente líquido, o Nell, feito que abriu caminho para as tecnologias de propulsão utilizadas atualmente. Segundo a Bizu Space, embora o Brasil já tivesse desenvolvido motores de propulsão líquida e participado de lançamentos de foguetes nacionais e internacionais, nunca havia realizado o lançamento de um foguete próprio movido exclusivamente por esse tipo de propulsão.

 

Da família SONDA ao FTL-Perseu
A empresa também posicionou o feito dentro de uma linha histórica do programa espacial brasileiro, dos foguetes de sondagem da família SONDA e do VSB-30 até o FTL-Perseu. Cada lançamento, segundo a nota da companhia, reflete a coragem e a perseverança que definem o esforço nacional de acesso ao espaço.

O FTL-Perseu é descrito pela própria Bizu Space como um foguete de treinamento líquido, concebido para capacitar equipes técnicas em operações de propulsão líquida antes de sua aplicação em veículos de maior porte. O foguete já havia circulado em réplica de tamanho real em eventos de divulgação científica, como a exposição Universo Espacial: a Terra é azul, promovida pela Agência Espacial Brasileira (AEB) no Manhattan Shopping, e em atividade acadêmica no IESB, onde foi apresentado como símbolo da conexão entre projetos aeroespaciais e o desenvolvimento de novas ideias.

Sobre a Bizu Space
Fundada em 2020 como spin-off da equipe de foguetes do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA Rocket Design) e oficialmente constituída em 2022, a Bizu Space ganhou tração a partir de dezembro de 2023, quando garantiu dois contratos para apoiar o desenvolvimento do Microlançador Brasileiro (MLBR). A empresa detém o selo de Empresa Estratégica de Defesa, concedido pelo Ministério da Defesa.

O principal projeto de propulsão da companhia é o motor foguete líquido ARION, que utiliza peróxido de hidrogênio e querosene de aviação (Jet-A) como propelentes e é projetado para o terceiro estágio do MLBR, com faixa de empuxo entre 3 kN e 5 kN. O motor já passou por ensaio de queima horizontal na missão batizada de Deitado em Berço Esplêndido (DeBE), com validação da versão ablativa; o próximo passo previsto é o teste na posição vertical. O sistema é classificado como Produto Estratégico de Defesa pelo Ministério da Defesa.

O desenvolvimento do ARION conta com aporte de R$ 25 milhões via subvenção econômica do Programa Finep Mais Inovação Brasil, recurso que também financia o desenvolvimento da turbobomba POSEIDON. O MLBR, veículo de doze metros capaz de colocar cargas de até 40 kg em órbita baixa, reúne oito empresas brasileiras sob coordenação da CENIC Engenharia e Indústria e Comércio, e é financiado pela FINEP em parceria com a AEB.

O lançamento do FTL-Perseu se soma a um conjunto de avanços recentes do programa espacial brasileiro, que inclui os preparativos de infraestrutura do MLBR e o objetivo, perseguido desde 1979, de lançar um satélite brasileiro a partir de solo nacional em um foguete também nacional.

19 junho, 2026

Finep formaliza contrato com a Bizu Space e amplia investimento no microlançador brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 19/06/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) assinaram, nesta quinta-feira (18), durante o SpaceBR Show 2026, em São Paulo, um novo contrato de inovação com a Bizu Space. O ato também marcou o início da fase de integração do modelo estrutural do Microlançador Brasileiro (MLBR) e reforça a estratégia do governo de reduzir a dependência tecnológica do país no setor espacial.

Dois contratos, R$ 75 milhões
O contrato com a Bizu Space integra um pacote maior, anunciado no mesmo dia, que soma R$ 75 milhões em recursos para projetos aeroespaciais da indústria de defesa. Desse total, R$ 49,7 milhões foram destinados à Iacit, empresa especializada em radares além do horizonte (tecnologia capaz de detectar embarcações e aeronaves a distâncias maiores do que o limite imposto pela curvatura da Terra). Outros R$ 25 milhões couberam à Bizu Space, para atividades relacionadas ao MLBR. Os dois projetos estão entre os primeiros aprovados na segunda rodada da chamada pública Mais Inovação Brasil, voltada à Base Industrial de Defesa (BID).

O que o dinheiro financia
Segundo a Finep, os recursos destinados à Bizu Space vão financiar o desenvolvimento de um terceiro estágio com propulsão líquida para o MLBR, além de tecnologias que poderão ser aproveitadas, no futuro, em foguetes de maior capacidade. O novo estágio é batizado de Arion: um motor que usa peróxido de hidrogênio de alto teste e querosene como propelentes, com empuxo entre 3 kN e 5 kN, projetado para substituir o atual terceiro estágio sólido do lançador.

A iniciativa já avança em testes. No início de 2026, o primeiro estágio do MLBR passou por um teste hidrostático (o envelope-motor foi preenchido com água e pressurizado até o limite, com aprovação confirmada). A Bizu Space também já anunciou um teste estático do motor líquido Arion-1, no campus da Univap, em São José dos Campos.

Um projeto, valores diferentes
É importante não confundir o novo contrato de R$ 25 milhões com o orçamento histórico total do MLBR. Em 2023, o programa, sob coordenação da Cenic, já havia recebido cerca de R$ 180 milhões da Finep, valor próximo aos R$ 189 milhões citados como custo total do projeto em reportagens recentes. O contrato anunciado nesta quinta-feira é um aporte novo, específico e adicional, dentro de um edital distinto, o Mais Inovação Brasil, vinculado à Base Industrial de Defesa.

A Bizu Space e o consórcio do MLBR
Fundada em 2020 como desdobramento da equipe ITA Rocket Design, do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Bizu Space foi incorporada oficialmente em 2022 e hoje detém o selo de Empresa Estratégica de Defesa. Dentro do arranjo produtivo do MLBR, a empresa concentra sua atuação em planejamento de missão e em tecnologia de propulsão líquida.

A composição do consórcio variou ao longo do tempo: passou de sete para oito empresas entre 2024 e 2025, segundo registros do setor. A formação mais recente, apresentada durante o SpaceBR Show 2026, reúne Cenic, Concert Space, PlasmaHub, Delsis e Etsys como líderes da iniciativa, com Bizu Space, FibraForte e HorusEye Tech atuando como parceiras estratégicas.

Soberania como meta declarada
Ao comentar os investimentos, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, associou o avanço a um objetivo mais amplo: “Precisamos encarar o desafio da área espacial focando nas tecnologias que o Brasil ainda não detém, pois não existe soberania sem independência tecnológica.”

O diretor de Inovação da Finep, Elias Ramos, reforçou o ponto ao citar uma meta concreta da política industrial do governo: elevar a autonomia tecnológica do país, hoje em 40%, para 75% até 2033, dentro do programa Nova Indústria Brasil.

Os dois contratos assinados no SpaceBR Show fazem parte de um esforço mais amplo da Finep. Desde 2023, a instituição já direcionou mais de R$ 2 bilhões a 76 projetos vinculados à Missão 6 da Nova Indústria Brasil, política que tem como objetivo reduzir a dependência tecnológica externa do país.

O que vem a seguir
Concluída a fase de integração estrutural, o MLBR avança rumo aos ensaios finais e à validação do veículo. O edital da Finep prevê dois lançamentos bem-sucedidos do foguete, na variante de propelente sólido, para considerar o projeto concluído. Depois disso, a expectativa do arranjo produtivo é migrar para a variante de propelente líquido como veículo comercial e, no longo prazo, desenvolver um lançador maior, com propulsão totalmente líquida.

14 maio, 2026

Com apoio da FINEP, Bizu Space lidera projeto inovador de motor espacial com combustível mais limpo

 


*LRCA Defense Consulting - 14/05/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) deu um importante passo para o avanço da soberania tecnológica brasileira no setor espacial. Foi aprovado o primeiro projeto da rodada 2 do Programa Finep Mais Inovação Brasil, com aporte de R$ 25 milhões via Subvenção Econômica, para o desenvolvimento do ARION, um sistema de propulsão líquida liderado pela deeptech nacional Bizu Space.

Criada por ex-alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Bizu Space busca reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e tornar os veículos lançadores de satélites brasileiros mais competitivos no mercado global. O ARION tem como foco principal a otimização do estágio superior dos lançadores, aprimorando tanto a capacidade de carga útil quanto a precisão de inserção orbital.

Combustível mais limpo e componentes críticos
Além de maior eficiência e competitividade, o projeto enfatiza a sustentabilidade. O sistema utilizará combustível mais limpo e inclui o desenvolvimento de tecnologias estratégicas, como a turbobomba POSEIDON. Esses avanços devem fortalecer a indústria de alta tecnologia brasileira, gerar conhecimento estratégico e ampliar a capacidade nacional de lançamentos com maior precisão.

“De carona na frase de Neil Armstrong, a Finep está presente em um ‘grande passo’ brasileiro rumo à autonomia no acesso ao espaço”, destacou a instituição no anúncio.

O ARION será integrado inicialmente ao Microlançador MLBR, veículo que também conta com apoio da Finep e que se tornará o primeiro a utilizar o novo motor de propulsão líquido nacional.

Contexto e impacto
O projeto é considerado uma conquista relevante de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e reforça a estratégia brasileira de posicionamento mais competitivo no cenário espacial internacional. Atualmente, o Brasil ainda depende significativamente de tecnologias e lançadores estrangeiros para colocar satélites em órbita. Iniciativas como esta visam mudar esse quadro, fomentando uma cadeia industrial mais autônoma e inovadora.

A aprovação do ARION ocorre em um momento de retomada de investimentos em ciência, tecnologia e inovação no país, com a Finep atuando como um dos principais instrumentos de fomento à inovação empresarial de alto impacto.

Com o desenvolvimento bem-sucedido do sistema, o Brasil pode dar um salto qualitativo na área espacial, combinando eficiência, sustentabilidade e soberania tecnológica, atributos cada vez mais demandados no mercado global de lançamentos orbitais. 

21 maio, 2025

BIZU Space lidera o desenvolvimento do motor de propulsão líquida do MLBR- Microlançador Brasileiro


*LRCA Defense Consulting - 21/05/2025

De olho no futuro das missões espaciais brasileiras, o Programa MLBR - Microlançador Brasileiro já trabalha no desenvolvimento de um novo motor de propulsão líquida para o terceiro estágio do foguete. Essa tecnologia vai permitir um controle mais fino do empuxo e, com isso, uma colocação em órbita muito mais precisa — uma demanda crescente em lançamentos de satélites.

Parceira estratégica do Programa, a BIZU Space lidera o desenvolvimento desse novo sistema, que deve ser testado já no terceiro voo do lançador brasileiro.

Uma das contribuições mais significativas da empresa está no desenvolvimento da tecnologia de propulsão líquida, criando um estágio superior inovador de combustível líquido projetado para substituir o terceiro estágio de combustível sólido do MLBR.

Diferente da propulsão sólida, a propulsão líquida permite ajustes em tempo real durante o voo, melhora a precisão orbital e aumenta a capacidade de carga útil, o que representa um salto importante em termos de precisão, segurança e versatilidade para as futuras missões do MLBR, fatores essenciais para posicionar o Brasil de forma competitiva no crescente mercado de pequenos satélites.

O sistema de propulsão emprega peróxido de hidrogênio concentrado e querosene de aviação (Jet-A), selecionados após uma análise minuciosa por suas características de custo-benefício e estabilidade. Para apoiar esse desenvolvimento tecnológico, a BIZU estabeleceu uma infraestrutura fundamental, incluindo um concentrador de peróxido interno e um campo de teste construído em parceria com Univap - Universidade do Vale do Paraíba.

O projeto está avançando de forma consistente. Os primeiros testes com câmaras de combustão em escala reduzida já foram realizados — um passo essencial para validar os sistemas envolvidos. Entre os principais desenvolvimentos já em andamento, estão:
- Sistemas hidráulicos e pneumáticos;
- Válvulas e banco de controle e monitoramento;
- Produção local de Peróxido de Hidrogênio concentrado (HTP);
- Catalisador para decomposição rápida do HTP, que libera oxigênio para queima do combustível (querosene de aviação);
- Sistema de injeção do propelente;
- Projeto, fabricação e testes da câmara de combustão;
- Protocolos de segurança e procedimentos de ensaio para motores líquidos.

Com esses avanços, o Brasil dá mais um passo importante rumo ao domínio de tecnologias espaciais mais sofisticadas. O objetivo é claro: em breve, ter um motor nacional de propulsão líquida à base de HTP e Jet-A pronto para voar.

Saiba mais:
- Microlançador Made in Brazil: como a Bizu Space avança na independência espacial nacional

28 abril, 2025

Microlançador Made in Brazil: como a Bizu Space avança na independência espacial nacional

 


*Por Tolga Ors, via LinkedIn - 14/04/2025

A visão da Missão Espacial Brasileira Completa (MECB), criada em 1978, simboliza o objetivo nacional do Brasil de demonstrar ao mundo sua capacidade de acessar o espaço de forma independente. Hoje, a BIZU Space é um dos principais contribuintes para essa ambição de longa data por meio de seu trabalho no Micro Lançador BRasileiro (MLBR).

No final de 2023, o Brasil avançou significativamente em direção a essa meta quando a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) e o Agência Espacial Brasileira (AEB/MCTI) assinaram dois contratos para o desenvolvimento de veículos lançadores nacionais, a partir de 2024. Essas iniciativas visam cumprir a aspiração espacial nacional dentro de um prazo desafiador de três anos, incluindo o lançamento de dois protótipos.

O projeto MLBR une oito empresas brasileiras no desenvolvimento de um foguete de 12 metros capaz de colocar satélites de 40kg em órbita terrestre baixa (LEO). Dentro dessa estrutura colaborativa, a Bizu Space se concentra no planejamento de missões e na tecnologia avançada de propulsão - dois componentes críticos para o sucesso orbital.

Em parceria com a Cenic Engenharia Indústria e Comércio, a Bizu Space realiza um planejamento abrangente da missão, incluindo mecânica de voo, simulações de trajetória e análises de segurança. A equipe utiliza ferramentas sofisticadas para desenvolver simulações de segurança de voo que atendam aos padrões da Agência Espacial Brasileira, garantindo que cada lançamento cumpra rigorosos requisitos de segurança.

Talvez a contribuição mais significativa da Bizu esteja no desenvolvimento da tecnologia de propulsão líquida. A empresa está criando um estágio superior inovador de combustível líquido projetado para substituir o terceiro estágio de combustível sólido do MLBR. Esse avanço visa melhorar a precisão orbital e aumentar a capacidade de carga útil – fatores essenciais para posicionar o Brasil de forma competitiva no crescente mercado de pequenos satélites.

O sistema de propulsão emprega peróxido de hidrogênio concentrado e querosene de aviação (Jet-A), selecionados após uma análise minuciosa por suas características de custo-benefício e estabilidade. Para apoiar esse desenvolvimento tecnológico, a Bizu estabeleceu uma infraestrutura fundamental, incluindo um concentrador de peróxido interno e um campo de teste construído em parceria com Univap - Universidade do Vale do Paraíba.

A base aeroespacial do Brasil oferece terreno fértil para o crescimento do setor espacial. A indústria aeronáutica estabelecida do país, ancorada pela Embraer – a terceira maior fabricante de aeronaves comerciais do mundo – demonstra a capacidade do Brasil de desenvolver tecnologias aeroespaciais sofisticadas e competir internacionalmente.

Com parcerias público-privadas estratégicas, o Brasil poderá nutrir um ecossistema espacial comercial próspero. Empresas como a Bizu Space representam os blocos de construção iniciais dessa indústria nascente, que tem potencial não apenas para alcançar a autonomia espacial nacional, mas também para garantir a posição do Brasil num mercado espacial global em rápida expansão.  

*Tolga Ors (PhD) é Founder and Managing Director na New Space Consulting (London, UK) e Head of R&D and Software Engineering no Team Tumbleweed.

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Saiba mais:

- ITA Rocket Design e ITAEx, com apoio do CENIC e BIZÚ Space, concretizam marco histórico para o setor espacial brasileiro

- BIZÚ Space é uma nova Empresa Estratégica de Defesa

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