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21 setembro, 2025

Embraer negocia vendas do Super Tucano A-29N com países da OTAN

 


*LRCA Defense Consulting - 21/09/2025

A Embraer está em negociações promissoras com países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) para a exportação do Super Tucano A-29N, versão do consagrado avião de ataque leve adaptada às exigências da aliança militar, segundo informação divulgada pelo boletim Relatório Reservado. O modelo foi desenvolvido para cumprir requisitos de interoperabilidade, com destaque para sistemas de comunicação compatíveis com o padrão STANAG.

Interesses na Europa
Segundo a fonte, Holanda, Espanha e Itália avaliam possíveis encomendas, com preço médio estimado em 16 milhões de euros por unidade. Em novembro de 2023, a Embraer assinou um Memorando de Entendimento com entidades holandesas, que pode evoluir para futuras aquisições.

Portugal já se tornou o primeiro operador europeu confirmado, com a compra de 12 unidades anunciada em dezembro de 2024. O contrato foi avaliado em aproximadamente 200 milhões de euros.

Capacidades da aeronave
O A-29N foi projetado para missões de treinamento avançado, apoio aéreo aproximado, vigilância e reconhecimento. A variante incorpora sistemas de comunicação criptografada compatíveis com a OTAN, datalink específico, aviônicos modernos e integração com controladores de ataque terminal conjunto (JTAC).

Robusto e versátil, o avião pode operar em pistas pouco preparadas, mantendo baixos custos de manutenção e operação — características que ampliam sua atratividade para forças aéreas que buscam eficiência orçamentária.

Reconhecimento e integração industrial
Em 2025, o Comitê de Catalogação da OTAN reconheceu oficialmente o A-29, passo que facilita a interoperabilidade logística e o acesso ao sistema de catalogação da aliança. Esse reconhecimento fortalece o potencial de exportação do modelo e posiciona a Embraer como fornecedora relevante para o mercado de defesa europeu.

A produção da versão A-29N conta ainda com integração industrial em Portugal, em parceria com empresas locais. Essa colaboração reforça a estratégia da Embraer de adaptar-se às exigências regulatórias e técnicas da Europa, ao mesmo tempo em que fortalece laços de cooperação internacional.

Consolidação na OTAN
Com a entrega das primeiras unidades a Portugal, a Embraer ganha uma vitrine tecnológica e operacional no continente. O movimento amplia as perspectivas de novas encomendas por parte de outros países da OTAN e consolida a posição da fabricante brasileira no competitivo mercado de defesa. 

16 setembro, 2025

Veto espanhol a armas israelenses cancela o Sistema PULS. O Avibras ASTROS ainda seria uma opção?


*LRCA Defense Consulting - 16/09/2025

A Espanha anunciou o cancelamento do contrato de €700 milhões para a aquisição do sistema de lançamento múltiplo de foguetes PULS (SILAM), desenvolvido sob licença da israelense Elbit Systems, conforme destaca matéria do site turco especializado SavunmaSanayiST.com. A medida faz parte de um plano abrangente do Ministério da Defesa espanhol para eliminar gradualmente sistemas militares com origem ou componentes israelenses, restringindo contratos diretos e produtos licenciados, com objetivo de acelerar a redução da dependência tecnológica do país em relação a Israel.

Plano de independência de Israel focado em Indra e Escribano
O programa de separação prioriza especialmente duas empresas-chave do setor de defesa espanhol: a Indra, que oferece alternativas tecnológicas, e a Escribano, voltada a soluções de artilharia e munição. A primeira fase do plano será identificar se há equipamentos e sistemas produzidos internamente capazes de manter as atuais capacidades militares. Caso não sejam encontrados produtos adequados na Espanha, a prioridade será buscar aquisições no exterior, com foco em fornecedores europeus.

ASTROS volta a ser lembrado como opção 
Apesar de não haver uma decisão formal para substituir o PULS, o sistema brasileiro ASTROS, da Avibras, surge entre as possibilidades citadas em análises de mercado, tendo participado anteriormente de processos licitatórios espanhóis. Em parcerias recentes, a Avibras uniu-se à espanhola NTGS e à britânica Milanion para produzir o ASTROS localmente, caso sua proposta fosse selecionada pelo país. Essa cooperação futura visava garantir elevado conteúdo nacional e industrialização na Espanha, um fator alinhado com os esforços de autonomia do bloco europeu em defesa.

No contexto dessa parceria, especula-se que, no cenário atual, poderia ser oferecida à Espanha não apenas a versão atual do ASTROS, mas também versões modernizadas como o ASTROS II AFC ou até o ASTROS III.

O ASTROS II AFC (Astros II Advanced Fire Control) representa uma evolução da plataforma tradicional, com sistema de comando e controle aprimorado, integração de sensores modernos e maior capacidade de coordenação entre lançadores. Isso traz maior rapidez na aquisição e engajamento de alvos, além de ampliar a interoperabilidade com outros sistemas de defesa, pontos críticos para as necessidades espanholas.

O ASTROS II AFC pode operar isoladamente ou em seção, sendo que sua lançadora possui maior poder de fogo e capacidade de calcular os elementos de tiro, efetuar o disparo e buscar abrigo (“Shoot & Scoot”), minimizando a exposição do Sistema AFC. Tais avanços tecnológicos colocam o ASTROS em nível competitivo com os mais modernos sistemas de lançamento de mísseis e foguetes, como o HIMARS americano, o Chunmoo sul-coreano ou o próprio PULS israelense.

Já o ASTROS III, ainda em projeto, é uma nova geração do sistema, com melhorias significativas em alcance, precisão e versatilidade operacional. Essa versão é baseada em viatura 8x8, que terá o dobro do poder de fogo do ASTROS II AFC e acumulará todo o legado tecnológico do ASTROS MK6, lançando foguetes balísticos, foguetes guiados, mísseis balísticos e mísseis táticos de cruzeiro.

A possibilidade de oferecer ao mercado espanhol tecnologias atualizadas poderia fortalecer a candidatura do ASTROS, ao apresentar uma solução que alia flexibilidade operacional, modernidade e potencial de produção integrada na Espanha, crucial diante das prioridades de autonomia e substituição impostas pelo veto a sistemas israelenses.

ASTROS III

Questões tecnológicas, situação da Avibras e oportunidade para a Espanha
Segundo as informações públicas disponíveis, não há evidências de que o sistema ASTROS incorpore componentes ou tecnologias israelenses, o que favoreceria sua aceitação dentro dos critérios estabelecidos pela Espanha. Ainda assim, pela natureza sigilosa dos sistemas militares, essa conclusão permanece limitada e não deve ser encarada como absoluta.

Apesar de o ASTROS estar tecnicamente consolidado como um dos sistemas de foguetes de artilharia mais flexíveis do mercado, a própria fabricante brasileira enfrenta sérios desafios. A Avibras permanece em processo de recuperação judicial e, de acordo com informações recentes, seu retorno parcial às operações está previsto apenas para outubro de 2025.

Esse cenário complica qualquer perspectiva imediata de exportação em larga escala. Mesmo que a Espanha optasse futuramente por reabrir uma concorrência internacional, a situação financeira e operacional da Avibras seria um fator crítico a ser analisado, tanto em termos de capacidade produtiva quanto de confiabilidade na entrega. A incerteza sobre o ritmo de retomada da produção e a necessidade de investimentos adicionais podem representar riscos para o cumprimento de prazos e especificações contratuais, aspectos fundamentais em processos de defesa.

Contudo, essa conjuntura delicada também pode ser interpretada como uma excelente oportunidade para a indústria de defesa espanhola. O potencial desenvolvimento do ASTROS diretamente na Espanha, em parceria com a Avibras e seus aliados europeus, permitiria a criação de um produto novo e tecnologicamente moderno, adaptado às necessidades específicas das Forças Armadas espanholas e europeias.

Além disso, a situação atual da Avibras pode facilitar negociações comerciais com condições mais vantajosas, possibilitando custos menores na aquisição e produção do sistema. Essa condição, aliada à transferência de tecnologia e à participação das empresas espanholas e britânicas na parceria, poderia fomentar a geração de empregos qualificados e fortalecer o complexo industrial de defesa local, moldando um sistema competitivo e alinhado às políticas de autonomia estratégica da União Europeia.

Assim, enquanto os desafios financeiros e operacionais da Avibras trazem incertezas, eles também podem abrir caminho para uma colaboração industrial mais produtiva e integrada, que beneficiaria tanto a Espanha quanto o futuro do sistema ASTROS no mercado internacional.

Avaliação e próximos passos
Atualmente, o Ministério da Defesa da Espanha mantém como prioridade máxima a substituição interna das plataformas israelenses, com a indústria nacional e europeia como foco primário. Caso não se obtenha sucesso nesta fase, só então se definirá o caminho para a aquisição de fornecedores internacionais fora do continente.

Mesmo considerando as incertezas associadas à Avibras, tal condição pode representar uma janela estratégica para a Espanha, agregando valor industrial, tecnológico e econômico ao processo de substituição dos sistemas de artilharia, sem perder de vista o compromisso político de autonomia e independência tecnológica.

O embargo espanhol a Israel e o consequente cancelamento do PULS marcam um momento estratégico para a redefinição do parque tecnológico das Forças Armadas espanholas, com reflexos no mercado global de defesa. O ASTROS, um exitoso fruto da experiência tecnológica da Avibras, permanece uma alternativa possível num horizonte ainda distante, especialmente nos cenários de uma recuperação plena da empresa e de uma eventual nova parceria com a espanhola NTGS e a britânica Milanion. 

06 dezembro, 2024

Jato HÜRJET, projeto da turca TAI com participação da brasileira Akaer, avança na Espanha


*LinkedIn, por Ibrahim Sünnetci, da Revista Defense Turkey - 05/11/2024

O (novo jato turco) HÜRJET reforça sua posição de liderança ao se destacar de seus concorrentes com seu custo de aquisição e superioridade técnica, bem como sua ampla opção de participação na indústria, na licitação aberta no âmbito da necessidade do Comando das Forças Aéreas e Espaciais da Espanha de um jato de treinamento avançado (AJT) de nova geração.

No dia 4 de dezembro de 2024, de acordo com a notícia no site da Infodefensa.com, o Comandante das Forças Aéreas e Espaciais Espanholas (JEMAE), General Francisco Braco CARBO, em declaração que deu recentemente aos membros da imprensa em Madrid, capital de Espanha, sublinhou que o foco das negociações no âmbito do projeto é o feedback a obter da aquisição, e disse: "Vamos comprar um avião de treino, mas o que vamos receber em troca? É disso que se trata as negociações", disse ele.

O principal objetivo do projeto é a compra de um avião de treinamento a jato avançado, no qual as empresas espanholas da indústria de defesa terão uma participação significativa, de acordo com a política do Ministério da Defesa espanhol de apoiar os programas locais da indústria de defesa. Nesse contexto, o HÜRJET, desenvolvido pela empresa turca TAI, é considerado um dos candidatos de destaque.

O Ministério da Defesa espanhol e as Forças Aéreas e Espaciais querem evitar um modelo de "arrendamento" que criaria uma alta dependência do fabricante para manutenção ou atualizações de componentes.

O General CARBO expressou a importância da propriedade e da gestão independente da aeronave: "Nosso objetivo é ter uma aeronave independente que possamos tocar por nós mesmos".

O General CARBO afirmou que entre os candidatos, além do HÜRJET da TAI, eles também avaliaram o KAI T-50 e a solução M-346 da Leonardo da Coréia, mas as negociações se concentraram principalmente nos benefícios industriais e econômicos a serem obtidos com a aquisição.

De fato, com esta afirmação, acho que se conclui que o T-7, que é o concorrente mais sério da HÜRJET em termos técnicos, não é levado em consideração. Esta situação pode dever-se à participação da indústria e aos requisitos locais de produção/montagem.

Falando sobre o HÜRJET, o General CARBO confirmou que a TAI trouxe a aeronave para a Espanha e a apresentou à Força Aérea e Espacial Espanhola, e que essa questão também foi discutida durante a visita do presidente turco Recep Tayyip Erdogan a Madri em junho passado. O General CARBO concluiu: "A HÜRJET está em uma boa posição, não nego isso, mas existem algumas condições. No momento, estamos avaliando essas condições."

Anteriormente, cobri a licitação das Forças Aéreas e Espaciais Espanholas (SASF / JEMAE) para a aeronave de treinamento a jato de evolução acima mencionada e os desenvolvimentos relacionados ao HÜRJET em minhas notícias publicadas nas edições 132 e 134 da Revista Defense Turkey.

28 outubro, 2023

Sistema lançador de mísseis Astros, com o qual a Avibras quer equipar o Exército Espanhol


*La Razon, por Anjo Luis de Santos - 27/10/2023

No dia 10 de outubro, o Conselho de Ministros aprovou o acordo que autoriza a celebração do contrato de fornecimento do sistema lançador de foguetes de alta mobilidade, uma das grandes deficiências do Exército Espanhol. Este contrato autoriza a aquisição do sistema integrado de fogo indireto de longo alcance (lançador de foguetes), denominado Sistema Lançador de Foguetes de Alta Mobilidade (Silam), que permitirá às nossas Forças Armadas disparar com precisão diferentes foguetes e mísseis guiados de alto desempenho.

A capacidade destes sistemas lançadores, dotados de flexibilidade na configuração das suas munições e maior precisão, permitirá ao Exército Espanhol superar as limitações no alcance das munições lançadas por canhão, atingindo alvos além dos 300 quilômetros.

O valor estimado deste contrato de fornecimento, que inclui tanto os veículos lançadores, as munições e o apoio logístico inicial e outros veículos e equipamentos complementares, é de quase 576,5 milhões de euros .

Quanto aos sistemas com mais opções, ainda antes de o Conselho de Ministros aprovar o concurso, todos os olhares estão voltados para o projeto baseado na tecnologia do sistema PULS, da empresa israelita Elbit, mas no qual participarão inúmeras empresas espanholas. No entanto, há outras duas opções em cima da mesa que não estão descartadas, por um lado o sistema baseado no lança-foguetes K239 Chunmoo da empresa sul-coreana Hanwa em associação com a empresa espanhola Tecnesis 3000 e, por outro, o Sistema Astros da empresa brasileira Avibras, que chegou a um acordo estratégico com a empresa madrilena NTGS para a sua produção em Espanha.

Este último pode ser, dos três, o menos conhecido porque não está presente nas forças armadas do nosso ambiente, mas não devemos esquecer que o sistema Astros foi testado em combate em conflitos tão significativos como a guerra Irã-Iraque e do Golfo, onde demonstrou a sua eficácia e fiabilidade em numerosas ocasiões. Atualmente, está em uso em vários países, incluindo Arábia Saudita, Brasil, Catar, Malásia, Iraque..., consolidando-se como uma solução de defesa de primeiro nível.

Para tentar vencer o concurso convocado pela Defesa, a NTGS e a Avibras criaram o consórcio Ibermisil, que representa um importante compromisso com Espanha e com o desenvolvimento de tecnologias avançadas no domínio da defesa.

Este acordo prevê que a Ibermisil, caso seja vencedora do concurso, abra dois centros de produção, um localizado na província de Jaén (em colaboração permanente com o novo centro de Defesa CETEDEX) e outro em Badajoz. Segundo as próprias empresas, cada um destes centros proporcionará emprego de qualidade a 1.200 pessoas, contribuindo significativamente para o tecido industrial e para a economia local, em linha com o espírito do documento Estratégia Industrial de Defesa 2023 publicado este ano pelo Ministério da Defesa. .

No entanto, este acordo vai mais longe e o objetivo é que estas unidades de produção fabriquem sistemas de lançamento e mísseis, não só para Espanha, mas para outros países, consolidando Espanha como referência na produção de sistemas avançados de defesa.

Um dos pilares fundamentais deste acordo é a Transferência de Tecnologia e Produção (TTP) de 100% do sistema , ou seja, haverá transferência de tecnologia e produção sobre todos os componentes do sistema: desde o lançador, o veículo de munições , as partes metálicas dos foguetes e do míssil, o motor do foguete, a ogiva, a orientação...

Segundo o documento assinado, “esta proposta não é simplesmente uma oferta; é uma visão de longo prazo que nos posiciona na vanguarda e nos distingue de qualquer outro concorrente no cenário atual. o caminho que propomos para garantir a solidez e a resiliência das nossas Forças Armadas nas próximas décadas.

Além disso, em caso de necessidades urgentes do Exército que não permitam atrasos, um abastecimento inicial poderá ser fornecido pela fábrica da Avibras no Brasil enquanto as fábricas de Jaén e Badajoz estão sendo construídas. É viável que, num período de 4 meses a partir do momento em que o Exército forneça as plataformas Iveco à Ibermisil, o Exército consiga ter 12 sistemas totalmente operacionais.

Com design modular, esse sistema utiliza foguetes com calibres que variam entre 127 e 450 mm. Foi projetado com base no veículo todo terreno Tectran VBT-2028 6×6, com o objetivo de otimizar sua mobilidade. As versões mais recentes adotam o chassi Tatra 815-7. Um sistema completo é composto por uma Viatura de Comando Nível Batalhão (AV-VCC) 4×4, que comanda três baterias e um conjunto de viaturas 4×4 e 6×6. As últimas inovações incluem veículos de comando e estações meteorológicas para melhorar seu desempenho. O lançador tem a capacidade de disparar foguetes de diversos calibres, equipados com diferentes ogivas. Além disso, os caminhões de reabastecimento podem transportar até duas cargas completas de foguetes.

Este sistema tem capacidade de disparo com alcance que varia de 9 a 300 quilômetros, podendo ser equipado com diversos tipos de calibres de foguetes, bastando trocar as cápsulas em que são disparados. É utilizado para abater alvos de grande importância no campo de batalha e objetivos estratégicos que sejam solicitados. Apesar de ser amplamente utilizado em sistemas de defesa terrestre, também pode ser utilizado na defesa costeira.

A Ibermisil não detalhou qual versão do seu sistema Astros chegaria a Espanha, pois recentemente foram apresentadas novas atualizações: o modelo AFC (Autonomous Firing Calculation), concebido para oferecer uma excelente rentabilidade, permitindo-lhe operar sozinho ou em seção, e com um lançador com maior poder de fogo e capacidade de calcular elementos de fogo, atirar e buscar cobertura ("shoot & scoot") ou o Astros III, que dobra o poder de fogo do AFC mencionado, ao incorporar um sistema de lançamento para até 12 projéteis em diversas configurações, bem como novos tipos de mísseis. É baseado no chassi de um veículo blindado de tração 8×8.

O míssil oferecido pela Ibermisil é um míssil de cruzeiro, diferenciando-se das propostas balísticas de outros consórcios. Este tipo de míssil oferece vantagens táticas e estratégicas significativas, podendo atingir distâncias superiores a 500 km.

Dentre todos os mísseis que o AV-TM 300 pode disparar, destacam-se: um foguete guiado de curto alcance em fase final de voo e um míssil de cruzeiro com alcance de ataque de 300 km . O contrato de desenvolvimento completo para o míssil AV-TM foi avaliado em US$ 195 milhões, enquanto o contrato para desenvolver o foguete SS-AV-40G de 180 mm guiado por GPS/INS com um alcance de ataque de 40 km foi avaliado em US$ 195 milhões. dólares.

O míssil tem propulsão de lançamento inicial por um foguete propulsor descartável de queima rápida e, em seguida, aciona uma turbina a jato para voo de cruzeiro. O AV-TM 300 voa em direção ao seu alvo utilizando orientação GPS/INS juntamente com adaptação ao terreno, a missão é registrada na memória inserindo waypoints que orientam as manobras até o impacto.

Quanto às suas principais características técnicas, o míssil está equipado com um computador central que combina um sistema microeletromecânico (MEMS) integrado a um dispositivo de navegação GPS ativo que fornece continuamente informações de posicionamento para correção de rumo, possibilitando as primeiras manobras de ajuste para posicionar o míssil. curso e executar as manobras finais de mira.

Tudo isso confere ao míssil uma capacidade de precisão de 30 metros. O míssil também pode transportar uma única ogiva de 200 kg, equipada com o explosivo RDX, conhecido por ser mais poderoso que o TNT. Opcionalmente, a ogiva também pode transportar os mesmos 200 kg de submunições, sendo 64 submunições para uso exclusivo em alvos antipessoal ou anti-tanque.

O AV-TM 300 usa foguetes de combustível sólido para lançamento e um turbojato durante voo de cruzeiro subsônico. Por último, mas não menos importante, o míssil é capaz de voar em baixa altitude durante a fase de cruzeiro, o que reduz a chance de ser detectado por radares inimigos.

Seus desenvolvedores na Avibras consideram-no um míssil/sistema multiuso, utilizado para aquisição de objetivos estratégicos, interdição de áreas e guerra assimétrica. Porém, embora o AV-TM 300 se destaque no mercado global pela sua gama, ainda apresenta um fator limitante relevante: a ausência de um sistema de orientação final (seeker).

Quanto ao veículo em que é montado, no Exército Brasileiro ele é montado em um caminhão Tatra MK TATRA MK: 6 funcionalidades do sistema ASTROS que serão adquiridas em diferentes lotes ao longo do Programa ASTROS.

Outra vantagem significativa seria dotar a Marinha de foguetes com alcance de 150 quilômetros disparados de navios, além do míssil de cruzeiro. Esta capacidade ofereceria um valor tático inegável. E, por fim, ao ter toda a transferência de tecnologia, a porta se abriria, segundo a Avibras, para o desenvolvimento de novos foguetes e mísseis, colocando a Espanha numa posição privilegiada em termos de alcance e capacidade de projeção.

Os benefícios secundários da proposta da NTGS e da Avibras a serem escolhidas pela Defesa incluem a transferência da tecnologia para o INTA e a fabricação de novos compósitos para o programa PILUM, com o objetivo de aumentar a carga de pagamento do seu lançador de microssatélites.

27 setembro, 2023

Avibras esclarece sobre a parceria estratégica com a espanhola NTGS: propriedade intelectual permanecerá na matriz no Brasil


*LRCA Defense Consulting - 27/09/2023

A Avibras confirmou na última sexta-feira, dia 22/09/23, a intenção de estabelecer parceria estratégica com a New Technologies Global Systems (NTGS), indústria de defesa espanhola com foco na expansão dos seus negócios no mercado internacional.  A estratégia é tornar-se uma empresa multinacional através de parceria com empresas espanholas com a consolidação de uma filial europeia.

O acordo permitirá a empresa candidatar-se como fornecedora do programa do novo Sistema Lançador de Alta Mobilidade (SILAM) para o Exército espanhol com a produção do Sistema de Artilharia de Mísseis e Foguetes ASTROS, provado em combate e consolidado no mercado mundial de defesa.

A transferência de tecnologia do sistema prevista na cooperação vai depender das necessidades do governo espanhol e a propriedade intelectual permanecerá na matriz da Avibras no Brasil.

Além de estar focada em sua recuperação econômico-financeira para ampliar a sua participação no mercado internacional, a Avibras está adotando uma série de estratégias e ações para tornar-se ainda mais competitiva, entre elas, a construção de parcerias estratégicas para robustecer ainda mais o seu portfólio de produtos de alto valor agregado e explorar ainda mais as oportunidades de exportação, ampliando a sua presença no mercado global. 

Sobre a Avibras
A Avibras é uma empresa brasileira de tecnologia e inovação com capacidade industrial única e reconhecida mundialmente pela excelência e qualidade de seus produtos, sistemas e soluções de engenharia nas áreas de Aeronáutica, Espaço, Eletrônica, Veículos e Defesa.

Com mais de 60 anos de atuação e certificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a Avibras consolidou sua posição como uma das empresas líderes mundiais no segmento de Defesa e Aeroespacial, com o desenvolvimento e fabricação de veículos especiais para fins militares, tornando-se referência em Sistema Lançador Múltiplo de Foguetes (MRLS), foguetes balísticos e guiados, mísseis e pioneira participação nos programas de pesquisa espacial.

Conhecida como uma empresa que tem “Competência para construir Competências”, a Avibras é uma System House, oferecendo soluções tecnológicas em atendimento a qualquer necessidade dos clientes, evidenciando a real diversificação e oportunidades de spin-off em Defesa, Espaço e Integração de Sistemas Complexos.

Sediada em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a empresa é pioneira em tecnologia própria, inovadora e independente, e opera em amplas instalações em Jacareí e Lorena. Sua força de trabalho é composta por engenheiros, pesquisadores e técnicos altamente qualificados e capazes de prover soluções para os mais variados segmentos.

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