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08 dezembro, 2025

Guerra de mísseis: SIATT rebate acusações da Avibras em disputa judicial sobre Sistema ASTROS


*LRCA Defense Consulting - 08/12/2025

A SIATT – Engenharia, Indústria e Comércio S/A protocolou nesta segunda-feira uma resposta contundente à notificação judicial apresentada pela Avibras, refutando integralmente as acusações de uso indevido de propriedade intelectual e solicitando o imediato arquivamento do procedimento. A disputa judicial envolve a integração do míssil antinavio MANSUP ao sistema de lançamento ASTROS e pode afetar projetos estratégicos da Marinha do Brasil.

Contexto da disputa
O conflito teve início no final de outubro, quando a Avibras Indústria Aeroespacial S/A, empresa em processo de recuperação judicial, ajuizou notificação contra a SIATT, ligada ao grupo EDGE dos Emirados Árabes Unidos, alegando indícios de uso indevido de propriedade intelectual relacionada ao sistema ASTROS.

A controvérsia gira em torno do recebimento pela SIATT de uma viatura ASTROS 2020 do Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), destinada à modernização para integrar sistemas de lançamento do míssil MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície). A Avibras acusou a concorrente de se apresentar como detentora de capacidade técnica para modificação do sistema ASTROS, além de alegar quebra de termos de confidencialidade e contratação de ex-funcionários.

A defesa da SIATT: "manobra oportunista"
Na resposta protocolada, a SIATT não economizou nas palavras. Logo no início da manifestação, a empresa classificou a medida da Avibras como uma tentativa de instrumentalizar o Judiciário para fazer acusações graves contra uma concorrente, caracterizando a iniciativa como manobra oportunista de uma empresa aparentemente desesperada para superar sua crise financeira.

A SIATT esclareceu que jamais interveio na tecnologia do sistema ASTROS propriamente dito. Segundo a resposta judicial, o que a empresa fez foi integrar o míssil MANSUP ao sistema através de um mecanismo desenvolvido pela própria SIATT, uma tecnologia de natureza "stand-alone".

"A SIATT basicamente faz uma conversão momentânea da plataforma lançadora para acomodar o suporte do míssil MANSUP, que leva algumas poucas horas e pode ser revertida a qualquer momento, sem qualquer interferência nos sistemas preexistentes", explica o documento.

Reconhecimento institucional
A empresa destacou que a Marinha do Brasil reconhece formalmente a SIATT como a única empresa nacional que detém capacidade completa para a integração do míssil, por possuir conhecimento sobre as interfaces mecânicas, eletrônicas e sistêmicas do MANSUP.

Esse reconhecimento fundamentou a Declaração de Exclusividade concedida pela ABIMDE (Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança), que concluiu que a SIATT possui capacidade técnica para adaptar plataformas para o lançamento do MANSUP, incluindo, mas não se limitando ao sistema ASTROS.

Questão de compatibilidade, não apropriação
A SIATT reafirmou que nunca se apresentou como titular, detentora ou parceira autorizada do sistema ASTROS. As menções ao sistema foram apenas indicações de compatibilidade, prática comum na indústria de defesa, similar ao que ocorre com outros sistemas multipropósito mundialmente.

Quanto à acusação de apropriação indevida de informações, a resposta protocolada afirma que a Avibras não apresentou prova alguma, tampouco indicou quais seriam os alegados segredos industriais violados.

Dano reputacional
Paradoxalmente, a SIATT argumenta que o único prejuízo reputacional concreto identificado no episódio recaiu sobre ela própria. A empresa apontou que a Avibras divulgou nota à imprensa no mesmo dia da notificação, gerando diversas notícias negativas que abalaram a reputação da SIATT no mercado.

Contexto estratégico
O projeto em disputa é de alta relevância estratégica. A integração do MANSUP ao sistema ASTROS permite que o míssil antinavio seja disparado a partir de plataformas terrestres, além de navios, aumentando significativamente a capacidade de defesa costeira do Brasil. 

A prova de conceito foi realizada em dezembro de 2024, e o Corpo de Fuzileiros Navais entregou a primeira viatura ASTROS demonstradora à SIATT no final de outubro. O projeto visa fortalecer a defesa litorânea brasileira com baterias missilísticas de forma inédita, utilizando a modularidade do sistema.

Situação delicada da Avibras
A Avibras, tradicional empresa brasileira de defesa com mais de 60 anos de história, atravessa momento difícil. Em recuperação judicial desde 2020, a empresa enfrenta dificuldades financeiras após não conseguir entregar mísseis e viaturas planejadas ao Exército Brasileiro devido a cortes orçamentários e à pandemia de COVID-19.

Recentemente, a empresa teve aprovado um plano alternativo de recuperação judicial e busca retomar sua capacidade produtiva com apoio da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados.

Implicações para a defesa nacional
O desfecho desta disputa pode ter impactos significativos para a Base Industrial de Defesa Brasileira. De um lado, há a necessidade de proteger direitos de propriedade intelectual de empresas nacionais tradicionais. De outro, existe a urgência de avançar em projetos estratégicos de defesa costeira que fortaleçam a soberania nacional.

Especialistas apontam que a disputa exemplifica tensões típicas do setor de defesa, onde a necessidade de inovação e integração de sistemas muitas vezes colide com questões de propriedade intelectual e contratos comerciais.

Próximos passos
A SIATT manifestou confiança de que a avaliação dos fatos levará ao reconhecimento da improcedência das acusações. A empresa reafirmou seu compromisso com integridade, ética e respeito às normas legais, destacando sua determinação em continuar avançando em suas atividades tecnológicas em prol da defesa e soberania nacional.

O caso agora aguarda análise judicial, enquanto o projeto estratégico de integração do MANSUP ao sistema ASTROS permanece em desenvolvimento pelos Fuzileiros Navais, com a primeira viatura já em processo de modernização.

A disputa levanta questões fundamentais sobre inovação, propriedade intelectual e cooperação na indústria de defesa brasileira, em um momento em que o País busca fortalecer sua autonomia tecnológica e capacidade de defesa costeira.

03 abril, 2024

Avibrás: Empresa Estratégica de Defesa?


*LinkedIn, por André Luís Vieira - 02/04/2024

"Edgar, le Brésil n'est pas un pays sérieux" (frase atribuída ao embaixador brasileiro Carlos Alves de Souza Filho e dita ao jornalista Luís Edgar de Andrade, à época correspondente do Jornal do Brasil em Paris).

Diante de desafios regulatórios e orçamentários cada vez mais dependentes de ciclos políticos absolutamente ideologizados, o mercado interno para tecnologias de emprego dual se apresenta incapaz de preservar sua base de indústrias tecnológicas.

Se, do ponto de vista estritamente societário, as relações de "livre mercado" permitem a licitude de aquisições, fusões e incorporações entre empresas e grupos econômicos, do ponto de vista estratégico, assistir passivamente que empresas estratégicas sejam transferidas ao controle estrangeiro, só reforça a miopia institucional a qual nos encontramos aprisionados há décadas.

Como rememorado, empresas de grande potencial técnico-científico, tais como Mectron, Omisys, Optoeletrônica, Aeroeletrônica e Engesa vivenciaram destinos correlatos. O processo de desarticulação das capacidades em tecnologias críticas instaladas no País segue a lógica habitual. Circunstâncias diferentes. Mesmas razões.

E para quem não se apercebeu, além de parte significativa de domínio tecnológico sobre o acervo de capacidades dissuasórias do Exército Brasileiro, calcado sobre o sistema Astros, a Avibrás vinha desenvolvendo protótipos patrocinados pela FINEP, visando o reposicionamento do programa aeroespacial brasileiro.

Diante disso, restam alguns questionamentos. Qual país dotado de pretensões internacionais abre mão de sua indústria vocacionada para tecnologias críticas? Estamos fadados à atividades de P&D apenas para melhorar a exploração e produção de commodities? Estamos confinados ao conceito de país usuário/importador de tecnologias, enquanto espécie de neocolonialismo? E mais. Seria a autonomia tecnológica, traçada como um dos objetivos primordiais da PND, apenas retórica?

A sinergia entre as políticas públicas de defesa e de ciência e tecnologia é crucial para o desenvolvimento socioeconômico nacional. Não enxergar isso, é persistir na miopia institucional que nos mantém vassalos das economias mais modernas. O motivo? Simples. Enquanto o mercado internacional de commodities preserva os fundamentos econômicos mais próximos ao conceito teórico de concorrência perfeita, o mercado internacional de tecnologia apresenta as bases para a busca de novos mercados, mediante a integração com as cadeias globais de valor.

A colaboração e integração entre agentes da inovação são fundamentais para promover o transbordamento tecnológico do país e fortalecer suas capacidades tecnocientíficas. Em vista disso, políticas públicas devem efetivamente desempenhar seu papel na criação de um ambiente institucional propício para essa colaboração, promovendo a harmonização de preferências e coordenando ações conjuntas em busca da inovação.

A atuação estratégica do Estado como indutor da inovação, conforme a literatura mais abalizada, é essencial para definir áreas prioritárias de P&D e criar os instrumentos para o seu fomento. Portanto, a colaboração entre instituições científicas e tecnológicas civis e militares, a indústria e a universidade, se torna crucial para uma abordagem multidimensional na consolidação de um robusto sistema nacional de inovação.

Assim, o país poderia alcançar uma posição de destaque no cenário internacional, garantindo, ao mesmo tempo, sua soberania tecnológica e promovendo seu desenvolvimento econômico e social.

Entretanto, ao que parece, seguimos na contramão das tendências internacionais, justamente por nos manter apegados ao regime cartorial e patrimonialista da Torre do Tombo, no qual empresa estratégica é só aquela que alimenta a sanha do populismo arrecadatório, mediante fartos dividendos públicos.

*André Luís Vieira é advogado especializado em contratos complexos.

02 abril, 2024

Avibras: um ativo fundamental para a Austrália se contrapor à China no Indo-Pacífico


*LRCA Defense Consulting - 02/04/2024

A provável aquisição da Avibras pela australiana DefendTex, divulgada oficialmente por ambas as empresas em nota publicada hoje, não é apenas uma simples operação comercial, revestindo-se de uma natureza geopolítica tão estratégica que a torna fundamental para que a Austrália pule diversos estágios e possa desenvolver uma defesa eficaz, em termos de mísseis, contra a crescente e ameaçadora presença chinesa no Indo-Pacífico.

De maneira simplista, até alguns anos atrás, o expansionismo da Rússia e, principalmente, da China na região do Indo-Pacífico contava com um cinturão protetor formado pela Índia, pela Coreia do Sul e, em menor grau (na época), pelo Japão, além dos meios militares dos Estados Unidos presentes nesses países e em outras bases espalhadas pela região.

Hoje, com a guerra na Ucrânia, a Rússia está parcialmente contida pelo conflito em si, pelos países da OTAN e por outros que lhe são próximos. 

No entanto, a China está aumentando significativamente seu potencial militar, principalmente em meios aéreos, navais e de mísseis, possibilitando que possa atingir facilmente qualquer um dos três países citados ou as bases americanas na região do Indo-Pacífico.

Como será visto no estudo compilado abaixo, a Austrália, seguramente situada a uma distância bem maior da China e contando com uma grande extensão territorial, sentia-se protegida pelos acordos de defesa que tem com os EUA e Reino Unido, pouco investindo em sua indústria de defesa.

Em um curto espaço de tempo, a situação se modificou drasticamente, com a China se expandindo, militar e politicamente, para países insulares existentes entre ela e a Austrália, tornando este país cada vez mais vulnerável aos meios militares aéreos, navais e de mísseis chineses, incluindo agora os mísseis de médio alcance e a força aérea.

Frente ao problema e temendo não poder contar com uma efetiva proteção dos EUA e Reino Unido, a Austrália está empenhada em corrida frenética para dispor de seus próprios meios de defesa, incluindo submarinos nucleares, caças de última geração, mísseis e outros equipamentos militares avançados.

Avibras e DefendTex: uma solução estratégica para a Austrália
É dentro desse cenário que a aquisição da Avibras pela australiana DefendTex pode ser entendida, pois é uma empresa "pronta" que produz mísseis de cruzeiro e seu sistema lançador. A propósito, o alcance do AV-MTC 300 é de 300 Km apenas para exportação, pois pode ser configurado para muito mais.

Além disso, a Avibras desenvolveu também motores de foguetes, como o S50, que é o motor principal do Veículo Lançador de Microssatélites (VLM-1) brasileiro, o qual também pode ser reconfigurado para uma utilização em mísseis de médio e longo alcance. Isso sem contar uma excelente solução C4ISTAR (Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Informação/Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvo e Reconhecimento) e outros projetos de ponta.

A DefendTex é uma pequena empresa de defesa australiana que possui apenas 60 funcionários diretos e 120 indiretos. Seu principal escopo produtivo está na fabricação de pequenos e eficientes drones militares (D40, D81 e DefendTex 155), veículos terrestres não tripulados (UGV), pequenos veículos marítimos não tripulados, coletes balísticos e gel de pimenta não letal, além de formulação e fabricação de pirotecnia, propelentes e HE (alto explosivo). 

Porém, é na tecnologia e na pesquisa que a DefendTex tem seu grande diferencial, o que a fez ser merecedora de grande incentivos do governo nos últimos anos.

Segundo sua própria definição "A DefendTex é reconhecida como uma das empresas de tecnologia de defesa mais inovadoras da Austrália, atendendo aos mercados globais de defesa. Suas principais capacidades são Pesquisa e Desenvolvimento, Engenharia, Fabricação, Testes e Avaliação e Comercialização para plataformas terrestres, marítimas e aeroespaciais. A DefendTex possui instalações de última geração para produzir tecnologia de armas líder mundial. Os serviços de engenharia e design continuam a ser um motor da evolução da empresa, juntamente com uma extensa equipe altamente adepta do desenvolvimento estruturado de produtos. Os recursos de design da DefendTex trouxeram vários produtos revolucionários ao mercado, transformando ideias em tecnologia sólida".

Motor de Detonação Rotativo (RDE) em testes

Uma destas tecnologias de defesa, totalmente revolucionária, está sendo desenvolvida juntamente com a RMIT University, The University of Sydney e Universitat der Bundeswehr. Trata-se do primeiro Motor de Detonação Rotativo (RDE) totalmente fabricado por manufatura aditiva da Austrália. Um combustor RDE não apenas não contém partes móveis, mas também opera em uma forma de combustão com ganho de pressão que o diferencia dos motores de foguete tradicionais, com um aumento de eficiência associado de 10-20%. Se tudo continuar dando certo, o RDE permitirá à Austrália desempenhar um papel fundamental nesta nova tecnologia a nível internacional. Embora a tecnologia tenha o potencial de revolucionar a propulsão de foguetes (e mísseis), voo de alta velocidade e geração de energia terrestre, ainda pressupõe um longo caminho até estar operacional.

Em 2021, a DefendTex e seus parceiros receberam US$ 3 milhões em financiamento para produzir o primeiro foguete impulsionador impresso em 3D da Austrália. Travis Reddy, CEO da DefendTex afirmou: “A nova abordagem de fabricação aditiva permitirá redução de custos, de desperdício e maior capacidade de resposta para acesso ao espaço, permitindo a produção doméstica de propulsores de foguetes comerciais, o que se traduz em acesso ao espaço acessível para a indústria espacial emergente da Austrália. A DefendTex usará o financiamento para se juntar à indústria e parceiros de pesquisa para resolver a lacuna de capacidade da indústria espacial australiana, onde não há foguetes propulsores de fabricação nacional disponíveis comercialmente para lançamento na Austrália".

Pelo seu pequeno porte e aparente carência de recursos financeiros suficientes para adquirir a Avibras e fazer os aportes necessários, esta Consultoria acredita que a DefendTex tenha, em sua retaguarda, a sustentação de fundos de defesa governamentais (como o Australian Government Future Fund, um fundo soberano da Austrália) ou até mesmo um grade grupo privado australiano.

Por fim, de lamentar é o fato de o Brasil não ter encontrado uma solução nacional para uma de suas principais empresas de defesa. Assim, como ainda não foram divulgados os termos do acordo que está sendo costurado, resta torcer fervorosamente para que, pelo menos, o patrimônio científico, criado e desenvolvido pelos engenheiros e técnicos da Avibras ao longo de mais de 60 anos, permaneça na propriedade do País.


A Austrália e a região do Indo-Pacífico*

O ambiente de segurança no Indo-Pacífico tornou-se cada vez mais volátil devido à rivalidade entre grandes potências. A última Revisão Estratégica de Defesa da Austrália afirma que “a defesa da Austrália reside na segurança coletiva do Indo-Pacífico”. Camberra estará empenhada em sustentar e reforçar o seu papel no Indo-Pacífico, particularmente para equilibrar a China.

A Austrália, que faz fronteira a oeste com o Oceano Índico e a leste com o Oceano Pacífico, e está muito próxima dos membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) ao norte, pode ser descrita como um país central na região do Indo-Pacífico.

Desde 2012, a ideia do Indo-Pacífico tornou-se um ponto de referência para os governos australianos definirem os interesses da política externa e de segurança do país. Ao longo do período pós-guerra, a Austrália procurou satisfazer as suas necessidades de segurança convencionais principalmente através do seu pacto de defesa mútua com os Estados Unidos (EUA), do Tratado de Segurança da Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos (ANZUS) de 1951, bem como o acordo de partilha de informações de sinais 'Five Eyes' com os EUA, o Reino Unido (UK), o Canadá e a Nova Zelândia. Por sua vez, este último é sustentado pelo Acordo Reino Unido / Estados Unidos da América (UKUSA) de 1946. No entanto, em termos dos seus interesses comerciais, a Austrália tem olhado cada vez mais para os mercados da Ásia e proporcionalmente menos para os tradicionais aliados ocidentais.

À medida que a China cresceu e se tornou mais assertiva, estabelecendo uma rivalidade estratégica com os EUA e os seus parceiros regionais, a Austrália começou a ter mais dificuldade em isolar os seus interesses comerciais das tensões geopolíticas regionais.

A recentemente forjada parceria de segurança e tecnologia “AUKUS” com os EUA e o Reino Unido reflete tanto o ritmo da mudança geopolítica no Indo-Pacífico como a centralidade duradoura dos EUA na estratégia de defesa da Austrália. Tendo inicialmente determinado que a falta de uma indústria nuclear civil nacional impedia a utilização de tecnologia de propulsão nuclear superior na frota submarina da Austrália, o atual governo reavaliou a sua estratégia de segurança e recalibrou os seus acordos de aquisição de defesa, com iniciativas e implicações diplomáticas potencialmente de longo alcance.

A Austrália considera-se a guardiã econômica e de segurança da região do Pacífico. Mas cada vez mais a China tem ambições de promover os seus interesses entre as nações insulares.

No início de janeiro, Nauru, uma pequena república do Pacífico, restabeleceu relações diplomáticas formais com a China depois de romper relações com Taiwan. O governo da Papua Nova Guiné, o vizinho mais próximo da Austrália, confirmou que está em conversações com a China sobre um potencial acordo de segurança e policiamento. Pequim assinou um pacto de segurança com as Ilhas Salomão, um arquipélago estrategicamente localizado a nordeste da Austrália, em 2021.

As atuais capacidades da Austrália no âmbito do modelo de “força equilibrada” são insuficientes para gerir ameaças maiores. Por esta razão, está ansiosa por prosseguir o desenvolvimento de mísseis e adquirir equipamento militar avançado. A revisão é um passo importante na avaliação das capacidades e no traçado de um rumo que conduza a Austrália a uma posição mais proeminente na arquitetura de segurança regional.

Pequim pode estar demasiado ocupada com objetivos mais amplos de autossuficiência , em áreas como o desenvolvimento de motores militares, para corresponder às capacidades dos EUA. A China goza de uma vantagem na produção de defesa, com a sua base industrial e cadeias de abastecimento regionais. Mas os controles de exportação e a estratégia coletiva aliada podem impedir a aquisição de tecnologias sensíveis e a montagem de equipamento militar de ponta num futuro próximo. Embora a consolidação do apoio logístico tenha aumentado as suas capacidades, o principal objetivo da China é o avanço na tecnologia de defesa, onde os Estados Unidos e os seus aliados têm atualmente uma vantagem.

O abrandamento econômico na China fez com que os seus jovens lutassem por emprego. Algumas análises concluem que a descida econômica de uma superpotência provoca repressões internas – e uma maior assertividade militar na sua vizinhança. A política chinesa pode ser motivada pela insegurança e desconfiança dos concorrentes no cenário mundial.

A postura da China pode ser agravada pela ameaça do aumento militar do Japão na Ásia Oriental e pelas suas consequências para o Estreito de Taiwan nos próximos anos. Num tal cenário, o reforço do poder militar da Austrália também pode ser percebido como uma ameaça hostil, convidando a reações adversas.

Em seu livro Caldeirão da Ásia , Robert Kaplan observa que a China vê o Mar da China Meridional como sua esfera de influência. Dadas as disputas territoriais na região, a China continua preocupada com a sua própria segurança. Aumentou o desenvolvimento militar para “projetar poder” no seu ecossistema de segurança imediato.

A maior preocupação para os países do Indo-Pacífico pode ser a utilização militar das características insulares recuperadas pela China no Mar da China Meridional. Estas instalações dão a Pequim uma vantagem militar indevida. Isto não é apenas preocupante para a Austrália devido à volátil relação bilateral, mas também preocupante para as Filipinas e a Indonésia, que são requerentes na disputa. As alegadas incursões em áreas disputadas por frotas pesqueiras chinesas, acompanhadas por navios militares, agravaram as tensões.

A exploração de bases estrangeiras pela China indica a projeção de poder militar fora dos seus territórios nacionais, incluindo o Sudeste Asiático. A possibilidade de uma base naval chinesa nas Ilhas Salomão abalou a Austrália e o Ocidente em 2022. A presença militar da China no Pacífico pode ser problemática por duas razões: permitirá atingir facilmente o território australiano e negará espaço marítimo à Austrália. Isto limita efetivamente o apoio militar dos Estados Unidos e do Japão em situações difíceis.

*Fontes:

- A visão estratégica da Austrália sobre o Indo-Pacífico - Think Tank Parlamento Europeu
- Austrália e a nova arquitetura de segurança do Indo-Pacífico - East Asia Forum
- Austrália desconfia das ambições de segurança da China no Pacífico - Voa News
 

28 outubro, 2023

Sistema lançador de mísseis Astros, com o qual a Avibras quer equipar o Exército Espanhol


*La Razon, por Anjo Luis de Santos - 27/10/2023

No dia 10 de outubro, o Conselho de Ministros aprovou o acordo que autoriza a celebração do contrato de fornecimento do sistema lançador de foguetes de alta mobilidade, uma das grandes deficiências do Exército Espanhol. Este contrato autoriza a aquisição do sistema integrado de fogo indireto de longo alcance (lançador de foguetes), denominado Sistema Lançador de Foguetes de Alta Mobilidade (Silam), que permitirá às nossas Forças Armadas disparar com precisão diferentes foguetes e mísseis guiados de alto desempenho.

A capacidade destes sistemas lançadores, dotados de flexibilidade na configuração das suas munições e maior precisão, permitirá ao Exército Espanhol superar as limitações no alcance das munições lançadas por canhão, atingindo alvos além dos 300 quilômetros.

O valor estimado deste contrato de fornecimento, que inclui tanto os veículos lançadores, as munições e o apoio logístico inicial e outros veículos e equipamentos complementares, é de quase 576,5 milhões de euros .

Quanto aos sistemas com mais opções, ainda antes de o Conselho de Ministros aprovar o concurso, todos os olhares estão voltados para o projeto baseado na tecnologia do sistema PULS, da empresa israelita Elbit, mas no qual participarão inúmeras empresas espanholas. No entanto, há outras duas opções em cima da mesa que não estão descartadas, por um lado o sistema baseado no lança-foguetes K239 Chunmoo da empresa sul-coreana Hanwa em associação com a empresa espanhola Tecnesis 3000 e, por outro, o Sistema Astros da empresa brasileira Avibras, que chegou a um acordo estratégico com a empresa madrilena NTGS para a sua produção em Espanha.

Este último pode ser, dos três, o menos conhecido porque não está presente nas forças armadas do nosso ambiente, mas não devemos esquecer que o sistema Astros foi testado em combate em conflitos tão significativos como a guerra Irã-Iraque e do Golfo, onde demonstrou a sua eficácia e fiabilidade em numerosas ocasiões. Atualmente, está em uso em vários países, incluindo Arábia Saudita, Brasil, Catar, Malásia, Iraque..., consolidando-se como uma solução de defesa de primeiro nível.

Para tentar vencer o concurso convocado pela Defesa, a NTGS e a Avibras criaram o consórcio Ibermisil, que representa um importante compromisso com Espanha e com o desenvolvimento de tecnologias avançadas no domínio da defesa.

Este acordo prevê que a Ibermisil, caso seja vencedora do concurso, abra dois centros de produção, um localizado na província de Jaén (em colaboração permanente com o novo centro de Defesa CETEDEX) e outro em Badajoz. Segundo as próprias empresas, cada um destes centros proporcionará emprego de qualidade a 1.200 pessoas, contribuindo significativamente para o tecido industrial e para a economia local, em linha com o espírito do documento Estratégia Industrial de Defesa 2023 publicado este ano pelo Ministério da Defesa. .

No entanto, este acordo vai mais longe e o objetivo é que estas unidades de produção fabriquem sistemas de lançamento e mísseis, não só para Espanha, mas para outros países, consolidando Espanha como referência na produção de sistemas avançados de defesa.

Um dos pilares fundamentais deste acordo é a Transferência de Tecnologia e Produção (TTP) de 100% do sistema , ou seja, haverá transferência de tecnologia e produção sobre todos os componentes do sistema: desde o lançador, o veículo de munições , as partes metálicas dos foguetes e do míssil, o motor do foguete, a ogiva, a orientação...

Segundo o documento assinado, “esta proposta não é simplesmente uma oferta; é uma visão de longo prazo que nos posiciona na vanguarda e nos distingue de qualquer outro concorrente no cenário atual. o caminho que propomos para garantir a solidez e a resiliência das nossas Forças Armadas nas próximas décadas.

Além disso, em caso de necessidades urgentes do Exército que não permitam atrasos, um abastecimento inicial poderá ser fornecido pela fábrica da Avibras no Brasil enquanto as fábricas de Jaén e Badajoz estão sendo construídas. É viável que, num período de 4 meses a partir do momento em que o Exército forneça as plataformas Iveco à Ibermisil, o Exército consiga ter 12 sistemas totalmente operacionais.

Com design modular, esse sistema utiliza foguetes com calibres que variam entre 127 e 450 mm. Foi projetado com base no veículo todo terreno Tectran VBT-2028 6×6, com o objetivo de otimizar sua mobilidade. As versões mais recentes adotam o chassi Tatra 815-7. Um sistema completo é composto por uma Viatura de Comando Nível Batalhão (AV-VCC) 4×4, que comanda três baterias e um conjunto de viaturas 4×4 e 6×6. As últimas inovações incluem veículos de comando e estações meteorológicas para melhorar seu desempenho. O lançador tem a capacidade de disparar foguetes de diversos calibres, equipados com diferentes ogivas. Além disso, os caminhões de reabastecimento podem transportar até duas cargas completas de foguetes.

Este sistema tem capacidade de disparo com alcance que varia de 9 a 300 quilômetros, podendo ser equipado com diversos tipos de calibres de foguetes, bastando trocar as cápsulas em que são disparados. É utilizado para abater alvos de grande importância no campo de batalha e objetivos estratégicos que sejam solicitados. Apesar de ser amplamente utilizado em sistemas de defesa terrestre, também pode ser utilizado na defesa costeira.

A Ibermisil não detalhou qual versão do seu sistema Astros chegaria a Espanha, pois recentemente foram apresentadas novas atualizações: o modelo AFC (Autonomous Firing Calculation), concebido para oferecer uma excelente rentabilidade, permitindo-lhe operar sozinho ou em seção, e com um lançador com maior poder de fogo e capacidade de calcular elementos de fogo, atirar e buscar cobertura ("shoot & scoot") ou o Astros III, que dobra o poder de fogo do AFC mencionado, ao incorporar um sistema de lançamento para até 12 projéteis em diversas configurações, bem como novos tipos de mísseis. É baseado no chassi de um veículo blindado de tração 8×8.

O míssil oferecido pela Ibermisil é um míssil de cruzeiro, diferenciando-se das propostas balísticas de outros consórcios. Este tipo de míssil oferece vantagens táticas e estratégicas significativas, podendo atingir distâncias superiores a 500 km.

Dentre todos os mísseis que o AV-TM 300 pode disparar, destacam-se: um foguete guiado de curto alcance em fase final de voo e um míssil de cruzeiro com alcance de ataque de 300 km . O contrato de desenvolvimento completo para o míssil AV-TM foi avaliado em US$ 195 milhões, enquanto o contrato para desenvolver o foguete SS-AV-40G de 180 mm guiado por GPS/INS com um alcance de ataque de 40 km foi avaliado em US$ 195 milhões. dólares.

O míssil tem propulsão de lançamento inicial por um foguete propulsor descartável de queima rápida e, em seguida, aciona uma turbina a jato para voo de cruzeiro. O AV-TM 300 voa em direção ao seu alvo utilizando orientação GPS/INS juntamente com adaptação ao terreno, a missão é registrada na memória inserindo waypoints que orientam as manobras até o impacto.

Quanto às suas principais características técnicas, o míssil está equipado com um computador central que combina um sistema microeletromecânico (MEMS) integrado a um dispositivo de navegação GPS ativo que fornece continuamente informações de posicionamento para correção de rumo, possibilitando as primeiras manobras de ajuste para posicionar o míssil. curso e executar as manobras finais de mira.

Tudo isso confere ao míssil uma capacidade de precisão de 30 metros. O míssil também pode transportar uma única ogiva de 200 kg, equipada com o explosivo RDX, conhecido por ser mais poderoso que o TNT. Opcionalmente, a ogiva também pode transportar os mesmos 200 kg de submunições, sendo 64 submunições para uso exclusivo em alvos antipessoal ou anti-tanque.

O AV-TM 300 usa foguetes de combustível sólido para lançamento e um turbojato durante voo de cruzeiro subsônico. Por último, mas não menos importante, o míssil é capaz de voar em baixa altitude durante a fase de cruzeiro, o que reduz a chance de ser detectado por radares inimigos.

Seus desenvolvedores na Avibras consideram-no um míssil/sistema multiuso, utilizado para aquisição de objetivos estratégicos, interdição de áreas e guerra assimétrica. Porém, embora o AV-TM 300 se destaque no mercado global pela sua gama, ainda apresenta um fator limitante relevante: a ausência de um sistema de orientação final (seeker).

Quanto ao veículo em que é montado, no Exército Brasileiro ele é montado em um caminhão Tatra MK TATRA MK: 6 funcionalidades do sistema ASTROS que serão adquiridas em diferentes lotes ao longo do Programa ASTROS.

Outra vantagem significativa seria dotar a Marinha de foguetes com alcance de 150 quilômetros disparados de navios, além do míssil de cruzeiro. Esta capacidade ofereceria um valor tático inegável. E, por fim, ao ter toda a transferência de tecnologia, a porta se abriria, segundo a Avibras, para o desenvolvimento de novos foguetes e mísseis, colocando a Espanha numa posição privilegiada em termos de alcance e capacidade de projeção.

Os benefícios secundários da proposta da NTGS e da Avibras a serem escolhidas pela Defesa incluem a transferência da tecnologia para o INTA e a fabricação de novos compósitos para o programa PILUM, com o objetivo de aumentar a carga de pagamento do seu lançador de microssatélites.

07 outubro, 2023

Avibras reforça parceria com o Exército Brasileiro para impulsionar o Programa Estratégico ASTROS


*LRCA Defense Consulting - 07/10/2023

A Avibras participou em setembro da reunião de trabalho do Estado-Maior do Exército Brasileiro (EB) junto ao Sistema de Ciência e Tecnologia do Exército com foco na continuidade do Programa Estratégico ASTROS (PrgEE). Realizado no Centro Tecnológico do Exército (CTEx) no Rio de Janeiro, o evento teve por objetivo coordenar, nivelar os conhecimentos e a divulgação das atividades do programa com relação à pesquisa e ao desenvolvimento do Míssil Tático de Cruzeiro e do Foguete Guiado, além de apresentar a situação atual e definir as próximas atividades.

Entre os participantes da atividade estavam o General de Divisão Tales Eduardo Areco Villela, Diretor de Fabricação (DF), o General de Brigada Alexandre Martins Castilho, Chefe do Centro Tecnológico do Exército (CTEx), o General de Brigada Marcelo Corrêa Horewicz, Chefe do Centro de Avaliações do Exército (CAEx), o General de Brigada R/1 José Julio Dias Barreto, Gerente do Programa Estratégico do Exército ASTROS (EPEx), o Coronel Jorge Audrin Morgado de Gois, Chefe da Assessoria de Ensino, Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação do Departamento de Ciência e Tecnologia (EPDI/DCT), além de representantes da Agência de Gestão e Inovação Tecnológica (AGITEC) e demais oficiais do Exército Brasileiro.

A Avibras foi representada pelo gerente de Gestão de Programas da Avibras, Fabio Nakagawa, do gestor do Projeto do Míssil Tático de Cruzeiro, Evandro Nunes e do gestor do Projeto do Foguete Guiado, Ronaldo Rangel.

Concebido e desenvolvido pela Avibras, o Sistema ASTROS contribui para a evolução e consolidação da Artilharia de Mísseis e Foguetes, representando um salto tecnológico de capacidade, eficiência e efetividade no apoio de fogo da Força Terrestre. Também reforça a contribuição do Exército para alcançar o objetivo estratégico da Dissuasão Extrarregional, além de criar e manter empregos de alta especialização, gerar renda e trazer divisas para o Brasil com exportações para países amigos. A Avibras manifestou seu orgulho por fazer parte do Programa como empresa integradora.

27 setembro, 2023

Avibras esclarece sobre a parceria estratégica com a espanhola NTGS: propriedade intelectual permanecerá na matriz no Brasil


*LRCA Defense Consulting - 27/09/2023

A Avibras confirmou na última sexta-feira, dia 22/09/23, a intenção de estabelecer parceria estratégica com a New Technologies Global Systems (NTGS), indústria de defesa espanhola com foco na expansão dos seus negócios no mercado internacional.  A estratégia é tornar-se uma empresa multinacional através de parceria com empresas espanholas com a consolidação de uma filial europeia.

O acordo permitirá a empresa candidatar-se como fornecedora do programa do novo Sistema Lançador de Alta Mobilidade (SILAM) para o Exército espanhol com a produção do Sistema de Artilharia de Mísseis e Foguetes ASTROS, provado em combate e consolidado no mercado mundial de defesa.

A transferência de tecnologia do sistema prevista na cooperação vai depender das necessidades do governo espanhol e a propriedade intelectual permanecerá na matriz da Avibras no Brasil.

Além de estar focada em sua recuperação econômico-financeira para ampliar a sua participação no mercado internacional, a Avibras está adotando uma série de estratégias e ações para tornar-se ainda mais competitiva, entre elas, a construção de parcerias estratégicas para robustecer ainda mais o seu portfólio de produtos de alto valor agregado e explorar ainda mais as oportunidades de exportação, ampliando a sua presença no mercado global. 

Sobre a Avibras
A Avibras é uma empresa brasileira de tecnologia e inovação com capacidade industrial única e reconhecida mundialmente pela excelência e qualidade de seus produtos, sistemas e soluções de engenharia nas áreas de Aeronáutica, Espaço, Eletrônica, Veículos e Defesa.

Com mais de 60 anos de atuação e certificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED), a Avibras consolidou sua posição como uma das empresas líderes mundiais no segmento de Defesa e Aeroespacial, com o desenvolvimento e fabricação de veículos especiais para fins militares, tornando-se referência em Sistema Lançador Múltiplo de Foguetes (MRLS), foguetes balísticos e guiados, mísseis e pioneira participação nos programas de pesquisa espacial.

Conhecida como uma empresa que tem “Competência para construir Competências”, a Avibras é uma System House, oferecendo soluções tecnológicas em atendimento a qualquer necessidade dos clientes, evidenciando a real diversificação e oportunidades de spin-off em Defesa, Espaço e Integração de Sistemas Complexos.

Sediada em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, a empresa é pioneira em tecnologia própria, inovadora e independente, e opera em amplas instalações em Jacareí e Lorena. Sua força de trabalho é composta por engenheiros, pesquisadores e técnicos altamente qualificados e capazes de prover soluções para os mais variados segmentos.

26 setembro, 2023

NTGS e Avibras formam Consórcio Ibermisil para disputar programa de foguetes SILAM do Exército Espanhol


*Fuerzas Militares - 26/09/2023

Num passo histórico para a indústria de defesa espanhola, NTGS e AVIBRAS anunciam um acordo estratégico para a produção do Sistema ASTROS em Espanha.

O Sistema ASTROS, desenvolvido pela AVIBRAS, é uma das plataformas mais destacadas e respeitadas em sua categoria. Testado em combate em conflitos tão significativos como a Guerra Irã-Iraque e a Guerra do Golfo, este sistema provou a sua eficácia e confiabilidade em inúmeras ocasiões. Atualmente, está em uso em vários países, incluindo Arábia Saudita, Brasil, Catar, Malásia, Iraque..., consolidando-se como uma solução de defesa de primeira classe.

A empresa espanhola NTGS (New Technologies Global Systems é uma empresa de engenharia dedicada ao projeto, fabricação e manutenção de sistemas complexos: veículos especiais, sistemas de armamento, plataformas não tripuladas, sistemas de radar, redes de sensores, sistemas optrônicos, etc...) e a brasileira AVIBRAS, pioneira em sistemas de foguetes e mísseis, apresentaram oficialmente o consórcio IBERMISIL como candidato ao novo programa High Mobility Launcher System (SILAM). Esta aliança representa um importante compromisso com Espanha e com o desenvolvimento de tecnologias avançadas no domínio da defesa.

Compromisso com a indústria nacional espanhola e a geração de emprego
O compromisso da IBERMISIL não fica só no papel. Caso consigam o contrato, anunciaram a abertura de dois centros de produção, um localizado na província de Jaén (em colaboração permanente com o novo centro de Defesa CETEDEX) e outro na província de Badajoz. Cada um destes centros proporcionará emprego de qualidade a 1.200 pessoas, contribuindo significativamente para o tecido industrial e para a economia local, em linha com o espírito do documento Estratégia Industrial de Defesa 2023 publicado este ano pelo Ministério da Defesa.

Exportação
Mas este acordo transcende as fronteiras espanholas. O consórcio pretende fabricar plataformas e foguetes não só para Espanha, mas para outros países, consolidando Espanha como referência na produção de sistemas avançados de defesa.

Transferência de tecnologia e produção de 100%
Um dos pilares fundamentais deste acordo é a Transferência de Tecnologia e Produção (TTP) de 100% do sistema, ou seja, haverá transferência de tecnologia e produção sobre todos os componentes do sistema: desde o lançador, o veículo de munições, as partes metálicas dos foguetes e do míssil, o motor do foguete, a ogiva, a orientação, etc….

Com essa TTP de 100% do sistema, as Forças Armadas Espanholas não estão apenas adquirindo equipamentos e sistemas de última geração, mas investindo no futuro, na capacitação e, principalmente, na soberania e segurança da Nação. Esta proposta não é simplesmente uma oferta; é uma visão de longo prazo que posiciona o Consórcio na vanguarda e o diferencia de qualquer outro concorrente no cenário atual. É uma vantagem estratégica sem precedentes e é o caminho que proposto para garantir a robustez e resiliência das Forças Armadas nas próximas décadas. É vital notar que nenhum dos outros consórcios oferece este nível de compromisso e transferência.

Além disso, em caso de necessidades urgentes do Exército que não permitam atrasos, um abastecimento inicial poderá ser fornecido pela fábrica da AVIBRAS no Brasil enquanto as fábricas de Jaén e Badajoz estão sendo construídas. É viável que, num período de quatro meses a partir do momento em que o Exército forneça as plataformas IVECO à IBERMISIL, seja capaz de ter 12 sistemas totalmente operacionais .

Presidente da NTGS, Elaine da Silva, e CEO da Avibras, Marcelo Ortiz

Benefícios secundários da TTP
Como benefícios secundários da proposta NTGS e AVIBRAS, temos:

- Transferir para o INTA a tecnologia e fabricação de novos compósitos para o programa PILUM , com o objetivo de aumentar a carga de pagamento do seu lançador de microssatélites.

- O míssil oferecido pela IBERMISIL é um míssil de cruzeiro, diferenciando-se das propostas balísticas de outros consórcios. Este tipo de míssil oferece vantagens táticas e estratégicas significativas, podendo atingir distâncias superiores a 500 km.

- Outra vantagem significativa seria a capacidade de fornecer à Marinha foguetes com alcance de 150 km disparados de navios, além do míssil de cruzeiro. Esta capacidade ofereceria um valor tático inegável.

- E, finalmente, ao ter toda a transferência de tecnologia, abre-se a porta ao desenvolvimento de novos foguetes e mísseis, colocando Espanha numa posição privilegiada em termos de alcance e capacidade de projeção.

A presidente da NTGS, Elaine da Silva, declarou: “Estamos diante de um acordo que transcende fronteiras. A aposta do consórcio IBERMISIL não se limita a Espanha, mas estende-se ao fabrico de plataformas e foguetes para vários países. “Este é um sinal da confiança que depositamos na nossa aliança e no futuro do setor de defesa global.”

O consórcio IBERMISIL apresenta-se assim como uma aliança sólida e promissora. Com um claro compromisso com a inovação, a cooperação e a criação de emprego. NTGS e AVIBRAS posicionam-se como atores-chave na evolução e fortalecimento do setor de defesa num futuro próximo.

10 setembro, 2023

Brasil irá adquirir obuseiros montados em veículos táticos. Parceria entre Avibras e Nexter?

Elbit Systems de Israel lançou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro.

*Noticias de Israel - 10/09/2023

O Brasil  avança em sua modernização militar, concentrando seus esforços na aquisição de obuseiros de última geração montados em veículos táticos.

Objetivos Estratégicos da Atualização da Artilharia Brasileira

A força terrestre brasileira, na tentativa de aprimorar significativamente suas capacidades táticas, busca adquirir sistemas avançados de artilharia montados em chassis de veículos. Esta iniciativa está alinhada com o  Programa “VBCOAP 155 mm SR” , cujo núcleo é o fortalecimento das capacidades armamentistas nacionais. Esses sistemas substituirão os obuseiros M114A1, melhorando a mobilidade e a versatilidade de combate das unidades de artilharia.

Obuseiro autopropulsado CAESAR 8×8 do Exército Real Dinamarquês (SPH)

O gatilho para este projeto remonta a janeiro de 2022, quando foi mencionado pela primeira vez no portal “ InfoDefensa ”. O plano é adquirir dois sistemas de avaliação, visando ampliar a frota em mais trinta e quatro unidades.

Esta evolução da frota de artilharia procura dotar as forças armadas de mais meios móveis e de maior alcance de fogo, contrastando com os atuais sistemas rebocados e facilitando as operações em articulação com forças mecanizadas.

Comparação com sistemas de artilharia pré-existentes
Em contraste com os obuses autopropelidos sobre esteiras M109A3 e M109A5+, esses obuses táticos montados em veículos oferecem maior mobilidade e implantação rápida. Seu design permite operações estendidas em rodovias e minimiza necessidades de logística e manutenção.

Além disso, esses sistemas devem ser compatíveis com munições calibre 155 mm e oferecer alcance operacional de até 40 km, conforme especificações técnicas ditadas pelo Exército Brasileiro.

As principais empresas de defesa já demonstraram interesse em atender esta demanda, apresentando propostas tecnologicamente avançadas testadas em situações de combate.

Propostas e Alternativas para o Exército Brasileiro

A Elbit Systems  de Israel apresentou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro. Com uma cadência de tiro que varia entre quatro e nove tiros por minuto, esta plataforma já foi adotada por diversas forças em todo o mundo, incluindo o exército colombiano.

Por seu lado, o  francês Nexter CAESAR  surge como uma opção robusta e versátil, adequada para ser integrada tanto em chassis 6×6 como 8×8. 

Surgiram rumores sobre uma possível aliança entre a empresa brasileira AVIBRAS e Nexter, que permitiria adaptar o chassi utilizado pelo sistema lançador de foguetes Astros Mk6, já em operação no Brasil.

Se este acordo for finalizado, a Nexter fornecerá os principais componentes do CAESAR, enquanto a AVIBRAS ficará responsável pela integração e adaptação aos chassis nacionais.

ASTROS III Sistema autopropelido de mísseis e lançamento de foguetes. (Foto Avibras)

Especificações CAESAR e seu papel potencial no Brasil
O CAESAR já provou seu valor em diversos teatros operacionais e sua versatilidade ao se adaptar a diferentes plataformas veiculares. Projetado para uma tripulação de cinco pessoas, possui sistemas avançados de navegação, assistência de carregamento, posicionamento automatizado e tempos de preparação e viagem altamente eficientes.

Seu canhão calibre 52 permite um alcance de até 42 km com munição ERFB e até 50 km com projéteis assistidos por propelente.

A escolha do Brasil pela artilharia montada em veículos reflete uma tendência global, já que inúmeras forças armadas estão optando por essas soluções devido à sua versatilidade e capacidade de resposta.

30 agosto, 2023

Avibras e AdTech assinam MoU em projeto conjunto drone Harpia - Sistema ASTROS


*LRCA Defense Consulting - 30/08/2023

No mês de julho deste ano (2023), as empresas AVIBRAS e Advanced Technologies estabeleceram uma parceria por meio de um Memorando de Entendimento (MoU).

Baseado nessa parceria, a Avibras irá ofertar a seus clientes a capacidade de localizar alvos, regular e corrigir instantaneamente o tiro de seus sistemas de artilharia. Tal capacidade é ofertada pelo software inteligente de controle de cargas úteis que o VANT HARPIA (drone) possui como parte integrante de um de seus subsistemas.

Tal trabalho em conjunto se dará na prática pela inserção da aeronave Harpia dentro de um dos subsistemas que compõe o Sistema ASTROS de lançadores Múltiplos de Mísseis e foguetes. Por meio dessa integração, o Harpia proporciona uma melhor identificação e observação dos alvos, permitindo uma aplicação mais precisa dos produtos de artilharia da Avibras.

A Avibras é uma empresa brasileira com mais de 60 anos de sucesso atuando principalmente no setor de Defesa. Destaca-se pela produção do ASTROS, sistema de artilharia terra-terra para lançamento de mísseis e foguetes, sendo empregado em diversas Forças Armadas ao redor do mundo.

A Advanced Technologies SD é uma empresa de tecnologia, genuinamente brasileira, que oferece ao mercado brasileiro e mundial soluções inovadoras, principalmente ao setor de segurança e defesa, tendo como principal produto o HARPIA, VANT (drone) de alta performance e multiemprego, com maior tecnologia embarcada do hemisfério sul.

Com a capacidade do Harpia para correção do tiro de qualquer tipo de armas curvas, a empresa Avibras pode oferecer a seus clientes um meio economicamente viável e eficaz de observação e correção do tiro, permitindo uma precisão e eficiência ímpar com os sistemas ASTROS.

Essa parceria de empresas genuinamente brasileiras mostra a capacidade nacional de atuação no mercado interno e externo de segurança e defesa.



 

20 julho, 2023

KC-390: o dia em que o Astros voou

 


*LRCA Defense Consulting - 20/07/2023

A Avaliação Operacional de carregamento e transporte da viatura do Sistema ASTROS, da Avibras, na aeronave multimissão Embraer KC-390 foi realizada no início de julho na Base Aérea de Anápolis (GO).

Essa importante missão integra a Terceira Fase da Operação Zeus realizada pela Força Aérea Brasileira (FAB).

O ensaio em voo demonstrou com sucesso a importante capacidade de aerotransportabilidade da viatura ASTROS pelo KC-390, sendo atualmente o maior e mais pesado veículo transportado pela aeronave. Isso permite o rápido deslocamento estratégico de viaturas do Sistema ASTROS para qualquer ponto do país, inclusive para envio em missões conjuntas no exterior.

A viatura ASTROS possui suspensão com altura ajustável e sistema de enchimento de pneus que facilitam seu carregamento do tipo roll-on/roll-off tornando seu embarque e desembarque muito rápidos. A viatura possui diversos pontos de ancoragem que permitem sua segura fixação na aeronave.

A operação retratou com êxito a intensa cooperação da Avibras com a Força Aérea,  Exército Brasileiro e Embraer, iniciada em 2010 com o primeiro ensaio realizado com viaturas ASTROS 6x6 modelo Mk5 e 4x4 modelo Mk4 “embarcando-as” num mockup do piso da aeronave KC-390 realizado no DCTA, sob a coordenação da Força Aérea Brasileira e com participação da Embraer e Avibras. Na ocasião foram verificadas diversas oportunidades de melhorias e o trabalho conjunto resultou em uma aeronave com elevada capacidade de carga o que a tornaria capaz de transportar as viaturas do Sistema ASTROS bem como outras viaturas blindadas sobre rodas com peso semelhante à Lançadora do Sistema ASTROS.

20 maio, 2023

Sistemas ASTROS, Chunmoo e PULS são oferecidos ao Exército Espanhol

Sistema ASTROS II AFC, da Avibras (foto ilustrativa)

*Defence Industry Europe - 13/05/2023

A Direção Geral de Armamento e Material da Espanha (DGAM) recebeu três ofertas de novos sistemas de artilharia de foguetes (MLRS) para o Exército espanhol. A Espanha pretende adquirir novos sistemas de armas desta classe no âmbito do programa SILAM (Sistema de Lanzacohetes de Alta Movilidad), que deverá ser lançado em breve.

O site espanhol Info Defensa relatou isso pela primeira vez. De acordo com a publicação , três empresas estrangeiras de defesa apresentaram suas ofertas para sistemas de artilharia de foguetes e cada uma declarou profunda cooperação com a indústria de defesa espanhola.

A empresa sul-coreana Hanwha Aerospace está oferecendo à Espanha o sistema K239 Chunmoo e pretende cooperar com o Tecnesis 3000.

A empresa brasileira de defesa Avibras, em colaboração com a SMS (Spanish Missile Systems), está oferecendo o sistema Astros ao Exército espanhol.

Finalmente, a terceira oferta foi apresentada pela Elbit Systems em colaboração com Expal, Escribano, GMV e Iveco. A empresa israelense está oferecendo o sistema PULS, que já foi contratado pela Dinamarca e em breve será contratado pela Holanda.
 

31 março, 2023

Em nota, Avibras afirma que prioridade é manter as operações da empresa no Brasil

- Avibras está buscando ampliar seu capital através de investimentos diretos de empresas estratégicas.
- Empresa está confiante de que superará todos os desafios e retomará o crescimento em breve.

 

Lançamento Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 a partir do Sistema Astros

*LRCA Defense Consulting - 31/03/2023

Em Nota à Imprensa, a Avibras agradece as últimas manifestações de reconhecimento da sua importância estratégica para a soberania do Brasil. A empresa está fortemente empenhada em garantir a sua recuperação, enfrentando os desafios e as dificuldades do momento com o apoio, a resiliência e o engajamento dos seus colaboradores.

Após quase dois anos da pandemia da COVID-19, sem dúvida a pior crise sanitária na história recente da humanidade, a empresa entrou em Recuperação Judicial, medida que auxilia as empresas em sua reestruturação econômico-financeira. Mesmo com as condições impostas durante pandemia, a Avibras manteve as operações e preservou ao máximo os empregos, porém não houve como a companhia minimizar os impactos da crise em seus negócios. Em paralelo ao processo de Recuperação Judicial, a companhia segue focada no esforço de vendas tanto no Brasil quanto no exterior. O governo brasileiro também está mobilizado em apoiar ativamente a empresa nas suas iniciativas de recuperação.

Novos investidores, mas com as operações no Brasil
A Avibras está buscando ampliar seu capital através de investimentos diretos de empresas estratégicas e o governo acompanha de perto a evolução deste processo, que é complexo e sigiloso. Há vários investidores interessados, porém nenhuma transação ocorreu até o momento. Na busca de novos investidores, a prioridade da Avibras e do governo brasileiro é manter as operações da empresa no Brasil juntamente com seu capital humano, físico e intelectual, preservando assim a sua história de conquistas construída ao longo de mais de seis décadas.

A Avibras reforça o seu empenho e compromisso com a sua recuperação, com os seus colaboradores, parceiros e clientes. A companhia está confiante de que superará todos os desafios e retomará o crescimento em breve com trabalho, inovação e criatividade.

15 janeiro, 2023

Avibras receberá aporte da Finep para desenvolver sistema inovador de navegação para mísseis balísticos

Lançamento Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 a partir do Sistema Astros

*LRCA Defense Consulting - 15/01/2023

Recentemente a Avibras foi classificada em terceiro lugar para obtenção de recursos de subvenção da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) através do edital à inovação para a Base Industrial de Defesa (BID), que incentiva o desenvolvimento de soluções inovadoras na área de Defesa. Foram apresentados 42 projetos de diversas empresas da BID, sendo que oito foram classificados dentro do limite de recursos disponibilizados.

O projeto da Avibras está relacionado à área temática do edital de guiamento, controle e navegação para aplicações em mísseis e foguetes com a proposta de desenvolver a Unidade de Auxílio à Navegação para Mísseis Balísticos. “O objetivo é criar um sistema capaz de guiar o míssil balístico em sua trajetória até o alvo através de Sensores Micro Electro Mechanical Systems (MEMs) e Algoritmos não Lineares, que são inovadores”, explicou Mário Corrêa, responsável técnico e idealizador da proposta da unidade de auxílio.  

Para o desenvolvimento do projeto, a Avibras receberá como aporte da Finep, R$ 14.935.529,92 ao longo de três anos. Os trabalhos iniciam no primeiro semestre de 2023.

“A proposta do projeto foi construída dentro do propósito do Espaço Avibras de Tecnologia e Inovação (EATI), de ser a embaixada de tecnologia e inovação da empresa e de acordo com a estratégia de negócios da empresa. Também terá a participação do Centro de Pesquisa Von Braun, importante instituto de parceria do relacionamento com o EATI”, destacou Luiz Gentil, gerente do EATI.     

Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300

Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300
O Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 é uma nova munição em estágio de pesquisa e desenvolvimento, com o propósito de ser lançado a partir da plataforma do Sistema ASTROS em uso pelo Exército Brasileiro. 

O míssil está sendo concebido para levar 200 kg de carga bélica convencional a uma distância de até 300 km com precisão em Círculo de Erro Provável (CEP) menor ou igual a 30 m, produzindo o mínimo de dano colateral.

O principal objetivo do Míssil Tático de  Cruzeiro AV-TM 300, dado ao poder dissuasório do armamento, é desencorajar eventuais ameaças externas, pois poderá atingir alvos estratégicos de eventuais oponentes muito além dos alvos táticos atualmente batidos pelos foguetes do Sistema ASTROS, conferindo ao Exército Brasileiro uma maior capacidade de dissuasão extrarregional. Atualmente, a família de foguetes Astros compreende quatro modelos com menor alcance, que variam entre 30 e 80 quilômetros.

Interesse internacional
De acordo com o portal especializado Tactical Report, em publicação de 02/06/2022, o Egito estaria próximo de adquirir mísseis AV-TM 300 junto com sua plataforma de lançamento, o sistema Avibras ASTROS II MK6, observando ainda que este acordo faria parte de uma série mais ampla de acordos que foram recentemente assinados entre o Egito e empresas de defesa brasileiras.

A mesma fonte, em publicação de 27/06/2022, divulgou que o Egito estaria interessado em adquirir o Sistema de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área (ASTROS 2020), fabricado pela empresa brasileira de defesa Avibras. O Ministério da Produção Militar do Egito (MoMP) estaria considerando assinar o contrato do acordo, juntamente com a transferência de tecnologias (ToT) e acordos de coprodução.

Há indícios que outros países também estariam interessados no novo míssil de cruzeiro e no Sistema ASTROS. O jornalista e pesquisador de defesa Roberto Caiafa, um dos maiores experts brasileiros nesse tema, poderá divulgar em breve novidades em seu canal Caiafa Master.

O lançador ASTROS, ao contrário do seu principal concorrente - o norte-americano MLRS HIMARS, é o único sistema de artilharia de foguetes com lançador modular, fato esse que permite o disparo de munições de diferentes calibres, tais como foguetes balísticos, munições guiadas e mísseis de cruzeiro com a simples troca de recipientes do foguete.

Caso seja confirmada a venda de mísseis de cruzeiro AV-TM 300 e os seus sistemas de lançamento ASTROS II MK6 para o Egito ou para outro país, o negócio poderá representar um bem-vindo fôlego para a combalida Avibras, que enfrenta um difícil período de recuperação judicial devido ao grande endividamento que tem e ao encolhimento de suas vendas internacionais.

A sobrevivência da Avibras é fundamental para a estratégia nacional de defesa do Brasil. No entanto, o desenvolvimento da altíssima tecnologia que a caracteriza, faz com que necessite de pesados investimentos, que só poderão ser sustentados com a firme exportação de seus produtos, haja vista que o fornecimento de unidades do armamento para as Forças Armadas brasileiras é pontual, pequeno e insuficiente para esse propósito.

05 agosto, 2022

UFSM assina acordo de cooperação técnica com Exército Brasileiro


*Ascom Gabinete do Reitor UFSM e Exército Brasileiro- 04/08/2022

A Universidade Federal de Santa Maria assinou, na manhã desta quarta-feira, dia 03 de agosto, um acordo de cooperação técnica com o Exército Brasileiro (EB). A assinatura visa formalizar e ampliar a parceria em ciência e tecnologia de projetos comuns, que envolvem  pesquisa e desenvolvimento, gerando inovação aplicada em produtos, serviços e processos.

A parceria entre UFSM e EB é antiga e o trabalho em conjunto já resultou em casos de sucesso para a nação, como, por exemplo, no projeto do Sistema ASTROS (produzido pela Avibras), um sistema integrado de simulação para o Sistema de Foguetes de Artilharia para Saturação de Área, com tecnologia 100% nacional, e, também, com o Dispositivo de Simulação e Engajamento Tático (DSET) do centro de Adestramento-Sul, que simula, por meio de feixes laser, a trajetória balística da munição e o acerto do impacto, permitindo o engajamento de alvos estacionários ou em movimento, assim como o duelo entre blindados.


O Reitor da UFSM, Luciano Schuch, destacou a importância do acordo para a universidade e para o país: “Nós aprendemos durante os anos, através de parcerias, não só com o exército, mas com a iniciativa privada, que temos que desenvolver projetos em conjunto. As equipes têm que trabalhar juntas, porque o conhecimento sobre a tecnologia é absorvido durante o desenvolvimento. Esse é o modelo que nós desenvolvemos e que dá certo. Tem que ter academia, tem que ter o demandante e, se possível, tem que ter quem vai produzir. Dessa forma, alcançamos o sucesso e conseguimos fortalecer a indústria nacional. Estamos buscando solucionar  problemas reais”.

O coordenador da Pós-graduação em Engenharia Mecânica, Professor César Gabriel dos Santos, salientou as oportunidades de aprendizado que a parceria proporciona: “Este acordo formaliza uma atividade que nós estamos desenvolvendo há muitos anos com o exército. Para nós, está sendo uma experiência muito boa. Os professores estão conhecendo novos sistemas mecânicos, novos materiais que não estão disponíveis comercialmente, e isso tem gerado um ganho muito grande de conhecimento e realização de trabalhos práticos para os estudantes, em solucionar problemas reais de engenharia”.


A vice-diretora do Centro de Tecnologia, Tatiana Cureau, destacou a importância de dar continuidade ao trabalho conjunto entre as partes: “A parceria do Centro de Tecnologia com o Exército é longa, e é muito importante continuar e  cada vez mais complementar e fortalecer os esforços, porque, além de ser um ganho para o exército, é para nós da academia, para os alunos. Assim, conseguimos unir a demanda da sociedade com tudo aquilo visto na teoria dentro da sala de aula”.

O acordo de cooperação foi assinado pelo Reitor, Luciano Schuch, e também pelo General de Divisão do Exército, Tales Villela. Além deles, estiveram presentes na reunião a vice-diretora do Centro de Tecnologia, Tatiana Cureau, o Pró-reitor de Planejamento da UFSM, Rafael Lazzari e também o coordenador do projeto, professor, César Gabriel dos Santos, além de representantes do Exército Brasileiro.

14 outubro, 2021

Comandante do Exército e membros do Alto Comando visitam a Avibras


*LRCA Defense Consulting - 14/10/2021

O Comandante do Exército Brasileiro (EB), General Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, acompanhado por membros do Alto Comando da Força Terrestre, visitou a Instalação 2 da Avibras, em Jacareí, na sexta-feira, dia 08/10. Os visitantes tiveram oportunidade de conhecer as instalações, as realizações e os projetos da empresa, além de reforçar a parceria entre o Exército Brasileiro e a Avibras.

A comitiva conheceu a sala de exposições da Avibras, o Setor de Montagem e Integração de Foguetes (SMIF), a linha de produção veicular e o simulador do Sistema ASTROS. Os generais também se reuniram com a diretoria da empresa para tratar assuntos e projetos de interesse da Força Terrestre.

“Todos os generais ficaram impressionados com a Avibras, sua capacitação tecnológica e industrial, e a sua importância para a Defesa Nacional”, destacou Fernando Ikedo, gerente geral de Vendas Nacionais.

A visita foi recebida pelo presidente da empresa, João Brasil Carvalho Leite, pelo vice-presidente de Operações, Almir Miguel Borges, pelo vice-presidente Financeiro, Rodrigo Rosa, pelo gerente-geral de vendas nacionais, Fernando Ikedo, pelo gerente de Desenvolvimento de Negócios, Virlei Alves da Silva e pelo supervisor de Gestão de Projetos, Rodrigo Gonçalves dos Santos.

Além do Comandante do Exército, estiveram presentes os Generais de Exército Marcos Amaro dos Santos, chefe do Estado-Maior do Exército (EME), Marco Antônio Freire Gomes, Comandante de Operações Terrestres (COTER), e Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, Comandante Militar do Sudeste (CMSE), entre outras autoridades.

 


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