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06 junho, 2026

O obuseiro na estante: o Exército escolheu, o governo não assina e a defesa segue precaríssima

Vencedor de licitação bilionária do Exército, o obuseiro autopropulsado da Elbit Systems segue sem contrato assinado. A Ares, subsidiária brasileira da empresa israelense, exibe uma maquete do sistema em suas instalações. Do lado de fora, o mundo está em guerra e o alto comando brasileiro reconhece: o país não tem defesa compatível com o que seria necessário

Maquete do obuseiro ATMOS na sede da Ares, já com a designação do EB: VBCOAP 155 mm SR (crédito: @Defence360 no X
)


*LRCA Defense Consulting - 06/06/2026

Nas instalações da Ares Aeroespacial e Defesa, no Rio de Janeiro, uma maquete do obuseiro ATMOS ocupa um lugar de destaque. O detalhe resume bem a situação do programa: a subsidiária brasileira da Elbit Systems está pronta para cumprir sua parte, os contratos de suporte logístico e transferência de tecnologia já foram desenhados, a licitação foi concluída, o Exército escolheu o vencedor. Falta apenas a assinatura.

Mais de dois anos após o início do processo formal de seleção e mais de um ano após a declaração de vencedor, o Exército Brasileiro ainda não contratou os 36 obuseiros autopropulsados de 155 mm sobre rodas (VBCOAP 155 mm SR) que o Programa Estratégico Forças Blindadas aguarda desde os primeiros estudos, iniciados em 2017. O motivo não é técnico. Não é jurídico. É político.

Um vencedor sem contrato
Em 29 de abril de 2024, o Comando Logístico do Exército (COLOG) divulgou o resultado do processo licitatório internacional RFP/RFT COLOG nº 01/2023, aberto em agosto de 2023. A vencedora foi a Elbit Systems Land Ltd, com o ATMOS 155 mm/52 calibres montado em chassi Tatra T-815 6×6. A empresa israelense superou três concorrentes: a tcheca Excalibur International (com o Zuzana 2, em segundo lugar), a francesa KNDS (CAESAR, em terceiro) e a chinesa Norinco (SH-15, em quarto). O sistema israelense atendeu a todos os requisitos absolutos estabelecidos pelo Exército e foi avaliado em quatro dimensões: técnica, comercial, suporte logístico integrado e offset.

A cerimônia de assinatura do contrato inicial, que previa a entrega de um lote de amostra com dois exemplares, estava marcada para 7 de maio de 2024. Não ocorreu. O Exército suspendeu o ato por 60 dias, alegando necessidade de revisão jurídica. Nos bastidores, a razão era outra: o conflito em Gaza e a resistência política de parte do governo Lula à formalização de um contrato bilionário com empresa israelense.

O presidente Lula, pressionado por parlamentares do PT, PDT, PSOL e PCdoB pela anulação de todos os contratos de defesa com Israel, acabou dando aval à compra. O argumento do Exército era objetivo: o ATMOS era a melhor proposta técnica e a mais vantajosa para o país em razão da transferência de tecnologia e da criação de empregos. Mas o contrato continuou suspenso. Em outubro de 2024, o ministro da Defesa, José Múcio, foi explícito ao admitir publicamente que o programa estava parado por questões ideológicas, citando a influência do assessor especial Celso Amorim.

Em dezembro de 2024, o Tribunal de Contas da União (TCU) rejeitou a medida cautelar interposta pela KNDS, que pedia a reavaliação do resultado. A decisão do TCU eliminou o último obstáculo formal. Mesmo assim, no início de 2026, o status do programa era descrito por analistas setoriais como o de um "adiamento não anunciado", sem data para assinatura do contrato.

A ToT que está na mesa 
A proposta da Elbit Systems não era apenas a venda de 36 viaturas. Incluía um conjunto estruturado de contrapartidas industriais que, se concretizadas, posicionariam o Brasil como fornecedor global de munições de 155 mm. São três frentes principais.

A primeira envolve a Indústria Brasileira de Material Bélico (IMBEL). A Elbit assinou um memorando de entendimento com a IMBEL para investimentos na Fábrica de Juiz de Fora, com o objetivo de ampliar a capacidade de produção de granadas e cargas de 155 mm e habilitar a fabricação de modelos mais modernos. Hoje, a IMBEL produz apenas a granada M107 de alto explosivo, modelo básico e sem certificação Otan, o que limita severamente seu potencial de exportação.

A segunda frente envolve a empresa brasileira CSD (Componentes e Sistemas de Defesa). A intenção declarada pela Elbit é transformar a CSD na principal fornecedora de munições para todos os sistemas ATMOS e SOLTAN em operação no mundo, incluindo munições de alcance estendido e guiadas. O projeto destacaria o Brasil como exportador de munições de artilharia de alta tecnologia para o mercado internacional.

A terceira frente é a montagem nacional. A proposta negociada com o Ministério da Defesa previa que 34 dos 36 obuseiros seriam integrados e montados no Brasil, utilizando as competências da AEL Sistemas (Porto Alegre) e da Ares Aeroespacial e Defesa (Rio de Janeiro), ambas subsidiárias brasileiras da Elbit. Os dois primeiros exemplares, do lote de amostra, seriam produzidos integralmente em Israel e enviados para avaliações técnica e operacional no Centro de Avaliações do Exército (CAEx).

O diretor comercial da Ares, Frederico Medella, confirmou que a empresa "possui vasta experiência na execução de contratos de suporte logístico e ToT com o Exército Brasileiro". A Ares tem histórico comprovado nessa modalidade, incluindo o contrato de US$ 100 milhões firmado em 2017 para o fornecimento de estações de armas remotamente controladas às Forças Armadas.

O offset formal, avaliado como critério classificatório na licitação, contemplava ainda o desenvolvimento de um simulador de treinamento de baixo custo, aproveitando a experiência da Ares na área. Somados, os elementos da proposta configuravam uma das transferências de tecnologia mais abrangentes já oferecidas ao Exército Brasileiro em um programa de artilharia. 

Obuseiro israelense ATMOS 2000 - vencedor da licitação do Exército Brasileiro

"Nós não temos defesa" 
O impasse em torno do ATMOS ocorre em paralelo a um debate cada vez mais urgente sobre a capacidade de defesa do Brasil. No último dia do Simpósio de Sistemas Não Tripulados da Força Terrestre (SSNTFT 2026), realizado em Brasília em 27 de maio de 2026, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, fez uma declaração que rompeu com décadas de discurso oficial. "No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça, incluindo nossa atuação constitucional e legal de auxiliar os Poderes da República na faixa de fronteira, que é uma preocupação enorme, muito vasta. Temos que estar olhando para ela", afirmou.

A declaração, feita diante do Alto Comando e de representantes da Base Industrial de Defesa (BID), reconhece oficialmente uma mudança estratégica no entorno regional. O general não especificou as fontes da ameaça, mas o contexto é conhecido: a crise venezuelana, a disputa por Essequibo, a presença crescente de crime organizado transnacional na faixa de fronteira e a instabilidade política em países vizinhos.

Poucos dias antes, em encontro reservado com representantes da BID em Brasília, o ministro da Defesa, José Múcio, havia feito um diagnóstico ainda mais contundente. "A Defesa é precaríssima. A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa. Muita gente pensa que nós temos como nos defender; nós não temos", declarou o ministro, segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo. Múcio citou como exemplo a mobilização militar realizada quando a Venezuela ameaçou avançar sobre a região de Essequibo, território disputado com a Guiana, e reforçou a necessidade de elevar os investimentos em Defesa para pelo menos 2% do PIB, contra pouco mais de 1% hoje.

O mesmo ministro que reconhece publicamente a fragilidade da defesa brasileira é o responsável por viabilizar, no plano político, a assinatura do contrato do ATMOS. A contradição não passou despercebida no setor.

Um mundo armado, um calendário que escapa 
O contexto internacional que cerca o impasse é o mais desfavorável possível para o adiamento de decisões de defesa. A guerra na Ucrânia demonstrou que o apoio de fogo de artilharia continua sendo o eixo central do combate terrestre de alta intensidade e que a autonomia industrial em munições é condição de sobrevivência operacional. O conflito no Oriente Médio, a tensão entre Estados Unidos e Irã e o rearmamento acelerado de potências médias e grandes reforçam a percepção, expressa pelo próprio ministro Múcio, de que "todo mundo está armado".

O ATMOS, ironicamente, é um produto com histórico de combate exatamente nessas regiões. Utilizado em operações no Oriente Médio, o sistema acumula registros operacionais que orientaram parte dos requisitos técnicos fixados pelo Exército Brasileiro. A escolha pelo chassi Tatra T-815 6×6, o mesmo utilizado pelo sistema de foguetes ASTROS II MK nas versões mais recentes, foi um elemento adicional de padronização logística que pesou na avaliação.

O cronograma original previa a entrega dos dois exemplares do lote de amostra no segundo trimestre de 2025, a partir da assinatura do contrato inicial ainda em 2024. Aprovados os exemplares, o COLOG assinaria o contrato principal para as 34 unidades restantes, com entregas anuais até 2034. Cada mês de atraso comprime esse horizonte e encarece o programa.

Do lado da Ares, a maquete na parede continua esperando. A subsidiária brasileira da Elbit é o elo local de uma cadeia que, para ganhar vida, depende de uma decisão que está menos no plano técnico do que no plano da vontade política.

O que está em jogo além do obuseiro 
O atraso no ATMOS não é um caso isolado. Insere-se num padrão mais amplo de programas estratégicos do Exército que dependem de importação e que encontram resistências de diferentes origens. O contingenciamento de R$ 4,363 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa, o maior corte nominal entre os ministérios no exercício de 2025, colocou em risco simultâneo o submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto, as fragatas Classe Tamandaré, os caças Gripen NG da FAB, as aeronaves KC-390 e os programas de sistemas terrestres.

No setor de munições, o quadro é sintomático: em janeiro de 2025, o Exército Brasileiro emitiu, por meio de sua comissão em Washington, um pedido de informações (RFI-0159/2025) para a aquisição de munições de 105 mm e 155 mm no exterior. O país que quer ser exportador de granadas de alcance estendido ainda busca no mercado internacional as munições básicas para operar seus obuseiros existentes.

Para a BID brasileira, a equação é conhecida: sem contratos, não há escala; sem escala, não há transferência de tecnologia que se sustente. A ToT prevista no contrato do ATMOS, que incluiria a modernização da IMBEL e a transformação da CSD em fornecedora global, só se materializa se o contrato existir. Enquanto a maquete fica na parede da Ares, o potencial industrial associado ao programa permanece no papel.

11 setembro, 2024

Brasil 'bloqueia' compra de 36 obuseiros israelenses ATMOS 2000

Obuseiro israelense ATMOS 2000 - vencedor da licitação do Exército Brasileiro

*Bulgarian Military, por Boyko Nikolov - 10/09/2024 (atualizado às 14h45)

Fontes relatam que, quatro meses após o prazo, o Brasil ainda precisa informar a Elbit Systems de Israel se prosseguirá com a compra de 36 obuseiros autopropulsados ​​ATMOS 2000. Vamos nos aprofundar no contexto e na situação atual.

Em maio, o Exército Brasileiro, conhecido como Exército Brasileiro, revelou seu plano de comprar trinta e seis obuseiros autopropulsados ​​ATMOS 2000 da Elbit Systems, sediada em Israel. Esta decisão veio sob o programa VBCOAP [Viatura Blindada de Combate Obus Autopropulsada] após um processo de licitação. Competindo pelo contrato estavam a KNDS France com o CAESAr, a eslovaca Konštrukta Defense, a tcheca Excalibur's Zuzana 2 8×8 e a chinesa NORINCO com o SH15 6×6.

A Elbit Systems foi inicialmente encarregada de entregar dois ATMOS 2000s em doze meses para facilitar as avaliações técnicas e operacionais pelo Exército Brasileiro. Após avaliações bem-sucedidas, um “contrato mestre” seria emitido para trinta e quatro unidades adicionais. O valor total do contrato foi estimado em 180 milhões de euros, equivalente a 1 bilhão de reais.

Apesar das relações diplomáticas aparentemente complexas entre Brasil e Israel, o Exército Brasileiro garantiu que a opção pelo ATMOS 2000 não prejudicaria a execução do contrato.

Logo após o anúncio, no entanto, o Ministério da Defesa do Brasil optou por interromper a aquisição, adiando a assinatura do contrato por no máximo sessenta dias para conduzir uma revisão legal necessária das recentes mudanças no processo de licitação.

No entanto, quatro meses se passaram sem um contrato. Conforme relatado pela Defensa , o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva pode se opor à compra do ATMOS 2000. Seguindo o conselho de Celso Amorim, seu conselheiro diplomático e ex-ministro das Relações Exteriores, o presidente Lula está considerando conceder o contrato à Excalibur/Konštrukta Defense.

Obuseiro eslovaco Zuzana 2 8X8, um dos 4 finalistas do projeto VBCOAP 155mm SR do EB

As razões por trás do atraso do Brasil em assinar o acordo com Israel ainda não estão claras, mas vale destacar a recente desaceleração nas relações diplomáticas.

As relações entre o Brasil e Israel azedaram recentemente, motivadas por desacordos políticos e diplomáticos sobre o conflito palestino-israelense. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que tem uma postura de esquerda, tem sido vocal em suas críticas às ações israelenses em Gaza. Ele condenou ataques militares de Israel durante as escaladas com o Hamas e demonstrou apoio à autodeterminação palestina.

Em resposta, Israel percebe a retórica do Brasil como tendenciosa e excessivamente favorável ao lado palestino, levando a interações diplomáticas tensas. Além disso, a administração de Lula se alinhou com outras nações na exigência de um cessar-fogo e a cessação dos assentamentos israelenses, tensionando ainda mais as relações com Israel.

As tensões aumentaram em 2023 quando o Brasil chamou de volta seu embaixador em Israel, reagindo à intensificação do conflito em Gaza. Israel interpretou esse movimento como uma grande ofensa diplomática. Do lado israelense, as políticas de linha dura do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em relação a Gaza e à Cisjordânia contrastam fortemente com a postura mais equilibrada e frequentemente pró-palestina do Brasil.

Essas tensões diplomáticas refletem fissuras ideológicas mais profundas. A liderança do Brasil se concentra em direitos humanos e diplomacia multilateral, enquanto Israel prioriza a segurança nacional e a defesa contra o terrorismo. Essa divergência inevitavelmente causa atrito entre as duas nações.

No entanto, o Ministro da Defesa do Brasil, José Múcio, destacou que não há “nenhuma razão técnica” para reconsiderar a seleção pelo Exército Brasileiro. Além disso, ele alertou que abandonar a decisão em favor de outra opção estabeleceria um “precedente perigoso”, potencialmente minando a integridade dos processos de seleção e aquisição.

Se o Brasil decidir cancelar sua compra de 36 obuseiros autopropulsados ​​ATMOS 2000 da Elbit Systems de Israel, o impacto em sua indústria de defesa doméstica seria profundo. O setor de defesa brasileiro depende de parcerias internacionais para obter a mais recente tecnologia militar, e o ATMOS 2000 está entre os sistemas de artilharia mais avançados disponíveis.

Tal cancelamento significaria perder transferências tecnológicas vitais que poderiam reforçar as capacidades de fabricação de defesa do Brasil. Empresas como a Elbit Systems frequentemente fornecem oportunidades para compartilhamento de tecnologia e produção colaborativa, o que beneficia significativamente fornecedores e fabricantes locais.

Sem essa aquisição, os militares do Brasil podem perder uma chance crítica de aprimorar suas forças de artilharia com sistemas móveis de última geração, essenciais para a guerra moderna. Esse déficit pode fazer com que o setor de defesa do Brasil fique para trás de seus equivalentes globais.

Em segundo lugar, uma lacuna nas capacidades de artilharia prejudicaria os esforços mais amplos de modernização da defesa do Brasil. O ATMOS 2000, com sua mobilidade e poder de fogo superiores, visa substituir sistemas desatualizados e menos eficazes atualmente no arsenal do Brasil. Desistir dessa compra pode impedir a modernização do Exército Brasileiro, tornando-o menos capaz de lidar com ameaças emergentes ou participar efetivamente de missões internacionais de manutenção da paz. Sem armamento atualizado, a prontidão do Brasil para a cooperação regional de defesa — uma parte fundamental de seu planejamento estratégico de defesa — também sofreria.

Por fim, a indústria de defesa local pode perder a criação de empregos, contratos e oportunidades de crescimento econômico. O Brasil frequentemente garante acordos de produção ou montagem local com grandes compras de defesa, integrando empresas nacionais na produção ou manutenção desses sistemas.

Cancelar esse acordo pode significar contratos perdidos para empresas locais que estavam programadas para colaborar com a Elbit Systems na fabricação de peças, manutenção e atualizações futuras. Isso também tornaria o Brasil menos atraente para outros contratantes estrangeiros de defesa, que poderiam então ver o país como um mercado menos confiável. Consequentemente, oportunidades futuras de crescimento dentro da indústria de defesa do Brasil podem ser severamente limitadas.
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Salvamento da Avibras estaria por trás do bloqueio aos obuseiros israelenses?

*LRCA Defense Consulting - 10/09/2024

Sobre o "bloqueio ideológico" aos obuseiros israelenses ATMOS 2000, há a possibilidade de o governo estar considerando correr o grave risco de corromper uma licitação internacional já terminada e redirecionar o contrato para a empresa tcheca Excalibur International, que representou o sistema de artilharia eslovaco Zuzana 2, um dos quatro finalistas do certame.

O motivo seria o salvamento da Avibras, haja vista que a empresa tcheca e a brasileira trabalhariam em conjunto para produzir o obuseiro no Brasil.



07 março, 2024

Brasil seleciona candidatos para o futuro veículo autopropulsado de artilharia 155mm


*Army Recognition - 07/03/2024

O Exército Brasileiro, por meio de seu Comando Logístico (COLOG), revelou os candidatos ao seu projeto de Veículo Blindado de Combate Obuseiro Autopropulsado com Rodas (VBCOAP SR 155). Este anúncio destaca os candidatos que atendem aos critérios detalhados especificados na licitação do projeto. Os modelos ainda em disputa incluem o chinês SH15, o israelense ATMOS, o francês CESAR e o tcheco Zuzana 2.

As especificações técnicas exigidas para futuros VBCOAP incluem um obus padrão da OTAN de 155 mm como armamento primário, capaz de disparar munições padrão e especializadas. A peça de artilharia deve ter comprimento mínimo de cano de 52 calibres e vida útil inferior a 2.000 tiros em carga máxima, com alcance de tiro superior a 500 quilômetros. Além disso, o sistema deve permitir ataques de precisão com um desvio inferior a 80 metros para munições padrão e inferior a 120 metros para projéteis assistidos a distâncias de 20 quilômetros e 30 quilômetros, respectivamente. Estes veículos também devem ser capazes de armazenar e transportar pelo menos 16 cargas completas.

Um dos principais requisitos para estes veículos de artilharia é a sua capacidade de desdobrar e retrair rapidamente. O VBCOAP deve estar pronto para mirar e atirar dentro de três minutos após o posicionamento e deixar sua posição em menos de dois minutos após o disparo. Também são necessárias a inclusão de um mecanismo de carregamento semiautomático e a capacidade de manter uma taxa de disparo de pelo menos quatro tiros por minuto.

A pré-seleção destaca quatro modelos notáveis ​​de vários fabricantes internacionais. 

SH15 6×6
A North Industries Corporation (Norinco) oferece seu SH15 6×6, rodando em um chassi Shaanxi 6×6 e equipado com um obus AH-2 155 mm/L52 de 155 mm. Este modelo é capaz de usar munição de 155 mm padrão da OTAN e munições desenvolvidas pela Norinco, oferecendo um alcance máximo de até 53 quilômetros com munição V-LAP assistida por foguete. Desde a sua introdução em 2017, o SH15 foi integrado no exército chinês e exportado para a Etiópia e o Paquistão.

ATMOS 6×6
A Elbit Systems Land Ltd. apresenta o ATMOS 6×6, um obuseiro montado em caminhão de 155 mm e calibre 52, conhecido por seu poder de fogo superior, mobilidade e tempo de resposta rápido. O ATMOS pode ser montado em diversas configurações de chassi e integra-se facilmente aos sistemas de comando e controle existentes. Possui um sistema automatizado de mira e carregamento e atinge um alcance efetivo de 30 a 41 quilômetros.

CESAR 6×6
A Nexter Systems concorre com  o CESAR 6×6, um obus autopropulsado equipado com sistema de carregamento de munição totalmente automatizado. A versão CAESAR MkII se beneficia de inúmeras melhorias, incluindo um novo chassis, transmissão automática e um potente motor de 460 cavalos. Oferece proteção abrangente contra diversas ameaças e mantém uma taxa de disparo de seis tiros por minuto em distâncias superiores a 40 quilômetros.

Zuzana 28×8
Finalmente, a Excalibur International oferece o Zuzana 28×8, que se destaca pelo sistema de carregamento automático e capacidade de conduzir eficazmente fogos diretos e indiretos. Baseado em um chassi de caminhão TATRA, ele se concentra na precisão de longo alcance, configuração rápida e mobilidade superior em diferentes terrenos. O Zuzana 2 pode atingir velocidades de até 90 km/h em estradas e tem um alcance significativo, capaz de atingir alvos a mais de 40 quilômetros de distância com munição de alcance estendido ou mais de 50 quilômetros com munição de velocidade aprimorada pelo VLAP.

 

28 setembro, 2023

Exército Brasileiro estaria interessado em 40 obuseiros 155mm autopropulsados sobre rodas indianos


*LRCA Defense Consulting - 28/09/2023

O portal indiano Indian Defence Research Wing (IDRW) noticiou hoje que o Chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, General Fernando José Santana Soares e Silva, está atualmente na Índia para participar da Conferência de Chefes dos Exércitos Indo-Pacífico (IPACC), em Nova Delhi. Durante sua visita, ele teve a oportunidade de inspecionar obuseiros de artilharia indianos, especificamente o obuseiro de artilharia Dhanush calibre 155 mm/52 desenvolvido pelo OFB e o ATAGS (Advanced Towed Artillery Gun System) desenvolvido pelo DRDO.

Segundo o IDRW, após um exame minucioso, o General Soares e Silva confirmou o interesse do Brasil em adquirir pelo menos 40 obuseiros de artilharia da Índia na primeira fase, com possibilidade de adquirir mais nas etapas subsequentes. Ele enfatizou que as armas de artilharia desenvolvidas e produzidas na Índia não são apenas competitivas em preço, mas também conhecidas pela sua construção de alta qualidade.

O portal prossegue informando que esta mudança ocorre depois que o Exército Brasileiro divulgou recentemente um pedido de proposta (RFP) e um pedido de licitação (RFT) para um sistema de artilharia autopropulsada com rodas de 155 mm, marcando um passo significativo na substituição de seus antigos obuseiros M114A1.

Finalizando a matéria, a fonte afirma que as ofertas de armas de artilharia da Índia incluem variantes das armas montadas em caminhões Dhanush e ATAGS, que também podem ser consideradas para testes antes de finalizar o acordo de aquisição. Esta colaboração potencial reflete a crescente reputação da Índia como fornecedor confiável de equipamento militar no cenário global.

10 setembro, 2023

Brasil irá adquirir obuseiros montados em veículos táticos. Parceria entre Avibras e Nexter?

Elbit Systems de Israel lançou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro.

*Noticias de Israel - 10/09/2023

O Brasil  avança em sua modernização militar, concentrando seus esforços na aquisição de obuseiros de última geração montados em veículos táticos.

Objetivos Estratégicos da Atualização da Artilharia Brasileira

A força terrestre brasileira, na tentativa de aprimorar significativamente suas capacidades táticas, busca adquirir sistemas avançados de artilharia montados em chassis de veículos. Esta iniciativa está alinhada com o  Programa “VBCOAP 155 mm SR” , cujo núcleo é o fortalecimento das capacidades armamentistas nacionais. Esses sistemas substituirão os obuseiros M114A1, melhorando a mobilidade e a versatilidade de combate das unidades de artilharia.

Obuseiro autopropulsado CAESAR 8×8 do Exército Real Dinamarquês (SPH)

O gatilho para este projeto remonta a janeiro de 2022, quando foi mencionado pela primeira vez no portal “ InfoDefensa ”. O plano é adquirir dois sistemas de avaliação, visando ampliar a frota em mais trinta e quatro unidades.

Esta evolução da frota de artilharia procura dotar as forças armadas de mais meios móveis e de maior alcance de fogo, contrastando com os atuais sistemas rebocados e facilitando as operações em articulação com forças mecanizadas.

Comparação com sistemas de artilharia pré-existentes
Em contraste com os obuses autopropelidos sobre esteiras M109A3 e M109A5+, esses obuses táticos montados em veículos oferecem maior mobilidade e implantação rápida. Seu design permite operações estendidas em rodovias e minimiza necessidades de logística e manutenção.

Além disso, esses sistemas devem ser compatíveis com munições calibre 155 mm e oferecer alcance operacional de até 40 km, conforme especificações técnicas ditadas pelo Exército Brasileiro.

As principais empresas de defesa já demonstraram interesse em atender esta demanda, apresentando propostas tecnologicamente avançadas testadas em situações de combate.

Propostas e Alternativas para o Exército Brasileiro

A Elbit Systems  de Israel apresentou o ATMOS 2000, um obuseiro de 155 mm/52 montado em um chassi 6x6, incorporando sistemas automatizados de carregamento e direção de tiro. Com uma cadência de tiro que varia entre quatro e nove tiros por minuto, esta plataforma já foi adotada por diversas forças em todo o mundo, incluindo o exército colombiano.

Por seu lado, o  francês Nexter CAESAR  surge como uma opção robusta e versátil, adequada para ser integrada tanto em chassis 6×6 como 8×8. 

Surgiram rumores sobre uma possível aliança entre a empresa brasileira AVIBRAS e Nexter, que permitiria adaptar o chassi utilizado pelo sistema lançador de foguetes Astros Mk6, já em operação no Brasil.

Se este acordo for finalizado, a Nexter fornecerá os principais componentes do CAESAR, enquanto a AVIBRAS ficará responsável pela integração e adaptação aos chassis nacionais.

ASTROS III Sistema autopropelido de mísseis e lançamento de foguetes. (Foto Avibras)

Especificações CAESAR e seu papel potencial no Brasil
O CAESAR já provou seu valor em diversos teatros operacionais e sua versatilidade ao se adaptar a diferentes plataformas veiculares. Projetado para uma tripulação de cinco pessoas, possui sistemas avançados de navegação, assistência de carregamento, posicionamento automatizado e tempos de preparação e viagem altamente eficientes.

Seu canhão calibre 52 permite um alcance de até 42 km com munição ERFB e até 50 km com projéteis assistidos por propelente.

A escolha do Brasil pela artilharia montada em veículos reflete uma tendência global, já que inúmeras forças armadas estão optando por essas soluções devido à sua versatilidade e capacidade de resposta.

21 agosto, 2022

Brasil busca obuseiro autopropulsado de 155mm; CAESAR da Nexter, Archer da BAE e ATMOS da Elbit se destacam

CAESAR self-propelled howitzer [SPH - obuseiro autopropulsado]

*BulgarianMilitary.com - 21/08/2022

Pouco mais de um ano após o anúncio da diretriz para iniciar o projeto Veículo Autopropulsado de Combate com Rodas 155 mm, em julho de 2021, o Comando Logístico do Exército Brasileiro deu mais um importante passo neste programa, anunciando publicamente o lançamento do RFI/RFQ em 15 de agosto.

Este documento e seus dois anexos destinam-se a permitir legalmente a aquisição, por licitação internacional, de 36 obuseiros autopropulsados ​​de 155 mm [SPH: self-propelled howitzer - obuseiro autopropulsado].

Essa quantidade seria suficiente para três grupos de Artilharia Divisionária [AD] ou brigadas mecanizadas atualmente em processo de rearmamento pelo Programa Estratégico Guarani, que permite a destruição de alvos a distâncias de até quarenta quilômetros por meio de armas convencionais e/ou munições inteligentes com capacidade de alcance estendido.

Como parte do EEP Guaraní, esta iniciativa conta ainda com o apoio do Subprograma Estratégico do Sistema de Artilharia de Campanha [SPrg EE SAC] do Programa Estratégico para Alcançar a Capacidade Operacional Plena [OCOP].

Archer self-propelled howitzer

Consulta pública
A consulta pública ou “pedido de licitação” está marcada para o período entre os dias 17 de agosto e 10 de novembro, para consultar o mercado nacional e internacional sobre a capacidade de entrega de sistemas de armas para o projeto Veículo de Combate Blindado Autopropulsado 155mm Sobre Rodas [VBCOAP 155mm SR].

O objetivo da consulta 01/2022 é refinar e esclarecer as descrições contidas nos requisitos operacionais [EB20-RO-04.021] e os requisitos técnicos, logísticos e industriais [EB20-RTLI-04.010] aprovados em abril deste ano, e realizar uma pesquisa abrangente de preços.

Esse processo resultará em dois contratos, um para a compra de duas unidades para teste e avaliação, e o segundo para definir a compra de mais 34 unidades em um prazo de entrega de até oito anos.

Cooperação industrial
Entre os requisitos a serem atendidos com esta compra está o de fabricar sua munição de 155mm no Brasil, com ToT [transferência de tecnologia] para munições guiadas inteligentes e sistemas correlatos, algo considerado essencial, bem como a integração da arma com a plataforma de rodas no Brasil, em um caminhão militar tipo 6×6 ou 8×8, até um limite máximo de 21 toneladas para o conjunto completo, ou seja, teoricamente transportável pelas aeronaves Hercules C-130 ou KC-390 Millennium.

ATMOS self-propelled howitzer

Os contratos também devem prever as ações necessárias para possibilitar o treinamento de pessoal de operação e manutenção, a adequação/construção de infraestrutura para esse tipo de material novo para os militares e a pesquisa e criação de doutrina com vistas ao uso destes obuseiros por pelo menos 25 anos.

Três se destacam
Nos últimos 10 anos, diversos fabricantes, percebendo o desejo brasileiro por este sistema, ofereceram seus produtos aos militares brasileiros.

Três deles se destacam: o francês CAESAR (CAmion Équipé d'un Système d'ARtillerie), do KNDS [Nexter Systems], apresentado no Brasil em parceria com a Avibras Aeroespacial e Defesa; o israelense ATMOS, da Elbit Systems, apresentado aos militares em conjunto com a Ares Aeroespacial e Defesa; e o britânico-sueco Archer, da BAE Systems.

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