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23 setembro, 2026

Tulpar avança na avaliação do Exército após demonstração de tiro na Itália

Delegação chefiada pelo Vice-Chefe do EME acompanhou a mobilidade e os disparos do blindado com canhão de 120 mm, novo sinal do interesse brasileiro pela proposta turca




*LRCA Defense Consulting - 23/09/2026 (atualizado às 15h22)

O processo brasileiro de escolha da nova família de blindados sobre lagartas ganhou um dado relevante: uma delegação do Exército Brasileiro, liderada pelo Vice-Chefe do Estado-Maior do Exército, general de divisão Eduardo Tavares Martins, acompanhou na Itália uma demonstração de mobilidade e tiro real do Tulpar equipado com a torre HITFACT MkII de 120 mm. A presença de representantes do EME na campanha mostra que o interesse pelo veículo turco avançou além das apresentações comerciais e das visitas institucionais realizadas anteriormente.

Demonstração no campo de provas italiano 
A demonstração acompanhada pela delegação brasileira foi realizada em 23 de setembro de 2026 no UTTAT de Nettuno, organização do Ministério da Defesa da Itália dedicada à avaliação de armamentos terrestres, nas proximidades de Roma. A atividade incluiu a mobilidade do Tulpar e tiro real com a torre HITFACT MkII de 120 mm. A data foi divulgada no mesmo dia pela revista Tecnologia & Defesa, juntamente com uma fotografia dos militares brasileiros diante do blindado.

A demonstração de 23 de setembro não deve ser confundida com a campanha técnica de integração e certificação concluída anteriormente pela Otokar e pela Leonardo e anunciada oficialmente em 18 de setembro. Essa campanha, também realizada no UTTAT de Nettuno, incluiu disparos com o veículo parado e em movimento e validou as interfaces mecânicas, elétricas, eletrônicas e digitais entre a plataforma e a torre. Segundo as empresas, o sistema de armas, o controle de tiro, a estabilização e a funcionalidade geral atingiram os objetivos planejados. Não foram divulgados o número de disparos, os tipos de munição empregados nem os resultados quantitativos obtidos.


A presença brasileira muda a dimensão da notícia 
Quando a conclusão da campanha técnica foi anunciada, em 18 de setembro, a Otokar e a Leonardo não informaram a presença de militares brasileiros. A demonstração promovida cinco dias depois mostra que o Exército não acompanhava o desenvolvimento apenas a distância. Uma delegação chefiada pelo Vice-Chefe do EME observou diretamente o comportamento da configuração oferecida ao País.

Isso não significa que os disparos constituíram uma avaliação oficial comparativa organizada pelo EB, nem que o veículo tenha sido homologado ou selecionado. A presença do EME, contudo, proporciona à Força dados próprios e impressões diretas sobre a mobilidade, o recuo do armamento, a estabilidade da plataforma e o funcionamento conjunto da torre com o chassi.

Uma sequência de aproximações de alto nível 
A demonstração integra uma sequência de contatos que evidencia a atenção dedicada ao Tulpar. Em 31 de outubro de 2025, o comandante do Exército, general Tomás Paiva, visitou as instalações da Otokar na Türkiye. Em abril de 2026, uma delegação liderada pelo Chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Junior, conheceu as instalações da empresa e acompanhou a apresentação das versões do Tulpar destinadas às funções de carro de combate e veículo de combate de fuzileiros. Essa atividade ocorreu na Turquia e foi distinta da demonstração realizada em 23 de setembro, na Itália, com a presença do Vice-Chefe do EME.

Posteriormente, uma delegação liderada pelo chefe do Centro de Doutrina do Exército, general Diógenes de Souza Gomes, voltou a examinar a proposta durante a Eurosatory 2026. Dessa forma, o veículo já foi apresentado aos níveis de comando, planejamento estratégico, gestão de projetos e formulação doutrinária da Força Terrestre.


Os argumentos da proposta
O Tulpar participa da seleção para a Nova Família de Veículos Blindados sobre Lagartas, ao lado do CV90, do Lynx e do ASCOD. A proposta da Otokar abrange uma configuração Medium Tank com a HITFACT MkII de 120 mm para a VBC CC e uma versão de combate de infantaria com armamento de 30 mm para a VBC Fuz.

Entre os principais argumentos favoráveis estão a arquitetura modular, a faixa de peso de aproximadamente 28 a 45 toneladas, a possibilidade de utilizar um mesmo chassi para diferentes funções e a disposição da Otokar de discutir produção local e transferência de tecnologia. A massa inferior à dos carros de combate pesados também pode favorecer a mobilidade estratégica em um País com limitações de pontes, estradas e transporte ferroviário.

Outro ponto importante é a comunalidade da HITFACT MkII com a torre adotada no Centauro II BR. Embora as configurações não sejam necessariamente idênticas, a utilização da mesma família de sistemas pode reduzir custos de capacitação, manutenção, munição e apoio logístico.

Avanço real, mas preferência ainda não confirmada 
A sucessão de visitas e a presença de uma delegação do EME nos disparos indicam que o Tulpar se encontra entre as propostas estudadas com maior profundidade. O acompanhamento de uma demonstração de tiro é um sinal mais expressivo do que a visita a um estande ou a observação de um protótipo parado, pois permite conhecer o sistema em funcionamento.

Ainda assim, não há anúncio do Exército que estabeleça uma ordem de preferência entre os quatro finalistas. Para afirmar que o Tulpar lidera a disputa, seriam necessários elementos como avaliações comparativas conduzidas pela Força, solicitação final de propostas, testes no Brasil ou abertura de negociação exclusiva. Até que isso ocorra, a conclusão mais segura é que o blindado turco avançou de forma concreta na avaliação brasileira e consolidou-se como um candidato relevante, sem que haja decisão conhecida sobre o vencedor.

18 setembro, 2026

Otokar e Leonardo concluem testes de tiro do blindado turco Tulpar com torre de 120 mm

Campanha valida a integração do veículo sobre lagartas com a HITFACT MkII; configuração é apresentada como opção para projetos de blindados brasileiros 



*LRCA Defense Consulting - 18/09/2026

A turca Otokar anunciou que concluiu, em parceria com a italiana Leonardo, a integração e os testes de tiro real do Tulpar Medium Tank equipado com a torre HITFACT MkII de 120 mm. Segundo a empresa, o conjunto atingiu todos os objetivos previstos para a campanha, inclusive os relacionados ao sistema de armas, ao controle de tiro e à estabilização. O anúncio marca uma nova etapa de desenvolvimento para uma configuração já exibida ao mercado e associada a ofertas de blindados ao Brasil.

O que foi demonstrado 
Na publicação divulgada em sua página oficial, a Otokar afirma que os ensaios verificaram a integração entre a plataforma e a torre, a interoperabilidade dos sistemas e sua funcionalidade geral. A empresa apresenta o resultado como demonstração de prontidão da solução e da flexibilidade da arquitetura modular do Tulpar. O comunicado não informa onde e quando ocorreram os disparos, quantos tiros foram efetuados, quais munições foram utilizadas nem os parâmetros quantitativos de desempenho.

A HITFACT MkII pode receber canhão de alma lisa de 120/45 mm ou canhão raiado de 105/52 mm, conforme a configuração. De acordo com a Leonardo, a torre dispõe de arquitetura digital e pode ser instalada em plataformas sobre rodas ou lagartas. A fabricante informa ainda que há opções de carregamento manual ou automático e compartimento de munição separado da tripulação. Esses dados descrevem a família de torres e não permitem concluir, por si, quais opções equipavam o exemplar submetido aos testes. 


O interesse brasileiro 
O Brazil Defense Brief relacionou o Tulpar com torre de 120 mm às propostas para a futura viatura blindada de combate carro de combate (VBC CC) do Exército e para a renovação de carros de combate do Corpo de Fuzileiros Navais. A publicação também menciona a oferta de uma variante de combate de infantaria do Tulpar ao projeto VBC Fuz. São aplicações diferentes de uma família de veículos: os ensaios anunciados agora dizem respeito especificamente à configuração com a torre HITFACT MkII de 120 mm.

A Otokar não cita clientes brasileiros em seu comunicado sobre os testes. Tampouco informa que eles foram conduzidos sob supervisão das Forças Armadas do Brasil. Assim, a conclusão da campanha industrial fortalece a demonstração técnica da proposta, mas não representa seleção do veículo, homologação brasileira ou compromisso de aquisição.

O passo seguinte 
Para as duas fabricantes, a passagem da apresentação pública do conjunto para disparos com o sistema integrado oferece um argumento técnico adicional em futuras disputas. Para avaliar seu peso nos programas brasileiros, ainda serão decisivos os requisitos oficiais, a proteção e a mobilidade exigidas, a logística, as condições de transferência de tecnologia e, sobretudo, os resultados de eventuais avaliações conduzidas pelas próprias Forças. A Otokar diz que pretende explorar novas oportunidades de cooperação com a Leonardo, sem anunciar encomendas decorrentes desses testes.

18 junho, 2026

CBC e Leonardo assinam acordo de munições de 30 mm na Eurosatory 2026

 

*
LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

Durante a Eurosatory 2026, em Paris, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) e a italiana Leonardo assinaram um framework agreement (acordo-quadro) para a produção conjunta de cartuchos de 30 mm. O documento foi firmado por Fabio Mazzaro, CEO da CBC, e Luca Perazzo, diretor de sistemas de defesa na Leonardo, e confirmado oficialmente pelas duas empresas em publicação conjunta no LinkedIn da página Leonardo Electronics.

Munições de 30 mm com espoleta programável
Pelos termos do acordo, as duas empresas vão colaborar na produção de cartuchos nos calibres 30x113 mm e 30x173 mm. O diferencial técnico está na integração desses cartuchos com a nova espoleta de proximidade multifuncional programável da Leonardo, que permite três modos de operação: detonação por proximidade com autodestruição programada, modo tempo (também chamado de airburst) e impacto instantâneo.

Essa espoleta foi projetada para equipar duas famílias de sistemas de armas da Leonardo voltadas ao combate a drones (contramedidas C-UAS, sigla em inglês para sistemas aéreos não tripulados): a torre Hitfist, em suas versões tripulada e não tripulada (incluindo a nova Hitfist 30 UL, Uncrewed Light), equipada com o canhão X-GUN de 30x173 mm; e o sistema Hitrole C-UAS, equipado com o canhão Blaze de 30x113 mm. Ambos os sistemas são descritos pela Leonardo como isentos de restrições ITAR, um detalhe comercial relevante para a exportação a países fora do guarda-chuva de controle de armamentos dos Estados Unidos.

Segundo a nota conjunta, a nova munição amplia a capacidade da Leonardo de oferecer ao mercado um conjunto de armas antidrone capaz de cobrir toda a cadeia de engajamento (detecção, identificação e neutralização), reforçando também sua posição geral no setor de munições. A empresa italiana já figura entre as líderes mundiais em munições de 76 mm, 127 mm e 155 mm, e desenvolve atualmente soluções em 120 mm.

Mais um item na lista de acordos da CBC na feira
O acordo com a Leonardo não foi a única movimentação da CBC na Eurosatory 2026. A empresa, que completa cem anos em 2026, também assinou um strategic alliance agreement com a americana Paligen Technologies, voltado a oportunidades conjuntas no setor de munição de calibre médio, com foco inicial em programas do governo dos Estados Unidos; e fechou os termos comerciais principais de uma colaboração com a Shell Shock Technologies, fabricante da tecnologia de estojo híbrido NAS3, para industrializar e comercializar globalmente essa tecnologia em calibres como 5,56x45 mm, 7,62x51 mm, .277 Fury, .338 Lapua, .50 BMG e 9 mm.

O padrão sugere uma estratégia deliberada de usar a feira parisiense para multiplicar alianças setoriais, no momento em que a CBC Global Ammunition (holding que reúne CBC Brasil, Magtech, nos Estados Unidos, MEN, na Alemanha, e operações na Bélgica) soma mais de três mil funcionários e produz acima de dois bilhões de cartuchos por ano. O grupo também mantém participações estratégicas na New Lachaussée e na Fritz Werner, fabricantes de equipamentos e linhas de produção para a indústria de munições, além de participação de 19,52% no Colt CZ Group.

O que o acordo significa para o Brasil
Para a base industrial de defesa brasileira, o episódio tem um valor simbólico que vai além do calibre 30 mm. A CBC, Empresa Estratégica de Defesa e principal fornecedora das Forças Armadas e dos órgãos de segurança brasileiros, aparece como parceira direta de uma das maiores prime contractors europeias justamente em uma frente tecnológica sensível: munição com espoleta programável para combate a drones, área em que a demanda global cresce de forma acelerada.

Vale uma ressalva editorial: o comunicado conjunto não detalha onde a produção efetivamente ocorrerá, nem se a tecnologia da espoleta programável será transferida para alguma planta brasileira da CBC. O texto fala em atender à crescente demanda internacional por munição de calibre médio e em reforçar capacidade industrial, capacidade de resposta e segurança de fornecimento das duas empresas; uma linguagem compatível tanto com produção centralizada na Itália quanto com algum grau de produção ou montagem distribuída entre as plantas da CBC (Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Bélgica). Até a publicação desta reportagem, não há confirmação pública de transferência de tecnologia (ToT) especificamente para o Brasil.

Ainda assim, o acordo se insere em um momento particular do debate sobre defesa antidrone no país. Como já tratamos em reportagens anteriores, o Exército brasileiro vem reconhecendo lacunas na capacidade de detectar e abater drones de baixa assinatura, evidenciadas, por exemplo, nas dificuldades enfrentadas pelos Gepard 1A2 durante a Operação Punhos de Aço 2025. Embora o acordo CBC-Leonardo trate de munição e não de sistemas de armas completos, ele mostra que o mercado internacional de calibre médio está se movendo rapidamente para incorporar espoletas programáveis dedicadas a esse tipo de ameaça; uma tendência que tende a pressionar também as discussões sobre modernização da defesa antiaérea de curto alcance no Brasil.

Outro ponto relevante é o caráter ITAR-free dos sistemas de arma aos quais a nova munição se destina. Para compradores fora do círculo de aliados próximos dos Estados Unidos (incluindo o próprio Brasil, em determinados contextos de exportação), sistemas livres de restrições ITAR costumam ser comercialmente mais atrativos, o que pode ampliar o mercado potencial tanto para a Leonardo quanto, indiretamente, para a CBC como fornecedora de munição.

Por fim, o acordo se soma a uma sequência recente de aproximações entre a indústria de defesa brasileira e grandes grupos europeus, entre eles Saab, MBDA e TKMS, em um momento de reposicionamento das cadeias de suprimento de defesa globais. Mesmo sem cláusulas de produção local confirmadas, a assinatura reforça a CBC como interlocutora reconhecida internacionalmente em munição de calibre médio; um ativo que tende a ter peso em negociações futuras, sejam elas sobre o próprio acordo com a Leonardo, sejam sobre outras parcerias ainda em maturação.

20 julho, 2022

Emgepron e empresa italiana Leonardo assinam memorando na Farnborough


*Portal BIDS - 20/07/2022

A Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron) e a empresa italiana Leonardo – Societa per Azioni, assinaram, no dia 18 de Julho, o Memorando de Entendimentos durante a Feira Internacional Aeroespacial de Farnborough, no Reino Unido.

Memorando
O documento busca o desenvolvimento de possibilidades de negócios conjuntos para a exploração de potencial área de colaboração industrial para serviços de apoio à manutenção de sistemas de armas navais, sistemas de combate naval, incluindo sensores e sistemas de gestão de combate; e de serviços de apoio à manutenção de sistemas e sensores das Fragatas Classe Niterói e da Corveta Classe Barroso.

O evento contou com a presença do Diretor-Geral do Material da Marinha (DGMM), Almirante de Esquadra José Augusto Vieira da Cunha de Menezes.

21 setembro, 2021

MIPS: novo sistema modular de defesa para veículos blindados


*LRCA Defense Consulting - 21/09/2021

Em setembro de 2017, o Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa (DSTL) do Reino Unido fechou um contrato com a multinacional italiana Leonardo Aerospace, Defence and Security para melhorar a capacidade de sobrevivência e a proteção de veículos blindados terrestres por meio da tecnologia Active Protection System (APS). O APS pode detectar e derrotar mísseis de ameaça em 100 milissegundos, que é menos tempo do que a metade do tempo que um humano leva para reagir a uma sugestão visual.

À medida que o desempenho e a sofisticação dos modernos sistemas de armas do campo de batalha continuam a melhorar, a vulnerabilidade dos veículos blindados terrestres e de sua tripulação a essas ameaças continua a aumentar. A DSTL está conduzindo uma prova de conceito do Programa Demonstrador Técnico (TDP) para desenvolver um Sistema de Proteção Integrado Modular (MIPS). Sob o Icarus TDP, Leonardo liderará uma equipe de especialistas da indústria do Reino Unido para desenvolver uma Arquitetura Eletrônica APS (EA) baseada nos princípios de design da Arquitetura de Sistema Aberto Modular.

A Arquitetura Eletrônica MIPS fornecerá uma infraestrutura comum que proporcionará a soberania operacional do Reino Unido e permitirá que os sensores e contramedidas comerciais APS “de primeira linha” sejam selecionados, integrados e implantados para derrotar uma ampla gama de ameaças atuais e futuras no campo de batalha. Isso permitirá o fornecimento de uma capacidade de sistema de proteção econômica e eficiente em termos de peso que pode ser adaptada para proteger veículos militares contra ameaças como granadas propelidas por foguetes (RPGs) e armas guiadas anti-tanque (ATGWs), ajudando assim a proteger as vidas dos Forças Armadas do Reino Unido.

Em 15 de setembro, repercutido pelo portal UK Defence Journal, a Leonardo publicou um comunicado à imprensa, onde afirma que o sistema integra sensor de proteção ativa e tecnologias de contramedida para interromper e derrotar fisicamente os mísseis que se aproximam:

“Leonardo, liderando uma equipe de especialistas em ciência e tecnologia em todo o Reino Unido, testou com sucesso uma nova abordagem de sistema de proteção de alta tecnologia para veículos do Exército, como tanques e veículos blindados de transporte de pessoal. Chamado MIPS (Sistema de Proteção de Integração Modular), a nova abordagem reúne camadas de tecnologias de proteção física e eletrônica para equipar as tripulações de veículos com um escudo defensivo formidável. A equipe incluiu Abstract Solutions, CGI, Frazer-Nash, Lockheed Martin UK, RBSL, Roke e Ultra Electronics.

A demonstração da arquitetura MIPS de desenvolvimento foi um marco importante do projeto Icarus, um programa de demonstração de tecnologia (TDP) do Laboratório de Ciência e Tecnologia de Defesa (DSTL). O DDTL lançou o programa em resposta à prevalência crescente e à ameaça em rápida evolução dos sistemas de armas do campo de batalha, como as modernas Granadas Propelidas por Foguete (RPGs) e Armas Anti-tanque Guiadas (ATGWs). ”

Fica sabido que durante o julgamento, ocorrido no estande de tiro MOD Shoeburyness em Essex em julho, armas representativas de curto alcance foram disparadas no MIPS.

“O sistema de desenvolvimento integrou uma combinação de sensores e contramedidas comerciais prontos para uso e substitutos, que foram adaptados para integração no MIPS. Este ensaio forneceu um teste abrangente da capacidade do MIPS de detecção, controle e sequência de reação para responder adequadamente às ameaças em prazos extremamente curtos. ”

MIPS é baseado em sistemas abertos e princípios orientados a modelos para formar a base de uma abordagem arquitetônica e de infraestrutura para proteção de veículos terrestres que apoia a integração modular, aquisição e implantação segura dos melhores sensores e contramedidas para entregar o Reino Unido independência operacional.

“Isso inclui sensores e sistemas de proteção 'soft' que se concentram na detecção precoce de ameaças e tentam interromper, enganar ou falsificar a ameaça de entrada e sistemas de contramedidas 'rígidas' para interceptar e derrotar fisicamente o sistema de armas de entrada, conhecido na terminologia militar como ' efeito cinético '. ”

Após a conclusão bem-sucedida do TDP com escopo originalmente definido, emendas ao contrato foram feitas para estender o programa para explorar a aplicação potencial do MIPS para fornecer soluções de capacidade contra drones e contra ISTAR (Inteligência, Vigilância, Aquisição de Alvos e Reconhecimento), disse a Leonardo.

27 outubro, 2020

Especialista: Saab pode usar Brasil como 'maquiador' para exportar o Gripen para a América Latina

 

*Sputnik - 27/06/2020

Na última sexta-feira (23), a fabricante sueca de aeronaves Saab apresentou em Brasília o primeiro dos 36 caças Gripen adquiridos pela Força Aérea Brasileira (FAB), que devem entrar em operação em meados do ano que vem. Ao todo, serão investidos cerca de R$ 25 bilhões nesse projeto.

​Em entrevista ao jornal o Globo, o presidente da Saab, Micael Johansson, revelou o desejo de transformar o Brasil em um hub da companhia, para exportar seus produtos para outros países.

"Eu quero transformar o Brasil em um hub para a SAAB, junto com os parceiros brasileiros, para exportar para outros mercados. Isso pode ser o caça, como o Gripen, mas também outras coisas que gostaríamos de trabalhar com a indústria brasileira na área de defesa", disse Johansson, citado pelo jornal.

​Atualmente, a empresa já possui parcerias no país com a Embraer, importante fabricante de aviões, com a AEL Sistemas, desenvolvedora de componentes eletrônicos, e com a AKAER, especializada no desenvolvimento de produtos de alta tecnologia para os mercados aeroespacial e de defesa, destaca a reportagem.

Em declarações à Sputnik Brasil, o especialista em assuntos militares Pedro Paulo Rezende comentou o interesse da Saab em transformar o país em um grande centro de produção e venda de seus produtos para outros mercados.

No que diz respeito aos caças Gripen, o analista avaliou possíveis mercados para essa eventual parceria e observou algumas dificuldades para uma possível exportação das aeronaves para outros países da região.

"Na América Latina, apenas um país demonstrou interesse no Gripen E, a Argentina. Qual o problema? O avião possui componentes de origem britânica e, por causa disso, não pode ser exportado para a Argentina, em função do contencioso nas Ilhas Falkland / Malvinas", afirma.

A Colômbia, segundo Rezende, precisará, mais cedo ou mais tarde, renovar a sua frota de caças, dado que a "disponibilidade da Força Aérea Colombiana é de apenas 30%". No entanto, talvez, esse outro grande mercado regional também não tenha condições de adquirir caças do modelo que seria produzido no Brasil, como defendeu Johansson em entrevista ao Estadão.

"A Colômbia tem noção das limitações econômicas que possui. É muito mais fácil vender a versão anterior do Gripen para a Colômbia, a versão C, do que a versão E, que é muito cara, com cada avião saindo acima de US$ 100 milhões [R$ 562 milhões]. Eu não acredito que a Colômbia tenha bala na agulha para adquirir o modelo que o Brasil e a Suécia adotaram."

Apesar das possíveis dificuldades de se encontrar um comprador para novos caças Gripen na região, o especialista acredita que há, na América Latina, potencial de mercado para outros itens produzidos pela companhia sueca, como, por exemplo, o míssil antiaéreo RBS-70 e o sistema anti-tanque Carl Gustav.

"A gente tem que levar em conta que o mercado latino-americano é um mercado muito limitado em função das restrições orçamentárias, a gente tem que pensar nisso."

Levando em consideração a atual relação entre o Brasil e a Saab, Rezende acredita que, do ponto de vista da empresa, o país poderá servir como um "maquiador para exportar para a América Latina".

"Essa nacionalização foi feita em cima de estruturas. Ou seja, nós não estamos produzindo radar no Brasil — o radar, inclusive, pertence a outra empresa, a Leonardo, que é uma empresa italiana. A gente não está produzindo IRST, que é o sensor infravermelho e também é da Leonardo. A gente não fabrica o sistema de guerra eletrônica, que, no caso brasileiro, é israelense, e, no caso sueco, é alemão. E assim vai. Ou seja, a gente produz a casca. Então, você pode utilizar o Brasil como um maquiador para exportar para a América Latina. Sob o ponto de vista da Saab, seria mais ou menos isso."

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