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04 outubro, 2024

Taurus MIM: nasce uma nova e promissora indústria gaúcha


*LRCA Defense Consulting - 02/10/2024

A Taurus MIM estará presente na 33ª Mercopar (Feira de Inovação Industrial), no Rio Grande do Sul. O evento ocorrerá entre os dias 15 e 18 de outubro, no estande X23 do P341 - Pavilhão Azul, Centro de Feiras e Eventos da Festa da Uva, em Caxias do Sul.

Com um processo altamente tecnológico, que produz peças com geometrias complexas e tolerâncias apertadas em Metal Injection Molding (MIM), a Taurus mostrará na feira os diferenciais desta tecnologia, assim como algumas de suas aplicações, que podem ser utilizadas em diversos segmentos, como automotivo, aeroespacial, defesa, ortodontia, eletrônicos, instrumentos médicos, entre outros.

Assim, a Mercopar deste ano marcará a estreia da Taurus MIM, a nova e promissora unidade de negócios da Taurus Armas S.A. que, inclusive, já possui um site próprio em inglês, que pode ser acessado em https://taurusmim.com

A Taurus MIM poderá representar, no médio e longo prazos, uma inflexão significativa nos negócios e nos lucros da Taurus Armas S.A., na medida em que marca seu ingresso em um mercado bilionário e com poucos grandes players no mundo.

Para que se entenda as características e o potencial do novo negócio, esta editoria reposta abaixo informações de uma matéria recente.

Na LAAD Security & Defence 2024, a Taurus expôs, pela primeira vez em uma feira do setor, algumas de suas peças com a tecnologia M.I.M.

Indo-MIM é a maior exportadora de defesa da Índia e uma referência para o novo negócio da Taurus
O maior exportador privado de produtos de defesa da Índia não é o Tata Group com seus múltiplos acordos, ou outro player gigante do setor, como o Mahindra Group ou o Kalyani Group, que fechou acordos com a Armênia para suas armas de artilharia. Dados do Ministério da Defesa desse país divulgados nesta semana mostram que a Indo-MIM, sediada em Bengaluru, ocupa o primeiro lugar. 

Fundada em 1996, a Indo-MIM se tornou líder global em produtos de moldagem por injeção de metal (M.I.M.), atendendo clientes em mais de 45 países nas Américas, Europa e Ásia. Como um produtor de peças MIM totalmente integrado, destaca-se em design, ferramentas, materiais e operações abrangentes de acabamento e montagem. Além disso, é especializada em moldagem por injeção de cerâmica (CIM), fundição de investimento (IC), manufatura aditiva/impressão 3D, usinagem de precisão e soluções de automação. A Indo-MIM é a maior empresa de M.I.M. do mundo, com uma instalação bem estabelecida em Bangalore, Índia, e Texas, EUA, desenvolvendo mais de 6.000 variedades de peças/componentes M.I.M. para vários segmentos, como defesa, automotivo, consumidor, médico e aeronáutico.

Taurus: hub de peças para unidades produtivas no mundo
Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia M.I.M. no mundo, e a Taurus é a única no Hemisfério Sul.

Em uma arma, estão presentes cerca de 14 peças de M.I.M. e a empresa, hoje, fabrica mais de 110 mil dessas peças por dia. A unidade fabril de São Leopoldo (RS) é a responsável pela fabricação e distribuição de peças M.I.M. para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA, Índia e, provavelmente, Arábia Saudita).

Como a CBC, controladora da Taurus Armas S.A., adquiriu cerca de 27% do Grupo Colt CZ neste ano, a alta direção da Taurus já visitou as sedes da CZ, na República Tcheca, e da Colt CZ, nos Estados Unidos, enquanto que a equipe da Colt CZ, por sua vez, esteve em visita à Taurus, em São Leopoldo. Durante essas visitas, foram encontradas importantes sinergias entre as duas empresas, que devem potencializar a produção da Taurus. A primeira delas se transformará em um novo e promissor negócio para a multinacional gaúcha, representado pela produção de peças M.I.M. e de peças usinadas por processo robótico (Taurus 4.0) para uso em armas produzidas pelo Grupo Colt CZ em várias partes do mundo.

Um novo centro de negócios
Em 2021, a Taurus Armas adquiriu o mais moderno e atualizado equipamento para processamento M.I.M. Fabricado pela empresa alemã Cremer Thermoprozessanlagen GmbH - líder mundial em fornos contínuos de debinding e sinterização - o MIM Master NEO XL é a mais recente tecnologia da Cremer para a produção em larga escala de peças metálicas complexas com alta produtividade e significativa redução de custos de energia e operação.

Em 2024, a empresa, em linha com a estratégia de investimento em tecnologia de equipamento e em pesquisa e desenvolvimento de materiais, anunciou que está previsto para o 2º semestre a chegada de um novo forno elétrico contínuo de M.I.M. O equipamento proporcionará maior eficiência e produtividade, além da utilização de maior gama de ligas metálicas (grafeno, nióbio etc.), levando à uma significativa redução de custos. 

Com esse forno de última geração, que deverá começar a operar ainda neste ano, a Taurus dobrará a capacidade instalada do M.I.M., o que permitirá ampliar a venda para terceiros em diferentes negócios e mercados, com o M.I.M. se tornando um novo centro de negócios da Taurus.

O novo forno, combinado com a utilização da fórmula própria do composto (veja abaixo), além de gerar uma economia de custos de cerca de 25% e tornar a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material, possibilitará dobrar as vendas de produtos M.I.M., podendo gerar uma significativa receita adicional, já que a intenção da empresa é passar a ofertar tais produtos em nível global, diferentemente do âmbito local atual. Isso sem contar com a eventual comercialização do próprio composto M.I.M. produzido pela Taurus.

Como está explicado em detalhes no último item desta matéria, a importância do processo M.I.M reside no fato de ser capaz de produzir grandes quantidades de peças de altíssima complexidade geométrica, garantindo toda a precisão necessária, por um custo muito competitivo. 

De acordo com a capacidade instalada e com a demanda do mercado, a intenção da empresa é expandir os negócios de produtos M.I.M., podendo assim, à semelhança da indiana Indo-MIM, atender também outros segmentos, além do armamento leve, como defesa (amplo), automotivo, médico/odontológico e aeroespacial.

Forno elétrico contínuo de M.I.M da Taurus

Fórmula própria
Como só duas empresas no mundo produzem o composto para injeção de metal, os engenheiros do CITE - Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia BR/EUA da empresa desenvolveram uma fórmula interna, viabilizando a injeção de metal (M.I.M.) com 25% do composto produzido pela própria fábrica, inclusive com a adição de grafeno e nióbio.

Assim, a multinacional brasileira líder em vendas de armas no mundo já está fabricando 25% de todo o composto M.I.M. que necessita para produzir as peças em polímero de suas armas e acessórios.

O fato é significativo na medida em que possibilita a verticalização do processo produtivo, gera uma economia de custos também na ordem de 25% e está tornando a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material.

No primeiro semestre de 2024, a receita com venda de produtos M.I.M. para terceiros foi de RS 8,56 milhões, representando 1% da receita total da empresa. Com o aumento e diversificação da produção e dos clientes, espera-se que essa receita possa se multiplicar nos próximos anos, tornando-se um dos grandes negócios da Taurus.

Mercado global
Entre os principais mercados globais, além do Brasil, estão Índia e Estados Unidos, onde a empresa já está presente e tem canais de venda e de distribuição, mas os países tecnológicos das regiões Ásia-Pacífico e Oriente Médio são também muito promissores.

O tamanho do mercado global de peças de moldagem por injeção de metal (peças M.I.M.) foi de cerca de US$ 2,5 bilhões em 2022, devendo atingir US$ 3,4 bilhões em 2028, exibindo um CAGR (crescimento anual) de 5,7% durante o período de previsão. O mercado pode ser segmentado em automotivo, eletrônico, componentes industriais, médicos e odontológicos, armas de fogo, produtos de consumo, entre outros.

Espera-se que as regiões Ásia-Pacífico e Oriente Médio testemunhem um grande crescimento na participação de mercado de peças moldadas por injeção de metal, devido à crescente demanda por eletrônicos de consumo e automóveis. O aumento da população e o aumento dos níveis de renda também estão contribuindo para o desenvolvimento do mercado. Prevê-se que o aumento dos investimentos dos principais players do mercado para os empreendimentos de P&D e a ampliação de suas capacidades de produção e portfólios de produtos aumentem o crescimento. A expansão do mercado regional está sendo auxiliada pela evolução tecnológica.
Peças de armas produzidas pelo processo M.I.M.

Tecnologia M.I.M. - Metal Injection Molding
A tecnologia M.I.M. permitiu a produção de peças de geometria complexa, com baixo custo e alto volume, dispensando a necessidade de fornecedores externos utilizados pela maioria dos fabricantes de armas, com grande vantagem sobre processos tradicionais, como microfusão e usinagem. Esta tecnologia de alta performance une a resistência mecânica dos metais com a versatilidade de forma dos polímeros, a partir da injeção dos componentes, com posterior processo térmico de remoção dos polímeros e sinterização.

Assim, o M.I.M. combina dois processos comprovados: moldagem por injeção de plástico e sinterização de alta densidade. O processo molda a liga metálica como se fosse plástico e, com o avanço da tecnologia, foi realmente refinado ao ponto de as peças poderem ser fabricadas de forma rentável utilizando os aços de alta qualidade atuais.

O processo M.I.M. é ideal para a produção de componentes metálicos relativamente pequenos (de 1 a 50 gramas), de formato complexo, com tolerância restrita, alta resistência e muito bons requisitos de acabamento superficial, haja vista que as diversas partes precisam ser fortes o suficiente para suportar as pressões que se desenvolvem ao disparar uma arma.

Muitas peças pequenas e complexas não podem ser produzidas usando usinagem tradicional; ou, se puderem ser usinadas, o processo será tão extenso que se tornará proibitivamente caro. Outras peças podem ser fundidas, mas requerem operações secundárias, como usinagem para adicionar recursos e polimento para melhorar o acabamento superficial. O processo M.I.M., entretanto, oferece grande flexibilidade em termos de design, formato e recursos da peça. As peças M.I.M. têm formato quase final sem exigir operações secundárias.

Uma outra grande vantagem na utilização desta tecnologia é que o processo M.I.M. não se aplica apenas aos aços, permitindo uma ampla seleção de ligas metálicas, incluindo aço inoxidável, aços-liga, aços para ferramentas, latão, cobre, titânio, tungstênio, cerâmica e muitas ligas especiais, como o aço inoxidável sem níquel ASTM F17 e, mais recentemente, ligas com grafeno e nióbio, ambas desenvolvidas pela Taurus e seus parceiros.

25 agosto, 2024

Indo-MIM é a maior exportadora de defesa da Índia e uma referência para o novo negócio da Taurus

Na LAAD Security & Defence 2024, a Taurus expôs, pela primeira vez em uma feira do setor, algumas de suas peças com a tecnologia M.I.M.


*LRCA Defense Consulting - 24/08/2024

O maior exportador privado de produtos de defesa da Índia não é o Tata Group com seus múltiplos acordos, ou outro player gigante do setor, como o Mahindra Group ou o Kalyani Group, que fechou acordos com a Armênia para suas armas de artilharia. Dados do Ministério da Defesa desse país divulgados nesta semana mostram que a Indo-MIM, sediada em Bengaluru, ocupa o primeiro lugar. 

Fundada em 1996, a Indo-MIM se tornou líder global em produtos de moldagem por injeção de metal (M.I.M.), atendendo clientes em mais de 45 países nas Américas, Europa e Ásia. Como um produtor de peças MIM totalmente integrado, destaca-se em design, ferramentas, materiais e operações abrangentes de acabamento e montagem. Além disso, é especializada em moldagem por injeção de cerâmica (CIM), fundição de investimento (IC), manufatura aditiva/impressão 3D, usinagem de precisão e soluções de automação. A Indo-MIM é a maior empresa de M.I.M. do mundo, com uma instalação bem estabelecida em Bangalore, Índia, e Texas, EUA, desenvolvendo mais de 6.000 variedades de peças/componentes M.I.M. para vários segmentos, como defesa, automotivo, consumidor, médico e aeronáutico.

Taurus: hub de peças para unidades produtivas no mundo
Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia M.I.M. no mundo, e a Taurus é a única no Hemisfério Sul.

Em uma arma, estão presentes cerca de 14 peças de M.I.M. e a empresa, hoje, fabrica mais de 110 mil dessas peças por dia. A unidade fabril de São Leopoldo (RS) é a responsável pela fabricação e distribuição de peças M.I.M. para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA, Índia e, provavelmente, Arábia Saudita).

Como a CBC, controladora da Taurus Armas S.A., adquiriu cerca de 27% do Grupo Colt CZ neste ano, a alta direção da Taurus já visitou as sedes da CZ, na República Tcheca, e da Colt CZ, nos Estados Unidos, enquanto que a equipe da Colt CZ, por sua vez, esteve em visita à Taurus, em São Leopoldo. Durante essas visitas, foram encontradas importantes sinergias entre as duas empresas, que devem potencializar a produção da Taurus. A primeira delas se transformará em um novo e promissor negócio para a multinacional gaúcha, representado pela produção de peças M.I.M. e de peças usinadas por processo robótico (Taurus 4.0) para uso em armas produzidas pelo Grupo Colt CZ em várias partes do mundo.

Um novo centro de negócios
Em 2021, a Taurus Armas adquiriu o mais moderno e atualizado equipamento para processamento M.I.M. Fabricado pela empresa alemã Cremer Thermoprozessanlagen GmbH - líder mundial em fornos contínuos de debinding e sinterização - o MIM Master NEO XL é a mais recente tecnologia da Cremer para a produção em larga escala de peças metálicas complexas com alta produtividade e significativa redução de custos de energia e operação.

Em 2024, a empresa, em linha com a estratégia de investimento em tecnologia de equipamento e em pesquisa e desenvolvimento de materiais, anunciou que está previsto para o 2º semestre a chegada de um novo forno elétrico contínuo de M.I.M. O equipamento proporcionará maior eficiência e produtividade, além da utilização de maior gama de ligas metálicas (grafeno, nióbio etc.), levando à uma significativa redução de custos. 

Com esse forno de última geração, que deverá começar a operar ainda neste ano, a Taurus dobrará a capacidade instalada do M.I.M., o que permitirá ampliar a venda para terceiros em diferentes negócios e mercados, com o M.I.M. se tornando um novo centro de negócios da Taurus.

O novo forno, combinado com a utilização da fórmula própria do composto (veja abaixo), além de gerar uma economia de custos de cerca de 25% e tornar a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material, possibilitará dobrar as vendas de produtos M.I.M., podendo gerar uma significativa receita adicional, já que a intenção da empresa é passar a ofertar tais produtos em nível global, diferentemente do âmbito local atual. Isso sem contar com a eventual comercialização do próprio composto M.I.M. produzido pela Taurus.

Como está explicado em detalhes no último item desta matéria, a importância do processo M.I.M reside no fato de ser capaz de produzir grandes quantidades de peças de altíssima complexidade geométrica, garantindo toda a precisão necessária, por um custo muito competitivo. 

De acordo com a capacidade instalada e com a demanda do mercado, a intenção da empresa é expandir os negócios de produtos M.I.M., podendo assim, à semelhança da indiana Indo-MIM, atender também outros segmentos, além do armamento leve, como defesa (amplo), automotivo, médico/odontológico e aeroespacial.

Forno elétrico contínuo de M.I.M da Taurus

Fórmula própria
Como só duas empresas no mundo produzem o composto para injeção de metal, os engenheiros do CITE - Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia BR/EUA da empresa desenvolveram uma fórmula interna, viabilizando a injeção de metal (M.I.M.) com 25% do composto produzido pela própria fábrica, inclusive com a adição de grafeno e nióbio.

Assim, a multinacional brasileira líder em vendas de armas no mundo já está fabricando 25% de todo o composto M.I.M. que necessita para produzir as peças em polímero de suas armas e acessórios.

O fato é significativo na medida em que possibilita a verticalização do processo produtivo, gera uma economia de custos também na ordem de 25% e está tornando a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material.

No primeiro semestre de 2024, a receita com venda de produtos M.I.M. para terceiros foi de RS 8,56 milhões, representando 1% da receita total da empresa. Com o aumento e diversificação da produção e dos clientes, espera-se que essa receita possa se multiplicar nos próximos anos, tornando-se um dos grandes negócios da Taurus.

Mercado
Entre os principais mercados globais, além do Brasil, estão Índia e Estados Unidos, onde a empresa já está presente e tem canais de venda e de distribuição, mas os países tecnológicos das regiões Ásia-Pacífico e Oriente Médio são também muito promissores.

O tamanho do mercado global de peças de moldagem por injeção de metal (peças M.I.M.) foi de cerca de US$ 2,5 bilhões em 2022, devendo atingir US$ 3,4 bilhões em 2028, exibindo um CAGR (crescimento anual) de 5,7% durante o período de previsão. O mercado pode ser segmentado em automotivo, eletrônico, componentes industriais, médicos e odontológicos, armas de fogo, produtos de consumo, entre outros.

Espera-se que as regiões Ásia-Pacífico e Oriente Médio testemunhem um grande crescimento na participação de mercado de peças moldadas por injeção de metal, devido à crescente demanda por eletrônicos de consumo e automóveis. O aumento da população e o aumento dos níveis de renda também estão contribuindo para o desenvolvimento do mercado. Prevê-se que o aumento dos investimentos dos principais players do mercado para os empreendimentos de P&D e a ampliação de suas capacidades de produção e portfólios de produtos aumentem o crescimento. A expansão do mercado regional está sendo auxiliada pela evolução tecnológica.
Peças de armas produzidas pelo processo M.I.M.

Tecnologia M.I.M. - Metal Injection Molding
A tecnologia M.I.M. permitiu a produção de peças de geometria complexa, com baixo custo e alto volume, dispensando a necessidade de fornecedores externos utilizados pela maioria dos fabricantes de armas, com grande vantagem sobre processos tradicionais, como microfusão e usinagem. Esta tecnologia de alta performance une a resistência mecânica dos metais com a versatilidade de forma dos polímeros, a partir da injeção dos componentes, com posterior processo térmico de remoção dos polímeros e sinterização.

Assim, o M.I.M. combina dois processos comprovados: moldagem por injeção de plástico e sinterização de alta densidade. O processo molda a liga metálica como se fosse plástico e, com o avanço da tecnologia, foi realmente refinado ao ponto de as peças poderem ser fabricadas de forma rentável utilizando os aços de alta qualidade atuais.

O processo M.I.M. é ideal para a produção de componentes metálicos relativamente pequenos (de 1 a 50 gramas), de formato complexo, com tolerância restrita, alta resistência e muito bons requisitos de acabamento superficial, haja vista que as diversas partes precisam ser fortes o suficiente para suportar as pressões que se desenvolvem ao disparar uma arma.

Muitas peças pequenas e complexas não podem ser produzidas usando usinagem tradicional; ou, se puderem ser usinadas, o processo será tão extenso que se tornará proibitivamente caro. Outras peças podem ser fundidas, mas requerem operações secundárias, como usinagem para adicionar recursos e polimento para melhorar o acabamento superficial. O processo M.I.M., entretanto, oferece grande flexibilidade em termos de design, formato e recursos da peça. As peças M.I.M. têm formato quase final sem exigir operações secundárias.

Uma outra grande vantagem na utilização desta tecnologia é que o processo M.I.M. não se aplica apenas aos aços, permitindo uma ampla seleção de ligas metálicas, incluindo aço inoxidável, aços-liga, aços para ferramentas, latão, cobre, titânio, tungstênio, cerâmica e muitas ligas especiais, como o aço inoxidável sem níquel ASTM F17 e, mais recentemente, ligas com grafeno e nióbio, ambas desenvolvidas pela Taurus e seus parceiros.

27 março, 2024

Taurus anuncia novo centro de negócios global para 2024

Mercado global de peças de moldagem por injeção de metal (peças M.I.M.) foi de cerca de US$ 2,5 bilhões em 2022, devendo atingir US$ 3,4 bilhões em 2028.


*LRCA Defense Consulting - 26/03/2024

A Taurus Armas S.A., em linha com a estratégia de investimento em tecnologia de equipamento e em pesquisa e desenvolvimento de materiais da empresa, anunciou ontem (26) que está previsto para o 2º trimestre de 2024 a chegada do novo forno elétrico contínuo de M.I.M. (Metal Injection Molding - Moldagem por Injeção de Metal).

O equipamento proporcionará maior eficiência e produtividade, além da utilização de maior gama de ligas metálicas, levando à redução de custos. 

Com esse forno de última geração, que deverá começar a operar em agosto de 2024, a Taurus dobrará a capacidade instalada do M.I.M., o que permitirá ampliar a venda para terceiros em diferentes negócios e mercados, de forma global, com o M.I.M. se tornando um novo centro de negócios da Taurus.

Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia M.I.M. no mundo e a Taurus é a única abaixo do Equador.

Em uma arma, estão presentes cerca de 14 peças de M.I.M. e a empresa, hoje, fabrica mais de 110 mil dessas peças por dia. A unidade fabril de São Leopoldo (RS) é a responsável pela distribuição de peças MIM para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA, Índia e, provavelmente, Arábia Saudita).
Em 2023, a receita com venda de produtos M.I.M. para terceiros foi de RS 17,8 milhões, representando 1% da receita total da empresa.

O novo forno, combinado com a utilização da fórmula própria do composto, além de gerar uma economia de custos de cerca de 25% e tornar a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material, possibilitará dobrar as vendas de produtos M.I.M., podendo gerar uma receita adicional de cerca de R$ 40 milhões ou mais, já que a intenção da empresa é passar a ofertar tais produtos em nível global, diferentemente do âmbito local atual. Isso sem contar com a eventual comercialização do próprio composto M.I.M. produzido pela Taurus, algo que não está presente nessa contabilização simulativa.

Mercado
Entre os mercados globais, além do Brasil, estão Índia e Estados Unidos, onde a empresa já está presente e tem canais de venda e de distribuição.

O tamanho do mercado global de peças de moldagem por injeção de metal (peças M.I.M.) foi de cerca de US$ 2,5 bilhões em 2022, devendo atingir US$ 3,4 bilhões em 2028, exibindo um CAGR de 5,7% durante o período de previsão. O mercado pode ser segmentado em automotivo, eletrônico, componentes industriais, médicos e odontológicos, armas de fogo, produtos de consumo, entre outros.

Espera-se que a região Ásia-Pacífico testemunhe um grande crescimento na participação de mercado de peças moldadas por injeção de metal. A região está dominando o mercado devido à crescente demanda por eletrônicos de consumo e automóveis. O aumento da população e o aumento dos níveis de renda também estão contribuindo para o desenvolvimento do mercado. Prevê-se que o aumento dos investimentos dos principais players do mercado para os empreendimentos de P&D e a ampliação de suas capacidades de produção e portfólios de produtos aumentem o crescimento. A expansão do mercado regional está sendo auxiliada pela evolução tecnológica.

Fórmula própria
Como só duas empresas no mundo produzem o composto para injeção de metal, os engenheiros do CITE - Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia BR/EUA da empresa desenvolveram uma fórmula interna, viabilizando a injeção de metal (MIM) com 25% do composto produzido pela própria fábrica, inclusive com a adição de grafeno. A Taurus está agora finalizando as pesquisas para a introdução do nióbio nesse produto, já tendo injetado com sucesso as peças pioneiras.

A multinacional brasileira líder em vendas de armas no mundo já está fabricando 25% de todo o composto M.I.M. que necessita para produzir as peças em polímero de suas armas e acessórios.

O fato é significativo na medida em que possibilita a verticalização do processo produtivo, gera uma economia de custos também na ordem de 25% e está tornando a empresa independente de fornecedores estrangeiros desse material.

Taurus é maior empresa com tecnologia MIM no Hemisfério Sul
Em 2021, a Taurus Armas adquiriu o mais moderno e atualizado equipamento para processamento MIM. Fabricado pela empresa alemã Cremer Thermoprozessanlagen GmbH - líder mundial em fornos contínuos de debinding e sinterização - o MIM Master NEO XL é a mais recente tecnologia da Cremer para a produção em larga escala de peças metálicas complexas com alta produtividade e significativa redução de custos de energia e operação.
MIM Master NEO XL

Em julho de 2022,  a Taurus iniciou a operação de seu terceiro forno contínuo na unidade MIM na planta de São Leopoldo (RS). O novo equipamento possibilitou um significativo aumento da capacidade de produção de peças com a tecnologia MIM pela companhia, passando de 80 mil peças/dia para mais de 110 mil peças/dia.

A implementação do projeto do forno - da proposta à instalação - durou cerca de um ano, com investimentos da ordem de R$ 5 milhões. Com a aquisição, a Taurus se consolidou no ranking mundial das 10 maiores empresas com a tecnologia MIM e se tornou a maior no Hemisfério Sul.

Esse investimento, combinado com os demais realizados nessa tecnologia, possibilitou um aumento de 130% na capacidade total de produção de peças MIM de alta qualidade, garantindo os planos de crescimento da Taurus no Brasil e no mundo.

O objetivo é que os equipamentos operem 24 horas nos 365 dias do ano, aumentando a flexibilidade e capacidade de produção de armas e componentes pela Taurus.

Tecnologia MIM - Metal Injection Molding
A tecnologia MIM permitiu a produção de peças de geometria complexa, com baixo custo e alto volume, dispensando a necessidade de fornecedores externos utilizados pela maioria dos fabricantes de armas, com grande vantagem sobre processos tradicionais, como microfusão e usinagem. Esta tecnologia de alta performance une a resistência mecânica dos metais com a versatilidade de forma dos polímeros, a partir da injeção dos componentes, com posterior processo térmico de remoção dos polímeros e sinterização.

Assim, o MIM combina dois processos comprovados: moldagem por injeção de plástico e sinterização de alta densidade. O processo molda a liga metálica como se fosse plástico e, com o avanço da tecnologia, foi realmente refinado ao ponto de as peças poderem ser fabricadas de forma rentável utilizando os aços de alta qualidade atuais.

O processo MIM é ideal para a produção de componentes metálicos relativamente pequenos (de 1 a 50 gramas), de formato complexo, com tolerância restrita, alta resistência e muito bons requisitos de acabamento superficial, haja vista que as diversas partes precisam ser fortes o suficiente para suportar as pressões que se desenvolvem ao disparar uma arma.

Muitas peças pequenas e complexas não podem ser produzidas usando usinagem tradicional; ou, se puderem ser usinadas, o processo será tão extenso que se tornará proibitivamente caro. Outras peças podem ser fundidas, mas requerem operações secundárias, como usinagem para adicionar recursos e polimento para melhorar o acabamento superficial. O processo MIM, entretanto, oferece grande flexibilidade em termos de design, formato e recursos da peça. As peças MIM têm formato quase final sem exigir operações secundárias.

Uma outra grande vantagem na utilização desta tecnologia é que o processo MIM não se aplica apenas aos aços, permitindo uma ampla seleção de ligas metálicas, incluindo aço inoxidável, aços-liga, aços para ferramentas, latão, cobre, titânio, tungstênio, cerâmica e muitas ligas especiais, como o aço inoxidável sem níquel ASTM F17 e, mais recentemente, ligas com grafeno e nióbio, ambas desenvolvidas pela Taurus e seus parceiros.

22 março, 2024

Taurus inaugura sistema de reuso de águas do setor de Tratamento Superficial MIM  

Com o novo sistema, a Taurus passa a realizar o aproveitamento de cerca de 21 milhões de litros de água ao ano.


Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, e Magali Gottems da Silva, Analista de Processo e responsável pelo projeto, inauguram sistema de reutilização de águas 

*LRCA Defense Consulting - 22/03/2024

A Taurus inaugurou nesta quinta-feira (21), véspera do Dia Mundial da Água, um sistema de reutilização de águas de enxague do setor de Tratamento Superficial MIM (Metal Injection Molding), na unidade fabril de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul. 

No intuito de prover processos sustentáveis, a empresa, por meio de seu Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/Estados Unidos (CITE) e a área de Meio Ambiente, investiu técnicas e recursos na concepção de um sistema fechado de reciclo de água à linha de tratamentos superficiais de revestimentos metálicos, os quais processam principalmente os componentes de pistolas e revólveres. Com esse novo sistema, a Taurus passa a realizar o aproveitamento de cerca de 21 milhões de litros de água ao ano. 

Vale lembrar que a Taurus é pioneira na área de segurança e defesa no mundo na adoção da pauta ESG (sigla em inglês para “ambiental, social e governança corporativa”) e na divulgação de um Relatório de Sustentabilidade, visando trazer impactos positivos para a sociedade, para o meio ambiente e para os negócios.

A solenidade de inauguração contou com a presença do CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, que destacou a importância de decisões conscientes sobre o consumo de recursos naturais.

“A implantação deste novo sistema traz diversos benefícios, mas o mais importante é a redução no consumo de recursos naturais e a melhoria na qualidade de vida das futuras gerações. Consideramos que decisões conscientes nesse sentido são fundamentais tanto para os negócios quanto para a sociedade. Essa é só mais uma das muitas ações que a Taurus realizará visando a constante redução dos impactos ambientais”, afirma Salesio Nuhs.  


CEO Global da Taurus e colaboradores responsáveis pela implantação do novo sistema

Em 2023, a Taurus tratou 100 milhões de litros de efluentes e possui injetoras com tecnologia capaz de fazer a recirculação de 1,5 milhão de litros anualmente. 

As ações de redução do impacto no uso da água estão alinhadas aos pilares da política ESG da Companhia, que contempla o desenvolvimento de pessoas; investimento em tecnologia e inovação; e ambiente colaborativo. A gestão consciente dos recursos hídricos se destaca como uma iniciativa fundamental na jornada ESG da Taurus, visando impulsionar um futuro mais resiliente e sustentável para todos.

A indústria é um dos setores que mais consomem água no mundo. Desta forma, o reuso da água não é apenas uma solução ambientalmente correta, mas também uma oportunidade estratégica para as empresas e organizações se destacarem no mercado, fortalecerem sua reputação e contribuem para a construção de um futuro mais sustentável. Ao abraçar essa prática e integrá-la à sua estratégia ESG, a Taurus assume um papel fundamental na construção de um mundo mais resiliente, próspero e equitativo.

 

22 dezembro, 2021

Taurus adquire novo forno para aumentar em 130% sua capacidade em MIM (Metal Injection Moulding)

*LRCA Defense Consulting - 22/12/2021

Com o apoio da Trilux Chemical Supplier, a Taurus Armas adquiriu o mais moderno e atualizado equipamento para processamento MIM (Metal Injection Moulding).

O equipamento, da fabricante alemã Cremer Thermoprozessanlagen GmbH - líder mundial em fornos contínuos de debinding e sinterização, é o MIM Master NEO XL, a mais nova tecnologia da Cremer para a produção em larga escala de peças metálicas complexas com alta produtividade e significativa redução de custos de energia e operação.

Esse investimento, combinado com os já realizados em 2021 nessa tecnologia, vai aumentar em 130% a capacidade de produção de peças MIM de alta qualidade, garantindo os planos de crescimento da Taurus no Brasil e no mundo.

Somente duas fabricantes de armas têm tecnologia MIM no mundo
Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia Metal Injection Molding (MIM) no mundo e a Taurus é a única abaixo do Equador. Numa arma, são cerca de 14 peças de MIM e a empresa, hoje, fabrica mais de 110 mil dessas peças por dia.

A tecnologia MIM permitiu a produção de peças de geometria complexa, com baixo custo e alto volume, dispensando a necessidade de fornecedores externos, utilizados pela maioria dos fabricantes de armas, com grande vantagem sobre processos tradicionais, como microfusão e usinagem. Esta tecnologia de alta performance une a resistência mecânica dos metais com a versatilidade de forma dos polímeros, a partir da injeção dos componentes, com posterior processo térmico de remoção dos polímeros e sinterização.

Em julho deste ano,  a Taurus iniciou a operação de seu terceiro forno contínuo na unidade MIM na planta de São Leopoldo (RS). O novo equipamento aumentou em cerca de 40% a capacidade de produção de peças com a tecnologia MIM pela companhia. A implementação do projeto do forno - da proposta à instalação - durou cerca de um ano, com investimentos da ordem de R$ 5 milhões. 

Com a aquisição, a Taurus se consolida no ranking mundial das 10 maiores empresas com a tecnologia MIM e se torna a maior no Hemisfério Sul.

O objetivo é que os equipamentos operem 24 horas nos 365 dias do ano, aumentando a flexibilidade e capacidade de produção de armas e componentes pela Taurus. 

A sede da empresa, em São Leopoldo, será responsável pela distribuição de peças MIM para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA e Índia).

13 setembro, 2021

Grafeno, MIM, impressão 3D, robotização... Taurus esbanja tecnologias de ponta


*LRCA Defense Consulting - 12/09/2021

A Taurus Armas surpreendeu o mundo ao anunciar, recentemente, um convênio com a Universidade de Caxias do Sul visando à produção de armas com grafeno, e divulgar que, até o final deste ano, fabricará um modelo de sua pistola microcompacta GX4 contendo componentes injetados e tratamento superficial das peças metálicas com esse revolucionário material. 

Não satisfeita, a empresa anunciou ainda que, a partir de meados de 2022, no bojo de uma parceria com a Universidade do Vale do Sinos firmada no mês passado, a montagem das pistolas da plataforma GX4 será completamente robotizada, em mais um passo em direção à Indústria 4.0.

Esses fatos mostram a importância que a empresa dá ao emprego da alta tecnologia em seus processos fabris, mas eles não começaram agora e tampouco se resumem a essas iniciativas, como poderá ser visto a seguir.

Somente duas fabricantes de armas têm tecnologia MIM no mundo
Somente duas fábricas de armas tem a tecnologia Metal Injection Molding (MIM) no mundo e a Taurus é a única abaixo do Equador. Numa arma, são cerca de 14 peças de MIM e a empresa, hoje, fabrica mais de 80 mil dessas peças por dia.

A tecnologia MIM permitiu a produção de peças de geometria complexa, com baixo custo e alto volume, dispensando a necessidade de fornecedores externos, utilizados pela maioria dos fabricantes de armas, com grande vantagem sobre processos tradicionais, como microfusão e usinagem. Esta tecnologia de alta performance une a resistência mecânica dos metais com a versatilidade de forma dos polímeros, a partir da injeção dos componentes, com posterior processo térmico de remoção dos polímeros e sinterização.

Em julho deste ano,  a Taurus iniciou a operação de seu terceiro forno contínuo na unidade MIM na planta de São Leopoldo (RS). O novo equipamento aumentará em cerca de 40% a capacidade de produção de peças com a tecnologia MIM pela companhia, das atuais 80 mil peças/dia para 110 mil peças/dia. A implementação do projeto do novo forno - da proposta à instalação - durou cerca de um ano, com investimentos da ordem de R$ 5 milhões. Com a aquisição, a Taurus se consolida no ranking mundial das 10 maiores empresas com a tecnologia MIM e se torna a maior no Hemisfério Sul.

O objetivo é que o equipamento opere 24 horas nos 365 dias do ano, aumentando a flexibilidade e capacidade de produção de armas e componentes pela Taurus. A sede da empresa, em São Leopoldo, será responsável pela distribuição de peças MIM para todas as unidades produtivas (Brasil, EUA e Índia).

Terceiro forno contínuo MIM da Taurus

Manufatura Aditiva gera precisão e economia de tempo e recursos
Manufatura Aditiva é o processo pelo qual é possível fabricar objetos sólidos a partir de um modelo do sólido, adicionando camadas de materiais - plástico, metais e outros - para formar objetos. Ela é conhecida também como impressão 3D.

Em abril de 2020, a Taurus recebeu a impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Priting) Flex 350, da 3D Systems, em sua fábrica de São Leopoldo (RS). Essa foi a primeira impressora da fabricante suíça a ser entregue em todo o Hemisfério Sul.

O sistema de fabricação Direct Metal Priting de alto desempenho é uma alternativa robusta aos processos tradicionais de produção de metal. Com um volume de construção de 275 x 275 x 380 mm, a máquina oferece redução do desperdício, maiores velocidades de impressão, tempo de configuração curto e peças de metal com propriedades mecânicas excelentes. O novo equipamento chegou para reforçar a estratégia da companhia de investir no processo de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Imprimindo em metal, a impressora 3D faz o prototipo inteiro de uma arma em apenas um dia ininterrupto de trabalho, enquanto o processo anterior utilizava trabalho de terceiros e demorava muitos dias para ser realizado. Além de uma precisão muito maior, por ser totalmente robotizado, o processo gera um considerável ganho de tempo e economia de recursos.

Impressora suíça 3D DMP (Direct Metal Priting) Flex 350, da 3D Systems

Centros de usinagem horizontais
Em abril de 2020, a Taurus recebeu os dois novos centros de usinagem horizontais para fabricar as armações, componente fundamental de uma arma.

Os centros de usinagem horizontais proporcionam economia de tempo e aumento de produtividade, quando comparados aos centros de usinagem verticais. Características como a troca de ferramentas de corte em menos de 2 segundos e rotações de até 20.000 rpm garantem qualidade e precisão das peças usinadas.

Segundo o presidente da companhia, Salesio Nuhs, com os novos maquinários, a Taurus iniciou a produção de revólveres em um novo conceito de produção, muito mais moderno, com alta qualidade e eficiência, proporcionando maior valor agregado ao consumidor final e excelente custo-benefício.

Este é, por exemplo, o propósito do projeto “Excelência Revólver”, criado pela Taurus para produzir revólveres de baixo custo, com elevado volume de produção e alta qualidade. A empresa está redesenhando sua operação e investindo no aumento da automação do processo de fabricação, visando manter e ampliar a liderança mundial na produção de revólveres.

Os dois novos centros de usinagem horizontais


Armas com grafeno

Recentemente, o CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, divulgou que, ainda em 2021, será lançada uma versão da pistola GX4 com grafeno, material que estará presente nos componentes injetados e no tratamento superficial das peças metálicas.

Essa será a primeira arma no mundo a ser feita com a adição desse material, e a Taurus não ficará só nela. 


Para tanto, estão adiantadas as pesquisas realizadas pelo CITE - Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia BR/EUA da Taurus juntamente com a UCSGraphene, no bojo do convênio oficializado no dia 30 de junho com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) para realizar pesquisa e desenvolvimento de armamentos com grafeno. 

Por ser uma tecnologia disruptiva, o grafeno tende a competir com tecnologias existentes e substituir materiais com décadas de uso. Suas aplicações permitem desenvolver produtos mais leves e com alta resistência mecânica. O uso do grafeno proporcionará um melhor desempenho contra oxidação, para evitar a corrosão, bem como potencializará as propriedades mecânicas, como resistência ao impacto, além de reduzir o peso da arma.

GX4 terá montagem robotizada
A união de diversas tecnologias de ponta, somadas ao grande esforço que está sendo feito pelos engenheiros do CITE com o concurso da Unisinos - Universidade do Vale do Rio do Sinos, possibilitará que, a partir de meados de 2022, a montagem das pistolas da plataforma GX4 seja completamente robotizada, em mais um passo em direção à Indústria 4.0.

Montagem dos modelos da pistola GX4 será robotizada


"Produzindo" engenheiros

O seguinte trecho de uma matéria da CNN Brasil é bastante oportuno para se poder entender o que acontece na Taurus: “Antes de produzirmos aeronaves, precisamos produzir engenheiros”. A frase, atribuída ao Marechal-do-Ar Casimiro Montenegro Filho, que liderou a criação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em 1950, é lembrada até hoje como um mantra pelos corredores da Embraer, que, além de fabricar aviões, também investe pesado na formação e especialização de engenheiros. Trocando-se a empresa e a finalidade, seria possível afirmar agora que “Antes de produzirmos armas, precisamos produzir engenheiros”.

Sob o título "Um exército de inovadores", a revista Amanhã discorreu sobre o fato de a Taurus ter sido um dos destaques da edição que revelou quem são as empresas mais inovadoras do Sul em 2021.

Quando a atual gestão assumiu a Taurus, em 2018, por questões estratégicas decidiu adotar o processo de pesquisa, desenvolvimento e inovação como o seu principal pilar estratégico. No entanto, a direção se deparou com uma grande falta de mão de obra qualificada no que se refere a engenheiros especializados em armas. Com isso, a companhia decidiu investir mais ainda na formação de seus funcionários. Hoje, a empresa tem mais de 70 engenheiros formados e outros 105 estudando. “Acreditamos que toda empresa comprometida com inovação tem de ter um quadro amplo de engenharia de produtos e processos. Isso é importante para criar uma cultura de tecnologia e de inovação”, reflete Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus, fazendo questão de ressaltar que todo esse processo de desenvolvimento de pessoas tem sido fundamental para criar na Taurus um ambiente favorável para a criatividade.

“Mais de R$ 6 milhões foram investidos no ano passado em infraestrutura e maquinário de prototipagem do Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/Estados Unidos (CITE)”, exemplifica. Porém, o aporte foi ainda maior: no total, o valor foi superior a R$ 35 milhões, sendo que 20% foi destinado para o projeto Excelência Revólver, cujo objetivo é ampliar a tradição da companhia como maior fabricante desses equipamentos no mundo e ofertar no mercado o modelo mais acessível aos clientes. E dinheiro não faltará. Para este ano, estão previstos mais de R$ 45 milhões para inovação, valor 30% maior do que o aportado em 2020.

Indo além, a Taurus firmou parceria com a Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) para realizar o projeto de Excelência Operacional, a fim de elevar seus resultados a outro patamar no que se refere a velocidade no atendimento ao cliente, capacidade operacional e avanço tecnológico, junto com outros projetos estratégicos e estruturantes em andamento na empresa.

Unisinos, São Leopoldo

De acordo com Salesio Nuhs, a ideia é ampliar a parceria com os melhores centros de pesquisa e desenvolvimento para avançar em todos os tipos de tecnologias voltadas a produtos e processos, passo fundamental para o avanço da Taurus em direção à Indústria 4.0.

"Neste sentido, celebramos o início de um novo relacionamento junto à Unisinos, universidade em que tive o prazer de estudar durante os anos de 1983 e 1984. Esta parceria tem três principais frentes de atuação: o projeto Taurus Excelência Operacional, o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia e o desenvolvimento do Programa de Capacitação em Pesquisa e Inovação Taurus para a formação de todos nossos colaboradores que irão, nos próximos anos, passar por todas as transformações e oportunidades que a quarta revolução industrial apresenta", explica Nuhs.

O projeto Taurus Excelência Operacional será desenvolvido com o apoio do GMAP da Unisinos, grupo de pesquisa em Modelagem para Aprendizagem que trabalha com o desenvolvimento de pesquisa aplicada. Por meio da parceria, será desenvolvido o Sistema Taurus de Produção, que integrará todo o sistema de manufatura a um sistema produtivo mais amplo, potencializando o foco no cliente por meio de conexões entre os diferentes players da cadeia de valor. Além dos clientes, os fornecedores, principalmente os integrantes do novo condomínio industrial da Taurus que está em construção, também serão beneficiados pelo projeto.

Taurus 4.0
Toda essa integração, utilizando novas tecnologias e convênios com renomados centros de pesquisas universitários, projetarão a empresa para uma Taurus 4.0. O conceito de Indústria 4.0 será a base deste projeto, que visa, ao final de dois anos, construir um centro de Data Science e Smart Factory voltado à inovação de processos por meio de simulação e pesquisa operacional.

Em paralelo ao projeto de Excelência Operacional, a Unisinos irá mapear e planejar o Programa de Capacitação Taurus, onde todos os colaboradores da empresa, desde o montador até a diretoria, de alguma forma, serão contemplados com uma etapa de capacitação. Assim se formará uma base conceitual sólida para que a Taurus consiga, colocando as pessoas no centro do processo, aproveitar todos os avanços tecnológicos da Indústria 4.0 e tornar isso parte integrante da agregação de valor para o cliente, com uma operação mais sustentável em todos os aspectos, desde os fornecedores até a chegada do produto ao seu destino final, com o máximo de segurança e rastreabilidade.

Nesse sentido, a Unisinos criou, na área de Engenharia de Produção, a cadeira Sistema Taurus de Produção, objetivando que seus futuros engenheiros possam adquirir o know-how tecnológico da Taurus na produção de armas e, assim, poderem melhor se posicionar no mercado de trabalho, inclusive na própria empresa. Neste mês, a Unisinos deverá lançar uma turma de pós-graduação em Engenharia e Sistemas de Produção Taurus.

Segundo Salesio Nuhs, "A Taurus está levando adiante um tripé extremamente importante, focando na pesquisa e desenvolvimento. Nosso mercado vive de novidade. E nos EUA, sem novidades a empresa morre. Isso tudo está até desenhado dentro da fábrica. Transformamos a Taurus em uma empresa que pensa no futuro e está focada em projeto e processo".


 

Na mira: ser a maior e mais rentável fabricante de armas do mundo
As profundas transformações efetuadas na empresa a partir de 2017, o ramp-up da nova fábrica nos Estados Unidos, a ampliação e modernização da unidade brasileira, o estabelecimento de uma nova fábrica em joint venture na Índia, a agressiva conquista de alguns dos mais importantes e promissores mercados internacionais e o fato de a empresa ter revertido sete anos de prejuízos, passando a ser lucrativa a partir de 2019, são fatores que evidenciam o excepcional turnaround realizado pela Taurus Armas.

O investimento de 500 milhões de reais na ampliação de sua planta em São Leopoldo e o uso de tecnologias de ponta levarão a empresa a aumentar em 50% sua produção, passando a fabricar até 9.000 armas/dia. Possibilitarão também produzir kits para mais 1.500 armas/dia, a serem fornecidos às unidades fabris dos EUA e da Índia, passando a ser um hub mundial de fabricação/distribuição de peças. Isso permitirá, por exemplo, que a fábrica americana dobre sua produção. 

A concretização dos passos do novo Plano Diretor, criteriosamente estabelecido pela empresa, levará a Taurus 4.0 (conceito este que já estará presente no novo Centro de Distribuição Logístico) a otimizar ainda mais seus processos administrativos, operacionais e logísticos, o que se traduzirá em uma redução drástica de custos e de tempos internos, bem como em um significativo aumento da qualidade dos produtos, das margens de lucro e, por fim, da rentabilidade da empresa para seus acionistas.

Assim, após se reinventar, dar a volta por cima e se tornar lucrativa e saudável, a Taurus cresceu e continua crescendo a uma velocidade impressionante, projetando-se agora para o futuro como uma empresa que apresenta um potencial que impressiona, capaz de catapultá-la  para voos mais altos e de torná-la a maior e mais rentável fabricante de armamento leve do mundo, tal como objetiva a equipe que a lidera: "Ser a maior fabricante de armas leves do mundo, gerando riqueza e criando valor para seus acionistas".

08 julho, 2021

CEO Global da Taurus comenta sobre a revolução que o grafeno poderá trazer à empresa


*LRCA Defense Consulting, com Marco Nepomuceno - 08/07/2021

Em live hoje com a Necton Investimentos, o CEO Global da Taurus Armas S.A., Salesio Nuhs, discorreu sobre a revolução que o grafeno poderá trazer à indústria de armamento leve, pois, além do emprego direto nas armas, poderá também ser aplicado em parte dos equipamentos da linha de produção, o que reduzirá ainda mais os custos finais da empresa.

O CEO também afirmou que a Taurus já estava pesquisando sobre o grafeno quando descobriu que a Universidade de Caxias do Sul possuía um projeto em fase adiantada de desenvolvimento. Então, foi só oficializar a parceria e unir os esforços.

Ao explicar em maiores detalhes sobre o emprego do grafeno, Salesio afirmou que a Taurus trabalha em três cenários, todos muito positivos:

1. Nos revestimentos de peças, em substituição ao tratamento superficial, proporcionando uma dissipação de calor mais rápida, menor desgaste e maior proteção contra corrosão.

2. Nos equipamentos que produzem as peças (Metal Injection Molding): o grafeno sendo usado na injeção das peças leva a um desgaste muito menor nos moldes e, também, à diminuição do tamanho das máquinas.

3. Com o grafeno misturado aos polímeros há muitas vantagens, como: aumento de resistência, menor peso e maior resiliência do material (maior flexibilidade, ou seja, menor deformação).

Complementarmente, Salesio também discorreu sobre outros aspectos atuais da empresa, como endividamento, caixa, etc. 


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