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28 janeiro, 2026

Avibras busca retomada na Indonésia enquanto luta por sobrevivência no Brasil

Visita de executivos da empresa brasileira ao Exército indonésio revela tentativa de preservar contratos milionários em meio à grave crise financeira


 *LRCA Defense Consulting - 28/01/2026

Em uma tentativa de manter viva uma de suas principais relações comerciais internacionais, a brasileira Avibras Indústria Aeroespacial realizou recentemente uma visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio (Pussenarmed). A visita, documentada no Instagram oficial da entidade militar indonésia, contou com a presença de Sami Youssef Hassuani, ex-presidente da Avibras e atual assessor da nova gestão da empresa, e representantes da PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia com histórico de atuação em diversos setores, incluindo defesa, que possui uma homônima no Brasil registrada em 2022.

A missão tem um contexto delicado: a Avibras atravessa sua terceira recuperação judicial desde 2022, acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão e está paralisada há quase três anos. A empresa, que já foi referência mundial em sistemas de artilharia de saturação, agora luta por sua sobrevivência, e a Indonésia representa um dos últimos fios de esperança comercial.

Um cliente estratégico em jogo
A Indonésia é um dos principais clientes internacionais da Avibras. Entre 2012 e 2020, o país adquiriu 63 unidades do sistema ASTROS II Mk6, a versão mais moderna do lançador múltiplo de foguetes desenvolvido pela empresa brasileira. Os contratos, que somaram entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões, foram divididos em duas etapas: 36 unidades na primeira encomenda (2012) e 27 unidades entregues em junho de 2020.

Os sistemas ASTROS II operam ativamente no Exército indonésio, equipando batalhões de artilharia e sendo utilizados em exercícios militares regulares, como o realizado em agosto de 2025 em Java Central. A aquisição foi vista como estratégica para o fortalecimento da defesa em áreas sensíveis, como o disputado Mar de Natuna, onde as tensões geopolíticas com a China têm aumentado.

Porém, com a paralisação da Avibras desde setembro de 2022, surgem questões críticas: quem prestará manutenção e fornecerá peças de reposição para os sistemas já entregues? Quem treinará novos operadores? E, principalmente, haverá novos contratos?

Sami Youssef Hassuani: o arquiteto que retorna
A presença de Sami Youssef  Hassuani na delegação é emblemática. Engenheiro com vasta experiência na indústria de defesa brasileira, Sami foi presidente da Avibras e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). Apesar de não ocupar mais o cargo de CEO (que atualmente pertence a Fábio Guimarães Leite, nomeado em agosto de 2025), Sami retornou à empresa como assessor técnico da nova administração.

Fontes próximas à empresa revelam que Sami foi cotado para liderar a chamada 'Nova Avibras', nome dado ao projeto de reestruturação proposto pelo fundo Brasil Crédito, principal credor da companhia. Sua participação em reuniões com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos em maio de 2025, quando ainda representava o Brasil Crédito, demonstra seu papel central nas negociações pela recuperação da empresa.

A visita à Indonésia, portanto, não é casual. Sami conhece profundamente o mercado indonésio, tendo participado das negociações que resultaram nas vendas milionárias do ASTROS II. Sua presença sinaliza uma tentativa de tranquilizar o cliente sobre a continuidade do suporte técnico e, possivelmente, abrir caminho para novos negócios.

 

PT Poris Duta Sarana: o elo indonésio
A PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia que acompanhou a delegação, adiciona outra camada à narrativa. Com sede em Jacarta e atuação em diversos setores, incluindo fornecimento de materiais técnicos e serviços de importação, a Poris possui histórico no setor de defesa indonésio, embora detalhes específicos de sua participação em contratos militares sejam escassos.

Registros de importação indicam envolvimento da empresa com materiais de alta performance, como primers epóxi industriais. Curiosamente, a PT Poris Duta Sarana também possui registro no Brasil desde abril de 2022, com atividade declarada no comércio varejista de móveis, um contraste com suas operações mais técnicas na Indonésia.

A participação da Poris sugere que pode estar atuando como intermediária local, facilitando negociações entre a Avibras e o Exército indonésio, um papel comum em contratos de defesa internacionais, onde empresas locais auxiliam fabricantes estrangeiros a navegar pelas complexidades burocráticas e regulatórias.

O que está em jogo?
A visita ao Pussenarmed pode ter múltiplos objetivos. O primeiro e mais óbvio é a manutenção dos sistemas já entregues. Com a Avibras paralisada, o Exército indonésio enfrenta o risco de ficar sem suporte técnico para suas 63 unidades do ASTROS II, um problema grave para equipamentos militares complexos que exigem manutenção regular, peças de reposição e treinamento contínuo de operadores.

Um segundo objetivo provável é tranquilizar o cliente sobre a capacidade da Avibras de retomar operações. A nova administração, liderada por Fábio Guimarães Leite desde agosto de 2025, anunciou planos para retomar gradualmente as atividades, começando com setores administrativos e de engenharia. Em setembro de 2025, a empresa informou estar em processo de reestruturação, com diligências, auditorias e manutenção das instalações industriais em andamento.

Mas há também a possibilidade de negociações para novos contratos. A Indonésia vem modernizando suas Forças Armadas e o ASTROS II provou ser eficaz em exercícios de artilharia. Contratos adicionais para munições, upgrades tecnológicos ou até mesmo novas baterias do sistema poderiam representar uma injeção crucial de recursos para a Avibras.

Documentos da nova gestão indicam que a empresa já retomou visitas e reuniões técnicas com os principais clientes, incluindo prospecções no Oriente Médio e avanços em negociações com o Exército Brasileiro. A Indonésia, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de reativação comercial.

A crise da Avibras: um contexto sombrio
A Avibras, fundada em 1961 e uma das poucas empresas brasileiras com capacidade de desenvolver sistemas complexos de artilharia, vive sua pior crise. Após entrar em recuperação judicial pela terceira vez em março de 2022, a empresa acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão, incluindo cerca de R$ 200 milhões com o governo federal.

Os aproximadamente 900 trabalhadores estão em greve desde setembro de 2022, com 28 meses de salários atrasados. A fábrica em Jacareí (SP) permanece paralisada, com instalações e equipamentos em risco de obsolescência. Vários planos de venda falharam: uma tentativa com a australiana DefendTex em 2024 não se concretizou; negociações com a chinesa Norinco também não avançaram; e, mais recentemente, conversas com a saudita Black Storm Military Industries permanecem em andamento, mas sem conclusão.

Em agosto de 2025, houve uma mudança significativa: Fábio Guimarães Leite, através da empresa Vita Gestão e Investimentos, tornou-se acionista majoritário com 99% das ações, após a saída do ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite. Um plano alternativo de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em maio de 2025, mas sua homologação ainda enfrenta recursos legais do Banco Fibra e da União.

Em março de 2025, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional chegou a pedir a conversão da recuperação judicial em falência, devido ao não cumprimento de parcelas de refinanciamento de dívidas tributárias. A situação permanece crítica, com a Avibras dependendo de acordos com credores, governo e trabalhadores para viabilizar sua reestruturação.

A Avibras informou hoje (28) ao Sindicato dos Metalúrgicos de SJC que pretende retomar atividades da fábrica em 16 de março, desde que seja fechado o acordo de pagamento das dívidas trabalhistas e resolvida a pendência da recuperação judicial no TJ-SP.

 

Implicações estratégicas
A visita à Indonésia transcende o aspecto comercial imediato. Ela representa uma tentativa de preservar um dos últimos ativos valiosos da Avibras: sua reputação internacional e sua base de clientes consolidada. Perder o mercado indonésio não significaria apenas a perda de receita, mas também o fim da credibilidade da empresa no mercado global de defesa.

Para a Indonésia, a situação também é delicada. Depender de um fornecedor em crise para manter sistemas de defesa estratégicos é um risco. O país pode ser forçado a buscar alternativas, como a transferência de tecnologia para produção local ou a aquisição de novos sistemas de outros fabricantes, como o sul-coreano K239 Chunmoo ou o israelense PULS.

Do ponto de vista brasileiro, a crise da Avibras é um sinal alarmante sobre a fragilidade da base industrial de defesa nacional. A empresa é certificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e domina tecnologias críticas de propulsão, integração de sistemas e fabricação de veículos militares. Sua falência representaria não apenas a perda de empregos qualificados, mas também de capacidades tecnológicas que levaram décadas para serem desenvolvidas.

Perspectivas e incertezas
A visita ao Pussenarmed é, em muitos aspectos, um teste para a 'Nova Avibras'. Se a empresa conseguir demonstrar capacidade de retomar o suporte aos sistemas indonésios e, idealmente, fechar novos contratos, isso poderia catalisar sua recuperação. Contratos internacionais trariam não apenas recursos financeiros, mas também credibilidade junto a credores e ao governo brasileiro.

Por outro lado, o fracasso em manter essa relação comercial poderia acelerar o declínio da empresa. Clientes internacionais tendem a ser avessos a riscos quando se trata de equipamentos militares críticos. Uma vez perdida a confiança, é extremamente difícil recuperá-la.

A escolha de Sami Youssef Hassuani para liderar a delegação é estratégica. Sua experiência, reputação no mercado internacional e conhecimento profundo dos sistemas ASTROS II fazem dele o emissário ideal. Mas mesmo o melhor diplomata corporativo não pode compensar indefinidamente a falta de capacidade operacional.

A Avibras precisará demonstrar resultados concretos: retomada da produção, solução das dívidas trabalhistas, regularização tributária e, crucialmente, capacidade de entregar suporte técnico e novos equipamentos. Promessas não serão suficientes.

 

Missão de sobrevivência
A visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio representa muito mais do que um encontro diplomático de rotina. É uma missão de sobrevivência. Para a Avibras, manter viva sua relação com a Indonésia pode ser a diferença entre uma recuperação bem-sucedida e o fim definitivo de uma das mais importantes empresas de defesa brasileiras.

Para a Indonésia, é uma questão de garantir que seus investimentos milionários em sistemas ASTROS II não se transformem em equipamentos obsoletos por falta de suporte. E para o Brasil, é mais um capítulo doloroso na saga de uma indústria de defesa que luta para manter relevância internacional enquanto enfrenta crises internas profundas.

O desfecho dessa história ainda está sendo escrito. Mas uma coisa é certa: os próximos meses serão decisivos para determinar se a Avibras terá uma segunda chance ou se tornará apenas mais um caso de estudo sobre a fragilidade da base industrial de defesa em países em desenvolvimento.

Defesa não é custo. É projeto de país


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/01/2026

O Brasil é um país continental que ainda pensa sua defesa em escala reduzida. Infraestruturas estratégicas, infraestruturas críticas, segurança de fronteiras e capacidade militar continuam sendo tratadas como temas setoriais, fragmentados e sujeitos ao humor fiscal do momento. Essa lógica não é apenas equivocada, é perigosa.

Infraestruturas estratégicas como energia, telecomunicações, logística, portos, aeroportos e sistemas digitais sustentam o funcionamento do Estado. Já as infraestruturas críticas são aquelas cujo colapso paralisa a economia, compromete serviços essenciais e afeta diretamente a vida da população. Proteger esses ativos não é opção política, é obrigação estatal. E essa proteção exige planejamento, inteligência, capacidade tecnológica e presença permanente do Estado.

O mesmo raciocínio se aplica às fronteiras. O Brasil possui mais de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, incluindo nove tríplices fronteiras, grande parte em áreas remotas e de difícil acesso. Onde o Estado não chega de forma estruturada, o crime organizado chega rápido. Narcotráfico, contrabando, garimpo ilegal e organizações transnacionais não exploram apenas lacunas territoriais, exploram lacunas de decisão.

Projetos estratégicos das Forças Armadas foram concebidos justamente para enfrentar essa realidade. Programas como o monitoramento integrado de fronteiras, a vigilância do espaço aéreo, a proteção cibernética, os sistemas espaciais, o reaparelhamento naval e a modernização da aviação de caça representam saltos de capacidade e soberania. O problema não é a concepção, é a falta histórica de continuidade e previsibilidade orçamentária.

Projetos de defesa são, por natureza, de longo prazo. Quando interrompidos, atrasados ou subfinanciados, não apenas perdem eficiência: tornam-se mais caros, menos integrados e estrategicamente vulneráveis. A ausência de um fluxo estável de recursos transforma planejamento em improviso e estratégia em remendo.

As Forças Armadas, não podem ser instrumentos de governo, mas de Estado. Sua missão vai além da dissuasão clássica, envolve presença territorial, apoio à segurança das fronteiras, proteção de infraestruturas críticas e resposta a crises complexas. Para um país do tamanho do Brasil, forças subdimensionadas significam soberania relativa.

O debate central não é ideológico nem corporativo. É estratégico. Defesa não é custo operacional a ser comprimido em ciclos eleitoreiros e não tem lado. Defesa é investimento estruturante, tão essencial quanto energia, transporte ou comunicações. Países que entenderam isso planejam décadas à frente. Países que não entendem delegam o próprio futuro.

Se o Brasil pretende se afirmar como nação soberana, relevante e segura, precisa tratar defesa, fronteiras e infraestruturas críticas como política de Estado permanente, com planejamento de longo prazo, orçamento previsível e continuidade institucional.

Soberania não se improvisa. Se constrói. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.   

27 janeiro, 2026

Com dois acordos estratégicos em um único dia, Embraer consolida presença na Índia

OGMA e Axiscades buscarão oportunidades de mercado conjuntas em MRO na Índia, nos Emirados Árabes Unidos e na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) 


*LRCA Defense Consulting - 27/01/2026

Em um movimento estratégico de grande alcance, a Embraer anunciou nesta terça-feira dois acordos relevantes na Índia, consolidando sua entrada de forma abrangente no terceiro maior mercado de aviação do mundo. As iniciativas envolvem, de um lado, a produção local de aeronaves comerciais em parceria com o Grupo Adani e, de outro, a criação de capacidades industriais de manutenção, reparo e overhaul (MRO) por meio de sua subsidiária portuguesa OGMA, em cooperação com a empresa indiana Axiscades Technologies.

Produção local: acordo Embraer–Adani
Na manhã do dia 27, em Nova Deli, a Embraer e o Grupo Adani formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) para o estabelecimento da primeira linha de montagem final (Final Assembly Line – FAL) de aeronaves comerciais da Embraer na Índia. O acordo prevê a produção local da família de jatos regionais E2, com capacidade entre 70 e 146 passageiros.

O memorando contempla ainda o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento doméstica, a criação de serviços de manutenção e programas de treinamento de pilotos, além da possibilidade de, no futuro, fabricar localmente a aeronave de transporte militar C-390 Millennium.

Segundo Arjan Meijer, presidente da Embraer Aviação Comercial, a família E2 é particularmente adequada ao mercado indiano, que cresce de forma acelerada e demanda aeronaves eficientes para rotas regionais. A parceria combina mais de cinco décadas de experiência da Embraer em projeto aeronáutico com as capacidades industriais, logísticas e de infraestrutura do Grupo Adani.

Para Ashish Rajvanshi, CEO da Adani Defence & Aerospace, o acordo está alinhado à iniciativa governamental “Make in India”, voltada à atração de manufatura avançada. “Nossa visão é criar um ecossistema completo de aviação civil — da manufatura ao treinamento e ao suporte pós-venda — que gere empregos e fortaleça a autossuficiência indiana”, afirmou.

Serviços e MRO: parceria OGMA–Axiscades
Em Bengaluru, a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, subsidiária da Embraer, anunciou uma parceria estratégica com a indiana Axiscades Technologies, especializada em tecnologia aeroespacial e de defesa.

A cooperação combina a sólida capacidade de engenharia e manufatura da Axiscades na Índia com a experiência, certificações e relacionamento global da OGMA junto a fabricantes de equipamentos originais (OEMs). O objetivo é atender de forma integrada às demandas de manutenção de aeronaves comerciais, militares e de missões especiais, incluindo a frota atual e futura da Embraer em operação no país.

Reunindo serviços de engenharia, fabricação, certificação e MRO em diferentes regiões, a parceria posiciona as duas empresas como protagonistas na sustentação aeroespacial, oferecendo soluções de alta confiabilidade para frotas civis e militares em conformidade com padrões internacionais.

A OGMA aporta sua expertise em manutenção de fuselagens e motores, enquanto a Axiscades contribui com competências em design aeronáutico, aviônicos, radares, guerra eletrônica, conversão de aeronaves e tecnologias de drones.

O acordo também prevê suporte a aeronaves comerciais, plataformas VVIP/VIP e sistemas AEW&C (alerta aéreo antecipado e controle), além de explorar oportunidades nos Emirados Árabes Unidos e na região MENA (Oriente Médio e Norte da África).

Segundo Alfonso Martinez, CEO internacional da Axiscades, a parceria é um marco na criação de capacidades de MRO com padrão global, reforçando a autossuficiência industrial da Índia. Para Paulo Mogninho, CEO da OGMA, a cooperação representa um passo importante na expansão internacional e na oferta de soluções certificadas de alta qualidade. 

Axiscades Technologies

Infraestrutura industrial em expansão
A Axiscades está desenvolvendo, próximo ao Aeroporto Internacional de Bengaluru, um dos maiores hubs integrados de manufatura e MRO aeroespacial e de defesa do país. O complexo incluirá hangares dedicados a oficinas rápidas (speed shops), oficinas especializadas para motores, centro de excelência em soldagem, manufatura de eletrônicos estratégicos, integração de sistemas e testes de certificação.

Essa infraestrutura dará suporte tanto ao acordo OGMA–Axiscades quanto a possíveis operações futuras relacionadas à linha de montagem Embraer–Adani.

OGMA: ativo estratégico da Embraer
Fundada em 1918 e localizada em Alverca, próxima a Lisboa, a OGMA é controlada em 65% pela Embraer desde 2005, com os 35% restantes pertencentes ao governo português, por meio da idD Portugal Defence. Com mais de um século de atuação, a empresa tornou-se peça-chave na estratégia industrial global da Embraer.

A OGMA possui certificações como Centro Autorizado de Manutenção para motores Rolls-Royce e Pratt & Whitney e é responsável pela fabricação de componentes estruturais relevantes do C-390 Millennium, incluindo fuselagem central, trens de pouso e elevadores. Em 2025, anunciou um investimento de aproximadamente US$ 217 milhões para ampliar sua capacidade de manutenção de motores GTF da Pratt & Whitney.

Sede da OGMA em Alverca, Portugal

Contexto de mercado e implicações estratégicas
A Índia é atualmente o mercado de aviação com crescimento mais rápido do mundo. Companhias aéreas como Air India, IndiGo e Akasa Air acumulam mais de 1.800 aeronaves encomendadas, enquanto os slots de entrega de Airbus e Boeing estão praticamente esgotados até o início da próxima década.

A Embraer estima que o país necessitará de ao menos 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos. Atualmente, cerca de 50 aeronaves Embraer operam na Índia, número ainda modesto frente ao domínio de Airbus e Boeing, mas com potencial de expansão significativa.

Ao combinar produção local e serviços de MRO, os acordos anunciados demonstram uma estratégia coordenada da Embraer para estabelecer presença industrial, tecnológica e comercial de longo prazo no país. Embora os memorandos ainda dependam de aprovações regulatórias e contratos definitivos, analistas avaliam que, se concretizados, os entendimentos poderão marcar um capítulo histórico tanto para a indústria aeroespacial indiana quanto para a fabricante brasileira.

Embraer atinge carteira recorde de US$ 31,6 bilhões no 4º trimestre

 Fabricante brasileira registra crescimento de 20% e entrega 244 aeronaves em 2025


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LRCA Defense Consulting - 27/01/2026

A Embraer encerrou 2025 com números históricos. A fabricante brasileira de aeronaves registrou uma carteira de pedidos (backlog) recorde de US$ 31,6 bilhões no quarto trimestre, representando um crescimento de 20% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado consolida a posição da empresa como uma das principais players do setor aeroespacial global.

Entregas superam expectativas
O desempenho operacional da companhia foi igualmente impressionante. No quarto trimestre de 2025, a Embraer entregou 91 aeronaves, um aumento de 21% comparado às 75 entregas do mesmo período em 2024. No acumulado do ano, foram 244 aeronaves entregues, superando em 18% as 206 unidades de 2024.

A divisão de Aviação Executiva liderou as entregas trimestrais com 53 aeronaves, seguida pela Aviação Comercial com 32 unidades e Defesa & Segurança com 6 aeronaves.

Aviação comercial em expansão
A divisão de Aviação Comercial registrou uma carteira de US$ 14,5 bilhões, alta de 42% em relação ao quarto trimestre de 2024. Apesar de uma redução de 5% em comparação ao terceiro trimestre devido à renegociação de pedidos da Azul durante seu processo de reestruturação (Chapter 11), o segmento apresentou um robusto índice book-to-bill de 2,8x.

Entre os destaques do período estão os novos contratos com TrueNoord e Helvetic Airways. A TrueNoord firmou pedido para 20 jatos E195-E2, marcando sua primeira encomenda direta com um fabricante de aeronaves, além de direitos de compra para até 20 E195-E2 adicionais e 10 E175-E1. Já a Helvetic Airways encomendou 3 E195-E2 firmes com 5 direitos de compra adicionais.

A Air Côte d'Ivoire também anunciou a aquisição de 4 jatos E175, com 8 direitos de compra adicionais, visando modernizar sua frota e melhorar a conectividade regional. A primeira entrega está prevista para o primeiro semestre de 2027.

Aviação executiva bate recorde histórico
O segmento de Aviação Executiva alcançou um novo patamar histórico com carteira de US$ 7,6 bilhões, crescimento de 3% no ano e 4% no trimestre. A divisão entregou 155 aeronaves em 2025, atingindo o teto superior da projeção (145-155 unidades) e estabelecendo um novo recorde para a empresa.

O crescimento de 19% nas entregas de jatos executivos superou o mercado global, com a Embraer capturando demanda crescente enquanto consolida bases para expansão sustentável de longo prazo. As entregas do quarto trimestre representaram 34% do total anual, abaixo da média histórica de 43% dos últimos cinco anos, refletindo o sucesso do programa de nivelamento de produção da companhia.

Defesa & Segurança amplia portfólio
A divisão de Defesa & Segurança registrou carteira de US$ 4,6 bilhões, alta de 10% no ano e 18% no trimestre. A unidade continuou a acelerar a produção, entregando 3 aeronaves KC-390 Millennium e 8 A-29 Super Tucano durante 2025, resultando em um índice book-to-bill de 1,4x.

No quarto trimestre, a Embraer entregou as primeiras 4 aeronaves A-29N Super Tucano à Força Aérea Portuguesa, reforçando seu papel na modernização da frota do país. Durante a cerimônia de entrega, a empresa e o governo português assinaram uma Carta de Intenção para avaliar o estabelecimento de uma linha de montagem final do A-29N Super Tucano em Portugal, visando atender a crescente demanda europeia por aeronaves configuradas para a OTAN.

A assinatura de contratos com a Suécia para 4 aeronaves KC-390, com Portugal para uma unidade adicional (sexto KC-390) e com o Panamá para 4 A-29 Super Tucano foram destaques do trimestre. Atualmente, a Embraer possui 33 pedidos firmes para o KC-390 Millennium e 31 para o A-29 Super Tucano.


Serviços & Suporte mantém nível recorde
A divisão de Serviços & Suporte manteve sua carteira em nível recorde de US$ 4,9 bilhões no quarto trimestre, crescimento de 7% no ano, impulsionada por diversos contratos assinados que sustentaram um sólido índice book-to-bill de 1,2x nos últimos 12 meses.

A unidade continua sendo motor central do crescimento da Embraer, apoiada por excelência operacional, forte abordagem centrada no cliente e portfólio crescente de soluções inovadoras de serviço.

Durante o trimestre, a Embraer iniciou a construção de uma nova instalação de MRO (manutenção, reparo e revisão) para jatos comerciais no Aeroporto Perot Field Alliance, em Fort Worth, Texas. O hangar, com abertura prevista para 2027, aumentará a capacidade de serviço para E-Jets nos Estados Unidos em mais de 50%.

A empresa também estendeu seu acordo de manutenção de longo prazo com a Republic Airways, garantindo suporte contínuo de manutenção pesada para mais de 240 E-Jets no país, e expandiu seu Programa Pool com a Airlink para apoiar 10 novas aeronaves E195-E2.

Resumo de entregas por segmento (2025)

Unidade de Negócio

4T25

Ano 2025

Aviação Executiva

53

155

Aviação Comercial

32

78

Defesa & Segurança

6

11

Total

91

244

Os resultados consolidam a trajetória de crescimento da Embraer e reforçam sua posição estratégica no mercado aeroespacial global. Com uma carteira recorde e forte desempenho operacional em todas as divisões, a empresa brasileira demonstra capacidade de capturar oportunidades em um mercado em expansão, ao mesmo tempo em que mantém foco em eficiência operacional e sustentabilidade.

JD Taurus conquista contrato para fornecimento de mais de 5.000 pistolas TS9 às forças de segurança indianas

Marco histórico reforça a estratégia "Make in India" e consolida autossuficiência no setor de defesa

  


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LRCA Defense Consulting - 27/01/2026

A JD Taurus, joint venture entre o Grupo Jindal e a brasileira Taurus Armas, anunciou a conquista de um contrato histórico para fornecimento de mais de 5.000 pistolas TS9 calibre 9mm às Forças Armadas Policiais Centrais (CAPF) da Índia. O acordo marca um momento decisivo na capacidade de produção nacional indiana e consolida a posição da empresa no competitivo mercado de defesa.

O contrato representa não apenas o maior pedido já recebido pela JD Taurus desde o início de suas operações em março de 2024, mas também demonstra a confiança das forças de segurança indianas em equipamentos produzidos domesticamente, eliminando a dependência de importações de armamento leve.

Pistola TS9: tecnologia militar aprovada pela OTAN
A pistola TS9 de 9mm, que equipará milhares de agentes das forças de segurança centrais indianas, possui características técnicas que a qualificam como armamento de categoria militar. Com capacidade para 17+1 cartuchos, sistema de disparo striker-fired e peso de 828 gramas, a arma foi desenvolvida especificamente para uso em condições extremas.

O diferencial da TS9 está na sua aprovação pelos rigorosos testes da OTAN, um selo de qualidade que poucas pistolas no mercado conseguem obter. A arma passou por avaliações que incluem teste de resistência de 20.000 disparos sem falhas, além de testes de funcionamento em condições adversas como imersão em lama, areia e água.

Entre suas características técnicas destacam-se o sistema de segurança duplo no gatilho (DTS - Dual Trigger Safety), miras ajustáveis de três pontos com trítio para uso noturno, trilho Picatinny para acessórios, e vedação especial contra poeira e lama. A pistola mede 18,85cm de comprimento total, com cano de 10,16cm e altura de 14,73cm.

Joint venture Brasil-Índia: modelo de cooperação estratégica
A parceria entre Jindal Defence e Taurus Armas, formalizada em janeiro de 2020, representa um modelo de cooperação Sul-Sul no setor de defesa. Com investimento inicial de US$ 5 milhões, onde a Taurus entrou somente com transferência de tecnologia, a joint venture estabeleceu uma proporção acionária de 51% para a Jindal e 49% para a empresa brasileira, em conformidade com a política "Make in India" do governo indiano.

A fábrica em Hisar, no estado de Haryana, ocupa uma área de dois acres e incorpora tecnologia de ponta com capacidade anual de produção de até 250.000 armas e facilidade de expansão, quando for necessário. A unidade conta com infraestrutura completa, incluindo campo de tiro para testes de qualidade, laboratórios metalográficos e meteorológicos, e área de montagem controlada por sistema de acesso eletrônico.

A transferência de tecnologia da brasileira Taurus foi fundamental para garantir padrões internacionais de qualidade e segurança. Especialistas brasileiros acompanharam todo o processo de implementação da linha de produção, assegurando que os produtos fabricados na Índia mantivessem as mesmas características das armas produzidas no Brasil.

CAPF: a estrutura de segurança interna da Índia
As Forças Armadas Policiais Centrais (Central Armed Police Forces - CAPF) constituem o principal braço de segurança interna da Índia, subordinado ao Ministério de Assuntos Internos. O conjunto é formado por sete organizações distintas: Border Security Force (BSF), Central Reserve Police Force (CRPF), Central Industrial Security Force (CISF), Indo-Tibetan Border Police (ITBP), Sashastra Seema Bal (SSB), National Security Guard (NSG) e Assam Rifles (AR).

Com efetivo total superior a 1 milhão de agentes, as CAPF são responsáveis pela proteção de fronteiras, combate ao terrorismo e insurgências, segurança de instalações estratégicas e apoio às forças policiais estaduais. A CRPF é a maior das forças, contando com mais de 313.000 agentes distribuídos em 247 batalhões.

O equipamento das CAPF, com armamento moderno e confiável, é considerado estratégico para o governo indiano, especialmente diante dos desafios de segurança nas regiões fronteiriças e áreas afetadas por movimentos insurgentes.

Competição vencida e especificações atendidas
Para conquistar o contrato, a pistola TS9 da Jindal Defence precisou superar concorrentes internacionais em rigorosos testes conduzidos pelas CAPF. As avaliações incluíram resistência operacional, precisão de tiro, durabilidade em condições adversas e facilidade de manutenção.

Segundo especialistas do setor citados pela publicação IADNews, a vitória da TS9 demonstra que a Índia desenvolveu capacidade de produção comparável aos principais fabricantes mundiais. "A Índia está demonstrando sua capacidade de produção no cenário global", afirmou um analista ao veículo especializado.

A produção será totalmente realizada em território indiano, garantindo que não haja necessidade de importação de componentes críticos. A JD Taurus certificou que seus produtos possuem entre 50% e 100% de valor agregado nacional, dependendo do modelo.
 

Impactos econômicos e sociais do contrato
Além do significado estratégico para a defesa nacional, o contrato das 5.000 pistolas gera impactos econômicos e sociais relevantes. A produção estimula a cadeia de fornecedores locais, gera empregos especializados e contribui para o desenvolvimento tecnológico da região de Haryana.

O Coronel Amit Baveja (reformado), ex-diretor de Negócios da JD Taurus, destacou em declaração anterior que a empresa está comprometida em equipar não apenas as forças militares, mas também forças paramilitares e polícias estaduais com armamento superior para atender suas demandas em evolução.

A JD Taurus já havia conquistado em 2024 uma licitação para fornecer 550 unidades da submetralhadora T9 ao Exército Indiano, no valor de aproximadamente ₹4,26 crores. O novo contrato com as CAPF representa uma expansão significativa nas operações da empresa.

Perspectivas para a indústria de defesa indiana
A conquista do contrato pela JD Taurus insere-se no contexto mais amplo da política de autossuficiência em defesa (Atmanirbhar Bharat) promovida pelo governo indiano. A estratégia visa reduzir a dependência de importações de equipamentos militares e criar uma base industrial de defesa robusta no país.

A Índia é tradicionalmente um dos maiores importadores de armamentos do mundo, mas vem implementando políticas para desenvolver capacidades domésticas de produção. O setor de armas leves é considerado prioritário nessa estratégia, dada a necessidade de equipar forças de segurança que somam milhões de agentes.

Para a Taurus Armas, a parceria com a Jindal representa uma importante porta de entrada no mercado asiático. A empresa brasileira, que já forneceu cerca de 30.000 pistolas TS9 para a Polícia Nacional das Filipinas, vê na Índia um mercado com potencial de crescimento exponencial.

Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus Armas, declarou, em ocasião anterior, estar orgulhoso de participar da inauguração da unidade de produção em Hisar, destacando que a combinação de forças e avanços tecnológicos posiciona a joint venture para atender às necessidades evolutivas do setor de defesa.

Próximos passos e projeções
Com a conquista deste contrato significativo, a JD Taurus consolida sua trajetória ascendente no setor de defesa indiano. A empresa projeta alcançar a meta de se tornar líder na fabricação de armas leves até 2026, conforme estabelecido em seu planejamento estratégico.

A fábrica de Hisar, que iniciou operações com produção piloto em março de 2024, já tem capacidade instalada para atender à demanda crescente. Para o ano fiscal em curso, a projeção inicial era de produção entre 25.000 e 30.000 armas, mas o novo contrato pode exigir aceleração desse cronograma.

Além das pistolas TS9, a JD Taurus possui certificação para fabricar uma gama diversificada de produtos, incluindo rifles, carabinas, submetralhadoras e revólveres, com índices variados de nacionalização dos componentes.

 

Momento histórico
O fornecimento de mais de 5.000 pistolas TS9 às Forças Armadas Policiais Centrais marca um momento histórico tanto para a JD Taurus quanto para a indústria de defesa indiana como um todo. O contrato demonstra que o país alcançou capacidade técnica para produzir armamento militar de padrão internacional, eliminando a necessidade de importações neste segmento.

Para as forças de segurança indianas, a aquisição representa um salto qualitativo no armamento disponível, equipando os agentes com pistolas aprovadas pelos mais rigorosos padrões internacionais. Para a indústria nacional, representa um incentivo concreto aos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e produção de equipamentos de defesa.

A parceria Brasil-Índia materializada na joint venture JD Taurus serve como modelo de cooperação Sul-Sul, demonstrando que países em desenvolvimento podem estabelecer alianças estratégicas mutuamente benéficas no sensível setor de defesa, gerando empregos, tecnologia e autossuficiência para ambas as nações.

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