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26 janeiro, 2026

Embraer avança na Polônia: da visita estratégica ao futuro da cooperação militar

Delegação polonesa conhece capacidades do KC-390 e A-29 Super Tucano enquanto país reestrutura poder aéreo diante da ameaça russa 


*LRCA Defense Consulting - 26/01/2026

A visita da Força Aérea Polonesa às instalações da Embraer no Brasil na semana passada representa muito mais do que uma demonstração comercial de rotina. Trata-se de um desdobramento estratégico em um processo que pode transformar a indústria de defesa brasileira em fornecedora de peso para uma das forças armadas que mais rapidamente se modernizam na Europa.

A delegação polonesa, liderada pelo Major-General Ireneusz Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas, não economizou tempo durante sua estadia em solo brasileiro. Além de conhecer as linhas de montagem do KC-390 Millennium e do A-29 Super Tucano, os militares poloneses participaram de voos de demonstração em ambas as aeronaves e trocaram informações com membros da Força Aérea Portuguesa lá presentes sobre suas experiências operacionais com o cargueiro brasileiro.

Contexto estratégico: preparação para um conflito prolongado
A urgência polonesa tem nome e endereço: Rússia. A invasão da Ucrânia em 2022 mudou radicalmente a percepção de segurança na Europa Oriental. Varsóvia não está mais planejando apenas para dissuasão, mas para resistência em um cenário de guerra prolongada.

Como o próprio Major-General Nowak declarou recentemente à publicação Defence24, a Polônia deve estar preparada para manter posições por meses ou até anos. Essa nova doutrina militar exige uma transformação profunda na arquitetura do poder aéreo polonês, com foco não apenas em capacidade de combate, mas em sustentabilidade logística sob pressão constante.

A lição ucraniana foi brutal: superioridade aérea significa pouco sem combustível, peças de reposição e munição. Por isso, antes mesmo de expandir frotas de caças, a Polônia corre para preencher lacunas críticas em transporte aéreo, reabastecimento em voo e suporte logístico.

Major-General Ireneusz Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas, no KC-390

KC-390: caminho praticamente aberto
O KC-390 Millennium ocupa uma posição privilegiada na estratégia polonesa. O país adota uma abordagem de complementaridade: o espanhol C-295 cobre transporte leve, o brasileiro KC-390 assumiria o segmento médio, e o europeu A400M Atlas ficaria com cargas pesadas e desdobramentos estratégicos.

"Não se trata de uma competição, mas de camadas de capacidade alinhadas aos padrões operacionais da OTAN", explicou o Coronel Paluch, responsável por aquisições na Força Aérea Polonesa. 

O que torna a proposta da Embraer especialmente atraente não são apenas as capacidades técnicas da aeronave (velocidade, eficiência logística e custos operacionais reduzidos), mas o compromisso industrial que acompanha a oferta. Em dezembro de 2025, a fabricante brasileira assinou cinco memorandos de entendimento com a Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ), o conglomerado estatal polonês de defesa, estabelecendo cooperação que inclui produção local de componentes, polonização de sistemas, manutenção e até possível instalação de linha de montagem final no país europeu.

Para uma nação traumatizada pela dependência externa (a falta de capacidade local para manutenção de motores dos F-16 tornou-se problema estrutural), a proposta de transferência de tecnologia e soberania operacional tem peso decisivo.

Durante a visita à Embraer, a delegação polonesa teve oportunidade única de conversar com pilotos portugueses que operam o KC-390, colhendo impressões diretas sobre desempenho operacional, confiabilidade e custos de manutenção. A confirmação de que a aeronave retornará em breve à Polônia para demonstrações utilizando equipamentos militares poloneses reforça o estágio avançado das negociações.


Major-General Ireneusz Nowak, Subcomandante das Forças Armadas Polonesas, no A-29

Super Tucano: o caçador improvável de drones
Mais surpreendente que o interesse no KC-390 é a atenção polonesa ao A-29 Super Tucano, um turboélice de ataque leve que parece anacronismo em uma era de caças supersônicos e drones sofisticados. Mas a guerra moderna revelou ironias táticas imprevistas.

A proliferação massiva de drones na Ucrânia, de pequenos quadricópteros comerciais adaptados para lançar granadas até UAVs de reconhecimento de médio porte, criou um problema para o qual soluções convencionais são economicamente inviáveis. Usar um caça moderno que custa dezenas de milhares de dólares por hora de voo para abater um drone de cinco mil dólares não faz sentido operacional.

"Tem que ser uma solução de treinamento e combate, de uso duplo: quando não está treinando pilotos, pode ser usada para missões simples de combate ou patrulha", explicou Nowak. O Super Tucano combina sensores eletro-ópticos, enlaces de dados e armamentos guiados a laser – exatamente o necessário para detectar, rastrear e interceptar drones a uma fração do custo de jatos supersônicos.

A Embraer aproveitou a visita para apresentar formalmente as capacidades contra-UAS (sistemas aéreos não tripulados) do A-29, tema também destacado durante a cerimônia de assinatura dos memorandos em dezembro.

Entretanto, o caminho do Super Tucano na Polônia é mais incerto. A avaliação só começará no início de 2026, não há definição de quantidades, e outras plataformas (incluindo helicópteros Apache AH-64E e até o transporte leve M-28 Brisa) também estão sendo consideradas para missões anti-drones. 

No painel acima dos presentes, a frase em polonês: "Bem-vindo à Embraer" sobre um KC-390 já estilizado para a Força Aérea Polonesa

Soberania industrial: a nova moeda europeia
O que torna a estratégia da Embraer particularmente inteligente é compreender que, para a Europa Oriental, soberania industrial em defesa tornou-se obsessão justificada. A dependência de fornecedores externos - sejam americanos, russos ou mesmo de outros países europeus - revelou-se uma vulnerabilidade perigosa.

"No caso de um conflito, você nunca sabe se haverá restrições de acesso às aeronaves por razões políticas", argumentou Nowak, justificando por que a Polônia recusou soluções multinacionais da OTAN para reabastecimento aéreo e preferiu desenvolver capacidade nacional própria.

Os acordos da Embraer com a PGZ não são meros contratos de compensação industrial, mas parcerias de longo prazo visando integrar empresas polonesas na cadeia de valor global da fabricante brasileira. Isso inclui não apenas produção de componentes, mas desenvolvimento de novas capacidades e possibilidade de que a indústria polonesa contribua para operações da Embraer em outros mercados europeus.

Janela histórica para a indústria brasileira
Para o Brasil e para a Embraer, o momento é histórico. Pela primeira vez, uma nação europeia da OTAN considera seriamente a aquisição em escala de aeronaves militares brasileiras, não por argumentos políticos ou filantropia, mas porque representam a melhor solução técnica, operacional e industrial para necessidades reais e urgentes.

A transformação da Força Aérea Polonesa apenas começou. O país planeja investir dezenas de bilhões de euros na próxima década para se tornar a força aérea mais poderosa da Europa Oriental, posição que a geografia e a história lhe impõem. Nesse processo, haverá espaço para múltiplos fornecedores: Airbus, Lockheed Martin, Boeing e, potencialmente, Embraer.

A visita da delegação polonesa ao Brasil e o retorno programado do KC-390 à Polônia para demonstrações com equipamentos militares locais sinalizam que as negociações avançaram além de conversas preliminares. Estão em estágio de validação operacional concreta.

Os próximos meses serão decisivos. Mas uma certeza já se consolidou: Varsóvia está prestando atenção. E no atual cenário de segurança europeu, atenção é o primeiro passo para um contrato que pode redefinir o papel do Brasil no mercado global de defesa.

Iniciativa da ABIMDE visa organizar e estruturar indústria de drones militares no Brasil

 Entidade coordena 23 empresas em iniciativa para consolidar tecnologia estratégica nacional



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LRCA Defense Consulting - 26/01/2026

O setor de veículos militares não tripulados no Brasil deixou de ser apenas uma promessa tecnológica para se tornar uma questão de estratégia nacional. Diante desse cenário, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) estruturou o Comitê de Veículos Não Tripulados, reunindo 23 empresas associadas para coordenar uma agenda técnica, institucional e regulatória em um dos setores mais sensíveis da atualidade.

A criação do comitê ocorre em momento decisivo para o país. Nos últimos dois anos, as Forças Armadas brasileiras aceleraram investimentos e testes com tecnologias de drones, tanto aéreos quanto terrestres e marítimos, impulsionadas pelos conflitos internacionais que demonstraram a relevância estratégica desses sistemas.

Crescimento acelerado e desafios regulatórios
A Marinha do Brasil finalizou recentemente testes com o primeiro drone tático de ataque desenvolvido nacionalmente, equipamento produzido por militares do Corpo de Fuzileiros Navais com autonomia de 25 minutos e capacidade de neutralizar veículos e aeronaves em um raio de até cinco quilômetros.

O Exército Brasileiro, inspirado por lições aprendidas em conflitos recentes, prepara a criação de batalhões especializados em drones após participar da Conferência do Exército do Futuro na Polônia, evento que reuniu representantes de 58 países para discutir táticas e tecnologias que vêm redefinindo o combate moderno.

As aplicações militares no Brasil já abrangem os três domínios: veículos aéreos não tripulados para reconhecimento e vigilância, sistemas terrestres automatizados e veículos marítimos não tripulados para operações navais. O país atualmente opera sete modelos diferentes de drones de monitoramento, e diversos projetos nacionais avançam para incorporar capacidades de ataque e defesa.

Indústria nacional em expansão
A base industrial brasileira de defesa vem ampliando significativamente sua participação no setor. Empresas como XMobots, Aero Concepts, Stella Tecnologia, Gespi e Santos Lab desenvolvem tecnologias que equipam desde o Pelotão de Veículos Aéreos Não Tripulados do Corpo de Fuzileiros Navais até unidades da Força Aérea Brasileira.

O drone Atobá, desenvolvido pela Stella Tecnologia, com 11 metros de envergadura e 28 horas de autonomia, representa o maior drone já construído no Brasil. A aeronave recentemente passou por evolução para incluir capacidades de ataque, fruto de parceria estratégica entre a Stella e a Omnisys, subsidiária brasileira do grupo francês Thales.

O modelo nacional atende aos requisitos da consulta aberta pelo Estado-Maior do Exército para aquisição de sistemas de ataque de categoria 3, com peso máximo de 700 kg, alcance de 300 km e altitude operacional de 18 mil pés. Um diferencial competitivo do Atobá é não conter tecnologias sujeitas ao controle ITAR (International Traffic in Arms Regulations), restrição imposta pelos Estados Unidos que dificulta a autonomia tecnológica de outros países.

Agenda do comitê: regulação e autonomia
Segundo informações da ABIMDE, a iniciativa do Comitê de Veículos Não Tripulados busca organizar a atuação da indústria nacional em três frentes principais: articulação industrial entre empresas do setor, contribuição com o debate legislativo sobre regulamentação do uso militar de sistemas autônomos, e apoio à construção de políticas públicas que garantam previsibilidade, competitividade e autonomia tecnológica.

O Brasil movimenta atualmente cerca de US$ 3,7 bilhões anuais no setor de defesa e segurança, gerando aproximadamente 25 mil empregos diretos e 100 mil indiretos, segundo dados da associação. O mercado vai além de armamento e munição, envolvendo proteção balística, aeronaves, viaturas, veículos não tripulados, sistemas de comando e controle, equipamentos óticos e vigilância.

A ABIMDE, que representa mais de 240 empresas associadas, atua como legítima interlocutora da Base Industrial de Defesa e Segurança do Brasil. A entidade coordena a participação brasileira em grandes feiras internacionais do setor, como a EDEX no Egito, a FIDAE no Chile e a LAAD no Rio de Janeiro, onde tecnologias nacionais de veículos não tripulados têm ganhado destaque.

Contexto internacional e soberania tecnológica
O movimento brasileiro ocorre em contexto global de rápida transformação. Oficiais ucranianos relataram em conferência internacional que a adoção de drones representa uma ruptura equivalente à introdução da metralhadora no século 19, capaz de alterar permanentemente a forma como exércitos se movimentam e se protegem.

Países como França já planejam linhas de combate compostas apenas por drones na vanguarda, seguidos por equipes híbridas de homens e máquinas. O Brasil, ao estruturar seu comitê setorial, demonstra compreensão de que a questão ultrapassa aspectos meramente tecnológicos, envolvendo soberania nacional e capacidade de resposta estratégica.

A regularidade de investimentos emerge como desafio central. Comandantes militares alertam que projetos tecnológicos não podem ficar sem recursos por longos períodos sob risco de perder todo o desenvolvimento acumulado. A previsibilidade orçamentária torna-se, portanto, fundamental para consolidar a capacidade nacional.

Próximos passos
Com 23 empresas já integradas ao comitê, a expectativa é que a iniciativa promova maior sinergia entre desenvolvedores, acelere processos de certificação e homologação, e estabeleça padrões técnicos que facilitem a interoperabilidade entre sistemas de diferentes fabricantes.

A estruturação do Comitê de Veículos Não Tripulados pela ABIMDE sinaliza amadurecimento da indústria nacional de defesa e reconhecimento de que tecnologias autônomas e remotamente pilotadas não são mais opcionais no planejamento estratégico militar brasileiro. O desafio agora é traduzir essa articulação setorial em políticas públicas efetivas e investimentos sustentáveis que garantam ao país autonomia em área cada vez mais crítica para a segurança nacional.

25 janeiro, 2026

Embraer reforça presença no Singapore Airshow 2026 com expansão estratégica na Ásia-Pacífico

Fabricante brasileira apresenta aeronaves de ponta e anuncia série de conquistas em mercado estratégico de alta relevância

 

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LRCA Defense Consulting - 25/01/2026

A Embraer confirmou sua participação na 10ª edição do Singapore Airshow, marcada para acontecer entre 3 e 8 de fevereiro de 2026, trazendo ao evento duas de suas principais aeronaves: o jato comercial E195-E2 e a aeronave militar multimissão KC-390 Millennium. A presença da empresa brasileira no evento asiático chega em um momento de forte expansão na região da Ásia-Pacífico, onde a companhia acumula conquistas comerciais significativas e amplia sua infraestrutura operacional.

A escolha do Singapore Airshow como vitrine para suas aeronaves não é casual. Singapura funciona como centro nervoso das operações da Embraer na Ásia-Pacífico, abrigando um Centro de Distribuição Regional com mais de US$ 100 milhões em peças de reposição e um simulador E2 que oferece treinamento essencial para pilotos de companhias aéreas de toda a região.

E195-E2: eficiência e sustentabilidade nos céus asiáticos
O E195-E2 é descrito pela Embraer como a aeronave comercial mais silenciosa e com maior eficiência de combustível do mundo em sua categoria. Com capacidade para até 146 passageiros em configuração padrão, o jato representa a nova geração da família E-Jets, incorporando melhorias aerodinâmicas significativas e motores Pratt & Whitney GTF de última geração.

A aeronave tem conquistado espaço crescente no mercado asiático. A Scoot, companhia aérea de baixo custo subsidiária da Singapore Airlines, iniciou operações com o E190-E2 em 7 de maio de 2024, com voos inaugurais de Singapura para Krabi e Hat Yai, na Tailândia. Desde então, a frota de sete aeronaves E190-E2 da Scoot tem ampliado constantemente sua malha de destinos, incluindo cidades na Malásia, Indonésia, Laos, Filipinas e Vietnã.

O desempenho operacional tem sido notável. O CEO da Scoot, Leslie Thng, relatou que os jatos E190-E2 apresentaram forte demanda e resultados operacionais positivos desde seu lançamento, com as aeronaves de 112 assentos sendo utilizadas para atender rotas de curta e média distância com menor demanda de passageiros.

Virgin Australia: estreia do E2 na Oceania
A expansão do E2 na região ganhou novo impulso com a entrada em operação da Virgin Australia Regional Airlines (VARA). A primeira aeronave E190-E2 da Virgin Australia, batizada de 'Coral Bay', completou seu voo comercial inaugural em 28 de outubro de 2025, operando a rota Perth-Boolgeeda.

A Virgin Australia possui um pedido firme de oito aeronaves E190-E2, configuradas com oito assentos executivos e 92 assentos econômicos. As aeronaves foram especificamente escolhidas para substituir a frota de Fokker 100, oferecendo economia de combustível de até 30% em comparação com os modelos antigos, além de redução significativa de emissões e ruído.

Nathan Miller, executivo-geral da VARA, destacou que o E190-E2 foi desenhado para lidar com as condições desafiadoras das regiões mineradoras da Austrália Ocidental, incluindo pistas curtas, temperaturas extremas e locais remotos que exigem alta confiabilidade.

ANA: primeira operadora japonesa do E2
Em um marco histórico para a Embraer, a All Nippon Airways (ANA) e a fabricante brasileira formalizaram um acordo de compra para 15 aeronaves E190-E2, com direitos de compra para mais cinco unidades, tornando-se a primeira companhia aérea japonesa a operar aeronaves da família E-Jets E2.

As entregas começarão a partir do ano fiscal de 2028, que inicia em 1º de abril de 2028, estendendo-se até 2033. A ANA identificou que o E190-E2, com aproximadamente 110 assentos, preenche uma lacuna importante em sua frota, posicionando-se entre os Dash 8 de 74 assentos e os Boeing 737-800 de 166 assentos.

Martyn Holmes, diretor comercial da Embraer Aviação Comercial, declarou: "O E190-E2 é a aeronave mais silenciosa e eficiente em termos de combustível do mercado. O porte do jato complementa perfeitamente a frota de narrowbodies maiores da ANA."

KC-390 Millennium: avanço no segmento de defesa
Enquanto a aviação comercial consolida ganhos, a Embraer Defesa & Segurança também registra progressos significativos na Ásia-Pacífico. Em 20 de outubro de 2025, durante a abertura da ADEX 2025 em Seul, a Embraer e a Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) da Coreia do Sul formalizaram um Memorando de Entendimento para fortalecer a cooperação em novos negócios e no desenvolvimento de oportunidades de mercado no setor de defesa sul-coreano.

O brigadeiro do ar Kang Joong-hee, diretor da Divisão de Negócios de Aeronaves da DAPA, afirmou que o MoU representa uma oportunidade para a Coreia do Sul e o Brasil irem além de uma simples relação de compra e venda, estabelecendo um modelo de cooperação mútua.

Em 2023, a DAPA selecionou o C-390 Millennium em uma licitação pública de Aeronaves de Transporte de Grande Porte para fornecer à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) novos modelos de transporte militar. A aeronave será especialmente configurada para atender aos requisitos da ROKAF, com serviços e suporte abrangentes.

Índia: novo escritório e ambições de crescimento
Em 17 de outubro de 2025, a Embraer inaugurou seu novo escritório em Nova Delhi, no complexo WorldMark 4, Aerocity, marcando um aprofundamento significativo do compromisso da empresa com a Índia. O evento contou com a presença do vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, do ministro da Defesa José Múcio, do ministro da Aviação Civil da Índia Shri Kinjarapu Rammohan Naidu e do embaixador do Brasil na Índia.

A abertura do escritório prepara o cenário para expansão em todas as unidades de negócios da Embraer: aviação comercial, defesa, aviação executiva, serviços e mobilidade aérea urbana. O novo escritório servirá como centro de operações na Índia, desenvolvendo capacidades para capitalizar oportunidades na indústria aeroespacial e de defesa do país.

Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, declarou que a inauguração "marca um novo e ousado capítulo para a Embraer na Índia – um mercado central para nossa visão global."

Na área de defesa, a Embraer tem apresentado o C-390 Millennium como solução para o programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. Além disso, a empresa firmou um Acordo de Cooperação Estratégica com o Grupo Mahindra para impulsionar o desenvolvimento da solução C-390 Millennium para esse programa.

Parceria Adani: produção local de jatos comerciais
A estratégia da Embraer na Índia ganhou uma nova dimensão potencialmente transformadora com a parceria estratégica firmada com o Adani Group, um dos maiores conglomerados indianos, que deverá ser anunciada na próxima terça-feira (27) durante o Wings India 2026, evento que ocorre em Hyderabad entre 28 e 31 de janeiro. Segundo análise do banco JPMorgan divulgada em janeiro de 2026, este acordo pode representar um marco definitivo na história da empresa brasileira.

A parceria prevê a produção local de jatos comerciais da família E-Jets E2 na Índia, envolvendo não apenas encomendas isoladas, mas um modelo completo de fabricação em território indiano. A mídia indiana informou que a Adani Aerospace assinou recentemente um memorando de entendimento com a Embraer no Brasil, estabelecendo as bases para uma linha de montagem final que transformará a Índia em hub de produção para o mercado asiático.

O mercado indiano apresenta números impressionantes: estimativas apontam demanda potencial de cerca de 500 aeronaves regionais nos próximos 20 anos, o que representa um mercado de aproximadamente US$ 21 bilhões, considerando um preço médio de US$ 42 milhões por aeronave. Raul Villaron, vice-presidente sênior da Embraer, confirmou que a Índia precisará de 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nas próximas duas décadas, justificando plenamente a instalação de uma linha de montagem local.

Impacto financeiro e estratégico
Segundo cálculos preliminares do JPMorgan, o acordo com o Adani Group poderia gerar um valor presente líquido (VPL) de cerca de US$ 700 milhões, podendo alcançar US$ 1,1 bilhão quando considerada perpetuidade. Este montante equivale a algo entre 5% e 8% do valor de mercado atual da Embraer, o que explica a reação positiva das ações EMBJ3 na bolsa brasileira após a divulgação das primeiras informações sobre a parceria.

As projeções consideram início da produção em 2028, vendas diluídas ao longo de duas décadas, crescimento gradual dos preços e expansão das margens operacionais, em linha com a maturação do mercado indiano. A Embraer já mantém presença relevante no país, com quase 50 aeronaves em operação nos segmentos de aviação comercial, executiva e de defesa.

Um diferencial importante desta parceria são os incentivos fiscais do governo indiano para aeronaves produzidas localmente, parte do programa "Make in India", que tornaria os E-Jets E2 significativamente mais competitivos frente ao principal concorrente, o Airbus A220. Estimativas indicam que os custos de manufatura aeroespacial na Índia são 30-40% inferiores aos dos Estados Unidos e 25-35% menores que no Brasil, principalmente devido a custos de mão de obra, energia e logística.

Consequências para a Embraer
A parceria Adani-Embraer representa muito mais do que uma expansão comercial; marca uma transformação estratégica fundamental no modelo de negócios da empresa brasileira. A Embraer está evoluindo de uma companhia que exporta produtos fabricados no Brasil para uma verdadeira multinacional com capacidade produtiva descentralizada em múltiplos continentes.

Esta movimentação permite à Embraer: mitigar riscos geopolíticos com produção distribuída, otimizar custos aproveitando vantagens comparativas regionais, facilitar customização e serviços pós-venda com proximidade aos clientes, e acessar mercados protegidos que exigem conteúdo local significativo.

Combinando a parceria Mahindra para o C-390 Millennium (com potencial de 40-80 aeronaves num contrato de US$ 5-8 bilhões) e a parceria Adani para os E-Jets E2 (com demanda de 400-500 aeronaves nos próximos 15 anos), a Embraer posiciona a Índia como segundo centro produtivo global mais importante depois do Brasil, potencialmente movimentando entre US$ 13-20 bilhões em negócios ao longo das próximas duas décadas.

Infraestrutura e serviços: alicerces do crescimento
A Embraer também fortaleceu sua infraestrutura de treinamento na região. A joint venture Embraer-CAE Training Services (ECTS) criou o primeiro simulador de voo completo (FFS) para o E-Jets E2 na região Ásia-Pacífico, localizado em Singapura. O simulador, instalado no Singapore CAE Flight Training Centre dentro do SIA Training Centre, oferece treinamento essencial para pilotos de companhias aéreas em toda a região.

Esse investimento em infraestrutura de treinamento demonstra o compromisso de longo prazo da Embraer com o mercado asiático, garantindo que as companhias aéreas tenham acesso local a programas de capacitação de alta qualidade.

Eve Air Mobility: o futuro da mobilidade urbana
A Eve Air Mobility, parte do grupo Embraer, também marcará presença no Singapore Airshow. Em dezembro de 2025, a Eve concluiu o primeiro voo de seu protótipo eVTOL não tripulado em escala real nas instalações de teste da Embraer, marcando o início de sua campanha de testes de voo e validando a integração de sistemas-chave, incluindo a arquitetura fly-by-wire de quinta geração e rotores de sustentação de passo fixo.

As operações de teste continuarão ao longo de 2026, expandindo progressivamente o envelope de voo à medida que a aeronave transita para o voo totalmente sustentado por asas, representando o futuro da mobilidade aérea urbana.

Perspectivas e relevância estratégica
Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, enfatizou a importância da região: "A dinâmica região da Ásia-Pacífico é um importante motor de crescimento para a Embraer, e vemos oportunidades significativas nos setores aeroespacial e de defesa. As companhias aéreas da região consideram cada vez mais os E-Jets e o E2 como ativos estratégicos para fortalecer a conectividade em toda a Ásia-Pacífico."

A Embraer está presente na região há quase cinco décadas, desde que a primeira aeronave operou na Ásia-Pacífico em 1978. Atualmente, a frota da empresa na região abrange mais de 20 países, consolidando a Embraer como player fundamental no mercado aeroespacial asiático.

Os recentes pedidos de venda, parcerias estratégicas e expansão da infraestrutura refletem não apenas o compromisso da Embraer com a região, mas também a confiança que companhias aéreas e forças armadas asiáticas depositam nas soluções tecnológicas brasileiras. Com presença reforçada em aviação comercial, defesa, jatos executivos, serviços e mobilidade aérea urbana, a Embraer posiciona-se para capturar o crescimento robusto esperado para o mercado aeroespacial da Ásia-Pacífico nas próximas décadas.


Atividades de mídia no Singapore Airshow:

  • Conferência de imprensa da Embraer: terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, às 14h, na Sala 3 do pavilhão principal
  • Conferência de imprensa da Eve Air Mobility: quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, às 13h, na Sala 4 do pavilhão principal
  • Visitas guiadas às aeronaves em exposição estática: 3 a 5 de fevereiro, às 15h30 (ponto de encontro: recepção do chalé da Embraer)

 

 

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