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08 agosto, 2026

Letônia avalia incorporar o A-29 Super Tucano à defesa aérea

Comandante da Força Aérea letã revela contatos com fabricantes para empregar o turboélice brasileiro no combate a drones e alvos lentos


*LRCA Defense Consulting - 08/08/2026

O comandante da Força Aérea da Letônia, coronel Viesturs Masulis, revelou que a instituição avalia a possível aquisição do A-29 Super Tucano, turboélice de ataque leve fabricado pela brasileira Embraer, como parte do reforço da defesa aérea do país báltico. A informação foi divulgada nesta semana pelo portal Sargs.lv, em episódio do podcast Droši ir zināt ("É bom saber", em tradução livre), publicado em 7 de agosto de 2026.

Segundo o coronel Masulis, o contato com a indústria ocorreu em meados de julho, durante a conferência Global Air & Space Chiefs', realizada em Londres, na qual se reuniu com representantes da indústria militar para discutir alternativas de aeronaves leves de combate e treinamento. O A-29 Super Tucano é uma das plataformas também avaliadas por outros países-membros da OTAN.

O que é o A-29 Super Tucano
O A-29 Super Tucano é uma aeronave turboélice originalmente concebida para missões de ataque leve, reconhecimento e treinamento avançado de pilotos, sendo uma plataforma testada em combate e considerada intermediária entre helicópteros de ataque e caças a jato. Entre suas principais vantagens estão o custo reduzido de manutenção e de hora de voo em comparação com jatos de combate, a autonomia de patrulha superior a seis horas, a capacidade de pousar e decolar em pistas curtas e não preparadas, além da compatibilidade com munição guiada de precisão, mísseis ar-ar, metralhadoras embarcadas e sensores eletro-ópticos e infravermelhos.

Papel na defesa aérea da Letônia
Para o coronel Masulis, a aquisição do turboélice brasileiro é uma opção real, embora qualquer solução na área da aviação exija recursos financeiros expressivos. Segundo ele, os primeiros passos já foram dados: os fabricantes já foram contatados, e o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas Nacionais da Letônia (NBS) determinou a busca pelas soluções mais eficientes.

"Ao passar o bastão ao próximo comandante da Força Aérea, coronel Edmunds Svenčs, certamente o incentivarei a focar nessas aeronaves, não como aviões clássicos, mas como defesa aérea baseada no ar, especialmente na luta contra alvos lentos e drones", afirmou Masulis, segundo o Sargs.lv.

O governo letão já destinou mais de um bilhão de euros ao fortalecimento da defesa aérea do país, e uma das possíveis componentes desse sistema seria justamente uma solução baseada em aeronaves. De acordo com o comandante, assim que os fabricantes apresentarem estimativas concretas de custos e prazos de fornecimento, será elaborada uma análise detalhada e um plano de ação.

Indústria local e comparação regional
Questionado sobre o potencial da indústria letã para produzir localmente uma aeronave semelhante, Masulis reconheceu que os fabricantes nacionais têm grande potencial, mas destacou que a aviação militar exige décadas de experiência acumulada. Ele citou o caso do Tarragon, aeronave leve produzida pela empresa letã Pelegrin, entregue à Força Aérea em 2022 para treinamento de pilotos, como um exemplo bem-sucedido, mas insuficiente para suprir uma necessidade de aviação de combate mais robusta. "Nossos fabricantes locais ainda precisam crescer. Se olharmos para uma aviação de combate mais séria, hoje é preciso dar preferência a soluções comprovadas e reconhecidas internacionalmente", concluiu o comandante, de acordo com o Sargs.lv.

O caso letão se soma a um movimento mais amplo dentro da OTAN em torno do A-29 Super Tucano. Portugal foi o primeiro país da aliança a operar a variante A-29N, configurada segundo os padrões da OTAN, com entregas iniciadas em dezembro de 2025 e integração dos primeiros aviões à Esquadra 101 "Roncos", da Base Aérea de Beja, no início de 2026. A versão A-29N incorpora datalink tático, cockpit compatível com visão noturna e capacidade declarada para missões de luta antidrone em cenários de baixa ameaça.

O processo de avaliação de novas capacidades pela Força Aérea letã está em estágio inicial, e seus próximos desdobramentos dependerão da análise detalhada a ser conduzida pela nova gestão e da disponibilidade orçamentária para a aquisição.

Algemas Brasil amplia portfólio e lança lanterna tática para fuzis na COP International 2026

Empresa de Almirante Tamandaré (PR) apresenta a XP22 MK3 com exclusividade na América Latina e reforça linha de bastões retráteis e algemas durante o maior evento de segurança pública da América Latina


 
*LRCA Defense Consulting - 08/08/2026

A Algemas Brasil, indústria brasileira especializada no desenvolvimento de soluções destinadas às forças de segurança, amplia seu portfólio e apresenta novidades durante a COP International 2026, principal evento latino-americano dos setores de segurança pública, defesa e inteligência, marcado para os dias 11 a 13 de agosto, no São Paulo Expo, na capital paulista.
O principal lançamento é a lanterna tática XP22 MK3, que passa a ser distribuída com exclusividade pela empresa em toda a América Latina. Outro destaque da participação é a linha de bastões retráteis profissionais, voltada às diferentes necessidades operacionais das forças de segurança.
“A inovação faz parte da evolução da Algemas Brasil. Estamos ampliando nosso portfólio para oferecer soluções cada vez mais completas, desenvolvidas para aumentar a eficiência e a segurança das operações. A COP International é o ambiente ideal para apresentar essas novidades aos profissionais que utilizam esses equipamentos no dia a dia”, afirma Pietra Pasquali Franco, diretora de operações (COO) da Algemas Brasil.
Nova lanterna tática
A XP22 MK3 foi desenvolvida para utilização em fuzis, incorporando soluções voltadas às operações policiais e militares. Seu principal diferencial é o perfil ultracompacto, com apenas 14,55 milímetros de altura sobre o trilho Picatinny, o que permite a instalação sem interferir no campo de visão das miras ópticas, uma limitação comum em lanternas convencionais.
O equipamento reúne iluminação branca de 1.600 lúmens, laser verde com acionamento independente e um sistema de dupla cabeça que elimina a sombra projetada pelo cano da arma, proporcionando iluminação mais uniforme durante a operação. Construída em alumínio aeronáutico, a lanterna também possui proteção IP66, carregamento magnético via USB e resistência comprovada ao recuo.
Bastões retráteis
A empresa também levará à COP International sua linha de bastões retráteis profissionais, desenvolvida para diferentes aplicações operacionais. Um dos destaques é o Maritimus, fabricado em aço temperado de alta resistência e certificado pela norma Technische Richtlinie, referência internacional para esse tipo de equipamento. Os bastões são submetidos a ensaios de resistência mecânica, corrosão e durabilidade, atendendo aos requisitos exigidos para uso profissional.
 
Soluções para segurança pública
Além dos lançamentos, a Algemas Brasil apresentará seus modelos de algemas, desenvolvidos para atender diferentes necessidades operacionais de forças policiais, sistemas penitenciários, guardas municipais e demais instituições de segurança pública.
Fabricados em aço inoxidável ou aço carbono, os equipamentos passam por ensaios de resistência e seguem os protocolos previstos na norma internacional NIJ 0307.01, do National Institute of Justice (Estados Unidos), referência técnica para esse tipo de dispositivo. A empresa também fabrica soluções personalizadas, incluindo gravações institucionais e configurações específicas de acordo com as necessidades de cada órgão.
Expansão internacional
A presença na COP International ocorre em meio a um movimento de expansão da Algemas Brasil no mercado externo. Em 2026, a empresa forneceu à cidade de San Salvador, em El Salvador, um lote de 1.500 algemas de pulso fabricadas em aço carbono niquelado; do total, 1.100 unidades foram destinadas à Polícia Nacional Civil salvadorenha e outras 400 a órgãos de segurança do país, primeiro fornecimento da companhia ao mercado local.
Ainda em 2026, a empresa entregou um lote de 800 algemas de diferentes modelos a seu distribuidor nos Estados Unidos. Para estruturar sua presença em mercados estratégicos no exterior, a companhia utiliza a marca 1912 Handcuffs and Batons, voltada a distribuidores e clientes internacionais. Atualmente, a Algemas Brasil produz cerca de 5 mil algemas por mês e a expectativa da empresa é que as exportações passem a representar aproximadamente 10% do faturamento nos próximos anos, com negociações em curso na América Latina, nos Estados Unidos e na Europa.
 
Sobre a Algemas Brasil
Fundada em 2014 e sediada em Almirante Tamandaré (PR), a Algemas Brasil é uma indústria nacional especializada no desenvolvimento, fabricação e fornecimento de equipamentos destinados às forças de segurança. Atualmente produz 11 modelos de algemas utilizados por instituições policiais e órgãos governamentais em todo o País e amplia sua atuação no segmento tático com novos equipamentos voltados às atividades de segurança pública.
Sobre a COP International 2026
Realizada em colaboração com a Enforce Tac, principal evento europeu do setor, a COP International chega à sexta edição com foco no emprego de inteligência artificial e de novas tecnologias nas áreas de segurança pública, defesa e inteligência. A organização espera reunir mais de 20 mil participantes e mais de 80 expositores de oito países, em uma área de exposição ampliada de 11 mil para 14 mil metros quadrados ante a edição anterior, que movimentou cerca de R$ 100 milhões em negócios, segundo dados do evento. O congresso conta com apoio institucional do Ministério da Defesa e do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Serviço
Evento: COP International 2026, Congresso de Operações Policiais
Data: 11 a 13 de agosto de 2026
Local: São Paulo Expo, Rodovia dos Imigrantes, km 1,5, São Paulo (SP)
Estande da Algemas Brasil: B50
 

07 agosto, 2026

Embraer negocia com a IndiGo encomenda bilionária de jatos regionais na Índia

Fabricante brasileira discute venda de dezenas de aeronaves da família E2 para substituir frota de turboélices ATR da maior companhia aérea indiana; negociações estão em estágio inicial e podem aproximar a Embraer da instalação de uma linha de montagem no país
 

*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026

A InterGlobe Aviation Ltd., controladora da IndiGo, maior companhia aérea da Índia, está em negociações com a Embraer sobre uma possível encomenda de grande porte de jatos regionais, segundo pessoas com conhecimento do assunto ouvidas pela Bloomberg. As fontes, que pediram para não ser identificadas em razão do caráter confidencial da informação, afirmaram que a IndiGo avalia a compra de dezenas de aeronaves da família E2 da fabricante brasileira.
De acordo com o levantamento, o objetivo da companhia aérea indiana é duplo: substituir a frota de 46 turboélices ATR atualmente em operação e, ao mesmo tempo, ampliar a capacidade de transporte em rotas regionais. As conversas ainda estão em fase preliminar, e as fontes ressalvaram que não há garantia de que um pedido será efetivamente fechado.
Valor bilionário e maior pedido já negociado na Índia
Um eventual acordo pode ser avaliado em bilhões de dólares, considerando o preço de tabela antes da aplicação dos descontos habituais do setor. Segundo a Bloomberg, seria o maior pedido já negociado pela Embraer na Índia e aproximaria a fabricante brasileira da instalação de uma linha completa de montagem de aeronaves no país. O presidente-executivo da Embraer, Francisco Gomes Neto, já havia declarado publicamente que a empresa precisa reunir encomendas para pelo menos 200 jatos regionais antes de considerar viável essa unidade fabril indiana.
Procuradas pela reportagem original, a IndiGo e a Embraer não responderam de imediato a pedidos de comentário enviados por e-mail.
Mercado indiano em expansão
A Índia é hoje o terceiro maior mercado de viagens aéreas do mundo e segue em rápida expansão, segundo dados da IATA (Associação Internacional de Transporte Aéreo). Apesar disso, o país ainda não conta com montagem comercial de aeronaves em solo indiano, o que mantém o setor dependente de fabricantes estrangeiros. IndiGo e Air India Ltd. concentram algumas das maiores encomendas do mundo para jatos da Airbus e da Boeing. A própria IndiGo fechou, em junho de 2023, um pedido recorde de 500 aeronaves da família A320 junto à fabricante europeia, reforçando seu perfil histórico de cliente da Airbus.
Segundo dados da própria companhia relativos a março deste ano, a frota da IndiGo é composta por 441 aeronaves, das quais 46 são turboélices regionais ATR. A companhia aérea ainda tem cerca de 900 aeronaves com entrega prevista para a próxima década, o que torna um eventual pedido à Embraer uma mudança significativa em relação ao padrão de compras da empresa.
Parceria com o grupo Adani e ambição de manufatura local
A Embraer já firmou parceria com o conglomerado do bilionário Gautam Adani para viabilizar a produção de aeronaves em território indiano, iniciativa que se soma ao plano do governo de Narendra Modi de transformar o país em polo global de manufatura aeronáutica. A fabricante brasileira também abriu escritório em Nova Délhi, em outubro do ano passado, movimento que reforçou suas ambições comerciais no mercado indiano.
A linha de montagem final planejada pela Embraer em parceria com a Adani Defence & Aerospace terá sede na Região Especial de Investimento de Dholera (DSIR), em Gujarat, e deve produzir o E175-E1, jato regional de 88 assentos da primeira geração da família E-Jets, a partir de 2028. O modelo negociado com a IndiGo, no entanto, integra a família E2, de segunda geração, o que indica que a fabricante brasileira trabalha simultaneamente em diferentes frentes comerciais no país: pedidos de aeronaves E2 para atender operadoras já estabelecidas e o projeto de manufatura local voltado ao E175-E1.
Outras companhias indianas na mira da Embraer
As tratativas com a IndiGo se somam a outras negociações já em curso da Embraer no país. A fabricante mantém conversas com a Star Air, maior companhia aérea regional da Índia, para a venda de até 20 aeronaves, negócio avaliado em cerca de US$ 1 bilhão. A Alliance Air, operadora regional estatal, também discute preliminarmente com a Embraer a renovação de sua frota de turboélices, em meio a problemas recorrentes enfrentados com os ATR 72.
A própria IndiGo já vinha sendo apontada, desde o fim de 2025, como uma das companhias em avaliação de um pedido regional de até 100 aeronaves, cujas opções incluíam o ATR 72, o A220 da Airbus e o E175 da Embraer. A confirmação, agora, de negociações específicas para jatos E2 indica um avanço nessas tratativas, ainda que sem fechamento de contrato.
Próximos passos
Caso as negociações avancem e se traduzam em pedido firme, o acordo representaria um marco para a presença da Embraer na aviação comercial indiana, hoje modesta se comparada à de mercados como China e Japão. A confirmação de um contrato com a IndiGo também poderia contribuir para que a fabricante brasileira atingisse o patamar de encomendas necessário para viabilizar sua planejada unidade de manufatura no País, ainda que a métrica de 200 unidades citada pela Embraer se refira especificamente ao programa E175-E1 destinado à linha de Dholera.

06 agosto, 2026

Brasil e Suécia assinam plano de ação ampliando cooperação em defesa: Gripen, C-390 e novas frentes

Documento firmado em Brasília durante visita da chanceler sueca celebra bicentenário das relações bilaterais e abre novas frentes industriais em blindados, munições, drones e ciberespaço
 


*LRCA Defense Consulting - 07/08/2026

A ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard, esteve em Brasília nesta quarta-feira (5/8) para uma visita oficial que resultou na assinatura, com o chanceler brasileiro Mauro Vieira, do documento intitulado Parceria Estratégica Brasil–Suécia, plano de ação para o terceiro século das relações bilaterais. O ato, publicado pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) como Nota à Imprensa nº 258, celebra os duzentos anos do estabelecimento de relações diplomáticas entre os dois países, iniciadas em 1826, e estabelece diretrizes para o aprofundamento da parceria em oito áreas, entre elas a cooperação em defesa, tratada no capítulo III do texto.

Brasil e Suécia reafirmaram, no documento, a satisfação com o andamento do contrato firmado em 27 de outubro de 2014 entre o governo brasileiro e a Saab, relativo ao Programa FX Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB), destinado à modernização e ao reequipamento da frota de caças supersônicos do País. As partes elogiaram a continuidade das entregas das 36 aeronaves Gripen F-39 adquiridas pelo Brasil e a consolidação da integração do programa na Base Aérea de Anápolis.

O texto também celebra dois marcos recentes do programa: a apresentação, em 25 de março de 2026, do primeiro Gripen E produzido em território brasileiro, e a cerimônia de roll-out, realizada em 2 de junho de 2026 na fábrica da Saab em Linköping, do primeiro Gripen F destinado à FAB, ocasião que contou com a presença do ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro Filho.

O plano de ação recorda ainda a declaração conjunta assinada por ocasião da visita oficial de Múcio ao seu homólogo sueco, Pål Jonson, em 4 de junho de 2026, que formalizou o início de negociações para uma emenda ao contrato vigente, com vistas à aquisição de vinte aeronaves Gripen E/F adicionais, de modo a atender requisitos identificados para a defesa nacional do Brasil. O mesmo encontro tratou da criação de um centro de inovação dedicado ao desenvolvimento e à prospecção de novos sistemas e equipamentos aplicáveis à operação, à manutenção e à modernização das aeronaves Gripen, iniciativa que, segundo o documento, deve fortalecer a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio da ampliação de capacidades tecnológicas e da formação de recursos humanos qualificados.

Entre as estruturas industriais citadas no acordo estão a unidade de apoio da Saab instalada na Base Aérea de Anápolis, a planta de produção erguida em São Bernardo do Campo e a integração da empresa sueca às instalações da Embraer em Gavião Peixoto, onde funciona a linha de produção do Gripen e onde a primeira aeronave nacional foi concluída em 2026.

Em contrapartida, o documento saúda a aquisição, pela Suécia, de quatro aeronaves multimissão de transporte tático Embraer C-390 em outubro de 2025, e registra a intenção dos dois governos de atuar conjuntamente na promoção do Gripen e do C-390 em terceiros mercados. O ato também comemora a entrada em vigor, em setembro de 2025, do Protocolo sobre Controle de Exportação de Produtos de Defesa entre os dois países, assinado em Brasília em 8 de novembro de 2022.

Novas frentes de cooperação e integração entre as bases industriais de defesa
Além da parceria aeronáutica, já consolidada, Brasil e Suécia sinalizaram intenção de explorar novas frentes de cooperação em material de defesa, incluindo veículos blindados, armamentos, munições, sistemas de aeronaves não tripuladas (UAS) e de combate a esses sistemas (C-UAS), resiliência de cadeias de suprimento, espaço e ciberespaço. O texto prevê ainda o incentivo à participação de delegações dos dois países em atividades de treinamento, no desenvolvimento de procedimentos táticos e em feiras e exposições do setor de defesa.

O plano de ação encoraja a integração entre as bases industriais de defesa dos dois países, com a identificação de oportunidades para que empresas brasileiras atuem como fornecedoras certificadas de subconjuntos, matérias-primas e tecnologias de uso dual nas cadeias de suprimento sueca e brasileira. Os governos também manifestaram intenção de fortalecer a cooperação institucional e industrial para assegurar fornecimento contínuo e previsível de armamentos e munições, e de incentivar parcerias de longo prazo, joint ventures e o codesenvolvimento de tecnologias entre empresas dos dois países, com vistas ao fortalecimento das capacidades de Defesa Total e da estrutura de mobilização suecas.

Do ponto de vista institucional, o documento reforça a importância das reuniões do Diálogo Político-Militar Brasil–Suécia, conhecido como Diálogo 2+2 e estabelecido em 2015, bem como da continuidade dos encontros do Comitê Executivo de Alto Nível (CAE) entre os dois países. Também é mencionado o grupo de trabalho formado pelo Ministério da Defesa do Brasil, pela FAB e pelo Ministério da Defesa da Suécia, criado a partir da carta de intenções assinada pelos ministros da Defesa dos dois países em novembro de 2024, em Natal (RN). 

Plano de ação mais amplo
A cooperação em defesa integra um plano de ação mais amplo, que também trata de diálogo político, comércio e investimentos, ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável, combate ao crime organizado e cooperação cultural. Segundo o próprio texto, o documento não cria obrigações juridicamente vinculantes, e sua implementação será acompanhada nas reuniões anuais do Mecanismo Bilateral de Consultas Políticas, realizadas de forma alternada em Brasília e Estocolmo.

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