Campo de Provas da Marambaia sediou reunião de trabalho sobre o Míssil Tático Balístico, o Míssil Tático de Cruzeiro e o sistema de rastreio de engenhos em voo, no âmbito do Programa ASTROS-FOGOS
*LRCA Defense Consulting - 08/05/2026
Em um sinal concreto do avanço do Brasil no desenvolvimento soberano de armamentos de precisão, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx), instalado no histórico Campo de Provas da Marambaia desde 1948, sediou no último dia 6 de maio uma importante reunião de trabalho voltada aos projetos de mísseis táticos nacionais.
O encontro reuniu o Gerente do Programa Estratégico do Exército ASTROS-FOGOS, General de Brigada Veterano Marcelo Gurgel do Amaral Silva, o Gerente do Subprograma de Artilharia de Campanha (SAC), General de Brigada Veterano Moises da Paixão Junior, e representantes de empresas da Base Industrial de Defesa e Segurança (BIDS). Os visitantes foram recebidos pelo Subchefe do CAEx, Coronel Letivan Gonçalves de Mendonça Filho, e os trabalhos foram conduzidos pelo Chefe da Subseção de Rastreio, Eletrônica e Comunicações, Tenente Coronel Carlos Cypriano Vallim Junior.
Projetos em pauta: balístico, cruzeiro e rastreio
A reunião tratou dos Projetos Míssil Tático Balístico (MTB) e Míssil Tático
de Cruzeiro (MTC), além do Sistema Transportável para Rastreio de Engenhos em
Voo (STREV). Entre as empresas presentes, destacaram-se a Avibras Aeroco e a Omnisys Engenharia Ltda, nomes centrais da cadeia produtiva
de defesa brasileira.
O objetivo principal do STREV é apoiar a pesquisa, o desenvolvimento e a avaliação do míssil tático de cruzeiro MTC-300, dotando o Exército Brasileiro com uma capacidade inédita de acompanhamento em voo de engenhos militares. O sistema possibilita a coleta e a análise de informações em tempo real de engenhos em voo, com o objetivo de contribuir com a avaliação, a pesquisa e o desenvolvimento de materiais de emprego militar ou civil lançados no espaço aéreo até o nível suborbital, trazendo benefícios ao Exército, às demais Forças Armadas e à Base Industrial de Defesa.
O STREV é composto por um radar de banda C, um sistema de rastreio ótico, um radar Doppler e meios de comando e controle disponíveis em infraestrutura própria e com possibilidade de desdobramento em todo o País. O sistema é uma solução móvel para campos de ensaios, desenvolvido pela empresa brasileira Omnisys.
O "Matador" e o novo balístico nacional
O Míssil Tático de Cruzeiro em desenvolvimento, apelidado informalmente de
"Matador", é considerado um dos projetos mais ambiciosos da defesa
brasileira. O AV-TM 300 voa a velocidades subsônicas de cerca de 1.000 km/h,
mantendo um perfil de voo baixo e furtivo, na faixa de 800 metros de altitude,
acompanhando o relevo do terreno, o que reduz significativamente a chance de
ser detectado por sistemas antiaéreos. Com alcance de até 300 quilômetros (para exportação, pois o real pode superar 1.000 quilômetros) e uma
precisão de até 30 metros, o armamento poderá ultrapassar os limites do
território nacional e atingir alvos estratégicos muito além da capacidade dos
foguetes hoje em uso no Brasil.
Paralelamente, o Míssil Tático Balístico S+100 representa a próxima fronteira da capacidade ofensiva terrestre brasileira. A diferença entre os dois armamentos é estratégica: enquanto o míssil de cruzeiro voa em trajetória rasante, guiado por GPS e navegação inercial para atingir alvos fixos com alta precisão, um míssil balístico segue uma trajetória parabólica de alta altitude, atingindo velocidades muito maiores na fase terminal, o que dificulta sua interceptação.
O programa ASTROS-FOGOS: um guarda-chuva estratégico
A reunião no CAEx insere-se num momento de intensa reorganização do
programa de artilharia de longo alcance do Exército. O programa ASTROS será
ampliado e rebatizado de "Fogos", passando a ter três verticais
debaixo de um único guarda-chuva: o antigo sistema de foguetes ASTROS, sistemas
de artilharia de campanha e uma nova defesa antiaérea. Uma encomenda no valor
de até R$ 3,4 bilhões deve ser fechada ainda em 2026 para um novo sistema de
defesa antiaérea que permitirá à Força Terrestre incorporar tecnologia inédita
na América Latina para a interceptação de drones e mísseis de cruzeiro.
A modernização é apoiada por uma lei complementar aprovada em 2025, que permite investimentos de até R$ 30 bilhões fora do marco fiscal. O orçamento anual do Exército praticamente dobrou, chegando a cerca de R$ 3 bilhões por ano entre 2026 e 2031.
A Avibras Aeroco: recuperada e estratégica
A presença da Avibras Aeroco na reunião do CAEx ganha peso adicional diante
de sua recente reestruturação. A empresa é o maior fabricante e exportador de
armamento e sistemas de defesa do Brasil, e a única integradora dos sistemas de
propulsão de foguetes e mísseis fabricados no país. O Exército Brasileiro
acompanha de perto o processo de retomada, ciente de que a Avibras concentra
competências sensíveis que reduzem a dependência externa do país em áreas
críticas de soberania.
Segundo dados do Escritório de Projetos do Exército (EPEx), cerca de 90% do desenvolvimento do míssil de cruzeiro AV-MTC já estava concluído, faltando apenas a fase final de testes e disparos experimentais, trabalhos que a crise financeira da empresa havia interrompido. A retomada das atividades da Avibras abre caminho para que essa fase conclusiva finalmente avance.
Integração institucional como diferencial
Os trabalhos realizados no CAEx neste 6 de maio evidenciam a crescente
sinergia entre os atores do ecossistema de defesa nacional. A parceria com a
Avibras Aeroco reforça a manutenção e o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa
brasileira, gerando conhecimento tecnológico, empregos qualificados e autonomia
em áreas sensíveis.
Especialistas em defesa avaliam que iniciativas como essa consolidam o Brasil como um dos poucos países da América Latina com capacidade autônoma de desenvolvimento de mísseis táticos, fortalecendo sua posição regional e internacional no setor.
O resultado dos trabalhos conduzidos no histórico Campo de Provas da Marambaia deverá contribuir diretamente para o aumento do poder de combate da Força Terrestre e, em perspectiva mais ampla, para o projeto de soberania tecnológica e industrial do Brasil na área de defesa.

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