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14 maio, 2026

Embraer na BSDA 2026: KC-390 e Super Tucano em vitrine, com a Polônia no horizonte

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 14/05/2026

A Embraer marca presença na Exposição Internacional de Defesa, Aeroespacial e Segurança do Mar Negro (BSDA 2026), realizada entre os dias 13 e 15 de maio em Bucareste, Romênia, com seu portfólio completo de defesa, incluindo o KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano. A participação no evento ocorre em meio a um processo de aproximação estratégica com a Polônia que aponta, segundo especialistas, para um possível contrato de grande porte nos próximos meses.

Uma relação que se consolida
Desde dezembro de 2025, a Embraer intensificou os contatos com autoridades polonesas de forma acelerada. Em 2 de dezembro daquele ano, a empresa assinou cinco memorandos de entendimento (MoUs) com a Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ), o conglomerado estatal de defesa polonês. Os acordos preveem cooperação industrial de longo prazo, incluindo produção local de componentes, polonização de sistemas, manutenção e até a possível instalação de uma linha de montagem final do KC-390 em território polonês.

Em janeiro de 2026, uma delegação militar liderada pelo Major-General Ireneusz Nowak, subcomandante das Forças Armadas Polonesas, visitou as instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP). Os militares poloneses realizaram voos de demonstração tanto no KC-390 Millennium quanto no A-29 Super Tucano, e conversaram com pilotos da Força Aérea Portuguesa sobre experiências operacionais com o cargueiro brasileiro.

Em fevereiro de 2026, o vice-ministro dos Ativos do Estado da Polônia, Konrad Gołota, reuniu-se com representantes da Embraer, incluindo o CEO do setor de defesa, João Bosco da Costa Junior. O encontro sinalizou uma mudança de postura de Varsóvia: a Polônia quer abandonar o modelo de aquisições prontas e avançar para transferência de tecnologia e integração na cadeia global de fornecimento de defesa aeronáutica.

Em março de 2026, a Embraer levou fisicamente um KC-390 à Bydgoszcz para apresentá-lo à Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 (WZL-2), uma das maiores empresas de aviação da Polônia. O evento, descrito pela Embraer como um marco na cooperação estratégica entre as duas empresas, formalizou a base para um acordo abrangente de manutenção, reparo e revisão (MRO) do KC-390 em solo polonês.

KC-390: candidato sem concorrente direto
O KC-390 Millennium ocupa uma posição privilegiada no planejamento da Força Aérea Polonesa. A estratégia do país é de complementaridade: o espanhol C-295 atende ao transporte leve, o KC-390 assumiria o segmento médio e o A400M Atlas ficaria com as cargas mais pesadas. Segundo o Coronel Paluch, responsável por aquisições na Força Aérea Polonesa, "não se trata de uma competição, mas de camadas de capacidade alinhadas aos padrões operacionais da Otan".

A aeronave pode transportar até 26 toneladas de carga, voar a cerca de 870 km/h e operar a partir de pistas não pavimentadas. Na configuração KC-390, conta ainda com capacidade de reabastecimento em voo, função que a Polônia ainda não possui em sua frota. Analistas do setor estimavam, no final de 2025, probabilidade de concretização do negócio entre 70% e 80%. Desde então, o processo avançou de forma consistente.

Para a Polônia, o apelo do KC-390 vai além do desempenho técnico. A proposta de transferência de tecnologia e soberania operacional é decisiva para um país que, ao longo dos anos, enfrentou dificuldades com a dependência externa para manutenção dos F-16: a falta de capacidade local para revisão de motores tornou-se um problema estrutural. A Embraer oferece exatamente o que Varsóvia busca: não apenas aeronaves, mas capacitação industrial local.

A-29 Super Tucano: o caçador de drones que surpreende
Paralelamente ao KC-390, a Polônia avalia o A-29 Super Tucano para missões de defesa contra drones, uma demanda urgente no país fronteiriço da OTAN no flanco oriental. A experiência ucraniana demonstrou os limites de usar caças supersônicos contra drones baratos: o custo operacional é insustentável. O Super Tucano, com seus sensores eletro-ópticos, armamentos guiados a laser e custo de operação significativamente menor, apresenta-se como solução dual: treinar pilotos e, quando necessário, realizar patrulhas e missões de combate.

Em janeiro de 2026, o General Nowak confirmou o interesse: "Definitivamente testaremos o Super Tucano e o examinaremos mais de perto". O caminho do A-29, porém, é mais incerto que o do KC-390. Outras plataformas também estão em avaliação para missões anti-drone, e a probabilidade de aquisição era estimada entre 55% e 65% no final de 2025.

No âmbito do programa nacional SAN de defesa contra drones, um contrato de aproximadamente 3,4 bilhões de euros assinado em janeiro de 2026, a Polônia planeja uma arquitetura multicamadas. O Super Tucano poderia integrar a componente aérea dessa arquitetura, complementando os sistemas terrestres.

Contexto estratégico: preparação para uma guerra longa
A urgência polonesa tem motivação clara. A invasão russa da Ucrânia em 2022 reconfigurou completamente a doutrina militar do país. A Polônia não planeja mais apenas para dissuasão, mas para resistência em um cenário de conflito prolongado, com linhas logísticas sob pressão. Como declarou o General Nowak, o país precisa estar preparado para manter posições por "muitos meses, ou até anos".

Nesse contexto, lacunas em transporte aéreo, reabastecimento em voo e suporte logístico tornaram-se prioridades antes mesmo da modernização dos esquadrões de caça. É exatamente o espaço em que o KC-390 se encaixa. A Polônia investe dezenas de bilhões de euros em defesa, com planos de se tornar a força aérea mais poderosa da Europa Oriental.

Contrato ainda não assinado, mas sinais são claros
Até o momento da publicação deste texto, não há contrato formal entre a Embraer e a Polônia para o KC-390 ou o Super Tucano. O que existe é um conjunto robusto de acordos preparatórios, visitas técnicas, demonstrações operacionais e sinalizações políticas que sugerem que a decisão está próxima, especialmente para o KC-390.

A participação da Embraer na BSDA 2026, em Bucareste, insere-se nesse movimento mais amplo de consolidação da presença da fabricante brasileira no mercado europeu de defesa. A Romênia, assim como a Polônia, é um país do flanco leste da OTAN em processo acelerado de modernização militar. A região, como um todo, representa uma oportunidade estratégica singular para a Embraer, e os próximos meses devem definir se as negociações com Varsóvia se convertem em contrato. 

Defesa nacional - soberania e a contradição brasileira


 

*Mauro Beirão - 14/05/2026

O Brasil vive uma contradição estratégica cada vez mais evidente. De um lado, as lideranças das nossas Forças Armadas alertam há anos para a necessidade urgente de ampliar as capacidades de defesa do país diante de um cenário internacional cada vez mais instável. De outro, a própria Base Industrial de Defesa (BID) brasileira demonstra possuir capacidade tecnológica, engenharia qualificada, infraestrutura industrial e competências para desenvolver sistemas sofisticados de emprego militar.

Ainda assim, permanecem perguntas incômodas: por que tantos engenheiros, técnicos e especialistas brasileiros deixam o país em busca de oportunidades fora do Brasil? Por que as Forças Armadas ainda convivem com limitações operacionais e equipamentos defasados em diversas áreas estratégicas? E por que grande parte das soluções que poderiam ser desenvolvidas ou produzidas no Brasil não se convertem em programas estruturantes de longo prazo?

As respostas às essas questões passam, inevitavelmente, pela questão orçamentária e pela ausência histórica de previsibilidade estratégica.

Enquanto o mundo atravessa um novo ciclo de rearmamento e fortalecimento de capacidades militares, o Brasil segue investindo proporcionalmente pouco em defesa. Dados recentes apontam que o país mantém gastos militares próximos de 1,1% do PIB, percentual considerado baixo para um país continental, detentor da maior fronteira terrestre da América do Sul, da Amazônia, de vastas riquezas minerais, recursos energéticos offshore e uma das maiores zonas econômicas exclusivas marítimas do planeta. 

O contraste internacional é evidente. Países da OTAN aprovaram metas de até 5% do PIB voltadas à defesa e segurança estratégica até 2035. A Alemanha ultrapassou 2% do PIB em defesa pela primeira vez desde 1990. A Polônia acelera sua modernização militar. A Ásia amplia investimentos em tecnologias críticas, drones, guerra eletrônica, inteligência artificial e defesa cibernética. Mesmo países da América do Sul vêm aumentando seus investimentos diante do novo ambiente geopolítico.

O Brasil, apesar de ter registrado crescimento nominal nos gastos militares em 2025, continua distante de uma estrutura de financiamento compatível com suas necessidades estratégicas. Mais grave ainda é a composição desse orçamento. Grande parte dos recursos é consumida por despesas obrigatórias, especialmente folha de pagamento, aposentadorias e pensões. Estimativas recentes indicam que cerca de 80% a 85% do orçamento da Defesa permanece comprometido com despesas de pessoal, restando parcela reduzida para investimentos efetivos em modernização, prontidão operacional, pesquisa e desenvolvimento. 

O resultado é uma consequência direta e previsível: projetos estratégicos sofrem atrasos, aquisições são fragmentadas, programas perdem escala, e a indústria nacional enfrenta ciclos permanentes de incerteza.

E isso ocorre justamente em um momento no qual a tecnologia passou a definir o poder militar contemporâneo.

Os conflitos recentes demonstraram que superioridade operacional hoje depende de sensores avançados, sistemas integrados de comando e controle, guerra eletrônica, drones, satélites, inteligência artificial, sistemas autônomos, integração em rede e capacidade de produção nacional resiliente. Nenhuma potência moderna constrói soberania apenas com efetivos militares. A soberania contemporânea é tecnológica e industrial.

Nesse aspecto, o Brasil possui ativos extremamente relevantes
A BID brasileira reúne empresas capazes de atuar em áreas altamente complexas como aeroespacial, sistemas embarcados, radares, guerra eletrônica, comunicações seguras, optrônicos, sistemas navais, integração de plataformas, veículos blindados, armamentos inteligentes, sistemas espaciais e tecnologias não tripuladas. Além disso, o país dispõe de centros de engenharia altamente especializados e profissionais reconhecidos internacionalmente.

Não por acaso, engenheiros brasileiros são frequentemente absorvidos por empresas e programas estratégicos no exterior. O problema, portanto, não é ausência de competência técnica. O problema é continuidade.

Sem previsibilidade orçamentária de médio e longo prazo, a indústria não consegue sustentar ciclos permanentes de inovação. Sem escala, empresas perdem competitividade. Sem contratos estruturantes, fornecedores estratégicos desaparecem. Sem estabilidade, talentos migram.

A evasão de cérebros da área de defesa e alta tecnologia é um reflexo direto desse ambiente
Profissionais altamente qualificados buscam mercados que ofereçam estabilidade, continuidade de projetos, investimentos em pesquisa e perspectivas concretas de crescimento tecnológico. Países que compreendem a defesa como vetor de desenvolvimento nacional criam ecossistemas permanentes de inovação. No Brasil, ainda convivemos com descontinuidades, contingenciamentos e programas sujeitos a oscilações políticas e fiscais.

Isso produz um efeito silencioso, porém extremamente perigoso: a perda gradual da capacidade nacional de projetar, desenvolver e sustentar tecnologias críticas.

Defesa não pode ser tratada apenas como despesa corrente de governo. Defesa é política de Estado
Os países que hoje lideram os setores aeroespacial, cibernético e militar compreenderam algo fundamental: investir em defesa gera domínio tecnológico, empregos qualificados, inovação dual, capacidade industrial e autonomia estratégica.

Grande parte das tecnologias utilizadas no cotidiano civil nasceu de programas militares ou espaciais: internet, GPS, sensores, materiais compostos, aviônica, comunicações seguras, satélites, inteligência artificial e inúmeras soluções embarcadas.

Quando o Brasil investe em sua Base Industrial de Defesa, não está apenas fortalecendo as Forças Armadas. Está fortalecendo engenharia nacional, ciência, universidades, indústria, inovação e soberania.

Soberania não se improvisa em momentos de crise
Ela é construída ao longo de décadas, com planejamento, previsibilidade, investimento contínuo e visão estratégica de longo prazo. O debate sobre defesa nacional precisa, portanto, ultrapassar a visão limitada de gasto militar e passar a ser compreendido como tema de desenvolvimento nacional, proteção de recursos estratégicos, estabilidade regional e capacidade tecnológica. O Brasil possui território, recursos naturais, dimensão geopolítica, capacidade industrial e inteligência técnica para ocupar posição muito mais relevante no cenário internacional da defesa. O que ainda falta é transformar esse potencial em prioridade permanente de Estado.

Porque nenhuma nação preserva sua soberania apenas pelo discurso. Soberania é preservada por meio de capacidade real de defesa, tecnologia própria e indústria forte.

*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional.   

Com apoio da FINEP, Bizu Space lidera projeto inovador de motor espacial com combustível mais limpo

 


*LRCA Defense Consulting - 14/05/2026

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) deu um importante passo para o avanço da soberania tecnológica brasileira no setor espacial. Foi aprovado o primeiro projeto da rodada 2 do Programa Finep Mais Inovação Brasil, com aporte de R$ 25 milhões via Subvenção Econômica, para o desenvolvimento do ARION, um sistema de propulsão líquida liderado pela deeptech nacional Bizu Space.

Criada por ex-alunos do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Bizu Space busca reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras e tornar os veículos lançadores de satélites brasileiros mais competitivos no mercado global. O ARION tem como foco principal a otimização do estágio superior dos lançadores, aprimorando tanto a capacidade de carga útil quanto a precisão de inserção orbital.

Combustível mais limpo e componentes críticos
Além de maior eficiência e competitividade, o projeto enfatiza a sustentabilidade. O sistema utilizará combustível mais limpo e inclui o desenvolvimento de tecnologias estratégicas, como a turbobomba POSEIDON. Esses avanços devem fortalecer a indústria de alta tecnologia brasileira, gerar conhecimento estratégico e ampliar a capacidade nacional de lançamentos com maior precisão.

“De carona na frase de Neil Armstrong, a Finep está presente em um ‘grande passo’ brasileiro rumo à autonomia no acesso ao espaço”, destacou a instituição no anúncio.

O ARION será integrado inicialmente ao Microlançador MLBR, veículo que também conta com apoio da Finep e que se tornará o primeiro a utilizar o novo motor de propulsão líquido nacional.

Contexto e impacto
O projeto é considerado uma conquista relevante de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e reforça a estratégia brasileira de posicionamento mais competitivo no cenário espacial internacional. Atualmente, o Brasil ainda depende significativamente de tecnologias e lançadores estrangeiros para colocar satélites em órbita. Iniciativas como esta visam mudar esse quadro, fomentando uma cadeia industrial mais autônoma e inovadora.

A aprovação do ARION ocorre em um momento de retomada de investimentos em ciência, tecnologia e inovação no país, com a Finep atuando como um dos principais instrumentos de fomento à inovação empresarial de alto impacto.

Com o desenvolvimento bem-sucedido do sistema, o Brasil pode dar um salto qualitativo na área espacial, combinando eficiência, sustentabilidade e soberania tecnológica, atributos cada vez mais demandados no mercado global de lançamentos orbitais. 

Tecnologia brasileira em campo: Xmobots leva drones de defesa ao principal evento mundial de robótica

Presente no Xponential 2026, em Detroit, a empresa de São Carlos exibe sistemas já operados pelo Exército e pela Marinha do Brasil, reafirmando o potencial soberano da indústria nacional de defesa

Naru 100D em voo noturno
 

*LRCA Defense Consulting - 14/05/2026

Em meio à maior feira mundial de robótica e autonomia, a Xmobots, empresa fundada em São Carlos (SP) em 2007 e que conta com uma participação minoritária da gigante Embraer desde 2022, ocupa um estande no Xponential 2026, realizado de 12 a 14 de maio no Huntington Place, em Detroit, Michigan. A participação coloca o Brasil em posição de destaque num evento que, em sua edição anterior, reuniu mais de 500 expositores e sete mil visitantes de dezenas de países, e que serve de vitrine e termômetro para as principais tendências globais em sistemas autônomos.

A empresa, que se apresenta como a maior do setor de drones da América Latina, chega a Detroit com um portfólio voltado a missões críticas de inteligência, vigilância, reconhecimento e consciência situacional, o que o setor de defesa reúne sob a sigla ISTAR (Intelligence, Surveillance, Target Acquisition and Reconnaissance). A exposição internacional vem em momento estratégico para o Brasil, que intensifica esforços de modernização de suas Forças Armadas e busca reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros em sistemas de alto valor tecnológico.

Da fronteira ao mercado global
O que diferencia a Xmobots de outras empresas que circulam por feiras internacionais é que seus sistemas já estão em operação real. O Nauru 1000C ISTAR, um dos destaques do estande 43021 no Xponential, é utilizado pelo Exército Brasileiro no patrulhamento de fronteiras. O Nauru 500C ISR, por sua vez, integra as operações de busca e salvamento da Marinha do Brasil em alto mar. Não se trata, portanto, de protótipos ou conceitos: são plataformas testadas em condições operacionais exigentes, em território nacional, com as particularidades geográficas e logísticas que o Brasil impõe.

Esse histórico operacional é um argumento de venda relevante no contexto internacional. Governos e forças de segurança ao redor do mundo buscam, cada vez mais, sistemas comprovados em campo, não apenas em laboratório. A presença de clientes institucionais como o Exército e a Marinha do Brasil serve de credencial técnica para a Xmobots em conversas com potenciais compradores internacionais.

"Levar a Xmobots para o Xponential significa apresentar ao mercado internacional as tecnologias desenvolvidas no Brasil, com aplicações reais e capacidade de competir em um setor estratégico e altamente tecnológico", afirmou Thatiana Miloso, diretora Comercial e de Marketing da empresa.

Nauru 1000C ISTAR

Os sistemas em exposição
Três sistemas compõem a vitrine da Xmobots em Detroit. O Nauru 100D é um eVTOL (aeronave de decolagem e pouso vertical elétrica) projetado para operações táticas de alta complexidade e rápida mobilização. Com até seis horas de autonomia por missão em configuração padrão, alcance de 20 a 30 km, transmissão de imagens RGB e termal em tempo real e capacidade de transporte em mochilas táticas, o equipamento é voltado a patrulhamento urbano, monitoramento de fronteiras, rastreamento de alvos e apoio a forças policiais e militares.

O Nauru 1000C ISTAR é a plataforma de maior porte da linha. Com peso máximo de 181 kg, quase oito metros de envergadura, autonomia de até 10 horas e alcance de comunicação entre 60 e 120 km, o sistema integra três aeronaves, sensor dedicado a missões ISTAR, base móvel de operação e estrutura preparada para missões prolongadas. A estação de controle conta com acesso biométrico, climatização e assentos ergonômicos, evidenciando o nível de maturidade operacional do sistema.

Completa a linha o XSIS 222A, sensor eletro-óptico desenvolvido para ampliar a consciência situacional em operações aéreas. O equipamento pode ser integrado ao Nauru 1000C ISTAR e instalado em helicópteros, com capacidade para vigilância diurna e noturna, identificação de veículos e indivíduos, rastreamento contínuo de alvos e operações em ambientes urbanos e de vegetação densa.

 

XSIS 222A

Soberania tecnológica em pauta
O contexto geopolítico atual torna a participação da Xmobots no Xponential ainda mais significativa. O conflito na Ucrânia evidenciou, de forma inequívoca, o papel central dos drones nos campos de batalha contemporâneos, acelerando uma corrida global por capacidades autônomas. Países que dependem de importações para suprir suas necessidades de sistemas não tripulados encontram-se em situação de vulnerabilidade, tanto estratégica quanto orçamentária.

O Brasil, com extensão territorial de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, fronteiras terrestres com dez países e vasta costa marítima, tem necessidades de monitoramento que tornam os sistemas autônomos não apenas convenientes, mas essenciais. A existência de uma empresa nacional com capacidade de desenvolvimento verticalizado, do hardware ao software e à inteligência artificial embarcada, representa um ativo estratégico para a soberania do país.

A Xmobots tem quase duas décadas de atuação no setor aeroespacial e atua em segmentos que vão do agronegócio à defesa, passando por geo, ambiental, logística e mobilidade. Essa diversificação é, ela mesma, um indicativo de maturidade industrial: empresas que sobrevivem e crescem em mercados variados tendem a ter maior resiliência e capacidade de inovação.

Xmobots Vision

Um olhar para o futuro
Além dos sistemas de defesa, a Xmobots apresenta em Detroit o programa Xmobots Vision, iniciativa de longo prazo voltada à mobilidade aérea autônoma regional. A proposta prevê uma nova geração de plataformas aéreas projetadas para conectar cidades, regiões produtivas e áreas remotas por meio do transporte de passageiros e cargas, combinando inteligência artificial embarcada, percepção avançada e aviônica redundante.

A ambição é coerente com a trajetória da empresa: migrar progressivamente de aplicações táticas para soluções de mobilidade civil em escala, aproveitando a base tecnológica consolidada na área de defesa. No Xponential, onde gigantes como Textron, Northrop Grumman e startups do Vale do Silício disputam atenção, a presença de uma empresa brasileira com esse portfólio é, no mínimo, um sinal de que a indústria nacional de tecnologia de defesa pode, sim, jogar no tabuleiro global.

Representam a empresa no evento o fundador e CEO Giovani Amianti e o especialista em Novos Negócios Caique Garbim, disponíveis para reuniões e discussões técnicas durante toda a duração da feira.

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