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18 junho, 2026

IACIT lança projeto MANTA para vigiar a nova fronteira marítima do Brasil

Projeto receberá R$ 49 milhões da FINEP e contrapartida de R$ 12 milhões do consórcio liderado pela empresa de São José dos Campos, certificada como Empresa Estratégica de Defesa

Da esquerda para a direita: Elias Ramos de Souza, diretor de Inovação da Finep, Ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, Luiz Teixeira, CEO da IACIT, Diretor de Gestão de Programas da Marinha, Vice-Almirante Marcelo da Silva Gomes

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

A IACIT, Empresa Estratégica de Defesa (EED) sediada em São José dos Campos (SP), assinou nesta quinta-feira (18) contrato com a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) para o desenvolvimento do MANTA, sistema voltado à vigilância da faixa marítima brasileira ampliada após o reconhecimento internacional da extensão da plataforma continental do país. A assinatura ocorreu durante a SpaceBR Show 2026, em São Paulo, evento que reúne, na mesma data e local, a MundoGEO Connect, a DroneShow Robotics e a Expo eVTOL, no Expo Center Norte (Pavilhão Azul).

O projeto nasce da decisão da Organização das Nações Unidas (ONU), tomada em março de 2025, de reconhecer uma extensão de cerca de 360 mil quilômetros quadrados na plataforma continental brasileira: área que se soma à já consolidada Amazônia Azul, faixa marítima de aproximadamente 5,7 milhões de quilômetros quadrados que concentra reservas de petróleo, recursos minerais e rotas estratégicas. A nova porção se estende além das 200 milhas náuticas que delimitam a zona econômica exclusiva, e é justamente essa fronteira mais distante que o MANTA deve passar a monitorar.

O desenvolvimento será financiado com R$ 49 milhões da FINEP, somados a uma contrapartida de R$ 12 milhões dos participantes do consórcio. Além da IACIT, que lidera a iniciativa, integram o projeto a Orbital Engenharia e a Polidesign Indústria e Comércio, ambas também sediadas em São José dos Campos, e três instituições de pesquisa: o Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ), o Centro Espacial do ITA (CEI) e a Divisão de Engenharia Eletrônica (IEE) do Instituto Tecnológico de Aeronáutica.

Um consórcio com perfis complementares
A escolha dos parceiros de consórcio não é aleatória. A Orbital Engenharia, fundada em 2001 e também certificada como Empresa Estratégica de Defesa, atua há mais de duas décadas em engenharia de sistemas para os setores espacial e de defesa, com histórico que inclui geradores solares para satélites do programa espacial brasileiro, plataforma suborbital de microgravidade e, mais recentemente, projetos de drones e propulsão. Já a Polidesign Indústria e Comércio, fabricante de componentes eletrônicos fundada em 1994, é associada à Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE), com classificação voltada à manutenção de antenas multibanda em alta frequência (HF), cabeamento, telemetria e proteção contra interferência eletromagnética; um perfil técnico que dialoga diretamente com a faixa de operação dos radares oceânicos que a própria 
IACIT já opera no país.

Terceiro contrato com a FINEP em pouco mais de um ano
O MANTA não é o primeiro projeto de vigilância marítima ou aérea bancado com recursos da FINEP na trajetória recente da 
IACIT. A empresa opera desde 2018 o radar Além do Horizonte OTH 0100, instalado no Farol do Albardão (RS), capaz de rastrear embarcações não cooperativas a até 200 milhas náuticas da costa; o desenvolvimento desse equipamento já havia recebido apoio da financiadora a partir de 2012. Em abril de 2025, durante a LAAD Defence & Security, a IACIT assinou dois novos contratos no mesmo mês: um com a Força Aérea Brasileira, por meio do DECEA, para o radar OTH 0200 Skywave, de alcance ainda maior; e outro com a própria FINEP para o desenvolvimento do MUST (Multi-Sensor Urban Surveillance and Tracking), sistema de monitoramento de drones e eVTOLs em ambiente urbano, orçado em R$ 28 milhões com contrapartida de R$ 12 milhões. O MANTA chega, portanto, como o terceiro grande contrato de financiamento público assinado pela empresa em pouco mais de um ano, e o de maior valor entre eles.

O que o projeto promete, e o que ainda falta esclarecer
Segundo a 
IACIT, o MANTA vai combinar tecnologias de sensoriamento, processamento de sinais e inteligência artificial para ampliar a capacidade de detecção, acompanhamento e identificação de alvos em ambientes marítimos complexos, com alcance operacional superior a 350 milhas náuticas. Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, a iniciativa atende a uma necessidade ligada à extensão do litoral brasileiro: “um país que tem quase nove mil quilômetros de litoral precisa, cada vez mais, garantir que o oceano sob jurisdição brasileira tenha a proteção necessária”, afirmou durante a cerimônia de assinatura.

Já o vice-almirante Marcelo da Silva Gomes, diretor de Gestão de Programas da Marinha, destacou o ganho de alcance: “a iniciativa MANTA da IACIT possibilitará ao país ter um sistema de altíssimo alcance, superior a 350 milhas náuticas, essencial para o monitoramento principalmente da porção norte do país”. Para o CEO da Iacit, Luiz Teixeira, o projeto reúne “tecnologias avançadas de sensoriamento, processamento de dados e inteligência artificial em uma solução desenvolvida no Brasil para ampliar a capacidade de vigilância marítima de longo alcance”.

O material de lançamento não detalha, porém, a arquitetura do sistema. Não há indicação pública, até o momento, sobre quais tipos de sensores serão empregados (radar, dados de satélite ou ambos), sobre o prazo de execução do contrato, sobre onde os equipamentos serão instalados, nem sobre a relação operacional entre o MANTA e sistemas de vigilância já existentes na Amazônia Azul, como o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), da própria Marinha, e os radares OTH que a IACIT já opera no Sul do país. Os papéis específicos do CTMRJ, do CEI e da IEE dentro do consórcio também não foram detalhados no momento da assinatura.

Por ora, o MANTA se soma a uma sequência de investimentos da FINEP em tecnologia de vigilância nacional e reforça o papel da IACIT como uma das poucas fornecedoras brasileiras de sistemas de monitoramento de longo alcance para a faixa marítima do país, num momento em que a ampliação da plataforma continental impõe à Marinha a tarefa de proteger uma área ainda maior do que aquela já coberta pelos sistemas atualmente em operação.

EDGE e 4iG S&D assinam acordo para joint venture de tecnologias não letais na Hungria; Condor brasileira é a entidade operacional

Acordo preliminar foi firmado durante a Eurosatory 2026 e prevê centro regional de excelência e produção local na Hungria


 

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

O grupo de defesa emiratense EDGE e a húngara 4iG Space and Defence Technologies (4iG S&D) assinaram, durante a Eurosatory 2026, em Paris, um acordo preliminar para criar uma joint venture na Hungria dedicada a tecnologias de defesa não letais. Segundo comunicado divulgado pela EDGE em 16 de junho, a iniciativa será operacionalizada por meio da CONDOR Non-Lethal Technologies (NLT), entidade do grupo emiratense que tem origem na fabricante brasileira Condor Tecnologias Não Letais, sediada no Rio de Janeiro.

O acordo: centro de excelência regional na Hungria
O entendimento avança a parceria iniciada com um memorando de entendimento assinado em agosto de 2025 e prevê, além da joint venture industrial, um centro regional de competência e testes voltado a forças militares, policiais e órgãos de segurança pública europeus. Conforme a EDGE, o espaço deve oferecer avaliação de equipamentos, testes operacionais, treinamento e desenvolvimento de capacidades, permitindo que usuários finais avaliem e empreguem tecnologias não letais em cenários de segurança cada vez mais complexos.

A futura joint venture terá foco em pesquisa, fabricação e comercialização de soluções não letais avançadas, incluindo munições especializadas, pirotecnia e tecnologias inteligentes de defesa. A EDGE associa o movimento ao crescimento da demanda por sistemas que reduzam danos colaterais e, ao mesmo tempo, ampliem a eficácia operacional em aplicações militares e policiais.

Condor: a porta de entrada da EDGE no setor não letal
A menção direta à CONDOR Non-Lethal Technologies como vetor do acordo na Hungria reforça o papel central que a empresa brasileira passou a ocupar dentro do portfólio da EDGE. Em abril de 2024, o grupo emiratense adquiriu 51% da Condor Tecnologias Não Letais, fundada em 1985 e baseada no estado do Rio de Janeiro, então apontada como uma das cinco maiores fabricantes mundiais de tecnologias não letais, com portfólio de mais de 160 produtos e presença comercial em mais de 85 países.

À época, o presidente e fundador da Condor, Carlos Erane de Aguiar, afirmou que a parceria demonstrava a confiança da EDGE na capacidade da empresa e no próprio Brasil. Já o diretor administrativo e CEO da EDGE, Hamad Al Marar, descreveu a aquisição como um passo estratégico para diversificar o portfólio do grupo, com vistas à entrada em mercados como os Estados Unidos.

O comunicado sobre a Hungria é o primeiro sinal público de que a marca Condor, já internalizada como entidade EDGE, está sendo usada como plataforma para projetos de capacidade industrial fora do Brasil, inclusive no continente europeu.

Contexto: estratégia europeia da EDGE
A EDGE descreve o entendimento com a 4iG S&D como parte de uma estratégia mais amplo de expansão de parcerias industriais internacionais, com apoio ao desenvolvimento de capacidades locais, treinamento especializado e transferência de conhecimento. O grupo reúne mais de 25 entidades organizadas em cinco áreas: plataformas e sistemas, mísseis e armamentos, espaço e tecnologias cibernéticas, comércio e suporte de missão, e segurança interna.

Vale ressaltar que, segundo o próprio comunicado, o entendimento assinado na Eurosatory 2026 é preliminar; ainda não há detalhes públicos sobre valores envolvidos, prazo de implementação ou estrutura societária da futura joint venture.

Por que isso interessa ao Brasil
Para o ecossistema brasileiro de defesa, o episódio ilustra como um ativo nacional adquirido por um grupo estrangeiro pode se tornar plataforma de expansão internacional sob controle externo. A Condor, que mantém operações e patentes no Brasil e já firmou parceria com a Marinha brasileira para o desenvolvimento de tecnologias não letais, aparece agora, na comunicação oficial da EDGE, primariamente como uma entidade do grupo emiratense, e não como fornecedora brasileira em um projeto internacional.

Embraer assina um acordo de serviços e suporte para aumentar a disponibilidade operacional da frota de KC-390 da FAB

 

*LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

A Embraer assinou um novo acordo de longo prazo com a Força Aérea Brasileira (FAB) para fornecer soluções de suporte para sua frota de KC-390 Millennium. O acordo fortalece a parceria com a Força Aérea Brasileira, com foco na maximização da disponibilidade operacional da plataforma multimissão. O acordo prevê suporte completo ao longo do ciclo de vida da frota de KC-390, abrangendo tanto as aeronaves atualmente em serviço quanto as que ainda serão entregues.

“A assinatura deste Acordo de Suporte Logístico reforça o compromisso da Força Aérea Brasileira com a prontidão operacional e a disponibilidade da frota. Por meio deste contrato, forneceremos a manutenção e o suporte logístico necessários para apoiar o KC-390 Millennium, um ativo estratégico para a mobilidade, a defesa e a capacidade de resposta rápida do país. Além disso, o acordo contribui para aprimorar a eficiência operacional em toda a Força Aérea Brasileira, fortalecendo a confiabilidade e garantindo a continuidade de um programa que se tornou referência global na aviação militar”, afirmou o Tenente-Brigadeiro Valter Malta, Comandante Geral de Apoio da Força Aérea Brasileira.

“Estamos muito satisfeitos em assinar este acordo com a FAB. Este contrato reforça ainda mais o compromisso de décadas da Embraer em apoiar a Força Aérea Brasileira com soluções abrangentes e de classe mundial, projetadas para maximizar a disponibilidade operacional e a eficiência em toda a frota de KC-390 Millennium. Nosso objetivo é apoiar a prontidão operacional da FAB e sua capacidade de operar com os mais altos padrões”, disse Carlos Naufel, Presidente e CEO da Embraer Serviços e Suporte.

O acordo inclui um portfólio abrangente de serviços de suporte, como reparo e revisão de componentes, fornecimento de peças de reposição, serviços de engenharia, publicações técnicas e suporte adicional para situações de contingência. O escopo foi estruturado para aprimorar o desempenho logístico, aumentar a previsibilidade operacional e permitir uma resposta rápida às necessidades da fábrica. 

O KC-390 Millennium, construído e projetado no século XXI, é a aeronave de transporte militar mais moderna de sua classe. Ele pode transportar mais carga útil (26 toneladas) em comparação com outras aeronaves de transporte militar de médio porte, voando mais rápido (470 nós) e mais longe. Pode realizar uma ampla gama de missões, incluindo transporte de carga e tropas, lançamento aéreo de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento (SAR), combate a incêndios e missões humanitárias, operando a partir de pistas temporárias ou não pavimentadas. A aeronave, quando configurada com equipamento de reabastecimento aéreo de instalação rápida (AAR), pode operar tanto como aeronave-tanque quanto como aeronave receptora. 

Além da Força Aérea Brasileira, a plataforma multimissão já foi selecionada pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia. O KC-390 Millennium oferece capacidade, confiabilidade, versatilidade e desempenho incomparáveis ​​para atender às necessidades táticas e estratégicas das forças aéreas em todo o mundo. 

CBC e Leonardo assinam acordo de munições de 30 mm na Eurosatory 2026

 

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LRCA Defense Consulting - 18/06/2026

Durante a Eurosatory 2026, em Paris, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) e a italiana Leonardo assinaram um framework agreement (acordo-quadro) para a produção conjunta de cartuchos de 30 mm. O documento foi firmado por Fabio Mazzaro, CEO da CBC, e Luca Perazzo, diretor de sistemas de defesa na Leonardo, e confirmado oficialmente pelas duas empresas em publicação conjunta no LinkedIn da página Leonardo Electronics.

Munições de 30 mm com espoleta programável
Pelos termos do acordo, as duas empresas vão colaborar na produção de cartuchos nos calibres 30x113 mm e 30x173 mm. O diferencial técnico está na integração desses cartuchos com a nova espoleta de proximidade multifuncional programável da Leonardo, que permite três modos de operação: detonação por proximidade com autodestruição programada, modo tempo (também chamado de airburst) e impacto instantâneo.

Essa espoleta foi projetada para equipar duas famílias de sistemas de armas da Leonardo voltadas ao combate a drones (contramedidas C-UAS, sigla em inglês para sistemas aéreos não tripulados): a torre Hitfist, em suas versões tripulada e não tripulada (incluindo a nova Hitfist 30 UL, Uncrewed Light), equipada com o canhão X-GUN de 30x173 mm; e o sistema Hitrole C-UAS, equipado com o canhão Blaze de 30x113 mm. Ambos os sistemas são descritos pela Leonardo como isentos de restrições ITAR, um detalhe comercial relevante para a exportação a países fora do guarda-chuva de controle de armamentos dos Estados Unidos.

Segundo a nota conjunta, a nova munição amplia a capacidade da Leonardo de oferecer ao mercado um conjunto de armas antidrone capaz de cobrir toda a cadeia de engajamento (detecção, identificação e neutralização), reforçando também sua posição geral no setor de munições. A empresa italiana já figura entre as líderes mundiais em munições de 76 mm, 127 mm e 155 mm, e desenvolve atualmente soluções em 120 mm.

Mais um item na lista de acordos da CBC na feira
O acordo com a Leonardo não foi a única movimentação da CBC na Eurosatory 2026. A empresa, que completa cem anos em 2026, também assinou um strategic alliance agreement com a americana Paligen Technologies, voltado a oportunidades conjuntas no setor de munição de calibre médio, com foco inicial em programas do governo dos Estados Unidos; e fechou os termos comerciais principais de uma colaboração com a Shell Shock Technologies, fabricante da tecnologia de estojo híbrido NAS3, para industrializar e comercializar globalmente essa tecnologia em calibres como 5,56x45 mm, 7,62x51 mm, .277 Fury, .338 Lapua, .50 BMG e 9 mm.

O padrão sugere uma estratégia deliberada de usar a feira parisiense para multiplicar alianças setoriais, no momento em que a CBC Global Ammunition (holding que reúne CBC Brasil, Magtech, nos Estados Unidos, MEN, na Alemanha, e operações na Bélgica) soma mais de três mil funcionários e produz acima de dois bilhões de cartuchos por ano. O grupo também mantém participações estratégicas na New Lachaussée e na Fritz Werner, fabricantes de equipamentos e linhas de produção para a indústria de munições, além de participação de 19,52% no Colt CZ Group.

O que o acordo significa para o Brasil
Para a base industrial de defesa brasileira, o episódio tem um valor simbólico que vai além do calibre 30 mm. A CBC, Empresa Estratégica de Defesa e principal fornecedora das Forças Armadas e dos órgãos de segurança brasileiros, aparece como parceira direta de uma das maiores prime contractors europeias justamente em uma frente tecnológica sensível: munição com espoleta programável para combate a drones, área em que a demanda global cresce de forma acelerada.

Vale uma ressalva editorial: o comunicado conjunto não detalha onde a produção efetivamente ocorrerá, nem se a tecnologia da espoleta programável será transferida para alguma planta brasileira da CBC. O texto fala em atender à crescente demanda internacional por munição de calibre médio e em reforçar capacidade industrial, capacidade de resposta e segurança de fornecimento das duas empresas; uma linguagem compatível tanto com produção centralizada na Itália quanto com algum grau de produção ou montagem distribuída entre as plantas da CBC (Brasil, Estados Unidos, Alemanha e Bélgica). Até a publicação desta reportagem, não há confirmação pública de transferência de tecnologia (ToT) especificamente para o Brasil.

Ainda assim, o acordo se insere em um momento particular do debate sobre defesa antidrone no país. Como já tratamos em reportagens anteriores, o Exército brasileiro vem reconhecendo lacunas na capacidade de detectar e abater drones de baixa assinatura, evidenciadas, por exemplo, nas dificuldades enfrentadas pelos Gepard 1A2 durante a Operação Punhos de Aço 2025. Embora o acordo CBC-Leonardo trate de munição e não de sistemas de armas completos, ele mostra que o mercado internacional de calibre médio está se movendo rapidamente para incorporar espoletas programáveis dedicadas a esse tipo de ameaça; uma tendência que tende a pressionar também as discussões sobre modernização da defesa antiaérea de curto alcance no Brasil.

Outro ponto relevante é o caráter ITAR-free dos sistemas de arma aos quais a nova munição se destina. Para compradores fora do círculo de aliados próximos dos Estados Unidos (incluindo o próprio Brasil, em determinados contextos de exportação), sistemas livres de restrições ITAR costumam ser comercialmente mais atrativos, o que pode ampliar o mercado potencial tanto para a Leonardo quanto, indiretamente, para a CBC como fornecedora de munição.

Por fim, o acordo se soma a uma sequência recente de aproximações entre a indústria de defesa brasileira e grandes grupos europeus, entre eles Saab, MBDA e TKMS, em um momento de reposicionamento das cadeias de suprimento de defesa globais. Mesmo sem cláusulas de produção local confirmadas, a assinatura reforça a CBC como interlocutora reconhecida internacionalmente em munição de calibre médio; um ativo que tende a ter peso em negociações futuras, sejam elas sobre o próprio acordo com a Leonardo, sejam sobre outras parcerias ainda em maturação.

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