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26 junho, 2026

Avibras Aeroco adia cerimônia de reinauguração a pedido da Presidência da República

Mudança de data, perto da inauguração marcada para 2 de julho em Jacareí (SP), abre espaço para hipóteses sobre aporte federal e calendário eleitoral  

Renderização sobre imagem real, apenas para fins ilustrativos

*LRCA Defense Consulting - 26/06/2026

A Avibras Aeroco comunicou a convidados, nesta quarta-feira (24), que a cerimônia de inauguração de suas operações industriais, em Jacareí (SP), prevista para o dia 2 de julho, teve sua data alterada. Os convites para o evento, que marcaria simbolicamente a retomada plena da empresa após a crise que paralisou suas atividades entre 2022 e 2026, haviam sido expedidos em meados de junho.

A reprogramação a cerca de uma semana do evento original não é trivial. Para convidados de fora de São Paulo, sobretudo representantes militares, autoridades de outros estados e eventuais delegações internacionais, a mudança implica rever deslocamento e estadia já planejados, um transtorno que, em geral, só se justifica por um motivo de peso suficiente para compensar o custo logístico imposto. 

A presença confirmada de uma autoridade do escalão presidencial tende a produzir, ainda, um efeito cascata: por protocolo, eleva o nível de representação esperado de ministros, comandantes das Forças Armadas e lideranças locais, cuja ausência se tornaria, ela mesma, um sinal político. Em outro ângulo, por interesse político e empresarial, atrai parlamentares ligados (ou não) ao tema, bem como fornecedores e parceiros industriais que veem na cerimônia uma vitrine de recuperação econômica e de soberania da Base Industrial de Defesa, além de uma oportunidade para estabelecer ou estreitar relacionamentos. Em outras palavras, a confirmação de autoridades de alto escalão não apenas acrescenta um ou mais nomes à lista de presenças, mas redimensiona o evento como um todo. 

A inauguração já era aguardada pelo setor. Em reportagem publicada em 23 de junho, a GBN Defense, editada por Ângelo Nicolaci, destacou o evento como um marco que ultrapassaria o significado de uma simples abertura de unidade fabril, representando a continuidade de uma capacidade tecnológica historicamente associada à soberania da Base Industrial de Defesa brasileira.

O motivo oficial
Segundo comunicado enviado aos convidados, a reprogramação atende a um pedido da Presidência da República e visa permitir a participação de autoridades do Governo Federal que manifestaram interesse em prestigiar o que a empresa descreve como um marco para si própria e para a Base Industrial de Defesa. Ainda conforme o texto, a nova data está em definição e será informada após o ajuste das agendas envolvidas.

A Avibras Aeroco nasceu oficialmente no fim de abril, herdando o portfólio tecnológico e os contratos estratégicos da histórica Avibras Indústria Aeroespacial, então havia quatro anos em recuperação judicial. A retomada teve como pilar um aporte privado de R$ 300 milhões, liderado pelo empresário Joesley Batista, do grupo J&F. A segunda etapa do financiamento previsto no plano original (outros R$ 300 milhões em recursos públicos que poderiam vir da Finep, do BNDES ou do PAC) segue sem confirmação pública.

Hipóteses em apuração
Nenhuma das hipóteses a seguir foi confirmada por fontes oficiais do governo ou da empresa. Elas são apresentadas como leitura preliminar sobre os possíveis motivos, concomitantes ou não, que teriam levado à mudança de data.

- Aporte público federal
A reprogramação poderia estar relacionada à possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciar, na nova data, a liberação do aporte público previsto desde o início do plano de reestruturação e que, segundo representantes da própria empresa, ainda não havia sido destravado pela Finep até dezembro de 2025. O tema é politicamente sensível: o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região cobra o Governo Federal desde 2022 e já contrastou publicamente a falta de sinalização à Avibras com financiamentos bilionários liberados à Embraer no mesmo período.

- Capitalização política em ano eleitoral
A segunda hipótese, que poderia ser concomitante à primeira, é de natureza eleitoral. 2026 é ano de eleição presidencial, e a presença de Lula em um evento que simboliza o desfecho de uma crise histórica (mais de 1.280 dias de greve, milhares de empregos preservados, retomada de um ativo industrial cobiçado por grupos estrangeiros) reuniria elementos típicos de capitalização política: recuperação de empresa estratégica, geração de empregos qualificados e discurso de soberania nacional, este último já presente em falas de parlamentares ligados ao tema, como o deputado Guilherme Boulos.

Um indício recente reforça essa leitura. Nesta sexta-feira (26), dois dias após o comunicado de adiamento, o presidente Lula afirmou, durante o lançamento e batismo da fragata Cunha Moreira, em Itajaí (SC), que vai incluir a defesa nacional em seu programa de governo pela primeira vez, como forma de assumir compromisso público sobre que tipo de defesa o país deve ter. Na ocasião, defendeu um projeto estratégico para o setor, com planejamento de longo prazo e recursos assegurados, e disse que a área passa a integrar suas prioridades de governo ao lado de educação, saúde, transição energética e inteligência artificial. 

O ministro da Defesa, José Múcio, reforçou a narrativa ao afirmar que nunca se investiu tanto no setor quanto na atual gestão. A fala não trata da Avibras Aeroco diretamente, mas confirma que o Planalto está, neste exato momento, elevando deliberadamente o status político da Base Industrial de Defesa, o que é compatível com a hipótese de que o adiamento da cerimônia em Jacareí busque, entre outros motivos, uma vitrine de maior alcance para esse mesmo discurso. 

O comunicado da Avibras Aeroco menciona apenas o pedido de reprogramação por parte da Presidência da República, sem detalhar a agenda ou a relação de autoridades e nem antecipar eventuais anúncios. A nova data da cerimônia ainda não foi divulgada.

Link-BR2: tecnologia nacional consolida interoperabilidade entre as Forças Armadas


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LRCA Defense Consulting - 26/06/2026

A Força Aérea Brasileira (FAB) divulgou, em 25 de junho, um balanço sobre o emprego do Link-BR2 durante operações conjuntas recentes, reforçando o papel do sistema nacional de enlace de dados na construção de uma arquitetura de comando e controle mais integrada entre Marinha, Exército e Aeronáutica. Segundo a Agência Força Aérea, a tecnologia permite o compartilhamento seguro e instantâneo de informações entre aeronaves, radares, sensores e centros de comando, formando uma visão operacional comum e reduzindo o tempo de análise e decisão em cenários de alta complexidade.

Uma rede que substitui o rádio convencional
O Coronel Aviador da Reserva Fernando Mauro Medardoni, responsável pelo projeto na AEL Sistemas, empresa desenvolvedora da plataforma, recorre a uma analogia para explicar o funcionamento do sistema. “O Link-BR2 pode ser entendido como uma grande rede de dados que conecta os principais atores no cenário tático de forma segura e eficaz. É como se estivéssemos levando a lógica da internet para o ambiente operacional militar”, afirma. Na prática, dados como posição de meios aéreos e informações de sensores passam a ser distribuídos em rede, em vez de transmitidos isoladamente por voz, o que, segundo o oficial, transforma informações de valor limitado em uma visão ampliada e coordenada do cenário.

Da entrada em operação ao caça Gripen
O Link-BR2 é desenvolvido pela AEL Sistemas (em parceria com a Mectron Communication) e está em operação desde 2020, integrado inicialmente aos caças F-5M. Em outubro de 2024, o programa concluiu uma etapa de testes em que, pela primeira vez, os voos contaram com soluções embarcadas de criptografia e cibersegurança desenvolvidas pela Kryptus, etapa apontada como crucial para a certificação final do sistema.

Mais recentemente, entre os dias 22 e 24 de julho de 2025, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) sediou, no Laboratório de Guerra Eletrônica do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), um workshop dedicado à integração do Link-BR2 ao caça F-39 Gripen, reunindo militares da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), do Comando de Preparo (Comprep), do 1º Grupo de Defesa Aérea e do próprio DCTA. Para o Coronel Romulo Silva de Oliveira, representante da Copac, o encontro foi decisivo para o progresso operacional da Força; já o Coronel George Luiz Guedes de Oliveira, gerente técnico do projeto F-X2, destacou o Link-BR2 como uma das principais ferramentas de conectividade e consciência situacional da FAB.

O sistema integra ainda um conjunto mais amplo de programas sensíveis de comando e controle conduzidos pela AEL Sistemas para o Ministério da Defesa, entre eles o Sterna, o SIC3MB e o RDS-Defesa, este último voltado ao rádio definido por software para interoperabilidade entre as três Forças.

Exportação e dependência tecnológica: duas faces da mesma moeda
A maturidade alcançada pelo Link-BR2 já repercute fora do país. Durante a feira aeroespacial chilena FIDAE 2026, em abril, a Alada (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil) firmou memorando de entendimento com a AEL Sistemas para ampliar a atuação conjunta em exportações governamentais (no modelo G2G), colocando o Link-BR2, ao lado do WAD (Wide Area Display) do Gripen, no radar de potenciais parceiros internacionais.

Esse avanço, contudo, convive com um ponto de atenção identificado por analistas do setor: a AEL Sistemas é subsidiária da israelense Elbit Systems no Brasil. Um eventual veto político brasileiro à aquisição de produtos e serviços de empresas israelenses, hipótese discutida em análises do setor de defesa ao longo de 2025, poderia, em tese, afetar a continuidade de programas que dependem da AEL, entre eles o próprio Link-BR2, o Sisfron e a suíte aviônica do F-39 Gripen. Trata-se, até o momento, de um risco hipotético, sem decisão de governo confirmada, mas que ilustra a sensibilidade estratégica da cadeia de fornecimento por trás de um sistema apresentado como símbolo de soberania tecnológica nacional.

 

Escudo-Tínia 2026: a vitrine do combate em rede
O emprego mais recente do Link-BR2 ocorreu durante o Exercício Conjunto (Excon) Escudo-Tínia 2026, realizado de 11 a 29 de maio na Base Aérea de Anápolis (BAAN), pela primeira vez fora do Rio Grande do Sul, sede tradicional do treinamento. A edição reuniu mais de 40 aeronaves (entre elas F-39 Gripen, F-5M, A-29 Super Tucano, A-1M, E-99, KC-390 Millennium e C-105 Amazonas), cerca de 2.000 militares e quase 1.000 horas de voo, com meios da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da FAB.

Em visita operacional à BAAN no dia 20 de maio, oficiais-generais das três Forças destacaram o papel do sistema na integração alcançada durante o exercício. “O grande sucesso desse exercício conjunto é reunir as Forças Armadas em torno de sistemas integrados, como o Link-BR2. Com todas as Forças conectadas, conseguimos ampliar a interoperabilidade e a capacidade de atuação conjunta”, afirmou um dos oficiais-generais presentes. O Major-Brigadeiro do Ar Ramiro Kirsch Pinheiro, Vice-Chefe de Operações Conjuntas do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, reforçou que o exercício permite treinar a proteção do espaço aéreo nacional de forma integrada entre meios aéreos, sistemas de defesa antiaérea e estruturas de operações especiais das três Forças.

O conjunto dos episódios recentes, do workshop de integração ao Gripen à validação em ambiente operacional no Escudo-Tínia, indica que o Link-BR2 deixou de ser um projeto em fase de maturação para se consolidar como peça central da arquitetura de comando e controle das Forças Armadas brasileiras, com efeitos que já transbordam para a política de exportação da base industrial de defesa nacional.

25 junho, 2026

Sistema FIERGS e Abimde mobilizam setor de defesa e segurança para fortalecer indústria nacional

Encontro em Porto Alegre reúne lideranças empresariais e Forças Armadas para discutir soberania tecnológica, ampliação de fornecedores nacionais e entraves do Termo de Licitação Especial 

Foto: Lucas Machado

*LRCA Defense Consulting - 25/06/2026

O Sistema FIERGS, por meio do Comitê da Indústria de Defesa e Segurança (Comdefesa), e a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) reuniram, nesta quarta-feira (24), líderes empresariais do setor e autoridades das Forças Armadas na sede da AEL Sistemas, em Porto Alegre. O encontro debateu oportunidades e desafios da indústria de defesa e segurança no país, com destaque para a manutenção da soberania nacional, o desenvolvimento tecnológico e o fortalecimento da base industrial brasileira (BID).

Entre os temas tratados estiveram a ampliação da participação de fornecedores nacionais em contratos públicos e os mecanismos para estimular o crescimento da cadeia produtiva. O vice-coordenador do Comdefesa, Guilherme Cunha, destacou a capacidade tecnológica das empresas gaúchas: “temos uma diversidade de equipamentos semelhante à de São Paulo. Produzimos aeronaves, microssatélites, sistemas eletrônicos e aviônicos, entre outros produtos”, afirmou. Segundo Cunha, o cenário geopolítico internacional reforça a relevância do setor: “precisamos garantir soberania e autonomia tecnológica. Além disso, a indústria de defesa impulsiona o desenvolvimento. Muitas das tecnologias criadas para aplicações militares acabam sendo incorporadas ao uso civil e beneficiam toda a sociedade”, destacou.

Para ampliar a participação de pequenas e médias empresas na cadeia produtiva, Cunha defendeu processos mais transparentes e acessíveis. Ele também ressaltou a importância de ampliar o uso de soluções nacionais por órgãos ligados à defesa, segurança pública e proteção civil, como polícias, bombeiros e Defesa Civil.

Outro assunto debatido foi o Termo de Licitação Especial (TLE), instrumento criado pelo Decreto nº 7.970/2013 para regulamentar a Lei nº 12.598/2012, que estabelece regras especiais para as compras, contratações e o desenvolvimento de produtos e sistemas de defesa. O mecanismo permite que licitações sejam destinadas exclusivamente a produtos ou sistemas de defesa produzidos ou desenvolvidos no Brasil, ou que utilizem insumos nacionais, prevendo contrapartidas como transferência de tecnologia e garantia de continuidade produtiva. Em Porto Alegre, os participantes apontaram que a falta de informação sobre o instrumento e a morosidade dos processos têm dificultado sua aplicação, inclusive por órgãos públicos, reduzindo o interesse das empresas em aderir ao mecanismo.

A plenária contou com a presença do deputado estadual Gustavo Victorino, presidente da Frente Parlamentar de Apoio à Indústria da Defesa e Segurança. O parlamentar defendeu a construção de soluções em conjunto com o setor produtivo: “conhecemos os desafios e precisamos avançar na busca por alternativas. Por meio da Frente Parlamentar, já conseguimos trazer seis carros anfíbios modelo Urutu para o Rio Grande do Sul. Também é importante ampliar o conceito de indústria de defesa e segurança. Temos empresas capazes de produzir alimentos desidratados, por exemplo, fundamentais para ações de Defesa Civil em emergência. Elas também devem fazer parte do escopo de indústria da defesa”, afirmou.

O diretor-executivo da Abimde, tenente-brigadeiro José Augusto Crepaldi Affonso, acrescentou que o Brasil possui empresas altamente capacitadas para atender às demandas nacionais de defesa e segurança. Segundo ele, o desafio está em fortalecer a articulação entre a indústria e os órgãos contratantes, ampliando as oportunidades para fornecedores brasileiros.

Visita técnica
Além da reunião, os representantes da indústria participaram de uma visita guiada às instalações da AEL Sistemas. O Diretor de Negócios da empresa, José Eduardo Klippel, apresentou os processos de fabricação e integração de equipamentos eletrônicos utilizados na aviação e em aplicações de defesa, além de demonstrar como as tecnologias desenvolvidas em Porto Alegre são empregadas por clientes no Brasil e no exterior. “temos um capital humano excelente no Rio Grande do Sul e 50% da nossa equipe já teve experiência no exterior, o que nos ajuda a trocar conhecimentos e nos posicionarmos no cenário global”, afirmou.

Fundada em 1982 em Porto Alegre, a AEL Sistemas é uma das principais empresas brasileiras de tecnologia para os setores de defesa e aeroespacial. Credenciada como empresa estratégica de defesa (EED), desenvolve e integra sistemas eletrônicos avançados para aeronaves, veículos e plataformas militares, entre eles sistemas aviônicos, computadores de missão, displays multifuncionais, sistemas de comunicação e soluções de comando e controle. A empresa participa de programas estratégicos das Forças Armadas brasileiras, como o caça Gripen, o cargueiro C-390 Millennium e a modernização de aeronaves militares, além de exportar tecnologia para diversos países. Desde 2001, a AEL integra o grupo israelense Elbit Systems, que detém 75% do capital da companhia; os 25% restantes pertencem à Embraer Defesa e Segurança.

O encontro em Porto Alegre se insere em um movimento mais amplo de discussão sobre instrumentos de fomento à BID. Em novembro de 2025, o Ministério da Defesa e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) já haviam promovido, em Brasília, o primeiro seminário dedicado especificamente ao TLE, no qual representantes do governo e da indústria defenderam o instrumento como ferramenta de soberania tecnológica e de redução da dependência de fornecedores estrangeiros, ainda que sua adoção mais ampla continue dependendo de maior divulgação e de agilidade nos trâmites internos dos órgãos contratantes.

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