Publicação do CEO Rodrigo Persico expõe o portfólio de proteção contra drones da subsidiária, que une sensores, inteligência e comando e controle, e revela o peso de uma empresa pouco visível para o Grupo Embraer na defesa aérea, no controle do espaço aéreo e na Marinha do Brasil
*LRCA Defense Consulting - 13/10/2026 - 17h01
Quando se fala em Embraer, a imagem que vem à mente é a de aviões: o KC-390 Millennium, o A-29 Super Tucano, os jatos comerciais e executivos. Mas boa parte da inteligência que o grupo vende às Forças Armadas não voa. Ela está em consoles, servidores e algoritmos desenvolvidos pela Atech, a subsidiária paulistana que se define como a “casa de sistemas” da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira. Nesta terça-feira (13), o diretor-presidente da empresa, Rodrigo Persico, usou o LinkedIn para apresentar o portfólio antidrone da Atech, chamado em inglês de counter-unmanned aerial systems (C-UAS), e reafirmar que se trata de tecnologia brasileira voltada à proteção de pessoas, operações e ativos estratégicos.
Segundo a publicação, as soluções da empresa integram sensores de radiofrequência, radares, câmeras e recursos de comando e controle para detectar, identificar, classificar e apoiar a neutralização de ameaças aéreas. Persico destacou ainda a capacidade de localizar a origem dos sinais de controle, o que ajuda a identificar o operador do drone hostil e a coordenar as forças de resposta, e listou cinco frentes de emprego: defesa, segurança pública, grandes eventos, infraestruturas críticas e emergências, como o combate a incêndios.
A mensagem chega num momento em que o drone barato se tornou uma das principais ameaças do campo de batalha e da segurança urbana, e ajuda a entender por que uma empresa de cerca de 550 a 600 funcionários (o número varia conforme a fonte) ocupa posição tão estratégica dentro do Grupo Embraer.
Do sensor ao policial na porta do piloto
O núcleo do sistema antidrone é a plataforma Arkhe Integrated Surveillance (Arkhe IS), da família de produtos Arkhe, que reúne as soluções de defesa e segurança da Atech. Conforme o material técnico da empresa e a reportagem publicada pelo portal LRCA em abril, a arquitetura é multissensor e modular. Seu ponto de partida é um sensor de radiofrequência passivo, que cobre de 70 MHz a 6 GHz (incluindo as faixas de 433, 868 e 915 MHz e de 2,4, 5,2 e 5,8 GHz, usadas pela grande maioria dos drones comerciais) e opera em 360 graus, de dia ou de noite, inclusive sob mau tempo. Por ser passivo, ou seja, apenas “escuta” o espectro, o sensor dispensa homologação da Anatel.
O equipamento detecta drones com ou sem Remote ID, o protocolo de identificação remota, e coleta telemetria dos modelos comerciais que usam protocolo aberto. Para aeronaves não colaborativas, o modo Strobe executa a radiogoniometria (direction finding), apontando o azimute de origem do sinal. Com dois ou mais sensores, o sistema faz a triangulação e fixa a posição do drone e do rádio controle. O alvo aparece georreferenciado na interface do operador, com simbologia padronizada pela norma militar MIL-STD-2525, e pode ser classificado como amigo, neutro ou hostil. Um módulo de aprendizado de máquina (machine learning) refina a classificação, reduz falsos positivos e apoia a manutenção preditiva.
Sobre essa base, a solução agrega radares, câmeras eletro-ópticas e infravermelhas (EO/IR) e meios de neutralização, como bloqueadores (jammers), que interrompem o enlace do drone, e spoofers, que manipulam os sinais de navegação para desviá-lo. A instalação pode ser fixa (prédios e torres), móvel (viaturas) ou transportável (tripés), e a empresa propõe uma escalada gradual: o cliente começa com sensores de radiofrequência e incorpora radares e câmeras conforme a criticidade da área e o orçamento. Prever a integração de interferidores, porém, não significa que toda configuração entregue inclua neutralização ativa: o emprego de jammers no Brasil depende de autorização e de avaliação de riscos, sobretudo nas proximidades de aeroportos e de sistemas de comunicação sensíveis. O alcance de detecção também não é universal, pois varia com a altura de instalação, a linha de visada e as interferências do local.
O diferencial que a Atech mais enfatiza, e que Persico repetiu na postagem, é tratar o problema como questão de inteligência, e não apenas de bloqueio. Quando um drone é classificado como hostil, a localização da aeronave e do piloto é repassada ao Arkhe GDI, a plataforma de gestão de incidentes, que coordena as equipes em campo, exibe a posição dos agentes e dos drones policiais e transmite vídeo em tempo real. Em áreas sem cobertura celular, a comunicação segue por satélite, por meio de kits de mochila (os “Mochilinks”). Os dados acumulados alimentam o Arkhe Data Analysis, que gera mapas de calor, históricos de modelos detectados e pontos recorrentes de decolagem, enquanto o módulo Arkhe Athena cuida da segurança cibernética de todo o conjunto.
“O desafio é identificar rapidamente o que é risco e reagir antes que o problema se torne um incidente”, resumiu Claudio Nascimento, gerente comercial da Atech. A solução foi apresentada ao público na LAAD Security Milipol Brazil 2026, realizada de 14 a 16 de abril, em São Paulo, com demonstrações ao vivo do fluxo completo, da detecção à resposta. Na ocasião, o diretor de Negócios de Defesa, Giacomo Staniscia, afirmou que o objetivo era mostrar como a empresa pode apoiar inclusive operações de busca e captura do operador.
O núcleo do sistema antidrone é a plataforma Arkhe Integrated Surveillance (Arkhe IS), da família de produtos Arkhe, que reúne as soluções de defesa e segurança da Atech. Conforme o material técnico da empresa e a reportagem publicada pelo portal LRCA em abril, a arquitetura é multissensor e modular. Seu ponto de partida é um sensor de radiofrequência passivo, que cobre de 70 MHz a 6 GHz (incluindo as faixas de 433, 868 e 915 MHz e de 2,4, 5,2 e 5,8 GHz, usadas pela grande maioria dos drones comerciais) e opera em 360 graus, de dia ou de noite, inclusive sob mau tempo. Por ser passivo, ou seja, apenas “escuta” o espectro, o sensor dispensa homologação da Anatel.
O equipamento detecta drones com ou sem Remote ID, o protocolo de identificação remota, e coleta telemetria dos modelos comerciais que usam protocolo aberto. Para aeronaves não colaborativas, o modo Strobe executa a radiogoniometria (direction finding), apontando o azimute de origem do sinal. Com dois ou mais sensores, o sistema faz a triangulação e fixa a posição do drone e do rádio controle. O alvo aparece georreferenciado na interface do operador, com simbologia padronizada pela norma militar MIL-STD-2525, e pode ser classificado como amigo, neutro ou hostil. Um módulo de aprendizado de máquina (machine learning) refina a classificação, reduz falsos positivos e apoia a manutenção preditiva.
Sobre essa base, a solução agrega radares, câmeras eletro-ópticas e infravermelhas (EO/IR) e meios de neutralização, como bloqueadores (jammers), que interrompem o enlace do drone, e spoofers, que manipulam os sinais de navegação para desviá-lo. A instalação pode ser fixa (prédios e torres), móvel (viaturas) ou transportável (tripés), e a empresa propõe uma escalada gradual: o cliente começa com sensores de radiofrequência e incorpora radares e câmeras conforme a criticidade da área e o orçamento. Prever a integração de interferidores, porém, não significa que toda configuração entregue inclua neutralização ativa: o emprego de jammers no Brasil depende de autorização e de avaliação de riscos, sobretudo nas proximidades de aeroportos e de sistemas de comunicação sensíveis. O alcance de detecção também não é universal, pois varia com a altura de instalação, a linha de visada e as interferências do local.
O diferencial que a Atech mais enfatiza, e que Persico repetiu na postagem, é tratar o problema como questão de inteligência, e não apenas de bloqueio. Quando um drone é classificado como hostil, a localização da aeronave e do piloto é repassada ao Arkhe GDI, a plataforma de gestão de incidentes, que coordena as equipes em campo, exibe a posição dos agentes e dos drones policiais e transmite vídeo em tempo real. Em áreas sem cobertura celular, a comunicação segue por satélite, por meio de kits de mochila (os “Mochilinks”). Os dados acumulados alimentam o Arkhe Data Analysis, que gera mapas de calor, históricos de modelos detectados e pontos recorrentes de decolagem, enquanto o módulo Arkhe Athena cuida da segurança cibernética de todo o conjunto.
“O desafio é identificar rapidamente o que é risco e reagir antes que o problema se torne um incidente”, resumiu Claudio Nascimento, gerente comercial da Atech. A solução foi apresentada ao público na LAAD Security Milipol Brazil 2026, realizada de 14 a 16 de abril, em São Paulo, com demonstrações ao vivo do fluxo completo, da detecção à resposta. Na ocasião, o diretor de Negócios de Defesa, Giacomo Staniscia, afirmou que o objetivo era mostrar como a empresa pode apoiar inclusive operações de busca e captura do operador.
Um mercado aquecido, e ainda dependente de fornecedores estrangeiros
As cinco frentes citadas por Persico não são hipotéticas. Drones já são usados para lançar drogas e celulares em presídios, sobrevoar multidões, transportar contrabando nas fronteiras e, no limite, carregar explosivos. Em 2025, o governo do Rio de Janeiro abriu pregão para comprar 80 sistemas antidrone, de quase R$ 27 milhões, destinados às polícias Civil e Militar e à administração penitenciária. Em junho de 2026, a Polícia Federal fechou contrato de R$ 21,7 milhões com a israelense D-Fend Solutions para seis sistemas (quatro fixos e dois móveis), dentro do esquema de segurança dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.
O dado revela, ao mesmo tempo, a demanda e o espaço ainda ocupado por tecnologia importada. É exatamente nesse ponto que a Atech aposta no argumento da soberania: ao manter internamente todo o ciclo de desenvolvimento, da concepção ao suporte, a empresa oferece às forças de segurança e às Forças Armadas um sistema cujos algoritmos, base de dados e atualizações permanecem sob controle nacional. Ainda assim, nem a postagem de Persico nem os documentos públicos da empresa informam contratos específicos, quantidades de sistemas entregues ou resultados de ensaios operacionais da solução, o que impede, por ora, medir o estágio comercial do produto.
Do solo ao ar: a ponte com o Super Tucano
A integração entre a Atech e a controladora fica evidente no conceito antidrone do A-29 Super Tucano. Em novembro de 2025, a Embraer anunciou o SANT (Super Tucano Anti-Drone Tactics), conceito operacional que permite aos operadores atuais e futuros da aeronave interceptar drones com os sensores e armamentos já qualificados: a torre eletro-óptica com designador laser, as metralhadoras .50 nas asas e foguetes de 70 mm guiados a laser. Não se trata de uma nova versão do avião, mas de uma missão adicional.
A peça que fecha a cadeia sensor-atirador é justamente a rede terrestre da Atech. Segundo o material da empresa, quando o C-UAS terrestre é integrado a aeronaves de ataque leve como o A-29, as coordenadas dos alvos detectados pelos sensores no solo chegam à cabine pelo enlace de dados, ampliando o alcance e a eficácia da neutralização. Na prática, o grupo passa a oferecer um pacote completo, em que a subsidiária detecta e coordena, e o avião da Embraer engaja ameaças maiores, como os drones de ataque do tipo Shahed.
As cinco frentes citadas por Persico não são hipotéticas. Drones já são usados para lançar drogas e celulares em presídios, sobrevoar multidões, transportar contrabando nas fronteiras e, no limite, carregar explosivos. Em 2025, o governo do Rio de Janeiro abriu pregão para comprar 80 sistemas antidrone, de quase R$ 27 milhões, destinados às polícias Civil e Militar e à administração penitenciária. Em junho de 2026, a Polícia Federal fechou contrato de R$ 21,7 milhões com a israelense D-Fend Solutions para seis sistemas (quatro fixos e dois móveis), dentro do esquema de segurança dos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano.
O dado revela, ao mesmo tempo, a demanda e o espaço ainda ocupado por tecnologia importada. É exatamente nesse ponto que a Atech aposta no argumento da soberania: ao manter internamente todo o ciclo de desenvolvimento, da concepção ao suporte, a empresa oferece às forças de segurança e às Forças Armadas um sistema cujos algoritmos, base de dados e atualizações permanecem sob controle nacional. Ainda assim, nem a postagem de Persico nem os documentos públicos da empresa informam contratos específicos, quantidades de sistemas entregues ou resultados de ensaios operacionais da solução, o que impede, por ora, medir o estágio comercial do produto.
Do solo ao ar: a ponte com o Super Tucano
A integração entre a Atech e a controladora fica evidente no conceito antidrone do A-29 Super Tucano. Em novembro de 2025, a Embraer anunciou o SANT (Super Tucano Anti-Drone Tactics), conceito operacional que permite aos operadores atuais e futuros da aeronave interceptar drones com os sensores e armamentos já qualificados: a torre eletro-óptica com designador laser, as metralhadoras .50 nas asas e foguetes de 70 mm guiados a laser. Não se trata de uma nova versão do avião, mas de uma missão adicional.
A peça que fecha a cadeia sensor-atirador é justamente a rede terrestre da Atech. Segundo o material da empresa, quando o C-UAS terrestre é integrado a aeronaves de ataque leve como o A-29, as coordenadas dos alvos detectados pelos sensores no solo chegam à cabine pelo enlace de dados, ampliando o alcance e a eficácia da neutralização. Na prática, o grupo passa a oferecer um pacote completo, em que a subsidiária detecta e coordena, e o avião da Embraer engaja ameaças maiores, como os drones de ataque do tipo Shahed.
O cérebro das Fragatas Classe Tamandaré
Se no antidrone a Atech constrói mercado, no mar ela já ocupa uma das posições mais sensíveis da Defesa brasileira. No Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), contratado em 2020 com o consórcio Águas Azuis, formado por TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech, a empresa responde pelo desenvolvimento e integração do Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS, na sigla em inglês), do enlace de dados táticos e das atividades de integração e testes do sistema de combate, em parceria com a alemã ATLAS ELEKTRONIK, subsidiária da TKMS. Também é responsável, com a L3Harris, pelo Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS).
O CMS integra os 22 componentes do sistema de combate do navio: radares, sonar, guerra eletrônica, optrônicos, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos e o canhão de 76 mm. O sistema compila os dados dos sensores, identifica e classifica múltiplas ameaças e sugere ao comando a melhor resposta tática. O IPMS, por sua vez, monitora e controla 68 sistemas de propulsão, energia, auxiliares e controle de avarias. Os laboratórios de integração e testes funcionam no escritório da Atech no Rio de Janeiro, inaugurado em outubro de 2021.
O ano de 2026 marcou a consolidação desse trabalho. Entre 9 e 13 de abril, a fragata Tamandaré (F200) passou pela certificação técnica e operacional de seus sistemas de combate na área marítima de Cabo Frio (RJ), incluindo o lançamento de torpedo que testou a integração entre sonar, sistema de lançamento e CMS. O navio foi incorporado à Esquadra em 24 de abril. No mesmo mês, a Atech e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) assinaram um Protocolo de Intenções voltado à evolução contínua do CMS ao longo da vida útil dos navios. O documento sinaliza a intenção de manter a parceria, mas não equivale, por si só, à contratação de novos desenvolvimentos. Em maio, a empresa inaugurou na Base Naval do Rio de Janeiro o Simulador Tático e o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC), instalado no Centro de Apoio a Sistemas Operativos (Casop), estrutura que permite configurar o sistema, validar atualizações de software e treinar as tripulações antes do embarque.
O programa soma R$ 12 bilhões no primeiro lote, inserido no Novo PAC, e prevê a entrega das quatro fragatas, construídas pela TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), até 2029. A Atech é também a receptora da transferência de tecnologia dos dois sistemas, o que dá à Marinha capacidade de manter e evoluir o “cérebro” dos navios sem depender exclusivamente de fornecedores europeus. A Força já manifestou intenção de contratar um segundo lote de quatro fragatas, com meta de elevar o conteúdo local de 32% para 42% e integrar o míssil antinavio nacional MANSUP-ER, o que tende a ampliar o papel da empresa.
Se no antidrone a Atech constrói mercado, no mar ela já ocupa uma das posições mais sensíveis da Defesa brasileira. No Programa Fragatas Classe Tamandaré (PFCT), contratado em 2020 com o consórcio Águas Azuis, formado por TKMS, Embraer Defesa & Segurança e Atech, a empresa responde pelo desenvolvimento e integração do Sistema de Gerenciamento de Combate (CMS, na sigla em inglês), do enlace de dados táticos e das atividades de integração e testes do sistema de combate, em parceria com a alemã ATLAS ELEKTRONIK, subsidiária da TKMS. Também é responsável, com a L3Harris, pelo Sistema Integrado de Gerenciamento da Plataforma (IPMS).
O CMS integra os 22 componentes do sistema de combate do navio: radares, sonar, guerra eletrônica, optrônicos, mísseis antiaéreos de lançamento vertical, torpedos e o canhão de 76 mm. O sistema compila os dados dos sensores, identifica e classifica múltiplas ameaças e sugere ao comando a melhor resposta tática. O IPMS, por sua vez, monitora e controla 68 sistemas de propulsão, energia, auxiliares e controle de avarias. Os laboratórios de integração e testes funcionam no escritório da Atech no Rio de Janeiro, inaugurado em outubro de 2021.
O ano de 2026 marcou a consolidação desse trabalho. Entre 9 e 13 de abril, a fragata Tamandaré (F200) passou pela certificação técnica e operacional de seus sistemas de combate na área marítima de Cabo Frio (RJ), incluindo o lançamento de torpedo que testou a integração entre sonar, sistema de lançamento e CMS. O navio foi incorporado à Esquadra em 24 de abril. No mesmo mês, a Atech e a Diretoria de Sistemas de Armas da Marinha (DSAM) assinaram um Protocolo de Intenções voltado à evolução contínua do CMS ao longo da vida útil dos navios. O documento sinaliza a intenção de manter a parceria, mas não equivale, por si só, à contratação de novos desenvolvimentos. Em maio, a empresa inaugurou na Base Naval do Rio de Janeiro o Simulador Tático e o Centro de Suporte do Sistema de Combate (CSSC), instalado no Centro de Apoio a Sistemas Operativos (Casop), estrutura que permite configurar o sistema, validar atualizações de software e treinar as tripulações antes do embarque.
O programa soma R$ 12 bilhões no primeiro lote, inserido no Novo PAC, e prevê a entrega das quatro fragatas, construídas pela TKMS Estaleiro Brasil Sul, em Itajaí (SC), até 2029. A Atech é também a receptora da transferência de tecnologia dos dois sistemas, o que dá à Marinha capacidade de manter e evoluir o “cérebro” dos navios sem depender exclusivamente de fornecedores europeus. A Força já manifestou intenção de contratar um segundo lote de quatro fragatas, com meta de elevar o conteúdo local de 32% para 42% e integrar o míssil antinavio nacional MANSUP-ER, o que tende a ampliar o papel da empresa.

C4I, espaço aéreo e até o reator do submarino
A competência em comando, controle, comunicações, computação e inteligência (C4I) é a origem da Atech. A empresa atua na evolução do Dacom (Defesa Aérea e Circulação Operacional Militar), o sistema central de comando e controle da defesa aeroespacial brasileira, e há mais de três décadas desenvolve, em parceria com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Ciscea), os sistemas que gerenciam o tráfego aéreo do País, como o Sigma e o Sagitario.
Segundo a Embraer, as soluções da subsidiária apoiam a gestão de cerca de 22 milhões de quilômetros quadrados de espaço aéreo, área que inclui a porção oceânica sob responsabilidade brasileira. Em julho de 2024, durante o Farnborough International Airshow, a Atech fechou com o Decea dois contratos que somam US$ 17 milhões para modernizar esses sistemas, e o relatório da administração de 2025 registra mais quatro contratos com o órgão para desenvolver e modernizar sistemas de controle de tráfego aéreo. No Dacom, a empresa firmou no mesmo ano acordo de continuidade do Simulador de Operações Militares (SOpM).
O portfólio vai além. A empresa é a principal fornecedora dos sistemas de instrumentação e controle do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), protótipo em terra da planta de propulsão do submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear Álvaro Alberto, e concluiu em 2025 os testes desses sistemas. Também desenvolveu o sistema de missão N-TDMS dos helicópteros AH-15B Super Cougar da Marinha, participa dos simuladores do caça Gripen e integra, há cinco anos consecutivos, o exercício Locked Shields, o maior treinamento de ciberdefesa do mundo, organizado pelo centro de excelência da OTAN em Tallinn.
No exterior, a Atech fornece sistemas de gestão de fluxo de tráfego aéreo à Índia e sistemas de vigilância aérea e terrestre a programas de defesa no Norte da África. Em setembro de 2025, assinou contrato com a sul-africana ATNS para modernizar o gerenciamento de fluxo de tráfego aéreo no Aeroporto Internacional O.R. Tambo, em Joanesburgo, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2027. Em junho de 2025, abriu em Lisboa seu primeiro escritório fora do Brasil, ao lado da Embraer Defense Europe. Em junho deste ano, firmou parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC/USP) para usar inteligência artificial na previsão de trajetórias de aeronaves em quatro dimensões. A experiência em tráfego aéreo também serve a outra empresa do grupo: em 2023, a Eve Air Mobility informou que a Atech apoiou o desenvolvimento de seu software de gestão de tráfego aéreo urbano, voltado aos futuros “carros voadores”.
A competência em comando, controle, comunicações, computação e inteligência (C4I) é a origem da Atech. A empresa atua na evolução do Dacom (Defesa Aérea e Circulação Operacional Militar), o sistema central de comando e controle da defesa aeroespacial brasileira, e há mais de três décadas desenvolve, em parceria com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e a Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (Ciscea), os sistemas que gerenciam o tráfego aéreo do País, como o Sigma e o Sagitario.
Segundo a Embraer, as soluções da subsidiária apoiam a gestão de cerca de 22 milhões de quilômetros quadrados de espaço aéreo, área que inclui a porção oceânica sob responsabilidade brasileira. Em julho de 2024, durante o Farnborough International Airshow, a Atech fechou com o Decea dois contratos que somam US$ 17 milhões para modernizar esses sistemas, e o relatório da administração de 2025 registra mais quatro contratos com o órgão para desenvolver e modernizar sistemas de controle de tráfego aéreo. No Dacom, a empresa firmou no mesmo ano acordo de continuidade do Simulador de Operações Militares (SOpM).
O portfólio vai além. A empresa é a principal fornecedora dos sistemas de instrumentação e controle do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), protótipo em terra da planta de propulsão do submarino convencionalmente armado com propulsão nuclear Álvaro Alberto, e concluiu em 2025 os testes desses sistemas. Também desenvolveu o sistema de missão N-TDMS dos helicópteros AH-15B Super Cougar da Marinha, participa dos simuladores do caça Gripen e integra, há cinco anos consecutivos, o exercício Locked Shields, o maior treinamento de ciberdefesa do mundo, organizado pelo centro de excelência da OTAN em Tallinn.
No exterior, a Atech fornece sistemas de gestão de fluxo de tráfego aéreo à Índia e sistemas de vigilância aérea e terrestre a programas de defesa no Norte da África. Em setembro de 2025, assinou contrato com a sul-africana ATNS para modernizar o gerenciamento de fluxo de tráfego aéreo no Aeroporto Internacional O.R. Tambo, em Joanesburgo, com conclusão prevista para o terceiro trimestre de 2027. Em junho de 2025, abriu em Lisboa seu primeiro escritório fora do Brasil, ao lado da Embraer Defense Europe. Em junho deste ano, firmou parceria com o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP (ICMC/USP) para usar inteligência artificial na previsão de trajetórias de aeronaves em quatro dimensões. A experiência em tráfego aéreo também serve a outra empresa do grupo: em 2023, a Eve Air Mobility informou que a Atech apoiou o desenvolvimento de seu software de gestão de tráfego aéreo urbano, voltado aos futuros “carros voadores”.
Por que a Atech importa para a Embraer
A empresa nasceu em dezembro de 2009, da cisão parcial da Fundação Atech, herdeira de um programa de absorção de tecnologia de controle de tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira iniciado na década de 1980. A Embraer Defesa & Segurança comprou 50% do capital em abril de 2011 e assumiu o controle total em 2013. Credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa, a Atech mantém unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, São José dos Campos e Brasília.
Para o grupo, a subsidiária cumpre ao menos três funções. A primeira é transformar a Embraer de fabricante de plataformas em fornecedora de soluções integradas: o avião, o radar, o centro de comando e o software que une tudo. A segunda é financeira, pois os contratos de suporte e atualização de sistemas de missão e de tráfego aéreo geram receitas recorrentes que suavizam os ciclos longos das encomendas de aeronaves. A terceira é a credibilidade internacional: o sistema brasileiro de gestão de tráfego aéreo é reconhecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), e a presença em programas como o Labgene e as fragatas atesta capacidade de lidar com sistemas de missão crítica.
Os números confirmam o peso da operação. Segundo as demonstrações financeiras de 2025, a Atech, controlada integralmente pela Embraer Defesa e Segurança Participações, registrou receita líquida de R$ 344,6 milhões, alta de cerca de 27% sobre os R$ 271,3 milhões de 2024. O lucro líquido somou R$ 70,6 milhões, pouco abaixo dos R$ 73,9 milhões do ano anterior. O relatório da administração aponta ainda crescimento de 75% nas vendas e de 25% na carteira de pedidos (backlog), indicadores que se referem a negócios fechados e não devem ser confundidos com a receita reconhecida no exercício. Um detalhe chama a atenção: o documento não menciona a linha antidrone entre os destaques do ano, o que indica que o C-UAS, embora promissor, ainda não tem peso relevante no faturamento.
A estratégia ganhou novo instrumento em 28 de abril, quando a Atech assinou memorando de entendimento com a ALADA, estatal designada pelo Ministério da Defesa para conduzir exportações no modelo governo a governo (G2G). O acordo pode facilitar a venda de sistemas de C4I e antidrone a governos estrangeiros, em sintonia com as negociações que a própria Embraer conduz para o KC-390 e o Super Tucano.
À frente da empresa está um executivo formado dentro do grupo. Engenheiro mecânico pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com MBAs pela FIA-USP e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Rodrigo Persico acumula mais de duas décadas na Embraer, onde atuou em engenharia de produto no Brasil e no exterior e, a partir de março de 2020, ocupou a vice-presidência de Inteligência de Mercado da unidade de Defesa & Segurança, antes de suceder Edson Mallaco na presidência da Atech.
O que vem pela frente
A demanda por proteção antidrone deve continuar crescendo, impulsionada pelas lições da Ucrânia e do Oriente Médio, pela proteção de grandes eventos e pela escalada do uso criminoso dessas aeronaves no País. O posicionamento da Atech, porém, tem limites que convém observar. Sensores de radiofrequência dependem de que o drone emita sinais. Aeronaves totalmente autônomas, que voam sem enlace de rádio, ou os drones FPV guiados por fibra óptica, cada vez mais comuns no front ucraniano, não deixam rastro no espectro. Contra esse tipo de ameaça, a detecção depende de radares e câmeras, e a neutralização exige meios cinéticos (hard kill), que a empresa não fabrica e precisaria integrar por meio de parceiros. No entanto, sua grande capacidade de integração representa um passo importante em direção a esse objetivo.
É justamente nessa capacidade de integração que reside a principal vantagem da subsidiária. Como camada de comando e controle, o Arkhe pode, em tese, agregar sensores e armas de diferentes fabricantes, inclusive os de uma eventual defesa antiaérea em camadas do Exército e da Força Aérea. Se essa vocação de integradora se confirmar também no antidrone, como já ocorre nas fragatas e no controle do espaço aéreo, a Atech tende a deixar de ser a parte menos visível do Grupo Embraer para se tornar uma das mais estratégicas.
A empresa nasceu em dezembro de 2009, da cisão parcial da Fundação Atech, herdeira de um programa de absorção de tecnologia de controle de tráfego aéreo da Força Aérea Brasileira iniciado na década de 1980. A Embraer Defesa & Segurança comprou 50% do capital em abril de 2011 e assumiu o controle total em 2013. Credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa, a Atech mantém unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, São José dos Campos e Brasília.
Para o grupo, a subsidiária cumpre ao menos três funções. A primeira é transformar a Embraer de fabricante de plataformas em fornecedora de soluções integradas: o avião, o radar, o centro de comando e o software que une tudo. A segunda é financeira, pois os contratos de suporte e atualização de sistemas de missão e de tráfego aéreo geram receitas recorrentes que suavizam os ciclos longos das encomendas de aeronaves. A terceira é a credibilidade internacional: o sistema brasileiro de gestão de tráfego aéreo é reconhecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI), e a presença em programas como o Labgene e as fragatas atesta capacidade de lidar com sistemas de missão crítica.
Os números confirmam o peso da operação. Segundo as demonstrações financeiras de 2025, a Atech, controlada integralmente pela Embraer Defesa e Segurança Participações, registrou receita líquida de R$ 344,6 milhões, alta de cerca de 27% sobre os R$ 271,3 milhões de 2024. O lucro líquido somou R$ 70,6 milhões, pouco abaixo dos R$ 73,9 milhões do ano anterior. O relatório da administração aponta ainda crescimento de 75% nas vendas e de 25% na carteira de pedidos (backlog), indicadores que se referem a negócios fechados e não devem ser confundidos com a receita reconhecida no exercício. Um detalhe chama a atenção: o documento não menciona a linha antidrone entre os destaques do ano, o que indica que o C-UAS, embora promissor, ainda não tem peso relevante no faturamento.
A estratégia ganhou novo instrumento em 28 de abril, quando a Atech assinou memorando de entendimento com a ALADA, estatal designada pelo Ministério da Defesa para conduzir exportações no modelo governo a governo (G2G). O acordo pode facilitar a venda de sistemas de C4I e antidrone a governos estrangeiros, em sintonia com as negociações que a própria Embraer conduz para o KC-390 e o Super Tucano.
À frente da empresa está um executivo formado dentro do grupo. Engenheiro mecânico pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), com MBAs pela FIA-USP e pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Rodrigo Persico acumula mais de duas décadas na Embraer, onde atuou em engenharia de produto no Brasil e no exterior e, a partir de março de 2020, ocupou a vice-presidência de Inteligência de Mercado da unidade de Defesa & Segurança, antes de suceder Edson Mallaco na presidência da Atech.
O que vem pela frente
A demanda por proteção antidrone deve continuar crescendo, impulsionada pelas lições da Ucrânia e do Oriente Médio, pela proteção de grandes eventos e pela escalada do uso criminoso dessas aeronaves no País. O posicionamento da Atech, porém, tem limites que convém observar. Sensores de radiofrequência dependem de que o drone emita sinais. Aeronaves totalmente autônomas, que voam sem enlace de rádio, ou os drones FPV guiados por fibra óptica, cada vez mais comuns no front ucraniano, não deixam rastro no espectro. Contra esse tipo de ameaça, a detecção depende de radares e câmeras, e a neutralização exige meios cinéticos (hard kill), que a empresa não fabrica e precisaria integrar por meio de parceiros. No entanto, sua grande capacidade de integração representa um passo importante em direção a esse objetivo.
É justamente nessa capacidade de integração que reside a principal vantagem da subsidiária. Como camada de comando e controle, o Arkhe pode, em tese, agregar sensores e armas de diferentes fabricantes, inclusive os de uma eventual defesa antiaérea em camadas do Exército e da Força Aérea. Se essa vocação de integradora se confirmar também no antidrone, como já ocorre nas fragatas e no controle do espaço aéreo, a Atech tende a deixar de ser a parte menos visível do Grupo Embraer para se tornar uma das mais estratégicas.













