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15 julho, 2026

Exército amplia meios de engenharia no Rio Grande do Sul para operações e apoio à Defesa Civil

Comando Militar do Sul destina meios de mobilidade e transposição de cursos d'água à 8ª Companhia de Engenharia de Combate e ao 3º Batalhão de Engenharia de Combate, reforçando a capacidade de operação da Força Terrestre e o apoio à Defesa Civil no Estado


*LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

O Comando Militar do Sul (CMS) ampliou, nos últimos dias, a capacidade de engenharia de suas unidades no Rio Grande do Sul, com a entrega de equipamentos destinados tanto a operações de apoio à Força Terrestre quanto a missões de apoio à Defesa Civil. O reforço abrange duas frentes distintas: a estruturação da recém-criada 8ª Companhia de Engenharia de Combate, em São Leopoldo, e a incorporação de novas viaturas especializadas ao 3º Batalhão de Engenharia de Combate, em Cachoeira do Sul, voltadas ao sistema de pontes flutuantes Improved Ribbon Bridge (IRB).

Novos meios para a 8ª Companhia de Engenharia de Combate
Segundo informou o CMS, a 8ª Companhia de Engenharia de Combate recebeu carregadeiras sobre rodas, trator polivalente, caminhões basculantes, embarcações de assalto, motores de popa e meios para transposição de cursos d'água. O material se destina ao emprego em missões de apoio à Defesa Civil e em operações de engenharia em apoio à Força Terrestre.

De acordo com o comando da unidade, os equipamentos dão suporte às atividades da 8ª Brigada de Infantaria Motorizada em ações de mobilidade, contramobilidade e proteção, como transposição de cursos d'água, desobstrução de vias, escavação, salvamentos e transporte.

A 8ª Companhia de Engenharia de Combate foi ativada em março de 2026, nas antigas instalações do 16º Grupamento de Artilharia de Campanha Autopropulsado, o quartel 16, em São Leopoldo, subordinada operacionalmente à 8ª Brigada de Infantaria Motorizada. A previsão administrativa é de que a unidade adquira seus equipamentos gradualmente até 2028, quando deve atingir a plena capacidade operacional.

A criação da nova organização militar está diretamente ligada às enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024, quando as Forças Armadas foram amplamente empregadas em operações de resgate, reconstrução e apoio logístico às comunidades afetadas, entre elas a Operação Taquari 2. A experiência adquirida nessas operações evidenciou a necessidade de ampliar a estrutura militar especializada em engenharia de combate e apoio humanitário na região metropolitana de Porto Alegre e em áreas mais vulneráveis a eventos climáticos extremos.

Viaturas Tatra Force para o sistema de pontes flutuantes
Em outra frente, o Exército Brasileiro recebeu doze Viaturas Especializadas de Engenharia de Transporte de Portada (VE-Eng TRNP PRTD) 8x8 T-815-7, da família Tatra Force, fabricadas pela empresa tcheca Tatra Trucks. O desembarque do material ocorreu no Porto de Paranaguá (PR) em junho, e o transporte até o destino final contou com o apoio da 2ª Companhia de Engenharia de Combate Mecanizada.

As viaturas foram entregues em 5 de julho ao 3º Batalhão de Engenharia de Combate, o Batalhão Conrado Bittencourt, sediado em Cachoeira do Sul (RS). Cada caminhão está equipado com suporte lançador e recuperador de módulos, o que permite às tropas operar nas margens de cursos d'água com maior segurança.

O material é destinado ao adestramento e ao emprego do sistema Improved Ribbon Bridge (IRB), ponte flutuante utilizada na travessia de rios e lagos por viaturas e equipamentos pesados. Os módulos do sistema também podem ser empregados, de forma fracionada, como balsa de transporte. Com a nova incorporação, o 3º Batalhão de Engenharia de Combate agrega capacidades no adestramento e emprego de meios de pontagem em proveito do 4º Grupamento de Engenharia e do próprio Comando Militar do Sul.

Contexto: engenharia como prioridade no Sul do País
Os dois movimentos reforçam uma tendência já em curso no Comando Militar do Sul desde as enchentes de 2024: a ampliação e a modernização dos meios de engenharia como resposta a eventos climáticos extremos e como sustentação da capacidade de combate da Força Terrestre na fronteira sul. O CMS tem jurisdição sobre o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com sede em Porto Alegre, e reúne cerca de cinquenta mil militares, um quarto do efetivo total do Exército.

A combinação de equipamentos de terraplenagem, embarcações e viaturas para pontes flutuantes indica um esforço deliberado para dotar as unidades de engenharia da região de meios que sirvam tanto ao emprego operacional militar quanto ao apoio humanitário, um binômio que se tornou central no planejamento do Exército no Rio Grande do Sul desde as cheias que atingiram o Estado.

Embraer negocia venda de jatos regionais para a Alliance Air, da Índia

Estatal indiana avalia opções para renovar frota de turboélices em meio a problemas recorrentes com os ATR 72; fabricante brasileira aposta em mercado potencial de 500 aeronaves no país na próxima década

 

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LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

A Embraer está em negociações preliminares com a Alliance Air, companhia aérea regional estatal da Índia, para um possível pedido de aeronaves. A informação foi divulgada pelo jornal indiano Financial Express, em reportagem assinada por Akbar Merchant e publicada em 15 de julho de 2026, com base em fontes ouvidas pelo veículo.

Segundo o jornal, as conversas ainda estão em estágio inicial e não há detalhes fechados sobre o possível contrato. As famílias E175 e E190-E2 estariam entre as aeronaves em avaliação pela companhia indiana.

Frota de turboélices enfrenta dificuldades
A Alliance Air é controlada pelo governo indiano por meio da AI Assets Holding Ltd. e opera atualmente cerca de 18 aeronaves ATR 72, das quais a maior parte estaria em solo por diferentes problemas, de acordo com as fontes citadas pelo Financial Express. A situação teria motivado a companhia a avaliar alternativas para reforçar sua frota.

A empresa é a segunda maior operadora regional da Índia, com cerca de 20% de participação no segmento de turboélices, atrás apenas da Star Air, primeira companhia aérea do país a operar o Embraer E175.

Embraer projeta mercado de 500 aeronaves
Em nota ao jornal indiano, um porta-voz da Embraer afirmou que a companhia está dialogando tanto com operadoras já estabelecidas quanto com potenciais novas entrantes no mercado indiano, sem confirmar detalhes sobre clientes específicos, incluindo a própria Alliance Air e a Star Air, que já manifestou publicamente interesse em adquirir até 20 jatos da família E2.

“A certificação da família E-Jet nos permite atender à demanda futura tanto de companhias já existentes quanto de possíveis novas entrantes que estejam avaliando aeronaves de menor porte para iniciar operações. O E175 já voa na Índia, e temos a expectativa de assegurar novos pedidos de E-Jets em breve”, afirmou o porta-voz da fabricante brasileira.

A companhia estima um mercado potencial de 500 aeronaves no país ao longo da próxima década, à medida que as companhias aéreas indianas expandem operações para além das capitais e reforçam a conectividade com cidades de médio e pequeno porte.

Encaixe no programa Udan
Segundo a Embraer, o E195-E2 se encaixa no programa governamental de conectividade regional Udan (Ude Desh ka Aam Nagrik), com custo por assento comparável ao de aeronaves narrowbody de maior porte e custo de viagem 25% menor, o que tornaria rotas de menor densidade mais viáveis comercialmente e permitiria maior frequência de voos.

“A Índia é o maior mercado inexplorado do mundo. Com uma frota predominante de narrowbodies grandes e turboélices, as companhias aéreas estão perdendo oportunidades significativas em rotas finas demais para narrowbodies e longas demais para turboélices”, disse um porta-voz da Embraer ao jornal.

Fabricação local ainda depende de pedidos firmes
Um eventual pedido da Alliance Air se soma a outros movimentos recentes da Embraer na Índia, entre eles a negociação da Star Air por um lote histórico de até 40 ou 50 jatos regionais e a definição, em junho de 2026, de Dholera, no estado de Gujarat, como sede de uma futura linha de montagem final (FAL) do E175, em parceria com o Adani Group.

A instalação da FAL, no entanto, segue condicionada à confirmação de pedidos firmes de companhias aéreas indianas, conforme declarou Arjan Meijer, CEO da Embraer Aviação Comercial, em entrevista recente na sede da empresa em São José dos Campos (SP). Nesse sentido, um contrato da Alliance Air reforçaria justamente a base de pedidos que a fabricante brasileira busca consolidar antes de avançar com a fabricação local.

Guardião Cibernético 2026: exercício reunirá mais de 240 organizações no maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul

Coordenado pelo Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro, o EGC 2026 terá sede em Brasília e hubs regionais em seis capitais, entre 21 e 25 de setembro



*LRCA Defense Consulting - 15/07/2026

O Exército Brasileiro, por meio do Comando de Defesa Cibernética (ComDCiber), confirmou a realização do Exercício Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026), considerado o maior treinamento de defesa cibernética do Hemisfério Sul. A atividade está marcada para o período de 21 a 25 de setembro e deve reunir cerca de 240 organizações, entre Forças Armadas, órgãos governamentais, agências reguladoras, instituições de ensino e operadores de setores estratégicos como energia, água, telecomunicações e finanças.

O exercício simula ataques cibernéticos em larga escala contra infraestruturas críticas nacionais, com o objetivo de testar e fortalecer a capacidade de resposta do País diante de ameaças digitais. A programação combina duas frentes: simulações de gestão de crise voltadas a lideranças e tomadores de decisão, que reproduzem cenários de coordenação política e institucional sob pressão; e treinamentos técnicos práticos, destinados a equipes operacionais especializadas na contenção de ataques e no restabelecimento de sistemas.

A edição de 2026 terá Brasília como sede principal e contará com hubs regionais em Manaus, Belém, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba, ampliação que busca dar maior capilaridade às atividades do exercício em diferentes regiões do País. O modelo descentralizado é apontado pelo ComDCiber como uma das principais ferramentas de integração entre o Ministério da Defesa e o ecossistema de inovação, empresas e instituições que atuam com segurança da informação.

Parceria Exército e CESAR/CISSA

O hub de Recife e o papel do CESAR
Um dos destaques da edição de 2026 é a confirmação do CESAR (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife) como um dos hubs regionais do exercício, em solenidade realizada em 2 de julho. A escolha reforça o protagonismo da capital pernambucana e do CISSA, Centro de Competência Embrapii em Segurança Cibernética operado pelo CESAR, no ecossistema nacional de segurança digital.

O CISSA é, segundo o CESAR, o único Centro de Competência em Cibersegurança credenciado pela Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial) no País, credenciamento obtido em 2024. A instituição atua em quatro frentes principais: pesquisa, capacitação de talentos, aceleração de startups (ventures) e conexão entre empresas, governo e instituições de ensino e pesquisa, com linhas de investigação que vão de gestão de identidade e acesso e proteção e privacidade de dados a inteligência de ameaças cibernéticas e aspectos legais, éticos e comportamentais da segurança digital. Entre os parceiros institucionais do centro estão o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI) e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), além de um conselho consultivo formado por representantes do CESAR, da Embrapii, do MCTI, da Febraban e do Google.

"O CESAR é uma referência aqui na região e é uma forma que as Forças encontraram de estar mais próximas da indústria, dos serviços e do comércio no Nordeste. Nós trouxemos o Exercício Guardião para diversas regiões do país e, aqui em Recife, o CESAR foi uma escolha natural nesse processo de aproximação com os serviços e as indústrias da região", afirmou o general de divisão Jacy Barbosa Junior, comandante cibernético do Exército.

"Estar entre os anfitriões participantes do Guardião Cibernético é o reconhecimento de um trabalho que o CESAR vem construindo e um marco para o CISSA. Coloca Recife no centro de um dos maiores exercícios de defesa cibernética do mundo e reforça o papel do CISSA nesse campo", avaliou Georgia Barbosa, gerente executiva do CISSA.

Uma trajetória de expansão desde 2018
O Guardião Cibernético é realizado anualmente pelo ComDCiber desde 2018 e vem ampliando escopo, número de participantes e complexidade a cada edição. Inicialmente concentrado em setores como o financeiro e o nuclear, o exercício passou a incorporar progressivamente novas instituições e cenários. Na edição 3.0, em outubro de 2021, participaram 350 pessoas de 58 organizações públicas e privadas; entre as empresas do setor de defesa, a Atech (grupo Embraer) e a Avibras já disponibilizavam, à época, sistemas simulados de defesa aérea para reproduzir cenários de características militares, em modelo inspirado no exercício Locked Shields, promovido pela OTAN na Estônia.

A edição 4.0, realizada em agosto de 2022, teve o edital de chamamento público publicado no Diário Oficial da União em janeiro daquele ano. Já a edição 6.0, entre 14 e 18 de outubro de 2024, ocorreu simultaneamente na Escola Superior de Defesa, em Brasília, e no Comando da 2ª Divisão de Exército, em São Paulo. Segundo dados divulgados pelo próprio ComDCiber, a edição de 2023 havia reunido mais de 700 participantes e 100 organizações, patamar hoje superado pelas quase 240 organizações previstas para o EGC 2026.

Não há, até o momento, uniformidade na nomenclatura numérica adotada nas divulgações oficiais: enquanto notas de imprensa recentes do próprio ComDCiber, como a que registrou a visita técnica ao Comando Militar da Amazônia em março de 2026, se referem ao exercício como Guardião Cibernético 8.0 (EGC 8.0), o material de divulgação institucional mais recente, vinculado à confirmação dos hubs regionais, adota a denominação Guardião Cibernético 2026 (EGC 2026). A divergência é editorial e não afeta o conteúdo do exercício, mas fica registrada como ponto de atenção para cobertura futura.

Relevância para a base industrial de defesa
Para além do treinamento de resposta a incidentes, o ComDCiber tem associado o Guardião Cibernético ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) e à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação de produtos de defesa. O exercício também é apresentado pelo Exército como instrumento de cooperação internacional, em um contexto no qual o Comando de Defesa Cibernética passou, em 2026, a integrar formalmente inteligência artificial ao escopo de suas atribuições, com a renomeação do antigo Programa de Defesa Cibernética para "IA e Defesa Cibernética".

O acordo entre o Exército e o CESAR, e de forma mais ampla a realização do EGC 2026, ganha relevância em um momento de aumento global na frequência e na sofisticação de ataques a infraestruturas críticas como energia, água, telecomunicações e sistema financeiro. Segundo o próprio ComDCiber, a combinação entre a capacidade de coordenação e inteligência das Forças Armadas e a expertise técnica e científica de centros como o CISSA amplia a capacidade do País de antecipar, simular e responder a esses cenários, ao mesmo tempo em que fortalece a formação de talentos e a geração de conhecimento aplicado na área.

Quando a riqueza deixa de ser bênção e passa a ser vulnerabilidade


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 15/07/2026

O mundo vive uma mudança silenciosa, mas profunda. Grandes potências já não escondem que rotas marítimas, minerais estratégicos, energia e recursos naturais passaram a ser tratados como ativos de segurança nacional. A lógica é simples, quem garante a segurança, influencia o comércio, quem controla recursos críticos, amplia seu poder geopolítico. Foi assim com uma declaração de um líder mundial com relação ao estreito mais importante para a rota do petróleo. E tem sido assim com outras declarações de líderes mundiais. 

Nesse cenário, onde está o Brasil?
Somos detentores da maior floresta tropical do planeta, de cerca de 12% da água doce superficial disponível, de uma das maiores biodiversidades do mundo, de extensas reservas de petróleo offshore, da Amazônia Azul e de minerais estratégicos indispensáveis à economia do século XXI, como terras raras, nióbio, grafeno e lítio.

Essas riquezas são motivo de orgulho, mas também despertam interesses.

Ao longo da história, recursos estratégicos sempre atraíram disputas. A diferença é que, no século XXI, elas raramente começam com tropas cruzando fronteiras. Iniciam-se por pressões econômicas, dependência tecnológica, influência política, controle de cadeias logísticas, sanções, disputas regulatórias e operações no espaço cibernético.

Isso significa que o Brasil sofrerá uma invasão militar? Provavelmente não.

Mas seria igualmente ingênuo acreditar que, em um mundo onde algumas nações já se atribuem o papel de garantir a segurança de rotas comerciais internacionais ou de proteger interesses considerados globais, recursos como a Amazônia, a água doce e os minerais críticos permanecerão para sempre fora do centro das disputas geopolíticas.

Quanto mais escassos esses ativos se tornarem, maior será seu valor estratégico.

É justamente por isso que defesa nacional não pode ser vista como gasto. Ela é um instrumento de soberania. Diplomacia respeitada, inteligência eficiente, tecnologia, indústria de defesa robusta e Forças Armadas modernas formam um único sistema de dissuasão.

A história demonstra que países fortes negociam de igual para igual. Países vulneráveis acabam tendo suas escolhas condicionadas pelos interesses de outros.

O Brasil é um país pacífico, e isso deve continuar sendo uma de suas maiores virtudes. Mas paz não é sinônimo de fragilidade. Paz se preserva com credibilidade e dissuasão.

A pergunta que deveríamos fazer não é se nossas riquezas despertarão interesses internacionais. Isso já acontece.

A verdadeira questão é outra, quando esses interesses se intensificarem, teremos capacidade política, tecnológica, industrial e militar suficiente para garantir que o futuro da Amazônia, da nossa água, dos nossos minerais estratégicos e da nossa soberania continue sendo decidido apenas pelos brasileiros? 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

14 julho, 2026

Petro determina avanço da compra de dois KC-390 da Embraer para a Colômbia

Ordem presidencial busca acelerar a substituição dos C-130H Hercules na Força Aeroespacial Colombiana, em meio a debate sobre sistemas de origem israelense embarcados na aeronave brasileira


*LRCA Defense Consulting - 14/07/2026

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, teria determinado o encerramento do processo de aquisição de dois aviões de transporte tático Embraer KC-390 Millennium para a Força Aeroespacial Colombiana (FAC), segundo informação divulgada nesta terça-feira, 14 de julho de 2026, pelo portal espanhol Infodefensa, assinada pelo jornalista Erich Saumeth. A decisão acelera um processo que ainda envolvia a comparação técnica com outras duas plataformas disputadas no mercado internacional: o C-130J Super Hercules, da Lockheed Martin, e o A400M Atlas, da Airbus.

A orientação de Petro não é isolada. Já em 30 de março de 2026, o presidente colombiano havia ordenado formalmente, em Conselho de Ministros, o início do processo de compra das duas aeronaves brasileiras, segundo apurou à época o próprio Infodefensa. Naquele momento, a razão apontada pelo portal era o interesse do mandatário em reforçar uma aliança de defesa aérea com o Brasil, a partir de conversas e compromissos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A nova orientação, agora, teria como objetivo fechar definitivamente o negócio.

A urgência da renovação da frota de transporte colombiana cresceu depois do acidente registrado em março de 2026 com um C-130H Hercules da FAC, que caiu pouco depois de decolar de Puerto Leguízamo, no departamento de Putumayo, durante uma missão de transporte de militares, deixando dezenas de mortos e feridos. O episódio expôs o desgaste de uma frota que serve à Colômbia há décadas em missões logísticas exigentes, sobre uma geografia marcada pela Cordilheira dos Andes, extensas áreas amazônicas e regiões com infraestrutura aeroportuária limitada.

É nesse cenário que o KC-390 Millennium apresenta parte de seu apelo comercial. Desenvolvido pela Embraer, o bimotor a jato pode transportar até 26 toneladas de carga, atingir velocidades de cruzeiro próximas de 470 nós e operar em pistas curtas, não pavimentadas ou pouco preparadas, características relevantes para o teatro operacional colombiano. A aeronave também está apta a realizar reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, apoio humanitário e combate a incêndios.

O impasse dos sistemas israelenses
A possível aquisição, no entanto, esbarra em uma questão política sensível para o governo Petro. Segundo o Infodefensa, determinadas configurações do KC-390 incorporam sistemas desenvolvidos pela indústria israelense, entre eles o sistema de missão da aeronave, criado pela Elbit Systems por meio de sua subsidiária brasileira AEL Sistemas, responsável por elementos críticos da cabine, incluindo os sistemas de visualização e o Head-Up Display (HUD). A configuração da aeronave também pode integrar suítes de autoproteção e guerra eletrônica de origem israelense, entre elas sistemas Dircm (Directional Infrared Countermeasures), dispensadores de contramedidas (CMDS) e pods de guerra eletrônica ativa (AECM).

O tema ganha relevância porque o próprio Petro já havia restringido, em decisões anteriores de seu governo, a aquisição de equipamentos, sistemas ou armamentos de origem israelense ou que incorporem componentes fabricados naquele país. Ainda não está claro, segundo as fontes consultadas, como essa política seria aplicada à configuração específica destinada à Colômbia, tampouco se determinados sistemas poderiam ser substituídos por equipamentos de outros fornecedores.

Peça de um rearmamento mais amplo
A eventual chegada do KC-390 se insere em uma renovação mais ampla da aviação militar colombiana. O País, além da negociação em curso com a Embraer, avança na aquisição de 17 caças Gripen E/F, da sueca Saab, para substituir os veteranos Kfir, de origem israelense, ampliando a participação das indústrias aeronáuticas brasileira e sueca na modernização das capacidades aéreas da FAC. Analistas do setor observam que o KC-390 é compatível com as operações dos Gripen, sobretudo para o reabastecimento em voo, o que facilitaria a integração da nova frota de combate colombiana.

Caso o contrato seja formalizado, a Colômbia se tornará mais um operador internacional do C-390 Millennium, aeronave que já conquistou clientes como Portugal, Hungria, Países Baixos, Áustria, República Tcheca, Coreia do Sul, Suécia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos e Uzbequistão, além do Brasil. O mesmo movimento de renovação de frotas de transporte tático move outros países da região, caso do Chile, cujo presidente José Antonio Kast já sinalizou publicamente interesse pela aeronave, e de Marrocos, cuja negociação avançada prevê a compra de cinco unidades em um contrato estimado em mais de US$ 600 milhões.

Até o momento, não foi anunciado publicamente um contrato definitivo entre o governo colombiano e a Embraer para as duas aeronaves. A orientação de Petro para avançar com o processo ainda deve envolver negociações comerciais, a definição da configuração dos aviões, o pacote logístico, o treinamento de tripulações e equipes de manutenção, além do cronograma de entregas.

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