Pesquisar este portal

23 janeiro, 2026

Avibras: momento decisivo na luta pela retomada de uma gigante da defesa brasileira

Trabalhadores autorizam negociação de dívidas e empresa anuncia retorno gradual das atividades


*LRCA Defense Consulting - 23/01/2026

Em assembleia realizada na noite desta quinta-feira (22), na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, os trabalhadores da Avibras autorizaram a entidade a negociar os valores das dívidas trabalhistas acumuladas pela empresa desde 2022. A decisão marca um ponto de inflexão em uma das crises mais longas e complexas da indústria de defesa brasileira.

A autorização para negociar ocorre um dia após a empresa apresentar ao Sindicato, em reunião realizada na quarta-feira (21), um cronograma concreto para o retorno das atividades da fábrica. Segundo informado pela direção da Avibras, está prevista a retomada com 450 trabalhadores: 210 devem voltar em março e outros 240 a partir de junho.

O anúncio traz um sopro de esperança para cerca de 900 trabalhadores que estão há 34 meses sem receber salários e vivem uma greve iniciada em setembro de 2022. 
 
Após quase quatro anos de paralisação, greves e incertezas, a Avibras Indústria Aeroespacial (considerada a maior fabricante privada de sistemas de defesa do Brasil, responsável pelo desenvolvimento do lançador múltiplo de foguetes ASTROS II e do míssil de cruzeiro AV-TM 300) vive um momento decisivo para sua sobrevivência e para a manutenção de tecnologias fundamentais à dissuasão estratégica das Forças Armadas brasileiras.

O drama dos trabalhadores
Cerca de 900 trabalhadores, que chegaram a ser 1.400 antes das demissões, estão há 34 meses sem receber salários. A greve iniciada em setembro de 2022 persiste, tornando-se uma das mais longas da história recente da indústria brasileira. Muitos profissionais qualificados já migraram para outras empresas do setor de defesa, como Akaer, Mac Jee e SIATT, levando consigo expertise acumulada ao longo de décadas.

Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, tem cobrado não apenas o pagamento dos salários atrasados, que somam 26 meses, mas também pressiona o governo federal por investimentos que garantam a retomada sustentável da empresa. "Se conseguirmos o retorno das atividades da principal indústria bélica do país, será uma vitória dos trabalhadores e do Sindicato", afirmou em reunião recente com o ministro Guilherme Boulos.

Um processo de recuperação complexo
A trajetória de recuperação judicial da Avibras começou em março de 2022, quando a empresa, acumulando uma dívida de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, entrou com pedido de recuperação. A crise afeta não apenas trabalhadores, mas também credores como o governo federal, bancos públicos e privados e fornecedores.

Em maio de 2025, a Assembleia Geral de Credores aprovou um plano alternativo apresentado pela Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimentos e Direitos Creditórios, que prevê o afastamento do então proprietário João Brasil Carvalho Leite e a nomeação de um interventor judicial. O plano foi homologado e abriu caminho para negociações sobre o pagamento das dívidas trabalhistas.

A proposta de retomada inclui o parcelamento em 48 meses dos salários, 13º, férias e FGTS atrasados, além da conversão das multas trabalhistas em 10% das ações da "Nova Avibras", quando houver abertura de capital. Em agosto de 2025, o processo de transição avançou com a designação do Dr. Fábio Guimarães Leite como novo administrador, representando a Vita Gestão e Investimentos Ltda., novo acionista majoritário.

Aguardando recursos do governo
Um dos principais obstáculos para a retomada completa das operações é a liberação de recursos federais. Segundo a direção da Avibras, há pendências relacionadas à formalização pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional de um acordo para redução de débitos tributários, condição precedente estabelecida no Plano de Recuperação Judicial.

A empresa solicita R$ 300 milhões para reativar linhas de produção, pagar dívidas trabalhistas e iniciar projetos pendentes. No entanto, a demora na liberação dos recursos tem gerado frustração. Em reunião com o ministro Boulos, o sindicato destacou que "não falta dinheiro público para a Embraer", referindo-se ao bilhão de reais liberado pelo BNDES para a fabricante de aeronaves, e questionou por que uma empresa em situação crítica como a Avibras não recebe a mesma atenção.

A importância estratégica da Avibras
Fundada em 1961 por engenheiros do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Avibras integrou o Programa Espacial Brasileiro ainda nos anos 1960 e se tornou referência mundial no desenvolvimento de sistemas de mísseis, foguetes de artilharia e veículos militares.

O sistema ASTROS II, seu principal produto, é utilizado pelo Exército Brasileiro e exportado para países como Arábia Saudita, Iraque, Catar e Malásia. Capaz de lançar munições de diferentes calibres a distâncias entre 9 e 300 km, o sistema é comparável ao HIMARS americano, que teve papel crucial na contenção da ofensiva russa na Ucrânia em 2022.

O Projeto Estratégico ASTROS 2020, iniciado em 2012, contempla o desenvolvimento e fornecimento de mísseis táticos de cruzeiro, foguetes guiados e novas viaturas de combate. A modernização visa dotar a Força Terrestre de meios capazes de prestar apoio de fogo de longo alcance com elevada precisão e letalidade, contribuindo para o poder dissuasório do Brasil e a garantia da soberania nacional.

Base Industrial de Defesa em risco
A possível venda da Avibras para grupos estrangeiros, incluindo tentativas da australiana DefendTex e da saudita Black Storm Military Industries, acendeu o debate sobre a falta de investimentos na Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.

Credenciada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) pelo Ministério da Defesa, a Avibras é considerada um ativo estratégico e geopolítico para a soberania brasileira. A BID possibilita o desenvolvimento de tecnologias de uso dual (aplicações militares e civis) que impulsionam a inovação em setores como aeroespacial, energia e comunicações.

Especialistas alertam que a transferência de controle para capital estrangeiro resultaria na perda de domínio sobre tecnologias sensíveis, afetando programas estratégicos das Forças Armadas como o desenvolvimento de mísseis de cruzeiro, foguetes guiados e sistemas de artilharia avançados.

"Nenhum país que é preponderante no sistema internacional abriu mão da sua Base Industrial de Defesa", explica Vitélio Brustolin, especialista em defesa. "Todos procuram o máximo possível de autonomia nessa área ou parcerias estratégicas duradouras."

O modelo brasileiro em questão
O Brasil adota um modelo híbrido em sua indústria de defesa: nem totalmente privado como as democracias liberais do Ocidente, nem estatal como na Rússia, Irã e China. Enquanto investe diretamente na Embraer, não faz compras suficientes para sustentar empresas como a Avibras, que acabam dependendo de vendas internacionais para sobreviver.

Analistas apontam que o governo brasileiro compra 75% do armamento de fora do país, deixando de desenvolver a indústria nacional. Para reverter o quadro, seria necessário não apenas aumentar as compras governamentais, mas também investir em pesquisa e desenvolvimento, lançar concorrências para projetos novos e garantir contratos de longo prazo que deem estabilidade às empresas do setor.

O histórico trágico da Engesa
A história da Avibras evoca o caso da Engesa, empresa da década de 1970 que se consolidou na produção de blindados e carros de combate e chegou a ser uma das maiores exportadoras de equipamentos militares do Brasil. A Engesa faliu nos anos 1990 por falta de apoio governamental, levando consigo tecnologia estratégica e milhares de empregos qualificados.

"A possível venda da Avibras pode repetir os erros do passado", alertam especialistas. "Isso representa não apenas a perda de soberania nacional, mas também o desprezo absoluto pelos milhares de trabalhadores qualificados que construíram a empresa ao longo de seis décadas."

Perspectivas para 2026
As próximas semanas serão cruciais para definir o destino da Avibras. A empresa aguarda a liberação de recursos federais, a formalização dos acordos tributários e a homologação final do plano de pagamento aos trabalhadores.

Enquanto isso, o sindicato mantém a pressão, cobrando do governo federal e do BNDES (um dos maiores credores da empresa) medidas concretas para viabilizar a retomada. "A Avibras é fundamental para a Base Industrial de Defesa brasileira", ressaltou Rennys Frota, diretor de Inovação da Finep, parceira histórica da empresa desde os anos 1970.

Se as negociações forem bem-sucedidas, a "Nova Avibras" poderá renascer com governança renovada, estabilidade institucional e uma estrutura de capital alinhada à visão de longo prazo. Caso contrário, o Brasil poderá perder definitivamente uma de suas principais empresas estratégicas de defesa, comprometendo sua autonomia tecnológica e sua capacidade de projeção de poder.

Para os 900 trabalhadores que aguardam há quase três anos por salários e esperança, a retomada representa muito mais que a recuperação de uma empresa: é a luta pela dignidade, pela soberania nacional e pelo futuro da indústria de defesa brasileira.

AEL Sistemas e o A-29 Super Tucano: tecnologia brasileira que fortalece a soberania e conquista o mundo

 


*Mauro Beirão - 19/01/2026

A aeronave A-29 Super Tucano, desenvolvida e fabricada pela Embraer, representa um dos maiores sucessos da indústria aeroespacial brasileira no cenário internacional. Essa aeronave turboélice multimissão - capaz de realizar ataque leve, reconhecimento armado, treinamento avançado e missões de contrainsurgência - conquistou mais de 20 Forças Aéreas ao redor do mundo, acumulando centenas de milhares de horas de voo comprovadas em operações reais. Seu desempenho excepcional, baixo custo operacional e versatilidade a tornaram a escolha preferida de nações que buscam soluções eficazes e econômicas para defesa e segurança.

No coração desse sucesso está a participação fundamental da AEL Sistemas, empresa brasileira que completará 45 anos em 2027, sediada em Porto Alegre (RS) e referência nacional em desenvolvimento de sistemas aviônicos de alta complexidade. A AEL foi o principal provedor da suíte aviônica completa do A-29 Super Tucano, fornecendo e integrando sistemas críticos que garantem a superioridade da aeronave nos mais diversos tipos de missões.

A contribuição estratégica da AEL Sistemas
A AEL Sistemas desenvolveu e produziu uma ampla gama de equipamentos essenciais para o funcionamento integrado e eficiente do Super Tucano. Entre os principais sistemas fornecidos pela empresa destacam-se:

  • Displays multifuncionais coloridos de alta resolução no cockpit “glass cockpit”;
  • Computador de missão avançado;
  • Head-Up Display (HUD) e outros componentes que elevam a consciência situacional do piloto.

Essa suíte aviônica integrada transforma o A-29 em uma plataforma “3 em 1”: ataque leve, ISR armado (do inglês Intelligence, Surveillance e Reconnaissance armed) e treinamento, com precisão, confiabilidade e interoperabilidade excepcionais. A expertise da AEL permitiu que a Embraer entregasse uma aeronave com tecnologia de última geração, capaz de operar em ambientes hostis, com baixa manutenção e alto índice de disponibilidade.

A participação da AEL não se limita à produção inicial, a empresa continua envolvida em modernizações e upgrades que buscam aumentar a interoperabilidade com outras aeronaves. Isso reforça o ciclo de vida longo e evolutivo do Super Tucano.

O orgulho brasileiro: técnicos e engenheiros no centro do projeto
O que torna essa conquista ainda mais especial é o fato de que grande parte dessa tecnologia foi desenvolvida por mãos e mentes brasileiras. Os engenheiros e técnicos da AEL Sistemas são profissionais altamente qualificados, formados em universidades brasileiras e com experiência acumulada em projetos estratégicos da defesa nacional. Esta grande equipe da AEL, que também tem forte experiência e participação em projetos internacionais, foram os responsáveis pela concepção, simulação, integração e certificação desses sistemas críticos.

Essa participação demonstra a capacidade soberana do Brasil em dominar tecnologias de ponta no setor aeroespacial e de defesa. Cada display, cada linha de código, cada integração realizada pela equipe da AEL carrega o selo da engenhosidade brasileira, contribuindo para a transferência de tecnologia, geração de empregos qualificados e o fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) do país.

Graças a esse talento nacional, o Super Tucano não é apenas uma aeronave exportada pelo Brasil, é um símbolo de inovação brasileira voando em céus de diversos continentes, protegendo soberanias e protegendo vidas em missões reais.

Um legado de excelência e futuro promissor
A história da aeronave A-29 Super Tucano e da AEL Sistemas é um exemplo inspirador de como a colaboração entre empresas brasileiras pode gerar produtos de classe mundial. Enquanto a Embraer lidera o design e a integração da plataforma, a AEL eleva o nível tecnológico com aviônicos de excelência, consolidando o Brasil como player relevante no mercado global de defesa.

Fazer parte desse projeto icônico e da AEL Sistemas, uma empresa brasileira, é motivo de muito orgulho. Parabéns aos nossos engenheiros, técnicos e demais colaboradores que dedicaram expertise e paixão ao A-29: o mundo voa mais seguro e mais forte graças ao trabalho de vocês.

*Mauro Beirão tem formação em Engenharia Mecânica e mais de 30 anos dedicados à indústria de defesa e aeroespacial, atuando em uma das maiores companhias do setor, parte de um dos principais conglomerados globais de tecnologia e defesa. Ao longo da carreira, contribuiu para programas estratégicos das Forças Armadas Brasileiras e para o desenvolvimento de soluções aeroespaciais avançadas. Atualmente, como Gerente de Marketing da AEL Sistemas, lidera iniciativas de fortalecimento da marca e prospecção de negócios, consolidando a empresa como referência em inovação e tecnologia para a defesa nacional. 

 

TAT Technologies garante contrato de MRO de trens de pouso da Embraer nos EUA

Contrato de US$ 14 milhões para MRO de trens de pouso das aeronaves Embraer E-170/E-175 de uma companhia aérea dos EUA 


*LRCA Defense Consulting - 23/01/2026

A israelense TAT Technologies Ltd., fornecedora global de soluções e serviços para as indústrias aeroespacial e de defesa, anunciou a assinatura de um contrato de três anos, avaliado em aproximadamente US$ 14 milhões, com uma companhia aérea comercial dos Estados Unidos para a prestação de serviços de manutenção, reparo e revisão (MRO) dos trens de pouso da frota de aeronaves Embraer E-170/E-175.

Embora o comunicado não especifique a empresa cliente, entre as regionais que efetivamente têm a frota Embraer E-170/E-175 registrada em seu nome nos EUA, destacam-se SkyWest Airlines, Republic Airways e Envoy Air, hoje os maiores operadores da família E-Jet na aviação regional norte‑americana.

O trabalho será executado nas instalações da TAT em Greensboro, Carolina do Norte, que recentemente expandiram suas capacidades para atender às demandas do programa. O acordo também prevê uma opção de extensão por mais um ano, o que elevaria o valor total do contrato para cerca de US$ 19 milhões.

Segundo a empresa, o contrato está em linha com o planejamento operacional da TAT para os próximos anos e reflete o início do ciclo de revisão da frota de E-170/E-175, que tende a aumentar gradualmente o volume de manutenção programada.

O CEO da TAT Technologies, Igal Zamir, destacou que a parceria reforça o posicionamento da companhia no mercado norte-americano:

“Temos planejado um nível constante de atividade de MRO de trem de pouso à medida que o ciclo de manutenção da frota de E-170/E-175 entra em seus estágios iniciais. Este acordo apoia nossos planos operacionais e demonstra a confiança do cliente em nossa experiência e capacidade técnica”, afirmou Zamir.

A TAT Technologies ressalta que sua unidade em Greensboro está preparada para apoiar os requisitos de manutenção da companhia aérea, beneficiando-se da experiência acumulada em aeronaves regionais da Embraer e de um relacionamento de longa data com o cliente.

Sobre a TAT Technologies
Com sede em Netânia, Israel, a TAT Technologies Ltd. é uma fornecedora líder de produtos e serviços para os setores aeroespacial comercial, militar e de defesa terrestre. A companhia atua em soluções OEM e MRO para sistemas de transferência de calor, componentes de motores a jato e trem de pouso.

Sua subsidiária Limco, certificada pela FAA (Federal Aviation Administration), opera uma estação de reparo nos Estados Unidos, oferecendo serviços a companhias aéreas, transportadoras de carga e forças armadas em todo o mundo. 

22 janeiro, 2026

Embraer posiciona a Índia no centro do mundo em vídeo do E2 e antecipa, em linguagem simbólica, novo eixo industrial

 

*LRCA Defense Consulting - 22/01/2026

Por meio de imagens e enquadramentos cuidadosamente construídos, a Embraer transformou um vídeo institucional em uma mensagem estratégica. Publicado hoje em suas mídias sociais, o material que celebra o alcance global do E-Jets E2 vai além da divulgação comercial e sugere, de forma sutil, o redesenho do mapa industrial e geopolítico da empresa.

O vídeo, acompanhado da legenda “Descubra o alcance global do E2 enquanto a Tech Eagle decola ao redor do mundo!”, apresenta a aeronave voando por diferentes regiões do planeta: Europa, África, Oriente Médio, Ásia, América Latina, Oceania e América do Norte, reforçando o caráter global do programa E2, atualmente operado por 23 companhias aéreas.

No entanto, é no encerramento da peça que a mensagem ganha densidade simbólica. Ao final da animação, o logotipo da Embraer surge exatamente sobre o território indiano, com a Índia posicionada no centro do frame. Em termos semióticos, trata-se de uma escolha carregada de significado: o centro da imagem é, tradicionalmente, o espaço do protagonismo, da centralidade e da convergência de sentidos.

A opção não ocorre em um vácuo informacional. Às vésperas do anúncio de uma parceria considerada “formidável” para a produção de aeronaves na Índia, iniciativa que integra a ofensiva industrial da Embraer no país e dialoga diretamente com o programa governamental Make in India, o vídeo funciona como um sinal antecipatório. Não anuncia formalmente, mas prepara o imaginário do público, do mercado e de governos.


Na lógica da comunicação estratégica, esse tipo de recurso visual cumpre papel semelhante ao de um soft disclosure: não revela detalhes, mas orienta expectativas. Ao colocar a Índia no centro do mundo, literal e simbolicamente, a Embraer sugere que o país deixa de ser apenas um mercado potencial para se tornar um eixo estruturante de sua estratégia global.

O gesto também dialoga com transformações mais amplas na indústria aeroespacial. A fragmentação das cadeias globais de produção, a busca por resiliência industrial, a aproximação entre defesa, aviação comercial e políticas de Estado, além do deslocamento do crescimento para o Sul Global, fazem da Índia um ator cada vez mais central. O vídeo parece reconhecer esse movimento e, mais do que isso, inscrever a Embraer nele.

Do ponto de vista narrativo, a Tech Eagle, símbolo tecnológico do E2, não apenas “voa ao redor do mundo”, como afirma a legenda, mas parece concluir sua jornada encontrando um novo polo gravitacional. A Índia não é apresentada como destino final, mas como ponto de convergência: um lugar onde tecnologia, mercado, produção e geopolítica se encontram.

Assim, o vídeo cumpre dupla função. No plano explícito, reafirma o sucesso comercial e a capilaridade global do E2. No plano implícito, constrói uma narrativa de futuro, sinalizando que o próximo capítulo da Embraer passa pelo subcontinente indiano. Ao fazer isso sem palavras, apenas com imagens e enquadramento, a empresa demonstra sofisticação comunicacional e envia uma mensagem clara a quem sabe ler os sinais.

Em tempos de disputa industrial e reposicionamento estratégico global, a Embraer parece dizer, com elegância visual, que o mundo mudou e que ela já está alinhada a esse novo centro. 
 

Postagem em destaque