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16 abril, 2026

O blindado turco TULPAR bate à porta do Brasil

Em menos de seis meses, dois dos mais altos generais do Exército Brasileiro visitaram a fabricante turca Otokar. A corrida pelo blindado do futuro entra na fase decisiva



*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

Em outubro de 2025, foi o Comandante do Exército. Em abril de 2026, o Chefe do Estado-Maior. Em menos de um semestre, dois dos mais altos generais das Forças Terrestres brasileiras cruzaram o oceano para visitar as instalações da Otokar, empresa turca de sistemas terrestres sediada em Sakarya. O sinal é inequívoco: o blindado TULPAR tornou-se um protagonista central na maior aquisição de veículos de combate do Brasil em décadas.

A primeira visita: o Comandante vai a campo
No dia 31 de outubro de 2025, o Comandante do Exército Brasileiro, General de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e sua delegação visitaram a sede da Otokar, onde participaram de uma apresentação do TULPAR nas versões IFV, equipado com a torre não tripulada SARC Mizrak, e do MMBT com a torre HITFACT MKII da Leonardo.

A missão reflete o avanço recente da cooperação militar Brasil-Turquia, haja vista que, nos meses anteriores, o Congresso Nacional aprovara um Acordo sobre Cooperação em Indústria de Defesa, e o Chefe do Estado-Maior das Forças Terrestres da Turquia havia visitado o Brasil em setembro.

Na ocasião, foi apresentada ao general brasileiro a capacidade tecnológica e industrial da Otokar: linhas de produção para veículos de rodas e esteiras, laboratórios, instalações de testes e controle de qualidade, além dos múltiplos centros de pesquisa e desenvolvimento da enorme fábrica. Representantes da italiana Leonardo também marcaram presença, confirmando a parceria para o fornecimento das torres HITFACT MKII (120 mm) e HITFIST (30 mm).

A visita também teve caráter diplomático: o general Tomás depositou flores no Mausoléu de Mustafa Kemal Atatürk, em Ancara, acompanhado pela Embaixadora do Brasil e pelo adido de Defesa, e ao longo da semana a comitiva se reuniu com autoridades militares turcas e visitou unidades de comando e empresas de defesa.

Além da Otokar, o general visitou também a Baykar Technology, fabricante dos drones Bayraktar TB2, demonstrando que a agenda ia bem além dos blindados; drones, mísseis e munições guiadas também constam do cardápio de interesse das Forças Terrestres brasileiras.

A segunda visita: o Estado-Maior sela o interesse
Poucos meses depois, em abril de 2026, a Otokar divulgou em sua conta oficial na plataforma X que o Chefe do Estado-Maior do Exército Brasileiro, General de Exército Francisco Humberto Montenegro Junior, e sua comitiva visitaram as instalações da empresa. A visita coincide com a realização da LAAD Defence & Security 2026, em São Paulo, o maior evento de defesa da América Latina, e sinaliza que o interesse brasileiro no TULPAR não apenas se mantém, mas avança para um estágio mais aprofundado de avaliação técnica e negociação.

O Gen Montenegro, que ocupa o cargo de Chefe do Estado-Maior do Exército, é um dos generais mais influentes na definição das prioridades de modernização da Força Terrestre. Sua visita pessoal a Sakarya, após a já histórica passagem do Comandante em outubro, demonstra a continuidade e a elevação institucional do diálogo entre as duas nações.

O TULPAR na LAAD 2026: presença e recados
A Otokar também marcou presença na LAAD 2026, realizada entre 14 e 16 de abril no Transamerica Expo Center, em São Paulo. A empresa exibiu, entre outros sistemas, uma réplica em escala reduzida do TULPAR, apontado como potencial candidato no programa de modernização do Exército Brasileiro. Segundo apuração do correspondente do Zona Militar, a Otokar se disse aberta a discutir não apenas a venda do sistema, mas também a transferência de tecnologia e até a instalação de uma linha de produção local, dependendo do volume de aquisição.

A empresa também avança em negociações com outros países da região: a Colômbia avalia a aquisição de diferentes plataformas, incluindo o Tulpar, o Cobra II e o blindado modular Arma, consolidando uma estratégia clara de expansão no mercado latino-americano.

O programa e os concorrentes
O cenário em que tudo isso se insere é o Programa "Nova Família de Veículos Blindados sobre Lagartas" do Exército Brasileiro. O programa busca equipar o Exército Brasileiro com veículos com sistemas integrados de armamento de até 120 milímetros, representando uma modernização significativa para as forças mecanizadas brasileiras, e planeja a aquisição de 65 carros de combate e 78 veículos de combate de infantaria.

O Exército Brasileiro afunilou sua seleção a quatro finalistas: o TULPAR turco da Otokar, o CV90 sueco da BAE Systems, o ASCOD hispano-austríaco da GDELS e o Lynx alemão da Rheinmetall, sendo que três dos quatro candidatos oferecem integração com a torre HITFACT MkII, a mesma utilizada nos Centauro II 8x8 já adquiridos pelo Brasil.

Essa comunalidade com o Centauro II é um dos principais trunfos do TULPAR. A oferta conta com o aval e a parceria industrial da italiana Leonardo, que fabrica a torre HITFACT MkII e integra os sensores, sistema de tiro e o canhão Oto Melara de 120/45 mm, garantindo compatibilidade em logística, treinamento e peças de reposição.

Há outro diferencial competitivo que pesa a favor da Turquia: a ausência de embargos ou restrições comerciais entre brasileiros e turcos (ITAR free e BAFTA free) coloca o TULPAR como favorito em uma futura concorrência. Fabricantes europeus, em geral, não oferecem a mesma flexibilidade.

O Exército Brasileiro já iniciou estudos para substituir, a partir de 2030, seus antiquados Leopard 1A5 BR, frota atual de cerca de 200 carros, e parte dos M-113, além de um pequeno número de carros norte-americanos M-60 A3 TTS na fronteira do Centro-Oeste. Acredita-se que um RFI/RFQ deva ser emitido para o mercado até o final do primeiro semestre de 2026.

Uma parceria estratégica mais ampla
O relacionamento bilateral vai além dos blindados. Negociações estão em curso sobre a possível exportação da aeronave Embraer KC-390 Millennium para a Turquia, reforçando o interesse mútuo em tecnologias aeronáuticas e de transporte militar. Outros sucessos recentes incluem a seleção do motor turbojet KTJ-3200 da Kale Jet Engines para o míssil antinavio MANSUP-ER, a vitória da Canik no fornecimento da metralhadora M2 QCB .50 e da Mertsav para metralhadoras 7,62 mm para o Exército Brasileiro, enquanto o drone Bayraktar TB2 é elegível para o novo edital de VANTs armados das Forças Armadas brasileiras.

Segundo o Ministério da Defesa, a aproximação com a Turquia faz parte da política de ampliação das parcerias internacionais do governo brasileiro, especialmente em áreas que envolvem transferência de tecnologia e cooperação industrial, refletindo também o interesse do Brasil em fortalecer sua Base Industrial de Defesa, um dos pilares da Estratégia Nacional de Defesa.

Tulpar, versão de tanque médio de batalha (MMBT) com a torre John Cockerill 3105 de 105mm, anterior à torre HITFACT MkII de 120 mm, fornecida pela italiana Leonardo

O que vem a seguir
Dois comandantes em seis meses. Uma presença marcante na LAAD 2026. Um edital que pode ser lançado ainda neste semestre. A trajetória da parceria Brasil-Otokar aponta para um momento decisivo. A decisão final sobre qual blindado equipará os batalhões mecanizados brasileiros até 2030 ainda não foi anunciada, mas o ritmo das visitas de alto nível sugere que o processo está longe de ser meramente protocolar.

O "Cavalo Alado" (TULPAR) turco parece querer galopar firme rumo ao Brasil, da Amazônia ao Pampa.

 

EDGE fortalece parceria com o Exército Brasileiro para avaliação operacional de armamentos de próxima geração por tropas especializadas


 

*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

O EDGE, um dos principais grupos mundiais de defesa e tecnologia avançada, estabeleceu uma parceria com o Exército Brasileiro para criar uma estrutura para a experimentação de armamentos de última geração por tropas especializadas.

A parceria inclui a avaliação, em ambientes operacionais rigorosos e realistas, do fuzil de assalto CARACAL CAR 816, com câmara para munição 5,56x45 mm NATO, e do fuzil de precisão CARACAL CSR50, com câmara para munição 12,7x99 mm NATO. Os testes serão conduzidos por unidades especializadas, permitindo a avaliação do desempenho em condições altamente exigentes e específicas para cada cenário.

O acordo reflete o interesse comum de ambas as partes em promover a troca de conhecimento e o desenvolvimento conjunto de capacidades por meio de discussões técnicas, operacionais e logísticas. A iniciativa visa identificar soluções que aprimorem o emprego desses sistemas no Exército Brasileiro, bem como apoiar o treinamento e o desenvolvimento de capital humano, fortalecendo as competências das forças especiais que operam fuzis de assalto e de precisão. Espera-se que os resultados contribuam diretamente para o aumento da eficácia em combate e a elevação dos níveis de prontidão operacional em todo o Exército Brasileiro.

Este acordo representa mais um passo na colaboração da EDGE com o Exército Brasileiro, reforçando seu compromisso com a inovação, a excelência operacional e o desenvolvimento de capacidades estratégicas no Brasil. 

EDGE/SIATT e Indra estabelecem parceria para produção local de radares no Brasil

Iniciativa abre caminho para a criação de um novo ecossistema de produção de radares no Brasil 


*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

O EDGE, um dos principais grupos mundiais de defesa e tecnologia avançada, e o Grupo Indra assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) para explorar conjuntamente o desenvolvimento e a produção de sistemas de radar de última geração no Brasil. A assinatura ocorreu durante a LAAD Security 2026, realizada de 14 a 16 de abril em São Paulo.

O acordo estabelece as bases para uma colaboração estratégica tripartite, combinando a reconhecida experiência da Indra em tecnologias de radar e integração de sistemas, as capacidades industriais e tecnológicas da SIATT e o alcance global da EDGE no mercado de defesa, juntamente com suas competências avançadas de fabricação.

A iniciativa abre caminho para a criação de um novo ecossistema de produção de radares no Brasil, fomentando o desenvolvimento de capacidades nacionais, a transferência de tecnologia e a criação de empregos altamente qualificados na indústria de defesa nacional.

Este acordo representa o capítulo mais recente de uma relação estratégica cada vez mais sólida entre a EDGE e a Indra, que se expandiu de forma constante desde 2023, abrangendo joint ventures em Abu Dhabi para o desenvolvimento de radares e guerra eletrônica, e, mais recentemente, o acordo para a criação de uma nova unidade fabril na Espanha para munições de ataque e armas inteligentes. O memorando de entendimento assinado hoje em São Paulo leva essa crescente parceria para a América Latina. 

Embraer avança na modernização dos radares SABER M60 para o Exército Brasileiro

 


*LRCA Defense Consulting - 16/04/2026

A Embraer concluiu a modernização de dois radares SABER M60 operados pelo Exército Brasileiro para a versão 2.0, no âmbito de um contrato em andamento para renovação de equipamentos em serviço. A iniciativa faz parte do programa de manutenção de radares do Exército e inclui a modernização de oito unidades, preservando a capacidade operacional da Artilharia Antiaérea.

“Já iniciamos com sucesso a operação das versões modernizadas do radar M60. As atualizações do sistema foram realizadas de forma eficaz, aprimorando o desempenho operacional. Parcerias como a desenvolvida com a Embraer têm sido fundamentais para apoiar o Exército Brasileiro na geração e manutenção de novas capacidades e no fortalecimento da soberania nacional”, afirmou o Major-General Tales Eduardo Areco Villela, Diretor de Manufatura do Exército Brasileiro.

“A modernização do radar é um passo fundamental para manter a capacidade de defesa aérea do Exército Brasileiro ao longo do tempo. Os radares SABER M60 versão 1.0 passaram por um processo de atualização de meia-vida para a versão 2.0 por meio da aplicação de um Boletim de Serviço, incorporando o padrão tecnológico mais recente do sistema, com ganhos em confiabilidade, disponibilidade e desempenho operacional. Esse esforço é essencial para sustentar as capacidades operacionais e padronizar os equipamentos ao longo do ciclo de vida dos sistemas”, afirmou Douglas Lobo, Vice-Presidente de Suporte ao Cliente e Serviços Pós-Venda da Embraer Serviços e Suporte.

Além das atualizações de hardware, o SABER M60 recebeu melhorias significativas de software, incluindo algoritmos de processamento de sinal mais robustos, maior resistência a interferências e uma interface operacional redesenhada, facilitando o uso pelas equipes em ambientes operacionais complexos.


Desenvolvido pela Embraer em parceria com o Exército Brasileiro, o SABER M60 é um radar de vigilância e controle de tiro de baixa altitude com tecnologia 3D e alcance de até 60 quilômetros, capaz de rastrear simultaneamente até 60 alvos. O sistema pode ser integrado a soluções de defesa aérea baseadas em mísseis ou canhões, bem como a outros sistemas de defesa aérea, incluindo o Sistema Brasileiro de Defesa Aeroespacial (SISDABRA).

O radar também incorpora a tecnologia de Baixa Probabilidade de Interceptação (LPI), reduzindo a probabilidade de detecção por sistemas hostis e aumentando sua eficácia em cenários táticos. Fácil de transportar e de rápida implantação, o SABER M60 é um dos principais componentes da defesa aérea de baixa altitude do Exército Brasileiro, contribuindo para a proteção de áreas sensíveis e infraestrutura estratégica. 

15 abril, 2026

Taurus RPC: o touro brasileiro que balança o mercado americano de PDW

A maior vendedora de armas leves do mundo chega ao NRAAM 2026 com uma arma de origem militar... e um nome civil



*LRCA Defense Consulting - 15/04/2026

No dia 14 de abril de 2026, sob os holofotes do NRAAM (National Rifle Association Annual Meeting), em Houston, a Taurus Armas realizou aquele que pode ser seu lançamento mais ambicioso no mercado americano: a RPC - Raging Pistol Carbine. A arma, uma PDW (Personal Defense Weapon) em calibre 9x19mm, chegou para disputar um segmento em forte expansão nos EUA e, ao mesmo tempo, para provar que a gigante brasileira está madura para jogar no tabuleiro militar global.

A recepção foi imediata. O lançamento da RPC rapidamente figurou entre os conteúdos mais lidos no American Rifleman, publicação oficial da NRA, enquanto portais especializados como o Guns.com e o Rifle Configurator declararam estar "ansiosos para colocar as mãos na arma para uma revisão", sinal inequívoco de que o mercado americano notou o novo produto. 

A tática comercial: arma militar com nome civil
O movimento da Taurus no mercado americano não é improvisado. A empresa adota uma estratégia clássica e eficaz: desenvolver um produto sob rigorosos protocolos militares e lançá-lo no varejo civil com identidade esportiva e de defesa pessoal, adaptando-o às normas federais americanas.

A RPC é uma pistola de grande formato (large-format pistol) semiautomática de ação retardada por roletes, em calibre 9 mm. Nos EUA, é comercializada como pistola civil, sem coronha nativa, com coronha dobrável opcional da Strike Industries, enquadrando-se na categoria Title I sem necessidade de registro como rifle de cano curto (SBR). O preço de US$ 939,99 (sem coronha) e US$ 1.098,99 (com coronha) posiciona a RPC aproximadamente US$ 200 abaixo da Springfield Armory Kuna, sua concorrente mais direta no segmento de ação retardada por roletes.

O nome "Raging Pistol Carbine" reforça o apelo civil e esportivo. Por baixo, porém, reside uma submetralhadora desenvolvida e testada conforme padrões NATO, capaz de operar em regime automático nas versões militares. Essa dualidade permite à Taurus disputar contratos militares globais ao mesmo tempo em que capitaliza seu domínio no varejo civil americano, onde já concentra mais de 82% de sua produção vendida.

 

Características técnicas: compacta, leve e pioneira
O destaque técnico central da RPC é seu sistema de ação retardada por roletes (roller-delayed blowback), uma raridade no segmento de carabinas em calibre de pistola (PCC). Dois roletes travam em reentrâncias na extensão do cano e precisam recuar para dentro antes que o ferrolho possa se mover para trás, retardando a ação e distribuindo o impulso de recuo ao longo de um período mais longo. O resultado prático é uma plataforma de disparo mais plana. A RPC deve manter a mira mais estável durante disparos rápidos do que uma PCC convencional de blowback direto.

Esse é exatamente o sistema que consagrou a HK MP5 como referência mundial em submetralhadoras. Junto com a Springfield Armory Kuna, a RPC é uma das poucas opções com ação retardada por roletes disponíveis no mercado americano.

As especificações técnicas revelam uma plataforma pensada para uso intensivo:

  • Calibre: 9x19mm.
  • Cano: 4,5 polegadas com sistema de troca rápida, rosqueado em 1/2x28 TPI para supressores e outros acessórios.
  • Receptor: liga de alumínio aeroespacial, anodizado e com acabamento Cerakote; chassi interno de aço.
  • Carregadores proprietários em polímero, com capacidade padrão de 32 munições; versões de 20 e 10 tiros também disponíveis; dois carregadores inclusos em cada arma.
  • Trilho Picatinny M1913 em toda a extensão superior para montagem de ópticas; guarda-mão com slots M-LOK para acessórios; trilho Picatinny vertical traseiro.
  • Três pontos QD para fixação de alça; empunhadura compatível com AR-15 com sobremoldagem em borracha.
  • Controles totalmente ambidestros: seletor de segurança, ferrolho e liberação de carregador bilaterais, além de alavanca de carregamento não recíproca e reversível.
  • Sem parafusos na estrutura, um inovação mundial da Taurus, pioneira na indústria.

A arma sai de fábrica pronta para óptica e supressor. Com munição subsônica e um supressor, o potencial silencioso da RPC é outro atributo frequentemente destacado pelos especialistas.

 

Protocolo militar: da fábrica ao campo de batalha
A RPC não é apenas uma carabina civil com estética tática. Projetada sob rigorosos protocolos militares, a arma foi desenvolvida para condições extremas: poeira, lama, temperaturas extremas e alto volume de disparos. Totalmente modular e ambidestra, traz um pioneirismo mundial da Taurus: não possui nenhum parafuso na parte estrutural.

A Taurus afirma que a RPC foi construída conforme especificações NATO, refletindo a experiência da empresa em contratos militares e policiais em todo o mundo. Disponível em duas configurações de regime de disparo, semiautomático ou automático (full auto), a versão militar plena funciona como uma submetralhadora compacta. Nos EUA, por exigência legal, a arma é comercializada exclusivamente em modo semiautomático.

Essa combinação coloca a RPC em posição privilegiada nas licitações internacionais. A submetralhadora RPC integra o portfólio Taurus Military Products, que também inclui a pistola TX9, os fuzis T4 e T10 e o drone armado TAS (Tactical Air Soldier), conjunto apresentado pela empresa no World Defense Show 2026, em Riade, Arábia Saudita.

A arma ideal para tripulações e ambientes urbanos
O tamanho reduzido e o alto poder de fogo tornam a RPC uma escolha lógica para missões onde uma pistola convencional é insuficiente e um fuzil é excessivo. Com coronha dobrável, o comprimento total cai para cerca de 12,2 polegadas, ou menos de 31 centímetros, um formato que cabe literalmente na mochila ou no compartimento lateral de uma viatura.

A compacidade da plataforma, combinada com a opção de coronha dobrável, faz da RPC uma arma dimensionada para transporte em mochila e armazenamento em veículo. Esse é exatamente o nicho operacional que a arma preenche com maestria: tripulações de viaturas, blindados, aeronaves e helicópteros, militares ou de segurança pública, onde o espaço é crítico e a velocidade de reação é determinante.

Em operações urbanas, o campo de batalha mais comum dos conflitos modernos, a RPC reúne os atributos necessários: compacidade para manobrar em corredores e veículos, 32 tiros disponíveis sem recarga, recuo controlado para disparos em movimento e ergonomia ambidestra para uso sob estresse. Para equipes táticas de segurança pública, o conjunto é ainda mais relevante: o sistema de retardo por roletes reduz significativamente o recuo durante os disparos, otimizando a controlabilidade mesmo em rajadas plenas.

 

A recepção nos EUA: elogios em cascata
O lançamento no NRAAM 2026 gerou repercussão imediata nos principais canais especializados dos Estados Unidos. Os elogios convergem em quatro pilares:

1. Recuo plano e controlabilidade: o comentário mais repetido nos fóruns e publicações especializadas é o chamado flatter recoil impulse, o impulso de recuo mais plano proporcionado pelo sistema de roletes. Nas fotos de ação distribuídas pela Taurus, é possível observar o estojo sendo ejetado com a mira ainda alinhada ao alvo, evidência visual do controle excepcional da plataforma.

2. Preço competitivo: a RPC é apontada como a alternativa mais acessível no segmento de ação retardada por roletes. A HK SP5 e a Springfield Armory Kuna são as únicas outras opções sérias nesse nicho, e ambas custam significativamente mais. Para um mercado altamente sensível ao preço, essa vantagem pode ser decisiva.

3. Design inovador e ergonomia completa: a construção leve e robusta, o design totalmente ambidestro e os recursos prontos para uso: trilhos M-LOK, Picatinny e cano rosqueado, foram destacados pelos especialistas do American Rifleman e do Guns.com. O fórum The High Road descreveu a RPC como "a very cool little 9mm" e enfatizou o potencial suprimido da plataforma.

4. Posicionamento de mercado certeiro: o segmento de PCCs em 9mm cresceu explosivamente nos últimos anos, mas a grande maioria das opções usa blowback direto. A Taurus está apostando que os atiradores querem a experiência de disparo dos sistemas retardados por roletes a um preço acessível, e a RPC entrega exatamente isso.

Uma estratégia global com braço civil americano
O lançamento da RPC no NRAAM 2026 não é um episódio isolado. É parte de um movimento estratégico maior. Em fevereiro de 2026, a Taurus participou do World Defense Show em Riade apresentando seu portfólio militar expandido e firmou, simultaneamente, um Protocolo de Intenções com o Corpo de Fuzileiros Navais do Brasil para o desenvolvimento de novos sistemas de armas leves e coletivas. No horizonte, a possível aquisição da fabricante turca Mertsav ampliaria o portfólio da empresa para metralhadoras leves e pesadas nos calibres 5,56mm, 7,62mm e .50 BMG.

No varejo americano, a estratégia é consolidar presença em um mercado que já absorve mais de 82% da produção da Taurus. Se a RPC se mostrar confiável no campo, a Taurus terá criado o sistema retardado por roletes mais acessível do mercado americano, e estará bem posicionada tanto no segmento civil quanto em contratos militares e policiais.

A "pequena notável" chegou fazendo barulho. Compacta, precisa, modular e com preço competitivo, a Taurus RPC não é apenas mais um lançamento no NRAAM, mas sim a declaração de que o touro brasileiro está pronto para disputar o topo também no segmento de armas coletivas e PDW. Os próximos meses de análises e vendas dirão se ela se torna o novo padrão de referência. 



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