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22 janeiro, 2026

Brasil atinge marco tecnológico com drone equipado com turbina nacional

Albatroz Vortex realiza voo inaugural com turbina a jato 100% brasileira em avanço para a soberania tecnológica do país


*LRCA Defense Consulting - 22/01/2026

Em um marco histórico para a indústria aeroespacial brasileira, o drone Albatroz Vortex realizou com sucesso seu primeiro voo equipado com uma turbina a jato totalmente desenvolvida no Brasil. O teste foi conduzido em 17 de dezembro de 2025, na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, representando um avanço significativo na capacidade tecnológica nacional.

O voo inaugural demonstra, pela primeira vez, a integração de um sistema de propulsão a jato nacional em um drone brasileiro de alta performance, resultado da parceria entre a Stella Tecnologia, desenvolvedora da plataforma aérea, e a AERO Concepts, fabricante da turbina.

Turbina nacional ATJR 15-5
A aeronave foi propulsionada pela ATJR 15-5, turbina a jato desenvolvida integralmente pela AERO Concepts, empresa sediada em São José dos Campos. Com empuxo de 500 newtons, a turbina foi concebida com recursos próprios da empresa e passou por todas as etapas de desenvolvimento, desde o projeto inicial até ensaios em bancada, antes de ser validada em voo.

"Ver uma turbina nossa voando em uma plataforma robusta como o Albatroz Vortex confirma a maturidade da engenharia brasileira e valida uma linha completa de turbinas entre 500 e 5.000 newtons", afirmou Alexandre Roma, diretor de Operações e Engenharia do Grupo AERO Concepts.

A turbina representa um avanço tecnológico significativo, colocando o Brasil em um grupo seleto de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato em sistemas aéreos não tripulados. Em um cenário geopolítico internacional cada vez mais restritivo, essa competência se consolida como fator estratégico para a autonomia tecnológica do país.

Plataforma Albatroz Vortex
O Albatroz Vortex é uma aeronave não tripulada com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, desenvolvida pela Stella Tecnologia a partir de sua família de drones já consolidados tecnologicamente. A incorporação da propulsão a jato amplia significativamente o envelope de voo da plataforma.

A nova configuração permitirá à aeronave alcançar velocidade de 250 km/h em missões críticas que demandam alta performance e alcance, com capacidade de operação em altitudes superiores aos 12 mil metros.

"O voo do Albatroz Vortex é a continuidade natural de um trabalho iniciado com o desenvolvimento do Atobá, hoje a maior plataforma não tripulada já criada no hemisfério sul, e do Albatroz convencional", afirmou Gilberto Buffara Jr., presidente da Stella Tecnologia.

Vídeo do primeiro voo do Albatroz Vortex

Apoio institucional
O voo na Base Aérea de Santa Cruz ocorreu com apoio do Ministério da Defesa e da Força Aérea Brasileira, já como parte do Acordo de Cooperação e Parceria para Desenvolvimento Tecnológico entre o Comando da Aeronáutica (COMAER) e a AERO Concepts, assinado em novembro de 2025.

O acordo visa a pesquisa, desenvolvimento e produção seriada de sistemas de propulsão com empuxo de até 5.000 newtons para veículos aéreos não tripulados, atendendo às demandas estratégicas da Força Aérea Brasileira.

Vantagens tecnológicas
Turbinas a jato oferecem vantagens significativas em relação a motores convencionais, incluindo maiores velocidades, melhor desempenho em altitudes elevadas, capacidade de gerar elevado empuxo e menor nível de vibração. Essas características contribuem para maior eficiência, alcance e durabilidade estrutural das aeronaves.

A integração foi viabilizada pelo elevado nível de maturidade técnica dos drones desenvolvidos pela Stella Tecnologia, que já se encontravam em estágio adequado para ensaios com propulsão a jato. A cooperação entre Stella e AERO Concepts foi formalizada em 2024, durante a feira FIDAE, quando as equipes passaram a trabalhar de forma integrada na definição da estratégia de ensaios.

Próximas etapas
Após o sucesso do voo inicial, o programa entra em uma fase de ensaios progressivos, com foco na expansão do envelope de voo, avaliação de desempenho e confiabilidade do sistema. Os testes seguirão de forma contínua, permitindo o refinamento tanto da plataforma aérea quanto do sistema propulsivo.

A AERO Concepts avança na consolidação de seus processos produtivos, com objetivo de dominar integralmente as tecnologias envolvidas na fabricação de turbinas a jato no Brasil, incluindo a obtenção de matérias-primas especiais e a redução de dependências externas.

Com foco em padronização, independência tecnológica e crescimento como empresa nacional, a AERO Concepts busca consolidar-se como fornecedora de turbinas e sistemas propulsivos capazes de atender às demandas conjuntas da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. As iniciativas, apoiadas pela FINEP e pelo DCTA desde 2006, agora reforçadas pelo acordo com a FAB, visam ampliar o uso de plataformas como as da Stella Tecnologia em planos estratégicos nacionais.

Contexto da indústria nacional
A Stella Tecnologia, fundada em 2015, é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) reconhecida pelo Ministério da Defesa. A empresa desenvolve sistemas aéreos não tripulados de última geração, incluindo o Atobá, que realizou seu primeiro voo em 2020 e é considerado a maior plataforma desse tipo já desenvolvida na América Latina, com autonomia de 28 horas de voo.

A empresa também firmou parceria estratégica com o Grupo Thales, um dos maiores conglomerados de defesa do mundo, para desenvolvimento conjunto de sistemas avançados de vigilância e defesa embarcados em veículos aéreos não tripulados, reforçando a posição do Brasil no cenário internacional de tecnologias aeroespaciais.

Implicações estratégicas
O voo bem-sucedido do Albatroz Vortex evidencia a capacidade da indústria nacional de integrar sistemas aéreos não tripulados de alta performance com propulsão a jato, representando um avanço na consolidação de competências industriais estratégicas e no fortalecimento da autonomia tecnológica do país.

"A parceria com a Stella Tecnologia é essencial, não apenas pelos ensaios em voo em plataformas confiáveis, mas também pela colaboração estreita entre as equipes da AERO, da Stella e das Forças Armadas, que garante condições ideais para desenvolver e entregar soluções aplicáveis com alta qualidade e confiabilidade operacional", ressalta Alexandre Roma.

A conquista coloca o Brasil em posição estratégica no mercado global de drones militares, que está em forte expansão, com previsão de crescimento anual entre 15% e 20%, segundo levantamento da Business Research Insights de fevereiro de 2025.


Sobre a Stella Tecnologia
Fundada em 2015, a Stella Tecnologia é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED), referência no desenvolvimento, fabricação e operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) de última geração. Com arquitetura modular e integração de sensores avançados de inteligência (ISR), a empresa atende a missões críticas nos setores de defesa e indústria.

Sobre a AERO Concepts
A AERO Concepts é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) especializada em sistemas de alta tecnologia para os setores aeroespacial, industrial e de defesa. A empresa atua no desenvolvimento de turbomáquinas, geração de energia e sistemas de propulsão, com sede em Ribeirão Preto e unidade no Parque Tecnológico de São José dos Campos.

21 janeiro, 2026

Embraer no Wings India 2026: ofensiva comercial e definição de parcerias estratégicas

Fabricante brasileira exibe E195-E2 e E175 enquanto aguarda anúncio sobre parceria industrial com grupo Adani


*LRCA Defense Consulting - 21/01/2026

A Embraer intensifica sua presença no mercado indiano ao exibir duas aeronaves comerciais no Wings India 2026, evento que ocorre em Hyderabad entre 28 e 31 de janeiro. A participação como "Parceira de Inovação em Aviação" do salão aeronáutico coincide com a expectativa de um anúncio oficial sobre parceria estratégica com o conglomerado Adani e a definição sobre onde será instalada a linha de montagem final dos E-Jets na Índia.

E-Jets em destaque no mercado mais promissor da aviação
Os modelos em exposição representam a oferta da Embraer para diferentes segmentos do mercado indiano. O E195-E2, apresentado em exposição estática, é descrito como a aeronave comercial mais silenciosa e eficiente em consumo de combustível do mundo em sua categoria. Com capacidade para transportar entre 132 e 146 passageiros em configuração de classe única, o jato oferece redução de 29% nas emissões de carbono e no consumo de combustível por assento comparado à geração anterior de E-Jets.

Já o E175, com capacidade para até 88 passageiros, é apresentado como um jato regional consolidado no mercado. A aeronave domina o mercado regional norte-americano com 80% de participação e já integra parte significativa da frota da Star Air, operadora indiana que utiliza aeronaves Embraer para conectividade regional no país asiático.

"O programa E-Jet da Embraer é um dos mais bem-sucedidos do setor", afirmou Adity Shekhar, vice-presidente regional de vendas da Embraer. "A família E-Jets pode transformar e expandir a conectividade regional a partir de cidades de segundo e terceiro escalão na Índia, explorando oportunidades em mercados inexplorados."

Um mercado de meio bilhão de aeronaves
A aposta da Embraer no mercado indiano se justifica pelos números. Projeções indicam que a Índia necessitará de pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos. A família E2 possui certificação para operar com misturas de até 50% de combustível de aviação sustentável (SAF), com testes já realizados utilizando 100% de SAF, reforçando o compromisso da fabricante com a aviação sustentável.

Atualmente, cerca de 50 aeronaves Embraer de 11 tipos diferentes operam na Índia, servindo à Força Aérea Indiana, agências governamentais, operadores de jatos executivos e à Star Air. A presença da empresa brasileira no país asiático, contudo, pode expandir significativamente nos próximos meses.

Parceria Adani: a espera pela definição
Segundo informações da mídia local, a oficialização da parceria entre Embraer e o Grupo Adani, assim como a escolha do local para a unidade industrial no país, aguarda comunicado oficial esperado justamente durante o Wings India 2026. A disputa para sediar a linha de montagem final envolve dois estados indianos: Andhra Pradesh e Gujarat.

Andhra Pradesh apresenta como proposta o futuro Aeroporto de Bhogapuram, desenvolvido pelo Grupo GMR com planos de criar um ecossistema aeroespacial de longo prazo. O estado aposta em metas agressivas de energia renovável, com planos de gerar 78 GW de energia solar e 35 GW de energia eólica até 2029.

Gujarat, por sua vez, oferece a cidade planejada de Dholera através de possível joint venture com o Grupo Adani. O estado se destaca como locomotiva exportadora da Índia, respondendo por aproximadamente 30% de todas as exportações nacionais. A possível parceria com a Adani, um dos maiores conglomerados indianos com forte presença em infraestrutura portuária, aeroportuária e logística, adiciona peso à proposta gujarati.

Movimento estratégico além das aeronaves comerciais
Enquanto aguarda a oficialização do projeto industrial para aviação comercial, a Embraer já demonstra comprometimento com o mercado indiano ao reforçar sua estrutura local. A empresa nomeou Aniruddho Chakraborty como Diretor de Comunicações para suas operações na Índia, cargo que abrangerá todas as divisões da companhia: comercial, defesa, aviação executiva e suporte e serviços.

A contratação ocorre após a inauguração, no ano passado, de um centro para operações da Embraer na Índia. A fabricante está expandindo sua equipe no país para aproveitar as crescentes oportunidades nos setores aeroespacial e de defesa indianos.

Dupla aposta: comercial e defesa
Além das aeronaves comerciais, a Embraer também propõe seu Avião de Transporte Militar, o C-390 Millennium, para a Força Aérea Indiana no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA), em parceria "Make in India" com o conglomerado Mahindra.

O programa MTA busca substituir a frota obsoleta de aeronaves Antonov An-32, com demanda inicial estimada entre 40 e 80 aeronaves, o que poderia representar um contrato entre US$ 5 e US$ 8 bilhões. O C-390 Millennium, maior avião de transporte militar fabricado na América Latina, oferece velocidade de cruzeiro 50% superior ao concorrente C-130J Super Hercules e custos operacionais estimados 30% inferiores.

A proposta conjunta Mahindra-Embraer para o MTA prevê produção local escalonada, com início em montagem final e gradual nacionalização de componentes, chegando a 70% de conteúdo local em cinco anos, além de transferência substancial de tecnologia para empresas indianas.

Transformação estratégica em jogo
As iniciativas da Embraer na Índia representam mais do que expansão comercial. Trata-se de uma transformação no modelo de negócios da fabricante, historicamente centrado na produção brasileira com exportação global. A empresa busca evoluir para uma multinacional com capacidade produtiva distribuída, estratégia que pode render entre US$ 15 e US$ 20 bilhões em receita adicional cumulativa nos próximos 10 a 15 anos, caso ambas as iniciativas sejam bem-sucedidas.

Para o Brasil, as movimentações geram sentimentos ambíguos. Enquanto uma Embraer mais competitiva beneficia acionistas brasileiros e eleva o prestígio nacional, existem preocupações sobre possível transferência de empregos qualificados e atividades industriais para fora do país.

A definição sobre a parceria com a Adani e a escolha entre Andhra Pradesh e Gujarat deve marcar um capítulo importante na estratégia de internacionalização da Embraer, posicionando a empresa brasileira definitivamente em um dos mercados de aviação de crescimento mais acelerado do mundo.

Os visitantes do Wings India 2026 podem conhecer toda a gama de produtos e serviços da Embraer no estande 9B, Pavilhão B, onde a fabricante apresenta suas soluções que apoiam o crescimento sustentável da Índia e sua ambição por maior conectividade aérea.

Saiba mais:
- Embraer na Rota das Índias: como as parcerias estratégicas com Mahindra e Adani podem redefinir o futuro da gigante brasileira  

Angola aprofunda laços com o Embraer C-390: visita de alto nível a Portugal sinaliza interesse em aquisição e suporte industrial

 


*LRCA Defense Consulting - 21/01/2026

Enquanto o mercado aeronáutico volta sua atenção para a Índia, na expectativa do grande anúncio que a Embraer poderá fazer no final do mês, Angola consolida interesse na aquisição de até três aeronaves KC-390 Millennium da Embraer, com negociações financiadas pelo BNDES brasileiro, enquanto o ministro da Defesa angolano, General João Ernesto dos Santos, realiza visitas técnicas recentes à Base Aérea N.º 11, em Beja, e à OGMA, em Alverca, para avaliar capacidades operacionais e de manutenção do cargueiro tático.

A agenda, inserida na 21.ª Comissão Mista de Defesa Portugal-Angola, reforça Portugal como hub europeu do C-390, pioneiro na OTAN, e posiciona a OGMA como parceira estratégica para suporte vitalício da frota angolana.

O movimento ocorre em meio a um ciclo virtuoso de exportações do Millennium, com operadores como Hungria, Países Baixos e Áustria, e potenciais africanos como Angola buscando substitutos para envelhecidas frotas de C-130 Hercules.

Histórico do interesse angolano
Desde 2023, Angola sinaliza compra de quatro KC-390 para modernizar a Força Aérea Nacional (FANA), incluindo revitalização de Super Tucanos, com o Brasil posicionando Luanda como possível polo africano da Embraer Defesa.

Em maio de 2025, o presidente brasileiro confirmou negociações para três unidades, com financiamento via BNDES, elevando Angola a candidato prioritário em África, onde o C-390 compete por nichos de transporte multimissão em teatros como o Sahel.

O pacote estratégico abrange não só aquisição, mas transferência de know-how em manutenção e operação, alinhando-se à doutrina angolana de soberania em defesa aérea.

Visita à Base Aérea N.º 11 e Esquadra 506
Em 16 de janeiro de 2026, o general Dos Santos, acompanhado pelo ministro da Defesa português Nuno Melo e pelo CEMFA General João Cartaxo Alves, visitou a BA11, em Beja, com foco na Esquadra 506 “Rinocerontes”, primeira unidade europeia e OTAN a operar o KC-390.

A comitiva observou instalações da esquadra, incluindo o simulador de voo para formação de pilotos, destacando a maturidade operacional da aeronave em missões de reabastecimento, transporte e evacuação aeromédica.

Portugal, com seis KC-390 em frota (e opções para mais dez), atua como “embaixadora” do sucesso do Millennium, oferecendo lições valiosas para avaliadores como Angola sobre integração OTAN e disponibilidade.

Ênfase na OGMA: suporte e parceria industrial
Na mesma semana, Dos Santos visitou a OGMA, em Alverca, para uma “visita institucional às instalações”, avaliando capacidades de manutenção, reparação e modernização (MRO) do C-390, no qual a empresa fabrica fuselagem central, carenagens e lemes desde o programa inicial.

Certificada pela Embraer como HSC (Heavy Support Center), a OGMA garante suporte pleno ao ciclo de vida do Millennium, incluindo modificações para OTAN/UE, modelo replicável para frotas angolanas via acordos de pooling logístico.

O ecossistema Beja-Alverca, com produção recente de Super Tucanos (carta de intenção para fábrica em Beja) e manutenção de C-130/P-3/F-16, reforça Portugal como parceiro para Angola em offset industrial e treinamento.

Implicações geopolíticas e industriais
A triangulação Brasil-Portugal-Angola acelera a entrada da África no clube de operadores do C-390, com Luanda ganhando capacidades para missões humanitárias no Golfo da Guiné e projeção no SADC.

Portugal se beneficia como exportador de serviços MRO via OGMA e hub de doutrina, além de ter uma participação em cada unidade comercializada por meio do país, enquanto a Embraer consolida mais de 20 unidades vendidas na Europa, com Angola agora como porta para o continente africano.

A Comissão Mista aprovou extensão do Programa-Quadro até 2031, incluindo indústrias de defesa e domínio espacial, sinalizando compromisso de longo prazo. 

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