Pesquisar este portal

04 julho, 2026

Fábrica da Embraer em Portugal pode ser acelerada devido ao fomento europeu à Indústria de Defesa

Projeto antidrone da União Europeia abre janela política para Portugal se candidatar com o A-29N Super Tucano 


*LRCA Defense Consulting - 04/07/2026

A Comissão Europeia propôs nesta sexta-feira, dia 3 de julho de 2026, cinco grandes Projetos Europeus de Defesa de Interesse Comum (EDPCIs), abrindo caminho para que recebam financiamento do orçamento da União Europeia por meio do Programa Europeu da Indústria de Defesa (EDIP). Entre eles está o DECODER (do inglês Drone and Counter Drone European Resolve), voltado a drones e sistemas antidrone e reunindo 26 países membros da UE, além da Noruega e da Ucrânia. Os projetos ainda dependem da aprovação do Conselho da UE.

Segundo a proposta divulgada pela Comissão, o investimento total considerado pelos participantes do DECODER poderá somar entre 3,5 e 5 bilhões de euros até 2033. Do orçamento total do EDIP, 325 milhões de euros foram reservados para os cinco EDPCIs, com a possibilidade de aporte adicional no futuro. Segundo a Comissão, os novos projetos ofereceriam uma estrutura para que países da UE trabalhem juntos em iniciativas de defesa amplas ou complexas demais para serem desenvolvidas isoladamente por cada nação, reforçando a indústria de defesa europeia e a capacidade do bloco de responder a desafios de segurança compartilhados, em linha com as prioridades de capacidade da OTAN.

A janela para o A-29N Super Tucano
Para receber a designação de EDPCI, um projeto precisa ser concebido para impulsionar a inovação e a competitividade da base industrial de defesa europeia, além de reduzir a fragmentação do mercado. Essa exigência é relevante para o caso do A-29N Super Tucano: os documentos oficiais do EDIP e do Action Plan on Drone and Counter Drone Security, publicado em fevereiro deste ano, descrevem o escopo típico do DECODER como voltado a sensores, radares, sistemas de perturbação eletrônica (jamming) e efetores cinéticos ou não cinéticos integrados a sistemas de defesa antiaérea de curto e curtíssimo alcance (SHORAD e VSHORAD), além da produção em escala de drones e interceptadores europeus.

No entanto, o EDIP foi estruturado para fortalecer a chamada EDTIB (European Defence Technological and Industrial Base), o que tenderia a exigir controle europeu sobre o fornecedor beneficiado, salvo quando há garantias específicas de segurança de suprimento aprovadas pelos Estados-membros, mecanismo já utilizado em outros instrumentos da UE para permitir a participação de tecnologia não europeia sob condições. A Embraer é uma empresa brasileira; sua subsidiária portuguesa, a OGMA, tem 65% do capital sob controle da fabricante brasileira e 35% sob controle do Estado português, o que poderia, em tese, abrir uma via de enquadramento.

Ainda assim, a proposta oficial de sistemas antidrone do bloco cita efetores cinéticos ou não cinéticos sem excluir explicitamente aeronaves tripuladas de baixo custo empregadas como interceptadoras, papel que a Embraer vem promovendo para o A-29N desde 2025. Em entrevista ao portal polonês Rynek Lotniczy, em março daquele ano, o CCO da Embraer Defesa & Segurança, Frederico Lemos, afirmou que a aeronave teria evoluído para se tornar interoperável com a OTAN e capaz de combater veículos aéreos não tripulados de maneira econômica. Portugal, primeiro operador europeu do A-29N, já posiciona formalmente a aeronave para missões de luta antidrone em cenários de baixa ameaça, segundo fonte da Força Aérea Portuguesa (FAP) citada em nota sobre a Esquadra 101 "Roncos", sediada na Base Aérea N.º 11, em Beja.

A-29N super Tucano na  Base Aérea (BA) 11, em Beja

A fábrica em Beja
É justamente em Beja que a proposta do DECODER ganharia potencial relevância estratégica adicional. Governo português e Embraer assinaram, em 17 de dezembro de 2025, carta de intenção para a instalação de uma linha de montagem completa do A-29N na Base Aérea N.º 11, o primeiro avião militar a ser produzido integralmente em solo português. Em abril de 2026, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, afirmou que o governo dava passos largos para a concretização do projeto, sem, no entanto, cravar data para a assinatura definitiva do acordo. Um fomento europeu de bilhões de euros direcionado a sistemas antidrone, tenderia a reforçar o argumento político de Lisboa para acelerar a decisão, na medida em que transformaria a fábrica de Beja de um projeto bilateral Brasil-Portugal em um ativo industrial potencialmente elegível a financiamento europeu, o que fortaleceria a posição negociadora portuguesa dentro do próprio DECODER.

A hipótese, porém, segue condicional. O caminho mais plausível para que a aeronave acesse esse financiamento passaria por Portugal atuar como país líder ou colíder de uma vertente específica do DECODER, algo que ainda não foi formalmente anunciado. Os cinco projetos, de todo modo, ainda aguardam aprovação do Conselho da UE antes de avançarem para a fase de implementação.

ALADA e INNOSPACE assinam contrato para primeiro voo de teste do foguete Sebit em Alcântara

Primeiro contrato de lançamento comercial firmado pela estatal brasileira prevê voo suborbital de validação de desempenho, prontidão operacional e confiabilidade da missão, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara, no segundo semestre deste ano 


*LRCA Defense Consulting - 04/07/2026

A ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.), estatal brasileira responsável pela exploração comercial dos centros de lançamento do país, e a INNOSPACE, empresa sul-coreana de serviços de lançamento de satélites, anunciaram nas redes sociais a assinatura de um contrato de lançamento para o primeiro voo de teste do foguete suborbital multipropósito Sebit, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Trata-se do primeiro contrato de lançamento comercial firmado pela ALADA desde que a empresa foi autorizada, em maio deste ano, a comercializar diretamente os centros de lançamento do Comando da Aeronáutica.

O contrato e a missão de teste
Pelos termos do acordo, a INNOSPACE planeja realizar o primeiro voo de teste do Sebit ainda no segundo semestre de 2026. A missão foi concebida para validar o desempenho de voo do foguete, sua prontidão operacional e a confiabilidade da missão, além de gerar dados essenciais para o aprimoramento do veículo e de seu modelo de serviço. Com base nos resultados, a empresa sul-coreana pretende reforçar a confiabilidade do Sebit e expandir seus serviços suborbitais de teste e verificação a instituições de pesquisa e clientes comerciais, ampliando o portfólio que hoje é centrado na família de lançadores orbitais Hanbit.

O foguete Sebit
Apresentado publicamente pela INNOSPACE em março deste ano, o Sebit é um veículo suborbital multipropósito voltado a testes de carga útil, verificação de tecnologias e missões de pesquisa, voando próximo ao limite do espaço sem entrar em órbita terrestre. O foguete é equipado com um motor híbrido de classe três toneladas e alcança altitudes superiores a 50 quilômetros, o que permite simular ambientes de microgravidade, realizar testes funcionais de componentes espaciais e demonstrar tecnologias em condições de voo de alta altitude e alta velocidade. Um sistema integrado de telemetria acompanha o voo em tempo real, transmitindo dados sobre a posição do veículo e o status da carga útil.

A INNOSPACE no Brasil
A relação da INNOSPACE com o CLA remonta a 2022, quando a empresa foi selecionada, em edital da Agência Espacial Brasileira (AEB) lançado em 2020, para operar a partir da base maranhense, assinando contrato à época com o Comando da Aeronáutica. Em março de 2023, a empresa lançou com sucesso o Hanbit-TLV, protótipo suborbital de estágio único que validou sistemas de propulsão, controle e estrutura posteriormente incorporados ao Hanbit-Nano. Em dezembro de 2025, porém, a tentativa de colocar o Hanbit-Nano em órbita, o que marcaria o primeiro lançamento orbital realizado a partir de território brasileiro por uma empresa privada internacional, terminou em anomalia de voo pouco depois da decolagem. O contrato do Sebit chega, assim, como um novo voo suborbital de validação, em linha com a trajetória de testes incrementais que a empresa sul-coreana já vinha adotando em Alcântara.

A ALADA e o mercado comercial de Alcântara
O acordo com a INNOSPACE se insere em uma sequência de atos que consolidaram o papel comercial da ALADA. Em novembro de 2025, a estatal assinou Acordo de Cooperação Técnica com o Comando da Aeronáutica (COMAER) e a AEB; em fevereiro de 2026, fechou seu primeiro contrato administrativo, relativo ao Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em parceria com a agência espacial francesa CNES; e, em maio, recebeu do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) a autorização para comercializar diretamente tanto o CLA quanto o CLBI junto a operadores privados nacionais e internacionais. Diferentemente dos contratos anteriores da INNOSPACE com a Força Aérea, restritos ao preço de custo por vedação legal ao lucro da União, os novos contratos sob gestão da ALADA permitem a cobrança de preços de mercado, com a receita revertida ao Programa Espacial Brasileiro e à modernização da infraestrutura dos centros de lançamento.

03 julho, 2026

Embraer abre julho com dois palcos estratégicos: do Golfo da Guiné a Farnborough, uma janela para fechar contratos

De Accra a Londres em dez dias: ASEC, Farnborough 2026 e uma carteira de negócios em aberto para o Super Tucano e o KC-390 Millennium 


*LRCA Defense Consulting - 03/07/2026

A Embraer entra em julho com uma sequência rara de oportunidades comerciais. Entre os dias 7 e 9, a empresa marca presença no 13º Simpósio de Segurança da África (ASEC), realizado em Accra, capital de Gana, com o A-29 Super Tucano e o KC-390 Millennium no portfólio. Menos de uma semana depois, entre 13 e 17 de julho, o Farnborough International Airshow 2026 reúne em Londres a nata da indústria aeroespacial mundial. O calendário forma uma janela de dez dias que a fabricante dificilmente desperdiçará, especialmente diante de uma carteira de negócios em diferentes estágios de maturação na África, Europa e América do Sul.

Accra como palco: o ASEC e a décima tentativa ganesa
A presença da Embraer no ASEC não é casual. O simpósio, reconhecido por promover parcerias regionais e impulsionar a inovação em segurança no continente, reúne tomadores de decisão de forças armadas da África Ocidental e Central, exatamente o público a que o A-29 Super Tucano mais interessa no momento. E o contexto local não poderia ser mais favorável: Gana avalia a compra da aeronave há mais de dez anos, sem que nenhum contrato tenha sido efetivado até agora.

O interesse remonta a 2015, quando a Embraer anunciou um contrato condicionado para cinco unidades que não se materializou. Em fevereiro de 2024, a empresa levou um A-29 à Base Aérea de Accra para uma demonstração formal diante do então ministro da Defesa Dominic Nitiwul e do então chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, vice-marechal do ar Frederick Asare Kwasi Bekoe. O ministro, ao fim do evento, declarou que a força aérea ganesa havia "se apaixonado" pela aeronave e que as negociações "começariam para valer". O custo estimado para cinco unidades seria de cerca de US$ 52,8 milhões, segundo a consultoria GlobalData.

Em junho de 2026, Marcio Monteiro, diretor de marketing da Embraer Defesa & Segurança, reiterou durante visita de imprensa à fábrica de São José dos Campos que a empresa permanece pronta para apoiar qualquer ordem de Gana e lembrou que contratos de defesa demandam tempo. Ele citou o caso dos Emirados Árabes Unidos, que levou mais de uma década para formalizar a compra do KC-390 Millennium.

A deterioração da segurança no Sahel e a expansão do grupo jihadista Jama'at Nusrat al-Islam wal-Muslimin (JNIM) em direção ao litoral do Golfo da Guiné pressionam os países da sub-região a reforçar suas capacidades de ataque leve e patrulha de fronteiras. Vizinhos como Togo, que deverá receber ainda em 2026 quatro Super Tucanos em um contrato de cerca de US$ 82 milhões, e a Nigéria, que já acumula mais de 10 mil horas de voo com seus 12 A-29 adquiridos em 2021, tornaram-se referências práticas do papel da aeronave nesse ambiente. O ASEC de Accra coloca Gana diretamente diante da proposta brasileira, no momento em que o seu orçamento de defesa está em trajetória de crescimento: segundo a GlobalData, os gastos devem atingir US$ 509,6 milhões até 2029, com taxa de crescimento anual de 11,3%.

Farnborough: o palco preferido para anúncios
O Farnborough International Airshow, que ocorre entre 13 e 17 de julho, é historicamente um dos eventos preferidos pela Embraer para anunciar contratos de suas divisões de defesa e aviação comercial. A visibilidade é máxima e a repercussão imediata na imprensa especializada global funciona como amplificador de credibilidade junto a outros potenciais clientes. Em edições anteriores, a empresa aproveitou o evento para divulgar vendas do Super Tucano e do KC-390.

A sequência ASEC-Farnborough comprime em dez dias duas janelas de altíssima exposição: uma dirigida especificamente à África Ocidental, outra com alcance global. Se Gana estiver próxima de assinar, ou se Marrocos e Chile convergirem para um contrato do KC-390, o Farnborough é o palco natural para o anúncio.

Imagem renderizada por IA

KC-390 Millennium: uma carteira de negócios em diferentes estágios
Enquanto o Super Tucano espera o desfecho ganês, o KC-390 Millennium alimenta um pipeline de vendas em múltiplas geografias, com negociações em estágios bastante distintos de maturidade.

- Marrocos: o candidato mais maduro
O Marrocos é hoje o cliente potencial mais avançado entre os que ainda não assinaram. A Força Aérea Real Marroquina (FAR) opera uma frota envelhecida de C-130H e KC-130H e busca uma plataforma que una transporte tático e reabastecimento em voo em uma única aeronave, exatamente o perfil do KC-390. A negociação, que inclui cinco unidades avaliadas em mais de US$ 600 milhões, ganhou nova dimensão em junho de 2026, quando o portal Africa Intelligence revelou que a Embraer ampliou a proposta para incluir um centro de comando e controle C4I desenvolvido pela sua subsidiária Atech, sistema que integraria operações terrestres, aéreas e navais em tempo real. O pacote reposiciona a oferta brasileira de uma venda de aeronave para uma solução de defesa integrada. 

Em outubro de 2024, um slide interno da Embraer apresentado durante conferência de usuários do C-390 já havia listado Marrocos entre os próximos clientes do programa, ao lado dos Emirados Árabes Unidos e do Chile. Os EAU assinaram em 4 de maio de 2026 o maior contrato internacional já celebrado para a aeronave: dez pedidos firmes e dez opções. Marrocos é o próximo da lista.

- Polônia: a aposta europeia com lastro industrial
Na Europa, a Polônia tem sido cortejada com uma estratégia centrada em participação industrial. A Embraer assinou memorando de acordo com a Wojskowe Zakłady Lotnicze Nr 2 (WZL-2), empresa polonesa com quase oito décadas de experiência em manutenção de aeronaves militares, incluindo o F-16 e o C-130 Hercules. O acordo abrange manutenção, conversão, pintura e integração de sistemas. 

Antes disso, ao final de 2025, a empresa já havia firmado memorandos de entendimento com diversas empresas do grupo estatal Polska Grupa Zbrojeniowa (PGZ). A Polônia vive um ciclo de rearmamento acelerado no contexto da guerra na Ucrânia, e a Embraer monta um argumento de capacitação industrial local para tornar o KC-390 competitivo diante de rivais como o Airbus A400M.

- Chile e Colômbia: América do Sul no radar
Na América do Sul, Chile e Colômbia representam os movimentos mais recentes. Em abril de 2026, durante a FIDAE em Santiago, o presidente chileno José Antonio Kast posou ao lado da maquete do KC-390 com o comandante da Força Aérea Brasileira e o CEO da Embraer Defesa & Segurança, em gesto de sinalização política difícil de ignorar. O ministro da Defesa chileno chegou a segurar um quadro com os emblemas da Força Aérea do Chile (FACh) ao lado da aeronave. O país é apontado como candidato a seis unidades. 

A Colômbia, por sua vez, avançou ainda mais: o presidente Gustavo Petro ordenou formalmente, em 30 de março de 2026, a aquisição de dois KC-390 para substituir C-130H fora de serviço. A Embraer tem raízes profundas nos dois países, com o Chile já operando A-29 Super Tucanos.

Uma máquina de vendas em ritmo de cruzeiro
O portfólio de defesa da Embraer nunca esteve tão internacionalizado. O Super Tucano acumula mais de 300 encomendas de 22 forças aéreas, com 39 aeronaves adicionadas à carteira nos últimos dois anos, e a empresa projeta vender cerca de 500 unidades nas próximas duas décadas, com a África respondendo por 28% da demanda. O KC-390, por sua vez, soma mais de 60 encomendas e compromissos de 11 países, com clientes na Europa (Portugal, Países Baixos, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Suécia, Áustria, Lituânia), no Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos) e na América do Sul (Brasil).

A janela que se abre agora, de Accra a Farnborough, é mais do que calendário: é o momento em que negociações que duram anos costumam ganhar nome, valor e data de entrega.

DCTA inaugura o túnel hipersônico T5, o maior da América Latina

Nova infraestrutura do Instituto de Estudos Avançados, em São José dos Campos, vai sustentar os ensaios em solo dos programas 14-X e RATO-14X, no caminho brasileiro rumo à tecnologia scramjet


*LRCA Defense Consulting - 03/07/2026

O Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) inaugurou, em 1º de julho, o túnel hipersônico T5, no Instituto de Estudos Avançados (IEAv), em São José dos Campos (SP). A nova instalação amplia a capacidade nacional de pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias hipersônicas e passa a ser, segundo o próprio instituto, a maior e mais relevante infraestrutura de ensaios em solo hipersônicos da América Latina.

A cerimônia que reuniu dois projetos estratégicos
A inauguração do T5 ocorreu na mesma solenidade em que o DCTA apresentou o Projeto UGEE1000BR, primeira unidade de geração de energia elétrica movida a etanol com turbina a gás totalmente nacional, desenvolvida pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE). O evento foi presidido pelo comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Marcelo Kanitz Damasceno, e contou com a presença do comandante-geral de Apoio, tenente-brigadeiro do ar Valter Borges Malta; do diretor-geral do DCTA, tenente-brigadeiro do ar Mauro Bellintani; além de oficiais-generais, comandantes, chefes e diretores da Guarnição de Aeronáutica de São José dos Campos (GUARNAE-SJ). Na ocasião, Damasceno destacou que os dois projetos comprovam que o Brasil tem competência para desenvolver soluções estratégicas de alta complexidade com tecnologia própria, reforçando a integração entre governo, academia e indústria.

As especificações do T5
O projeto executivo da seção de testes do T5 foi entregue ao IEAv em 2019 pela empresa Thruone LTDA, sediada no cluster tecnológico de São José dos Campos, sob a responsabilidade técnica da Divisão de Aerotermodinâmica e Hipersônica (EAH) do instituto. O túnel de choque à combustão tem 50 metros de comprimento total, com bocais de aceleração de contorno otimizado e seção de teste dimensionada para produzir escoamentos hipervelozes, próximos a velocidades orbitais, sobre protótipos de laboratório de até 4 metros de comprimento por 1,2 metro de envergadura. O equipamento sucede os túneis T1, T2 e T3, usados nas fases anteriores do programa hipersônico brasileiro, e o T4, comissionado alguns anos antes.

Da propulsão scramjet ao RATO-14X
O 14-X é o demonstrador de tecnologia hipersônica aspirada (scramjet, na sigla em inglês) concebido pelo Laboratório de Aerotermodinâmica e Hipersônica Prof. Henry T. Nagamatsu, do próprio IEAv, e testado em voo pela primeira vez em dezembro de 2021, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Atualmente, o esforço para levar o veículo a um estágio autônomo e manobrável está concentrado no Projeto RATO-14X (Rocket Assisted Take-Off), financiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), com participação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e execução conjunta com a empresa Mac Jee, parceria formalizada em dezembro de 2025 por 36 meses e cerca de 40 engenheiros e cientistas dedicados às simulações e análises aerotermodinâmicas do sistema.

É justamente nesse tipo de ensaio, a validação em solo da aerodinâmica e da combustão supersônica antes de qualquer teste em voo, que o T5 se torna estratégico. Ao ampliar o tempo e a fidelidade das simulações de escoamento hiperveloz, o novo túnel reduz a dependência de campanhas de voo, mais caras e mais raras, e consolida a infraestrutura nacional num campo dominado até aqui por um grupo restrito de países: Estados Unidos, China e Rússia, com tecnologia também em desenvolvimento na Austrália, na França e no Japão.

Postagem em destaque