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03 outubro, 2026

Taurus amplia linha em .38 TPC e diversifica opções para usuários no Brasil

Expansão reúne pistolas compactas, plataforma modular TX38 e a clássica família 1911, com potencial para fortalecer a presença da fabricante no mercado civil



*LRCA Defense Consulting - 03/10/2026

A Taurus está ampliando a presença do calibre .38 TPC em seu portfólio brasileiro, com lançamentos que abrangem diferentes tamanhos e concepções de pistolas. A divulgação da 1911 Commander no Instagram oficial da empresa, nesta quinta-feira, 1º de outubro, acrescenta visibilidade a um movimento iniciado em 2024 e aprofundado com as famílias G, GX e TX38. Para os usuários, a expansão significa mais alternativas de plataforma; para a fabricante, abre espaço para atender perfis distintos de consumidores com o mesmo calibre.

Desenvolvido pelo Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil–Estados Unidos da Taurus em conjunto com o Centro de Inovação da Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), o .38 TPC surgiu orientado às necessidades do mercado brasileiro. A sigla corresponde a Taurus Pistol Caliber. A empresa o apresenta como uma opção de uso permitido posicionada entre o .380 Auto e o 9 mm.

Uma expansão construída em etapas 
As pistolas G2c T.O.R.O. e GX4 Carry Graphene T.O.R.O. estiveram entre as primeiras aplicações do calibre. Na SHOT Fair Brasil de 2025, a Taurus apresentou novos produtos em .38 TPC nas famílias G3, GX2 e GX4, movimento também acompanhado pelo portal LRCA. A sequência mostra que o projeto ganhou continuidade em diferentes plataformas, em vez de permanecer associado a apenas um modelo.

Em fevereiro de 2026, a fabricante lançou a TX38 TPC, baseada na plataforma TX9. Em julho, durante a SHOT Fair Brasil, realizada no Distrito Anhembi, em São Paulo, acrescentou as versões compacta e subcompacta à configuração de tamanho integral já apresentada. A linha TX38 TPC Competition também figurou entre os destaques da feira.

A família 1911 em .38 TPC foi outro destaque de julho, nas versões Government, Commander e Officer. Por isso, o anúncio atual da Commander deve ser situado nessa sequência. A peça divulgada no Instagram a identifica como lançamento, mas não informa uma data de início das entregas. A pistola tem cano de 4,25 polegadas, capacidade de 9+1 cartuchos, ação simples e peso de 1.077 gramas, com estrutura em aço carbono e acabamento nitretado a gás.



Mais escolha sem mudar de calibre 
O benefício mais direto para o consumidor é poder comparar propostas distintas dentro do .38 TPC. A ampliação alcança desde famílias de pistolas compactas até a construção metálica e o mecanismo de ação simples da 1911, além dos recursos da TX38. Isso aumenta as possibilidades de escolha conforme ergonomia, dimensões e preferências de plataforma, sem pressupor que um único modelo seja o melhor para todos.

Na TX38, a Taurus informa a presença do sistema modular TMS, de quatro mecanismos de segurança reunidos no TETRA-LOCK e de preparação T.O.R.O. para miras ópticas. O modelo acompanha quatro peças intercambiáveis para ajuste da parte posterior da empunhadura e tem garantia vitalícia anunciada pela fabricante. São características específicas dessa plataforma, que não devem ser estendidas automaticamente às demais armas em .38 TPC.

A existência de diferentes pistolas no mesmo calibre também pode simplificar o abastecimento de quem já possui mais de uma arma compatível. Essa vantagem não significa intercambialidade de carregadores ou componentes entre famílias, nem dispensa a observância das especificações de cada fabricante. 


Desempenho com comparações bem delimitadas 
Segundo a Taurus, o .38 TPC oferece até 40% mais energia que o .380 Auto e 28% menos recuo que o 9 mm. A proposta combina desempenho balístico e maior facilidade de controle, mas esses percentuais são declarações da fabricante e dependem das condições de comparação. Não constituem uma medida universal aplicável a todas as pistolas e munições. 

Para o usuário, a possibilidade de menor recuo pode representar mais conforto no treinamento. Já a energia superior ao .380 Auto é um atributo balístico, sem demonstrar, isoladamente, superioridade em qualquer situação. O comportamento do conjunto depende da arma, da munição e do usuário. Da mesma forma, os recursos de ergonomia e de mira pertencem ao projeto de cada pistola, e não ao calibre em si.

A CBC complementa a oferta com munições de treinamento e operacionais, incluindo versões Polymatch, ogival encamisada, Bonded e Gold Hex, citadas em comunicação institucional da Taurus. A variedade permite estruturar uma linha de produtos além da arma, embora preço e disponibilidade local continuem relevantes para a experiência do consumidor.


Oportunidades para a Taurus e para a cadeia nacional 

Na perspectiva empresarial, a diversificação amplia os públicos que a Taurus pode disputar. A 1911 alcança interessados em uma plataforma tradicional, enquanto a TX38 agrega modularidade e recursos contemporâneos. As famílias G e GX completam esse conjunto com outras configurações. O potencial comercial está em oferecer alternativas dentro da própria marca à medida que mudam as preferências dos consumidores.

Há também uma possibilidade industrial. A extensão de plataformas existentes para um calibre desenvolvido com a CBC pode aproveitar conhecimentos de engenharia, estruturas de produção e canais comerciais já estabelecidos. A diluição dos investimentos de desenvolvimento dependerá, porém, dos volumes efetivamente vendidos e dos custos de adaptação. Não há base, nas informações consultadas, para quantificar uma redução de custos ou atribuir margens maiores aos novos modelos.

A produção nacional de armas e munições cria ainda oportunidades de coordenação entre os fabricantes e a rede de atendimento. Uma base maior de usuários pode estimular a oferta de munições e serviços, reforçando a continuidade do calibre. Esse efeito permanece condicionado à demanda e à capacidade de abastecimento; não permite concluir que os preços necessariamente cairão.

Ao ampliar o .38 TPC para diferentes famílias, a Taurus passa a trabalhar sua consolidação por meio da variedade de produtos. O resultado comercial dessa estratégia dependerá da combinação entre aceitação dos modelos, confiabilidade, assistência e custo de uso. Para o consumidor, o avanço já observável é a ampliação das opções; para a empresa, a oportunidade é transformar essa diversidade em vendas e relacionamento duradouro com seus clientes.

Embraer coloca KC-390 em destaque em Marrakech e renova atenção sobre negociação com Marrocos

Equipe de Defesa & Segurança participará do salão de 7 a 10 de outubro; histórico de aproximação torna o evento uma oportunidade para avanços, mas não há anúncio de compra confirmado 



*LRCA Defense Consulting - 03/10/2026

A Embraer confirmou a participação de sua equipe de Defesa & Segurança no Marrakech Airshow 2026, que será realizado de 7 a 10 de outubro, no Marrocos, e escolheu o KC-390 Millennium como destaque da divulgação. O movimento recoloca em evidência a campanha da fabricante brasileira em um mercado interessado em renovar sua capacidade de transporte militar e oferece uma ocasião para novos contatos com autoridades, operadores e parceiros.

Na publicação divulgada nesta sexta-feira (2), a empresa convida o público a conhecer a aeronave com seus especialistas e ressalta atributos como flexibilidade operacional, prontidão e desempenho. A comunicação confirma o foco militar da participação, mas não informa se haverá um exemplar do cargueiro em exposição, reuniões específicas com o governo marroquino ou assinatura de contrato.

O mesmo palco de uma aproximação industrial 
O salão já ocupa um lugar concreto no relacionamento entre a Embraer e o Marrocos. Em 30 de outubro de 2024, durante a edição anterior, a fabricante e o governo marroquino assinaram um memorando de entendimento para explorar projetos conjuntos em aviação comercial, defesa e mobilidade aérea urbana.

O documento estabeleceu uma base para desenvolver uma cadeia de fornecedores no país, com possibilidades de cooperação em formação profissional, manutenção, reparo e revisão. Na ocasião, Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, manifestou o objetivo de posicionar o C-390 como principal opção para as futuras capacidades marroquinas de transporte aéreo tático, com apoio em treinamento, manutenção e logística.

Esse antecedente dá relevância à volta da equipe de defesa a Marrakech. A proposta brasileira se insere em uma relação que contempla tanto a aeronave quanto oportunidades de participação da indústria local.

Negociação envolve aeronaves e sistemas 
A LRCA acompanha há mais de um ano os relatos sobre a disputa pelo mercado marroquino. Em agosto de 2025, o portal registrou informações de que a Embraer se aproximava de um acordo, enquanto a Lockheed Martin mantinha o C-130J Super Hercules na concorrência para a renovação da frota de transporte.

Em junho de 2026, a negociação ganhou outra dimensão. Segundo informação do Africa Intelligence repercutida pela LRCA, a Embraer ofereceu um centro de comando e controle C4I como argumento adicional em uma negociação descrita pela imprensa como envolvendo cinco KC-390 e valor superior a US$ 600 milhões.

A oferta ampliaria o alcance do relacionamento para sistemas capazes de reunir informações e coordenar operações militares. O número de aeronaves, o valor e a composição desse pacote, entretanto, permanecem informações atribuídas à imprensa, sem confirmação pública de contrato localizado nesta apuração. 

Em outubro de 2024, um documento interno da Embraer listou três países que ainda não eram clientes do C-390: Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Chile. Os EAU já assinaram o maior contrato internacional da aeronave. Restam dois países...

Uma oportunidade para avançar 
A presença anunciada da equipe de Defesa & Segurança, a promoção explícita do KC-390 e o histórico de cooperação tornam o salão uma oportunidade plausível para avanços. Essa avaliação decorre da combinação desses elementos, e não de informação sobre uma cerimônia de aquisição já preparada.

O próprio histórico recomenda prudência: notícias sobre a proximidade de um acordo circulam desde 2025. A participação em uma exposição, por si só, não demonstra que as negociações comerciais e as aprovações governamentais estejam concluídas.

Também é necessário distinguir os possíveis desdobramentos. Uma seleção da aeronave representaria uma decisão de preferência; a assinatura de contrato formalizaria obrigações de compra; um novo acordo industrial poderia ampliar a parceria sem estabelecer uma encomenda.

Até 2 de outubro, os anúncios examinados confirmam a presença da Embraer e o destaque ao KC-390, mas não vinculam o evento à divulgação de uma decisão marroquina. Marrakech oferece, portanto, uma ocasião relevante para a campanha brasileira, cujo resultado dependerá do estágio efetivo das negociações.

02 outubro, 2026

Embraer registra seu melhor terceiro trimestre com avanço da aviação comercial e da defesa

Fabricante chega a 175 entregas no ano, mantém metas de 2026 e amplia em 14% o volume entregue entre janeiro e setembro


*LRCA Defense Consulting - 02/10/2026

A Embraer entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, seu melhor resultado para esse período, e elevou para 175 unidades o acumulado dos nove primeiros meses do ano. Divulgado nesta sexta-feira (2 de outubro), o balanço operacional mostra crescimento de 6% sobre as 62 entregas de julho a setembro de 2025 e de 2% em relação às 65 do segundo trimestre de 2026.

O aumento anual foi sustentado pela aviação comercial e pela defesa, que acrescentaram duas aeronaves cada ao resultado do trimestre. A aviação executiva manteve o volume de um ano antes. No acumulado até setembro, a fabricante entregou 22 aeronaves a mais que as 153 registradas no mesmo intervalo de 2025.

Aviação comercial cresce e executiva lidera em volume 
A Aviação Comercial entregou 22 jatos, divididos igualmente entre 11 E175 e 11 aeronaves da família E2. O resultado representa alta de 10% tanto sobre o trimestre anterior quanto na comparação anual, pois ambos os períodos haviam registrado 20 entregas.

A Aviação Executiva respondeu por 41 aeronaves, aproximadamente 62% do total trimestral. Embora estável em relação ao terceiro trimestre de 2025, o volume ficou quatro unidades abaixo dos 45 jatos entregues entre abril e junho deste ano.

Defesa volta a contribuir com KC-390 e Super Tucano 
Em Defesa & Segurança, a Embraer entregou um KC-390 Millennium e dois A-29 Super Tucano. Foram três aeronaves, contra uma no terceiro trimestre de 2025 e nenhuma no segundo trimestre de 2026.

Somados aos cinco aviões militares entregues no primeiro trimestre, os números levam o segmento a oito unidades nos nove primeiros meses de 2026, sendo dois KC-390 e seis Super Tucano. Esse acumulado foi calculado a partir dos comunicados trimestrais da empresa.

Nivelamento da produção aparece na evolução do ano 
A sequência de entregas passou de 44 aeronaves no primeiro trimestre para 65 no segundo e 66 no terceiro. Já no primeiro semestre, como registrou o portal LRCA em julho, a empresa havia alcançado 109 unidades e reiterado suas metas anuais.

A Embraer associa o avanço às iniciativas de nivelamento da produção. Na aviação executiva, segundo a companhia, o programa vem reduzindo gradualmente a concentração das entregas no segundo semestre ao longo dos últimos dois anos. Os números mostram um início de ano mais forte, mas o último trimestre ainda terá peso relevante para o cumprimento das projeções.

O que falta para alcançar as metas de 2026 
A companhia manteve as previsões de entregar entre 80 e 85 jatos comerciais e entre 160 e 170 executivos em 2026. A soma dos três comunicados trimestrais indica 52 aeronaves comerciais e 115 executivas entregues até setembro.

Assim, para atingir as faixas anunciadas, serão necessárias entre 28 e 33 entregas comerciais e entre 45 e 55 executivas de outubro a dezembro. São cálculos derivados das metas e dos volumes já informados, e não uma nova projeção da Embraer.

No conjunto dessas duas divisões, o quarto trimestre precisará somar entre 73 e 88 aeronaves. As entregas militares serão adicionais a esse total. O balanço divulgado trata de volumes operacionais; a evolução da receita, das margens e da geração de caixa do terceiro trimestre dependerá da divulgação dos resultados financeiros.

01 outubro, 2026

Novo Hamburgo amplia arsenal de pistolas Taurus para a Guarda Municipal

Compra de 120 pistolas de 9 mm envolve cerca de R$ 800 mil e integra modernização com reforço de efetivo, viaturas e novos equipamentos previstos


*LRCA Defense Consulting - 01/10/2026

A Guarda Municipal de Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, recebeu 120 novas pistolas Taurus calibre 9 mm em 29 de setembro de 2026. A aquisição, financiada com recursos próprios do Município, amplia o armamento disponível e acompanha a decisão de retirar de uso os revólveres calibre .38. A entrega ocorreu no auditório do Centro Administrativo Leopoldo Petry.

Segundo a Prefeitura, o investimento foi de aproximadamente R$ 800 mil, classificado pela administração como o maior já realizado em armamento para a corporação. O lote se soma às 100 pistolas de 9 mm modelo TS9 que já integravam o acervo da Guarda.

Padronização para simplificar a logística
A mudança tem como um de seus objetivos reduzir a diversidade de calibres em serviço. O diretor da Guarda Municipal, Emerson Edinei Lopes, destacou a aproximação com o padrão empregado por outras instituições de segurança, entre elas a Brigada Militar e a Polícia Penal do Rio Grande do Sul, que também utilizam o calibre 9 mm.

A concentração em um calibre facilita o planejamento de compras e a gestão dos estoques de munição. Já a padronização dos modelos de arma pode simplificar a manutenção, a reposição de componentes e a capacitação dos agentes. São benefícios distintos: adotar o mesmo calibre de outra força não significa, automaticamente, compartilhar peças, carregadores ou todos os procedimentos de manutenção.

O comunicado da Taurus informa que a corporação possui 226 agentes e apresenta a aquisição como suficiente para equipar todo o efetivo. Entretanto, os quantitativos divulgados, 120 armas novas e 100 existentes, somam 220 pistolas. Sem esclarecimento sobre a distribuição e o restante do acervo, esses números não permitem afirmar que cada integrante receberá uma arma individual. 

A TS9 já integra o acervo municipal 
A presença de 100 TS9 na Guarda mostra que a corporação já utiliza a plataforma da Taurus. No catálogo internacional da fabricante, o modelo é apresentado em calibre 9 × 19 mm, com mecanismo de percussor lançado, cano de quatro polegadas e opções de capacidade de 17 ou 15 cartuchos no carregador, além de um na câmara.

A ficha também relaciona bloqueio do percussor, trava de gatilho e indicador de cartucho na câmara. Essas são características do modelo catalogado; as informações públicas consultadas não detalham a configuração específica do novo lote entregue a Novo Hamburgo.

Mais agentes e mobilidade 
A entrega integra um programa mais amplo de investimentos. Conforme o prefeito Gustavo Finck, a administração busca melhorar as condições de atuação da Guarda com tecnologia, estrutura, equipamentos e pessoal. Em 2026, 30 novos agentes passaram a atuar na corporação, que também recebeu três motocicletas e sete viaturas para reforçar o patrulhamento.

A modernização inclui o SmartNH, programa de videomonitoramento citado pelo prefeito durante a solenidade. Em agosto, a Câmara Municipal informou que o Executivo planejava alcançar duas mil câmeras ativas até 2028. Trata-se de uma meta de expansão, e não do número de equipamentos já em operação.

Novas aquisições previstas 
A Prefeitura anunciou ainda a previsão de receber, nos próximos meses, dispositivos Taser e espargidores, classificados como equipamentos de menor potencial ofensivo. A Guarda também trabalha na aquisição de armas longas. A nota municipal não informa quantidades, modelos ou fornecedores dessas futuras compras.

Para a Taurus, a entrega amplia sua presença em uma corporação que já utiliza seus produtos. O fornecimento se insere em um mercado institucional acompanhado pelo portal LRCA há anos.

Nagpur dá endereço ao projeto industrial do C-390 na Índia

Embraer e Mahindra avançam na preparação de uma linha de montagem e de uma rede de suporte, enquanto disputam o programa indiano de transporte médio



*LRCA Defense Consulting - 01/10/2026

A Embraer e o Grupo Mahindra identificaram Nagpur, no estado de Maharashtra, como a localização proposta para uma linha de montagem final do C-390 Millennium na Índia. Anunciada nesta quinta-feira, 1º de outubro, a definição acrescenta um passo concreto aos preparativos industriais da parceria, que disputa o programa de Aeronave de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. A implantação, porém, depende da seleção do cargueiro brasileiro e da formalização de uma encomenda pelo governo indiano.

Segundo o comunicado, as empresas trabalham com o Governo de Maharashtra para concluir os processos necessários e permitir que a infraestrutura seja implementada rapidamente, caso vençam a concorrência. Vinod Sahay, membro do Conselho Executivo do Grupo Mahindra, agradeceu ao governo estadual pela rápida alocação do terreno em Nagpur. O anúncio não informa a área, o valor do investimento ou o prazo de construção.

Esse é o avanço mais relevante em relação às manifestações recentes da Embraer. A proposta de produção local passa a ter uma cidade identificada e, conforme a declaração da Mahindra, terreno alocado. O movimento fortalece a preparação da candidatura, mas não representa uma decisão de compra da Força Aérea Indiana nem o início anunciado das obras.

Uma parceria que avança para a implantação industrial 
A cooperação começou com um memorando de entendimento assinado em fevereiro de 2024. Em outubro de 2025, Embraer e Mahindra firmaram um acordo estratégico que ampliou o trabalho conjunto em industrialização, fabricação, montagem, cadeia de suprimentos e manutenção, reparo e revisão, atividade conhecida pela sigla MRO.

Em fevereiro de 2026, as empresas detalharam a intenção de estabelecer capacidade de MRO na Índia. Agora, a identificação de Nagpur aproxima o planejamento da etapa de implantação física, embora a execução permaneça condicionada ao resultado do programa MTA.

Como o portal LRCA registrou em 27 de setembro, Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, já havia reafirmado a Mahindra como parceira da proposta militar, esclarecendo que a colaboração com o Grupo Adani se concentra na aviação comercial. O comunicado desta quinta-feira acrescenta uma definição territorial e o envolvimento do governo estadual a essa estrutura de cooperação já conhecida.

Para Bosco, a identificação de Nagpur constitui um passo importante na construção de uma base aeroespacial de longo prazo na Índia. Segundo a Embraer, a unidade proposta envolveria conhecimentos de montagem de aeronaves, integração de sistemas, engenharia de manufatura e desenvolvimento de fornecedores locais.

Por que Nagpur importa 
Nagpur já abriga atividades aeronáuticas e o projeto MIHAN, que reúne aeroporto, zona econômica especial e áreas destinadas a manufatura e serviços. A infraestrutura regional ajuda a explicar a atratividade da cidade para uma instalação que precisará combinar produção industrial, logística e acesso aeroportuário. Trata-se de uma leitura das condições locais, não de uma justificativa técnica detalhada divulgada por Embraer e Mahindra.

Há um precedente expressivo. Em junho de 2025, a Dassault Aviation e a Reliance anunciaram um acordo para fabricar jatos executivos Falcon 2000 LXS na Índia. O projeto prevê ampliar as instalações da Dassault Reliance Aerospace Limited, no MIHAN, em Nagpur, com a meta anunciada de realizar o primeiro voo de um Falcon 2000 fabricado localmente até 2028.

Esse histórico demonstra que a proposta do C-390 se insere em uma região com atividade aeroespacial e outros projetos de expansão. Não significa, entretanto, que as empresas compartilharão instalações ou fornecedores. O comunicado da Embraer identifica Nagpur, mas não especifica o lote nem confirma que sua unidade ficará dentro da zona econômica especial do MIHAN.

A disputa também envolve indústria e sustentação da frota
A dimensão industrial ocupa posição central na concorrência. Segundo o Financial Express, em reportagem de 29 de setembro, o programa contempla a aquisição de 60 aeronaves e o pedido de propostas foi emitido em agosto. O jornal destaca as ofertas do C-390, com a Mahindra, e do C-130J-30 Super Hercules, com a Tata Advanced Systems. O comunicado atual da Embraer não detalha quantidades ou condições do processo de aquisição.

A candidatura norte-americana conta com uma relação industrial anterior. Em setembro de 2024, a Lockheed Martin e a Tata Advanced Systems anunciaram um acordo abrangendo manutenção na Índia e a possibilidade de ampliar a fabricação e a montagem do C-130J no país, caso obtenham o contrato MTA e as aprovações governamentais necessárias.

A Lockheed Martin também informou, em dezembro de 2025, a realização da cerimônia de início das obras de uma instalação de MRO em Bengaluru. Essa estrutura foi concebida para apoiar uma aeronave que já integra a frota indiana. Assim, a comparação entre as propostas envolve tanto as características dos aviões quanto a capacidade de produzir, manter e sustentar sua operação por décadas.

No caso do C-390, o plano divulgado em fevereiro prevê manutenção básica e pesada, inspeções estruturais, reparo e revisão de componentes, suporte de aviônicos e treinamento. A Embraer também avalia transformar a Índia em um centro regional de manutenção para outros operadores, possibilidade que ainda depende da concretização do projeto.

Montagem local e autonomia operacional 
A parceria pretende integrar progressivamente empresas indianas à fabricação, aos serviços de pós-venda e ao suporte durante o ciclo de vida do C-390. A proposta se alinha às iniciativas Make in India e Atmanirbhar Bharat, voltadas à produção local e à autossuficiência indiana.

Do ponto de vista operacional, dispor de manutenção e fornecedores próximos pode reduzir a necessidade de enviar componentes ou aeronaves ao exterior e facilitar a formação de pessoal. Esses benefícios potenciais dependerão, contudo, da profundidade da capacitação efetivamente contratada, dos estoques disponíveis e das responsabilidades atribuídas à indústria local.

O C-390 oferece capacidade de carga útil de até 26 toneladas e foi projetado para operar em pistas temporárias ou não pavimentadas, segundo a fabricante. Suas missões incluem transporte de tropas e cargas, lançamento aéreo, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios e apoio humanitário. A Embraer também informa que a aeronave pode receber configuração de reabastecimento em voo, como reabastecedor e recebedor.

A implantação de uma linha de montagem, por si só, não esclarece o grau de autonomia tecnológica que a Índia terá. O anúncio não apresenta percentuais de conteúdo local, relação de componentes a fabricar, direitos sobre tecnologias ou a divisão de trabalho entre unidades brasileiras e indianas. Esses elementos serão necessários para avaliar o alcance industrial de um eventual contrato.

O significado para a Embraer e o Brasil 
Para a Embraer, uma encomenda indiana acompanhada de produção local poderá ampliar a escala do C-390 e sua presença em um mercado que exige participação industrial doméstica. O acordo estratégico de 2025 já estabelecia a ambição de atender necessidades indianas e regionais, e não apenas entregar aeronaves prontas.

Para o Brasil, os possíveis ganhos incluem a expansão internacional de uma plataforma desenvolvida no País e oportunidades de fornecimento e serviços vinculadas ao programa. A dimensão desses benefícios, entretanto, dependerá do contrato e da parcela de trabalho preservada ou ampliada na cadeia brasileira. Sem essa divisão, não é possível quantificar exportações, empregos ou efeitos sobre a produção nacional.

A identificação de Nagpur permite à Embraer e à Mahindra apresentar um planejamento industrial mais definido à Índia. Os próximos marcos relevantes serão a conclusão dos processos locais, a seleção da aeronave e a contratação. Até lá, terreno e preparação industrial são sinais de comprometimento com a proposta, sem constituir garantia de vitória na concorrência.

BRASSAT propõe salto da indústria espacial brasileira com constelação de uso civil e militar

Atas do CT-Espacial detalham estimativas de investimento e mostram que a proposta também busca preservar a capacidade industrial desenvolvida em projetos como o SatVHR. Visiona busca recursos do FNDCT para a primeira etapa



*LRCA Defense Consulting - 01/10/2026

A proposta de uma constelação brasileira de pequenos satélites ganhou novo impulso com a intenção da Visiona (joint venture entre a Embraer e a Telebras) de buscar recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) para sua primeira etapa. O BRASSAT pretende combinar observação da Terra e comunicação de dados em uma infraestrutura de uso civil e militar. Documentos do CT-Espacial mostram que sua relevância industrial já vinha sendo discutida antes do anúncio, com preocupação explícita sobre a continuidade das atividades do setor.

Segundo o Teletime, o presidente da Visiona, João Paulo Campos, apresentou a estratégia em 30 de setembro, durante o Congresso Latino Americano de Satélites, no Rio de Janeiro. A empresa, formada pela Embraer e pela Telebras, quer financiar o desenvolvimento tecnológico e uma constelação-piloto com o FNDCT, recorrendo posteriormente também a fundos ambientais. O executivo apontou o risco tecnológico como obstáculo à atração de parceiros.

Uma infraestrutura para observar e coletar dados 
A configuração divulgada prevê 44 satélites. Desse total, 24 seriam destinados à comunicação e à coleta de dados para aplicações de internet das coisas (IoT); 16 realizariam monitoramento sistemático, com cobertura do País a cada cinco dias e resolução de 2,5 metros; e quatro atenderiam à observação de áreas específicas em alta resolução.

A amplitude da proposta aparece também na documentação governamental. A Mensagem ao Congresso Nacional de 2026 menciona BRASSAT, CARPONIS e ESSENTIA entre as propostas lançadas em 2025 para monitoramento ambiental, observação da Terra e desenvolvimento de nanossatélites. A referência confirma a presença do BRASSAT na agenda institucional, mas não comprova contratação ou liberação de recursos para implantar a constelação.

O planejamento de 2025 previa R$ 422 milhões em duas fases 
A ata da 36ª reunião do Comitê Gestor do CT-Espacial, realizada em 8 de abril de 2025, registra uma apresentação da Agência Espacial Brasileira (AEB) com três etapas. A primeira, voltada à consolidação tecnológica, previa R$ 244 milhões em três anos. A segunda estimava R$ 178 milhões em dois anos. Para a fase operacional, a previsão era de R$ 100 milhões anuais.

As duas primeiras fases somavam, portanto, R$ 422 milhões. Esses valores correspondem ao planejamento apresentado em 2025, não a um orçamento atualizado ou a financiamento já aprovado. A mesma ata menciona 24 satélites de comunicação e 16 de monitoramento sistemático, sem explicitar os quatro de alta resolução informados agora. A diferença exige confirmação antes de vincular os custos antigos à configuração de 44 equipamentos.

Preservar a indústria entre uma missão e outra 
Na reunião seguinte, em 30 de abril de 2025, a Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB) alertou para o risco de interrupção dos projetos e de perda de continuidade industrial. A ata relaciona essa preocupação ao SatVHR, desenvolvido pela Visiona com apoio da Finep, e à possibilidade de dar sequência ao esforço por meio de uma constelação.

O documento registra a defesa de que BRASSAT e CBERS-5 avancem em paralelo, inclusive com recursos menores para o detalhamento inicial da proposta. Entre os encaminhamentos, aparece a preocupação com a desmobilização da capacidade instalada por falta de continuidade entre projetos.

Sob a perspectiva industrial, a questão é manter trabalho para equipes especializadas e fornecedores após a conclusão de cada desenvolvimento. Uma demanda continuada poderia permitir que o conhecimento acumulado fosse aplicado a novas unidades e aperfeiçoamentos. Esse é um benefício potencial do modelo de constelação, condicionado à contratação e à sustentação financeira do programa.

O SatVHR oferece uma base tecnológica em desenvolvimento 
Um avanço concreto ocorreu em maio de 2026, quando a Visiona anunciou a conclusão dos testes de vibração do modelo estrutural e térmico do Satélite de Pequeno Porte de Altíssima Resolução (SatVHR), no Laboratório de Integração e Testes do INPE. O ensaio verificou a resistência da estrutura às condições de lançamento; não significou que o satélite estivesse pronto para operar em órbita.

Segundo a empresa, o projeto foi contratado pela Finep em 2023, com previsão de R$ 219 milhões em subvenção econômica do FNDCT. Participam do desenvolvimento Equatorial Sistemas, Fibraforte, Kryptus, OPTO Space & Defense e Orbital Engenharia, além de outras empresas e instituições científicas. O aporte pertence ao SatVHR e não deve ser confundido com recursos assegurados ao BRASSAT.

O LRCA já acompanhou essa trajetória, incluindo o encerramento da missão do VCUB1, em fevereiro de 2025, e os testes do SatVHR, em maio de 2026. Essa sequência permite contextualizar a proposta de constelação como uma possibilidade de continuidade das competências desenvolvidas. A composição definitiva do BRASSAT e o papel de cada plataforma, entretanto, ainda precisam ser detalhados.

A contribuição do SENAI e dos sensores ambientais 
A vertente de coleta de dados também possui antecedentes próprios. Na Hannover Messe 2026, a apresentação do SESI/SENAI associou o Catarina-A2 ao BRASSAT. O nanossatélite é desenvolvido pelo Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, em Santa Catarina, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a AEB.

Sua função é receber informações de plataformas ambientais em solo, armazená-las temporariamente e retransmiti-las às estações terrestres. Entre as aplicações indicadas estão previsão meteorológica, acompanhamento de desastres naturais, gestão de recursos hídricos e planejamento agrícola. Essa vertente ajuda a explicar por que a proposta reúne observação por imagens e comunicação de dados de sensores.

Da proposta à operação continuada 
O próximo passo decisivo será converter o apoio institucional em compromissos de execução. Permanecem sem confirmação, nas fontes públicas consultadas, o contrato de implantação do BRASSAT, a liberação de recursos para sua primeira fase e um calendário firme de lançamentos.

Para avaliar o alcance efetivo da iniciativa, também será necessário conhecer a composição da constelação-piloto, a governança da operação, as condições de acesso aos dados e o financiamento da reposição dos satélites. São essas definições que permitirão dimensionar a contribuição do BRASSAT à autonomia brasileira e à continuidade de sua indústria espacial.

30 setembro, 2026

JD Taurus ganha espaço na Índia e reforça expansão tecnológica da fabricante brasileira

Certificações, contratos e novos produtos da operação indiana acompanham os lançamentos nos EUA e o avanço da Taurus em sistemas de armas e plataformas não tripuladas no Brasil



*LRCA Defense Consulting - 30/09/2026

A JD Taurus está ampliando sua presença na Índia com contratos institucionais, crescimento das vendas civis e novos produtos. A divulgação das certificações AS9100D e ISO 9001 acrescenta um marco de qualidade a uma operação que já fornece armamento ao Exército indiano e conquistou pedidos de forças policiais federais e estaduais. A trajetória acompanha um movimento mais amplo da Taurus, que lança novas plataformas nos Estados Unidos e desenvolve, no Brasil, sua atuação como fornecedora e integradora de sistemas de armas, incluindo drones e veículos terrestres não tripulados.

A empresa indiana resulta da associação entre a Jindal Defence e a Taurus Armas, com participações de 51% e 49%, respectivamente. Instalada em Hisar, no estado de Haryana, iniciou a operação em março de 2024 com apoio técnico brasileiro. A fabricação local, alinhada ao programa Make in India, permite disputar o mercado com uma estrutura industrial estabelecida no próprio país. 


Certificações reforçam a estrutura de qualidade 
Em publicação institucional recente, a JD Taurus informou possuir as certificações AS9100D e ISO 9001, destacando o compromisso com precisão, rastreabilidade e melhoria contínua na fabricação. O anúncio é relevante para uma empresa que procura ampliar o fornecimento a clientes militares e policiais, cujos processos de aquisição exigem consistência industrial e controle documental.

A família de normas 9100, conforme o International Aerospace Quality Group (IAQG), estabelece requisitos de gestão da qualidade para organizações de aviação, espaço e defesa, acrescentando exigências à base da ISO 9001. As certificações dizem respeito ao sistema de gestão da organização; a qualificação operacional de cada armamento continua dependendo dos ensaios e requisitos aplicáveis ao produto e ao cliente.

Contratos ampliam a presença nas forças indianas 
O primeiro fornecimento militar de destaque foi o de 550 submetralhadoras T9 ao Comando do Norte do Exército indiano. A documentação de resultados da Taurus referente a 2024 registrou que as armas, produzidas localmente, já haviam sido entregues. Em maio de 2025, o LRCA noticiou outra vitória institucional, para o fornecimento de pistolas TS9 à Railway Protection Force, responsável pela segurança ferroviária.

Em 2026, as encomendas ganharam escala. A cobertura do LRCA registrou um pedido de 5.368 pistolas TS9 para as forças policiais centrais indianas. Em comunicado oficial, a Taurus confirmou ainda um contrato formalizado em 16 de março para fornecer 6.136 unidades da mesma pistola à Polícia de Uttar Pradesh, identificada pela fabricante como Special Task Force. Somados, esses dois pedidos representam 11.504 pistolas.

Na sequência, quatro novos contratos com as polícias de Meghalaya, Chhattisgarh, Punjab e Kerala acrescentaram mais de 1.300 pistolas e submetralhadoras de 9 mm, segundo divulgação reproduzida pelo LRCA em 27 de março. O conjunto desses pedidos de 2026 supera, portanto, 12,8 mil armas. O número corresponde a encomendas conquistadas, sem pressupor que todas as entregas estejam concluídas.

A diversidade dos compradores dá relevância comercial à expansão. A JD Taurus passa a acumular referências de fornecimento em diferentes estruturas de segurança, reduzindo a concentração em um único cliente e ampliando sua exposição a requisitos operacionais variados. 


Vendas civis crescem e a 1911 chega ao catálogo 
No mercado civil, o Relatório da Administração de 2025 da Taurus informa crescimento superior a 60% nas vendas indianas em relação ao ano anterior. O documento também registra que a operação já contribuía positivamente para o resultado da companhia por equivalência patrimonial. Essa forma de reconhecimento significa que o faturamento da JD Taurus não é somado integralmente à receita consolidada da empresa brasileira.

A ampliação da oferta acompanha o avanço comercial. O catálogo oficial indiano reúne a PT57 SC, incluindo versões Black Matte e Dual Tone, a PT58 HC Plus, o revólver RT073 e a pistola 1911 .45 ACP. Esta última possui página com indicação de disponibilidade e foi apresentada pela JD Taurus na Police Expo 2026, além de receber uma campanha institucional própria.

O RT073, cujo lançamento foi anunciado pelo LRCA em abril de 2025, também permanece na oferta atual. No segmento de segurança, o site apresenta os modelos fuzil T4, submetralhadora T9, pistolas TS9 e TS9C. A variedade mostra a expansão do portfólio, embora a presença no catálogo não signifique, por si só, contratos conquistados para todas as armas. 


Oportunidades de 130 mil armas no horizonte 

Na divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, a Taurus informou que a JD Taurus acompanhava licitações e oportunidades institucionais em diferentes estágios, envolvendo mais de 130 mil armas e valor bruto potencial de aproximadamente US$ 54 milhões. O documento também menciona contratos em execução e demonstrações e avaliações junto às Forças Armadas e às forças de segurança federais e estaduais.

Trata-se de uma carteira de oportunidades, cuja conversão depende do andamento das concorrências e negociações. Sua dimensão indica espaço para crescimento, mas não corresponde a receita contratada. A expansão efetivamente comprovada está nos pedidos já anunciados e no aumento das vendas civis.

RPC e supressores ampliam a oferta nos Estados Unidos 
O avanço indiano ocorre paralelamente à renovação do portfólio norte-americano. Em janeiro de 2026, a Taurus apresentou nos EUA a TX9, plataforma modular de pistolas de 9 mm, oferecida em três dimensões e preparada para receber miras ópticas. Seu chassi de aço serializado permite diferentes configurações de empunhadura, ampliando a flexibilidade da família para aplicações profissionais e civis.

Em 14 de abril, a Taurus USA anunciou o lançamento do RPC, marcando sua entrada em uma categoria dedicada de armas compactas de defesa pessoal de 9 mm, conhecida pela sigla PDW. A plataforma incorpora comandos ambidestros, construção em alumínio e interfaces para acessórios. O lançamento amplia a atuação da marca em um segmento distinto de suas pistolas e revólveres tradicionais.

Em setembro, outra iniciativa reforçou essa diversificação: a primeira linha de supressores da companhia, denominada TTX. Segundo comunicado da Taurus Holdings publicado em 18 de setembro, a família reúne TTX22, TTX9C e TTX30. O TTX9C foi concebido para plataformas de cano fixo, incluindo o RPC, enquanto os demais atendem outras categorias de armamento. A linha foi desenvolvida em colaboração com engenheiros especializados e utiliza construção em titânio.

O movimento permite à Taurus ampliar a oferta de produtos complementares às suas armas. O paralelo com a Índia está na diversificação comercial, embora os lançamentos norte-americanos não impliquem disponibilidade automática desses mesmos produtos no mercado indiano. 

Submetralhadora RPC com supressor TTX9C

No Brasil a expansão alcança sistemas de armas e drones 
No Brasil, a mudança anunciada pela Taurus tem alcance industrial mais amplo. Durante o COP International 2026, a companhia apresentou sua evolução para uma empresa de tecnologia aplicada à defesa e à segurança, com integração de armamentos, sensoriamento, inteligência artificial e plataformas aéreas e terrestres não tripuladas.

A proposta abrange aplicações de reconhecimento, logística, defesa antidrone e apoio de fogo. Entre os sistemas apresentados está o TAS, drone armado que já realizou demonstrações com munição real para o Exército Brasileiro. Segundo a companhia, o projeto integrado tem horizonte de três anos e pode chegar ao mercado por etapas, com sistemas operando individualmente antes da integração completa.

Em entrevista ao LRCA, posteriormente reproduzida no site da Taurus, Salesio Nuhs explicou que a empresa pretende concentrar competências próprias em integração, programas de missão, autonomia, comando e controle e integração de armamentos. Componentes e tecnologias especializados podem vir de parceiros. Essa divisão de trabalho ajuda a definir o novo posicionamento como desenvolvedora e integradora de sistemas de armas. 


Exército e Fuzileiros Navais participam do desenvolvimento 
A aproximação com os usuários militares dá conteúdo prático à estratégia. Em comunicado de agosto, a Taurus anunciou um Memorando de Entendimento com o Exército Brasileiro, firmado por Salesio Nuhs e pelo chefe do Estado-Maior do Exército, general de exército Francisco Humberto Montenegro Júnior. Como primeira ação, foram fornecidos 55 armamentos para experimentações doutrinárias e avaliações técnicas e operacionais.

O instrumento prevê também avaliações logísticas, intercâmbio de conhecimento e identificação de possibilidades de desenvolvimento conjunto. A finalidade é confrontar os equipamentos com necessidades reais de emprego e subsidiar decisões sobre sua eventual adoção.

Com o Corpo de Fuzileiros Navais, a Marinha assinou em 10 de fevereiro de 2026 um Protocolo de Intenções para estudos técnicos e análises de viabilidade de armas leves, coletivas e drones armados. Conforme a Agência Marinha de Notícias, em texto reproduzido pela Tecnologia & Defesa, cabe ao CFN definir necessidades e avaliar os materiais no ambiente operacional, enquanto a Taurus oferece engenharia e suporte aos testes.

O protocolo tem vigência de dois anos e não prevê transferência de recursos entre os participantes. Eventuais aquisições dependerão de instrumentos posteriores. O BNDES manifestou apoio institucional e disponibilidade para analisar futuros projetos conforme seus procedimentos. Em esclarecimento ao LRCA, a Taurus confirmou que a cooperação com os Fuzileiros Navais segue em paralelo ao trabalho com o Exército. 



A Índia ganha peso na expansão da Taurus 
As iniciativas mostram frentes complementares de expansão. Nos Estados Unidos, a Taurus entra em novas categorias e amplia produtos associados às suas armas. No Brasil, além de lançar uma linha completa de novos produtos em calibre permido e estar obtendo excelentes resultados, procura transformar sua experiência industrial em capacidade de integração de sistemas e desenvolver soluções com participação dos usuários militares. Na Índia, a JD Taurus consolida a fabricação local, amplia o catálogo e conquista encomendas de diferentes instituições.

Nesse conjunto, os resultados indianos oferecem uma base comercial concreta. As certificações anunciadas reforçam a estrutura de qualidade que acompanha essa trajetória, enquanto os novos produtos e contratos mostram que a operação asiática já participa ativamente da expansão internacional da fabricante brasileira.

29 setembro, 2026

Telebras coordenará rede com tripla redundância para transmitir a Copa Feminina de 2027

Contrato de R$ 230,5 milhões prevê circuitos de alta capacidade, participação de outras operadoras e infraestrutura pronta em maio de 2027

Imagem meramente ilustrativa

*LRCA Defense Consulting - 29/09/2026

A Telebras será responsável por uma rede de telecomunicações que deverá conectar os oito estádios da Copa do Mundo Feminina da FIFA 2027 a um centro de transmissão no Rio de Janeiro. O contrato com o Ministério das Comunicações (MCom), divulgado em 29 de setembro, tem valor estimado de R$ 230,5 milhões e prevê uma solução com trajetos independentes, redundância e participação obrigatória de outra operadora em parte das conexões.

O termo de referência consultado pela LRCA detalha exigências que ajudam a dimensionar a operação. Além de transportar áudio, vídeo, sincronismo e dados, a Telebras deverá coordenar a implantação, os testes, a manutenção e o suporte durante o evento. Os requisitos descrevem o que deve ser entregue, sem comprovar que a rede já esteja instalada.

Três circuitos por estádio 
Cada estádio deverá ser atendido por três circuitos independentes, identificados como azul, vermelho e verde, com percursos geograficamente distintos e sem pontos críticos comuns. Cada circuito terá duas vias redundantes, com capacidade mínima de 50 gigabits por segundo (Gbps) por via. A arquitetura busca reduzir o risco de que uma falha comprometa simultaneamente os caminhos disponíveis para a transmissão.

A rede conectará os estádios Mineirão, Mané Garrincha, Castelão, Beira-Rio, Arena Pernambuco, Maracanã, Fonte Nova e Arena Corinthians ao centro de transmissão previsto no Píer Mauá. Um estúdio em Copacabana contará com os mesmos requisitos de tripla abordagem e redundância. O centro também será interligado a dois pontos de presença internacionais, a serem indicados pela FIFA/HBS na região metropolitana do Rio.

Os acessos gerenciados à internet deverão ser fisicamente separados da rede de contribuição audiovisual, com segregação de cabos, rotas, equipamentos e operação. O documento proíbe até mesmo o compartilhamento do cabo óptico utilizado pelos circuitos que transportarão os sinais das transmissões.

Outra operadora terá participação obrigatória 
A diversidade de fornecedores integra as exigências técnicas. Pelo menos um dos três circuitos de cada estádio e do estúdio de TV deverá ser fornecido por uma operadora de telecomunicações distinta da Telebras. A condição procura evitar que todos os caminhos dependam exclusivamente de um único prestador.

O termo permite a contratação de terceiros para fornecer capacidade de rede, circuitos, obras civis, lançamento de cabos e outros serviços complementares, mediante autorização prévia da Administração. A Telebras, porém, manterá a responsabilidade integral pelo desempenho e pela entrega da solução. A documentação examinada não identifica quais operadoras participarão. 

Imagem meramente ilustrativa

Testes e operação concentram metade do valor 
O valor de R$ 230.525.371,93 está distribuído em cinco etapas. O planejamento técnico representa 2%, cerca de R$ 4,61 milhões; a implantação, 40%, aproximadamente R$ 92,21 milhões; os testes e o comissionamento, 20%, cerca de R$ 46,11 milhões; a operação assistida e o período crítico, 30%, aproximadamente R$ 69,16 milhões; e a desmobilização e documentação final, 8%, cerca de R$ 18,44 milhões.

Assim, metade do montante está vinculada às etapas de testes e operação. Elas incluem validação de desempenho e redundância, monitoramento contínuo, manutenção, suporte e tratamento de incidentes. Os pagamentos dependerão dos serviços efetivamente executados, medidos e aceitos pela Administração.

Segundo o termo de referência, a pesquisa de preços produziu uma estimativa de R$ 236,13 milhões. A proposta da Telebras ficou aproximadamente R$ 5,61 milhões abaixo, uma diferença de 2,38%. Essa comparação registra a posição da proposta em relação à referência do MCom; por si só, não comprova economia efetiva na execução.

Rede pronta antes da abertura 
O cronograma prevê uma prova de conceito no primeiro trimestre de 2027. A infraestrutura deverá estar implantada, testada e pronta para serviço até 15 de maio, antes do jogo de abertura, em 24 de junho. A operação plena deverá ser mantida até 25 de julho, com permanência do serviço até o dia 26 e posterior desmobilização segura.

A vigência prevista é de 12 meses. Embora haja possibilidade de prorrogação pelo período necessário à conclusão do escopo, o termo ressalva que isso não altera automaticamente as datas críticas de entrega. Atrasos injustificados poderão resultar em ajustes de pagamento e sanções.

A contratação direta foi formalizada pela Dispensa de Licitação nº 90011/2026. Conforme o termo de referência, o fundamento inclui o artigo 75, inciso IX, da Lei nº 14.133/2021 e o artigo 27 da Lei nº 15.421/2026, que prevê a contratação da Telebras para os serviços necessários ao evento.

Contratações complementares e legado
Em uma frente distinta, a Telebras anunciou o Pregão Eletrônico/SRP nº 35/2026, com abertura prevista para 2 de outubro. O objeto abrange vistorias, projetos e implantação ou expansão de infraestrutura, mencionando expressamente a Copa Feminina. Como também contempla outras demandas da estatal, seu eventual valor não pode ser tratado automaticamente como despesa adicional do torneio.

O alcance do legado permanente ainda exige esclarecimentos. O escopo prevê desativação, retirada ou regularização de equipamentos e documentação final. Assim, não é possível afirmar que todo o valor contratado será convertido em infraestrutura incorporada ao País. Será necessário conhecer quais ativos permanecerão em operação, sua destinação e as condições de aproveitamento após a competição. 
 
Telebras e as comunicações estratégicas do País
A Telecomunicações Brasileiras S.A. (Telebras) é uma sociedade de economia mista de capital aberto vinculada ao Ministério das Comunicações. Atua no fornecimento de conectividade à administração pública, no apoio a provedores regionais e na execução de políticas de inclusão digital. Sua infraestrutura reúne mais de 30 mil quilômetros de rede de fibra óptica e serviços por meio do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas (SGDC), que amplia o alcance das conexões em território brasileiro.

A companhia também é credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED), condição formalizada pela Portaria GM-MD nº 2.526, de 6 de junho de 2025, publicada em 11 de junho daquele ano. O credenciamento insere a Telebras entre as empresas reconhecidas por sua relevância para a segurança e a defesa nacionais, em consonância com sua atuação nas comunicações estratégicas do Estado e na soberania das telecomunicações do País. 

28 setembro, 2026

Contrato transferido à Avibras Aeroco prevê mais de 3 mil foguetes para o ASTROS

Documentos da contratação de R$ 60,8 milhões detalham aquisição de munições SS-09 TS e SS-30 pelo Exército, com maior parcela do valor destinada ao treinamento das guarnições

Imagem renderizada e meramente ilustrativa


*LRCA Defense Consulting - 28/09/2026

O contrato de R$ 60,8 milhões do Exército Brasileiro cuja transferência para a Avibras Aeroco foi noticiada nesta segunda-feira, 28 de setembro, prevê a aquisição de 3.072 foguetes para o sistema ASTROS. A composição da compra foi identificada pela LRCA Defense Consulting no contrato original e em seu termo de referência, disponíveis no Portal Nacional de Contratações Públicas (PNCP).

São 2.624 foguetes AV-SS-09 TS, empregados no treinamento, e 56 contêineres AV-CL/SS-30 completos, cada um com oito foguetes SS-30, totalizando outras 448 munições. Os documentos esclarecem o objeto do Contrato nº 130/2023, que não estava discriminado no extrato de transferência descrito pela Revista Sociedade Militar.

Segundo a publicação, o ato divulgado no Diário Oficial da União de 25 de setembro registra a sub-rogação total do contrato da Avibras Divisão Aérea e Naval S/A para a Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda., com transferência dos direitos e obrigações. O valor informado permanece em R$ 60.800.818,56 e a vigência se estende até 31 de dezembro de 2026.

O que compõe os R$ 60,8 milhões
Firmado pelo Centro de Obtenções do Exército em 30 de novembro de 2023, o Termo de Contrato nº 130-COEx/CSUP está vinculado ao processo administrativo 64488.052709/2023-42. Sua cláusula primeira apresenta os dois itens, também relacionados no Termo de Referência nº 107/2023.

Os 2.624 foguetes AV-SS-09 TS foram contratados pelo preço unitário de R$ 14.464,78, somando R$ 37.955.582,72. Já os 56 contêineres completos com SS-30 custam R$ 407.950,64 cada, em um total de R$ 22.845.235,84. A soma corresponde exatamente ao valor global divulgado.

A quantidade de 3.072 foguetes é a prevista na contratação original. Ela não deve ser interpretada como o número de munições ainda pendentes de entrega à Força Terrestre, pois os documentos examinados não permitem estabelecer esse saldo.

Treinamento concentra a maior parcela do valor 
Os foguetes AV-SS-09 TS representam aproximadamente 62,4% do valor contratado. Documentação técnica do Instituto Militar de Engenharia identifica o modelo como foguete de treinamento solo-solo. Uma publicação da revista Doutrina Militar Terrestre, do Exército, destaca que seu emprego reduz os custos do treinamento das guarnições ASTROS em atividades como escolas de fogo.

Essa composição evidencia uma dimensão relevante da aquisição: o suprimento de munições para sustentar o adestramento. O treinamento com tiro real complementa a disponibilidade dos lançadores e permite exercitar as equipes que operam o sistema.

O objeto discriminado nos documentos compreende essas duas modalidades de fornecimento. Não há, nessa relação, aquisição de viaturas lançadoras nem contratação de mísseis táticos de cruzeiro ou balísticos.

Entrega prevista em Formosa e prorrogações
O termo de referência original estabelecia entrega em até 300 dias após a assinatura, em remessas parceladas conforme o cronograma da proposta. O recebimento deveria ocorrer no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, no Forte Santa Bárbara, em Formosa (GO). A vigência inicial era de 480 dias, e a garantia contratual mínima dos bens, de cinco anos a partir do recebimento definitivo.

O prazo de vigência foi posteriormente ampliado. O extrato do aditivo nº 1/2025, assinado em 21 de março e publicado no DOU de 25 de março de 2025, prorrogou o contrato até 24 de março de 2026, mantendo o valor total informado. Em março de 2026, o Atlas Público noticiou outra prorrogação, até 31 de dezembro daquele ano.

A transferência agora noticiada insere o compromisso de fornecimento na nova estrutura empresarial da Avibras. Seu significado é a continuidade de uma contratação existente, com a substituição da empresa responsável por seus direitos e obrigações, sem que o valor divulgado caracterize uma nova compra em setembro.

Execução ainda precisa ser esclarecida
O contrato original e o termo de referência permitem identificar os produtos, as quantidades e os preços pactuados. Entretanto, não mostram quantas munições já foram entregues e aceitas, os pagamentos realizados ou o cronograma atualizado do saldo remanescente.

A sub-rogação, por si só, também não comprova a retomada das entregas. O avanço documentado nesta apuração é a identificação precisa da encomenda cuja continuidade foi noticiada: foguetes para o sistema ASTROS, com participação expressiva das munições destinadas ao treinamento de suas guarnições.

Da falange ao algoritmo, a guerra certamente mudou. E a Defesa?


 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/09/2026

A história da guerra é, em grande medida, a história da adaptação. Quando lutar isoladamente deixou de ser suficiente, surgiram formações capazes de transformar homens em força organizada. Macedônios combinaram falanges, cavalaria e infantaria. Romanos acrescentaram flexibilidade, comando e logística.

A lição atravessa o tempo, nenhuma vantagem militar é permanente. Organizações também não sobrevivem apenas do passado.

No século XX, a combinação de armas tornou-se condição para vencer. No século XXI, continua necessária, mas já não é suficiente. O campo de batalha passou a integrar terra, mar, ar, espaço, ambiente cibernético e espectro eletromagnético. Drones observam e atacam. Satélites orientam operações. Inteligência artificial processa dados em velocidade crescente. Sistemas não tripulados, guerra eletrônica, sensores e redes encurtam o tempo entre detectar, decidir e agir.

Isso muda também o papel da indústria de defesa.

Já não basta fabricar uma excelente plataforma isolada. Um blindado, aeronave, navio ou míssil será tão eficaz quanto sua capacidade de comunicar, receber dados, operar sob interferência, proteger seus acessos e integrar-se aos demais meios. A nova combinação de armas é também uma combinação de tecnologias.

Para o Brasil, há aqui uma questão estratégica. Temos empresas, centros de pesquisa, universidades, engenheiros e programas militares. Mas possuir competências dispersas não significa possuir capacidade de combate integrada. Entre tecnologia e poder militar estão doutrina, escala, orçamento, treinamento e integração.

Forças Armadas e Base Industrial de Defesa não podem caminhar em pistas paralelas. A Força precisa indicar o problema operacional, a indústria, transformar a necessidade em solução, a academia, ampliar o conhecimento, e o Estado, assegurar continuidade. Sem demanda previsível, a indústria não investe. Sem indústria nacional robusta, a autonomia militar diminui. E sem doutrina atualizada, até a melhor tecnologia pode ser apenas equipamento caro.

O maior perigo é preparar estruturas para a guerra conhecida enquanto possíveis adversários se preparam para a próxima.

A falange foi revolucionária. A legião também. O carro de combate, o avião e o míssil igualmente. Hoje, a transformação passa pela integração de sensores, dados, inteligência, ciberdefesa, sistemas autônomos e decisão.

A história militar é severa com quem demora a aprender, tecnologia sem doutrina é ferramenta, doutrina sem indústria é intenção, e Forças Armadas sem capacidade de adaptação podem descobrir tarde demais que estavam prontas para a guerra de ontem. 
 
E o Brasil está pronto para a nova era ou ainda joga os dados da Segunda Grande Guerra?
 
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.  

Da prancheta do RUSI à trincheira ucraniana, o Super Tucano entra na disputa pela caça aos drones russos

Enquanto um estudo britânico propõe uma esquadrilha da OTAN de treinadores armados, a iniciativa de Kiev por 24 A-29 revela o nicho em que a aeronave da Embraer leva vantagem, mas esbarra no atual veto de Brasília



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LRCA Defense Consulting - 28/09/2026

Em menos de uma semana, dois movimentos vindos de lados diferentes do continente europeu chegaram à mesma conclusão: abater drones russos com caças de primeira linha e mísseis ar-ar de alto custo não é sustentável, e aviões de treinamento armados podem fazer o serviço por uma fração do preço. Em 19 de setembro, a agência Interfax-Ukraine noticiou que o ex-presidente ucraniano Petro Poroshenko trabalha para viabilizar a entrega de 24 A-29 Super Tucano, da Embraer, destinados à defesa da infraestrutura crítica do país. Quatro dias depois, o pesquisador Justin Bronk, do Royal United Services Institute (RUSI), o mais antigo think tank de defesa do mundo, publicou um estudo propondo a criação de um esquadrão multinacional da OTAN dedicado exclusivamente à interceptação de drones.

A aeronave brasileira aparece nas duas iniciativas, mas com pesos distintos. No texto britânico, ela é avaliada como excelente para uma parte da ameaça e insuficiente para outra. Na proposta ucraniana, é a escolha declarada. Entender essa diferença ajuda a medir, com realismo, o que o Super Tucano pode oferecer à guerra dos drones.

Um problema que já chegou ao espaço aéreo da Aliança 
O ponto de partida de Bronk é o aumento das incursões de drones russos de ataque unidirecional e de engodo no espaço aéreo de países da OTAN ao longo dos últimos 18 meses. Em setembro de 2025, F-35A holandeses derrubaram drones Geran ou Gerbera sobre a Polônia, provavelmente com mísseis AIM-120 AMRAAM. Em julho deste ano, F-16 romenos abateram ao menos três aparelhos; em agosto, um F/A-18 espanhol derrubou outro; e, em setembro, Eurofighter italianos abateram um drone não identificado sobre a Lituânia.

Na Ucrânia, a conta é ainda mais pesada. Segundo o pesquisador, os F-16 da Força Aérea ucraniana já derrubaram bem mais de mil drones desde 2024, mas o emprego intenso consumiu rapidamente a vida útil das células, gerou filas de manutenção e levou a uma séria escassez de mísseis ar-ar. Os serviços de inteligência ucranianos estimam que a Rússia produza cerca de 3 mil drones a jato por mês, o que torna a pressão barata para Moscou e cara para quem se defende.

A proposta do RUSI 
Bronk defende uma unidade de 16 a 24 aeronaves, com tripulações treinadas apenas para essa missão e destacamentos em alerta na Romênia, na Polônia e nos países bálticos. Os requisitos são exigentes: interceptar os Geran-3 e Geran-4 a jato à noite, com tempo ruim e sob interferência no GPS, já que uma capacidade limitada aos drones a hélice seria facilmente contornada pelos russos. O Geran-4, lembra o autor, voa em cruzeiro entre 350 e 500 km/h, dependendo da altitude, do combustível e da ogiva.

A aeronave ideal, segundo o estudo, precisa estar disponível rapidamente, custar bem menos que um caça para adquirir e operar, ter dois assentos (um para o piloto e outro para o operador de sensores) e atingir ao menos 300 nós (cerca de 555 km/h). Esse limiar foi informado ao pesquisador por um grupo de voluntários que já opera na Ucrânia um PC-9 armado com casulos de metralhadoras minigun de 7,62 mm. Com essa configuração, o PC-9 só alcança tal velocidade em mergulho, mas, ainda assim, o grupo derrubou vários Geran-3/4 de dia e à noite.

O que o estudo diz sobre o Super Tucano 
Na comparação entre os turboélices, o A-29 sai na frente do PC-9: é mais potente, continua em produção (o PC-9 não é mais fabricado) e foi projetado desde a origem como avião de ataque leve. Suas metralhadoras .50 ficam embutidas nas asas, o que gera menos arrasto que os casulos externos, e ele dispõe de torreta de sensores integrada. Bronk considera que o desempenho, a pilotagem, a aviônica e a cabine biposto missionizada tornam o Super Tucano plenamente adequado para interceptar os Geran-2 e Gerbera, movidos a hélice.

A ressalva vem em seguida. Para o pesquisador, o A-29 é mais lento em cruzeiro e em subida que o suíço PC-21 e não tem desempenho suficiente, com carga útil, para interceptar de forma confiável os Geran-3 e Geran-4 a jato, a não ser com vantagem de altitude e uma vetoração quase perfeita feita por um controlador. O PC-21, por sua vez, é rápido, mas suas asas pequenas não foram projetadas para armamento, e as leis de neutralidade da Suíça provavelmente impediriam a venda de uma versão armada.

Os treinadores a jato M-346, da Leonardo, e FA-50, da KAI, seriam muito eficazes, com radar no nariz e desempenho transônico, mas têm custos operacionais próximos aos de um F-16 ou Gripen, e as carteiras de pedidos empurrariam a formação do esquadrão para depois de 2030. A opção que o autor considera mais atraente é o L-39NG, da tcheca Aero Vodochody: custo de operação comparável ao de um turboélice, capacidade de manter 300 nós em voo nivelado com cargas externas e linha de produção com folga. Em avaliação feita em agosto de 2026, Bronk afirma ter interceptado alvos simulados da classe Geran-4 a até 270 nós (cerca de 500 km/h) em média altitude.

Quanto ao armamento, o estudo prefere foguetes guiados de 70 mm às metralhadoras. A ogiva de um Geran, que pode chegar a 90 kg, costuma explodir quando atingida e ameaça o interceptador que dispara de perto; além disso, os projéteis que erram o alvo caem sobre território amigo. As opções citadas são o APKWS II, da BAE Systems, e o LGR275, da Thales, que custam entre 25 mil e 50 mil dólares por disparo. Para os europeus, o foguete francês teria vantagem, porque o fornecimento do APKWS pelo sistema Foreign Military Sales ficou difícil desde que os Estados Unidos passaram a empregá-lo em larga escala contra drones iranianos, a partir de fevereiro de 2026.

A escolha anunciada na Polônia 
Do lado ucraniano, Poroshenko afirmou que, durante a MSPO 2026, feira de defesa realizada em Kielce, na Polônia, entre 8 e 11 de setembro, negociou com representantes da Embraer e definiu uma frota de 24 Super Tucano. Ele apresentou a proposta em uma reunião da bancada do seu partido, o European Solidarity, com o ministro da Defesa, Yevhen Khmara. Segundo o ex-presidente, as aeronaves seriam empregadas contra os Geran, inclusive os de propulsão a jato, e contra o míssil de cruzeiro de baixo custo S8000 Banderol. O plano prevê negociar a operação por meio de um país da OTAN que mantenha contratos relevantes com o Brasil, e Poroshenko disse esperar receber os aviões até o fim do ano.

A iniciativa precisa ser lida com as devidas proporções. Poroshenko governou a Ucrânia entre 2014 e 2019 e hoje lidera um partido de oposição ao presidente Volodymyr Zelensky; não fala, portanto, em nome do governo. A Embraer não anunciou contrato nem respondeu às perguntas da Folha de S.Paulo sobre o assunto, e o país da OTAN mencionado não foi identificado. Como a LRCA Defense Consulting apontou em 21 de setembro, Portugal é o candidato mais provável: contratou 12 A-29N em dezembro de 2024, tornando-se cliente lançador da versão adaptada aos padrões da Aliança, recebeu as cinco primeiras unidades em dezembro de 2025 e abriga a OGMA, controlada pela Embraer em parceria com o Estado português. Lisboa não se manifestou.

Por que o interesse ucraniano pesa... e muito
Mesmo com essas ressalvas, a iniciativa tem um valor que nenhum estudo de gabinete substitui. A Ucrânia conhece, como nenhum outro país, a ameaça dos Geran em todas as suas versões, e conhece também as plataformas disponíveis: a própria solução improvisada que inspirou o estudo britânico, o PC-9 armado dos voluntários, é um turboélice fora de produção. O Super Tucano representa, na prática, a versão industrial e em série dessa ideia, com metralhadoras internas, sensores integrados, cabine blindada e ampla experiência em combate real.

O interesse também não é novo nem circunstancial. Em 2019, uma delegação da Força Aérea ucraniana avaliou a aeronave no Brasil como possível substituta dos L-39, e Zelensky tratou do tema com o então presidente Jair Bolsonaro. O pedido foi recusado pelo governo brasileiro em 2022 e novamente em 2023, já na gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. Sete anos depois da primeira visita, e agora com uma missão concreta, o avião brasileiro volta ao centro dos planos de Kiev.

A Embraer, por sua vez, vem preparando o A-29 exatamente para esse papel. Em novembro de 2025, anunciou uma configuração antidrones com sensores, enlaces de dados, foguetes guiados a laser APKWS e metralhadoras .50, e passou a conduzir uma prova de conceito com um país não identificado. Em março de 2026, firmou parceria com a americana Valkyrie Aero para integrar ao Super Tucano o sistema Gunslinger, que emprega inteligência artificial na detecção, acompanhamento e neutralização de ameaças não tripuladas. Segundo a fabricante, 22 forças aéreas já escolheram o A-29, que acumula mais de 600 mil horas de voo.

A diferença de avaliação entre o RUSI e a proposta ucraniana também se explica pelo cenário. Bronk pensa em uma unidade de policiamento aéreo em tempo de paz, que precisa neutralizar sozinha uma incursão pontual, muitas vezes noturna e com drones a jato escolhidos justamente para testar a defesa. A Ucrânia enfrenta ondas mistas, que combinam Geran-2 a hélice, engodos Gerbera e vetores a jato, dentro de uma defesa em camadas com radares, artilharia antiaérea, guerra eletrônica, drones interceptadores e caças. Nesse ambiente, uma aeronave barata, persistente e altamente eficaz contra os alvos mais lentos libera os F-16 e os mísseis para as ameaças mais velozes. É o nicho que o próprio estudo britânico reconhece ao A-29.

O limite, porém, permanece. A velocidade máxima do Super Tucano, próxima de 590 km/h em condições ideais, não permite perseguir pela retaguarda um Geran-5, estimado em até 600 km/h, e deixa margem reduzida diante do Geran-4. Contra esses vetores, o A-29 dependeria de alerta antecipado, vantagem de altitude e armamento guiado, como a própria LRCA já havia ressaltado. Apresentá-lo como solução universal contra os drones russos, como sugere o discurso de Poroshenko, seria prometer mais do que a aeronave pode entregar.

O obstáculo político-ideológico em Brasília 
O caminho por um terceiro país tampouco resolve a questão política. Integrantes do governo brasileiro disseram à Folha de S.Paulo, em reportagem publicada em 21 de setembro, que nenhum pedido chegou ao Itamaraty e que, se chegar, o veto ao fornecimento militar à Ucrânia continua valendo. A legislação exige autorização do governo para a reexportação de produtos de defesa, de modo que aeronaves vendidas a Portugal só poderiam seguir para Kyiv com o aval do País. Pelo Decreto nº 9.607, de 2018, que instituiu a Política Nacional de Exportação e Importação de Produtos de Defesa (PNEI-PRODE), a exportação depende da anuência do Ministério da Defesa, ouvido o Ministério das Relações Exteriores.

Não há proibição legal automática, já que não existe embargo do Conselho de Segurança da ONU contra a Ucrânia, mas a posição adotada desde 2022 tem sido constante. Além dos pedidos pelo Super Tucano, o Brasil recusou a cessão de munições para os blindados Gepard e Leopard alemães enviados a Kiev e as solicitações ucranianas de viaturas Guarani, inclusive em versão ambulância. No entanto, o atual status quo poderá mudar caso o atual presidente do País não consiga se reeleger. 

A validação está na vitrine, e isso é muito importante para a Embraer 
Para a fabricante, o episódio funciona como vitrine, independentemente do desfecho. O Super Tucano foi citado como opção viável por um dos analistas de poder aéreo mais respeitados da Europa e escolhido por atores ucranianos que lidam diariamente com a ameaça. A validação ocorre justamente no momento em que a empresa tenta transformar Portugal em polo europeu do A-29N e oferecer a aeronave como resposta de baixo custo a um dos maiores desafios da guerra moderna.

O teste decisivo, porém, não será o discurso, mas a missão bem delimitada. Se for vendido como caçador de Geran-2, de Gerbera e de parte dos vetores a jato, integrado a uma rede de sensores e armado com foguetes guiados, o Super Tucano tem argumentos sólidos, reconhecidos até mesmo por quem prefere um concorrente. Se for vendido como resposta a todos os drones russos, estará exposto à comparação com jatos mais rápidos, terreno em que o estudo do RUSI já apontou a sua desvantagem.

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