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05 maio, 2026

Escudo invisível: Exército Brasileiro adota tecnologia de Guerra Eletrônica para proteger tropas em missões de paz

 

*LRCA Defense Consulting - 05/05/2026

Em qualquer coluna de viaturas, blindadas ou não, que percorre estradas em zonas de conflito, a maior ameaça muitas vezes não é visível a olho nu. Enterrado na beira de uma estrada, dentro de uma carcaça de animal, sob uma pedra ou embutido num veículo abandonado, o Artefato Explosivo Improvisado - IED, do inglês Improvised Explosive Device, é a arma mais letal dos conflitos assimétricos modernos. Barato, de fácil construção e altamente eficaz, ele pode ser acionado remotamente por celular, rádio ou qualquer outro sinal de radiofrequência. É a principal causa de baixas em operações de contrainsurgência e manutenção da paz ao redor do mundo.

É contra essa ameaça que o Exército Brasileiro vem investindo em uma solução de ponta: os equipamentos interferidores anti-RCIED (Radio-Controlled IED), sistemas de Guerra Eletrônica (GE) capazes de criar um verdadeiro escudo eletromagnético ao redor das tropas em deslocamento.

O que é um sistema anti-RCIED?
Um IED de acionamento remoto (RC-IED) funciona como um circuito de dois polos: um transmissor nas mãos do atacante e um receptor ligado ao detonador da bomba. Para neutralizá-lo, basta interromper esse elo de comunicação antes que o sinal chegue ao explosivo.

É exatamente isso que os sistemas de Guerra Eletrônica anti-RCIED fazem. Conhecidos também como sistemas CREW (Counter Radio-Controlled Improvised Explosive Device Electronic Warfare), eles emitem sinais interferidores em múltiplas faixas de frequência simultaneamente, bloqueando qualquer tentativa de acionamento remoto na área de proteção da viatura ou fração.

Os equipamentos podem ser instalados em viaturas ou operados de forma portátil por militares a pé. O hardware central é o jammer, um bloqueador de sinal, cujos softwares embarcados permitem atualizações constantes para acompanhar novas frequências e técnicas de detonação utilizadas por grupos hostis. A eficácia do sistema depende justamente dessa capacidade adaptativa: à medida que adversários descobrem novas formas de acionar IEDs, o sistema precisa ser atualizado para continuar bloqueando os sinais.

O resultado operacional é a criação de uma "bolha" de proteção eletromagnética ao redor da tropa em movimento, um escudo invisível, mas de enorme valor tático.

A inserção no UNPCRS: marco histórico e exigência tecnológica
O contexto em que o Exército Brasileiro avança na adoção dessas tecnologias é especialmente relevante. Em 7 de abril de 2025, a Força Terrestre alcançou um marco inédito: pela primeira vez em sua história, obteve a certificação de suas tropas no Nível 3 do United Nations Peacekeeping Capability Readiness System (UNPCRS), o Sistema de Prontidão de Capacidades de Manutenção da Paz das Nações Unidas.

Essa certificação atesta que as unidades estão aptas a se desdobrar rapidamente em qualquer missão de paz da ONU, atendendo aos rigorosos critérios internacionais de treinamento, equipamento e disponibilidade de pessoal e meios. O Brasil disponibiliza ao sistema da ONU um Batalhão de Infantaria Mecanizado, uma Companhia de Infantaria Mecanizada de Força de Reação Rápida (QRF) e uma Companhia de Engenharia de Força de Paz, totalizando 1.130 militares, homens e mulheres.

O processo de certificação envolveu inspeções conduzidas por equipes da ONU em Cascavel (PR) e São Gabriel (RS), onde os observadores internacionais analisaram de perto o nível de prontidão dos militares, as condições dos equipamentos e viaturas e a estrutura de apoio logístico. A preparação foi conduzida sob coordenação do Comando de Operações Terrestres (COTER) e do Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), abrangendo tanto o "pacote verde", o treinamento militar convencional, quanto o "pacote azul", voltado às exigências específicas da ONU.

A adoção de equipamentos anti-RCIED está diretamente ligada a esse processo. Cenários de missões de paz modernos, especialmente no Oriente Médio, África Subsaariana e regiões instáveis, são marcados pela presença de grupos armados não-estatais que fazem uso intensivo de IEDs como arma assimétrica contra forças regulares. Estar certificado pela ONU no nível mais elevado de prontidão implica dispor dos meios tecnológicos adequados para operar com segurança nesses ambientes.

Do campo de batalha à doutrina: modernização em múltiplas dimensões
A incorporação dos sistemas interferidores não se limita ao aspecto material. O COTER destaca que a adoção dessas tecnologias está impulsionando a modernização da doutrina militar, ao integrar novos equipamentos ao processo de preparo da tropa e ao ciclo de planejamento operacional.

Na prática, isso significa que os militares passam a ser treinados para operar em ambientes com restrições eletromagnéticas, compreendendo tanto as capacidades como as limitações dos sistemas anti-RCIED que, ao bloquear sinais de rádio na área de proteção, podem igualmente interferir nas próprias comunicações amigas se não forem gerenciados corretamente.

Esse desafio, ou seja, proteger sem comprometer a capacidade de comunicação interna, exige protocolos operacionais específicos e pessoal altamente capacitado. O Centro de Instrução de Guerra Eletrônica do Exército (CIGE), em Brasília, é a principal referência nacional nessa área, tendo formado dezenas de especialistas em Guerra Eletrônica das três Forças nos últimos anos.

Além disso, o emprego dos sistemas anti-RCIED amplia a interoperabilidade do Exército Brasileiro com forças internacionais. Países como Estados Unidos, França, Reino Unido e membros da OTAN empregam amplamente essas tecnologias em suas tropas destacadas no exterior. Ao adotar padrões compatíveis, o Brasil facilita a coordenação tática em operações multinacionais e fortalece sua credibilidade como parceiro estratégico confiável.

Impacto na Base Industrial de Defesa
Além do ganho operacional imediato, a aquisição e eventual desenvolvimento nacional de equipamentos de Guerra Eletrônica tem reflexos importantes para a Base Industrial de Defesa (BID) brasileira.

A BID reúne empresas públicas e privadas responsáveis pelo desenvolvimento e produção de sistemas, equipamentos e serviços de defesa. O Brasil vem investindo de forma crescente no setor: o governo aprovou, em 2025, um pacote de R$ 113 bilhões em investimentos em defesa até 2026, com foco em blindados, sistemas de radar, drones, guerra eletrônica e cibernética.

O desenvolvimento nacional de capacidades anti-RCIED pode estimular empresas brasileiras a avançar em áreas como eletrônica embarcada, gestão do espectro eletromagnético e sistemas de comunicações táticas. A demanda gerada pelas Forças Armadas funciona, historicamente, como vetor de desenvolvimento tecnológico de alto impacto, com efeitos que transbordam para setores civis da economia.

O Ministério da Defesa lançou, em 2026, um catálogo oficial da BID com o objetivo de ampliar a presença do Brasil no mercado internacional de tecnologia militar, um cenário em que a capacidade de exportar sistemas de proteção eletrônica pode representar um diferencial competitivo relevante.

Brasil: uma tradição de paz com crescente capacidade de combate
O compromisso do Brasil com as operações de manutenção da paz das Nações Unidas é antigo e consistente. Desde 1947, o país participou de mais de 50 operações de paz, contribuindo com mais de 55 mil militares, policiais e civis em contingentes multinacionais. Missões em Angola, Moçambique, Timor-Leste, Líbano e, notavelmente, o Haiti (onde o Brasil liderou a MINUSTAH por mais de uma década) consolidaram a reputação brasileira como peacekeeper confiável e profissional.

Agora, com a certificação no Nível 3 do UNPCRS e a incorporação de tecnologias de Guerra Eletrônica, o Exército Brasileiro dá um salto qualitativo. O que muda não é apenas o equipamento, mas a capacidade de proteger seus soldados em cenários cada vez mais complexos e de fazê-lo alinhado aos mais altos padrões internacionais exigidos pela ONU.

Como destaca o COTER, mais de 80% do efetivo brasileiro no Nível 3 de prontidão da ONU pertence ao Exército, evidenciando o protagonismo da Força Terrestre no esforço nacional de manutenção da paz. Com o escudo eletromagnético dos sistemas anti-RCIED, esses militares partem para qualquer missão com uma camada adicional de proteção invisível para o inimigo, mas fundamental para que cheguem em segurança ao destino.

Glossário

Termo

Significado

IED

Improvised Explosive Device - Artefato Explosivo Improvisado

RC-IED

IED de acionamento remoto por rádio (Radio-Controlled IED)

Anti-RCIED

Sistema eletrônico que bloqueia o acionamento remoto de IEDs

CREW

Counter Radio-Controlled IED Electronic Warfare - Guerra Eletrônica contra RC-IEDs

GE

Guerra Eletrônica

UNPCRS

United Nations Peacekeeping Capability Readiness System  - Sistema de Prontidão da ONU para Operações de Paz

COTER

Comando de Operações Terrestres

CCOPAB

Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil

BID

Base Industrial de Defesa

QRF

Quick Reaction Force - Força de Reação Rápida

Embraer C-390 Millennium: o slide que previu o futuro

Em outubro de 2024, um documento interno da Embraer listou três países que ainda não eram clientes do C-390: Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Chile. Ontem, os EAU acabaram de assinar o maior contrato internacional da aeronave. Restam dois países...

 

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LRCA Defense Consulting - 05/05/2026

Em outubro de 2024, durante a Conferência de Usuários do C-390 Millennium realizada em São José dos Campos (SP), um slide institucional da Embraer circulou em uma rede social, publicado por um participante do evento. Ao lado dos operadores confirmados, três países figuravam inesperadamente: Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Chile. A LRCA Defense Consulting foi pioneira na publicação da revelação. Hoje, um desses três países converteu o interesse em um grande contrato.

Em 4 de maio de 2026, a história do C-390 Millennium ganhou mais um capítulo decisivo. Os Emirados Árabes Unidos assinaram, no evento "Make It in the Emirates 2026", em Abu Dhabi, o maior contrato internacional já celebrado para a aeronave de transporte militar da Embraer: dez pedidos firmes e dez opções, totalizando potencialmente 20 aeronaves. O ato se deu na presença do Vice-Presidente dos EAU, Sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, e do CEO da Embraer Defense & Security, Bosco da Costa Junior.

Para quem acompanhava os movimentos do mercado desde outubro de 2024, o desfecho não era surpresa. Ele estava, literalmente, escrito num slide.

O maior contrato da história do programa
O acordo com os Emirados Árabes Unidos representa não apenas uma conquista geográfica, a primeira venda do C-390 para o Oriente Médio, mas também um recorde quantitativo. Se o país exercer todas as opções, terá uma frota de C-390 superior à do próprio Brasil, que possui 18 aeronaves encomendadas (dado da Embraer, embora o contrato, em seu 
9º Termo Aditivo, seja para 19 unidades). É o tipo de validação que, na indústria de defesa, ecoa por anos nas salas de decisão de ministérios ao redor do mundo.

O processo que antecedeu o contrato foi rigoroso. Os Emirados realizaram uma campanha de avaliação técnica e operacional que incluiu testes do avião nas condições ambientais e geográficas locais. O resultado confirmou o que os operadores europeus já haviam verificado: taxas de prontidão operacional acima de 93% e de conclusão de missão superiores a 99%.

Paralelamente ao contrato de aquisição, a Embraer firmou um acordo exclusivo de parceria estratégica com a empresa emiradense Generation 5 Holding para o desenvolvimento de capacidades locais de Manutenção, Reparo e Revisão (MRO). O modelo industrial que combina compra e desenvolvimento de capacidade local é o mesmo que tem funcionado como argumento diferenciador da Embraer frente ao C-130J da Lockheed Martin em diversas disputas ao redor do mundo.

Imagem meramente ilustrativa

Marrocos: negociação avançada e urgência crescente
Com os EAU confirmados, restam dois dos três nomes do slide de outubro de 2024: Marrocos e Chile. E os sinais emanados de Rabat são cada vez mais concretos.

Em agosto de 2025, fontes especializadas já apontavam que as negociações entre Marrocos e a Embraer haviam atingido estágio avançado para a aquisição de quatro a cinco KC-390, em um contrato avaliado em torno de US$ 600 milhões. O país, além disso, já recebeu uma aeronave em regime de empréstimo para fins de avaliação e testes operacionais, o tipo de comprometimento logístico que, na gramática da indústria de defesa, raramente precede uma decisão negativa.

Cronologia Marrocos × C-390

  • Out/2024: bandeira marroquina aparece no slide da Conferência de Usuários do C-390.

  • Out/2024: Marrocos e Embraer assinam Memorando de Entendimento no Marrakech Air Show, incluindo plano de centro aeronáutico com investimento de US$ 1 bilhão.

  • Ago/2025: negociações são reportadas em estágio avançado; aeronave enviada para testes no país.

  • Abr/2025: delegação da Embraer visita Marrocos para avaliar cadeia de fornecimento aeroespacial.

  • Abr/2026: Min. Múcio anuncia missão internacional em junho para "fechar novas vendas", com Marrocos citado como uma das mais prováveis opções.

O contexto estratégico marroquino favorece a decisão. O país opera uma frota envelhecida de C-130H Hercules da Lockheed Martin, aeronaves cuja idade média e custo de manutenção crescentes pesam sobre o orçamento de defesa. A Embraer oferece um pacote completo de parceria industrial como contraproposta a uma oferta concorrente que prevê apenas a atualização de motores e aviônicos dos Hercules existentes, uma diferença qualitativa considerável para um país que busca modernização e autonomia industrial.

Há ainda a variável geopolítica. O C-390 é hoje operado por sete membros da OTAN e selecionado por 11 nações, incluindo países do Golfo Pérsico a partir de hoje. Essa constelação de operadores cria pressão de interoperabilidade e legitimidade que facilita decisões políticas internas em países que ainda hesitam.

Chile: sinais de Estado, não apenas de mercado
O caso chileno é igualmente revelador, embora num registro diferente. Enquanto Marrocos avança em negociação formal, o Chile articula sua decisão no plano político mais alto, e os gestos têm sido eloquentes.

Na primeira jornada da FIDAE 2026, realizada em abril em Santiago, o presidente José Antonio Kast posou junto à maquete do KC-390 ao lado do Comandante da Aeronáutica Brasileira, Tenente-Brigadeiro Marcelo Kanitz Damasceno, e do CEO da Embraer Defense & Security, Bosco da Costa Junior. No mesmo momento, o Ministro da Defesa Fernando Barros segurou um quadro representando o KC-390 com os emblemas da Força Aérea do Chile (FACh) e a inscrição: "KC-390, expressão de uma Aliança Estratégica orientada ao fortalecimento da cooperação e ao apoio à sociedade chilena."

A relação entre Chile e Embraer tem raízes profundas. Ainda em 2010, os ministros da Defesa do Brasil e do Chile assinaram uma declaração de intenções sobre eventual participação chilena no próprio programa de desenvolvimento do KC-390. Em 2024, Embraer e a estatal ENAER assinaram acordo de cooperação industrial estratégica. Em 2026, o país recebeu a aeronave de demonstração pela primeira vez com a nova pintura institucional. A escalada é evidente.

Analistas apontam razões objetivas para a compra: o Chile enfrenta um ambiente operacional desafiador, com frequentes desastres naturais, geografia acidentada e bases na Antártica que demandam alta confiabilidade logística. A frota de C-130H, incluindo ao menos uma aeronave que sofreu acidente, não atende mais às necessidades crescentes da FACh. A Colômbia, por sua vez, já deu um passo à frente: o presidente Gustavo Petro ordenou formalmente, em 30 de março de 2026, a compra de dois C-390 para substituir seus C-130H fora de serviço. O precedente vizinho é um argumento adicional.

Imagem meramente ilustrativa

Cronologia dos fatos

  • Set 2024: slide da Conferência de Usuários do C-390 lista Marrocos, EAU e Chile como próximos clientes. LRCA publica a revelação.

  • Out 2024: Marrocos e Embraer assinam MOU no Marrakech Air Show. CEO da Embraer confirma interesse dos três países, nega contratos firmados.

  • Ago 2025: negociações com Marrocos reportadas em estágio avançado para 4–5 aeronaves (≈US$ 600 mi). Aeronave enviada para testes in loco.

  • Abr 2026: FIDAE 2026: Presidente Kast e Min. Defesa do Chile posam com KC-390, sinalizando interesse de Estado.

  • Abr 2026: Min. Múcio anuncia missão internacional em junho para fechar contratos do C-390.

  • 4 Mai 2026: EAU assinam maior contrato internacional do C-390: 10 firmes + 10 opções. Primeira venda ao Oriente Médio.

A missão de junho e a janela de decisão
O ministro da Defesa brasileiro José Múcio Monteiro anunciou que realizará, em junho de 2026, uma missão internacional com o objetivo declarado de "fechar novas vendas" do C-390. O timing não é aleatório: junho marca o período pré-recessão do verão europeu, fase historicamente crítica para formalização de contratos de defesa. Mas Marrocos, destino africano e fora do calendário europeu, pode figurar na agenda pela lógica própria: a negociação está madura.

Panorama completo: candidatos ativos ao C-390 em 2026

  • Marrocos: negociação avançada. Aeronave em testes. Contrato estimado em US$ 600 mi. Inclui parceria industrial.

  • Chile: sinalização política de alto nível na FIDAE 2026. Cooperação com ENAER em vigor. Novo governo assume com força para decidir.

  • Grécia: decisão iminente para três aeronaves. C-390 favorito sobre o C-130J.

  • Polônia: Embraer propôs 20 aeronaves com produção localizada e transferência de tecnologia.

  • Colômbia: processo de compra formalmente iniciado por ordem presidencial em março de 2026.

  • Turquia: MOU assinado com Turkish Aerospace; negociações incluem coprodução.

Para a Embraer, o universo de candidatos simultâneos nunca foi tão amplo. O CEO Francisco Gomes Neto reconhece negociar com "5 a 10 países" ao mesmo tempo. A empresa projeta faturamento de US$ 10 bilhões até 2030, e o C-390 é o principal vetor dessa expansão. Com os Emirados convertidos, a pressão por mais fechamentos antes do verão europeu é real, e o governo brasileiro, ao assumir papel de facilitador diplomático, eleva a aposta.

O slide tinha razão...
Em outubro de 2024, quando o slide da Conferência de Usuários circulou pela imprensa especializada, a Embraer negou acordos firmados com Marrocos, Emirados Árabes Unidos e Chile, e tecnicamente, tinha razão. Nenhum contrato estava assinado. Mas a presença dos três países no documento não era especulação de mercado: era um posicionamento comercial oficial diante de clientes e parceiros, revelado antes do tempo.

Hoje, dezessete meses depois, um desses três assinou o maior contrato internacional do programa. Os outros dois avançam, cada um em seu ritmo e estratégia. 

O slide, afinal, não era uma previsão. Era quase um "relatório de situação".

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