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16 janeiro, 2026

Embraer aguarda definição de parceria na Índia para o fim do mês e reforça equipe local

Dois estados indianos disputam instalação da linha de montagem enquanto empresa reforça equipe local
 
Imagem meramente ilustrativa


*LRCA Defense Consulting - 16/01/2026

A fabricante brasileira de aeronaves Embraer se prepara para consolidar sua presença na Índia, mas a oficialização da parceria com o conglomerado Adani e a escolha do local para sua unidade industrial no país asiático ainda dependem de um comunicado oficial esperado para o final de janeiro, durante o salão aeronáutico de Hyderabad (28 a 31 de janeiro de 2026).

Segundo a mídia local, os estados de Andhra Pradesh e Gujarat travam uma acirrada competição para sediar a linha de montagem final (FAL) dos jatos comerciais E1 e E2 da Embraer. Ambos os estados estão entre os principais polos industriais da Índia e frequentemente disputam grandes projetos de investimento estrangeiro.

Andhra Pradesh apresenta como proposta o futuro Aeroporto de Bhogapuram, que está sendo desenvolvido pelo Grupo GMR com planos ambiciosos de criar um ecossistema aeroespacial de longo prazo na região. Já Gujarat oferece a cidade planejada de Dholera, através de uma possível joint venture com o Grupo Adani, com quem a Embraer mantém discussões avançadas para a instalação da fábrica.

Apesar dos relatos sobre as negociações em andamento, nenhuma confirmação oficial foi divulgada até o momento. A expectativa do mercado é que a Embraer faça um anúncio formal sobre a parceria e a localização escolhida nas próximas semanas, encerrando a incerteza que permeia o projeto.

Andhra Pradesh versus Gujarat: a disputa pelos céus
A competição entre os dois estados reflete suas diferentes forças e estratégias de desenvolvimento industrial. Ambos possuem argumentos sólidos para atrair a Embraer, tornando a decisão particularmente complexa.

Gujarat se destaca como a locomotiva exportadora da Índia, respondendo por aproximadamente 30% de todas as exportações nacionais. Esse histórico comercial robusto representa uma vantagem significativa para operações que envolvem cadeias de suprimentos globais e exportação de aeronaves. O estado tem investido fortemente em infraestrutura industrial moderna, com Dholera sendo projetada como uma cidade inteligente com zonas econômicas especiais voltadas para setores de alta tecnologia.

A possível parceria com o Grupo Adani, um dos maiores conglomerados indianos com forte presença em infraestrutura portuária, aeroportuária e logística, adiciona peso à proposta gujarati. O grupo possui expertise em grandes projetos industriais e conexões governamentais que poderiam facilitar licenciamentos e operações.

Andhra Pradesh, por sua vez, aposta no projeto transformador do Aeroporto de Bhogapuram. Desenvolvido pelo Grupo GMR, experiente operador aeroportuário na Índia, o local é apresentado não apenas como um aeroporto, mas como um futuro hub de produção aeronáutica com visão de longo prazo para criar um ecossistema completo da indústria aeroespacial.

O estado também demonstra ambição no setor energético, crucial para operações industriais de grande porte. O governo local estabeleceu metas agressivas para gerar 78 GW de energia solar e 35 GW de energia eólica até 2029, o que poderia garantir fornecimento sustentável e competitivo de energia para a futura fábrica da Embraer. 
 
Andhra Pradesh ainda figura entre os principais candidatos para abrigar futuras usinas nucleares da NTPC, além de ter sido destacado pela Agência Internacional de Energia (AIE) como região privilegiada para desenvolvimento de energia geotérmica. Com exportações superiores a US$ 20 bilhões, Andhra Pradesh também mantém forte vocação comercial internacional, embora em escala menor que Gujarat.

Ambos os estados compartilham vantagens estratégicas: localização costeira que facilita logística internacional, governos pró-negócios e infraestrutura em desenvolvimento. A Agência Internacional de Energia identificou tanto Gujarat quanto Andhra Pradesh como regiões prioritárias para projetos energéticos inovadores, incluindo energia geotérmica e nuclear, sinalizando compromisso com matriz energética diversificada e sustentável.

Movimento estratégico

Enquanto aguarda a oficialização do projeto industrial, a empresa já demonstra comprometimento com o mercado indiano ao reforçar sua estrutura local. A Embraer nomeou Aniruddho Chakraborty como Diretor de Comunicações para suas operações na Índia, função que abrangerá todas as divisões da companhia: comercial, defesa, aviação executiva e suporte e serviços.

Chakraborty, que possui vasta experiência no setor aeroespacial, chega à fabricante brasileira vindo da RTX, onde atuou como Diretor de Comunicação Externa na Índia e da Pratt & Whitney. Sua trajetória inclui ainda passagens pela Boeing India, Ericsson e como correspondente do The Economic Times.

A contratação ocorre após a inauguração, no ano passado, de um centro para operações da Embraer na Índia. A empresa está expandindo sua equipe no país para aproveitar as crescentes oportunidades nos setores aeroespacial e de defesa indianos, que têm atraído investimentos significativos de fabricantes globais.

A definição sobre a parceria com a Adani e a escolha entre Andhra Pradesh e Gujarat marcará um capítulo importante na estratégia de internacionalização da Embraer, posicionando a empresa brasileira em um dos mercados de aviação de mais rápido crescimento no mundo. 

15 janeiro, 2026

Eve Air Mobility garante financiamento de até US$ 15 milhões de bancos americanos para desenvolvimento de eVTOL

Acordo com EXIM Bank e PEFCO fortalecerá cadeia de suprimentos nos EUA e acelerará fase de testes da aeronave elétrica brasileira 


*LRCA Defense Consulting - 15/01/2026

A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer focada em mobilidade aérea urbana, anunciou nesta quinta-feira (15) um acordo de financiamento com duas instituições financeiras americanas que pode totalizar até US$ 15 milhões. Os recursos serão destinados exclusivamente a fornecedores americanos envolvidos no programa de desenvolvimento do veículo elétrico de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da companhia.

O financiamento será fornecido pela Export-Import Bank of the United States (EXIM Bank), agência de crédito à exportação do governo federal americano, em parceria com a Private Export Funding Corporation (PEFCO), corporação privada que trabalha em conjunto com o EXIM Bank para financiar exportações dos EUA.

Investimento em baterias e engenharia
Segundo o comunicado da Eve, os recursos do empréstimo serão aplicados na aquisição de baterias e serviços de engenharia fornecidos pela BAE Systems, gigante britânica de defesa e aeroespacial com operações significativas nos Estados Unidos. Esses componentes e serviços são considerados críticos para as fases de desenvolvimento e testes da aeronave eVTOL.

Eduardo Siffert Couto, diretor financeiro da Eve Air Mobility, destacou que o acordo representa um voto de confiança no modelo de negócios da empresa e no futuro da mobilidade aérea urbana. "Isso fortalecerá a cadeia de suprimentos da Eve nos EUA ao proporcionar flexibilidade financeira crítica, acelerando a adoção de viagens aéreas sustentáveis globalmente", afirmou o executivo.

Contexto estratégico
O anúncio ocorre em um momento crucial para a Eve, que compete em um mercado global aquecido de eVTOLs, com dezenas de fabricantes disputando posição para comercializar os primeiros táxis aéreos elétricos. A empresa já acumula um portfólio de mais de 2.900 encomendas condicionais de sua aeronave.

A decisão de estruturar o financiamento através do EXIM Bank também reflete a estratégia da Eve de fortalecer sua presença nos Estados Unidos, maior mercado potencial para mobilidade aérea urbana. Ao vincular os recursos a fornecedores americanos, a empresa não apenas diversifica sua cadeia de suprimentos, mas também constrói relacionamentos estratégicos com o ecossistema aeroespacial dos EUA.

A BAE Systems, escolhida como fornecedora principal neste acordo, possui expertise reconhecida em sistemas de energia e eletrônicos de aviação, áreas essenciais para o sucesso de aeronaves elétricas que dependem de tecnologia de baterias avançada e sistemas de gerenciamento de energia sofisticados.

Perspectivas
O financiamento oferece à Eve maior flexibilidade financeira durante a fase mais intensiva em capital de seu programa eVTOL. A empresa ainda não divulgou cronograma atualizado para início das operações comerciais, mas o investimento em desenvolvimento e testes indica progressão rumo à certificação da aeronave.

O mercado de mobilidade aérea urbana é visto como um dos segmentos mais promissores da aviação nas próximas décadas, com projeções que apontam movimentação de bilhões de dólares à medida que as regulamentações forem estabelecidas e a tecnologia amadurecer.

Quando o Estado falha, outros decidem

 


*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 15/01/2026

O que ocorreu recentemente na Venezuela não deve ser analisado com ingenuidade nem como se fosse um filme de ação. A justificativa formal, combate ao narcotráfico e a redes criminosas, é plausível, mas claramente incompleta. A história mostra que ações desse porte raramente se sustentam em um único motivo. Por trás do discurso oficial convivem interesses estratégicos clássicos, como energia, minerais críticos e influência regional.

A Venezuela concentra algumas das maiores reservas de petróleo do planeta e abriga áreas riquíssimas em ouro e minerais estratégicos. O chamado “ouro negro” sempre foi mais do que um recurso econômico, é instrumento de poder. 

Quando um país reúne riquezas estratégicas, fragilidade institucional e isolamento internacional, cria-se a combinação perfeita para intervenções, explícitas ou disfarçadas, que começam como ações pontuais e podem evoluir para algo mais duradouro.

É nesse contexto que surge uma hipótese incômoda, a possibilidade de a Venezuela caminhar para uma soberania condicionada, uma tutela de fato. Muitos recorrem à analogia com a Coreia do Sul, país onde fui adido militar entre 2016 e 2018, mas ela é enganosa. A Coreia do Sul é um Estado soberano com uma aliança militar formal, que traz benefícios e também ônus relevantes, inclusive a presença permanente de tropas estrangeiras em um contexto histórico e geopolítico muito específico. O risco venezuelano não é esse modelo, e sim outro, o controle externo sobre segurança, receitas estratégicas e decisões-chave sob o argumento de estabilização e combate ao narcotráfico. Quando isso ocorre, a soberania permanece no papel, mas se esvazia na prática.

O paralelo com o Brasil é inevitável. Também temos petróleo em escala relevante, no pré-sal e agora na foz do Amazonas, além de terras raras e minerais essenciais para a economia do século XXI, da transição energética à tecnologia e à indústria de ponta, como a aeronáutica. Soma-se a isso um problema grave: o controle territorial exercido por facções criminosas, que fragiliza o Estado e corrói sua autoridade.

Quem controla esses insumos não controla apenas mercados, influencia cadeias globais e decisões geopolíticas. Isso sempre foi assim. Mudam-se os discursos, não a lógica do poder.

Convém ser direto, o risco não está apenas nos recursos naturais, mas sobretudo na ausência de uma política de Estado consistente, sustentada por uma política séria de Defesa, planejamento de longo prazo e clareza estratégica. País que vive de improviso, com descontinuidade de projetos e ambiguidade externa, convida a pressões. A soberania começa no orçamento previsível e se consolida com instituições fortes e capacidade real de dissuasão.

A lição venezuelana é clara, soberania não pode ser só discurso, é construção diária. E cobra um preço conhecido, planejamento, orçamento e visão estratégica. Quem ignora isso, cedo ou tarde, aprende da forma mais dura. 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.  

14 janeiro, 2026

Marco tecnológico da OGMA reforça seu papel estratégico para a Embraer na Europa

Empresa portuguesa, controlada pela Embraer, entrega último C-130H modernizado à Força Aérea Portuguesa após projeto de sete anos que demandou mais de 100 mil horas de engenharia 

 

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LRCA Defense Consulting - 14/01/2026

A OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal anunciou a entrega da quarta e última aeronave C-130H modernizada à Força Aérea Portuguesa, marcando a conclusão de um dos projetos de atualização aviônica mais ambiciosos já realizados pela empresa. A entrega ocorreu em dezembro de 2025, na Base Aérea Nº 6, no Montijo, encerrando um ciclo iniciado em 2018 que transformou profundamente as capacidades operacionais da frota portuguesa de transporte militar.

O programa de modernização representou um desafio técnico de grande envergadura. Foram alocadas mais de 100 mil horas de engenharia no desenvolvimento e certificação da solução, com a produção de mais de 500 relatórios de engenharia e 1.000 desenhos técnicos. Em cada aeronave, foram instalados mais de 500 novos componentes e 16 quilômetros de cabeamento, totalizando mais de 100 mil horas de intervenção em hangar.

"Foi o contrato mais ambicioso de modificação de aeronaves levado a cabo pela OGMA", reconheceu Paulo Monginho, CEO da empresa, durante a cerimônia de entrega da primeira aeronave modernizada, em maio de 2024. O executivo destacou que o projeto demandou a dedicação conjunta de todas as áreas da OGMA, da Força Aérea Portuguesa e da Autoridade Aeronáutica Nacional.

Modernização alinha Portugal aos padrões europeus
A intervenção contemplou alterações estruturais e uma profunda modificação nos sistemas aviônicos das aeronaves, integrando novos equipamentos de navegação e comunicação que transformaram o cockpit do C-130H, equiparando-o aos padrões mais modernos da aviação militar mundial.

A modernização insere-se no programa europeu SESAR (Single European Sky ATM Research), que visa adaptar as aeronaves às atuais exigências do espaço aéreo europeu. O objetivo é incrementar a segurança na circulação aérea, aumentar o volume de tráfego, reduzir custos através de uma gestão mais eficiente de rotas de voo e minimizar o impacto ambiental das operações aéreas.

Cofinanciada por fundos europeus, a atualização assegura que a Força Aérea Portuguesa continue a cumprir suas missões em teatros nacionais e internacionais. Os C-130H garantem o transporte aéreo em operações militares e de interesse público, além de missões de patrulhamento marítimo e busca e salvamento.

OGMA: pilar estratégico da Embraer na Europa
A conclusão bem-sucedida do projeto de modernização dos C-130H reforça o papel estratégico da OGMA como principal ativo da Embraer no continente europeu. Desde 2004, quando a fabricante brasileira adquiriu o controle acionário da empresa portuguesa (atualmente detém 65% das ações, enquanto o Estado português mantém 35%), a OGMA passou por uma transformação profunda, consolidando-se como centro de excelência em manutenção aeronáutica e produção de aeroestruturas.

"Portugal é o país onde a Embraer mais investe em sua capacidade industrial fora do Brasil", afirmou Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer, destacando o compromisso de longo prazo da empresa com o desenvolvimento do ecossistema aeroespacial e de defesa português.

Os números comprovam essa estratégia: desde a privatização, a Embraer investiu mais de 500 milhões de euros na OGMA. Somente em 2024, a fabricante brasileira anunciou um aporte adicional de 90 milhões de euros para ampliar as capacidades da empresa portuguesa, especialmente voltadas para a produção dos aviões A-29N Super Tucano e a adaptação do KC-390 Millennium aos requisitos da OTAN.


Expectativas futuras: triplicar faturamento até 2030
As perspectivas para a OGMA são extremamente promissoras. A empresa, que deve encerrar 2025 com faturamento de 290 milhões de euros, tem como meta ambiciosa triplicar suas receitas até 2030, alcançando 1 bilhão de euros anuais, segundo projeções de Antonio Carlos Garcia, vice-presidente Financeiro da Embraer.

Diversos fatores sustentam esse crescimento projetado:

1. Centro de Manutenção de Motores GTF
Em 2024, a OGMA inaugurou uma unidade de manutenção dos motores turbofan Pratt & Whitney GTF, tornando-se o 18º centro autorizado da rede global e o oitavo na Europa. O investimento de 74 milhões de euros permitirá à empresa realizar manutenção dos motores PW1100G (usados nos Airbus A320neo) e PW1900G (que equipam os jatos E2 da Embraer). Este contrato pode gerar até 600 milhões de euros anuais e criar 300 novos empregos.

2. Produção do KC-390 Millennium
A OGMA é responsável pela fabricação de componentes estruturais críticos do cargueiro militar KC-390, incluindo a fuselagem central, os sponsons (carenagem do trem de aterragem) e os lemes de profundidade. Com mais de 20 países já tendo encomendado a aeronave e uma carteira de pedidos em expansão na Europa - incluindo Holanda, Áustria, República Tcheca, Suécia e Eslováquia -, a demanda por essas peças deve crescer significativamente.

Portugal, que adquiriu seis unidades do KC-390 e possui opção de compra para mais dez aeronaves (destinadas à venda para países aliados), recebe 10 milhões de euros por cada unidade vendida, beneficiando-se diretamente da expansão do programa.

3. A-29N Super Tucano: porta de entrada na OTAN
Em dezembro de 2025, a Embraer e o governo português assinaram uma carta de intenção para a criação de uma fábrica de produção dos aviões A-29N Super Tucano em Beja. Portugal tornou-se o primeiro país europeu a operar esta versão adaptada aos requisitos da OTAN, posicionando-se como potencial hub de montagem para outros países europeus interessados na aeronave.

A OGMA já realiza a integração de sistemas compatíveis com a OTAN nos A-29N e fornece suporte logístico para as aeronaves, consolidando sua expertise em modificações militares. O ministro da Defesa português, Nuno Melo, destacou que "Portugal é a porta de entrada para a Europa e para a OTAN destes investimentos".

4. Embraer Defense Europe
Em 2024, a Embraer inaugurou em Lisboa sua primeira subsidiária de defesa e segurança na Europa, com o objetivo específico de atender aos requisitos da OTAN e da União Europeia. A Embraer Defense Europe conta com capacidades de engenharia, logística e desenvolvimento de negócios, fortalecendo a presença da fabricante brasileira no mercado europeu de defesa.

Complementando essa estrutura, em agosto de 2025, a Embraer anunciou a criação da ATEC (Atech), nova subsidiária em Lisboa especializada em controle de tráfego aéreo e integração de sistemas de defesa, ampliando ainda mais seu portfólio de soluções tecnológicas no continente.

5. Expansão em Évora
Além da OGMA em Alverca, a Embraer mantém em Évora um centro de engenharia e tecnologia focado no desenvolvimento de peças e estruturas em materiais compósitos. A empresa anunciou a expansão dessas operações com a contratação de 20 engenheiros, reforçando a capacidade de inovação da presença portuguesa da fabricante.

Sede da OGMA em Alverca, Portugal

Posicionamento global e estratégia de expansão
O fortalecimento da OGMA faz parte de uma estratégia mais ampla da Embraer de expansão internacional. Em fevereiro de 2025, a fabricante anunciou um plano de investimentos de 20 bilhões de reais (3,3 bilhões de euros) até 2030 para aumentar a produção, desenvolver novos produtos e expandir negócios em mercados internacionais.

No âmbito da defesa, a Embraer também visa implantar linhas de produção do KC-390 na Polônia, com investimentos previstos de US$ 2 bilhões ao longo de dez anos. A escolha da Polônia como parceiro estratégico para montagem final das aeronaves objetiva atender à crescente demanda de países da OTAN, complementando a capacidade produtiva brasileira.

Portugal, através da OGMA, mantém-se como referência na Europa para manutenção, modernização e produção de componentes aeronáuticos. A expertise de mais de 100 anos de experiência, aliada aos investimentos contínuos da Embraer e à integração com programas estratégicos como o KC-390 e o A-29N, posicionam a empresa portuguesa como elemento-chave na expansão global da fabricante brasileira.

Impacto econômico e tecnológico
O sucesso da modernização dos C-130H demonstra a capacidade técnica da OGMA em projetos complexos de integração de sistemas aviônicos. Este conhecimento acumulado em mais de 40 anos trabalhando com a aeronave Hércules (a OGMA é centro de manutenção autorizado pela Lockheed Martin desde 1982) tornou-se um diferencial competitivo crucial.

"Foi um desafio para a Força Aérea que se superou na área da programação, da gestão, da manutenção, mas também foi fundamental para a capacitação da indústria aeronáutica nacional, nomeadamente da OGMA", reconheceu o General João Cartaxo Alves, à época Chefe do Estado-Maior da Força Aérea Portuguesa.

Com uma área superior a 400 mil metros quadrados, 10 hangares de manutenção, um moderno hangar de pintura, áreas de fabricação e uma pista de 3 mil metros, a OGMA emprega atualmente cerca de 2 mil trabalhadores. A meta de triplicar o faturamento até 2030 deve criar centenas de empregos qualificados, fortalecendo o cluster aeronáutico português.

Para a Embraer, a OGMA representa muito mais que uma subsidiária: é a plataforma estratégica que permite à fabricante brasileira consolidar sua presença no exigente mercado europeu, atendendo aos rigorosos requisitos da OTAN e da União Europeia, e competindo em igualdade de condições com os grandes players globais da indústria aeroespacial.

A entrega da última aeronave C-130H modernizada não é apenas o encerramento de um projeto bem-sucedido, mas a confirmação de que a aposta da Embraer em Portugal, iniciada há mais de 20 anos, está gerando frutos concretos, e que as melhores páginas dessa parceria estratégica ainda estão por ser escritas.

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