Pesquisar este portal

28 junho, 2026

Avibras Aeroco retoma produção e prepara dois novos mísseis após reestruturação

AV-MTC, o míssil de cruzeiro da Avibras, em imagem renderizada por IA

*LRCA Defense Consulting - 28/06/2026

A Avibras Aeroco, empresa criada a partir da reestruturação da antiga Avibras, afirma ter concluído as diligências jurídicas, contábeis, tecnológicas e comerciais herdadas do processo de recuperação judicial e já retomou a produção industrial. Em entrevista ao Estadão, reproduzida pelo portal MSN, o presidente da empresa, Sami Youssef Hassuani, detalhou o cronograma de entregas ao Exército Brasileiro e à Força Aérea Brasileira (FAB), o desenvolvimento de dois novos mísseis e a expectativa de antecipar a retomada das exportações.

Diligências confirmam ativos intactos
O processo começou em agosto de 2025, com a mudança de controle da Avibras. Dentro da recuperação judicial, criou-se a Avibras Aeroco, empresa que herdou todos os ativos e toda a propriedade intelectual da antiga companhia. Nos cerca de oito meses seguintes, a nova gestão realizou quatro diligências: jurídica, contábil e financeira, tecnológica e industrial.

Segundo Sami, a tecnologia está intacta, incluindo servidores, propriedade intelectual e desenhos de engenharia, assim como o maquinário e o parque industrial. Uma diligência comercial também foi feita, com visitas a clientes no Brasil e no exterior, sobretudo no Golfo e no Sudeste Asiático, onde, segundo o executivo, os clientes aguardam com expectativa a chegada da nova Avibras.

Produção industrial retomada
Concluídas as auditorias, a empresa instalou as áreas jurídica e comercial, religou toda a engenharia até março e retomou as atividades de procurement e de parcerias. O parque industrial foi revisado e a produção foi oficialmente reiniciada, ainda que dependa de um ramp-up gradual de cadência.

A prioridade de entrega, segundo o presidente, é o mercado interno. Ainda em 2026 estão previstos dois lotes de munições e peças de reposição para o Exército Brasileiro, além de itens para a continuidade do programa espacial conduzido com a FAB. Para 2027, a empresa projeta um salto de patamar, com entregas maiores ao Exército e novos contratos, incluindo desenvolvimentos inéditos.

Em entrevista em vídeo, via portal MSN, o presidente da empresa, Sami Youssef Hassuani fala ao Estadão

Dois mísseis novos em desenvolvimento
Entre os novos produtos está um míssil balístico guiado de 120 quilômetros de alcance, desenvolvido em conjunto com o Exército Brasileiro e aguardado tanto pelo mercado interno quanto por clientes externos. Já o míssil de cruzeiro de 300 quilômetros está praticamente pronto, em fase final de certificação.

O míssil tático balístico, de alcance menor que o de cruzeiro, tem voo supersônico e trajetória direta ao alvo, sem navegação por waypoints. Segundo o executivo, esse tipo de munição foi amplamente empregado na guerra na Ucrânia e em conflitos no Golfo. De acordo com informações inéditas reveladas ao perfil @Defence360 na rede social X pelo CEO da empresa, a Avibras Aeroco está desenvolvendo uma nova versão do seu sistema de artilharia de saturação, designada como ASTROS II MK7, com uma viatura lançadora 6x6 capaz de disparar o míssil tático balístico AV-SS 120 e que contará com maior autonomia operacional em relação às versões anteriores.

Exportações podem ser antecipadas para 2027
Todos os clientes ativos no exterior já foram recontatados, com visitas técnicas realizadas pela própria Avibras Aeroco. No curto prazo, as compras se concentram em peças de reposição, mas a empresa negocia também novos contratos de fornecimento.

O planejamento original previa a retomada das exportações apenas em 2028. Sami afirmou, porém, ter confiança de que produtos (não apenas peças) poderão começar a ser exportados já em meados de 2027, um ano antes do previsto, em razão do que descreveu como um mercado internacional aquecido.

O triângulo que protege a soberania
Ao falar sobre o contexto mais amplo da base industrial de defesa, Sami descreveu uma mudança de paradigma global a partir de 2022. Segundo ele, o entendimento anterior de soberania dividia-se entre dois grupos: o que via na capacidade de negociação diplomática o principal instrumento e o que apostava em forças armadas equipadas e treinadas. Para o presidente da Avibras Aeroco, os conflitos recentes mostraram que ambos os grupos estavam certos, mas incompletos.

Recém-chegado de um seminário internacional e de uma feira na França, o executivo afirmou que países sem capacidade industrial para repor estoques rapidamente e em grande escala perdem capacidade de combate em poucos dias, mesmo tendo poder de negociação e armamento inicial. Para ele, a capacidade industrial de reposição rápida de estoques passou a ser o terceiro vértice indispensável, ao lado da diplomacia e das forças armadas equipadas, para proteger a soberania de um país.

AV-SS 120, míssil balístico para ser lançado do ASTROS II MK7 (imagem renderizada por IA)

Integração entre inovação, indústria e orçamento
Questionado sobre o que falta ao modelo brasileiro, Sami reconheceu a limitação de recursos, mas apontou um problema estrutural anterior à questão orçamentária: a falta de integração entre os instrumentos disponíveis. Citou o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), como um mecanismo relevante de fomento à inovação, mas insuficiente quando desconectado das demais etapas da cadeia.

Segundo o executivo, o modelo internacional adotado a partir de 2024 e 2025 condiciona o financiamento à inovação à existência de um caminho claro de industrialização e de orçamento de compra, incluindo linhas de crédito do BNDES para expansão industrial e recursos orçamentários federais. Sem essa interconexão entre fomento, crédito industrial e orçamento de aquisição, afirmou, o dinheiro disponível continua disperso e a indústria não consegue se planejar.

Sami defendeu ainda a unificação das empresas do setor para que atuem de forma sinérgica, o que, em sua avaliação, permitiria distribuir demanda de maneira mais organizada por toda a base industrial de defesa brasileira.

Exército recebe CC2 Móvel Grande Unidade em Corumbá e amplia comando e controle do SISFRON no Pantanal

 


*
LRCA Defense Consulting - 28/06/2026

A 18ª Companhia de Comunicações, subordinada à 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal, recebeu, em Corumbá (MS), no dia 23 de junho, as três viaturas que compõem o Centro de Comando e Controle (CC2) Móvel Grande Unidade do Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON). A nova estrutura amplia a capacidade de comando e controle da brigada na fronteira oeste e se soma a um conjunto de entregas que, desde o final de 2025, vem sendo feito pelo Exército ao longo da faixa de fronteira.

Três viaturas, um único centro de comando
O CC2 Móvel Grande Unidade é composto por três viaturas integradas, batizadas de Autoridades, Células e Apoio de Tecnologia da Informação, cada uma com função específica dentro do conjunto. Juntas, elas formam um ambiente capaz de receber, analisar e difundir informações em tempo real, permitindo que o comandante e seu estado-maior planejem operações e emitam ordens a partir do próprio terreno, em vez de depender exclusivamente de centros fixos distantes da área de operações.

Segundo o Exército, o equipamento proporciona maior mobilidade, segurança e interoperabilidade ao permitir o gerenciamento e o compartilhamento de informações em tempo real durante as operações, contribuindo para o aumento da consciência situacional e para uma tomada de decisão mais ágil e precisa pelos comandantes nos diversos níveis. A entrega em Corumbá não é isolada: em 26 de novembro de 2025, o Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEx), em Brasília, já havia recebido sua própria unidade do mesmo modelo, que permanece sob responsabilidade da Companhia de Comando e Controle daquele comando.

 

Um projeto que já entregou dezenas de viaturas
O CC2 Mv Grande Unidade foi desenvolvido no âmbito do Projeto de Sensoriamento e Apoio à Decisão (Prj SAD 2), que integra a Fase 2 do SISFRON. A Embraer é a integradora principal desse projeto e, segundo informações institucionais, já superou a marca de 50 soluções veiculares entregues ao programa, entre viaturas de comunicações, centros móveis e postos de comando. Subcontratadas como a RF Com Ltda e a Iturri Brasil são responsáveis por transformar viaturas de transporte não especializadas em plataformas especializadas de comunicações, do tipo nós de acesso e postos rádio.

Ao todo, a Fase 2 do SISFRON prevê a entrega de 15 unidades de CC2 móveis, parte de um pacote mais amplo de viaturas táticas que também inclui dezenas de jipes Agrale Marruá convertidos em centros de comunicações e inteligência. A 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal já havia recebido, em dezembro de 2024, uma viatura especializada de comunicações site tático no âmbito do mesmo projeto, e, em setembro de 2024, o 17º Batalhão de Fronteira, também subordinado à 18ª Brigada, recebeu um Centro de Comando e Controle Transportável (CC2 Trnp), de menor porte que o modelo agora entregue à companhia de comunicações.

Por que a fronteira oeste
A 18ª Brigada de Infantaria de Pantanal responde pela vigilância de um trecho sensível da fronteira do Mato Grosso do Sul com a Bolívia e o Paraguai, área historicamente associada ao combate a crimes transfronteiriços, como contrabando e tráfico de drogas. O SISFRON nasceu justamente na região, com o projeto piloto implantado no Comando Militar do Oeste, e a fase atual busca consolidar e ampliar essa experiência para outros trechos da faixa de fronteira, que soma mais de 16 mil quilômetros.

Na prática, um CC2 móvel permite que uma operação de fronteira deixe de depender de um centro fixo distante e passe a contar com um posto de comando avançado, próximo às tropas. Isso reduz o tempo entre a detecção de um evento (por radar, câmera ou patrulha) e a resposta das tropas no terreno, ao conectar dados de sensores do SISFRON, patrulhas e até órgãos civis, como polícia e fiscalização, em um único quadro situacional.

 

Impacto para a base industrial de defesa
Para além do ganho operacional imediato, a continuidade das entregas do Prj SAD 2 reforça o papel da Embraer como integradora de sistemas terrestres complexos de comando, controle, comunicações, computação e inteligência, o chamado C4I, consolidando competências em software, cibersegurança e integração de sistemas dentro da Base Industrial de Defesa nacional. O programa integra o eixo de Inovação e Indústria da Defesa do Novo PAC do governo federal, o que assegura, ao menos no horizonte atual, a continuidade dos investimentos nas próximas etapas do SISFRON.

Enquanto uns vendem Defesa, nós vendemos discursos e promessas

 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/06/2026

Israel olha para a indústria de defesa e enxerga poder nacional. A Coreia do Sul olha para a indústria de defesa e enxerga desenvolvimento, exportação e influência. O Brasil olha para a indústria de defesa e, com sorte, enxerga uma rubrica no orçamento e normalmente um problema, tipo aquele “vamos dar poder para os militares?”. Quando o assunto é soberania, seguimos especialistas em discursos fortes e execução tímida.

A diferença começa no papel do Estado. Em Israel, o governo vende junto. A indústria produz, mas quem abre portas, negocia, dá garantia e transforma produto em aliança estratégica é o Estado. Lá, defesa não é passeio em feira internacional com aperto de mão e fotografia para rede social, o que normalmente fazemos aqui. É política externa aplicada.

Na Coreia do Sul, o método é ainda mais disciplinado. Compra interna, pesquisa, desenvolvimento, financiamento e exportação conversam entre si. As Forças compram em escala, a indústria ganha previsibilidade, o produto amadurece e depois sai para o mundo com crédito, suporte e pacote tecnológico. Simples? Não. É Óbvio? Bastante. Por isso mesmo talvez seja tão difícil por aqui.

No Brasil, a lógica parece invertida. Temos bons produtos, engenheiros competentes, militares experientes e empresas que sobrevivem apesar do ambiente. Mas compramos pouco, planejamos mal, cortamos muito e depois perguntamos por que a indústria não ganha escala. É como plantar uma árvore, cortar a raiz todo ano e reclamar que ela não dá sombra.

Israel usa inteligência para antecipar demanda e planejar vendas. A Coreia usa financiamento para conquistar mercado. O Brasil, muitas vezes, espera a oportunidade aparecer, torce para a empresa se virar e, se der certo, chama de política pública. Quando dá errado, a culpa costuma ser do mercado, do câmbio, da burocracia ou de algum relatório que ninguém leu.

A Base Industrial de Defesa brasileira não precisa de piedade. Precisa de método. Precisa de contratos plurianuais, compras previsíveis, financiamento ao comprador externo, atuação real dos adidos militares, vendas governo a governo com garantia soberana, offset cobrado de verdade e diplomacia comercial menos cerimonial.

Também precisa que o governo de turno entenda uma coisa básica: defesa não é gasto incômodo para fechar planilha. É seguro de vida da soberania, motor de tecnologia e crescimento. País que não protege sua indústria estratégica acaba comprando caro, importando dependência e chamando isso de modernização, o que fazemos hoje.

Israel e Coreia não chegaram onde estão por milagre. Chegaram porque decidiram. O Brasil já tem capacidade, mercado e talento. Falta abandonar a velha mania nacional de transformar oportunidade em comissão, comissão em relatório e relatório em reunião.

Enquanto eles exportam sistemas, nós ainda exportamos promessas. E promessa, em defesa, não protege fronteiras, não gera escala e não impõe respeito. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

Dobslit é credenciada como Empresa Estratégica de Defesa pelo Ministério da Defesa

 

*
LRCA Defense Consulting - 28/06/2026

A Dobslit Serviços e Tecnologias Quânticas anunciou ter recebido do Ministério da Defesa o credenciamento de Empresa Estratégica de Defesa (EED), distinção concedida a organizações consideradas essenciais para o desenvolvimento de competências tecnológicas de interesse nacional. Segundo a empresa, o reconhecimento consolida as tecnologias quânticas, computação quântica, comunicação quântica e sensoriamento quântico, como tema estratégico para a defesa, a segurança cibernética e a soberania tecnológica do Brasil.

O que é uma Empresa Estratégica de Defesa
A classificação de Empresa Estratégica de Defesa foi instituída pela Lei nº 12.598, de 2012, e teve seus critérios de credenciamento e descredenciamento atualizados pela Lei nº 14.459, de 2022, originada da Medida Provisória nº 1.123. De acordo com a norma, as EEDs são consideradas essenciais para a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro e fundamentais para a preservação da segurança e da defesa nacional contra ameaças externas. 

Para obter o credenciamento, a empresa precisa ter sede, administração e estabelecimento industrial no país, comprovar conhecimento científico ou tecnológico relevante e assegurar o controle acionário por brasileiros, admitida a participação estrangeira no capital. O processo é avaliado pela Comissão Mista da Indústria de Defesa (CMID), órgão assessor do Ministério da Defesa, após pré-cadastro da empresa no Sistema de Cadastramento de Produtos e Empresas de Defesa (SisCaPED). Até maio de 2024, segundo levantamento da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), o ministério havia credenciado 235 empresas entre EEDs e Empresas de Defesa (ED), a maioria delas voltada a segmentos tradicionais da base industrial de defesa, como armamentos, blindados e sistemas navais e aeroespaciais.

A trajetória da Dobslit
Fundada em 2021 em São Carlos, no interior de São Paulo, a Dobslit se apresenta como pioneira no país em tecnologias quânticas de segunda geração. A empresa nasceu da parceria entre o engenheiro Carlos Speglich e o pesquisador Rogerio Ruivo, com a colaboração do professor Celso J. Villas-Bôas, do Departamento de Física da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), referência em óptica e informação quântica. 

Sediada no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto, a Dobslit chegou a inaugurar, em parceria com a francesa Atos, o que descreveu como o primeiro simulador de computador quântico da América Latina, e levou ao SENAI de São Caetano do Sul, em 2023, o primeiro computador quântico de uso educacional instalado no Brasil, um equipamento de mesa baseado em ressonância magnética nuclear fabricado pela chinesa SpinQ. Entre seus clientes e parceiros declarados estão o Centro de Inovação QuIIN, da Embraer, com quem desenvolve algoritmos quânticos aplicados à manutenção preditiva de aeronaves, além de projetos de simulação com a Embrapii.

O Kuapoã e a aposta em segurança quântica
Entre os produtos mais recentes da empresa está o Kuapoã, um gerador de números aleatórios quanticamente seguros (QRNG, na sigla em inglês) apresentado pela Dobslit como projetado e fabricado no Brasil. O equipamento, em formato de rack de 2U, utiliza a aleatoriedade intrínseca de processos fotônicos para gerar números que a empresa classifica como imprevisíveis e não replicáveis por sistemas clássicos, com aplicação na geração de chaves criptográficas, no fortalecimento de protocolos como VPN, TLS e PKI, e na proteção de sistemas governamentais e militares. Segundo o comunicado que anuncia o credenciamento como EED, a participação da Dobslit no desenvolvimento do Kuapoã é citada como uma das iniciativas que reforçam o compromisso da empresa com a soberania tecnológica nacional no campo quântico.

O interesse das Forças Armadas em criptografia pós-quântica
O comunicado da Dobslit agradece nominalmente ao Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV), da Marinha do Brasil, por seu apoio às tecnologias emergentes do setor. O órgão, criado em 1975 e hoje com cerca de 250 profissionais dedicados a pesquisa operacional, computação, criptologia e segurança de sistemas digitais, tem ampliado nos últimos meses sua atuação em criptografia pós-quântica. Em 27 de maio, a Marinha realizou no Centro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro (CTMRJ) o primeiro Simpósio de Criptografia Pós-Quântica de Defesa, reunindo pesquisadores, universidades e empresas para discutir os riscos que futuros computadores quânticos representam para os métodos de criptografia hoje empregados na proteção de comunicações estratégicas. 

Para o diretor do CASNAV, capitão de mar e guerra Hugo Leonardo Fernandes da Costa, o avanço da computação quântica representa um dos grandes desafios da atualidade para a proteção da informação, especialmente no contexto da defesa, em que a segurança das comunicações e a preservação da soberania nacional possuem caráter estratégico.

Contexto internacional
O credenciamento da Dobslit ocorre em um momento de crescente atenção global às tecnologias quânticas de defesa. Segundo o próprio comunicado da empresa, diversos países têm realizado investimentos bilionários no setor, reconhecendo seu potencial para alterar o equilíbrio tecnológico, econômico e geopolítico nas próximas décadas. No Brasil, o tema ainda carece de uma política nacional consolidada, embora instituições de pesquisa e financiamento, como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), já tenham direcionado recursos à área; o CBPF inaugurou em junho deste ano um laboratório de tecnologias quânticas no Rio de Janeiro, fruto de um aporte de R$ 30 milhões com participação de MCTI, CNPq, Finep, Faperj, Fapesp e Petrobras. 

Com o credenciamento como EED, a Dobslit passa a integrar oficialmente a base industrial de defesa brasileira como representante das tecnologias quânticas, segmento até então pouco presente entre as empresas credenciadas pelo Ministério da Defesa, tradicionalmente concentradas em armamentos, plataformas e sistemas convencionais.

Postagem em destaque