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26 julho, 2026

KC-390 sobrevoa Belgrado em nova etapa da disputa por transportes militares na Sérvia

Demonstração do protótipo PT-ZNG na base aérea de Batajnica reforça avanço da Embraer sobre um mercado europeu historicamente dominado pelo C-130 Hercules
 
 
*LRCA Defense Consulting - 26/07/2026

Um Embraer KC-390 Millennium realizou, entre os dias 23 e 24 de julho de 2026, um voo de demonstração para a Força Aérea Sérvia (RViPVO), em Belgrado. A aeronave é o protótipo PT-ZNG (número de série 39000003), o terceiro exemplar construído do programa e usado pela Embraer como avião de demonstração em campanhas comerciais ao redor do mundo. Foi a primeira vez que o modelo visitou o país.
O avião chegou vindo diretamente do Farnborough International Airshow, na Inglaterra, onde havia sido exposto, com escala técnica em Budapeste. Pousou primeiro no Aeroporto Internacional Nikola Tesla, em Belgrado, e depois seguiu para a Base Aérea Coronel-piloto Milenko Pavlović, em Batajnica, sede da aviação militar sérvia.
Segundo relatos de entusiastas de aviação que acompanharam o pouso, a demonstração incluiu uma decolagem inicial rumo ao norte, com voltas sobre as cidades de Zrenjanin e sobre a região de Vojvodina, seguida de uma arremetida sobre Batajnica. A aeronave entrou então em um padrão de espera sobre Pančevo e, na sequência, realizou uma passagem baixa em alta velocidade sobre a base antes do pouso final. O vento soprava a 16 nós durante a manobra; tanto a arremetida quanto a passagem baixa foram feitas com vento de cauda direto.
Uma oferta ao Ministério da Defesa
A visita não é um evento isolado. Em fevereiro de 2026, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Sérvia, general Milan Mojsilović, confirmou, em entrevista ao jornal Politika, que o país avalia propostas para reequipar sua frota com novos caças multimissão, aviões de treinamento inicial e aeronaves de transporte. A demonstração do KC-390 em Batajnica é lida pela imprensa especializada sérvia como um movimento comercial direto da Embraer junto ao Ministério da Defesa e ao Comando da Força Aérea, na tentativa de se posicionar como candidata a essa futura aquisição.
Atualmente, o componente de transporte da RViPVO é formado por dois C295W da Airbus, adquiridos em 2023 por 81 milhões de euros (66 milhões pelas aeronaves e 15 milhões em equipamentos, treinamento e suporte logístico), além de um único An-26 de origem soviética ainda em condições operacionais. A frota é considerada pequena diante das ambições de modernização da força aérea sérvia, que também está incorporando 12 caças Rafale franceses.
Justamente a chegada dos Rafale dá relevância à variante tanque do C-390: pela primeira vez, a Sérvia terá caças com capacidade de reabastecimento em voo, e o KC-390 pode ser oferecido não apenas como transportador de tropas e cargas, mas também como plataforma de reabastecimento aéreo, reduzindo a dependência de aeronaves-cisterna dedicadas. O avião vem de fábrica equipado com dois sistemas de mangueira e cesto sob as asas, capazes de transferir até 1.500 litros de combustível por minuto, além de poder receber combustível de outro petroleiro por meio de sonda.

Vídeo com o KC-390 inicia aos 1:29 
Concorrência em várias frentes
O KC-390 não é o único avião estrangeiro apresentado recentemente em Batajnica. Em julho de 2025, a Embraer já havia levado ao mesmo aeródromo seu Super Tucano, de treinamento avançado e ataque leve; em fevereiro de 2026, foi a vez do concorrente americano Beechcraft AT-6B Wolverine, da Textron. Em março de 2026, a fabricante tcheca Aero Vodochody apresentou seu L-39NG, comercializado sob o nome Skyfox. No segmento de transporte pesado, a europeia Airbus já havia levado seu A400M à Conferência SEAS 2024, em Belgrado, destacando a capacidade de transportar viaturas blindadas Lazar 3 e BOV M-16 Miloš, além de helicópteros H145M, com autonomia suficiente para operar diretamente a partir da capital sérvia.
Paralelamente à visita do avião brasileiro, o primeiro-ministro tcheco, Andrej Babiš, esteve em Belgrado praticamente ao mesmo tempo, promovendo a venda do L-39NG e do transporte leve L-410, com condições de financiamento apresentadas como vantajosas. O Ministério da Defesa sérvio já solicitou a todos os fabricantes envolvidos, além dos parâmetros técnicos, as respectivas condições de crédito, passo que a imprensa local interpreta como indicativo de que o processo de decisão está em fase avançada.
Um programa em expansão}
O C/KC-390 Millennium nasceu de estudos da Embraer entre 2005 e 2007 e ganhou impulso em 2009, com um contrato de US$ 1,5 bilhão firmado com a Força Aérea Brasileira para a construção de dois protótipos. O primeiro exemplar voou em 3 de fevereiro de 2015, e a entrega em série ao Brasil começou em setembro de 2019. Portugal foi o primeiro cliente de exportação, com pedido de cinco aeronaves em 2019, depois ampliado; seguiram-se Hungria, República Tcheca, Áustria, Países Baixos, Coreia do Sul, Suécia e, em maio de 2026, os Emirados Árabes Unidos, com contrato para dez aeronaves e opção para mais dez. O cliente mais recente é a Grécia, cuja comissão parlamentar aprovou em junho de 2026 a compra de três unidades adicionais, via opções do contrato português, em negócio avaliado em cerca de 600 milhões de euros.
O preço unitário do KC-390 subiu de forma significativa ao longo dos anos: de uma estimativa inicial de US$ 50 milhões a US$ 55 milhões em 2016, para cerca de US$ 85 milhões no pedido húngaro de 2020, e para uma faixa entre 130 milhões e 150 milhões de euros no contrato conjunto de Áustria e Países Baixos, fechado em 2024. No acordo grego mais recente, o valor por unidade superou os 150 milhões de euros.
Por ora, não há confirmação de que a Sérvia tenha aberto um processo formal de aquisição de um novo avião de transporte pesado, nem prazo estabelecido para uma decisão. A demonstração em Batajnica indica, no entanto, que a Embraer já colocou o KC-390 na mesa de discussões do Ministério da Defesa sérvio, ao lado de outras plataformas ocidentais que disputam o mesmo espaço.

Hyperlift revela detalhes do motor RISCRAM e do projeto de um drone de combate hipersônico

Empresa paulista testa peças do motor supersônico em bancada e conta à LRCA como um projeto de foguete reutilizável virou a base de um UCAV militar 

Rendererização por IA do UCAV RISCRAM
 

*LRCA Defense Consulting - 26/07/2026

A Hyperlift Aerospace & Defense, empresa brasileira sediada em São Paulo, com laboratório de pesquisa e desenvolvimento em Belo Horizonte, está desenvolvendo um motor de propulsão chamado RISCRAM (Rocket Ignited Supersonic Combustion Ram Jet), capaz, segundo a empresa, de operar da velocidade zero até regimes hipersônicos. A tecnologia nasceu como um projeto de foguete reutilizável, mas hoje serve de base para um conceito de drone de combate supersônico, o UCAV (sigla em inglês para veículo aéreo de combate não tripulado) RISCRAM. Em entrevista concedida à LRCA Defense Consulting, o engenheiro aeroespacial Marco Gabaldo, CEO da empresa, detalhou a origem do projeto, o estágio atual dos testes e os principais desafios para transformar o conceito em um demonstrador voador.

O que é o RISCRAM
Na prática, o RISCRAM é um motor de ciclo combinado: em vez de usar um único tipo de propulsão, ele combina, em um mesmo corpo, características de turbojato, foguete e scramjet (motor de combustão supersônica), alternando entre eles conforme a velocidade e a altitude do voo. A vantagem dessa arquitetura é que ela permite decolar do solo, acelerar até velocidades hipersônicas (acima de cinco vezes a velocidade do som) e, no caso da versão original do projeto, ainda alcançar órbita baixa, tudo com o mesmo veículo.

O conceito nasceu em 2014, como uma patente do próprio Gabaldo em parceria acadêmica com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pensada para um lançador espacial reutilizável de dois estágios, capaz de colocar até 500 kg em órbita baixa. A associação com a marca comercial Hyperlift e a exploração de uma aplicação militar vieram alguns anos depois.

Da encomenda estrangeira ao conceito de drone de combate
Segundo Gabaldo, a virada para uma aplicação militar ocorreu em 2023, a partir de uma demanda de uma empresa do Catar, interessada em entrar no setor de defesa com um produto disruptivo. Foi esse contato que levou a Hyperlift a pensar, primeiro, em um drone supersônico e, na sequência, em um conceito mais ambicioso: um UCAV hipersônico movido a motor 
RISCRAM. O CEO afirma que a relação comercial com o cliente catariano não está mais ativa, em razão de mudanças internas no ministério da defesa do país e na equipe de contatos com a qual a Hyperlift dialogava.

A empresa mantém, internamente, um programa dedicado ao tema, mas boa parte dele é sigilosa, tanto pela versão militar simplificada do motor RISCRAM quanto pelo próprio projeto do drone. Segundo Gabaldo, as forças armadas brasileiras não demonstraram, até o momento, interesse formal pelo projeto.

Um conceito, não um produto fechado
Circulou recentemente nas redes sociais um resumo com especificações do conceito de UCAV 
RISCRAM: 4 metros de comprimento, 2,4 metros de envergadura, 1.400 kg de massa máxima de decolagem e um motor com cerca de 1.000 kgf de empuxo. Gabaldo confirmou que esses números partiram da própria Hyperlift, mas fez questão de relativizá-los: tratam-se de valores de um conceito inicial, que a empresa pode reformular a qualquer momento, conforme a necessidade de um eventual cliente. Ou seja, não há, por ora, um projeto de engenharia fechado, e sim um estudo conceitual em evolução.

Onde a tecnologia está hoje
Sobre o estágio real de maturidade, Gabaldo afirmou que já houve ensaios de queima em diferentes velocidades e que a bancada de testes está em evolução constante, incluindo câmeras e sistemas de medição mais precisos. Segundo ele, o programa se encontra hoje entre os níveis 4 e 5 da escala de maturidade tecnológica (a chamada TRL, de Technology Readiness Level), o que corresponde à validação em bancada de componentes como a entrada de ar e a câmara de combustão, ensaiados em um veículo de teste em escala reduzida, ainda distante de um motor completo e de um demonstrador voador.

A bancada de testes fica em Belo Horizonte, no laboratório Alfalab. Os ensaios contam com o apoio de um patrocinador do setor de metalurgia e fundição de Minas Gerais que, segundo Gabaldo, ainda não autorizou a divulgação de seu nome associado ao projeto RISCRAM; por isso, a LRCA optou por não identificá-lo nesta reportagem.

Como o motor funciona, da decolagem ao pouso
De acordo com a explicação fornecida pela Hyperlift, o voo de um veículo 
RISCRAM completo (na concepção original, de lançador reutilizável) seguiria quatro fases. Na decolagem e na aceleração inicial, um motor turbojato leva a aeronave a até Mach 2 ou 3, enquanto um foguete auxiliar ajuda a ganhar a velocidade necessária para a transição ao voo hipersônico. A partir de cerca de Mach 5, o turbojato é desligado e a propulsão passa a ser feita pelo motor RISCRAM/scramjet, que sustenta o voo em altitudes elevadas. Em seguida, à medida que o ar rarefeito reduz a eficiência do scramjet, o motor foguete assume sozinho a aceleração final até a órbita baixa, onde ocorreria a liberação da carga útil. Na reentrada, a sequência se inverte: o veículo volta ao regime hipersônico, depois transiciona de novo para o turbojato e realiza um pouso horizontal, em uma lógica operacional que a empresa compara à do ônibus espacial americano, embora com voo atmosférico autopropelido na fase final.

Vale reforçar que essa sequência completa de quatro fases descreve o conceito original do lançador espacial reutilizável. O drone de combate UCAV aproveitaria a mesma lógica de motor combinado, mas dispensaria as fases de inserção orbital e reentrada, por se tratar de uma aplicação atmosférica.

Do motor de foguete ao motor de guerra: o que muda
Segundo a Hyperlift, a versão civil do motor 
RISCRAM, pensada para o lançador espacial, é uma plataforma de grande porte, totalmente reutilizável, projetada para suportar dezenas ou centenas de ciclos operacionais, com foco em baixo custo por lançamento e uso de combustíveis comerciais de alta eficiência. Já a versão militar, destinada ao UCAV ou a um eventual míssil hipersônico, seria uma plataforma mais compacta e leve, de projeto descartável ou parcialmente sacrificável, pensada para uma única missão. Essa versão usaria combustíveis militares de maior densidade energética e maior estabilidade para armazenamento prolongado, priorizando aceleração, alcance e capacidade de sobrevivência em ambiente hostil, em vez de reutilização.

O que falta para sair do papel
Questionado sobre o principal obstáculo para avançar do conceito atual a um demonstrador voador, Gabaldo foi direto: dinheiro. Segundo ele, as etapas iniciais, de modelagem matemática e simulação computacional, já foram concluídas, e a fase de protótipos laboratoriais, com ensaios estruturais e de combustão em bancada, está em andamento. Já as etapas seguintes, que envolvem testes em túnel de vento, a construção de um demonstrador voador e uma campanha de ensaios em voo, dependem de captação de recursos, nacionais ou internacionais, que a empresa afirma buscar atualmente.

A empresa por trás do projeto
A Hyperlift divide sua estrutura entre São Paulo, onde ficam a engenharia, a administração e as áreas de marketing e financeiro, e Belo Horizonte, sede do laboratório de prototipagem e P&D. A empresa recruta estagiários de faculdades para tarefas específicas, por prazos limitados de 90 dias, sem envolvimento direto nos projetos em desenvolvimento. Os subsistemas de eletrônica e telemetria são terceirizados, com um parceiro espanhol e outro brasileiro. A equipe hoje é pequena (dois gerentes em um projeto e três em outro, além de terceirizados), mas a previsão da empresa é chegar a cerca de 15 pessoas assim que o principal aporte financeiro for confirmado. As prioridades de investimento para o próximo ano incluem a construção e os testes dos motores, além de sistemas de hidráulica, eletrônica, controle de fluxo, sistema de combustível, superfícies de controle, chassi e telemetria, somados a salários, bolsas e custos fixos como aluguel e consumíveis.

Nota metodológica
Esta reportagem é a primeira sobre o motor 
RISCRAM e o conceito de UCAV hipersônico da Hyperlift. As informações aqui apresentadas têm como origem principal entrevista concedida à LRCA Defense Consulting pelo CEO da empresa, Marco Gabaldo, complementada por dados públicos do Catálogo da Indústria Espacial Brasileira, mantido pela Agência Espacial Brasileira (AEB), e por registros de patente internacional ligados ao projeto. Especificações técnicas e cronogramas de desenvolvimento citados nesta matéria refletem o estágio conceitual do projeto, segundo descrito pela própria empresa, e podem ser alterados conforme sua evolução. Não houve, até o fechamento desta matéria, verificação independente das informações fornecidas pela Hyperlift. O tema do revestimento LEAR, também desenvolvido pela empresa, não é abordado nesta matéria e poderá ser tratado posteriormente.

Abaixo, segue a versão da matéria em inglês técnico. 

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Hyperlift reveals details of the RISCRAM engine and unveils a hypersonic combat UCAV concept

Brazilian company validates key propulsion components on a ground test rig and explains to LRCA how a reusable launch vehicle evolved into the foundation of a next-generation hypersonic combat aircraft.

*LRCA Defense Consulting – July 26, 2026


Hyperlift Aerospace & Defense, a Brazilian aerospace company headquartered in São Paulo with an R&D laboratory in Belo Horizonte, is developing the RISCRAM (Rocket Ignited Supersonic Combustion Ramjet), a combined-cycle propulsion system that, according to the company, is intended to operate from zero airspeed to sustained hypersonic flight. Originally conceived for a reusable launch vehicle, the technology has evolved into the basis of a conceptual hypersonic Unmanned Combat Aerial Vehicle (UCAV). In an exclusive interview with LRCA Defense Consulting, CEO and aerospace engineer Marco Gabaldo discussed the origins of the program, its current stage of development and the technical and financial challenges that remain before a full-scale flight demonstrator can be built.

What is RISCRAM?
RISCRAM combines turbojet, rocket and scramjet operating modes within a single propulsion architecture, allowing the vehicle to transition between propulsion cycles as speed and altitude increase. The original concept envisioned a reusable two-stage launch vehicle capable of placing payloads of up to 500 kilograms into low Earth orbit. Today, the same propulsion philosophy underpins studies for future military applications, including a hypersonic UCAV.
 
From space access to defense
Gabaldo explained that interest from a Qatari customer in 2023 prompted Hyperlift to investigate military applications. Initial work focused on a supersonic unmanned aircraft before evolving into a more ambitious hypersonic combat platform. Although that commercial relationship has since ended, the company continues internal development of the concept. Much of the program remains confidential, and no formal Brazilian government requirement has yet been announced.

Technology readiness
According to Hyperlift, combustion tests have already been completed under different operating conditions, while the ground-test infrastructure continues to be upgraded with more advanced instrumentation. The company estimates that the program currently lies between Technology Readiness Levels (TRL) 4 and 5, representing laboratory validation of critical technologies such as the inlet and combustion chamber rather than an integrated flight-ready propulsion system.
 
Operational concept
In the reusable launch vehicle configuration, propulsion would begin with turbojet operation supported by a rocket booster during acceleration. At approximately Mach 5, propulsion transitions to scramjet mode for sustained hypersonic atmospheric flight. At higher altitudes, where air density becomes insufficient, rocket propulsion would complete orbital insertion. The military UCAV concept would retain the atmospheric combined-cycle architecture while eliminating the orbital insertion and re-entry phases.

Civilian and military configurations
The reusable civilian configuration prioritizes operational longevity, low launch costs and commercial propellants. By contrast, the military variant is envisioned as a lighter, more compact system optimized for a single mission, employing high-energy-density military propellants and emphasizing acceleration, operational range and survivability rather than reusability.
 
The next milestone
Gabaldo identified funding as the program's principal challenge. Numerical modelling and computational simulations have been completed, while laboratory validation is under way. Wind-tunnel campaigns, construction of an integrated flight demonstrator and an eventual flight-test program will depend on securing additional investment from domestic or international sources.

Editorial note
This English-language edition has been prepared in a style consistent with international aerospace and defense publications, preserving the technical meaning of the original interview while employing terminology commonly used throughout the global aerospace industry. Technical specifications reflect Hyperlift's current conceptual design baseline.

KC-390: o elogio do Min. da Defesa belga e a lacuna de transporte tático que a Embraer pode preencher

Ministro da Defesa visitou o KC-390 em Farnborough e definiu a aeronave como capaz de preencher "a lacuna que sentimos com muita frequência: capacidade robusta de transporte tático"


*LRCA Defense Consulting - 24/07/2026

O ministro da Defesa da Bélgica, Theo Francken, visitou o estande da Embraer durante o Farnborough International Airshow 2026 e conheceu de perto o KC-390 Millennium. Em publicação na rede social X, descreveu o encontro com a fabricante brasileira como "uma boa conversa" e definiu a aeronave como uma capaz de preencher "a lacuna que sentimos com muita frequência: capacidade robusta de transporte tático". 

A fala, e a lista de operadores europeus que ele citou (Portugal, Países Baixos, Áustria, Suécia e República Tcheca), foram registradas por portais nacionais e internacionais como mais um encontro de vitrine do salão britânico. Um exame do quadro real da frota belga sugere que há mais substância na declaração do que aparenta.

Uma frota reduzida a uma única aeronave
A Força Aérea Belga operou o Lockheed C-130H Hercules entre 1971 e 2021, quando o modelo foi retirado de serviço e substituído pelo Airbus A400M Atlas, frota de oito unidades compartilhada com Luxemburgo desde 2020, no âmbito do programa multinacional conduzido pela OCCAR. Desde a baixa do Hercules, a Bélgica não opera nenhuma outra aeronave de asa fixa dedicada a transporte tático. O A400M, maior e mais caro que o KC-390, foi concebido como plataforma híbrida entre a capacidade tática e a estratégica, e sua operação exige pistas mais longas e infraestrutura mais robusta, o que limita seu emprego em cenários de pouso em pistas curtas ou não preparadas, missão típica do segmento em que o cargueiro brasileiro compete.

O vazio não se resume, portanto, a uma lacuna pontual de capacidade: é a ausência completa de uma segunda opção abaixo do A400M. A própria Airbus já reconheceu publicamente que as duas aeronaves podem se complementar, a depender da demanda de cada país, leitura que reforça a hipótese de que Bruxelas avalia uma solução tática mais leve, e não uma substituição do A400M. 

O precedente esquecido
Há um capítulo pouco lembrado na relação entre a Bélgica e a Embraer. Entre a década de 2000 e 2020, o transporte VIP do alto escalão do governo belga foi realizado por jatos regionais ERJ-135 e ERJ-145, também fabricados pela companhia brasileira, até serem substituídos pelo Dassault Falcon 7X, de origem francesa. É a única aeronave tripulada não fabricada em país-membro da OTAN que a Bélgica já operou em toda a sua história. O dado não configura, isoladamente, qualquer indicação de preferência atual, mas mostra que o relacionamento entre Bruxelas e a Embraer não começa em Farnborough 2026.

 

O pano de fundo europeu
O interesse belga, ainda que informal, se insere em um movimento mais amplo. Desde 2022, a Agência Europeia de Defesa (EDA) estuda um programa de transporte tático médio (Future Medium Transport Capability, ou FMTC), concebido como aeronave complementar e mais leve que o A400M para substituir frotas envelhecidas de C-130 Hercules, C-27J Spartan e CASA C-295 ainda em operação na Europa. O KC-390 é hoje o modelo mais associado a esse nicho no continente.

A lista de operadores europeus citada por Francken cresce por meio de um padrão recorrente: aquisições conjuntas. Países Baixos e Áustria assinaram contrato compartilhado de nove aeronaves em Farnborough 2024, cinco para os holandeses e quatro para os austríacos, dentro do projeto "Replacement of Tactical Airlift Capacity". A Suécia aderiu ao mesmo acordo-guarda-chuva em 2025, garantindo entrega mais rápida e custo menor por operar como parte de um lote já em produção. 

Em Farnborough 2026, a Embraer ainda anunciou pacotes de treinamento e simuladores para Suécia e Áustria, e a República Tcheca recebeu sua primeira aeronave, batizada "Karel Toman-Mareš" durante o salão. Esse modelo de adesão a um contrato-guarda-chuva já existente reduz o custo político e orçamentário de uma eventual entrada belga no programa, caso a sinalização de Francken avance.

Da cortesia ao contrato: como ler o sinal
Declarações de ministros da Defesa em salões aeronáuticos nem sempre evoluem para contratos, e o histórico recente do próprio programa KC-390 oferece parâmetro para essa leitura. No caso do Marrocos, o interesse percorreu um caminho gradual e verificável: aparição em slide institucional da Embraer em outubro de 2024, Memorando de Entendimento no mesmo mês, empréstimo de uma aeronave para avaliação em 2025, até chegar a negociações reportadas em estágio avançado. No caso belga, até o fechamento desta matéria, não há registro de memorando, pedido formal de proposta (RFP) ou dotação orçamentária associada ao KC-390. Há apenas a visita ao estande, a fala pública e o quadro estrutural de frota que a sustenta.

Se a sinalização avançar, o caminho mais provável para a Bélgica não é um processo competitivo isolado, mas a adesão ao contrato-guarda-chuva já em vigor entre Países Baixos, Áustria e Suécia, replicando o modelo que tem sustentado a expansão do KC-390 na Europa desde 2023.

Taurus lança o T4 Executive Grade na Shot Fair Brasil 2026, fuzil multicalibre de acabamento premium

Nova versão do T4 permite alternar entre os calibres 5,56x45mm, .223 Rem e .300 BLK por meio de dois uppers intercambiáveis, e chega ao mercado com acabamento em Cerakote tungstênio, gatilho flat e coronha retrátil de seis posições  

Imagem renderizada com base em original da Taurus

*LRCA Defense Consulting - 26/07/2026

A Taurus Armas apresentou, na Shot Fair Brasil 2026, realizada de 15 a 18 de julho no Distrito Anhembi, em São Paulo, o fuzil T4 Executive Grade, uma versão premium da consagrada plataforma T4, calibre 5,56x45mm. O lançamento foi confirmado por um informativo técnico da própria companhia (nº 087, emissão de maio de 2026, SKU 087-10036517) e circulou entre o público da feira por meio de relatos de visitantes e criadores de conteúdo especializados em armamento, entre eles Enrico de Marchi e Samuel Cout, que registraram a novidade diretamente no estande da fabricante.

O principal diferencial do T4 Executive Grade em relação à versão convencional do fuzil é o sistema de upper duplo e intercambiável, que permite ao usuário alternar entre três calibres numa mesma arma: 5,56x45mm, .223 Remington e .300 Blackout (BLK). Segundo o informativo técnico da Taurus, o conjunto de 5,56x45mm/.223 Rem vem com cano de 14,5 polegadas (368,3 mm), martelado a frio, com seis raias à direita e passo de raiamento 1:7 polegadas; já o conjunto em .300 BLK utiliza cano de 9 polegadas (228,6 mm), com quatro raias à direita e passo 1:8 polegadas. A troca de calibre se dá pela substituição do upper, mantendo o mesmo receptor inferior e o mesmo carregador.

Vídeo do perfil de Enrico De Marchi no YouTube

Na configuração de 14,5 polegadas, o fuzil pesa 3.050 gramas sem carregador e 3.178 gramas com o carregador de polímero vazio; na configuração de 9 polegadas, o peso cai para 2.490 gramas sem carregador e 2.715 gramas com o carregador vazio. A capacidade do carregador é de 30 tiros nas duas versões. O acabamento é em alumínio com Cerakote tungstênio, e o conjunto conta com miras rebatíveis (flip-up), percussor flutuante, tampa de ejeção em polímero, seletor de tiro ambidestro (com as posições safe, de segurança, e semi, para tiro a tiro) e teclas e alavancas de manejo também ambidestras. O conjunto acompanha ainda bandoleira de dois pontos, kit de limpeza opcional e maleta de transporte rígida.

De acordo com relatos de visitantes que acompanharam o lançamento no estande da Taurus, o T4 Executive Grade traria ainda um gatilho flat semelhante ao do fuzil T10, descrito como de curso mais curto e mais suave que o do T4 convencional, um manípulo de operação (alavanca de manejo) estendido e um compensador específico para o calibre .300 BLK. Essas informações, colhidas em campo e não constantes no informativo técnico oficial, devem ser tratadas como preliminares. O documento da Taurus confirma, de todo modo, o gatilho flat, a coronha minimalista de seis posições, a empunhadura ergonômica emborrachada e a substituição da coronha do padrão anterior da linha T4 por um modelo mais recente, adotado agora em toda a série.

Fuzil T4 Executive Grade em exposição na Shot Fair Brasil 2026

A proposta de um fuzil multicalibre dialoga com uma particularidade do mercado brasileiro de armas de uso restrito: o regime de cotas para caçadores, atiradores e colecionadores (CACs), que limita a posse desse tipo de equipamento a até quatro unidades para atiradores de nível três e a até duas unidades para caçadores. Ao reunir três calibres numa única arma, o T4 Executive Grade permite ao usuário otimizar o número de armas de uso restrito em seu acervo sem abrir mão da variedade de munições disponíveis.

O lançamento integra o conjunto de mais de 17 novidades apresentadas pela Taurus na Shot Fair Brasil 2026, evento que reuniu cerca de 250 expositores e teve expectativa de receber 50 mil visitantes ao longo de quatro dias, com previsão de movimentar aproximadamente R$ 380 milhões em negócios. A companhia, patrocinadora master da feira, ocupou um estande de 285 metros quadrados na entrada principal do Distrito Anhembi, e o CEO global Salesio Nuhs abriu a programação técnica do evento com um painel sobre os rumos do mercado mundial de armas.

25 julho, 2026

Seis lições que o Brasil precisa reaprender para levar sua indústria de defesa a sério

 
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. - 25/07/2026
 
A indústria de defesa não é um assunto da defesa. É um assunto de país. As nações que levaram a sério sua soberania entenderam há muito tempo que defesa, tecnologia, indústria, inovação e autonomia estratégica caminham juntas. Estados Unidos, França, Coreia do Sul, Israel, Suécia e, mais recentemente, Turquia, não construíram suas bases industriais apenas para equipar suas Forças Armadas. Fizeram isso para proteger competências críticas, desenvolver tecnologia, reduzir dependências externas, gerar empregos qualificados e ampliar sua liberdade de ação no cenário internacional.

A primeira lição é que soberania não se terceiriza. Nenhuma nação relevante aceita depender integralmente de terceiros em áreas sensíveis como munições, sensores, comunicações, cibersegurança, satélites, radares ou manutenção de meios estratégicos. Dependência excessiva pode parecer econômica em tempos de normalidade, mas cobra um preço alto quando o ambiente geopolítico se deteriora.

A segunda lição é que capacidade estratégica leva tempo para amadurecer. A Coreia do Sul não virou potência em blindados, artilharia e construção naval da noite para o dia. A Turquia não consolidou sua indústria em um ciclo de governo. Israel não construiu sua autonomia tecnológica com improviso. Todos trabalharam com disciplina, constância e visão de Estado.

A terceira lição é que países sérios não desmontam competências críticas a cada crise. O Brasil ainda oscila entre o discurso grandioso e a prática da descontinuidade. Isso é grave porque a indústria de defesa exige planejamento, previsibilidade, encomendas regulares, financiamento, pesquisa, integração com universidades e proteção às empresas estratégicas.

A quarta lição é que política industrial não pode viver de impulsos. Defesa exige continuidade, orçamento minimamente previsível, coordenação entre governo, forças, academia e empresas, além da capacidade de transformar demanda estratégica em política pública.

A quinta lição é que defesa também é desenvolvimento. Nos países industrializados, a indústria de defesa não é vista apenas como fornecedora de equipamentos militares. Ela é motor de inovação, domínio tecnológico, empregos qualificados, exportação e tecnologias de uso dual.

A sexta lição é que poder nacional se constrói com disciplina, não com retórica. Países fortes não esperam a crise chegar para perceber que lhes faltam fornecedores, estoques, manutenção, sensores, softwares ou liberdade de ação. Eles investem antes, planejam antes e protegem antes aquilo que consideram estratégico.

No fim, a escolha é simples, ou o Brasil entende que a indústria de defesa é parte do seu projeto de país, ou continuará dependente de soluções prontas, vulnerável a pressões externas e condenado a discutir soberania sem possuir os instrumentos para sustentá-la. Países fortes não improvisam poder nacional. Eles o constroem.
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.   

Exército entrega novos centros de comando e controle móvel fabricados pela Embraer

CCOMGEX distribui viaturas CC2 U Mv ao 9º Grupamento Logístico e ao 47º Batalhão de Infantaria dentro do SISFRON; capacitação para a versão Grande Unidade foi realizada em junho


*LRCA Defense Consulting - 25/07/2026

O Exército Brasileiro, por meio do Comando de Comunicações e Guerra Eletrônica do Exército (CCOMGEX), entregou, em 22 de julho, dois Centros de Comando e Controle de Unidade Móvel (CC2 U Mv) ao 9º Grupamento Logístico e ao 47º Batalhão de Infantaria. A distribuição das viaturas ocorreu no âmbito dos Projetos de Sensoriamento e Apoio à Decisão (Pjt SAD), inseridos no Programa Estratégico do Exército Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON), com o objetivo declarado de ampliar a mobilidade, a integração e a eficiência das operações de Comando e Controle (C²) ao longo da faixa de fronteira terrestre do País.

De concepção nacional, o CC2 U Mv foi projetado para aumentar a flexibilidade e o potencial de C² nas operações militares, reunindo recursos de tecnologia da informação e comunicações que garantem desempenho de processamento, conectividade, integração e segurança da informação. Segundo o CCOMGEX, a viatura contribui para a construção da consciência situacional e para o apoio à tomada de decisão, permitindo que os comandantes atuem de forma coordenada em operações de rotina e em situações críticas. As duas unidades recém-entregues serão empregadas em ações de apoio às operações terrestres e nas atividades de monitoramento e controle da faixa de fronteira.

Quem fabricou as viaturas
Os comunicados oficiais do Exército atribuem o desenvolvimento do CC2 U Mv, de forma genérica, à “Base Industrial de Defesa”, sem citar nominalmente a empresa responsável. Reportagens institucionais e especializadas publicadas desde dezembro de 2025, porém, identificam a Embraer Defesa & Segurança (EDS) como a integradora responsável pela série de Centros de Comando e Controle Móvel (CC2) entregue ao Exército dentro da Fase 2 do SISFRON (Pjt SAD 2). A companhia entregou as quatro primeiras unidades de um lote de 15 viaturas CC2 ao final de novembro de 2025 e, segundo informações institucionais, já ultrapassou a marca de 50 soluções veiculares fornecidas ao programa, entre viaturas de comunicações, postos de comando e os próprios centros móveis.

Na conversão das Viaturas de Transporte Não Especializadas (VTNE) em Viaturas de Transporte Especializadas de Comunicações (VTE Com), tipo nós de acesso e postos de comando, a Embraer Defesa subcontrata a empresa RF Com Ltda, sediada em São José dos Campos (SP), conforme registrado pelo Escritório de Projetos do SISFRON em visita técnica realizada em março de 2025.


Como é composto o sistema
O Centro de Comando e Controle Móvel (CC² Mv), na configuração empregada para grandes unidades, é constituído por três viaturas integradas: “Autoridades”, “Células” e “Apoio de TI”, cada uma projetada para desempenhar funções específicas dentro do conjunto. Juntas, as três estruturas sustentam o fluxo de informações necessário à construção e à manutenção da consciência situacional em cenários que exigem rapidez de resposta e integração tecnológica, reunindo recursos de comunicações e de tecnologia da informação para atuação em diferentes teatros de operação.

Capacitação para operação
Em junho, o CCOMGEX, por meio do Pjt SAD, promoveu em Brasília a capacitação de militares do Batalhão de Comando e Controle (BC²) para a operação do CC² Mv na configuração Grande Unidade. A instrução, direcionada ao aprofundamento sobre a estrutura e as funcionalidades da plataforma, abordou o funcionamento integrado das três viaturas e o emprego dos recursos tecnológicos na comunicação entre as tropas em campo e os diferentes níveis de comando. Segundo o Exército, a preparação dos militares contribuirá para o emprego eficiente dos sistemas de C² e para a ampliação da consciência situacional das unidades.

Contexto do programa
A incorporação dos CC2 U Mv e do CC² Mv Grande Unidade integra o ciclo de modernização conduzido pelos projetos SAD/SISFRON, que envolvem a implantação de sensores, sistemas de vigilância, comunicações e infraestrutura de tecnologia da informação ao longo dos mais de 16 mil quilômetros de fronteira terrestre do País. A capacitação de junho também foi enquadrada, pelo próprio Exército, no processo de transformação da Força e no desenho da Força 40. Para o Exército, o desenvolvimento da solução pela base industrial de defesa nacional evidencia a capacidade da indústria brasileira de fornecer tecnologias críticas para a modernização das Forças Armadas, reduzindo a dependência de equipamentos estrangeiros.

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