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19 março, 2026

Maricá investe R$ 32 mi com Desaer e mira 6 mil empregos no setor aeronáutico

 


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LRCA Defense Consulting - 19/03/2026

Maricá, no litoral fluminense, deu um passo ousado rumo à diversificação econômica ao anunciar, na terça-feira (17), um investimento de R$ 32 milhões em parceria com a Desaer, startup brasileira do setor aeronáutico. O prefeito Washington Quaquá assinou o convênio no Galpão Tecnológico de Inoã, prometendo transformar a cidade em um hub de inovação, com geração imediata de 60 empregos para engenheiros locais e até 6 mil vagas diretas e indiretas em poucos anos. 

Anúncio histórico no Galpão Tecnológico
Durante a cerimônia, realizada às 14h e envolvendo a Prefeitura, o Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM) e a Companhia de Desenvolvimento de Maricá (Codemar), Quaquá destacou o impacto transformador do projeto. "Estamos investindo R$ 32 milhões para gerar imediatamente 60 empregos de engenheiros. Daqui a três ou quatro anos, com o protótipo voando no Aeroporto de Maricá, serão 3 mil empregos diretos e mais 3 mil indiretos", afirmou o prefeito, enfatizando a qualificação local com cursos de pilotos e mecânicos. 

O contrato de Encomenda Tecnológica (ETEC) marca o início do desenvolvimento de uma aeronave no município, com planos para instalação de uma fábrica no Parque Tecnológico. A iniciativa visa atrair indústrias fornecedoras de peças, reduzindo a dependência de royalties do petróleo, principal receita atual de Maricá. 

Desaer: das origens na Embraer ao renascimento aeronáutico brasileiro
Fundada em 2017 em São José dos Campos (SP), a Desaer surgiu de ex-funcionários da Embraer demitidos via Plano de Demissão Voluntária (PDV), liderados pelo CEO Evandro Fileno, engenheiro com vasta experiência na gigante brasileira. Apesar da ligação histórica mencionada por Quaquá, a empresa é independente e 100% nacional, focada em aeronaves utilitárias para aviação regional e militar. 

Após negociações frustradas em Araxá (MG), onde planos de fábrica não avançaram, Maricá surge como novo polo desde 2024-2025, com protocolos de intenção assinados em abril do ano passado. 

Foco no ATL-100: sucessor moderno do Bandeirante
No centro do projeto está o ATL-100, bimotor turboélice não pressurizado para 19 passageiros ou 2,5 toneladas de carga. Com rampa traseira para operações em pistas curtas e rústicas, a aeronave tem envergadura de 20 metros, peso máximo de decolagem de 8.618 kg, velocidade máxima de 428 km/h e alcance de até 3.700 km. Posicionado como evolução do clássico EMB-110 Bandeirante da Embraer, o modelo atende demandas de transporte leve em regiões remotas, com potencial civil e militar. 

Impactos econômicos e estratégicos para Maricá e o Brasil
A parceria não só impulsiona empregos qualificados, mas também fortalece a cadeia de suprimentos aeronáuticos no RJ, alinhando-se à expertise nacional em aviação. Para Quaquá, é "o primeiro passo para uma Maricá industrializada, investindo em educação, ciência e tecnologia".  

A Desaer planeja protótipos em 3-4 anos, com produção em escala transformando Inoã em referência tecnológica. Maricá, assim, planeja voar alto para além do petróleo.

Embraer vence prêmio internacional e consolida o E190F como solução do futuro para a carga aérea regional

Empresa brasileira é reconhecida pela Aviation Week com o Prêmio de Excelência em Programas 2026, na categoria OEM, pelo desenvolvimento acelerado e bem-sucedido do cargueiro E-Freighter


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LRCA Defense Consulting - 19/03/2026

A Embraer acaba de adicionar mais um troféu à sua vitrine: o Prêmio de Excelência em Programas da Aviation Week 2026, uma das publicações especializadas de maior prestígio no setor aeronáutico mundial, na categoria OEM (Original Equipment Manufacturer). A distinção reconhece programas que transcendem os marcos técnicos e demonstram desempenho verdadeiramente excepcional, e o E-Freighter da fabricante brasileira se encaixou como uma luva nesse critério.

A conquista chega em um momento particularmente simbólico: há pouco mais de uma semana, o E190F completou seu primeiro voo comercial em 9 de março de 2026, transportando cargas expressas sensíveis ao tempo entre Colônia, na Alemanha, e Larnaca, no Chipre, inaugurando as operações do programa no mercado europeu com o cliente lançador, a Bridges Air Cargo.

De passageiros a cargas em tempo recorde
A história do E-Freighter começa em maio de 2022. O programa foi iniciado para preencher uma lacuna no mercado de carga aérea e substituir aeronaves mais antigas e menos eficientes. O desafio era ambicioso: transformar o consagrado E-Jet, plataforma de passageiros operada por companhias aéreas em todo o mundo, em um cargueiro dedicado, robusto e totalmente certificado.

O resultado foi alcançado em um prazo que impressionou o setor. Em apenas 29 meses, as equipes da Embraer e seus parceiros concluíram o desenvolvimento do E190F. Em apenas 10 meses após o primeiro voo, em abril de 2024, o programa obteve certificação completa. As aprovações vieram em sequência: primeiro a ANAC brasileira, em julho de 2024; depois a FAA americana; e finalmente a EASA europeia, tornando o E190F certificado para operações globais.

"O Programa E-Freighter representa uma nova fronteira para a Embraer e para o mercado global de carga aérea", afirmou Marcelo Tocci, Diretor de Programas de Aviação Comercial da Embraer. "Em 29 meses, nossas equipes e parceiros em todo o mundo transformaram a comprovada plataforma E-Jet em um cargueiro altamente capaz e totalmente certificado, projetado para atender às demandas específicas da logística do e-commerce atual."

O nicho certo na hora certa
O E190F não nasceu por acaso. Ele foi concebido para responder a uma transformação estrutural no comércio mundial. O crescimento do e-commerce acelerou a demanda por entregas rápidas não apenas em grandes centros, mas sobretudo em mercados secundários e terciários, cidades médias que ficavam à margem das rotas dos grandes cargueiros.

Posicionado no mercado entre os turbohélices regionais e os jatos de fuselagem estreita maiores, como versões do Boeing 737, o E190F oferece flexibilidade para se adaptar às tendências em constante mudança do mercado. Na prática, isso significa alcançar rotas e frequências que simplesmente não eram viáveis com as aeronaves anteriores.

Os números endossam a proposta: os E-Jets convertidos em cargueiros oferecem mais de 40% de capacidade volumétrica, três vezes o alcance de grandes turboélices de carga e custos operacionais até 30% menores do que aeronaves de fuselagem estreita maiores. Combinando as capacidades do piso inferior e do convés principal, a carga útil estrutural máxima é de 13.500 kg.

O sistema flexível de carregamento de carga acomoda até nove paletes e contêineres, contando com uma nova porta de carga principal de grandes dimensões e barreira rígida de 9G.

Estreia europeia e perspectivas globais
A Bridges Air Cargo lançou operações com o E190F, marcando um marco significativo para o programa E-Freighter da Embraer e abrindo um novo capítulo na logística expressa regional na Europa, no Oriente Médio e na África.

A empresa espera que a adição do cargueiro Embraer amplie sua capacidade de atender mercados emergentes na África, na região do Golfo, no subcontinente indiano e na Ásia.

O potencial de mercado é considerável. A Embraer estima que exista um mercado potencial de até 700 aeronaves na classe do E-Freighter nos próximos 20 anos, 250 para reposição de aeronaves existentes e 450 por crescimento de mercado. O fabricante identificou cerca de 470 E-Jets (380 do modelo E190 e 90 do E195) disponíveis para conversão ao redor do mundo, muitos deles sendo progressivamente substituídos nas frotas de passageiros pelas versões E2, mais eficientes. 

Sustentabilidade e competitividade lado a lado
Além da eficiência operacional, o E190F carrega um apelo ambiental relevante. Por ser uma aeronave mais nova e mais eficiente em consumo de combustível do que os jatos cargueiros mais antigos que substitui, o E-Freighter pode transportar volumes similares aos de suas contrapartes maiores com emissões significativamente menores e custos operacionais reduzidos.

Para a Embraer, o prêmio da Aviation Week representa mais do que um reconhecimento técnico. É a validação de uma estratégia que apostou na requalificação de uma plataforma testada e aprovada para atender a uma demanda real e urgente do mercado, e que, agora com o primeiro voo comercial realizado, começa efetivamente a mudar a logística aérea regional no mundo.

Plataforma TX9: Taurus leva inovação brasileira às pistolas de competição IPSC



 
*LRCA Defense Consulting - 19/03/2026

A pistola Taurus TX9, em suas variantes de diferentes tamanhos, foi recentemente homologada pela International Practical Shooting Confederation (IPSC) para uso na divisão Production de Handgun, uma das mais disputadas no tiro prático internacional. Essa aprovação permite que a pistola brasileira compita em eventos oficiais ao redor do mundo, mantendo configurações de fábrica com mínimas customizações permitidas pelas regras. 
 
Contexto do lançamento
A TX9 foi lançada globalmente pela Taurus no início de 2026, fabricada nos EUA e testada sob protocolos militares da OTAN, com garantia vitalícia e foco em mercados policiais e militares. Projetada no Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia (CITE) BR/EUA, a pistola passou por 20 mil disparos e 40 mil ciclos de teste, superando padrões civis e aproximando-se de exigências militares extremas. No Brasil, custa cerca de R$ 9 mil e integra a linha Military Products, competindo com Glock, SIG Sauer e Smith & Wesson. 
 
Características técnicas
A plataforma usa o Taurus Modular System (TMS), com chassi de aço inoxidável serializado que permite trocas rápidas entre versões subcompacta (cano 3.4", 13+1), compacta (4", 15+1), full size (4.5", 17+1) e long slide. É striker-fired com gatilho plano de terceira geração, sistema Tetra-Lock de quatro travas de segurança, compatibilidade óptica T.O.R.O., miras com Tritium, backstraps intercambiáveis, comandos ambidestros e cano com DLC. A modularidade facilita manutenção sem ferramentas e upgrades. 
 
Importância para o Tiro Prático
Na divisão Production da IPSC, pistolas devem ser stock, com gatilho mínimo de 2,27 kg no primeiro disparo, sem ações simples e cano até 127 mm, priorizando padronização para competições justas. A TX9 Competition, com cano compensado, miras elevadas e janela para carregadores, foi otimizada para IPSC e IDPA, elevando a presença brasileira no esporte. Essa homologação expande opções para atiradores profissionais, especialmente no Brasil, onde a Taurus domina o setor. 
 
Impacto na indústria brasileira
A aprovação reforça a ascensão da Taurus em contratos institucionais, como a recente seleção pela Guarda Municipal de Esteio (RS), sinalizando maturidade para exportações de defesa. Com calibre 9x19 mm e opções em .38 TPC (mais potente que .380 ACP no Brasil), a TX9 alia inovação nacional a padrões globais, impulsionando o tiro esportivo e a economia gaúcha.

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