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04 agosto, 2026

Aeromot e Volocopter assinam parceria para trazer eVTOL alemão ao Brasil

Acordo de representação exclusiva do VoloXPro tem como pano de fundo a compra da Volocopter pelo grupo chinês Wanfeng, controlador também da Diamond Aircraft, parceira histórica da Aeromot


*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026

A Aeromot S.A., empresa brasileira de tecnologia aeroespacial sediada em Porto Alegre (RS), e a alemã Volocopter Technologies GmbH assinaram, em 4 de agosto de 2026, um Exclusive Representation Agreement pelo qual a companhia gaúcha se torna representante exclusiva da fabricante alemã no Brasil. 
O acordo cobre a comercialização do VoloXPro, eVTOL ultraleve totalmente elétrico lançado pela Volocopter em abril deste ano, e marca a entrada oficial das duas empresas no mercado brasileiro de mobilidade aérea avançada (Advanced Air Mobility). 
A parceria foi apresentada durante a Labace 2026, principal feira de aviação executiva da América Latina, realizada de 4 a 6 de agosto no Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo, evento que também marcou a estreia pública da aeronave no País.
Escopo do acordo
Pelo contrato, a Aeromot assume quatro frentes de atuação: distribuição comercial da aeronave, manutenção, reparo e revisão (MRO), treinamento de pilotos e equipes técnicas, e estruturação de futuras operações de mobilidade aérea por meio da VOWE, unidade de operações da empresa. Segundo a Volocopter, a Aeromot oferece a experiência integrada necessária para sustentar o lançamento comercial do VoloXPro no território brasileiro, somando quase seis décadas de atuação em integração, certificação, manutenção e comercialização de aeronaves.
A aeronave
O VoloXPro é um multicóptero ultraleve de dois lugares, totalmente elétrico, desenvolvido em conjunto com a Diamond Aircraft ao longo de 2025 e apresentado publicamente em abril de 2026, na feira AERO Friedrichshafen, na Alemanha. 
A aeronave tem 18 rotores, velocidade de cruzeiro de 70 km/h, alcance máximo de 40 km, peso máximo de decolagem de 600 kg e capacidade de carga útil de 154 kg. Sua arquitetura modular permite configurações que vão de cabines simplificadas, com comando único, a versões voltadas a operadores profissionais. 
A certificação como aeronave ultraleve na Alemanha é esperada para o fim de 2026; no Brasil, a previsão é de que o VoloXPro chegue ao mercado no fim de 2027, com um protótipo previsto para desembarcar em setembro deste ano no hangar da Aeromot, no Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).
O pano de fundo chinês
A aproximação entre Aeromot e Volocopter não nasce isolada. Em março de 2025, a Volocopter, então às vésperas da insolvência, foi comprada por cerca de dez milhões de euros pelo grupo chinês Wanfeng Auto Holding Group, que também controla a Diamond Aircraft, fabricante já representada pela Aeromot no Brasil. Foi essa aquisição que recolocou a Volocopter em operação e viabilizou o desenvolvimento do VoloXPro, projeto conduzido em parceria direta com a Diamond ao longo de 2025. 
Em comunicado, o diretor técnico da Volocopter, David Bausek, associou explicitamente a nova parceria a esse vínculo prévio, afirmando que o acordo com a Aeromot se apoia em uma cooperação já estabelecida dentro do Grupo Diamond. Na prática, isso significa que a chegada da Volocopter ao mercado brasileiro segue o mesmo canal comercial já usado pela Diamond Aircraft, sob o guarda-chuva do mesmo controlador chinês.
VoloXPro x Eve 100: dois caminhos para a mobilidade aérea
O VoloXPro chega ao Brasil em rota diferente da do Eve 100, eVTOL desenvolvido pela Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. As duas aeronaves respondem a segmentos distintos da mobilidade aérea avançada. 
O VoloXPro é um multicóptero puro, sem asas fixas, projetado como ultraleve de dois lugares (um piloto e um passageiro), com alcance de 40 km e velocidade de cruzeiro de 70 km/h; seu uso previsto abrange escolas de voo, aeroclubes, esportes aéreos e, em mercados internacionais, operações de táxi aéreo de curta distância. 
Já o Eve 100 adota a configuração lift and cruise, combinando rotores dedicados à decolagem vertical com asas fixas e hélice traseira para o voo de cruzeiro, o que lhe confere maior eficiência em deslocamentos mais longos: capacidade para cinco ocupantes (um piloto e quatro passageiros), alcance de 100 km e velocidade máxima de 200 km/h, valores superiores aos do modelo alemão em todos os quesitos.
Os cronogramas de certificação também seguem ritmos diferentes. O VoloXPro busca certificação como aeronave ultraleve na Alemanha até o fim de 2026, processo mais simples por não se enquadrar como aeronave de transporte de passageiros em categoria plena. 
O Eve 100, por sua vez, persegue o Certificado de Tipo junto à ANAC, à FAA e à EASA, trâmite mais longo e rigoroso: a Eve protocolou pedido de validação junto à EASA e viu a ANAC abrir consulta pública sobre os critérios de aeronavegabilidade do modelo, com previsão de início de operações comerciais em 2027, o mesmo horizonte estimado pela Aeromot para o VoloXPro no País.
Do ponto de vista industrial, os dois programas partem de bases opostas. O Eve 100 é produzido no Brasil, na futura fábrica de Taubaté (SP), com capacidade projetada de 480 unidades por ano, enquanto o VoloXPro é fabricado na Alemanha, com a Aeromot atuando, por ora, como representante comercial e futura base de manutenção, sem produção local confirmada, ainda que as duas empresas avaliem iniciativas de manufatura dentro da AeroCITI, ecossistema aeroespacial que a Aeromot desenvolve no Rio Grande do Sul.
Próximos passos
Além da comercialização, Aeromot e Volocopter avaliam oportunidades de cooperação industrial de mais longo prazo no País, incluindo suporte técnico, infraestrutura de manutenção e futuras iniciativas de manufatura, que poderão ser desenvolvidas dentro da AeroCITI. 
As empresas também mantêm diálogo com a ANAC e outros agentes do setor para acompanhar a evolução do marco regulatório brasileiro voltado à mobilidade aérea avançada, etapa considerada indispensável para viabilizar, com segurança, as futuras operações do VoloXPro no território nacional.
 

Colômbia assina contrato para dois KC-390 Millennium e amplia parceria de mais de 35 anos com a Embraer

Acordo estimado em US$ 366,4 milhões inclui equipamentos de missão, pacote de suporte e programa de offset; entregas estão previstas para 2029 e 2030

 

*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026

A Fuerza Aeroespacial Colombiana (FAC) assinou contrato com a Embraer para a aquisição de duas aeronaves KC-390 Millennium, cargueiro multimissão fabricado no Brasil. O anúncio foi confirmado pela fabricante, que classificou o acordo como um marco na modernização das capacidades de transporte aéreo e reabastecimento em voo da força colombiana. A negociação já vinha sendo acompanhada desde março, quando o presidente Gustavo Petro determinou a aceleração das tratativas para substituir parte da envelhecida frota de C-130H Hercules.

Segundo a Embraer, o contrato contempla, além das duas aeronaves, equipamento de missão, um pacote integrado de serviços e suporte, e um programa de offset estruturado para atender às exigências regulatórias colombianas. A FAC poderá empregar o KC-390 Millennium em ações de assistência humanitária, resposta a desastres, transporte de carga e tropas, lançamentos aéreos e reabastecimento em voo. As aeronaves terão conectividade plena para operar de forma integrada com os caças Gripen, adquiridos recentemente pela Colômbia junto à sueca Saab, ampliando a interoperabilidade da força aérea colombiana.


Valores e cronograma
Reportagens do setor de defesa da região, como as publicadas por Infodefensa, Cronista e Aviacionline, estimam o valor total do contrato em US$ 366.430.371, o que equivale a mais de US$ 159 milhões por aeronave. O esquema de pagamento previsto contempla uma parcela antecipada de US$ 182.872.498, com desembolsos distribuídos entre 2027 e 2030. Há, no entanto, divergência entre fontes quanto à distribuição exata das parcelas anuais: Infodefensa indica repasses de US$ 94.337.349 em 2027 e US$ 88.535.149 em 2028, enquanto a Aviacionline descreve pagamentos de US$ 94 milhões em 2027, US$ 88 milhões em 2028, cerca de US$ 93 milhões em 2029 (incluindo a entrega da primeira aeronave) e US$ 90 milhões em 2030.

As duas aeronaves serão fabricadas na planta da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, e voarão diretamente até a base aérea El Dorado, em Bogotá, onde passarão a integrar o Comando Aéreo de Transporte Militar (CATAM) da FAC. A primeira unidade deve ser entregue até 30 de outubro de 2029; a segunda, até 30 de novembro de 2030. O contrato também prevê sistema de reabastecimento em voo em configuração probe and drogue, com boom e pods REVO equipados com câmeras e sensores eletro-ópticos.

Uma parceria de mais de três décadas
Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, afirmou que a companhia está honrada com a escolha da FAC e destacou que a decisão reforça uma parceria que remonta a mais de 35 anos, iniciada com a aquisição do turboélice EMB-312 Tucano pela força aérea colombiana e seguida pela compra do A-29 Super Tucano. Segundo o executivo, o KC-390 deve ampliar de forma significativa as capacidades colombianas de transporte aéreo e reabastecimento em voo, elevando o padrão operacional da força.

Capacidades da aeronave
Projetado e desenvolvido no século XXI, o KC-390 Millennium é apresentado pela Embraer como a aeronave de transporte militar mais moderna de sua categoria. Tem capacidade de carga de 26 toneladas, superior à de outros cargueiros militares de porte médio, e velocidade de cruzeiro de 470 nós (cerca de 870 km/h), o que lhe garante maior alcance e menor tempo de voo em comparação a concorrentes turboélice, como o C-130J. A aeronave pode operar a partir de pistas curtas, não pavimentadas ou semipreparadas, e cumprir missões de transporte de carga e tropas, lançamento aéreo de equipamentos e pessoal, evacuação médica, busca e salvamento, combate a incêndios florestais e ajuda humanitária. Quando configurada com o kit de reabastecimento em voo (AAR) de instalação rápida, a aeronave pode operar tanto como reabastecedora quanto como receptora.

Alcance internacional
Além da Força Aérea Brasileira, o KC-390 Millennium já havia sido selecionado pelas forças aéreas de Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia. Com a assinatura do contrato, a Colômbia se torna o 13º país a selecionar a aeronave e a primeira nação latino-americana, além do Brasil, a adquirir o modelo.

Substituição da frota e alternativas avaliadas
O KC-390 vai substituir parte da frota de C-130H Hercules da FAC, composta por aeronaves com décadas de uso e crescentes restrições de disponibilidade. Durante o processo de seleção, a força aérea colombiana chegou a avaliar, ao lado do modelo brasileiro, o Lockheed Martin C-130J Super Hercules e o Airbus A400M Atlas, sob critérios técnicos e operacionais, entre eles a capacidade de operar em pistas curtas e não preparadas, relevante para regiões como a Amazônia, a Orinóquia e o litoral do Pacífico colombiano.

A decisão presidencial de acelerar a compra, formalizada por Petro em 30 de março de 2026, gerou debate interno na FAC, já que o KC-390 incorpora sistemas de autoproteção e contramedidas eletrônicas desenvolvidos pela indústria israelense, país sobre o qual o próprio Petro havia determinado anteriormente restrições à aquisição de armamentos e equipamentos militares.

Contrato assinado em meio a transição política tensa
A assinatura ocorre nos últimos dias do mandato de Gustavo Petro, que deixa a Presidência da Colômbia em meio a um processo de transição marcado por forte tensão política. O presidente eleito, Abelardo de la Espriella, chegou a suspender as reuniões de transição com o governo colombiano após acusações mútuas envolvendo o resultado eleitoral, e a posse está marcada para o dia 7 de agosto. O contexto adiciona uma camada de escrutínio sobre contratos de defesa firmados nesta fase final de governo, embora não haja, até o momento, indicação de que o acordo com a Embraer esteja sob contestação formal por parte da futura gestão.

O ministro da Defesa colombiano, Pedro Sánchez Suárez, afirmou anteriormente que o país reservou orçamento para adquirir até 14 aeronaves de transporte tático pesado e 33 helicópteros, sinalizando que a compra dos dois KC-390 Millennium pode ser o primeiro passo de um programa mais amplo de modernização da força aérea colombiana.

Portugal amplia aposta em grafeno stealth com apoio da NATO e teste real na Força Aérea

Dois consórcios portugueses avançam em paralelo no desenvolvimento de materiais à base de grafeno para reduzir a assinatura de radar de aeronaves e drones, um deles já com ensaio programado num drone militar real, enquanto o Brasil mantém programa próprio de material absorvedor de radar desde 1998 e já é pioneiro mundial em grafeno aplicado a armamento leve

Equipe de investigação do projeto do grafeno (esq. para a dir.) Miguel Martins, Afonso Fresco, Bruno Soares Gonçalves, Edgar Felizardo, Ana Dias e Pedro Nobre seguram a Patente da sua produção de grafeno. Soares Gonçalves, Edgar Felizardo e Ana Dias são os cofundadores da GTechPlasma; demais são alunos de mestrado / estagiários (Fonte: Instituto Superior Técnico)

*LRCA Defense Consulting - 04/08/2026

O desenvolvimento de materiais à base de grafeno para aplicações stealth em Portugal avançou de fase desde a primeira divulgação pública, em junho de 2026. Novas informações mostram que o país conta com dois projetos distintos e paralelos voltados à absorção de radar, um deles já com financiamento da NATO e ensaio programado num drone militar real da Força Aérea Portuguesa. Reportagem do Diário de Notícias, publicada em 21 de julho de 2026, e outra do portal Tek Notícias, de 22 de junho de 2026, detalham o alcance dessas iniciativas, que se somam à reportagem original da Euronews, de 30 de junho de 2026.

Do reator de plasma ao projeto Aegis, com apoio da NATO
O projeto mais divulgado é conduzido pela GTechPlasma, spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear (IPFN) do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa. Segundo o Diário de Notícias, a tecnologia nasceu de forma quase acidental em 2013, quando a física búlgara Elena Tatarova, então dedicada a pesquisas sobre degradação de biomassa, identificou um depósito de carbono em um reator de plasma e passou a investigar a hipótese de tratar-se de grafeno. A partir daí, a equipe do IPFN, que reúne físicos de fusão nuclear, especialistas em plasmas e engenheiros de micro-ondas, desenvolveu um processo contínuo e de etapa única para produzir grafeno puro, sem os processos químicos poluentes usados pela concorrência internacional.

O salto de escala ocorreu com o projeto Pegasus, financiado pelo Conselho Europeu de Inovação no âmbito do programa Horizonte 2020, com aporte de quatro milhões de euros, que permitiu construir uma nova máquina e multiplicar a produção em 400 vezes, além de submeter as primeiras patentes, hoje registradas nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Mais recentemente, a pesquisa migrou para o campo da defesa com o projeto Aegis, sigla em inglês para escudos eletromagnéticos avançados baseados em grafeno por meio de síntese induzida por plasma, financiado pela própria NATO. Segundo a reportagem, o material consegue absorver entre 60% e 90% da radiação eletromagnética incidente, a depender da frequência, funcionando como uma espécie de capa de invisibilidade eletromagnética para aeronaves, satélites, drones e infraestrutura militar crítica.

Força Aérea Portuguesa vai testar o material em drone real
Ainda de acordo com o Diário de Notícias, Bruno Soares Gonçalves e Elena Tatarova, cofundadores da GTechPlasma, tiveram aprovado um projeto exploratório pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), em parceria direta com as Forças Armadas portuguesas, especificamente com a Força Aérea Portuguesa. O objetivo declarado é testar a aplicação prática do grafeno em um drone militar real. Os ensaios ocorrerão em Alverca, em câmaras anecóicas (salas blindadas desenhadas para anular ecos eletromagnéticos) que estão sendo construídas no depósito da Força Aérea. Paralelamente, o laboratório já forneceu 260 gramas do material a um fabricante nacional de aeronaves não tripuladas, ainda não identificado publicamente.

Segundo consórcio: projeto Astral mira absorção de banda larga
A iniciativa da GTechPlasma não é a única em curso no país. Segundo reportagem do Tek Notícias, um consórcio distinto, liderado pela empresa Controlar, sediada em Alfena, no Porto, com mais de 30 anos de experiência em sistemas de teste eletrônico, robótica e automação, iniciou em junho de 2026 o projeto Astral. A iniciativa reúne ainda a Graphenest, sediada em Sever do Vouga e apontada como a única empresa portuguesa com capacidade industrial de produção de grafeno, detentora de patentes nos Estados Unidos e no Canadá e parceira de companhias como Mitsubishi e Valeo; o PIEP, Pólo de Inovação em Engenharia de Polímeros, responsável pelo desenvolvimento e produção das folhas; e a Universidade de Aveiro, que contribui com pesquisa em materiais magnéticos.

O material do projeto Astral é um filme ultrafino e flexível, aplicado em múltiplas camadas, combinando grafeno com partículas magnéticas, com capacidade de absorção de banda larga entre 2 e 110 gigahertz. Segundo o Tek Notícias, a tecnologia visa substituir as volumosas espumas piramidais usadas em câmaras anecóicas e tem como alvo três setores estratégicos: a indústria automóvel, para calibração de radares de sistemas de condução assistida a 77 gigahertz, usados por fabricantes como Bosch, Visteon, Continental, Aptiv e Borgwarner; as telecomunicações, para blindagem eletromagnética de redes 5G; e o setor aeroespacial e de defesa, no qual o material é apontado como capaz de reduzir a detecção de drones e aeronaves por radar sem o peso e a rigidez dos revestimentos furtivos tradicionais. A reportagem informa ainda que a própria Força Aérea Portuguesa pretende participar dos ensaios finais do projeto, com foco em veículos aéreos não tripulados de perfil furtivo.

O projeto Astral recebe financiamento de 1,86 milhão de euros ao abrigo do programa Portugal 2030, com execução prevista entre junho de 2026 e maio de 2029, e prevê o registro de ao menos uma patente internacional. Segundo Bruno Figueiredo, Co-CEO da Graphenest, citado pelo Tek Notícias, a iniciativa representa passo relevante para a autonomia tecnológica europeia em um campo até então dominado pelos Estados Unidos.

Da bancada de laboratório à fábrica no Alentejo
O laboratório do IPFN, que inicialmente produzia 0,1 miligrama de grafeno por minuto, chegou aos atuais 40 miligramas por minuto. Para escalar a produção, a GTechPlasma conta com a parceria da Plasmaphene, que prepara um investimento de 7,5 milhões de euros para construir uma fábrica em Vila Viçosa, no Alentejo, com 30 reatores de micro-ondas funcionando em paralelo. Segundo as contas apresentadas pelo Diário de Notícias, cada reator deve produzir cerca de 50 gramas de material a cada 24 horas de operação contínua, o que resultaria em capacidade de colocar no mercado 1,5 quilograma de grafeno de alta pureza por dia.

Brasil também pesquisa material absorvedor de radar desde 1998
O avanço português reacende a comparação com o histórico brasileiro na área. Embora não utilize grafeno, o Brasil mantém, desde 1998, um programa de pesquisa em materiais absorvedores de radiação eletromagnética conduzido pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), em São José dos Campos, batizado internamente de MARE. Segundo informação divulgada pela própria Força Aérea Brasileira, o instituto obteve, em janeiro de 2016, carta patente para um processo de pintura furtiva capaz de converter a energia eletromagnética emitida por radares inimigos em energia térmica, dificultando a identificação da aeronave. O projeto, liderado pela pesquisadora Mirabel Cerqueira Rezende, envolveu cerca de 30 profissionais ao longo de quase duas décadas. Pesquisas complementares em blindagem eletromagnética também são conduzidas pelo Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), no Rio de Janeiro, em intercâmbio com a Universidade Federal do Rio de Janeiro na área de engenharia de materiais.

O País, portanto, já dispõe de know-how institucional consolidado em material absorvedor de radar, ainda que não haja, até o momento, indício público de que esse programa tenha incorporado o grafeno à sua formulação, como fazem os projetos portugueses. Isso sugere um caminho de eventual convergência tecnológica, caso institutos brasileiros optem por integrar o material às pesquisas já existentes na Aeronáutica e na Marinha.

Brasil já é pioneiro mundial em armamento leve com grafeno
Em outra frente, a indústria brasileira de defesa já é pioneira mundial no uso do grafeno, ainda que em campo distinto: o armamento leve. Desde 2021, a Taurus Armas mantém convênio com a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e sua planta industrial UCSGraphene, considerada a maior produtora de grafeno da América Latina. Em julho de 2022, a empresa lançou a pistola GX4 Graphene, apresentada como a primeira arma de fogo do mundo com grafeno incorporado a componentes injetados e ao revestimento das peças metálicas, por meio da tecnologia Cerakote Graphene. A Taurus também lançou o primeiro capacete automobilístico com grafeno do mundo, pela controlada Taurus Helmets, e incorporou o material à pistola TX9, lançada no início de 2026 para o mercado americano de aplicação da lei.

A aposta brasileira no grafeno é reforçada por um fator geológico: o Brasil detém a maior reserva mundial de grafite, matéria-prima do grafeno, condição já apontada publicamente pela própria Taurus como vantagem competitiva para o desenvolvimento de novas tecnologias no País.

Grafeno não é solução stealth isolada, alertam especialistas
Análise publicada pelo portal português ECO pondera que o grafeno não deve ser tratado como solução stealth completa por si só, já que a redução de assinatura depende também da geometria da aeronave e de sistemas de guerra eletrônica, e a eficácia de revestimentos absorvedores tende a variar conforme a frequência do radar utilizado pelo adversário. O avanço de radares quânticos e de sistemas de deteção mais sofisticados é citado como fator que pode reduzir, no longo prazo, a vantagem obtida com esse tipo de material. No próprio depoimento ao Diário de Notícias, Bruno Soares Gonçalves reconhece a distância entre o tempo da ciência e o tempo do mercado, lamentando a falta de cultura de risco das empresas portuguesas para investir em tecnologia de fronteira antes de o produto estar pronto para entrega.

O quadro que emerge é o de uma disputa tecnológica em estágio ainda inicial, mas em aceleração: dois projetos portugueses avançam simultaneamente rumo a testes com forças armadas reais, com financiamento europeu e da própria NATO, ao passo que o Brasil combina um programa histórico de material absorvedor de radar na Aeronáutica com liderança mundial em grafeno aplicado a armamento leve. A convergência dessas duas frentes brasileiras, caso venha a ocorrer, poderia posicionar o País de forma mais competitiva também no campo dos materiais furtivos para plataformas aéreas.

03 agosto, 2026

FlyBIS assina protocolo com a Prefeitura de Gramado para operar eVTOLs da Eve a partir de 2028

Acordo com o município e o complexo Sirena amplia rede que já inclui Santa Catarina; startup gaúcha tem raízes na Brave Aviation e parceria com a Eve desde 2022
 
Renderização produzida por IA

*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A FlyBIS Air Mobility, startup de mobilidade aérea sediada em Caxias do Sul (RS), assinou na segunda-feira (27/07) um protocolo de intenções com a Prefeitura de Gramado para implantar uma das primeiras operações comerciais de eVTOLs no país, as aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical popularmente chamadas de “carros voadores”. A previsão de início das operações é 2028, com voo entre Porto Alegre e o complexo turístico Sirena Gramado estimado em 25 minutos.
As aeronaves previstas para a operação na região terão autonomia de 100 quilômetros e capacidade para até quatro passageiros, dispensando pistas convencionais por decolarem e pousarem na vertical. Representantes da FlyBIS estiveram, também na segunda-feira, na área do complexo Sirena, no bairro Mato Queimado, onde será construído o primeiro vertiporto de Gramado. Segundo a diretoria da empresa, as primeiras rotas ligarão Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, com planos de expansão para Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile.
Uma rede que já vinha sendo construída desde maio
O protocolo com Gramado não é o primeiro movimento da empresa na Região Sul. Em maio, a FlyBIS já havia firmado, durante o Gramado Summit, um memorando de entendimento com o Grupo Sirena, incorporador do complexo turístico de 205 hectares onde ficará o vertiporto, e um acordo semelhante com o governo de Santa Catarina. Nesse último, estão previstas operações em toda a ilha de Florianópolis no primeiro ano, com inclusão de Balneário Camboriú, Joinville e Porto Alegre na segunda etapa.
O complexo Sirena Gramado, erguido entre o município e o Parque do Caracol, é liderado por Dody Sirena, cofundador da DC Set Group, com gestão e incorporação da Star Ópera sob o CEO Jaime Sirena, e tem o Club Med como parceiro de hotelaria, o primeiro Exclusive Collection da América Latina no país. O empreendimento, estimado em cerca de R$ 1 bilhão, está incorporando a mobilidade aérea avançada como diferencial de posicionamento turístico.
Parceria com a Eve remonta a 2022
A carta de intenções entre FlyBIS e Eve Air Mobility, controlada pela Embraer, para até 40 aeronaves não é recente: foi assinada em 8 de dezembro de 2022, com declaração do então co-CEO da Eve, André Stein, sobre a expansão da mobilidade aérea para “áreas do Sul do Brasil”. À época, a previsão de início das operações apontada em entrevistas do setor era 2026, prazo que desde então foi postergado para 2028. Dos 40 eVTOLs contratados, os três primeiros devem ser entregues no primeiro ano de operação no Rio Grande do Sul, conforme a assessoria técnica do projeto.
As aeronaves da FlyBIS integram o backlog global da Eve, que soma até 2.770 unidades encomendadas por operadores em diferentes países, incluindo parceiros como a United Airlines e a Blade Air Mobility.
Quem é a FlyBIS
A FlyBIS Aviação Ltda. foi fundada em 10 de março de 2022, em Caxias do Sul, pelos sócios Carlos Alberto Bertotto (sócio-administrador), Gustavo Flores da Cunha Zanettini (administrador), André Luis Tessari e a holding VZM Aero Participações Ltda. Zanettini é consultor em aviação e piloto comercial em atividade; Bertotto se apresenta como piloto, empresário e cientista da computação, com mais de 25 anos de experiência em aviação, formado pela Unisinos.
A empresa é apoiada pela Brave Aviation, companhia gaúcha de propriedade compartilhada de aeronaves sediada em Caxias do Sul, cuja frota atual inclui o jato executivo Phenom 100, da Embraer, além de outras aeronaves. A Brave, que iniciou voos em 2019 e investiu R$ 18 milhões na aquisição do primeiro jato do grupo, tinha entre seus sócios fundadores André Tessari, o mesmo nome que figura no quadro societário da FlyBIS, o que indica continuidade entre os dois negócios.
Desde a assinatura da carta de intenções com a Eve, a FlyBIS ganhou visibilidade em eventos do setor, como o SITRAER 2023, o World Aviation Festival em Lisboa, painéis na LABACE ao lado de executivos da Eve e da ANAC, o Paris Air Show 2025, quando apresentou um mock up em escala real de seu eVTOL, e o Electric Move Brasil 2024, em Caxias do Sul.
Certificação segue em andamento
A assessoria técnica do projeto é feita pela Leading Aviation, empresa sediada em Madri. Segundo a consultora Laura Calegari, o processo de certificação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) está em andamento, com conclusão prevista para o final de 2027 para o conjunto de cinco empresas interessadas em operar esse novo modal no país, cronograma compatível com o início comercial anunciado para 2028.
A aeronave que a Eve pretende fornecer, porém, ainda não está certificada. A empresa concluiu em dezembro de 2025 o primeiro voo de seu protótipo em escala real, nas instalações da Embraer em Gavião Peixoto (SP), consistindo em uma manobra de pairar não tripulada que validou sistemas como a arquitetura fly by wire de quinta geração. A Eve planeja fabricar seis protótipos e realizar centenas de testes ao longo de 2026 antes da certificação, e fez sua estreia em um evento do setor de helicópteros, a Verticon 2026, em março, com um mock up em escala real da aeronave. 

BNDES aprova financiamento de até R$ 3,7 bilhões para exportação de jatos da Embraer ao Canadá

Operação da linha Exim Pós-embarque viabiliza venda de até 19 E195-E2 à Porter Airlines, com entregas previstas até 2030 e cobertura do Seguro de Crédito à Exportação

 


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LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou nesta segunda-feira (03/08) um financiamento entre R$ 3,3 bilhões e R$ 3,7 bilhões destinado a viabilizar a exportação de até 19 aeronaves E195-E2 da Embraer para a canadense Porter Aviation Holdings, controladora da Porter Airlines. As entregas dos jatos, segundo o banco, devem ocorrer até dezembro de 2030.

A operação será estruturada por meio da linha BNDES Exim Pós-embarque, modalidade voltada ao financiamento de exportações brasileiras já embarcadas ou entregues ao comprador estrangeiro. O contrato conta com cobertura do Seguro de Crédito à Exportação (SCE), lastreado no Fundo de Garantia à Exportação (FGE) e operado pela Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), mecanismo que reduz o risco da transação para o banco e amplia a competitividade da oferta brasileira frente a concorrentes internacionais.

A Porter Airlines opera o modelo E195-E2 desde 2023 e já recebeu 54 das 75 aeronaves encomendadas à Embraer, das quais três contaram com apoio financeiro prévio do BNDES, em contrato firmado em dezembro de 2025. A companhia aérea atende rotas na América do Norte, no Caribe e na América Latina. O novo aporte é o primeiro financiamento direto do BNDES destinado especificamente a exportações da Embraer para uma companhia aérea canadense.

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, “O apoio do BNDES às exportações da Embraer garante a manutenção do nível de produção, de emprego da indústria aeronáutica nacional e com a ampliação de mercado para uma aeronave mais tecnológica”, afirmou, em comunicado divulgado pelo banco.

O vice-presidente executivo financeiro e de Relações com Investidores da Embraer, Felipe Santana, declarou que a operação amplia a parceria entre a fabricante e o banco de fomento no apoio às exportações brasileiras. Já o CFO da Porter Airlines, Rob Palmer, afirmou que a frota E195-E2 tem sido determinante para a expansão da companhia aérea na América do Norte e que a participação do BNDES reforça a confiança do mercado na estratégia de crescimento da empresa.

A aprovação ocorre poucos dias depois de a Porter Aviation Holdings ter anunciado, em comunicado próprio de 29 de julho, ter obtido o compromisso de financiamento do BNDES para as mesmas 19 aeronaves, com a formalização e o anúncio institucional do banco brasileiro vindo somente nesta segunda-feira.

A operação também se soma a uma linha de R$ 13,5 bilhões anunciada pelo BNDES na semana anterior, com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), destinada a companhias aéreas que operam no País. Desse total, R$ 8 bilhões foram reservados para capital de giro e o restante para investimentos em combustível sustentável, manutenção, infraestrutura aeroportuária e aquisição de aeronaves.

O financiamento à Porter se insere em um histórico mais amplo de apoio do BNDES às vendas internacionais da família E2. Em janeiro de 2025, o banco havia fechado com a arrendadora Azorra, com apoio da ITASCA MGA Limited, uma linha de US$ 190 milhões para financiar até oito jatos E2, elevando para US$ 640 milhões o total disponibilizado à companhia para viabilizar a entrega de 23 aeronaves a operadoras como Royal Jordanian, Azul e Scoot.

Para investidores, a aprovação reforça a capacidade da Embraer de sustentar o fluxo de entregas internacionais e preservar a carteira de pedidos do programa E2, um dos principais motores de crescimento da fabricante em meio à concorrência global com Airbus, Boeing, ATR e Bombardier.

Eve Air Mobility alcança o primeiro marco de voo de transição, avançando com o programa eVTOL rumo ao voo convencional

Acionamento do sistema de propulsão traseiro confirma aspectos fundamentais do design da aeronave 
 

 
*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A Eve Air Mobility, líder em mobilidade aérea avançada (AAM), anuncia que seu protótipo de engenharia realizou o primeiro voo da fase de transição, representando um marco fundamental no desenvolvimento e nos ensaios da aeronave elétrica de decolagem e pouso vertical (eVTOL) da empresa.

O voo incluiu a ativação da hélice propulsora traseira da aeronave (pusher), sinalizando o início da fase de transição do voo vertical para o voo horizontal. Durante o ensaio, a aeronave atingiu uma velocidade estabilizada de 27 nós (50 km/h) e velocidade máxima de 30 nós (55 km/h), com a hélice propulsora operando até 1.200 RPM.

O voo teve duração de 3 minutos e 9 segundos, percorreu aproximadamente 0,84 milha náutica (1.550 metros) e atingiu uma altura de 90 pés (27 metros) acima do nível do solo.

"Este primeiro voo de transição parcial é um marco importante na trajetória de desenvolvimento da Eve", afirma Johann Bordais, CEO da Eve Air Mobility. "A ativação bem-sucedida do sistema de propulsão traseiro valida um aspecto fundamental do design da nossa aeronave e nos aproxima cada vez mais de entregar soluções de mobilidade aérea seguras, eficientes e escaláveis."

A fase de transição é um dos aspectos mais críticos do voo de eVTOL, envolvendo a transição da sustentação vertical para o voo horizontal. A conclusão do ensaio inicial de transição parcial representa um avanço significativo nos esforços da Eve para ampliar o envelope de voo da aeronave e validar o desempenho dos seus sistemas.


"Este voo demonstrou com êxito a ativação da hélice propulsora traseira durante o voo e validou as principais metas de desempenho no início da fase de transição", destaca Marcelo Basile, diretor de engenharia da Eve Air Mobility. "Os dados coletados darão apoio à expansão contínua do envelope de voo à medida que avançamos em direção a velocidades mais elevadas e a ensaios de transição progressivamente mais complexos."

A equipe de engenharia de ensaios em voo da Eve continua conduzindo análises de cargas e estruturais para apoiar a futura expansão do envelope de voo. Na sequência do programa de ensaios em voo da aeronave, a empresa planeja realizar testes de enlace de dados para validar o desempenho do enlace de rádio e apoiar operações em velocidades de até 50 nós (92 km/h).

Nas próximas semanas, a Eve prevê expandir progressivamente o envelope de velocidade da aeronave como parte da campanha de ensaios em voo de transição.

02 agosto, 2026

Shamal Space passa a se chamar Shamal Aerospace & Defense em reposicionamento de marca aos três anos de atividade

Empresa liderada por Gilberto Damasceno Junior amplia escopo para soluções de uso duplo em aeroespacial e defesa, com foco em sistemas de navegação inercial de nova geração


 

*LRCA Defense Consulting - 03/08/2026

A empresa brasileira Shamal Space anunciou, nesta semana, a mudança de sua marca para Shamal Aerospace & Defense, em publicação feita pelo CEO e cofundador Gilberto Damasceno Junior em sua página pessoal no LinkedIn. O anúncio coincide com a celebração do terceiro aniversário da companhia, estabelecida em agosto de 2023.

Segundo Damasceno Junior, o reposicionamento reflete a evolução natural da empresa nos últimos três anos, período em que a equipe, a tecnologia e o escopo de atuação cresceram de forma significativa. Embora a paixão pelo setor espacial permaneça central para a identidade da companhia, sua expertise se ampliou para aplicações de uso duplo nos setores aeroespacial e de defesa, o que motivou a adoção do novo nome.

Da consultoria ao fornecimento de soluções próprias
A Shamal Space nasceu como braço de consultoria estratégica de negócios em tecnologias espaciais, integrada ao grupo Shamal Enterprises, fundado por Damasceno Junior em 2015. Ao longo dos últimos anos, a empresa migrou progressivamente para o desenvolvimento de hardware próprio, tendo já apresentado ao mercado, em parceria com a Navollo Aerospace, empresa brasileira fabricante de veículos lançadores, cubesats e propulsores espaciais, dois sistemas de navegação inercial (INS): o SINAI D80, voltado a aplicações táticas civis e lançado em fevereiro de 2025, e o SINAI SD150 FOG, equipado com giroscópio de fibra óptica (Fiber Optic Gyro), apresentado em abril de 2025. Ambos os equipamentos são descritos pela companhia como tecnologia integralmente projetada e fabricada no Brasil e livre de restrições do regulamento norte-americano ITAR (International Traffic in Arms Regulations), característica que amplia seu potencial de exportação.

Em novembro de 2025, a parceria entre Shamal e Navollo também produziu o primeiro voo estratosférico bem-sucedido de um picossatélite nacional dedicado à conectividade via internet das coisas (IoT), o LEPTONSat, testado no Parque Tecnológico de Sorocaba. O marco abriu caminho para o projeto de uma constelação de picossatélites de fabricação brasileira, com lançamentos previstos para 2026. Mais recentemente, em abril de 2026, durante a feira chilena FIDAE, a Shamal Space foi admitida no Consórcio de Espaço do Chile, ao lado da Associação Chilena de Indústrias de Defesa (ACHIDE).

Um fornecedor completo para missões aéreas, espaciais e de defesa
De acordo com o comunicado, a Shamal Aerospace & Defense se propõe agora a atuar como fornecedora completa de produtos avançados e soluções integradas para missões aéreas, espaciais e de defesa, trabalhando em conjunto com parceiros internacionais para levar ao mercado tecnologias como sistemas de navegação inercial de última geração e outros equipamentos e programas de alta confiabilidade. A empresa integra ainda o SHAMAL HUB, coletivo de empresas brasileiras de base tecnológica (deeptechs) do qual também fazem parte, entre outras, a Navollo Aerospace e a HyperLift Aerospace & Defense.

No texto que acompanha o anúncio, Damasceno Junior recorreu a um trecho do discurso do então presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy na Universidade Rice, em setembro de 1962, no qual Kennedy defendeu a corrida espacial americana justamente pelo grau de dificuldade do desafio, e não apesar dele. Para o executivo, a analogia se aplica ao esforço de construir, a partir do Brasil, um negócio espacial e de defesa mirando mercados globais: um empreendimento difícil, mas não impossível, ao qual a empresa afirma seguir dedicada.

A companhia afirmou ainda que o novo nome representa um compromisso com a segurança, a soberania e o avanço tecnológico das missões em que pretende atuar, agradecendo à equipe, a parceiros e a clientes pela trajetória dos últimos três anos.

Exército revela UGV armado com míssil MAX 1.2 AC durante evento no CTEx

Ambipar Robotics e SIATT integram plataforma robótica terrestre a lançador duplo do míssil anticarro nacional; VBMT Guaicurus foi apresentado com o mesmo armamento no mesmo evento 


*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026

No dia 31 de julho de 2026, durante a cerimônia do Dia do Quadro de Engenheiro Militar, no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, o Exército Brasileiro revelou publicamente um veículo terrestre não tripulado (UGV) armado com um lançador duplo para o míssil anticarro MAX 1.2 AC. O sistema é fruto de um trabalho conjunto entre a Ambipar Robotics, responsável pela plataforma robótica, e a SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico), fabricante do míssil, com apoio técnico do próprio CTEx.
A existência do UGV foi registrada em imagens exclusivas pelo jornalista Roberto Caiafa, do canal Defesa Raiz, presente no desfile do CTEx. Segundo relatou Caiafa, testemunha ocular da apresentação, trata-se de um veículo totalmente autônomo em termos de deslocamento, mas operado remotamente para o disparo dos mísseis, o que retira o atirador da linha direta de fogo e amplia a capacidade de emboscada anticarro em terrenos de risco. O jornalista classificou o desenvolvimento como uma possível revolução para o emprego da cavalaria e da infantaria brasileiras, ainda que a plataforma esteja, neste momento, em estágio de demonstração, sem data anunciada para adoção ou produção em série.
No mesmo evento, e também de forma inédita, foi apresentada uma viatura blindada multitarefa (VBMT) 4x4 Guaicurus, produzida pela IDV em Sete Lagoas (MG), equipada com o MAX 1.2 AC sobre a torre manual REMAN, da ARES Aeroespacial e Defesa. Segundo Frederico Medella, diretor comercial e de marketing da ARES, o mesmo míssil também pode ser integrado ao SARC REMAX 4, o que permitiria o disparo de dentro da viatura, sem exposição do atirador pela escotilha. As duas apresentações, do UGV e do Guaicurus, reforçam a estratégia do Exército e da indústria nacional de multiplicar as plataformas capazes de empregar o MAX 1.2 AC.
 
Vídeo do canal @1MinutodeGuerra 
O míssil MAX 1.2 AC
O MAX 1.2 AC, batizado em homenagem ao sargento Max Wolff Filho, herói da Força Expedicionária Brasileira na Segunda Guerra Mundial, é um míssil anticarro superfície-superfície de médio alcance, desenvolvido pela SIATT em parceria com o CTEx. Anteriormente conhecido como MSS 1.2 AC, foi oficialmente adotado pelo Exército Brasileiro em julho de 2025, por meio do Boletim do Exército nº 28. 
Utiliza guiamento a laser por feixe (SACLOS), com alcance operacional de até 3.200 metros; em teste recente no Campo de Provas da Marambaia, atingiu 100% de acerto contra um alvo a 2.500 metros. A ogiva de carga oca é projetada para penetrar blindagens pesadas, com capacidade secundária para engajar posições fortificadas, depósitos logísticos, embarcações fluviais e helicópteros ou drones voando em baixa altitude. Em maio de 2026, a SIATT entregou ao Exército, em Formosa (GO), o primeiro lote de produção em série do míssil, fabricado em sua nova planta industrial de Caçapava (SP).
Vídeo do canal Defesa Raiz, no YouTube
Um movimento mais amplo de robotização
A revelação do UGV armado se soma a outros indícios de que a robotização terrestre avança na Base Industrial de Defesa brasileira. Em julho de 2026, a própria Ambipar Robotics já havia entregue ao Exército o primeiro robô nacional de neutralização de artefatos explosivos (EOD), destinado ao 6º Batalhão de Engenharia de Combate. 
Em maio de 2026, a Taurus Armas revelou estar desenvolvendo, em paralelo ao seu portfólio de armas convencionais, uma família de veículos não tripulados aéreos e terrestres para receber armamentos de médio e pesado calibre, sem confirmar o parceiro tecnológico. 
Analistas do setor já apontavam a Ambipar Robotics, fornecedora recorrente de plataformas robóticas ao Exército, como parceira natural para esse tipo de projeto. O Exército também já testou, em anos anteriores, o UGV THeMIS, da estoniana Milrem Robotics, equipado com a torre remota REMAX.
O que ainda falta confirmar
Até o fechamento desta matéria, nem a Ambipar Robotics, nem a SIATT, nem o Exército Brasileiro haviam divulgado nota oficial sobre o UGV armado com o MAX 1.2 AC. A informação está apoiada no registro em vídeo e no relato de Roberto Caiafa como testemunha presencial do desfile do CTEx, e ainda não foi replicada por outros veículos especializados em defesa. Tampouco há, até o momento, cronograma público de testes, adoção ou produção em série para a plataforma.

01 agosto, 2026

Guarani volta ao radar das Filipinas em plano de compra de mais de 500 blindados

Manila estuda renovar a frota terrestre com centenas de veículos de combate, e o blindado brasileiro, já presente no país, surge como candidato favorecido pela experiência prévia, mesmo sem lista oficial de concorrentes 

 

*LRCA Defense Consulting - 02/08/2026

O Departamento de Defesa Nacional das Filipinas (DND) anunciou a intenção de adquirir mais de 500 blindados para ampliar a mobilidade e a proteção de suas forças terrestres, abrindo espaço para que o VBTP-MR Guarani 6x6, fabricado no Brasil pela Iveco Defence Vehicles (IDV), volte a ser considerado em Manila. O veículo já integra o Exército filipino desde 2024, mas o DND ainda não divulgou uma lista oficial de plataformas candidatas ao novo programa.

O anúncio filipino
O plano foi revelado pelo secretário de Defesa Nacional das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., em entrevista à emissora estatal Radyo Pilipinas, em 23 de julho de 2026. Segundo o ministro, o País asiático pretende adquirir mais de 500 fighting vehicles para permitir que as tropas terrestres reajam com mais rapidez a ameaças e reduzam a necessidade de deslocamentos a pé. Teodoro afirmou ainda que as novas viaturas deverão funcionar como fator de dissuasão, mas não revelou valores, cronograma ou requisitos técnicos, alegando razões de segurança.

O porta-voz do Exército filipino (Philippine Army), coronel Louie Dema-ala, confirmou publicamente o apoio da força ao plano, classificando veículos modernos e confiáveis como essenciais para que os soldados respondam com rapidez, manobrem com eficácia e cumpram missões com mais proteção. Dema-ala remeteu ao próprio DND qualquer detalhamento adicional sobre o programa.

A frota blindada atual das Filipinas inclui os tanques leves Sabrah e FV101 Scorpion, variantes do transporte blindado M113 e viaturas sobre rodas como o Kia KM450 e o K151 Raycolt, conjunto majoritariamente envelhecido diante do cenário de tensão no mar do Sul da China. O próprio anúncio ocorre em meio à ampliação de exercícios conjuntos das unidades blindadas filipinas com forças dos Estados Unidos e do Japão, incluindo manobras com viaturas de combate japonesas Type 16, o que sugere que Manila poderá buscar uma combinação de veículos sobre rodas e sobre lagartas, e não a compra de um único modelo para a totalidade do programa.

O histórico do Guarani em Manila
O relacionamento entre o Guarani e o Exército filipino não é novo. Em 2020, a Elbit Systems, empresa israelense responsável pela integração de subsistemas, foi confirmada como vencedora de um contrato de aproximadamente US$ 46 milhões para o fornecimento de 28 unidades do VBTP-MR 6x6 Guarani, fabricadas pela IDV em Sete Lagoas (MG). Os veículos recebem torre remotamente controlada, metralhadora de 12,7 mm ou canhão automático de 30 mm conforme a configuração, sistema de gerenciamento de campo de batalha Torch-X e rádio definido por software E-LynX, ambos da Elbit.

As primeiras cinco unidades chegaram ao Porto de Manila em fevereiro de 2024. Um segundo lote de nove unidades foi embarcado no Porto de Santos em 2025. Segundo reportagem publicada pela revista Sociedade Militar em 31 de julho de 2026, relatos especializados mais recentes indicam que apenas 14 das 28 viaturas contratadas teriam sido efetivamente entregues até aquele momento, com os atrasos atribuídos majoritariamente à integração dos sistemas da Elbit, e não à fabricação da plataforma pela IDV. Como o governo filipino e as empresas envolvidas não divulgaram um balanço público detalhado do contrato, o número exato de unidades já incorporadas ao Exército filipino deve ser tratado com ressalva.

A exportação do Guarani às Filipinas também já enfrentou um obstáculo regulatório. Em 2023, o Escritório Federal de Assuntos Econômicos e Controle de Exportações da Alemanha (BAFA) suspendeu temporariamente a exportação de componentes de origem alemã presentes no blindado, entre eles aço balístico, placas de proteção contra minas, periscópios, partes da transmissão e componentes do sistema de refrigeração. A restrição foi revertida meses depois, após negociações entre os governos envolvidos, permitindo a continuidade das entregas. O episódio expôs a dependência de uma cadeia internacional de fornecedores em um produto fabricado no Brasil e deve pesar na avaliação filipina sobre segurança de fornecimento em qualquer encomenda futura.

Por que o Guarani é visto como favorito, sem ser garantido
A principal vantagem do Guarani é a experiência operacional já acumulada pelo Exército filipino com a plataforma, somada à estrutura logística, de manutenção e de treinamento já implantada para sua operação. A adoção de um modelo já conhecido tende a reduzir custos com ferramental, peças de reposição, simuladores e formação de equipes técnicas, além de facilitar a integração de novas unidades a uma cadeia logística já em funcionamento.

Há, no entanto, uma diferença de nomenclatura relevante entre o produto brasileiro e o anúncio filipino. O Guarani atualmente em serviço nas Filipinas é classificado principalmente como veículo blindado de transporte de pessoal, enquanto o termo fighting vehicles, usado por Teodoro, remete normalmente a um veículo de combate de infantaria, categoria que costuma receber armamento mais pesado e missão de apoio direto às tropas desembarcadas. Como o DND ainda não revelou os requisitos técnicos do programa, permanece em aberto se a futura encomenda incluirá o Guarani, viaturas mais pesadas, veículos sobre lagartas ou uma combinação de plataformas especializadas.

A relação de defesa entre Brasil e Filipinas
O vínculo militar entre os dois países ultrapassa o programa Guarani. Brasil e Filipinas assinaram, em 2022, um memorando de cooperação em defesa que abriu espaço para iniciativas em logística, indústria, treinamento e intercâmbio tecnológico. Em fevereiro de 2026, o DND classificou o Brasil como parceiro relevante para seu programa de modernização das Forças Armadas e como seu único parceiro formal de defesa na América Latina, sinalizando interesse em ampliar a cooperação industrial. A Força Aérea das Filipinas também opera seis unidades do A-29 Super Tucano, da Embraer, outro produto brasileiro incorporado ao processo de modernização militar filipino, o que reforça o histórico institucional que pode facilitar negociações governamentais e novos acordos industriais em torno do Guarani, ainda que cada aquisição dependa de avaliação própria.

Mudança de controle acionário da fabricante
O cenário industrial por trás do Guarani também mudou nos últimos meses. Em 18 de março de 2026, o grupo italiano Leonardo concluiu a aquisição da Iveco Defence Vehicles e da marca de caminhões militares ASTRA, negócio avaliado em aproximadamente €1,6 bilhão. A operação inclui a planta de Sete Lagoas (MG), onde é fabricado o Guarani, e reorganiza a IDV como uma OEM (Original Equipment Manufacturer) integrada ao portfólio de eletrônica, sensores e torres da Leonardo, com potencial de elevar o padrão de exportação do blindado brasileiro.

Um desdobramento corporativo mais recente, contudo, ainda gera incerteza sobre o desenho final do grupo. Segundo comunicado da própria Leonardo, reproduzido pela Investing.com em 31 de julho de 2026, a companhia mantém negociações não vinculativas com a alemã Rheinmetall sobre a venda de parte da IDV recém-adquirida. O diretor financeiro do grupo, Giuseppe Aurilio, descreveu a existência de um acordo de cavalheiros com a Rheinmetall, sem caráter formalmente vinculativo, e classificou a venda como uma entre várias alternativas em avaliação, e não a única. O executivo destacou que o negócio de caminhões da IDV está em crescimento e é lucrativo, o que colocaria a Leonardo em posição mais confortável para negociar. O diretor-executivo Lorenzo Mariani acrescentou que o grupo recebeu consultas de outras partes interessadas na mesma unidade.

É importante notar que essas tratativas com a Rheinmetall dizem respeito, segundo fontes internacionais como Defense Post e MarketScreener, ao negócio de caminhões militares e logísticos da IDV, marcas ASTRA e Eurocargo, e não à linha de veículos blindados de combate, na qual se insere o Guarani. Ainda assim, o episódio confirma que a reestruturação societária em torno da fabricante segue em curso, num momento em que Manila avalia expandir sua frota blindada, o que reforça a relevância de acompanhar a governança da IDV como variável relevante para qualquer negociação futura entre Brasil e Filipinas.

O que ainda não está confirmado
Até o fechamento desta reportagem, nenhuma fonte filipina ou brasileira havia confirmado a inclusão formal do Guarani em uma licitação ou lista restrita do novo programa de mais de 500 veículos. O DND não divulgou plataformas candidatas, valores ou cronograma. A menção ao blindado brasileiro no noticiário internacional decorre, por ora, de inferência editorial baseada no histórico de relacionamento e na infraestrutura logística já instalada nas Filipinas, e não de documento oficial de licitação.

IMBEL inicia carregamento de granadas de 155 mm na nova planta da Fábrica de Juiz de Fora

Unidade realizou o primeiro lote de granadas AE M107 com TNT na Nova Planta de Carregamento, etapa que marca a validação operacional da estrutura inaugurada em 2025

 

*LRCA Defense Consulting - 01/08/2026

Nesta quinta-feira (30), a IMBEL realizou, na Fábrica de Juiz de Fora (FJF), em Minas Gerais, o primeiro carregamento de um lote de granadas AE M107 de 155 mm com TNT na Nova Planta de Carregamento (NPC) da unidade. A operação marca o início de uma sequência de atividades voltadas ao refinamento contínuo dos processos operacionais da planta, com foco na validação de equipamentos e sistemas, no aperfeiçoamento dos procedimentos produtivos e na garantia de conformidade com os requisitos normativos de qualidade e segurança.

O processo teve início com a entrada, pelo túnel de pré-aquecimento, do carro de transporte de granadas, movimentado pelo sistema indexador até a Estação de Carregamento. Ali ocorreu o preenchimento das granadas com explosivo fundido, previamente preparado nas Cubas de Fusão e transferido por meio da Cuba de Vazamento. Cada granada foi carregada até o massalote, concluindo o processo de enchimento e liberando o conjunto para a etapa seguinte.

Na etapa de resfriamento, o carro foi direcionado a uma cabine específica, onde ferramentas de aquecimento, previamente ajustadas, promoveram uma solidificação controlada do explosivo. O procedimento assegura uma carga isenta de defeitos internos, contribuindo para a qualidade, a confiabilidade e a segurança do produto final.

Segundo a IMBEL, a operação representa um marco no processo de integração e operação da NPC, permitindo a consolidação dos parâmetros de processo e a coleta de dados essenciais para a otimização contínua da produção. Os resultados obtidos devem servir de base para o aperfeiçoamento das rotinas operacionais, fortalecendo a capacidade produtiva da Empresa e reafirmando seu compromisso com a excelência, a segurança e a qualidade dos produtos.

Da inauguração à validação operacional
A NPC foi inaugurada em cerimônia realizada em Juiz de Fora no início de agosto de 2025, com a presença de autoridades militares e de representantes de empresas parceiras da Base Industrial de Defesa (BID). Na ocasião, o diretor-presidente da IMBEL, general de divisão veterano Ricardo Rodrigues Canhaci, destacou que a nova estrutura representa um passo importante para a garantia da soberania nacional, ressaltando que ela resulta da evolução de uma planta originalmente importada, hoje modernizada pela engenharia nacional.

O chefe da fábrica de Juiz de Fora, coronel veterano Renato Mitrano Perazzinni, explicou que a instalação eleva a capacidade de carregamento de granadas e cabeças de guerra em calibres entre 60 mm e 155 mm, incluindo versões de alcance estendido, carga oca e explosivos insensíveis, estes últimos voltados à redução de riscos de acidentes no manuseio e no transporte. Segundo ele, o avanço abrange também a nacionalização, a independência e o domínio técnico dos sistemas capazes de fabricar essas munições.

Um capítulo na trajetória da FJF
A Fábrica de Juiz de Fora integra o Sistema de Ciência e Tecnologia (SCT) do Exército Brasileiro e detém exclusividade na fabricação de munições para a Força Terrestre. Suas origens remontam a 1934, quando foi criada como Fábrica de Estojos e Espoletas de Artilharia (FEEA), designação alterada para FJF em 1939.

O início das operações da NPC dá sequência a um processo de nacionalização já em curso na unidade. Em 2022, a fábrica entregou ao Exército Brasileiro o primeiro lote do Tiro 155 mm M107 fabricado integralmente no País, com componentes como o corpo da granada, as estopilhas MK2A4 e M82 e a carga de projeção M3A1 produzidos sem dependência de fornecedores estrangeiros.

A validação da NPC deve ampliar o portfólio de carregamento da IMBEL e reduzir a dependência externa em um segmento considerado estratégico para as Forças Armadas, consolidando a Empresa como fornecedora nacional de munições de artilharia de médio e grande calibre.

O Brasil é rico demais para continuar pobre em defesa



*Luiz Alberto Cureau Jr. - 01/08/2026

Os grandes conflitos sempre transformaram a economia mundial. Desta vez, porém, há uma diferença importante, além dos campos de batalha, a guerra está redefinindo cadeias industriais, prioridades orçamentárias e a geopolítica da produção militar. O que hoje parece uma resposta emergencial tende a se tornar permanente. 
 
A Europa compreendeu que sua segurança depende de uma Base Industrial de Defesa forte e capaz de sustentar conflitos prolongados, para não depender dos outros. Mesmo enfrentando desafios fiscais, continua ampliando investimentos, expandindo fábricas, financiando inovação e fortalecendo sua autonomia estratégica.
 
Independentemente do desfecho da guerra, dificilmente esse movimento será revertido. Quem investiu bilhões em tecnologia, capacidade produtiva e mão de obra especializada buscará novos mercados, consolidará sua liderança tecnológica e ampliará sua influência política e econômica.
 
Enquanto isso, o Brasil ainda discute se investir em defesa é gasto ou investimento.
 
Essa é uma visão perigosa para um país que reúne algumas das maiores riquezas estratégicas do planeta. Amazônia, Amazônia Azul, minerais críticos, água doce, produção de alimentos e uma matriz energética diversificada colocam o Brasil em posição de crescente relevância em um mundo cada vez mais competitivo por recursos.
 
A história demonstra que riquezas atraem interesses. E interesses sem capacidade de dissuasão transformam vulnerabilidades em oportunidades para terceiros.
 
O fortalecimento da Base Industrial de Defesa brasileira deixou de ser apenas uma agenda militar. Tornou-se uma agenda de desenvolvimento nacional. Uma indústria forte gera empregos qualificados, impulsiona inovação, desenvolve tecnologias de uso dual e reduz a dependência de fornecedores externos justamente quando eles priorizam suas próprias necessidades.
 
O risco de permanecer inerte é evidente. Europa, Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Turquia e Israel ampliam rapidamente seus complexos industriais de defesa. Quanto maior essa capacidade, maior será sua competitividade, sua influência diplomática e seu domínio tecnológico. Se o Brasil não acelerar seus investimentos, correrá o risco de tornar-se apenas consumidor de soluções produzidas por outros, perdendo autonomia sobre sua própria segurança.
 
As Forças Armadas têm papel central nesse processo. São elas que induzem inovação, estimulam a indústria nacional e garantem a continuidade de projetos estratégicos. Mas isso exige previsibilidade orçamentária, planejamento de longo prazo e uma política de Estado, coisa que não temos.
 
O mundo já iniciou uma nova corrida industrial. A questão não é se o Brasil pode investir mais em sua Base Industrial de Defesa.
 
A pergunta é outra, quando as grandes potências disputarem influência, mercados e recursos estratégicos, estaremos preparados para defender nossos interesses ou dependeremos da capacidade industrial daqueles que já decidiram acelerar?
 
 
*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 (Veterano) do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do 19º Batalhão de Infantaria Motorizado, comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Brigada de Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor de Defesa e Clima na Segura.    

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