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29 janeiro, 2026

Exército Brasileiro reafirma compromisso com Avibras em visita do Diretor de Fabricação

General Tales Villela, Diretor de Fabricação do EB, fala em relevância estratégica da empresa e confirma evolução da recuperação, enquanto Avibras reativa negociações internacionais


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LRCA Defense Consulting - 29/01/2026

Em um movimento que sinaliza forte apoio institucional à recuperação da Avibras Indústria Aeroespacial, o Exército Brasileiro realizou nesta terça-feira (28) uma visita oficial à empresa paralisada há mais de três anos. A comitiva foi liderada pelo General de Divisão Tales Eduardo Areco Villela, Diretor de Fabricação, órgão responsável pela interface entre o desenvolvimento e o uso de materiais de emprego militar na Força Terrestre.

A visita ocorre em momento crítico: na mesma semana, representantes da Avibras, incluindo o ex-presidente Sami Youssef Hassuani, estiveram na Indonésia para reuniões com o Exército local, principal cliente internacional da empresa. Os dois eventos, separados por milhares de quilômetros, mas unidos em propósito, revelam uma estratégia coordenada de reativação da fabricante brasileira de sistemas de defesa.

Relevância estratégica para a soberania nacional
Em postagem publicada em seu perfil no LinkedIn, o General Villela não economizou elogios à capacidade instalada da Avibras. A empresa apresenta potencial instalado, com infraestrutura produtiva, capacidades tecnológicas e ativos industriais, que lhe confere relevância estratégica na Base Industrial de Defesa, declarou o general.

Ainda segundo Villela, a Avibras possui potencial contribuição significativa para a soberania nacional, para o fortalecimento das capacidades operacionais da Força Terrestre e para a autonomia tecnológica do Brasil no setor de Defesa. As palavras são especialmente significativas vindas do oficial responsável por toda a cadeia de fabricação e modernização de equipamentos militares terrestres.

A comitiva que acompanhou o General Villela incluiu o General de Brigada R1 Paixão, gerente do Programa Estratégico ASTROS, e o Coronel Alexandre Horstmann, além de engenheiros militares da CACTTAV (Comissão de Acompanhamento e Controle de Testes, Avaliação e Validação), Tenente-Coronel Eduardo Guerra e o Capitão Eduardo Henrique dos Santos. A presença do gerente do Programa ASTROS é particularmente relevante, dado que este é o principal contrato entre a Avibras e o Exército Brasileiro.

Programa ASTROS: coração do relacionamento
O Programa Estratégico ASTROS 2020 é um dos projetos mais ambiciosos do Exército Brasileiro nas últimas décadas. Iniciado em 2012 com previsão original de conclusão em 2023 (posteriormente estendida para 2031), o programa contempla o desenvolvimento e fornecimento de míssil tático de cruzeiro, foguete guiado e novas viaturas de combate.

Com investimentos que já superaram R$ 1 bilhão, o ASTROS 2020 visa dotar a Força Terrestre de capacidade de apoio de fogo de longo alcance (até 300 km com o míssil de cruzeiro) com elevada precisão e letalidade. O sistema é considerado estratégico para a chamada dissuasão extrarregional, a capacidade de desencorajar ameaças mesmo antes que se materializem.

Atualmente, o Exército Brasileiro opera 83 viaturas do sistema ASTROS, sendo 44 lançadoras múltiplas universais (LMU). A versão mais moderna, o ASTROS II Mk6, incorpora sistema de comando e controle digitalizado (C4I), com GPS, rádios criptografados e navegação digital, tecnologias que colocam o sistema brasileiro entre os mais avançados do mundo em sua categoria.

A paralisação da Avibras em setembro de 2022 interrompeu brutalmente a continuidade do programa. Entregas de novos equipamentos foram suspensas, o desenvolvimento do míssil tático de cruzeiro e do foguete guiado ficou congelado, e a manutenção dos sistemas já entregues passou a depender de estoques limitados de peças.

Evolução da recuperação: sinais concretos
O que torna a visita do General Villela particularmente significativa é sua afirmação categórica: “Na ocasião, foi possível acompanhar a evolução da recuperação da Avibras e a retomada gradual de suas atividades”. Esta é a primeira vez que uma autoridade militar de alto escalão reconhece publicamente progressos concretos no processo de reestruturação da empresa.

O objetivo declarado da visita foi tratar dos Projetos Estratégicos de Defesa desenvolvidos em parceria com a empresa, bem como do andamento do reinício de suas operações. A menção explícita ao reinício de operações sugere que há um cronograma estabelecido e que o Exército está ativamente acompanhando sua implementação.

Documentos da nova administração, liderada por Fábio Guimarães Leite desde agosto de 2025, já haviam indicado que a empresa estava em processo de reestruturação, com diligências, auditorias e manutenção das instalações industriais em andamento. A visita do Exército, no entanto, eleva significativamente o nível de credibilidade dessas informações. 

Missão Indonésia: preservando mercados críticos
Na mesma semana da visita do General Villela, representantes da Avibras estiveram na Indonésia para reuniões com o Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio (Pussenarmed). A delegação incluiu Sami Youssef Hassuani, ex-presidente e atual assessor da empresa, e representantes da PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia que atua como intermediária local.

A Indonésia é cliente estratégico da Avibras, operando 63 unidades do ASTROS II Mk6 adquiridas em contratos que somaram entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões. Com a empresa paralisada há mais de três anos, surgem questões críticas sobre manutenção, peças de reposição, treinamento de operadores e, crucialmente, novos contratos.

A escolha de Hassuani para liderar a missão não foi casual. Engenheiro com vasta experiência na indústria de defesa, ele foi presidente da Avibras e conhece profundamente o mercado indonésio, tendo participado das negociações originais. Sua presença demonstra que a empresa está mobilizando seus melhores ativos humanos para preservar relações comerciais vitais.

A sincronização entre a missão Indonésia e a visita do Exército Brasileiro sugere coordenação estratégica. Ao demonstrar que tem o apoio das Forças Armadas brasileiras, a Avibras fortalece sua posição nas negociações internacionais. E ao manter clientes internacionais ativos, a empresa demonstra ao Exército que continua relevante no mercado global.

O papel do General Villela: arquiteto da modernização
Para entender a importância da visita, é crucial compreender quem é o General Tales Villela e o que representa a Diretoria de Fabricação no Exército Brasileiro. Como Diretor de Fabricação, Villela é responsável por planejar e coordenar todas as atividades relativas à produção, revitalização, modernização e nacionalização de sistemas e materiais de emprego militar.

A Diretoria de Fabricação é o elo entre o desenvolvimento de produtos de defesa e seu uso pela tropa, gerenciando contratos com a Base Industrial de Defesa e supervisionando os Arsenais de Guerra. Villela está à frente de projetos estratégicos como a modernização do blindado EE-9 Cascavel, o desenvolvimento do Guarani, negociações com a BAE Systems para produção licenciada do obuseiro L119 Light Gun, e, crucialmente, o Programa ASTROS 2020, além de outros projetos e programas importantes.

Em entrevistas anteriores, Villela enfatizou repetidamente a importância de uma Base Industrial de Defesa nacional forte e autônoma. Sua visão é de que empresas como a Avibras não são apenas fornecedoras, mas parceiras estratégicas no desenvolvimento de capacidades nacionais. A empresa fabrica não apenas o ASTROS, mas também domina tecnologias críticas de propulsão, integração de sistemas e fabricação de veículos blindados.

Sua declaração pública de apoio à Avibras, portanto, não é protocolar. É um posicionamento estratégico que reflete a visão do Alto Comando sobre a importância da empresa para a autonomia tecnológica brasileira no setor de defesa.

Declaração exclusiva do General Villela
Em declaração exclusiva a esta editoria, o General Tales Villela foi ainda mais enfático sobre o comprometimento institucional com a recuperação da empresa: 

“O EB, em especial EPEx/EME e DF, tem envidado todos os esforços para tornar a recuperação da empresa uma realidade. Temos tido reuniões sistemáticas há algum tempo. E, dessa última, assevero ter saído bastante satisfeito. Ainda há desafios, mas creio que com trabalho, dedicação, vontade política e força mental, superaremos. Prossigamos!”.

A menção ao Estado-Maior do Exército (EME) e ao Escritório de Projetos do Exército (EPEx) revela que o apoio à Avibras não é uma iniciativa isolada da Diretoria de Fabricação, mas uma política institucional coordenada pelos mais altos escalões da Força Terrestre. A referência a "reuniões sistemáticas há algum tempo" confirma que existe um processo estruturado de acompanhamento da recuperação, e não apenas visitas esporádicas.

A expressão "bastante satisfeito" usada pelo General é particularmente significativa. Em linguagem militar institucional, onde comedimento é a norma, tal manifestação de satisfação indica que a evolução da recuperação superou expectativas. O reconhecimento de que "ainda há desafios", seguido imediatamente pela afirmação de que serão superados com "trabalho, dedicação, vontade política e força mental", transmite confiança equilibrada com realismo, exatamente o tipo de posicionamento que mercados e credores valorizam. 

Contexto da crise: três anos de agonia
Para compreender a magnitude do apoio do Exército, é necessário relembrar a profundidade da crise da Avibras. A empresa entrou em sua terceira recuperação judicial em março de 2022, acumulando dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão, incluindo cerca de R$ 200 milhões com o governo federal.

Aproximadamente 900 trabalhadores estão em greve desde setembro de 2022, com 28 meses de salários atrasados. A fábrica em Jacareí (SP) está paralisada, com instalações e equipamentos em risco de obsolescência. Múltiplas tentativas de venda falharam: a australiana DefendTex em 2024, a chinesa Norinco, e conversas mais recentes com a saudita Black Storm Military Industries permanecem inconclusivas.

Em agosto de 2025, houve uma mudança de controle: Fábio Guimarães Leite, através da Vita Gestão e Investimentos, tornou-se acionista majoritário com 99% das ações. Um plano alternativo de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em maio de 2025, mas sua homologação ainda enfrenta recursos do Banco Fibra e da União.

Em março de 2025, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional chegou a pedir a conversão da recuperação judicial em falência, devido ao não cumprimento de parcelas de refinanciamento de dívidas tributárias. A situação permanece tecnicamente crítica.

No entanto, no dia 28 último, a Avibras informou ao Sindicato dos Metalúrgicos de SJC que pretende retomar atividades da fábrica em 16 de março, desde que seja fechado o acordo de pagamento das dívidas trabalhistas e resolvida a pendência da recuperação judicial no TJ-SP.


Sinais de viabilidade: o que mudou?
A visita do General Villela e suas declarações públicas sugerem que algo fundamental mudou na percepção do Exército sobre a viabilidade da recuperação da Avibras. Vários fatores podem estar contribuindo para essa mudança de perspectiva:

1. Nova liderança comprometida: Fábio Guimarães Leite assumiu não apenas como administrador judicial, mas como acionista majoritário com capital próprio comprometido. Diferentemente de tentativas anteriores de venda para grupos estrangeiros, há agora um brasileiro com interesse financeiro direto no sucesso da empresa.

2. Preservação de ativos: apesar da paralisação, a infraestrutura produtiva foi mantida. O reconhecimento do General Villela sobre infraestrutura produtiva, capacidades tecnológicas e ativos industriais sugere que os danos da paralisação podem ter sido menos graves do que se temia.

3. Manutenção de capacidades técnicas: a empresa ainda detém conhecimento técnico crítico. A participação de Sami Youssef Hassuani nas negociações indonésias demonstra que há continuidade de expertise, mesmo após a crise.

4. Necessidade estratégica: o Exército tem contratos em andamento e necessidades operacionais urgentes. A manutenção dos sistemas ASTROS existentes, o desenvolvimento do míssil tático de cruzeiro e do foguete guiado não podem esperar indefinidamente. A retomada da Avibras pode ser mais viável e rápida do que desenvolver alternativas.

5. Interesse geopolítico: em um contexto global de rearmamento e tensões geopolíticas crescentes, a autonomia tecnológica em sistemas de defesa tornou-se ainda mais crítica. A falência da Avibras forçaria o Brasil a depender de fornecedores estrangeiros para capacidades estratégicas.

Possíveis novos contratos?
A declaração do General Villela de que a Diretoria de Fabricação reitera seu compromisso com o fortalecimento da BID, de modo a viabilizar o desenvolvimento e a manutenção de capacidades tecnológicas estratégicas pode sinalizar apoio a novos contratos.

O Programa ASTROS 2020, com previsão de conclusão em 2031, ainda tem entregas pendentes. Além disso, o Exército vem modernizando diversos outros sistemas (obuseiros, blindados, sistemas antiaéreos), muitos dos quais poderiam, em tese, ser fabricados ou modernizados pela Avibras uma vez que a empresa retome operações.

Novos contratos não apenas trariam recursos financeiros para a recuperação judicial, mas também demonstrariam confiança institucional na viabilidade da empresa, um fator crucial para atrair investidores, renegociar dívidas e convencer trabalhadores a retornar.

No entanto, qualquer novo contrato dependeria de várias condições: regularização mínima da situação trabalhista, demonstração de capacidade operacional efetiva, homologação do plano de recuperação judicial e, crucialmente, aprovação pela Controladoria-Geral da União e pelos órgãos fiscalizadores.

Implicações mais amplas
A visita do General Villela transcende o caso específico da Avibras. Ela representa um posicionamento sobre o modelo de Base Industrial de Defesa que o Brasil pretende construir. O Exército está, essencialmente, sinalizando que prefere investir na recuperação de capacidades nacionais existentes do que depender integralmente de fornecedores estrangeiros.

Esta é uma decisão estratégica com implicações de longo prazo. Empresas de defesa não se criam da noite para o dia, levam décadas para desenvolver conhecimento técnico, certificações, infraestrutura e credibilidade. A Avibras representa 60 anos de desenvolvimento tecnológico acumulado. Sua falência significaria não apenas a perda de empregos e capacidade produtiva, mas a destruição de conhecimento que seria extremamente difícil de reconstruir.

Por outro lado, essa estratégia tem riscos. Se a recuperação falhar após o Exército ter sinalizado apoio público, isso gerará embaraços políticos e operacionais. Recursos públicos investidos poderiam ser perdidos. E o tempo gasto tentando salvar a Avibras é tempo não gasto desenvolvendo planos B.

Reações e próximos passos
A visita do General Villela foi amplamente divulgada nas redes sociais do próprio general e rapidamente repercutiu em círculos especializados em defesa. Analistas veem o movimento como extremamente positivo para a Avibras, mas alertam que declarações precisam ser seguidas de ações concretas.

Trabalhadores, através do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, reagiram com cautela. Apesar do otimismo com o apoio do Exército, continuam exigindo pagamento dos salários atrasados como pré-condição para qualquer retorno ao trabalho. “Palavras são importantes, mas precisamos ver o dinheiro dos salários”, resumiu um representante sindical em declaração não oficial.

Credores também observam atentamente. O fundo Brasil Crédito, principal credor, tem interesse em ver a empresa recuperada para maximizar o valor de seus créditos. Mas outros credores, mais céticos, podem interpretar o apoio do Exército como oportunidade para pressionar por melhores condições de pagamento.

Os próximos passos críticos incluem:

• Homologação definitiva do plano de recuperação judicial, ainda pendente devido a recursos legais;

• Negociação com trabalhadores para retorno gradual das atividades;

• Regularização mínima das dívidas tributárias e trabalhistas;

• Demonstração de capacidade operacional com entregas concretas;

• Conclusão das negociações com a Indonésia e, idealmente, assinatura de novos contratos;

• Possível anúncio de novos contratos ou aditivos com o Exército Brasileiro.

Um ponto de inflexão?
A visita do General Tales Villela à Avibras, acompanhada de declarações públicas inequívocas de apoio, representa potencialmente um ponto de inflexão na saga de recuperação da empresa. Pela primeira vez em três anos, há um sinal claro de que as Forças Armadas brasileiras, o principal cliente da Avibras, acreditam na viabilidade da retomada.

A sincronia com a missão Indonésia não é coincidência. É evidência de uma estratégia coordenada: demonstrar viabilidade interna para fortalecer negociações externas, e vice-versa. A Avibras está tentando criar um círculo virtuoso de credibilidade.

No entanto, seria prematuro declarar vitória. A empresa ainda enfrenta desafios monumentais: dívidas bilionárias, trabalhadores sem salário há mais de dois anos, instalações paradas, credores impacientes e um ambiente jurídico complexo. O apoio do Exército é necessário, mas não suficiente.

O que a visita do General Villela fez foi mudar a narrativa. De uma empresa moribunda esperando o que parecia inevitável, a Avibras passa a ser vista como uma empresa com relevância estratégica em processo de recuperação com apoio institucional. Esta mudança de percepção, por si só, tem valor.

A questão agora é: essa mudança de percepção será seguida de ações concretas? Haverá novos contratos? Os trabalhadores receberão seus salários? A produção efetivamente retornará? As próximas semanas e meses darão a resposta.

O que está claro é que o Exército Brasileiro fez sua escolha: apostou na recuperação da Avibras como elemento essencial da autonomia estratégica brasileira. Agora, cabe à empresa e a seus diversos stakeholders honrar essa confiança.

 

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 *LRCA Defense Consulting - 28/01/2026

Em uma tentativa de manter viva uma de suas principais relações comerciais internacionais, a brasileira Avibras Indústria Aeroespacial realizou recentemente uma visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio (Pussenarmed). A visita, documentada no Instagram oficial da entidade militar indonésia, contou com a presença de Sami Youssef Hassuani, ex-presidente da Avibras e atual assessor da nova gestão da empresa, e representantes da PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia com histórico de atuação em diversos setores, incluindo defesa, que possui uma homônima no Brasil registrada em 2022.

A missão tem um contexto delicado: a Avibras atravessa sua terceira recuperação judicial desde 2022, acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão e está paralisada há quase três anos. A empresa, que já foi referência mundial em sistemas de artilharia de saturação, agora luta por sua sobrevivência, e a Indonésia representa um dos últimos fios de esperança comercial.

Um cliente estratégico em jogo
A Indonésia é um dos principais clientes internacionais da Avibras. Entre 2012 e 2020, o país adquiriu 63 unidades do sistema ASTROS II Mk6, a versão mais moderna do lançador múltiplo de foguetes desenvolvido pela empresa brasileira. Os contratos, que somaram entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões, foram divididos em duas etapas: 36 unidades na primeira encomenda (2012) e 27 unidades entregues em junho de 2020.

Os sistemas ASTROS II operam ativamente no Exército indonésio, equipando batalhões de artilharia e sendo utilizados em exercícios militares regulares, como o realizado em agosto de 2025 em Java Central. A aquisição foi vista como estratégica para o fortalecimento da defesa em áreas sensíveis, como o disputado Mar de Natuna, onde as tensões geopolíticas com a China têm aumentado.

Porém, com a paralisação da Avibras desde setembro de 2022, surgem questões críticas: quem prestará manutenção e fornecerá peças de reposição para os sistemas já entregues? Quem treinará novos operadores? E, principalmente, haverá novos contratos?

Sami Youssef Hassuani: o arquiteto que retorna
A presença de Sami Youssef  Hassuani na delegação é emblemática. Engenheiro com vasta experiência na indústria de defesa brasileira, Sami foi presidente da Avibras e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). Apesar de não ocupar mais o cargo de CEO (que atualmente pertence a Fábio Guimarães Leite, nomeado em agosto de 2025), Sami retornou à empresa como assessor técnico da nova administração.

Fontes próximas à empresa revelam que Sami foi cotado para liderar a chamada 'Nova Avibras', nome dado ao projeto de reestruturação proposto pelo fundo Brasil Crédito, principal credor da companhia. Sua participação em reuniões com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos em maio de 2025, quando ainda representava o Brasil Crédito, demonstra seu papel central nas negociações pela recuperação da empresa.

A visita à Indonésia, portanto, não é casual. Sami conhece profundamente o mercado indonésio, tendo participado das negociações que resultaram nas vendas milionárias do ASTROS II. Sua presença sinaliza uma tentativa de tranquilizar o cliente sobre a continuidade do suporte técnico e, possivelmente, abrir caminho para novos negócios.

 

PT Poris Duta Sarana: o elo indonésio
A PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia que acompanhou a delegação, adiciona outra camada à narrativa. Com sede em Jacarta e atuação em diversos setores, incluindo fornecimento de materiais técnicos e serviços de importação, a Poris possui histórico no setor de defesa indonésio, embora detalhes específicos de sua participação em contratos militares sejam escassos.

Registros de importação indicam envolvimento da empresa com materiais de alta performance, como primers epóxi industriais. Curiosamente, a PT Poris Duta Sarana também possui registro no Brasil desde abril de 2022, com atividade declarada no comércio varejista de móveis, um contraste com suas operações mais técnicas na Indonésia.

A participação da Poris sugere que pode estar atuando como intermediária local, facilitando negociações entre a Avibras e o Exército indonésio, um papel comum em contratos de defesa internacionais, onde empresas locais auxiliam fabricantes estrangeiros a navegar pelas complexidades burocráticas e regulatórias.

O que está em jogo?
A visita ao Pussenarmed pode ter múltiplos objetivos. O primeiro e mais óbvio é a manutenção dos sistemas já entregues. Com a Avibras paralisada, o Exército indonésio enfrenta o risco de ficar sem suporte técnico para suas 63 unidades do ASTROS II, um problema grave para equipamentos militares complexos que exigem manutenção regular, peças de reposição e treinamento contínuo de operadores.

Um segundo objetivo provável é tranquilizar o cliente sobre a capacidade da Avibras de retomar operações. A nova administração, liderada por Fábio Guimarães Leite desde agosto de 2025, anunciou planos para retomar gradualmente as atividades, começando com setores administrativos e de engenharia. Em setembro de 2025, a empresa informou estar em processo de reestruturação, com diligências, auditorias e manutenção das instalações industriais em andamento.

Mas há também a possibilidade de negociações para novos contratos. A Indonésia vem modernizando suas Forças Armadas e o ASTROS II provou ser eficaz em exercícios de artilharia. Contratos adicionais para munições, upgrades tecnológicos ou até mesmo novas baterias do sistema poderiam representar uma injeção crucial de recursos para a Avibras.

Documentos da nova gestão indicam que a empresa já retomou visitas e reuniões técnicas com os principais clientes, incluindo prospecções no Oriente Médio e avanços em negociações com o Exército Brasileiro. A Indonésia, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de reativação comercial.

A crise da Avibras: um contexto sombrio
A Avibras, fundada em 1961 e uma das poucas empresas brasileiras com capacidade de desenvolver sistemas complexos de artilharia, vive sua pior crise. Após entrar em recuperação judicial pela terceira vez em março de 2022, a empresa acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão, incluindo cerca de R$ 200 milhões com o governo federal.

Os aproximadamente 900 trabalhadores estão em greve desde setembro de 2022, com 28 meses de salários atrasados. A fábrica em Jacareí (SP) permanece paralisada, com instalações e equipamentos em risco de obsolescência. Vários planos de venda falharam: uma tentativa com a australiana DefendTex em 2024 não se concretizou; negociações com a chinesa Norinco também não avançaram; e, mais recentemente, conversas com a saudita Black Storm Military Industries permanecem em andamento, mas sem conclusão.

Em agosto de 2025, houve uma mudança significativa: Fábio Guimarães Leite, através da empresa Vita Gestão e Investimentos, tornou-se acionista majoritário com 99% das ações, após a saída do ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite. Um plano alternativo de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em maio de 2025, mas sua homologação ainda enfrenta recursos legais do Banco Fibra e da União.

Em março de 2025, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional chegou a pedir a conversão da recuperação judicial em falência, devido ao não cumprimento de parcelas de refinanciamento de dívidas tributárias. A situação permanece crítica, com a Avibras dependendo de acordos com credores, governo e trabalhadores para viabilizar sua reestruturação.

A Avibras informou hoje (28) ao Sindicato dos Metalúrgicos de SJC que pretende retomar atividades da fábrica em 16 de março, desde que seja fechado o acordo de pagamento das dívidas trabalhistas e resolvida a pendência da recuperação judicial no TJ-SP.

 
Vídeo do encontro em Jacarta (Instagram)

Implicações estratégicas
A visita à Indonésia transcende o aspecto comercial imediato. Ela representa uma tentativa de preservar um dos últimos ativos valiosos da Avibras: sua reputação internacional e sua base de clientes consolidada. Perder o mercado indonésio não significaria apenas a perda de receita, mas também o fim da credibilidade da empresa no mercado global de defesa.

Para a Indonésia, a situação também é delicada. Depender de um fornecedor em crise para manter sistemas de defesa estratégicos é um risco. O país pode ser forçado a buscar alternativas, como a transferência de tecnologia para produção local ou a aquisição de novos sistemas de outros fabricantes, como o sul-coreano K239 Chunmoo ou o israelense PULS.

Do ponto de vista brasileiro, a crise da Avibras é um sinal alarmante sobre a fragilidade da base industrial de defesa nacional. A empresa é certificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e domina tecnologias críticas de propulsão, integração de sistemas e fabricação de veículos militares. Sua falência representaria não apenas a perda de empregos qualificados, mas também de capacidades tecnológicas que levaram décadas para serem desenvolvidas.

Perspectivas e incertezas
A visita ao Pussenarmed é, em muitos aspectos, um teste para a 'Nova Avibras'. Se a empresa conseguir demonstrar capacidade de retomar o suporte aos sistemas indonésios e, idealmente, fechar novos contratos, isso poderia catalisar sua recuperação. Contratos internacionais trariam não apenas recursos financeiros, mas também credibilidade junto a credores e ao governo brasileiro.

Por outro lado, o fracasso em manter essa relação comercial poderia acelerar o declínio da empresa. Clientes internacionais tendem a ser avessos a riscos quando se trata de equipamentos militares críticos. Uma vez perdida a confiança, é extremamente difícil recuperá-la.

A escolha de Sami Youssef Hassuani para liderar a delegação é estratégica. Sua experiência, reputação no mercado internacional e conhecimento profundo dos sistemas ASTROS II fazem dele o emissário ideal. Mas mesmo o melhor diplomata corporativo não pode compensar indefinidamente a falta de capacidade operacional.

A Avibras precisará demonstrar resultados concretos: retomada da produção, solução das dívidas trabalhistas, regularização tributária e, crucialmente, capacidade de entregar suporte técnico e novos equipamentos. Promessas não serão suficientes.

 

Missão de sobrevivência
A visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio representa muito mais do que um encontro diplomático de rotina. É uma missão de sobrevivência. Para a Avibras, manter viva sua relação com a Indonésia pode ser a diferença entre uma recuperação bem-sucedida e o fim definitivo de uma das mais importantes empresas de defesa brasileiras.

Para a Indonésia, é uma questão de garantir que seus investimentos milionários em sistemas ASTROS II não se transformem em equipamentos obsoletos por falta de suporte. E para o Brasil, é mais um capítulo doloroso na saga de uma indústria de defesa que luta para manter relevância internacional enquanto enfrenta crises internas profundas.

O desfecho dessa história ainda está sendo escrito. Mas uma coisa é certa: os próximos meses serão decisivos para determinar se a Avibras terá uma segunda chance ou se tornará apenas mais um caso de estudo sobre a fragilidade da base industrial de defesa em países em desenvolvimento.
 

Defesa não é custo. É projeto de país


*Luiz Alberto Cureau Jr. - 28/01/2026

O Brasil é um país continental que ainda pensa sua defesa em escala reduzida. Infraestruturas estratégicas, infraestruturas críticas, segurança de fronteiras e capacidade militar continuam sendo tratadas como temas setoriais, fragmentados e sujeitos ao humor fiscal do momento. Essa lógica não é apenas equivocada, é perigosa.

Infraestruturas estratégicas como energia, telecomunicações, logística, portos, aeroportos e sistemas digitais sustentam o funcionamento do Estado. Já as infraestruturas críticas são aquelas cujo colapso paralisa a economia, compromete serviços essenciais e afeta diretamente a vida da população. Proteger esses ativos não é opção política, é obrigação estatal. E essa proteção exige planejamento, inteligência, capacidade tecnológica e presença permanente do Estado.

O mesmo raciocínio se aplica às fronteiras. O Brasil possui mais de 17 mil quilômetros de fronteiras terrestres, incluindo nove tríplices fronteiras, grande parte em áreas remotas e de difícil acesso. Onde o Estado não chega de forma estruturada, o crime organizado chega rápido. Narcotráfico, contrabando, garimpo ilegal e organizações transnacionais não exploram apenas lacunas territoriais, exploram lacunas de decisão.

Projetos estratégicos das Forças Armadas foram concebidos justamente para enfrentar essa realidade. Programas como o monitoramento integrado de fronteiras, a vigilância do espaço aéreo, a proteção cibernética, os sistemas espaciais, o reaparelhamento naval e a modernização da aviação de caça representam saltos de capacidade e soberania. O problema não é a concepção, é a falta histórica de continuidade e previsibilidade orçamentária.

Projetos de defesa são, por natureza, de longo prazo. Quando interrompidos, atrasados ou subfinanciados, não apenas perdem eficiência: tornam-se mais caros, menos integrados e estrategicamente vulneráveis. A ausência de um fluxo estável de recursos transforma planejamento em improviso e estratégia em remendo.

As Forças Armadas, não podem ser instrumentos de governo, mas de Estado. Sua missão vai além da dissuasão clássica, envolve presença territorial, apoio à segurança das fronteiras, proteção de infraestruturas críticas e resposta a crises complexas. Para um país do tamanho do Brasil, forças subdimensionadas significam soberania relativa.

O debate central não é ideológico nem corporativo. É estratégico. Defesa não é custo operacional a ser comprimido em ciclos eleitoreiros e não tem lado. Defesa é investimento estruturante, tão essencial quanto energia, transporte ou comunicações. Países que entenderam isso planejam décadas à frente. Países que não entendem delegam o próprio futuro.

Se o Brasil pretende se afirmar como nação soberana, relevante e segura, precisa tratar defesa, fronteiras e infraestruturas críticas como política de Estado permanente, com planejamento de longo prazo, orçamento previsível e continuidade institucional.

Soberania não se improvisa. Se constrói. 

 

*Luiz Alberto Cureau Jr. é General de Brigada R/1 do Exército Brasileiro, Doutor em Ciências Militares e Bacharel em Educação Física pela Escola de Educação Física do Exército. Foi comandante do Centro de Capacitação Física do Exército, comandante da 6ª Bda Infantaria Blindada e, atualmente, é consultor em meio ambiente e projetos de crédito de carbono no Instituto Climático VBH em Brasília.   

27 janeiro, 2026

Com dois acordos estratégicos em um único dia, Embraer consolida presença na Índia

OGMA e Axiscades buscarão oportunidades de mercado conjuntas em MRO na Índia, nos Emirados Árabes Unidos e na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA) 


*LRCA Defense Consulting - 27/01/2026

Em um movimento estratégico de grande alcance, a Embraer anunciou nesta terça-feira dois acordos relevantes na Índia, consolidando sua entrada de forma abrangente no terceiro maior mercado de aviação do mundo. As iniciativas envolvem, de um lado, a produção local de aeronaves comerciais em parceria com o Grupo Adani e, de outro, a criação de capacidades industriais de manutenção, reparo e overhaul (MRO) por meio de sua subsidiária portuguesa OGMA, em cooperação com a empresa indiana Axiscades Technologies.

Produção local: acordo Embraer–Adani
Na manhã do dia 27, em Nova Deli, a Embraer e o Grupo Adani formalizaram um Memorando de Entendimento (MoU) para o estabelecimento da primeira linha de montagem final (Final Assembly Line – FAL) de aeronaves comerciais da Embraer na Índia. O acordo prevê a produção local da família de jatos regionais E2, com capacidade entre 70 e 146 passageiros.

O memorando contempla ainda o desenvolvimento de uma cadeia de fornecimento doméstica, a criação de serviços de manutenção e programas de treinamento de pilotos, além da possibilidade de, no futuro, fabricar localmente a aeronave de transporte militar C-390 Millennium.

Segundo Arjan Meijer, presidente da Embraer Aviação Comercial, a família E2 é particularmente adequada ao mercado indiano, que cresce de forma acelerada e demanda aeronaves eficientes para rotas regionais. A parceria combina mais de cinco décadas de experiência da Embraer em projeto aeronáutico com as capacidades industriais, logísticas e de infraestrutura do Grupo Adani.

Para Ashish Rajvanshi, CEO da Adani Defence & Aerospace, o acordo está alinhado à iniciativa governamental “Make in India”, voltada à atração de manufatura avançada. “Nossa visão é criar um ecossistema completo de aviação civil — da manufatura ao treinamento e ao suporte pós-venda — que gere empregos e fortaleça a autossuficiência indiana”, afirmou.

Serviços e MRO: parceria OGMA–Axiscades
Em Bengaluru, a OGMA – Indústria Aeronáutica de Portugal, subsidiária da Embraer, anunciou uma parceria estratégica com a indiana Axiscades Technologies, especializada em tecnologia aeroespacial e de defesa.

A cooperação combina a sólida capacidade de engenharia e manufatura da Axiscades na Índia com a experiência, certificações e relacionamento global da OGMA junto a fabricantes de equipamentos originais (OEMs). O objetivo é atender de forma integrada às demandas de manutenção de aeronaves comerciais, militares e de missões especiais, incluindo a frota atual e futura da Embraer em operação no país.

Reunindo serviços de engenharia, fabricação, certificação e MRO em diferentes regiões, a parceria posiciona as duas empresas como protagonistas na sustentação aeroespacial, oferecendo soluções de alta confiabilidade para frotas civis e militares em conformidade com padrões internacionais.

A OGMA aporta sua expertise em manutenção de fuselagens e motores, enquanto a Axiscades contribui com competências em design aeronáutico, aviônicos, radares, guerra eletrônica, conversão de aeronaves e tecnologias de drones.

O acordo também prevê suporte a aeronaves comerciais, plataformas VVIP/VIP e sistemas AEW&C (alerta aéreo antecipado e controle), além de explorar oportunidades nos Emirados Árabes Unidos e na região MENA (Oriente Médio e Norte da África).

Segundo Alfonso Martinez, CEO internacional da Axiscades, a parceria é um marco na criação de capacidades de MRO com padrão global, reforçando a autossuficiência industrial da Índia. Para Paulo Mogninho, CEO da OGMA, a cooperação representa um passo importante na expansão internacional e na oferta de soluções certificadas de alta qualidade. 

Axiscades Technologies

Infraestrutura industrial em expansão
A Axiscades está desenvolvendo, próximo ao Aeroporto Internacional de Bengaluru, um dos maiores hubs integrados de manufatura e MRO aeroespacial e de defesa do país. O complexo incluirá hangares dedicados a oficinas rápidas (speed shops), oficinas especializadas para motores, centro de excelência em soldagem, manufatura de eletrônicos estratégicos, integração de sistemas e testes de certificação.

Essa infraestrutura dará suporte tanto ao acordo OGMA–Axiscades quanto a possíveis operações futuras relacionadas à linha de montagem Embraer–Adani.

OGMA: ativo estratégico da Embraer
Fundada em 1918 e localizada em Alverca, próxima a Lisboa, a OGMA é controlada em 65% pela Embraer desde 2005, com os 35% restantes pertencentes ao governo português, por meio da idD Portugal Defence. Com mais de um século de atuação, a empresa tornou-se peça-chave na estratégia industrial global da Embraer.

A OGMA possui certificações como Centro Autorizado de Manutenção para motores Rolls-Royce e Pratt & Whitney e é responsável pela fabricação de componentes estruturais relevantes do C-390 Millennium, incluindo fuselagem central, trens de pouso e elevadores. Em 2025, anunciou um investimento de aproximadamente US$ 217 milhões para ampliar sua capacidade de manutenção de motores GTF da Pratt & Whitney.

Sede da OGMA em Alverca, Portugal

Contexto de mercado e implicações estratégicas
A Índia é atualmente o mercado de aviação com crescimento mais rápido do mundo. Companhias aéreas como Air India, IndiGo e Akasa Air acumulam mais de 1.800 aeronaves encomendadas, enquanto os slots de entrega de Airbus e Boeing estão praticamente esgotados até o início da próxima década.

A Embraer estima que o país necessitará de ao menos 500 aeronaves na faixa de 80 a 146 assentos nos próximos 20 anos. Atualmente, cerca de 50 aeronaves Embraer operam na Índia, número ainda modesto frente ao domínio de Airbus e Boeing, mas com potencial de expansão significativa.

Ao combinar produção local e serviços de MRO, os acordos anunciados demonstram uma estratégia coordenada da Embraer para estabelecer presença industrial, tecnológica e comercial de longo prazo no país. Embora os memorandos ainda dependam de aprovações regulatórias e contratos definitivos, analistas avaliam que, se concretizados, os entendimentos poderão marcar um capítulo histórico tanto para a indústria aeroespacial indiana quanto para a fabricante brasileira.

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