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21 janeiro, 2026

Angola aprofunda laços com o Embraer C-390: visita de alto nível a Portugal sinaliza interesse em aquisição e suporte industrial

 


*LRCA Defense Consulting - 21/01/2026

Enquanto o mercado aeronáutico volta sua atenção para a Índia, na expectativa do grande anúncio que a Embraer poderá fazer no final do mês, Angola consolida interesse na aquisição de até três aeronaves KC-390 Millennium da Embraer, com negociações financiadas pelo BNDES brasileiro, enquanto o ministro da Defesa angolano, General João Ernesto dos Santos, realiza visitas técnicas recentes à Base Aérea N.º 11, em Beja, e à OGMA, em Alverca, para avaliar capacidades operacionais e de manutenção do cargueiro tático.

A agenda, inserida na 21.ª Comissão Mista de Defesa Portugal-Angola, reforça Portugal como hub europeu do C-390, pioneiro na OTAN, e posiciona a OGMA como parceira estratégica para suporte vitalício da frota angolana.

O movimento ocorre em meio a um ciclo virtuoso de exportações do Millennium, com operadores como Hungria, Países Baixos e Áustria, e potenciais africanos como Angola buscando substitutos para envelhecidas frotas de C-130 Hercules.

Histórico do interesse angolano
Desde 2023, Angola sinaliza compra de quatro KC-390 para modernizar a Força Aérea Nacional (FANA), incluindo revitalização de Super Tucanos, com o Brasil posicionando Luanda como possível polo africano da Embraer Defesa.

Em maio de 2025, o presidente brasileiro confirmou negociações para três unidades, com financiamento via BNDES, elevando Angola a candidato prioritário em África, onde o C-390 compete por nichos de transporte multimissão em teatros como o Sahel.

O pacote estratégico abrange não só aquisição, mas transferência de know-how em manutenção e operação, alinhando-se à doutrina angolana de soberania em defesa aérea.

Visita à Base Aérea N.º 11 e Esquadra 506
Em 16 de janeiro de 2026, o general Dos Santos, acompanhado pelo ministro da Defesa português Nuno Melo e pelo CEMFA General João Cartaxo Alves, visitou a BA11, em Beja, com foco na Esquadra 506 “Rinocerontes”, primeira unidade europeia e OTAN a operar o KC-390.

A comitiva observou instalações da esquadra, incluindo o simulador de voo para formação de pilotos, destacando a maturidade operacional da aeronave em missões de reabastecimento, transporte e evacuação aeromédica.

Portugal, com seis KC-390 em frota (e opções para mais dez), atua como “embaixadora” do sucesso do Millennium, oferecendo lições valiosas para avaliadores como Angola sobre integração OTAN e disponibilidade.

Ênfase na OGMA: suporte e parceria industrial
Na mesma semana, Dos Santos visitou a OGMA, em Alverca, para uma “visita institucional às instalações”, avaliando capacidades de manutenção, reparação e modernização (MRO) do C-390, no qual a empresa fabrica fuselagem central, carenagens e lemes desde o programa inicial.

Certificada pela Embraer como HSC (Heavy Support Center), a OGMA garante suporte pleno ao ciclo de vida do Millennium, incluindo modificações para OTAN/UE, modelo replicável para frotas angolanas via acordos de pooling logístico.

O ecossistema Beja-Alverca, com produção recente de Super Tucanos (carta de intenção para fábrica em Beja) e manutenção de C-130/P-3/F-16, reforça Portugal como parceiro para Angola em offset industrial e treinamento.

Implicações geopolíticas e industriais
A triangulação Brasil-Portugal-Angola acelera a entrada da África no clube de operadores do C-390, com Luanda ganhando capacidades para missões humanitárias no Golfo da Guiné e projeção no SADC.

Portugal se beneficia como exportador de serviços MRO via OGMA e hub de doutrina, além de ter uma participação em cada unidade comercializada por meio do país, enquanto a Embraer consolida mais de 20 unidades vendidas na Europa, com Angola agora como porta para o continente africano.

A Comissão Mista aprovou extensão do Programa-Quadro até 2031, incluindo indústrias de defesa e domínio espacial, sinalizando compromisso de longo prazo. 

Eve Air Mobility conquista US$ 150 milhões para acelerar mobilidade aérea urbana

Financiamento reforça posição da empresa brasileira subsidiária da Embraer como uma das mais capitalizadas do mercado de aeronaves elétricas de decolagem vertical

 


*LRCA Defense Consulting - 21/01/2026

A Eve Air Mobility, empresa brasileira subsidiária da Embraer que desenvolve soluções de mobilidade aérea urbana, anunciou a captação de US$ 150 milhões em financiamento. O empréstimo de cinco anos foi concedido por um consórcio de instituições financeiras de renome, incluindo Itaú, Banco do Brasil, Citibank e Mitsubishi UFJ Financial Group.

O anúncio, feito em 20 de janeiro de 2026, representa um marco importante para a companhia listada na Bolsa de Nova York (NYSE: EVEX, EVEXW) e na B3 (EVEB31). Com esta operação, o financiamento total da Eve alcança US$ 1,2 bilhão, consolidando sua posição como uma das empresas mais bem capitalizadas no emergente mercado de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL).

Investimento na certificação e comercialização
Eduardo Couto, diretor financeiro da Eve Air Mobility, destacou que a captação demonstra forte confiança do mercado na visão e estratégia de longo prazo da empresa. Os recursos serão direcionados para pesquisa e desenvolvimento, acelerando o processo de certificação da aeronave e sua integração no ecossistema de mobilidade aérea urbana.

O financiamento permitirá à companhia avançar no desenvolvimento tecnológico, fortalecer parcerias com provedores de infraestrutura e órgãos reguladores, além de garantir conformidade com padrões globais de aviação. A Eve planeja utilizar os fundos para executar seu roteiro estratégico até 2028 e além, preparando-se para atender à crescente demanda mundial por transporte sustentável e de baixas emissões.

Protótipo em escala real completa primeiro voo
Recentemente, a empresa alcançou um marco técnico crucial ao completar o primeiro voo de seu protótipo em escala real nas instalações de teste da Embraer no Brasil. O voo em pairado validou sistemas essenciais, incluindo controles fly-by-wire e gerenciamento de energia, dando início a uma robusta campanha de testes planejada para 2026.

Este avanço representa um passo crítico rumo à comercialização da aeronave, demonstrando a viabilidade técnica do projeto e a capacidade da Eve de transformar conceito em realidade operacional.

Ecossistema integrado de mobilidade aérea
A estratégia da Eve vai além da fabricação de aeronaves. A empresa desenvolve um ecossistema completo de mobilidade aérea urbana, que inclui:

  • Aeronave eVTOL: veículo elétrico de decolagem e pouso vertical com design inovador;
  • TechCare: rede global de serviços e suporte técnico;
  • Vector: solução de gerenciamento de tráfego aéreo urbano.

Com uma carteira de pedidos de quase 3.000 aeronaves, que inclui acordos com operadores em diversos continentes, a Eve está posicionada para liderar a transformação do transporte urbano. A empresa beneficia-se de 56 anos de expertise aeroespacial da Embraer, aliados à mentalidade ágil de uma startup.

Presença crescente nos Estados Unidos
A Eve vem fortalecendo sua presença no mercado norte-americano, considerado estratégico para a mobilidade aérea urbana. Com uma crescente rede de fornecedores, clientes e parceiros estratégicos nos EUA, a empresa não apenas entrega soluções inovadoras, mas ajuda a moldar o futuro do setor.

Como uma das principais fabricantes (OEMs) do segmento, a abordagem colaborativa da Eve garante que sua tecnologia e serviços estejam profundamente integrados ao mercado americano, criando uma base sólida para crescimento sustentável e prontidão operacional em toda a cadeia de valor da mobilidade aérea urbana.

Perspectivas para o futuro
O financiamento de US$ 150 milhões chega em momento estratégico, quando a indústria de mobilidade aérea urbana se aproxima da fase de comercialização. Com o protótipo voando e recursos garantidos para os próximos anos, a Eve está bem posicionada para competir neste mercado emergente que promete revolucionar o transporte urbano nas próximas décadas.

A confiança demonstrada por grandes instituições financeiras internacionais sinaliza que o setor de eVTOL está amadurecendo e atraindo investimentos de longo prazo, essenciais para superar os desafios técnicos e regulatórios que ainda se apresentam no caminho para operações comerciais em larga escala.

O novo tabuleiro sul-americano avança e o Brasil segue atrasado na sua leitura estratégica

 

*Luiz Alberto Cureau Jr., via LinkedIn - 21/01/2026

A América do Sul já não é mais um espaço periférico na geopolítica global. O que se observa hoje é uma movimentação coordenada, pragmática e silenciosa de grandes potências sobre infraestrutura crítica, energia e presença militar. Não se trata de teoria: são fatos em curso.

No Peru, por exemplo, os Estados Unidos autorizaram um investimento de até US$ 1,5 bilhão para a modernização e reposicionamento da Base Naval de Callao. O discurso oficial fala em eficiência logística e combate a ilícitos transnacionais. O dado estratégico é outro, a base está a menos de 80 km do megaporto de Chancay, operado pela COSCO Shipping, peça central da projeção logística chinesa no Pacífico Sul. Não é parceria equilibrada nem diplomacia neutra, é contenção direta da influência chinesa em um corredor vital do comércio marítimo.

Esse movimento evidencia, ao meu ver,  que o Peru não é protagonista soberano dessa equação, mas território sensível de disputa entre potências. A expansão chinesa em infraestrutura provoca resposta militar americana. O país vira espaço de fricção estratégica, não ator autônomo. Essa é a realidade objetiva.

Na Venezuela, o cenário é ainda mais explícito. Após a intervenção e a captura de sua liderança política, o país passa a operar sob forte tutela externa. O petróleo segue como ativo central, agora inserido em uma lógica de reordenamento forçado de alianças e fluxos energéticos. A reabertura controlada ao capital ocidental não representa soberania recuperada, mas submissão funcional a quem controla sanções, mercados e segurança.

Mais ao norte, a Guiana ilustra como recursos estratégicos redesenham destinos nacionais. Com as descobertas petrolíferas offshore, o país tornou-se um dos que mais crescem em PIB per capita no mundo. Pequeno, antes irrelevante, hoje é disputado, protegido e monitorado. O petróleo não traz apenas riqueza: traz presença militar, acordos de segurança e interesse permanente das grandes potências.

Tudo isso ocorre ao redor do Brasil, que insiste na confortável narrativa de “país sem inimigos”. Uma ilusão perigosa. O Brasil possui nove tríplices fronteiras, todas em áreas sensíveis, muitas associadas a petróleo, minerais críticos, terras raras, biodiversidade, água doce e corredores logísticos. São zonas expostas à pressão externa, ao crime transnacional e à instrumentalização geopolítica caso o Estado não esteja presente com estratégia e poder dissuasório.

Enquanto bases são modernizadas, portos adquiridos, rotas redesenhadas e cadeias de energia reposicionadas, seguimos tratando defesa, fronteiras e projeção estratégica como temas secundários. Ignorar esse movimento não nos torna neutros. Nos torna vulneráveis. 

A história é clara: países ricos em recursos, mas frágeis institucionalmente e pobres em estratégia não escolhem seu papel no tabuleiro, ele lhes é imposto. 

Embraer no Wings India 2026: ofensiva comercial e definição de parcerias estratégicas

Fabricante brasileira exibe E195-E2 e E175 enquanto aguarda anúncio sobre parceria industrial com grupo Adani


*LRCA Defense Consulting - 21/01/2026

A Embraer intensifica sua presença no mercado indiano ao exibir duas aeronaves comerciais no Wings India 2026, evento que ocorre em Hyderabad entre 28 e 31 de janeiro. A participação como "Parceira de Inovação em Aviação" do salão aeronáutico coincide com a expectativa de um anúncio oficial sobre parceria estratégica com o conglomerado Adani e a definição sobre onde será instalada a linha de montagem final dos E-Jets na Índia.

E-Jets em destaque no mercado mais promissor da aviação
Os modelos em exposição representam a oferta da Embraer para diferentes segmentos do mercado indiano. O E195-E2, apresentado em exposição estática, é descrito como a aeronave comercial mais silenciosa e eficiente em consumo de combustível do mundo em sua categoria. Com capacidade para transportar entre 132 e 146 passageiros em configuração de classe única, o jato oferece redução de 29% nas emissões de carbono e no consumo de combustível por assento comparado à geração anterior de E-Jets.

Já o E175, com capacidade para até 88 passageiros, é apresentado como um jato regional consolidado no mercado. A aeronave domina o mercado regional norte-americano com 80% de participação e já integra parte significativa da frota da Star Air, operadora indiana que utiliza aeronaves Embraer para conectividade regional no país asiático.

"O programa E-Jet da Embraer é um dos mais bem-sucedidos do setor", afirmou Adity Shekhar, vice-presidente regional de vendas da Embraer. "A família E-Jets pode transformar e expandir a conectividade regional a partir de cidades de segundo e terceiro escalão na Índia, explorando oportunidades em mercados inexplorados."

Um mercado de meio bilhão de aeronaves
A aposta da Embraer no mercado indiano se justifica pelos números. Projeções indicam que a Índia necessitará de pelo menos 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nos próximos 20 anos. A família E2 possui certificação para operar com misturas de até 50% de combustível de aviação sustentável (SAF), com testes já realizados utilizando 100% de SAF, reforçando o compromisso da fabricante com a aviação sustentável.

Atualmente, cerca de 50 aeronaves Embraer de 11 tipos diferentes operam na Índia, servindo à Força Aérea Indiana, agências governamentais, operadores de jatos executivos e à Star Air. A presença da empresa brasileira no país asiático, contudo, pode expandir significativamente nos próximos meses.

Parceria Adani: a espera pela definição
Segundo informações da mídia local, a oficialização da parceria entre Embraer e o Grupo Adani, assim como a escolha do local para a unidade industrial no país, aguarda comunicado oficial esperado justamente durante o Wings India 2026. A disputa para sediar a linha de montagem final envolve dois estados indianos: Andhra Pradesh e Gujarat.

Andhra Pradesh apresenta como proposta o futuro Aeroporto de Bhogapuram, desenvolvido pelo Grupo GMR com planos de criar um ecossistema aeroespacial de longo prazo. O estado aposta em metas agressivas de energia renovável, com planos de gerar 78 GW de energia solar e 35 GW de energia eólica até 2029.

Gujarat, por sua vez, oferece a cidade planejada de Dholera através de possível joint venture com o Grupo Adani. O estado se destaca como locomotiva exportadora da Índia, respondendo por aproximadamente 30% de todas as exportações nacionais. A possível parceria com a Adani, um dos maiores conglomerados indianos com forte presença em infraestrutura portuária, aeroportuária e logística, adiciona peso à proposta gujarati.

Movimento estratégico além das aeronaves comerciais
Enquanto aguarda a oficialização do projeto industrial para aviação comercial, a Embraer já demonstra comprometimento com o mercado indiano ao reforçar sua estrutura local. A empresa nomeou Aniruddho Chakraborty como Diretor de Comunicações para suas operações na Índia, cargo que abrangerá todas as divisões da companhia: comercial, defesa, aviação executiva e suporte e serviços.

A contratação ocorre após a inauguração, no ano passado, de um centro para operações da Embraer na Índia. A fabricante está expandindo sua equipe no país para aproveitar as crescentes oportunidades nos setores aeroespacial e de defesa indianos.

Dupla aposta: comercial e defesa
Além das aeronaves comerciais, a Embraer também propõe seu Avião de Transporte Militar, o C-390 Millennium, para a Força Aérea Indiana no programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA), em parceria "Make in India" com o conglomerado Mahindra.

O programa MTA busca substituir a frota obsoleta de aeronaves Antonov An-32, com demanda inicial estimada entre 40 e 80 aeronaves, o que poderia representar um contrato entre US$ 5 e US$ 8 bilhões. O C-390 Millennium, maior avião de transporte militar fabricado na América Latina, oferece velocidade de cruzeiro 50% superior ao concorrente C-130J Super Hercules e custos operacionais estimados 30% inferiores.

A proposta conjunta Mahindra-Embraer para o MTA prevê produção local escalonada, com início em montagem final e gradual nacionalização de componentes, chegando a 70% de conteúdo local em cinco anos, além de transferência substancial de tecnologia para empresas indianas.

Transformação estratégica em jogo
As iniciativas da Embraer na Índia representam mais do que expansão comercial. Trata-se de uma transformação no modelo de negócios da fabricante, historicamente centrado na produção brasileira com exportação global. A empresa busca evoluir para uma multinacional com capacidade produtiva distribuída, estratégia que pode render entre US$ 15 e US$ 20 bilhões em receita adicional cumulativa nos próximos 10 a 15 anos, caso ambas as iniciativas sejam bem-sucedidas.

Para o Brasil, as movimentações geram sentimentos ambíguos. Enquanto uma Embraer mais competitiva beneficia acionistas brasileiros e eleva o prestígio nacional, existem preocupações sobre possível transferência de empregos qualificados e atividades industriais para fora do país.

A definição sobre a parceria com a Adani e a escolha entre Andhra Pradesh e Gujarat deve marcar um capítulo importante na estratégia de internacionalização da Embraer, posicionando a empresa brasileira definitivamente em um dos mercados de aviação de crescimento mais acelerado do mundo.

Os visitantes do Wings India 2026 podem conhecer toda a gama de produtos e serviços da Embraer no estande 9B, Pavilhão B, onde a fabricante apresenta suas soluções que apoiam o crescimento sustentável da Índia e sua ambição por maior conectividade aérea.

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