*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026
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31 julho, 2026
Kolibri Beteiligung confirma aquisição de cinco Embraer E190 pela German Airways
*LRCA Defense Consulting - 31/07/2026
30 julho, 2026
Conselho dos Emirados reforça parcerias na Farnborough 2026 e celebra a chegada do C-390
Delegação emiradense liderada pelo secretário-geral Nasser Humaid Al Nuaimi posou ao lado do cargueiro da Embraer durante a feira britânica, em referência ao contrato que tornou os Emirados o maior comprador internacional da aeronave
*LRCA Defense Consulting - 30/07/2026
Uma delegação do Tawazun Council for Defence Enablement (Tawazun), conselho responsável por fomentar e regular o ecossistema industrial de defesa e segurança dos Emirados Árabes Unidos (EAU), concluiu em 23 de julho uma visita de trabalho ao Reino Unido, realizada à margem da Farnborough International Airshow 2026. Chefiada pelo secretário-geral da entidade, Dr. Nasser Humaid Al Nuaimi, a comitiva cumpriu uma agenda de reuniões e visitas técnicas voltada a ampliar a cooperação industrial e tecnológica do país e a construir parcerias de alto valor para o setor.
Reuniões em Londres
Segundo comunicado da agência de notícias oficial dos Emirados, a WAM, a
programação incluiu conversas com o diretor nacional de armamentos do Reino
Unido, com foco no fortalecimento da parceria bilateral de defesa e no
alinhamento de prioridades industriais entre os dois países. Al Nuaimi também
se reuniu com representantes de empresas e organizações internacionais do
setor, entre elas a MBDA, a RTX, a BAE Systems, o UK Defence Solutions Centre e
a Enterprise Gateway.
As discussões trataram de tecnologias avançadas de defesa, sistemas de defesa aérea e pesquisa e desenvolvimento, além de temas como transferência de conhecimento, capacitação de talentos nacionais e localização de tecnologias e cadeias de suprimentos consideradas prioritárias para o país.
Em nota, o diretor executivo de estratégia e assuntos executivos da Tawazun, Khalifa Ayada Al Hameli, afirmou que a participação na Farnborough International Airshow reflete a estratégia de longo prazo dos Emirados de construir parcerias internacionais baseadas na troca de conhecimento, na formação de talentos e na localização de tecnologias e cadeias de suprimentos, com o objetivo de reforçar a sustentabilidade da base industrial de defesa do país.
A foto ao lado do C-390
O registro que ilustra o comunicado da WAM mostra a delegação do Tawazun
posando em frente a um C-390 Millennium da Embraer estacionado no pátio da
feira britânica. Ao lado de membros da tripulação, a comitiva emiradense surge
alinhada diante da aeronave, que exibe bandeiras de diferentes países junto à
porta dianteira, um gesto simbólico que reforça a importância atribuída pelos
Emirados à aquisição do cargueiro brasileiro para a defesa do país.
A imagem reforça, no plano simbólico, o vínculo já firmado no campo contratual entre o Tawazun e a Embraer em torno do C-390, hoje o maior programa de exportação da aeronave para um único país.
O contrato que tornou os EAU o maior cliente do
C-390
A visita à Farnborough ocorre menos de três meses depois de o Tawazun
assinar, em 4 de maio, o maior contrato internacional já firmado para o C-390
Millennium. O acordo, celebrado durante o evento Make it in the Emirates
2026, em Abu Dhabi, prevê a compra de dez aeronaves firmes e opção de mais
dez unidades para a Força Aérea e Defesa Aérea dos Emirados, o que representa
também a primeira venda do cargueiro no Oriente Médio.
O contrato foi assinado por Al Nuaimi e por Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, na presença do vice-presidente e vice-primeiro-ministro dos Emirados, xeique Mansour bin Zayed Al Nahyan, e do presidente da Embraer, Francisco Gomes Neto. O acordo prevê ainda o desenvolvimento de capacidades locais de manutenção, reparo e revisão (MRO) em parceria com uma empresa de defesa emiradense, em linha com a política de conteúdo local que orienta a atuação do Tawazun.
Caso todas as opções sejam exercidas, a frota emiradense de C-390 poderá superar em número a do próprio Brasil, país de origem da aeronave. Para o Tawazun, a seleção do C-390 seguiu uma avaliação técnica e operacional que incluiu testes em condições ambientais equivalentes às do Golfo, e a aeronave é vista pela entidade como peça central para modernizar a capacidade de transporte aéreo militar do país nas próximas décadas.
29 julho, 2026
FNAC amplia para R$ 13,56 bilhões o crédito destinado às companhias aéreas
BNDES ficará responsável por avaliar a liberação dos recursos, que devem beneficiar GOL, LATAM, Azul e Abaeté, e podem impulsionar indiretamente a demanda por aeronaves da Embraer
*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026
O Comitê Gestor do Fundo Nacional de Aviação Civil (CG-FNAC) aprovou, em 22 de junho, a ampliação do acesso das companhias aéreas brasileiras a duas linhas de crédito que somam R$ 13,56 bilhões. O valor é mais de três vezes superior aos R$ 4 bilhões previstos originalmente para o fundo e representa, segundo o Ministério dos Portos e Aeroportos (MPor), o maior pacote de crédito já estruturado com recursos do FNAC para o setor.
Apesar da aprovação do comitê, a contratação ainda depende de análise técnica do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que avaliará risco de crédito, capacidade de pagamento e garantias de cada companhia antes de liberar os valores.
A primeira modalidade é uma linha emergencial de capital de giro, no valor de R$ 8 bilhões, criada pela Resolução CMN nº 5.297/2026. Gol, Latam Airlines Brasil e Azul poderão captar até R$ 2,5 bilhões cada uma, enquanto a Abaeté terá acesso a até R$ 80 milhões. As operações têm prazo de até 60 meses, juros de 4% ao ano e carência de até 12 meses para início do pagamento. Como contrapartida, as empresas que aderirem à linha ficam proibidas de distribuir dividendos a acionistas durante o período de vigência dos contratos.
A segunda modalidade, prevista na Resolução CMN nº 5.260/2025, disponibiliza R$ 5,56 bilhões para investimentos de longo prazo, com até R$ 1,8 bilhão para cada uma das três grandes companhias. Os recursos dessa linha, com juros entre 6,5% e 7,5% ao ano a depender do investimento, podem ser usados na aquisição de aeronaves, modernização de frota, manutenção, compra de combustível sustentável de aviação (SAF) e obras de infraestrutura aeroportuária. Como condição, as aéreas participantes precisam ampliar a oferta de voos para regiões consideradas estratégicas para a integração nacional, como a Amazônia Legal e o Nordeste.
A ampliação do pacote de crédito responde ao aumento dos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, em especial com o querosene de aviação (QAV), item que passou a representar quase 45% das despesas das companhias em razão dos efeitos do conflito no Oriente Médio sobre o preço do petróleo. Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, as linhas de crédito garantem condições para que as empresas sigam investindo em suas operações e fortalecendo a conectividade aérea em todas as regiões do País.
Benefício indireto à Embraer
O financiamento aprovado pelo CG-FNAC não se destina
diretamente à Embraer; o benefício direto é das próprias companhias aéreas, e
não da fabricante. Ainda assim, o efeito sobre a Embraer tende a ser positivo
por via indireta: Gol, Latam e Azul, principais beneficiárias da linha de
investimento de longo prazo, são clientes da fabricante brasileira e têm
pedidos e negociações em curso para aeronaves da família E-Jets E2, o que faz
da nova disponibilidade de crédito um fator que pode sustentar ou ampliar essa
demanda.
A ampliação do FNAC é distinta de outros movimentos recentes do BNDES em relação à Embraer, como o financiamento de R$ 279 milhões aprovado em abril para projetos de inovação da companhia, no âmbito do programa BNDES Mais Inovação, e as linhas Exim Pós-Embarque usadas para viabilizar a exportação de aeronaves a clientes internacionais.
Ministério da Defesa abre chamada para empresas participarem do Brazilian Defense Day 2026
As empresas interessadas em apresentar seus produtos e soluções durante o evento devem enviar arquivos em PowerPoint até o dia 21 de agosto, para o e-mail bdd.seprod@defesa.gov.br. As apresentações devem seguir um roteiro definido pela organização: no máximo cinco slides, sem vídeos, com o primeiro slide dedicado à identificação da empresa e o último trazendo contatos e QR Code. O material servirá de base para um pitch de três minutos, a ser apresentado durante o encontro.
ANA Holdings confirma compra de mais oito Embraer E190-E2
Novo pedido eleva para 23 o total de encomendas firmes da fabricante brasileira junto ao grupo japonês, que prepara parceria operacional mais ampla com a IBEX Airlines
*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026
A ANA Holdings, controladora da All Nippon Airways (ANA), aprovou nesta quarta-feira (29), em reunião de conselho, a compra de mais oito jatos Embraer E190-E2. A decisão foi confirmada por registro da própria companhia na bolsa japonesa e reproduzida por veículos especializados, entre eles a AVIATOR e a FlightGlobal.
O novo pedido soma-se ao contrato firmado em fevereiro de 2025, quando a ANA Holdings encomendou 15 unidades firmes do modelo, com opção para outras cinco. Com a nova confirmação, o total de compromissos firmes do grupo japonês para o E190-E2 sobe para 23 aeronaves. Segundo o registro da bolsa, o valor do pedido adicional gira em torno de 105 bilhões de ienes (cerca de US$ 642 milhões). As entregas estão previstas para o período entre o ano fiscal de 2029, que começa em 1º de abril daquele ano, e 2032.
Configurado na versão de 100 assentos, o E190-E2 é apresentado pela Embraer como o jato de sua categoria com menor consumo de combustível e menores emissões sonoras entre os modelos equivalentes, graças a motores e tecnologias de geração mais recente. A ANA Holdings afirma que a aeronave dará mais flexibilidade para ajustar a oferta de capacidade à demanda nas rotas domésticas, em um contexto de mudanças demográficas no Japão, incluindo o encolhimento da população em determinadas regiões.
A compra das oito novas unidades está diretamente ligada a um movimento de reorganização das operações domésticas da ANA. Segundo apurado pelo portal TRAICY, a companhia e sua parceira de codeshare, a IBEX Airlines, sediada em Tóquio, anunciaram um acordo para ampliar a atual parceria, que passará de um simples compartilhamento de código para uma parceria operacional mais abrangente. Nesse novo arranjo, a ANA seguirá responsável pelo planejamento de rotas, frequências e vendas, na condição de transportadora comercializadora, enquanto a IBEX Airlines operará os voos, na condição de transportadora operadora, sob o código e os números de voo da ANA.
As oito novas aeronaves E190-E2 serão usadas em conjunto com a frota já existente do grupo ANA e devem substituir os jatos CRJ da IBEX Airlines, que hoje opera nove unidades do modelo CRJ700. A companhia afirma que o novo desenho de parceria permitirá a ambas as empresas usar de forma mais eficiente seus recursos de gestão, ao mesmo tempo em que a ANA preserva sua rede doméstica e ganha eficiência operacional.
O pedido original de fevereiro de 2025 fazia parte de uma encomenda maior, de até 77 aeronaves, fechada pela ANA Holdings com a Boeing, a Airbus e a Embraer, e marcou a primeira chegada da família E2 ao mercado japonês. Até então, a frota regional do grupo era composta por turboélices De Havilland Canada DHC-8-Q400, operados pela subsidiária ANA Wings. As entregas do primeiro lote de E190-E2 devem começar em 2028.
A Embraer não havia se manifestado publicamente sobre o novo pedido até a publicação desta matéria.
Thales expande hub de radares no Brasil e abre espaço para novas parcerias e aquisições
KAI e Embraer assinam memorando para ampliar cooperação em aviação comercial
Acordo entre as fabricantes, firmado durante visita do presidente sul-coreano ao Brasil, formaliza plano anunciado em fevereiro para explorar o desenvolvimento de uma aeronave de nova geração
*LRCA Defense Consulting - 29/07/2026 (atualizado em 30/07)
A Korea Aerospace Industries (KAI) e a Embraer assinaram um memorando de entendimento (MOU) para ampliar a cooperação em aviação comercial e aeroespacial, fortalecendo a parceria estratégica entre as duas fabricantes. O acordo foi firmado durante o Korea-Brazil Business Roundtable, realizado em São Paulo nesta terça feira (28), no âmbito da visita de Estado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung ao Brasil, segundo informou o portal especializado AVIATOR.
Segundo autoridades sul-coreanas, o MOU dá continuidade a um anúncio feito pelas duas empresas em fevereiro, quando KAI e Embraer já haviam manifestado a intenção de explorar conjuntamente o desenvolvimento de uma aeronave comercial de nova geração. O novo memorando estabelece agora um marco para colaboração mais ampla e diálogo estratégico regular entre as companhias.
O acordo corporativo coincidiu com uma proposta política do presidente Lee, que, no mesmo evento, apontou o desenvolvimento conjunto de aeronaves comerciais de nova geração como um dos três eixos prioritários para aprofundar a relação econômica entre os dois países, ao lado da cooperação em minerais críticos e da crescente indústria coreana de cosméticos.
Governo fala em
estágio inicial, mas empresas já formalizam colaboração
Em paralelo ao
MOU entre as fabricantes, o chefe da Política Presidencial da Coreia do Sul,
Kim Yong-beom, afirmou que a participação sul-coreana no programa de nova
geração da Embraer ainda está em estágio muito preliminar: nem a forma dessa
participação, nem os termos comerciais de um eventual acordo mais amplo foram
definidos até o momento. A distinção é relevante: o MOU já assinado organiza o
diálogo entre KAI e Embraer, mas o formato final da cooperação, incluindo
eventual investimento ou desenvolvimento conjunto de um avião maior, segue em
aberto.
Ideia surgiu
durante inspeção a um C-390
O tema já havia
sido lançado por Lee no domingo (26), ao chegar a Brasília, quando inspecionou
um C-390, aeronave de transporte militar fabricada pela Embraer que a Força
Aérea sul-coreana deve começar a receber ainda neste ano, dentro de um contrato
que já prevê a produção de componentes por empresas coreanas. Na ocasião, o
presidente disse a autoridades brasileiras que os dois países deveriam, no
futuro, construir aeronaves civis juntos, se possível.
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| Foto: Korea Herald |
Um avião maior
que os jatos regionais atuais
De acordo com
Kim, a Embraer estaria avaliando ampliar seu portfólio para além dos jatos
regionais de 70 a 100 assentos, hoje núcleo de seu negócio comercial, entrando
no segmento de aeronaves de médio porte, com capacidade para 150 a 200
passageiros. É nesse programa, ainda em fase de concepção, que a Coreia do Sul
pretende buscar uma participação mais profunda do que a atual, hoje restrita
majoritariamente ao fornecimento de partes de fuselagem e asas.
A motivação:
ampliar a base industrial aeroespacial coreana
Kim explicou que
a eventual parceria serviria para ampliar a base industrial aeroespacial da
Coreia do Sul, hoje concentrada quase exclusivamente na fabricação de aeronaves
militares pela Korea Aerospace Industries (KAI). Segundo ele, a KAI não pode
permanecer restrita a esse campo, dependente apenas da demanda doméstica por
caças, e precisa expandir tanto na área militar quanto na aviação comercial. O
setor de aviação comercial, os motores aeronáuticos e a indústria espacial
estão conectados, disse Kim, acrescentando que a Coreia do Sul precisa
fortalecer significativamente suas capacidades aeroespaciais.
O que a KAI já
fornece à Embraer hoje
A KAI afirmou que
a parceria tem como objetivo ir além da atual relação de fornecedora que mantém
com a Embraer. Atualmente, a empresa sul-coreana fabrica estruturas de asa para
aeronaves comerciais da Embraer e componentes estruturais para aeronaves eVTOL
(de decolagem e pouso vertical elétricos), segmento em que a fabricante
brasileira atua por meio da Eve Air Mobility. Com o novo memorando, a KAI busca
desenvolver uma parceria de mais longo prazo, focada em compartilhamento de
tecnologia e desenvolvimento conjunto.
Empresas já se
movimentam
Durante a viagem,
executivos coreanos se anteciparam ao debate público: Cho Won Tae, presidente
do Hanjin Group, e Kim Jong Chool, presidente da KAI, mantiveram reuniões
individuais com o chairman da Embraer para tratar de uma possível participação
sul-coreana e da ampliação da parceria já existente entre as duas empresas. O
acordo entre KAI e Embraer foi um dos sete memorandos de entendimento assinados
entre companhias coreanas e brasileiras durante o fórum, que também abrangeram
defesa, minerais críticos e biotecnologia.
Kim Yong-beom mencionou ainda conversas em andamento entre a Korean Air e a Embraer, mas o Governo evitou detalhá-las, alegando tratar-se de um estágio ainda inicial das tratativas.
Cautela diante de
um mercado concentrado
O próprio Kim
reconheceu que as empresas avançam com cautela: o mercado global de aeronaves é
dominado por poucos fabricantes, entre eles Airbus e Boeing, e uma eventual
parceria com a Embraer poderia afetar as relações da Coreia do Sul com esses
concorrentes. Ainda assim, o Governo sul-coreano avalia que a Embraer, uma das
três maiores fabricantes de aeronaves comerciais do mundo e importante player
em aviação executiva e defesa, oferece uma oportunidade concreta de expansão na
aviação civil global, caso as condições se mostrem favoráveis.
Uma base de
cooperação que já existe
A eventual
expansão para o campo comercial se apoiaria em uma cooperação industrial já
consolidada entre os dois países. Em 2023, a Coreia do Sul foi selecionada pela
Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) como cliente do C-390
Millennium, no programa Large Transport Aircraft II (LTA II), e
componentes do cargueiro, como partes de fuselagem e asas, já são produzidos
por fornecedores locais como ASTG, EMK e Kencoa Aerospace. Em outubro de 2025,
a Embraer e a DAPA assinaram ainda um memorando de entendimento para aprofundar
a cooperação tecnológica e abrir caminho à participação de empresas coreanas
nas cadeias globais de suprimentos da fabricante brasileira.
Próximos passos
Segundo Kim, o Governo sul-coreano pretende usar
os resultados das conversas da Korean Air e da KAI com a Embraer para desenhar
uma estratégia de participação mais ampla, envolvendo outras empresas e órgãos
oficiais, sob coordenação da Presidência e da Korea AeroSpace Administration.
Após o retorno da comitiva a Seul, disse Kim, o tema será discutido
internamente de forma mais aprofundada, como base para dar sequência às
tratativas com a Embraer.
27 julho, 2026
Delivery no front de combate: drone entrega frango frito da KFC a soldados ucranianos e expõe nova fronteira logística
Bombardeiro Heavy Shot usado pelo 3º Regimento de Operações Especiais da Ucrânia populariza cena inédita e reacende o debate sobre o potencial civil da logística aérea não tripulada testada em combate
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| Imagem real trabalhada com IA |
*LRCA Defense Consulting - 27/07/2026
Um vídeo publicado nos últimos dias mostra soldados do 3º Regimento Separado de Propósito Especial da Ucrânia, unidade conhecida como “Príncipe Sviatoslav, o Bravo”, recebendo em posição de combate uma entrega de comida da rede KFC, embalada em uma sacola da Glovo.
KFC é a sigla de Kentucky Fried Chicken, a rede americana de fast-food fundada por Harland Sanders, especializada em frango frito. É uma das maiores redes de fast-food do mundo, com presença em mais de 140 países, incluindo a Ucrânia, onde segue operando mesmo em meio à guerra.
O transporte, porém, não foi feito por um entregador comum: coube a um drone Heavy Shot, normalmente empregado em missões noturnas de ataque. A cena circulou amplamente em redes sociais e chamou a atenção inclusive de analistas militares como Rob Lee, pesquisador sênior do Foreign Policy Research Institute, tornando-se um ponto de partida para discutir o papel crescente de drones pesados como plataforma logística, e não apenas de combate.
Do bombardeiro ao
entregador
O Heavy Shot é um
drone bombardeiro pesado desenvolvido pela empresa ucraniana Gurzuf Defence. Em
sua configuração usual, a plataforma carrega entre 20 kg e 30 kg de granadas de
morteiro ou outras munições, a distâncias de até 20 km, e vem sendo adotado
pelas Forças Armadas da Ucrânia, pelas Forças de Operações Especiais, pelo
Serviço de Segurança (SBU), pela inteligência de defesa (HUR) e pela Guarda de
Fronteira. No episódio em questão, o mesmo tipo de plataforma que normalmente
lança explosivos foi reprogramado, na prática, para uma missão totalmente
distinta: entregar uma refeição quente a uma posição avançada, num gesto que
mistura humor de guerra, moral de tropa e demonstração de capacidade técnica.
Parte de uma
família, não um caso isolado
O Heavy Shot
integra uma família maior de quadricópteros e hexacópteros pesados que soldados
russos apelidaram de “Baba Yaga”, em referência à bruxa do folclore
eslavo, entre eles o Vampire, fabricado pela SkyFall, e o Kazhan, da Reactive
Drone. O próprio Vampire, com cerca de 30 km de alcance e câmeras térmicas, já
vinha sendo usado não só em ataques mas também na entrega de alimentos e
suprimentos médicos à linha de frente. Casos anteriores incluem até o
transporte de uma bicicleta elétrica para resgatar um soldado cercado, e
reportagens já haviam registrado brigadas de elite ucranianas em que entre 50%
e 80% do reabastecimento das posições mais avançadas passou a depender de robôs
terrestres e multirrotores pesados, e não mais de veículos tripulados.
A explicação para essa mudança é operacional, não estética: analistas como Rob Lee observam que alguns regimentos de assalto e batalhões de operações especiais passaram a empregar drones bombardeiros pesados em apoio direto a pequenas equipes de infantaria, sustentando-as com comida, água, munição e material médico. Com zonas de exclusão de até 20 km monitoradas por drones de ambos os lados, o reabastecimento por caminhão ou viatura tornou-se praticamente inviável em setores críticos como Kostiantynivka e Pokrovsk, obrigando tropas a caminhar longas distâncias carregando tudo de que precisam quando o suprimento aéreo não chega a tempo.
O contraste que
viralizou
Parte do impacto
do vídeo está na leitura simbólica que ele provocou nas redes: usuários
compararam o episódio a relatos anteriores de soldados russos que se rendiam
recebendo comida da rede McDonald's oferecida por forças ucranianas, e alguns
comentários chegaram a evocar, com humor, o paralelo histórico das barcaças de
sorvete usadas pelos Estados Unidos para elevar o moral de tropas no Pacífico
durante a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de uma interpretação simbólica
difundida por usuários e comentaristas nas redes, não de um dado operacional
verificável, mas que ajuda a explicar por que a cena ganhou tração fora do
círculo de especialistas em defesa.
Uma vitrine
involuntária: o potencial comercial da tecnologia
Para além do
episódio pontual, o caso funciona como vitrine involuntária de uma tecnologia
com apelo comercial crescente. O mercado global de entregas por drone já é
avaliado em cerca de US$ 5 bilhões em 2026, com projeções de alcançar entre US$
17 bilhões e US$ 21 bilhões até meados da década seguinte, impulsionado
principalmente por comércio eletrônico, farmácias e logística de curta
distância, segundo levantamentos da Fortune Business Insights e da Future
Market Insights. Operadoras civis como Zipline e Wing já entregam pedidos em
janelas de 10 a 30 minutos, mas operam, em geral, em ambientes controlados, sem
interferência eletrônica deliberada.
A diferença do caso ucraniano é justamente essa: plataformas como o Heavy Shot e o Vampire foram validadas em condições extremas de guerra eletrônica, GPS degradado e defesa antiaérea ativa, algo que dificilmente qualquer operação civil de delivery é chamada a enfrentar. Esse amadurecimento técnico forçado pela necessidade militar tende a alimentar, no médio prazo, tecnologias de navegação resiliente e comunicação redundante que podem migrar para aplicações civis de última milha, incluindo entregas médicas em áreas remotas e reabastecimento humanitário em zonas de difícil acesso.
O raciocínio não é exclusivo da Ucrânia. No Brasil, o mesmo tipo de lógica dual-use já orienta discussões dentro do Exército Brasileiro sobre quadricópteros de grande porte originalmente desenvolvidos para agricultura e logística civil, hoje avaliados também para reabastecimento de posições avançadas, um caminho que o País começa a percorrer de forma planejada, à luz do que a Ucrânia aprendeu de forma empírica ao longo de mais de três anos de conflito.
Uma tendência já
em curso
O episódio do KFC
entregue por drone não inaugura, portanto, uma tendência: ele a ilustra de
forma inédita e viral. A transformação da logística de linha de frente, de
caminhões e viaturas para drones aéreos e robôs terrestres, já vinha sendo
registrada como uma das mudanças mais significativas na arte da guerra desde a
mecanização das forças armadas. O que a cena com o Heavy Shot acrescenta é a
evidência de que essa mesma tecnologia, testada sob fogo, carrega também um
potencial comercial que companhias de delivery e logística ao redor do mundo
devem observar com atenção.
26 julho, 2026
KC-390 sobrevoa Belgrado em nova etapa da disputa por transportes militares na Sérvia
A visita não é um evento isolado. Em fevereiro de 2026, o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Sérvia, general Milan Mojsilović, confirmou, em entrevista ao jornal Politika, que o país avalia propostas para reequipar sua frota com novos caças multimissão, aviões de treinamento inicial e aeronaves de transporte. A demonstração do KC-390 em Batajnica é lida pela imprensa especializada sérvia como um movimento comercial direto da Embraer junto ao Ministério da Defesa e ao Comando da Força Aérea, na tentativa de se posicionar como candidata a essa futura aquisição.
Vídeo com o KC-390 inicia aos 1:29
O KC-390 não é o único avião estrangeiro apresentado recentemente em Batajnica. Em julho de 2025, a Embraer já havia levado ao mesmo aeródromo seu Super Tucano, de treinamento avançado e ataque leve; em fevereiro de 2026, foi a vez do concorrente americano Beechcraft AT-6B Wolverine, da Textron. Em março de 2026, a fabricante tcheca Aero Vodochody apresentou seu L-39NG, comercializado sob o nome Skyfox. No segmento de transporte pesado, a europeia Airbus já havia levado seu A400M à Conferência SEAS 2024, em Belgrado, destacando a capacidade de transportar viaturas blindadas Lazar 3 e BOV M-16 Miloš, além de helicópteros H145M, com autonomia suficiente para operar diretamente a partir da capital sérvia.
O C/KC-390 Millennium nasceu de estudos da Embraer entre 2005 e 2007 e ganhou impulso em 2009, com um contrato de US$ 1,5 bilhão firmado com a Força Aérea Brasileira para a construção de dois protótipos. O primeiro exemplar voou em 3 de fevereiro de 2015, e a entrega em série ao Brasil começou em setembro de 2019. Portugal foi o primeiro cliente de exportação, com pedido de cinco aeronaves em 2019, depois ampliado; seguiram-se Hungria, República Tcheca, Áustria, Países Baixos, Coreia do Sul, Suécia e, em maio de 2026, os Emirados Árabes Unidos, com contrato para dez aeronaves e opção para mais dez. O cliente mais recente é a Grécia, cuja comissão parlamentar aprovou em junho de 2026 a compra de três unidades adicionais, via opções do contrato português, em negócio avaliado em cerca de 600 milhões de euros.
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