Fabricante brasileira apresenta aeronaves de ponta e anuncia série de conquistas em mercado estratégico de alta relevância
*LRCA Defense Consulting - 25/01/2026
A Embraer confirmou sua participação na 10ª edição do Singapore Airshow, marcada para acontecer entre 3 e 8 de fevereiro de 2026, trazendo ao evento duas de suas principais aeronaves: o jato comercial E195-E2 e a aeronave militar multimissão KC-390 Millennium. A presença da empresa brasileira no evento asiático chega em um momento de forte expansão na região da Ásia-Pacífico, onde a companhia acumula conquistas comerciais significativas e amplia sua infraestrutura operacional.
A escolha do Singapore Airshow como vitrine para suas aeronaves não é casual. Singapura funciona como centro nervoso das operações da Embraer na Ásia-Pacífico, abrigando um Centro de Distribuição Regional com mais de US$ 100 milhões em peças de reposição e um simulador E2 que oferece treinamento essencial para pilotos de companhias aéreas de toda a região.
E195-E2: eficiência e sustentabilidade nos céus asiáticos
O E195-E2 é descrito pela Embraer como a aeronave comercial mais silenciosa
e com maior eficiência de combustível do mundo em sua categoria. Com capacidade
para até 146 passageiros em configuração padrão, o jato representa a nova
geração da família E-Jets, incorporando melhorias aerodinâmicas significativas
e motores Pratt & Whitney GTF de última geração.
A aeronave tem conquistado espaço crescente no mercado asiático. A Scoot, companhia aérea de baixo custo subsidiária da Singapore Airlines, iniciou operações com o E190-E2 em 7 de maio de 2024, com voos inaugurais de Singapura para Krabi e Hat Yai, na Tailândia. Desde então, a frota de sete aeronaves E190-E2 da Scoot tem ampliado constantemente sua malha de destinos, incluindo cidades na Malásia, Indonésia, Laos, Filipinas e Vietnã.
O desempenho operacional tem sido notável. O CEO da Scoot, Leslie Thng, relatou que os jatos E190-E2 apresentaram forte demanda e resultados operacionais positivos desde seu lançamento, com as aeronaves de 112 assentos sendo utilizadas para atender rotas de curta e média distância com menor demanda de passageiros.
Virgin Australia: estreia do E2 na Oceania
A expansão do E2 na região ganhou novo impulso com a entrada em operação da
Virgin Australia Regional Airlines (VARA). A primeira aeronave E190-E2 da
Virgin Australia, batizada de 'Coral Bay', completou seu voo comercial
inaugural em 28 de outubro de 2025, operando a rota Perth-Boolgeeda.
A Virgin Australia possui um pedido firme de oito aeronaves E190-E2, configuradas com oito assentos executivos e 92 assentos econômicos. As aeronaves foram especificamente escolhidas para substituir a frota de Fokker 100, oferecendo economia de combustível de até 30% em comparação com os modelos antigos, além de redução significativa de emissões e ruído.
Nathan Miller, executivo-geral da VARA, destacou que o E190-E2 foi desenhado para lidar com as condições desafiadoras das regiões mineradoras da Austrália Ocidental, incluindo pistas curtas, temperaturas extremas e locais remotos que exigem alta confiabilidade.
ANA: primeira operadora japonesa do E2
Em um marco histórico para a Embraer, a All Nippon Airways (ANA) e a
fabricante brasileira formalizaram um acordo de compra para 15 aeronaves
E190-E2, com direitos de compra para mais cinco unidades, tornando-se a
primeira companhia aérea japonesa a operar aeronaves da família E-Jets E2.
As entregas começarão a partir do ano fiscal de 2028, que inicia em 1º de abril de 2028, estendendo-se até 2033. A ANA identificou que o E190-E2, com aproximadamente 110 assentos, preenche uma lacuna importante em sua frota, posicionando-se entre os Dash 8 de 74 assentos e os Boeing 737-800 de 166 assentos.
Martyn Holmes, diretor comercial da Embraer Aviação Comercial, declarou: "O E190-E2 é a aeronave mais silenciosa e eficiente em termos de combustível do mercado. O porte do jato complementa perfeitamente a frota de narrowbodies maiores da ANA."
KC-390 Millennium: avanço no segmento de defesa
Enquanto a aviação comercial consolida ganhos, a Embraer Defesa &
Segurança também registra progressos significativos na Ásia-Pacífico. Em 20 de
outubro de 2025, durante a abertura da ADEX 2025 em Seul, a Embraer e a
Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) da Coreia do Sul
formalizaram um Memorando de Entendimento para fortalecer a cooperação em novos
negócios e no desenvolvimento de oportunidades de mercado no setor de defesa
sul-coreano.
O brigadeiro do ar Kang Joong-hee, diretor da Divisão de Negócios de Aeronaves da DAPA, afirmou que o MoU representa uma oportunidade para a Coreia do Sul e o Brasil irem além de uma simples relação de compra e venda, estabelecendo um modelo de cooperação mútua.
Em 2023, a DAPA selecionou o C-390 Millennium em uma licitação pública de Aeronaves de Transporte de Grande Porte para fornecer à Força Aérea da República da Coreia (ROKAF) novos modelos de transporte militar. A aeronave será especialmente configurada para atender aos requisitos da ROKAF, com serviços e suporte abrangentes.
Índia: novo escritório e ambições de crescimento
Em 17 de outubro de 2025, a Embraer inaugurou seu novo escritório em Nova
Delhi, no complexo WorldMark 4, Aerocity, marcando um aprofundamento
significativo do compromisso da empresa com a Índia. O evento contou com a
presença do vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, do ministro da Defesa
José Múcio, do ministro da Aviação Civil da Índia Shri Kinjarapu Rammohan Naidu
e do embaixador do Brasil na Índia.
A abertura do escritório prepara o cenário para expansão em todas as unidades de negócios da Embraer: aviação comercial, defesa, aviação executiva, serviços e mobilidade aérea urbana. O novo escritório servirá como centro de operações na Índia, desenvolvendo capacidades para capitalizar oportunidades na indústria aeroespacial e de defesa do país.
Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, declarou que a inauguração "marca um novo e ousado capítulo para a Embraer na Índia – um mercado central para nossa visão global."
Na área de defesa, a Embraer tem apresentado o C-390 Millennium como solução para o programa de Aeronaves de Transporte Médio (MTA) da Força Aérea Indiana. Além disso, a empresa firmou um Acordo de Cooperação Estratégica com o Grupo Mahindra para impulsionar o desenvolvimento da solução C-390 Millennium para esse programa.
Parceria Adani: produção local de jatos comerciais
A estratégia da Embraer na Índia ganhou uma nova dimensão potencialmente transformadora com a parceria estratégica firmada com o Adani Group, um dos maiores conglomerados indianos, que deverá ser anunciada na próxima terça-feira (27) durante o Wings India 2026, evento que ocorre em Hyderabad entre 28 e 31 de janeiro. Segundo análise do banco JPMorgan divulgada em janeiro de 2026, este acordo pode representar um marco definitivo na história da empresa brasileira.
A parceria prevê a produção local de jatos comerciais da família E-Jets E2 na Índia, envolvendo não apenas encomendas isoladas, mas um modelo completo de fabricação em território indiano. A mídia indiana informou que a Adani Aerospace assinou recentemente um memorando de entendimento com a Embraer no Brasil, estabelecendo as bases para uma linha de montagem final que transformará a Índia em hub de produção para o mercado asiático.
O mercado indiano apresenta números impressionantes: estimativas apontam demanda potencial de cerca de 500 aeronaves regionais nos próximos 20 anos, o que representa um mercado de aproximadamente US$ 21 bilhões, considerando um preço médio de US$ 42 milhões por aeronave. Raul Villaron, vice-presidente sênior da Embraer, confirmou que a Índia precisará de 500 aeronaves com capacidade entre 80 e 146 assentos nas próximas duas décadas, justificando plenamente a instalação de uma linha de montagem local.
Impacto financeiro e estratégico
Segundo cálculos preliminares do JPMorgan, o acordo com o Adani Group poderia gerar um valor presente líquido (VPL) de cerca de US$ 700 milhões, podendo alcançar US$ 1,1 bilhão quando considerada perpetuidade. Este montante equivale a algo entre 5% e 8% do valor de mercado atual da Embraer, o que explica a reação positiva das ações EMBJ3 na bolsa brasileira após a divulgação das primeiras informações sobre a parceria.
As projeções consideram início da produção em 2028, vendas diluídas ao longo de duas décadas, crescimento gradual dos preços e expansão das margens operacionais, em linha com a maturação do mercado indiano. A Embraer já mantém presença relevante no país, com quase 50 aeronaves em operação nos segmentos de aviação comercial, executiva e de defesa.
Um diferencial importante desta parceria são os incentivos fiscais do governo indiano para aeronaves produzidas localmente, parte do programa "Make in India", que tornaria os E-Jets E2 significativamente mais competitivos frente ao principal concorrente, o Airbus A220. Estimativas indicam que os custos de manufatura aeroespacial na Índia são 30-40% inferiores aos dos Estados Unidos e 25-35% menores que no Brasil, principalmente devido a custos de mão de obra, energia e logística.
Consequências para a Embraer
A parceria Adani-Embraer representa muito mais do que uma expansão comercial; marca uma transformação estratégica fundamental no modelo de negócios da empresa brasileira. A Embraer está evoluindo de uma companhia que exporta produtos fabricados no Brasil para uma verdadeira multinacional com capacidade produtiva descentralizada em múltiplos continentes.
Esta movimentação permite à Embraer: mitigar riscos geopolíticos com produção distribuída, otimizar custos aproveitando vantagens comparativas regionais, facilitar customização e serviços pós-venda com proximidade aos clientes, e acessar mercados protegidos que exigem conteúdo local significativo.
Combinando a parceria Mahindra para o C-390 Millennium (com potencial de 40-80 aeronaves num contrato de US$ 5-8 bilhões) e a parceria Adani para os E-Jets E2 (com demanda de 400-500 aeronaves nos próximos 15 anos), a Embraer posiciona a Índia como segundo centro produtivo global mais importante depois do Brasil, potencialmente movimentando entre US$ 13-20 bilhões em negócios ao longo das próximas duas décadas.
Infraestrutura e serviços: alicerces do crescimento
A Embraer também fortaleceu sua infraestrutura de treinamento na região. A
joint venture Embraer-CAE Training Services (ECTS) criou o primeiro simulador
de voo completo (FFS) para o E-Jets E2 na região Ásia-Pacífico, localizado em
Singapura. O simulador, instalado no Singapore CAE Flight Training Centre
dentro do SIA Training Centre, oferece treinamento essencial para pilotos de
companhias aéreas em toda a região.
Esse investimento em infraestrutura de treinamento demonstra o compromisso de longo prazo da Embraer com o mercado asiático, garantindo que as companhias aéreas tenham acesso local a programas de capacitação de alta qualidade.
Eve Air Mobility: o futuro da mobilidade urbana
A Eve Air Mobility, parte do grupo Embraer, também marcará presença no
Singapore Airshow. Em dezembro de 2025, a Eve concluiu o primeiro voo de seu
protótipo eVTOL não tripulado em escala real nas instalações de teste da
Embraer, marcando o início de sua campanha de testes de voo e validando a
integração de sistemas-chave, incluindo a arquitetura fly-by-wire de quinta
geração e rotores de sustentação de passo fixo.
As operações de teste continuarão ao longo de 2026, expandindo progressivamente o envelope de voo à medida que a aeronave transita para o voo totalmente sustentado por asas, representando o futuro da mobilidade aérea urbana.
Perspectivas e relevância estratégica
Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, enfatizou a importância
da região: "A dinâmica região da Ásia-Pacífico é um importante motor de
crescimento para a Embraer, e vemos oportunidades significativas nos setores
aeroespacial e de defesa. As companhias aéreas da região consideram cada vez
mais os E-Jets e o E2 como ativos estratégicos para fortalecer a conectividade
em toda a Ásia-Pacífico."
A Embraer está presente na região há quase cinco décadas, desde que a primeira aeronave operou na Ásia-Pacífico em 1978. Atualmente, a frota da empresa na região abrange mais de 20 países, consolidando a Embraer como player fundamental no mercado aeroespacial asiático.
Os recentes pedidos de venda, parcerias estratégicas e expansão da infraestrutura refletem não apenas o compromisso da Embraer com a região, mas também a confiança que companhias aéreas e forças armadas asiáticas depositam nas soluções tecnológicas brasileiras. Com presença reforçada em aviação comercial, defesa, jatos executivos, serviços e mobilidade aérea urbana, a Embraer posiciona-se para capturar o crescimento robusto esperado para o mercado aeroespacial da Ásia-Pacífico nas próximas décadas.
Atividades de mídia no Singapore Airshow:
- Conferência de imprensa da Embraer: terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, às 14h, na Sala 3 do pavilhão principal
- Conferência de imprensa da Eve Air Mobility: quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026, às 13h, na Sala 4 do pavilhão principal
- Visitas guiadas às aeronaves em exposição estática: 3 a 5 de fevereiro, às 15h30 (ponto de encontro: recepção do chalé da Embraer)






