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01 julho, 2026

Da prancha ao equipamento tático: Mormaii lança linha voltada à defesa

Marca catarinense, tradicional no mercado de esportes aquáticos, adapta produtos técnicos para atender Forças Armadas, forças de segurança pública e operações especiais

 

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LRCA Defense Consulting - 01/07/2026

A Mormaii, marca catarinense fundada em Garopaba, no litoral sul de Santa Catarina, na década de 70, e consagrada no mercado de esportes aquáticos, deu origem em 2025 a uma nova linha de negócios dedicada ao setor de defesa: a Mormaii Defesa. A iniciativa foi apresentada na SC ExpoDefense, feira de tecnologias e produtos de defesa promovida pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC), em Florianópolis, onde a marca exibiu óculos táticos com lentes noturnas, solares e transparentes.

Da escuta às Forças Armadas ao produto adaptado
A nova unidade de negócios nasceu de um processo de escuta junto às Forças Armadas. Segundo o CEO da Mormaii Defesa, Murillo de Oliveira, a empresa buscou identificar quais de seus produtos civis já eram usados informalmente por militares e passou a adaptá-los às exigências técnicas do setor. Um dos primeiros exemplos foi o próprio tênis da marca, submetido à avaliação das Forças Armadas e modificado a partir dos resultados dos testes.

A partir desse diagnóstico, a Mormaii Defesa passou a desenvolver roupas de mergulho tecnológicas, conjuntos de segunda pele e óculos táticos, além de outros equipamentos de proteção individual voltados a Forças Armadas, forças de segurança pública, órgãos de defesa civil, operações especiais e demais instituições que demandam produtos técnicos de desempenho.

Um mercado de nicho, com prazos longos
Segundo a assessoria da empresa, o segmento de defesa exige regularidade produtiva, qualidade comprovada, rastreabilidade, conformidade técnica e capacidade de adaptação às necessidades de cada força ou órgão demandante. Por isso, os produtos são desenvolvidos de acordo com o clima das diferentes regiões do país e levam de doze a trinta e seis meses para chegar ao mercado de defesa, prazo bem superior ao ciclo tradicional de lançamento de produtos esportivos.

O plano da empresa é ampliar o portfólio com novos modelos de óculos, tênis e soluções têxteis já previstos para as próximas coleções, priorizando o desenvolvimento de itens de uso dual, capazes de atender tanto o mercado civil quanto o militar. Com essa estratégia, a Mormaii busca consolidar presença dentro da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira, setor que tem atraído empresas de origens diversas em razão do aumento da demanda por equipamentos de proteção.

Crescimento global impulsiona o setor
O movimento da Mormaii ocorre em um contexto de expansão global do mercado de vestuário técnico para forças de defesa. Segundo dados da consultoria americana Grand View Research, o setor deve alcançar US$ 3,8 bilhões até 2033, crescimento superior a 50% em relação a 2026. Fatores como a modernização de forças policiais e militares em diversos países, o aumento de conflitos armados e a necessidade de maior mobilidade operacional em ambientes de alto risco explicam a expansão.

Em 2025, o segmento de defesa respondeu por 71,3% da receita total do mercado de vestuário militar e policial, superando com folga o segmento civil e esportivo, de acordo com a mesma consultoria. Para a Mormaii, o dado reforça a leitura de que o setor de defesa deixou de ser uma aposta pontual para se tornar uma frente de negócio permanente dentro da estratégia da marca.

Exército inaugura instituto de pesquisas na Amazônia, com aporte de R$ 15 milhões

IPEAM funcionará em parceria com o IME e o Censipam, em Manaus, e já abre vagas de pós-graduação em inteligência artificial, biotecnologia e tecnologias quânticas 


*LRCA Defense Consulting - 01/07/2026

O Exército Brasileiro inaugurou, nesta segunda-feira (29), o Instituto de Pesquisas do Exército na Amazônia (IPEAM), em Manaus. A cerimônia reuniu o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro Júnior, o Comandante Militar da Amazônia, general Viana Filho, e o senador Eduardo Braga (AM), entre outras autoridades civis e militares.

O instituto passa a funcionar nas instalações do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), em Manaus, que cedeu o espaço e deve compartilhar dados de monitoramento da região para as pesquisas desenvolvidas pelo IPEAM. A parceria com o Censipam havia sido formalizada em janeiro, em acordo assinado em Brasília entre o órgão e o Instituto Militar de Engenharia (IME), responsável pela condução acadêmica do novo instituto.

Criado em 2024, o IPEAM tem como missão desenvolver tecnologias voltadas à defesa, à preservação ambiental e ao monitoramento sustentável da Amazônia. A grade de pesquisa abrange inteligência artificial, análise de imagens e mapeamento ambiental, proteção de dados, biotecnologia, bioinformática, transição energética, cibernética e aplicações de física quântica, com cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado ministrados por professores do IME, sediado no Rio de Janeiro, em modelo híbrido de ensino integrado a Manaus.

Segundo o diretor do IME, general Juraci Ferreira Galdino, o instituto inicia as atividades com 24 pesquisadores entre mestrandos, doutorandos e pós-doutorandos, com previsão de início das aulas em 3 de agosto. Um novo edital de seleção deve ampliar o corpo discente para cerca de 84 alunos no início de 2027. Também está prevista a implantação de laboratórios permanentes de inteligência artificial e de ciências quânticas, viabilizados por um aporte de R$ 15 milhões anunciado durante a solenidade: R$ 5 milhões do Ministério da Defesa e R$ 10 milhões de emendas parlamentares impositivas, entre elas as dos deputados Adail Filho e Silas Câmara e a do próprio senador Eduardo Braga.

Além da pós-graduação, o IPEAM prevê cursos de extensão para professores da educação básica de comunidades isoladas e projetos de iniciação científica voltados a estudantes e docentes da região, com apoio da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e do Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Um projeto-piloto em Itacoatiara, em parceria com a UEA, deve atender cerca de 440 estudantes e professores da rede básica.

Para o ministro da Defesa, a criação do IPEAM se insere em uma estratégia de descentralização da formação científica e militar do país, citando como precedentes o novo campus do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em Fortaleza e o Campus Integrado de Manufatura e Tecnologia (CIMATEC), em Salvador. Múcio descreveu o instituto como uma “semente” com potencial de crescer e se transformar em um grande centro de conhecimento para a região, ao destacar o movimento de levar professores e estruturas de ensino para o Norte e o Nordeste do país, invertendo o fluxo histórico de estudantes dessas regiões rumo ao Sul.

A instalação do IPEAM amplia a presença de estruturas de ciência e tecnologia de defesa na Amazônia Legal, região que concentra desafios de vigilância de fronteiras, monitoramento ambiental e soberania sobre um território de dimensão continental. Ao integrar as capacidades de sensoriamento remoto e processamento de dados do Censipam à formação de pesquisadores do IME, o Exército busca consolidar em Manaus um polo permanente de inovação aplicada à defesa e à sustentabilidade da região.

30 junho, 2026

Saab assina contrato com a FMV para fornecer 16 caças Gripen E à Ucrânia

Pedido de SEK 24,6 bilhões, equivalente a cerca de US$ 2,5 bilhões, será contabilizado no terceiro trimestre de 2026; entregas à Força Aérea sueca estão previstas para 2029 e 2030, antes da transferência dos caças a Kiev 


*LRCA Defense Consulting - 30/06/2026

A fabricante sueca Saab assinou nesta terça-feira (30/06) um contrato com a FMV (Försvarets materielverk, a Administração de Material de Defesa da Suécia) para o fornecimento de 16 caças Gripen E destinados à Ucrânia. O valor do pedido corresponde a aproximadamente SEK 24,6 bilhões, cerca de US$ 2,5 bilhões, e será contabilizado no terceiro trimestre de 2026. As entregas da Saab à FMV estão programadas para o período de 2029 a 2030; depois de recebidas pela administração sueca, as aeronaves serão repassadas à Força Aérea da Ucrânia.

Além dos 16 caças, o contrato inclui peças de reposição e equipamentos e itens associados, segundo comunicado da Saab. A empresa não detalhou publicamente o cronograma de treinamento de pilotos, adaptação de bases ou pacote de armamentos que acompanhará as aeronaves.

Declarações
O presidente e CEO da Saab, Micael Johansson, declarou estar profundamente orgulhoso de que a Suécia e a empresa possam agora viabilizar o fornecimento do Gripen E à Ucrânia, afirmando que o caça vai transformar a capacidade da Força Aérea ucraniana e fortalecer significativamente a defesa aérea do país. O ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, classificou em rede social a assinatura como o primeiro passo da ambição ucraniana de adquirir até 150 caças Gripen E/F ao longo do tempo. O vice-primeiro-ministro ucraniano, Mykhailo Fedorov, descreveu o acordo como histórico e afirmou que os caças vão reforçar a capacidade de Kiev contra drones, mísseis de cruzeiro e aviação inimiga.

Características do Gripen E destacadas pela Saab
Segundo a fabricante, o Gripen foi projetado para operar em ambientes de ameaça avançada, com flexibilidade operacional que permite o uso a partir de pistas curtas, pistas temporárias ou rodovias, viabilizando operações dispersas e alta disponibilidade. A arquitetura baseada em software facilita atualizações contínuas e adaptação a requisitos operacionais em evolução. A Saab também ressalta o baixo custo de manutenção e o tempo reduzido de preparação entre missões como diferenciais do caça.

Como o acordo evoluiu
O contrato assinado nesta terça-feira representa um recuo em relação ao desenho anunciado em 28 de maio de 2026, quando o premiê sueco, Ulf Kristersson, e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, divulgaram a intenção de Kiev de adquirir até 20 caças Gripen E/F, somados à doação de até 16 unidades usadas do modelo Gripen C/D pela Suécia. O acordo final ficou restrito a 16 unidades do Gripen E, sem confirmação pública, até o momento, da doação dos C/D. Segundo a Reuters, a entrega dos modelos C/D mais antigos, se confirmada, está prevista para o início de 2027, enquanto os primeiros Gripen E só devem chegar a partir de 2029.

A aproximação entre Suécia e Ucrânia no tema remonta a outubro de 2025, quando Zelensky visitou as instalações da Saab em Linköping e assinou, com o governo sueco, uma carta de intenções para aprofundar a cooperação em defesa aérea, citando um potencial de exportação de 100 a 150 caças Gripen E. O financiamento da compra ucraniana tem como referência recursos do Ukraine Support Loan, mecanismo europeu de apoio a Kiev lastreado, entre outras fontes, em ativos russos congelados.

Onde e quando
A assinatura ocorreu na Suécia e foi divulgada oficialmente pela Saab e pela FMV em 30 de junho de 2026. Segundo a Saab, o treinamento de pilotos e técnicos ucranianos no Gripen C/D já está em andamento e deve ser ampliado a partir do outono europeu, ou seja, entre setembro e novembro de 2026.

Por que agora
O acordo se insere no esforço ucraniano de reconstruir sua força aérea diante do desgaste da frota soviética remanescente e da necessidade de contrapor ataques russos com drones, mísseis de cruzeiro e bombas planadoras. A capacidade do Gripen de operar a partir de bases dispersas e pistas improvisadas é apontada por analistas como especialmente adequada ao cenário de bases aéreas ucranianas sob ameaça constante de ataques russos de longo alcance. Em paralelo, Kiev também negocia a compra de até 100 caças Rafale F4 da França, em carta de intenções que prevê aquisições ao longo de dez anos.

Para que: o Gripen como ativo estratégico para a Saab
Para a Saab, o eventual avanço do contrato ucraniano para o patamar de 100 a 150 unidades representaria um dos maiores negócios de exportação de caças da história da empresa, conferindo ao Gripen visibilidade inédita em um cenário de combate real. O programa já vive expansão comercial relevante: o Brasil encomendou 36 unidades do Gripen E/F, das quais cerca de dez já estão operacionais na Força Aérea Brasileira; a Colômbia assinou, em 2025, contrato para 17 unidades, no valor de 3,1 bilhões de euros, com entregas entre 2026 e 2032; e a Tailândia contratou inicialmente quatro aeronaves, com opção de ampliar a frota.

Diante da demanda crescente, a Saab avalia ampliar sua capacidade produtiva, hoje em torno de 20 a 30 aeronaves por ano, e já discute com a Bombardier, do Canadá, a possibilidade de localizar parte da produção do Gripen em solo canadense, parceria que também poderia se tornar fonte adicional de entregas para a Ucrânia, assim como as aeronaves colombianas poderão ser fabricadas nas instalações brasileiras da Embraer. O backlog de pedidos da divisão de aeronáutica da Saab soma cerca de SEK 82,2 bilhões, dentro de uma carteira total de pedidos de aproximadamente SEK 274 bilhões.

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