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23 abril, 2026

Embraer fortalece presença no Canadá com novo centro de serviço autorizado em Toronto

Parceria com a Execaire Aviation marca a terceira base credenciada da fabricante brasileira no país e integra ofensiva mais ampla da empresa no mercado norte-americano

 

*LRCA Defense Consulting - 23/04/2026

A Embraer anunciou nesta quinta-feira a incorporação da Execaire Aviation à sua rede global de Centros de Serviço Autorizados para jatos executivos no Canadá. Com base em Toronto, a empresa passará a oferecer manutenção de linha para as aeronaves Phenom 100 e Phenom 300, Praetor 500 e Praetor 600, além dos modelos Legacy 450 e Legacy 500, tornando-se o terceiro Centro de Serviço Autorizado da Embraer no país.

O acordo chega em momento de expansão acelerada da fabricante brasileira no continente. Apenas 24 horas antes, a Embraer havia anunciado outro contrato estratégico no Canadá: um acordo de suporte ao estoque de peças de reposição com a Jazz Aviation, maior companhia aérea regional do país e principal operadora da Air Canada Express, que se tornará a primeira cliente do programa Embraer Collaborative Inventory Planning (ECIP) no Canadá.

Uma rede que se consolida desde 2009
A presença da Embraer no mercado canadense de aviação executiva tem raízes que remontam a mais de uma década e meia. Em julho de 2009, a fabricante selecionou a Starlink Aviation, sediada no Aeroporto Internacional Montréal-Pierre Elliott Trudeau, como seu primeiro centro de serviço autorizado no Canadá para os jatos Phenom 100 e Phenom 300. A Execaire, agora, passa a ser o terceiro elo dessa cadeia e o primeiro localizado em Toronto, o maior polo de aviação executiva do país.

A escolha da Execaire não é casual. Com mais de 60 anos de atuação, a empresa é considerada uma das provedoras mais antigas e confiáveis de soluções de aviação privada no Canadá, com serviços que incluem gerenciamento e manutenção de aeronaves, fretamento, venda e operações de base fixa (FBO), com presença em cidades como Montreal, Toronto, Halifax, Ottawa, Calgary, Winnipeg, Vancouver, Hamilton e Windsor. A empresa é uma divisão do IMP Group Ltd., conglomerado privado sediado em Halifax com atuação em setores como aeroespacial, saúde e tecnologia da informação.

O que muda para os operadores
Com o credenciamento, os clientes da Embraer baseados em Toronto e região passam a contar com suporte de manutenção de linha diretamente na cidade, sem necessidade de deslocar aeronaves para outros centros. A cobertura engloba toda a gama de jatos executivos da fabricante atualmente em operação, dos leves Phenom até os médios Legacy e Praetor.

"Tornar-se um Centro de Serviço Autorizado da Embraer é um marco significativo para a Execaire Aviation e reforça nosso compromisso em fornecer manutenção e suporte de classe mundial aos nossos clientes", afirmou Michael Fedele, presidente da Execaire Aviation, no comunicado oficial.

Do lado da Embraer, Frank Stevens, Vice-Presidente de Serviços de MRO da Embraer Services & Support, destacou o histórico comprovado da parceira: "Eles têm um histórico comprovado de prestação de serviços de excelência para a aviação executiva no país, e estamos entusiasmados em avançar com essa parceria. Continuaremos trabalhando arduamente para expandir nossa capacidade, nossas competências e nossa presença na América do Norte e em todo o mundo."

Expansão em meio a números recordes
O anúncio desta quinta-feira se insere em um ciclo de forte desempenho da divisão executiva da Embraer. Em 2025, a fabricante entregou 155 jatos executivos, o maior número desde 2010, com a divisão crescendo 24% no quarto trimestre, contribuindo para uma receita anual recorde de R$ 41,9 bilhões, alta de 18% em relação ao ano anterior.

O Phenom 300, carro-chefe da linha leve e um dos modelos agora cobertos pela Execaire, liderou as entregas em sua categoria em 2025, com 72 unidades entregues no ano.

Para 2026, as perspectivas seguem positivas. No primeiro trimestre, a Embraer registrou 29 entregas de jatos executivos, aumento de 26% em relação ao mesmo período de 2025, impulsionadas pela demanda sólida tanto nos segmentos de jatos leves quanto nos de médio porte. A empresa projeta entregar entre 160 e 170 jatos executivos ao longo de 2026, e estima receita anual entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.

Canadá, um mercado estratégico
A sequência de movimentos no Canadá, com dois anúncios em dois dias, cobrindo tanto a aviação regional quanto a executiva, sinaliza que o país ocupa posição estratégica no plano de expansão da fabricante. A América do Norte concentra a maior frota de E-Jets do mundo, e o Canadá, com seu território continental e alta demanda por conectividade regional e corporativa, representa parcela relevante desse mercado.

Com a Execaire em Toronto, a Embraer passa a oferecer ao mercado executivo canadense uma rede de suporte que cobre as duas maiores regiões metropolitanas do país, Toronto e Montreal, além de Edmonton, via Aurora Jet Partners. A expectativa é que a parceria reduza os tempos de resposta em manutenção e amplie a disponibilidade operacional das frotas baseadas no Canadá.

Terras Raras: aquisição da Serra Verde pela USA Rare Earth e o reposicionamento geopolítico do Brasil nos minerais críticos


*LRCA Defense Consulting - 23/04/2026

Em 20 de abril de 2026, a empresa norte-americana USA Rare Earth (USAR, listada na Nasdaq) anunciou a aquisição de 100% do Serra Verde Group, dona da mina e planta de processamento Pela Ema, em Minaçu (GO). O valor da transação é de cerca de US$ 2,8 bilhões (aproximadamente R$ 14 bilhões), pago com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações ordinárias da compradora. O fechamento está previsto para o terceiro trimestre de 2026, sujeito a aprovações regulatórias no Brasil e nos EUA.

A operação não é apenas um grande negócio de mineração: representa um marco na corrida global por terras raras, elementos essenciais para a transição energética, eletrônica avançada e, especialmente, para a indústria de defesa. A Serra Verde opera a única mina de terras raras em escala comercial fora da Ásia capaz de produzir os quatro principais elementos magnéticos: neodímio (Nd), praseodímio (Pr), disprósio (Dy) e térbio (Tb), além de ítrio. Esses minerais são componentes chave de ímãs permanentes de alta performance (NdFeB), usados em motores elétricos, turbinas eólicas, veículos elétricos, smartphones e, criticamente, em sistemas de defesa como mísseis guiados, radares, aviões de caça, submarinos e equipamentos com telêmetro a laser.

O que foi vendido e o contexto da mina Pela Ema
A Serra Verde investiu mais de US$ 1,1 bilhão para colocar a Pela Ema em produção comercial no início de 2024. Trata-se de um depósito de argilas iônicas, o primeiro em escala no mundo ocidental, com baixa geração de rejeitos úmidos, uso de energia renovável e biocombustíveis. A fase 1 deve atingir capacidade nominal de cerca de 6.400 a 6.500 toneladas de óxidos totais de terras raras (TREO) por ano até o fim de 2027, com potencial de expansão (fase 2) para dobrar a produção de run-of-mine antes de 2030. A mina deve responder por mais de 50% da oferta global de terras raras pesadas (HREE) fora da China em 2027.

A transação inclui um contrato de fornecimento de 15 anos para 100% da produção da fase 1 com uma Special Purpose Vehicle (SPV) capitalizada por agências do governo dos EUA e capital privado, com pisos de preço mínimos garantidos para Nd, Pr, Dy e Tb. Esse acordo já estava amparado no pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation (DFC), fechado em fevereiro de 2026, que incluía opção de participação minoritária do governo americano. 

 

Estratégia americana e o “mine-to-magnet”
A USA Rare Earth, com forte apoio do governo dos EUA (incluindo participação acionária via Departamento de Comércio em janeiro de 2026 e pacote de até US$ 1,6 bilhão), busca criar uma cadeia integrada “da mina ao ímã” fora da Ásia. A empresa já controla projetos nos EUA (Round Top, no Texas), França (separação e reciclagem via Caremag) e Reino Unido (metais e ligas via Less Common Metals), além de capacidade de fabricação de ímãs em Oklahoma. A Serra Verde adiciona a peça upstream estratégica: terras raras pesadas, escassas no Ocidente.

 

A China domina cerca de 90% do processamento global de terras raras e controla a maior parte da produção de HREE, o que permite influência sobre preços e suprimentos. A aquisição reforça a estratégia de Washington de diversificação, especialmente em meio a tensões geopolíticas.

Consequências estratégicas para o Brasil
Aspectos positivos econômicos e de posicionamento:

  • O Brasil reforça seu papel como fornecedor global de minerais críticos. O país detém a segunda maior reserva mundial de terras raras (estimada em 20-25% do total global), atrás apenas da China. A transação injeta capital estrangeiro, gera royalties e impostos para Goiás e a União, e mantém/expande cerca de 350 empregos diretos na região de Minaçu (com forte contratação local). A expansão projetada pode elevar ainda mais a contribuição do setor mineral para a economia goiana e nacional.

 

  • Posiciona o Brasil como parceiro preferencial no “clube” de minerais críticos articulado pelos EUA, diversificando exportações (hoje, quase toda produção brasileira de terras raras vai para a China).

Riscos e desafios à soberania e captura de valor:

  • Parte significativa da captura de valor (processamento, metalurgia e fabricação de ímãs) ocorrerá fora do Brasil, nas operações da USA Rare Earth. O contrato de offtake direciona praticamente toda a produção para uma SPV controlada por interesses americanos, limitando a flexibilidade comercial brasileira.

  • Há debates internos sobre soberania nacional. O governo federal tem discutido a criação de uma estatal (“Terrabras”) para controlar terras raras, mas a área técnica do Ministério de Minas e Energia se divide: alguns veem risco à soberania na dependência externa, enquanto outros priorizam parcerias privadas. A aprovação regulatória da operação (pelo CADE, ANM e possivelmente outros órgãos) será um teste para a política mineral brasileira.

 

  • Críticas surgem de setores que defendem maior controle estatal ou nacional sobre esses ativos estratégicos, especialmente após o financiamento DFC e a opção de equity americano. 

Impacto na Indústria de Defesa brasileira
As terras raras são vitais para a defesa moderna. Ímãs de NdFeB (que requerem Dy e Tb para resistir a altas temperaturas) são usados em:

  • Motores de drones e veículos elétricos militares;
  • Sistemas de guiagem de mísseis, drones e torpedos;
  • Radares, sensores e equipamentos de guerra eletrônica;
  • Componentes de aeronaves (Embraer), navios e submarinos.

O Brasil, embora tenha uma indústria de defesa consolidada (Embraer, Avibras, Taurus etc.), depende quase totalmente de importações para esses materiais, com risco de interrupção em cenários de conflito ou restrições chinesas. A aquisição da Serra Verde não garante suprimento direto para o Brasil, pois a produção é direcionada à SPV americana. No entanto, abre duas portas estratégicas:

  1. Oportunidade de parcerias e transferência tecnológica: o Brasil pode negociar cláusulas de conteúdo local, joint ventures ou prioridade de suprimento para projetos de defesa nacionais em futuras aprovações ou expansões. A integração com a cadeia americana poderia facilitar acesso à tecnologia de separação e magnetização, acelerando a capacitação nacional.

  2. Risco de dependência externa: sem mecanismos de garantia, o Brasil pode continuar vulnerável, reforçando a necessidade de uma política nacional de minerais críticos que inclua reserva estratégica, processamento local e estoque de segurança para defesa.

A fase 1 deve atingir capacidade nominal de cerca de 6.400 a 6.500 toneladas de óxidos totais de terras raras (TREO) por ano até o fim de 2027. Foto: Serra Verde

Urgência de uma estratégia soberana
Em resumo, a operação consolida o Brasil como ator relevante na geopolítica dos minerais, mas destaca a urgência de uma estratégia soberana: ou o país avança em verticalização da cadeia (processamento e manufatura) ou corre o risco de se tornar mero exportador de matéria-prima, enquanto o valor agregado fica com parceiros estrangeiros.

A aquisição da Serra Verde não é apenas um negócio bilionário, é um capítulo da nova Guerra Fria dos recursos. Para o Brasil, o desafio agora é transformar reservas geológicas em soberania tecnológica e industrial, especialmente na área de defesa, onde a dependência externa pode comprometer a autonomia estratégica em um mundo cada vez mais polarizado. O fechamento da operação, previsto para o terceiro trimestre de 2026, será acompanhado de perto por analistas, reguladores e o setor de defesa nacional.

22 abril, 2026

Embraer amplia presença na América do Norte com novo acordo estratégico no Canadá

Com o novo contrato, a Jazz Aviation LP se torna a primeira cliente canadense do programa ECIP da Embraer

 


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LRCA Defense Consulting - 22/04/2026

A Embraer anunciou a assinatura de um acordo inédito com a Jazz Aviation LP para suporte ao estoque de peças de reposição da frota de jatos E-Jets da companhia canadense. A parceria marca a entrada do programa de Planejamento Colaborativo de Estoque da fabricante brasileira no Canadá, consolidando sua estratégia de expansão na América do Norte.

A Jazz, maior companhia aérea regional do país e principal operadora da Air Canada Express, opera atualmente 25 aeronaves do modelo Embraer E-175. Com o novo contrato, a empresa se torna a primeira cliente canadense do programa ECIP (Embraer Collaborative Inventory Planning), iniciativa baseada em análise de dados e gestão compartilhada de materiais.

Segundo a Embraer, o modelo do ECIP prevê que a fabricante arque com a maior parte do investimento em peças de reposição, além de assumir a gestão logística e operacional desses itens. O objetivo é reduzir o tempo de inatividade das aeronaves e otimizar a eficiência operacional das companhias aéreas.

“O novo contrato demonstra o ritmo acelerado de crescimento da nossa área de Serviços e Suporte na América do Norte, região com a maior presença de E-Jets do mundo”, afirmou Carlos Naufel, presidente e CEO da divisão. “Estamos ansiosos para apoiar a Jazz e fortalecer seu desempenho operacional.”

Do lado canadense, o acordo é visto como um avanço na confiabilidade das operações. “Ao aderir ao programa, estamos aproveitando a expertise global da Embraer para reduzir o tempo de inatividade e garantir um serviço consistente aos passageiros”, destacou Doug Clarke, presidente da Jazz.

Modelo baseado em dados e previsibilidade
O ECIP oferece um conjunto de vantagens operacionais e financeiras. Entre os principais pontos estão a redução de custos iniciais com estoque, a previsibilidade de despesas por meio de preços fixos anuais por peça e a melhoria na disponibilidade de componentes críticos.

O sistema também utiliza recomendações semanais baseadas no consumo real e nos níveis de estoque, com apoio de softwares avançados e da expertise da Embraer em planejamento logístico. A fabricante destaca ainda que a rede global de suporte garante prazos de entrega predefinidos e níveis de desempenho elevados.

Relevância estratégica
A América do Norte concentra a maior frota mundial de E-Jets, o que torna a região prioritária para a expansão dos serviços da Embraer. O acordo com a Jazz reforça esse posicionamento e amplia a presença da empresa em um mercado altamente competitivo.

Perfil da Jazz Aviation
A Jazz Aviation opera voos para cerca de 70 destinos na América do Norte e integra o grupo Chorus Aviation Inc.. A companhia tem se destacado por reconhecimentos recentes no Canadá, incluindo prêmios de segurança, diversidade e ambiente de trabalho.

Com a nova parceria, a empresa busca elevar ainda mais seus padrões operacionais e consolidar sua posição como uma das principais operadoras regionais do continente.

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