A Taurus Armas S.A. venceu mais uma licitação militar nas Filipinas, desta vez para o fornecimento de 10.402 unidades do fuzil T4, calibre 5,56mm, no âmbito do edital ORD PABAC2-005-25, aberto pelo Exército Filipino (Philippine Army) para a aquisição de carabinas na plataforma AR-15/M4. A proposta da empresa gaúcha, apresentada em 24 de novembro de 2025, foi declarada vencedora e confirmada por meio de Notice of Award publicado pela própria força em 2026. O contrato é o segundo grande lote de fuzis T4 vendido ao Exército Filipino desde 2021 e se soma a um histórico de mais de sete anos de fornecimento de pistolas à Polícia Nacional das Filipinas (Philippine National Police, PNP), consolidando o país como uma das principais vitrines da indústria brasileira de armas leves na Ásia.
O edital e a proposta vencedora
O projeto ORD PABAC2-005-25 previa a aquisição de 10.402 unidades de carabina 5,56mm na plataforma AR-15/M4, com orçamento autorizado de 494,095 milhões de pesos filipinos, provenientes do orçamento nacional do país asiático para o exercício de 2025. Pela cotação média do peso filipino em relação ao dólar em novembro de 2025 (cerca de 57,5 pesos por dólar, segundo dados de mercado) e do dólar frente ao real no mesmo mês (em torno de R$ 5,39, conforme o Banco Central), o valor do contrato equivale a aproximadamente US$ 8,6 milhões, ou R$ 46,3 milhões. O preço médio por unidade gira em torno de 47,5 mil pesos filipinos, o equivalente a cerca de US$ 826 ou R$ 4,45 mil, valor que tende a incluir acessórios, frete e demais itens do pacote contratual, e não deve ser tomado como o preço isolado da arma.
O edital estabelece prazo de entrega de 360 dias contados a partir do Notice to Proceed (documento que autoriza formalmente o início da execução contratual). A Taurus já havia sinalizado a vitória em releases anteriores: no relatório do 4º trimestre de 2025, divulgado em março de 2026, a Companhia mencionou, sem nomear o país, ter vencido "outra licitação para a venda de 10 mil fuzis em país da Ásia, cujo fornecimento se dará em 2026"; no relatório do 1º trimestre de 2026 confirmou o recebimento do Notice to Proceed referente à "licitação de 10.402 fuzis, vencida anteriormente"; e no relatório do 2º trimestre de 2026 voltou a citar o contrato de "10,4 mil fuzis para um país da Ásia", com entregas previstas ao longo do ano. O cruzamento desses números com o edital ORD PABAC2-005-25 e com o Notice of Award publicado pelo Philippine Army permite agora identificar, com segurança, que o país é as Filipinas.
Da adoção inicial à megalicitação de 2021
O fuzil T4 não é novidade para o Exército Filipino. A primeira adoção ocorreu ainda em 2019, por meio do projeto ORD PABAC-045-19, com uma quantidade inicial e reduzida de unidades destinadas a testes e avaliação operacional. O salto de escala veio em janeiro de 2021, quando a Taurus venceu a licitação internacional do projeto ORD PABAC2-018-2021 e fechou a venda de 12.412 fuzis T4 calibre 5,56mm, a um preço unitário então em torno de US$ 590,78, com entrega concluída ainda no primeiro semestre daquele ano. Poucos meses depois, em abril de 2021, a empresa venceu a primeira etapa de uma nova licitação para o fornecimento adicional de 1.118 unidades, com entrega confirmada em 2022.
Somadas as duas rodadas, o Exército Filipino recebeu mais de 13.500 fuzis T4 entre 2021 e 2022, tornando-se a primeira força militar do mundo, fora do Brasil, a adotar o modelo. Com o novo contrato de 10.402 unidades, o total fornecido pela Taurus ao Exército Filipino desde 2021 ultrapassa 23,9 mil fuzis da plataforma T4.
Vale registrar que nem toda disputa filipina tem sido favorável à Taurus. Em dezembro de 2025, um projeto correlato, porém distinto, o ORD PABAC2-061-24, voltado à aquisição de carabinas 5,56mm com sistema de operação a pistão de gás (gas piston), foi vencido pela sul-coreana Dasan Machineries, por meio de sua representante filipina United Defense Manufacturing Corp. O T4 opera por impacto direto de gás (direct impingement), tecnologia distinta da exigida naquele edital específico, o que ajuda a explicar a segmentação dos resultados entre os dois fabricantes.
Pistolas TS9: a Polícia Nacional filipina como maior cliente institucional
Paralelamente aos fuzis, a Taurus consolidou nas Filipinas um dos maiores contratos institucionais de pistolas de todo o seu histórico de exportação. Entre 2018 e 2019, a empresa venceu duas licitações consecutivas da Polícia Nacional das Filipinas para o fornecimento da pistola TS9 Striker, calibre 9mm, somando cerca de 20 mil unidades entregues no período. Em 2022, a PNP aprovou mais dois grandes lotes do mesmo modelo, adicionando 9,5 mil pistolas ao total já fornecido.
O somatório dessas quatro rodadas de aquisição eleva para cerca de 30 mil o número de pistolas TS9 já adquiridas pela Polícia Nacional das Filipinas, uma corporação com efetivo de aproximadamente 200 mil policiais, o que sinaliza espaço para novos contratos à medida que o processo de padronização avança pelas demais unidades da força.


Filipinas como vitrine asiática
A combinação dos dois fluxos, fuzis para o Exército e pistolas para a Polícia Nacional, transforma as Filipinas em um raro caso de presença simultânea e de longo prazo da Taurus nas duas principais categorias de armas leves usadas por forças de segurança: armas longas de emprego militar e armas curtas de emprego policial. Poucos mercados fora do Brasil reúnem essa dupla frente de forma tão consistente ao longo de mais de sete anos, o que faz do país um dos principais estudos de caso da estratégia asiática da fabricante gaúcha, ao lado da joint venture indiana JD Taurus.
Para a Taurus, que vem perseguindo a diversificação de mercados internacionais como forma de reduzir a dependência do consumidor civil norte-americano, hoje responsável pela maior fatia de seu faturamento externo, o histórico filipino funciona como referência comercial em outras disputas na Ásia, ao demonstrar resistência de longo prazo a testes de qualidade e uso operacional continuado por diferentes forças de um mesmo país.













