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07 fevereiro, 2026

Empresa japonesa AirX optou por adquirir até 50 aeronaves eVTOL Eve, num investimento de US$ 250 milhões

Aeronaves elétricas serão utilizadas para voos de transferência e turísticos em Tóquio


*AIN, por Chad Trautvetter - 04/02/2026

A AirX, corretora de fretamento aéreo com sede em Tóquio, firmou um pedido de duas aeronaves eVTOL da Eve Air Mobility e opções para mais 48 — um negócio potencialmente avaliado em US$ 250 milhões (a preços de tabela estimados) — na quarta-feira, durante o Singapore Airshow. A AirX utilizará as aeronaves elétricas principalmente para voos de transferência e turismo no Japão, com foco na região da Baía de Osaka. A entrega das duas primeiras eVTOLs está prevista para 2029.

A AirX organiza esse tipo de voo em helicópteros por todo o Japão, operados por empresas parceiras com licença de operador aéreo, há quase 11 anos, por meio de sua plataforma de reservas online Airos Skyview. As reservas na empresa são divididas igualmente entre voos de transferência e voos turísticos. Um aplicativo, com lançamento previsto para o segundo trimestre, oferecerá uma interface mais amigável que facilitará as reservas pontuais de mobilidade aérea avançada (MAA), disse Kiwamu Tezuka, fundador e CEO da AirX, à AIN .

Segundo Masato Kikuchi, especialista em inovação e aquisição da AirX, os planos preveem que a empresa alugue os eVTOLs Eve para operadores parceiros que os operarão. O serviço de Mobilidade Aérea Avançada (AAM) com a aeronave elétrica de quatro a seis passageiros deverá começar na região metropolitana de Tóquio nos próximos cinco anos, dependendo da obtenção da certificação, observou ele.

Questionado sobre o custo dos voos com Mobilidade Aérea Avançada (AAM) em uma aeronave Eve, Tezuka disse que ele e sua equipe "estão tentando descobrir isso agora". No entanto, ele observou que a demanda existe: "Já recebemos muitos pedidos de voos de transferência usando helicópteros".

Luiz Mauad, vice-presidente de serviços, soluções operacionais, design estratégico e ecossistema da Eve, detalhou a demanda por Mobilidade Aérea Aérea (AAM) na região Ásia-Pacífico, onde a Eve prevê uma necessidade de 12.200 aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOLs) — 41% da frota mundial projetada. Ele observou que cidades com alto congestionamento impulsionarão essa demanda.

Mauad afirmou que oito das dez maiores cidades do mundo estão nessa região, com Tóquio no topo da lista. Além disso, a população da Ásia deverá disparar de 2 bilhões em 2020 para 3,5 bilhões no final desta década, levando a um aumento do congestionamento urbano que os eVTOLs podem ajudar a aliviar.

Segundo Mauad, os eVTOLs reduzirão significativamente o tempo de deslocamento em cidades como Tóquio. Por exemplo, ele afirmou que uma aeronave eVTOL da Eve poderia voar do Aeroporto de Haneda, em Tóquio, até um vertiporto no centro da cidade em 15 minutos, em vez de mais de uma hora de carro. A aeronave da Eve possui um compartimento de bagagem com capacidade para duas malas despachadas e duas de mão, facilitando esses traslados aeroportuários, acrescentou.

“A região Ásia-Pacífico tem uma enorme demanda por Mobilidade Aérea Avançada (AAM) eVTOL, incluindo voos de passageiros e de carga leve”, disse Mauad.

06 fevereiro, 2026

Do campo de batalha ucraniano à indústria brasileira: XMobots adota impressão 3d industrial na vanguarda da defesa nacional

Parceria estratégica com SKA e HP coloca fabricante brasileira de drones no seleto grupo de países que dominam manufatura aditiva para aplicações militares 


*LRCA Defense Consulting - 06/02/2026

Enquanto a Ucrânia revoluciona a guerra moderna com drones produzidos em impressoras 3D espalhadas por fábricas secretas próximas à linha de frente, o Brasil dá um salto estratégico na mesma direção, mas com uma vantagem: a capacidade de construir essa tecnologia crítica em ambiente controlado, antes que seja necessário utilizá-la sob pressão de conflito.

A XMobots, maior fabricante de drones da América Latina, acaba de consolidar uma parceria que posiciona o país na fronteira tecnológica da manufatura aditiva para defesa. A aliança com a SKA Automação de Engenharias, representante da HP no Brasil, traz para o chão de fábrica brasileiro impressoras 3D industriais de última geração, a mesma tecnologia que tem permitido à Ucrânia produzir milhares de drones por mês em condições extremas.

Da linha de frente ao laboratório industrial
Na Ucrânia, a guerra transformou a impressão 3D de promessa em infraestrutura crítica. Empresas como Wild Hornets operam fazendas de impressoras (dezenas de equipamentos Bambu Lab e Elegoo funcionando 24 horas por dia) para produzir componentes de drones interceptadores Sting que combatem os Shaheds iranianos. A Wild Hornets afirma ter neutralizado 1.738 ativos inimigos no valor de US$ 1,69 bilhão, incluindo 448 UAVs adversários.

Outras fabricantes ucranianas, como a TAF Drones, operam instalações secretas no oeste da Ucrânia onde mais de 100 funcionários produzem cerca de 1.000 drones diariamente usando tecnologias de manufatura que incluem impressoras 3D. O país já produz mais de quatro milhões de drones anualmente, estabelecendo novos paradigmas para a indústria global.

O modelo ucraniano demonstrou que a impressão 3D permite iteração em ciclos curtíssimos: imprimir, montar, testar e modificar projetos quase em tempo real. Um protótipo que funciona hoje pode ser ajustado até amanhã, com peças impressas localmente ou provenientes de fornecedores regionais, comprimindo ciclos de desenvolvimento que poderiam levar anos na fabricação aeroespacial tradicional em questão de semanas.

Essa agilidade não passou despercebida pelas forças da OTAN. O Tenente-Coronel Ben Irwin-Clark, comandante do 1º Batalhão Irish Guards do Exército Britânico, afirmou que a decisão de investir em produção interna de drones foi "definitivamente uma lição que aprendemos da Ucrânia". Os britânicos já imprimiram seu primeiro corpo completo de drone e treinam 78 soldados como pilotos ou instrutores.

XMobots: da prototipagem à produção em série
É nesse contexto global que a parceria entre XMobots, SKA e HP ganha relevância estratégica. Durante visita recente à fábrica em São Carlos (SP), representantes da SKA conheceram a integração das impressoras HP de última geração aos processos produtivos da empresa, uma tecnologia ainda rara no Brasil.

Participaram do encontro Jeisiane Valério, COO da XMobots, e Gabriel Setim Porto Alegre, vice-presidente de Programas, além de Paulo Ricardo, gerente de Projetos e Manufatura; Gustavo Francisco Nuñez Reyna Junior, gerente de P&D em Sistemas Elétricos e Eletrônicos; e Gustavo Sulino, supervisor de Produção Mecânica.

A XMobots deixou de usar impressão 3D apenas como ferramenta de prototipagem para tratá-la como pilar central da manufatura de seus sistemas de defesa. Com a SKA como parceira tecnológica, a empresa acessa um ecossistema de softwares, processos e materiais que permitem fabricar em série componentes de alta precisão, com repetibilidade e rastreabilidade, exatamente o tipo de requisito que diferencia um laboratório experimental de uma linha de produção militar certificada.

A família Nauru: casos de uso da Manufatura Aditiva
As soluções aplicam-se diretamente ao desenvolvimento dos drones da família Nauru, especialmente os modelos Nauru 100D ISTAR, Nauru 500C ISR e Nauru 1000C ISTAR, plataformas táticas pensadas para missões de inteligência, vigilância, reconhecimento e aquisição de alvos.

O Nauru 1000C ISTAR, por exemplo, é o drone VTOL (decolagem e pouso vertical) de categoria 2 selecionado pelo Exército Brasileiro para missões de monitoramento de fronteiras. Com envergadura de 7,7 metros, autonomia de 10 horas e capacidade de carga útil de 18 kg, o sistema integra sensores eletro-ópticos, infravermelho, telêmetro laser e sistemas SAR e GMTI para vigilância.

A XMobots também firmou parceria com a MBDA, maior empresa europeia de mísseis, para desenvolver a versão armada do Nauru 1000C com mísseis Enforcer Air, tornando-o o primeiro drone brasileiro a integrar capacidade de ataque guiado de precisão.

A impressão 3D industrial entra como facilitadora em diversos pontos críticos:

  • Produção de carenagens, suportes internos, pods de sensores e estruturas secundárias complexas: geometrias que seriam inviáveis ou extremamente custosas com processos tradicionais;
  • Redução de ferramental, gabaritos e dispositivos de montagem, acelerando a entrada em produção;
  • Iteração rápida de novas geometrias, hardpoints, dutos e layouts internos, encurtando drasticamente o ciclo entre projeto e validação em campo. 

Drone Nauru 1000C, da XMobots, armado com mísseis Enforcer Air produzidos pela MBDA

Manufatura Aditiva para defesa: casos globais
A adoção da impressão 3D pela indústria de defesa não é novidade nos países desenvolvidos. A HP anunciou recentemente a disponibilidade geral do material HP 3D HR PA 11 Gen2 para seus sistemas Multi Jet Fusion, oferecendo até 80% de reusabilidade de pó e até 40% de redução nos custos variáveis de peças, confirmando sua prontidão para componentes aeroespaciais, de defesa e energia.

A HP também lançou sua primeira impressora industrial de filamento, a HP IF 600HT, projetada especificamente para materiais de alta temperatura para fabricar peças complexas para ambientes exigentes como aeroespacial e defesa.

Empresas como BMW, John Deere e Schneider Electric já utilizam as impressoras HP Multi Jet Fusion para produção em série de componentes finais, não apenas protótipos. Na defesa, a tecnologia permite produzir desde brackets e jigs até peças estruturais certificadas para voo.

Soberania tecnológica em defesa
Para o Brasil, a parceria XMobots–SKA–HP representa mais do que um avanço tecnológico pontual. Ela sinaliza:

- Soberania industrial em um dos segmentos mais críticos da defesa contemporânea, reduzindo dependência de cadeias externas para modificações ou lotes especiais de componentes;

- Alinhamento com as melhores práticas que emergem do "laboratório de guerra" ucraniano, mas adaptadas à realidade de um grande país em paz, com capacidade de construir essa infraestrutura em ambiente controlado;

- Capacidade de resposta rápida a novas demandas das Forças Armadas e de clientes internacionais, uma vantagem competitiva crucial em mercados onde o tempo de desenvolvimento determina contratos.

Fundada em 2007 e incubada no CIETEC-USP, a XMobots emprega hoje cerca de 700 funcionários e é líder no desenvolvimento de aeronaves remotamente pilotadas na América Latina, ocupando o 6º lugar no ranking mundial da Drone Industry Insights. A empresa recebeu investimento da Embraer em 2022, consolidando sua posição estratégica no setor aeroespacial brasileiro.

Drone Nauru 500C

O futuro da guerra... e da indústria
Enquanto a Ucrânia demonstra que a impressão 3D pode sustentar produção quase artesanal, mas em grande escala de drones militares, a XMobots mostra que o Brasil é capaz de transformar essa lógica em política industrial: uma fábrica digital de defesa, com robôs industriais, linhas seriadas e manufatura aditiva integrada.

Em um cenário em que a próxima geração de conflitos será protagonizada por enxames de drones projetados, fabricados e modificados em ciclos cada vez mais curtos, ter uma XMobots conectada à SKA e à HP, dominando impressão 3D industrial no Brasil, é jogar na mesma liga de quem hoje redefine a guerra na Ucrânia, só que com a vantagem de construir essa capacidade desde já, em ambiente controlado, para quando o país precisar.

A mensagem é clara: o Brasil não está apenas observando a revolução da manufatura aditiva na defesa. Está construindo, em São Carlos, um dos pilares dessa nova era.


Sobre a XMobots
Fundada em 2007, a XMobots é a maior fabricante de drones do Brasil e da América Latina, com sede em São Carlos (SP). A empresa desenvolve 100% da tecnologia presente em seus produtos: mecânica, hardware, software e inteligência artificial. Com aproximadamente 700 funcionários, a XMobots atende os mercados de agricultura, defesa, segurança pública e geotecnologia.

Sobre a SKA Automação de Engenharias
A SKA é representante oficial da HP no Brasil para soluções de impressão 3D industrial, oferecendo consultoria técnica, implementação de processos e suporte especializado para manufatura aditiva em diversos segmentos industriais.

Sobre a HP 3D Printing
A HP é líder global em soluções de manufatura aditiva, com tecnologias Multi Jet Fusion (MJF) e Metal Jet que atendem indústrias aeroespacial, automotiva, de bens de consumo e defesa. A empresa investe continuamente em novos materiais e plataformas para expandir as aplicações de impressão 3D na produção industrial em série.

Stella Tecnologia e Força Aérea firmam parceria estratégica para desenvolver drones militares nacionais

Protocolo de Intenções estabelece cooperação de cinco anos para criar sistemas aéreos não tripulados com tecnologia 100% brasileira, incluindo drones kamikaze e plataformas de vigilância avançadas


*LRCA Defense Consulting - 06/02/2026

Em uma cerimônia realizada na nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica (INCAER), a Stella Tecnologia e o Comando da Aeronáutica assinaram nesta quinta-feira (6/2) um Protocolo de Intenções que marca um novo capítulo na indústria brasileira de defesa. O acordo estabelece as bases para uma cooperação técnica de cinco anos, com foco no desenvolvimento de sistemas aéreos não tripulados de última geração com tecnologia nacional.

A parceria, assinada pelo Tenente-Brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, Comandante da Aeronáutica, e por Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, prevê o desenvolvimento de drones de vigilância, reconhecimento, busca e salvamento, além de sistemas de ataque único, os chamados drones kamikaze, com propulsão nacional.

Segunda parceria amplia escopo tecnológico
Esta é a segunda parceria firmada entre a Força Aérea Brasileira e a empresa fluminense. A primeira cooperação, estabelecida em 2023, teve como foco a definição coordenada de conceitos relacionados a sistemas e veículos aéreos não tripulados, além da condução de pesquisas técnicas sobre o tema.

O novo protocolo, com duração prevista de 60 meses e possibilidade de prorrogação, amplia significativamente o escopo da cooperação. Entre os principais eixos de atuação estão:

  • Desenvolvimento de plataformas SARP (Sistemas Aéreos Remotamente Pilotados) para Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (IVR) com enlaces além da linha de visada e integração de sensores avançados, incluindo aplicações de inteligência artificial;
  •  Avaliação de capacidades de lançamento de cargas com controle e precisão;
  •  Desenvolvimento de sistemas aéreos remotamente pilotados de ataque único (drone kamikaze), com prioridade para soluções de propulsão nacionais e exploração de alternativas energéticas eficientes.

A cooperação será conduzida em regime de colaboração mútua, sem transferência direta de recursos financeiros entre as partes, com planejamento conjunto, acompanhamento institucional e alinhamento às diretrizes estratégicas da Aeronáutica e da política nacional de inovação.

Autonomia tecnológica como prioridade estratégica
Na avaliação do Comandante da Aeronáutica, o fortalecimento da indústria aeroespacial brasileira depende do apoio das Forças Armadas. "Nós temos tudo para criar resultados duradouros e já começamos isso. Dando continuidade, juntando as três Forças e priorizando o material nacional, vamos muito longe. Nós temos muita capacidade e as Forças têm que priorizar esse material", afirmou o Brigadeiro Damasceno durante a cerimônia.

Para Gilberto André Buffara Junior, presidente da Stella Tecnologia, a assinatura representa um passo concreto na consolidação da capacidade industrial brasileira. "Este Protocolo materializa uma relação de confiança construída com base em engenharia, execução e entrega. Nosso compromisso é transformar projetos complexos em capacidades reais, com tecnologia nacional, disciplina técnica e foco absoluto nos interesses estratégicos do Brasil", declarou.

O executivo também destacou os desafios enfrentados pelo setor no Brasil e ressaltou a importância do apoio institucional da Defesa. "Talvez, precisemos mais da Defesa, mais do que em qualquer momento da história recente. Então, acho que esse é um grande passo. Muito obrigado por apoiar a indústria nacional, a nossa iniciativa", afirmou Buffara.

Albatroz Vortex: marco da propulsão a jato nacional
O protocolo é assinado em um momento de avanços concretos da Stella Tecnologia. Recentemente, a empresa anunciou o sucesso do voo de testes do Albatroz Vortex, aeronave não tripulada de alta performance desenvolvida integralmente no Brasil, equipada com uma turbina a jato nacional desenvolvida pela AERO Concepts.

O ensaio, realizado na Base Aérea de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, validou o funcionamento do sistema propulsivo em condições reais de voo e a integração entre a turbina e a plataforma aérea — um dos principais desafios tecnológicos dessa classe de sistemas.

O Albatroz Vortex, com peso máximo de decolagem de aproximadamente 150 kg, amplia significativamente o envelope operacional da família de drones da Stella ao incorporar propulsão a jato, permitindo maiores velocidades, operação em altitudes elevadas e novas possibilidades de aplicação.

Esse marco posiciona o Brasil entre um seleto grupo de países capazes de desenvolver e integrar motores a jato a sistemas aéreos não tripulados, fortalecendo a autonomia tecnológica nacional.

Nova sede do INCAER reúne história e futuro
A assinatura do Protocolo ocorreu na sala de reuniões da nova sede do INCAER, espaço conhecido internamente como Nacele — em referência simbólica ao núcleo estrutural que sustenta e impulsiona sistemas aeronáuticos. O ambiente integra o conjunto de áreas restauradas do Instituto e foi concebido para sediar encontros institucionais de alto nível.

Inaugurada em janeiro de 2026, a nova sede do Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica marca um novo capítulo na preservação da memória, da cultura e da identidade institucional da Força Aérea Brasileira. Criado em 1986 e anteriormente sediado na histórica Estação de Hidroaviões do Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o INCAER passou a operar em Brasília em um hangar histórico restaurado.

Sob a direção do Tenente-Brigadeiro do Ar Vincent Dang, o Instituto ampliou sua integração ao Comando da Aeronáutica e o alcance de suas atividades culturais, acadêmicas e institucionais. O novo espaço preserva elementos originais da estrutura e, ao mesmo tempo, incorpora soluções modernas para abrigar o acervo documental, exposições, áreas de pesquisa e ambientes destinados a atividades educativas e culturais.

Para Buffara, o local da cerimônia reforça o significado estratégico do momento. "Assinar este Protocolo em um ambiente que preserva a memória da Força Aérea Brasileira e, ao mesmo tempo, está voltado à reflexão estratégica e à inovação tecnológica dá ainda mais sentido ao compromisso que estamos assumindo com o país", afirmou.

Brasil na corrida tecnológica dos drones militares
A assinatura do protocolo ocorre em um contexto de crescente investimento das Forças Armadas brasileiras em tecnologia de drones. A Marinha do Brasil, por exemplo, ativou em dezembro de 2025 o Esquadrão de Drones Táticos de Esclarecimento e Ataque, marcando um salto conceitual e tecnológico com foco na prontidão operativa e no preparo para o enfrentamento de novas ameaças.

Em novembro de 2025, a Marinha finalizou testes pioneiros com drones táticos de ataque durante a Operação Furnas 2025. O protótipo, desenvolvido por militares do Batalhão de Combate Aéreo, possui 1,64 metro de envergadura, autonomia de até 25 minutos e é equipado com carga explosiva capaz de neutralizar veículos e aeronaves.

O Exército Brasileiro também tem acelerado a criação de novas unidades de drones, inspirado nas lições do conflito na Ucrânia. Segundo instrutores ucranianos que participaram de missões técnicas na Europa, a adaptação rápida às novas tecnologias se tornou uma questão de sobrevivência no campo de batalha moderno.

O Exército já opera o Nauru 1000, drone nacional com capacidade de decolagem de 180 quilos, autonomia de voo de até oito horas e velocidade de 110 km/h. O modelo combina sensores de alta resolução com oito motores independentes que garantem pousos e decolagens verticais autônomos.

Sobre a Stella Tecnologia
Fundada em 2015, a Stella Tecnologia é uma Empresa Estratégica de Defesa (EED) e referência no desenvolvimento, fabricação e operação de Sistemas Aéreos Não Tripulados (SANT) de última geração no Brasil.

Com sede em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, a empresa desenvolveu o Atobá, o maior VANT de classe MALE (Medium-Altitude Long-Endurance) já desenvolvido no país, com 8 metros de comprimento, 11 metros de envergadura e 500 kg de peso máximo de decolagem.

O primeiro voo do Atobá ocorreu em 20 de julho de 2020, data do aniversário de Alberto Santos Dumont. A aeronave possui autonomia de 28 horas, velocidade máxima de 180 km/h e capacidade de transportar 70 kg de carga útil, incluindo sensores avançados como câmeras Argos 8 da Hensoldt e radar de abertura sintética.

A empresa também desenvolveu o Albatroz, drone projetado especificamente para operações embarcadas no Navio-Aeródromo Multipropósito Atlântico da Marinha do Brasil, com capacidade de decolar em apenas 95 metros de pista.

Em abril de 2025, a Stella firmou parceria estratégica com o Grupo Thales, uma das maiores corporações globais em defesa e aeroespacial, para o desenvolvimento conjunto de sistemas embarcados de vigilância e defesa aplicáveis a veículos aéreos não tripulados.

Presenças ilustres na cerimônia
Prestigiaram a cerimônia de assinatura os Brigadeiros Vincent Dang, Diretor do INCAER; Ary Soares Mesquita, chefe do Gabinete do Comandante da Aeronáutica; Walcyr Josué de Castilho Araújo, chefe do Estado-Maior da Aeronáutica; Sérgio Rodrigues Pereira Bastos Júnior, Comandante-Geral do Pessoal; e Fábio Luís Morau, chefe da Sexta Subchefia do Estado-Maior da Aeronáutica.

Contexto internacional
A importância estratégica dos drones militares foi evidenciada nos conflitos recentes, particularmente na guerra entre Ucrânia e Rússia, onde sistemas não tripulados de diversos portes — desde pequenos drones comerciais adaptados até plataformas avançadas de ataque — transformaram as táticas de combate moderno.

Segundo levantamento da Business Research Insights de fevereiro de 2025, o mercado global de UAVs está em forte expansão, com previsão de crescimento anual entre 15% e 20%, impulsionado por inovações tecnológicas, maior aceitação regulatória e aumento de aplicações comerciais e de defesa.

Países como Estados Unidos, China, Israel, Turquia e Irã já consolidaram suas indústrias de drones militares. O Brasil, com a parceria entre Stella Tecnologia e a FAB, busca posicionar-se neste seleto grupo de nações com autonomia tecnológica no setor.

A parceria entre Stella Tecnologia e Força Aérea Brasileira reforça a estratégia de fortalecimento da base industrial e tecnológica de defesa do país, reduzindo dependências externas, estimulando o desenvolvimento nacional de tecnologias críticas e consolidando o Brasil como um dos protagonistas na América Latina no desenvolvimento de plataformas aéreas não tripuladas de alto desempenho. 

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