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22 julho, 2026

Helibras e ALADA assinam memorando para ampliar exportações de helicópteros

Acordo prevê promoção internacional do portfólio da fabricante mineira pela estatal e reforça estratégia de transformar Itajubá em polo regional de produção e serviços

 

*LRCA Defense Consulting - 22/07/2026

A Helibras e a ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.) assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) destinado a impulsionar as oportunidades de exportação dos produtos e serviços da fabricante de helicópteros. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 21 de julho de 2026, pela própria Helibras, em publicação oficial de suas redes sociais.

O que prevê o acordo
Segundo o comunicado da empresa, o acordo tem como objetivo fomentar potenciais negócios governo a governo (G2G), modelo pelo qual a ALADA atuará na promoção do portfólio aeroespacial avançado da Helibras no cenário internacional. Para a fabricante, a combinação entre sua capacidade industrial e o alcance estratégico da estatal deve estimular a geração de empregos no País e posicionar o Brasil como exportador competitivo de tecnologias de defesa de alto valor.

Quem são as partes
A Helibras é subsidiária da Airbus Helicopters e única fabricante de helicópteros da América Latina, com fábrica em Itajubá, Minas Gerais. A empresa produz o H225 (uso predominantemente militar), o H125 Esquilo (aplicações civis) e integra o plano, firmado com o governo francês em 2025, para transformar a planta mineira em polo de produção e exportação do H145 para a América Latina e países lusófonos.

Já a ALADA é empresa pública federal, subsidiária da Nav Brasil, criada para atuar como catalisadora do Programa Espacial Brasileiro e do mercado aeroespacial nacional. A estatal foi indicada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir contratações G2G em benefício da Base Industrial de Defesa (BID), papel que já a levou a firmar memorandos semelhantes com Embraer, AEL Sistemas, Atech e Fundação Ezute ao longo de 2026.

Por que o modelo G2G importa
No formato G2G, a negociação comercial é conduzida diretamente pelo governo do país fornecedor, que atua como garantidor e supervisiona a entrega dos produtos, ainda que o contrato envolva uma empresa privada. O mecanismo tende a facilitar o acesso a mercados onde compradores exigem esse tipo de relação institucional, sobretudo na América Latina e na África, dispensando processos de licitação internacional mais longos e custosos.

Para que serve o acordo
Segundo a Helibras, este é um passo significativo em sua estratégia para consolidar a empresa como hub de produção e serviços de helicópteros na América Latina. Em nota, a fabricante afirmou que continuará trabalhando lado a lado com a ALADA para garantir que o setor aeroespacial brasileiro permaneça robusto, inovador e competitivo, reforçando a soberania estratégica da Base Industrial de Defesa nacional.

Contexto
O memorando com a Helibras se soma a uma sequência de acordos que a ALADA vem firmando ao longo de 2026 no mesmo formato, entre eles os assinados com Embraer e AEL Sistemas durante a FIDAE, em abril, com a Atech, em maio, e com a Fundação Ezute, em junho, durante a SpaceBR Show. O movimento ocorre em meio à expansão das exportações da BID, que somaram US$ 1,02 bilhão em autorizações apenas no primeiro trimestre de 2026, segundo o Ministério da Defesa, mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano anterior.

Até o fechamento desta matéria, nem a Helibras nem a ALADA haviam divulgado detalhes adicionais sobre prazos, mercados prioritários ou plataformas específicas contempladas pelo memorando.

01 maio, 2026

ALADA e Atech firmam parceria estratégica para fortalecer a indústria de defesa brasileira no mercado global

Acordo de cooperação entre a estatal aeroespacial e a empresa do Grupo Embraer reforça o modelo G2G e amplia a presença do Brasil no setor internacional de defesa em momento de expansão recorde das exportações  


*LRCA Defense Consulting - 01/05/2026

Na última segunda-feira, 28 de abril, duas das empresas mais estratégicas do setor de defesa e tecnologia brasileiro sentaram-se à mesa na capital federal para selar uma parceria que pode marcar um novo capítulo na projeção internacional da indústria nacional. A ALADA – Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil e a Atech – Negócios em Tecnologias S/A, integrante do Grupo Embraer, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) na sede da ALADA, em Brasília, formalizando uma cooperação estratégica voltada ao fortalecimento da Base Industrial de Defesa (BID) brasileira por meio de negociações governo a governo, o chamado modelo G2G.

O documento foi assinado pelo presidente da ALADA, Sergio Roberto de Almeida, e pelo diretor-presidente da Atech, Rodrigo Persico de Oliveira Padron.

Quem são as signatárias
A ALADA é uma estatal relativamente jovem, mas de origem institucional robusta. Subsidiária da empresa pública NAV Brasil – Serviços de Navegação Aérea S/A, ela foi constituída com base na Lei nº 15.083, de 2 de janeiro de 2025, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a primeira lei do ano. Concebida como um catalisador do Programa Espacial Brasileiro (PEB), a empresa foi desenhada para identificar oportunidades, facilitar interações e promover a geração de negócios no setor aeroespacial, atuando ainda como representante institucional do Estado brasileiro em negociações internacionais.

A empresa também atua na execução de projetos estratégicos que envolvem o Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (SISCEAB) e os lançamentos por meio do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA). Mais recentemente, ganhou protagonismo adicional ao ser designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir contratos no modelo G2G em nome do Estado brasileiro.

Do outro lado da mesa, a Atech não é uma recém-chegada. Sua história remonta à década de 1980, quando surgiu no âmbito de um programa de transferência de tecnologia na área de Controle de Tráfego Aéreo da Força Aérea Brasileira. Em 2011, a Embraer Defesa e Segurança anunciou a compra de 50% da empresa, e em setembro de 2013 a integração ao Grupo Embraer foi concluída. Com certificação de Empresa Estratégica de Defesa emitida pelo Ministério da Defesa, a Atech atua em áreas como tráfego aéreo, sistemas de comando e controle, sistemas embarcados e simuladores, e já entrega projetos no Brasil e em países da América Latina, Ásia e África.

O peso do modelo G2G
O acordo entre ALADA e Atech se insere num movimento estrutural mais amplo da política de defesa do Brasil. Em março de 2026, o Ministério da Defesa publicou a Portaria GM-MD nº 1.456, que regulamenta a atuação da pasta em operações de exportação e prestação de serviços técnicos relacionados a produtos de defesa brasileiros, com participação de estatais vinculadas em negociações G2G.

A lógica do modelo é simples e já comprovada por grandes potências exportadoras: mesmo que contratos envolvam empresas privadas, a negociação é conduzida diretamente pelo governo do país fornecedor, que atua como garantidor, supervisionando e assegurando a entrega dos produtos. Potências como EUA e França utilizam amplamente esse modelo, e os próprios caças Gripen foram vendidos ao Brasil por meio de um contrato com o governo da Suécia.

No caso brasileiro, um entrave jurídico impedia que o governo representasse diretamente empresas privadas nesse tipo de transação internacional. A solução encontrada foi usar estatais como ponte institucional entre o comprador estrangeiro e a fornecedora privada. É exatamente nesse papel que a ALADA se posiciona.

A empresa foi designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir esse tipo de contratação em nome do Estado brasileiro, consolidando sua posição institucional nesse segmento.

Um acordo no momento certo
O MoU com a Atech chega em meio a um cenário de expansão sem precedentes das exportações de defesa do Brasil. Segundo o Ministério da Defesa, a indústria brasileira somou US$ 1,02 bilhão em exportações autorizadas apenas no primeiro trimestre de 2026, mais que o dobro dos US$ 457 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

O setor reúne mais de 300 empresas credenciadas e mais de 2.200 produtos catalogados, representa 3,5% do PIB e envolve até 3 milhões de empregos diretos e indiretos. O segmento aeroespacial lidera, respondendo por cerca de 30% das exportações totais, seguido por eletrônicos como radares e sistemas de guerra eletrônica.

Não é a primeira parceria estratégica recente da ALADA. Em abril, durante a Feira Internacional de Defesa e Aeronáutica do Chile (FIDAE), o Ministério da Defesa assinou memorandos de entendimento com a ALADA, a EMGEPRON e a IMBEL para ampliar a segurança jurídica e fomentar operações de exportação de produtos de defesa no modelo G2G. Na mesma ocasião, a ALADA firmou acordo com a Embraer para alavancar plataformas como o KC-390 Millennium e o A-29 Super Tucano em mercados da América Latina e da África.

O que esperar da parceria
Para Rodrigo Padron, o MoU com a ALADA representa mais do que uma formalidade burocrática. "A assinatura deste acordo reforça a relevância da cooperação entre empresas brasileiras no fortalecimento da Base Industrial de Defesa e na ampliação da competitividade do país no mercado internacional", afirmou o dirigente da Atech.

A combinação das competências das duas organizações é estrategicamente complementar. A Atech é responsável pelos sistemas de gerenciamento de tráfego aéreo e de defesa aérea brasileiro, além de estar presente em projetos como o Programa das Fragatas da Classe Tamandaré, fornecendo soluções para o sistema de gerenciamento de combate e para o sistema integrado de gestão da plataforma. Esse portfólio tecnológico, articulado pelo papel institucional da ALADA como canal G2G, pode abrir portas em mercados onde a credencial estatal pesa tanto quanto a qualidade do produto.

O formato G2G permite integrar políticas públicas e soluções industriais, assegurando prazos, compliance e interoperabilidade. Para a Base Industrial de Defesa, isso reduz o risco de projeto e amplia a previsibilidade de receita.

O acordo entre ALADA e Atech é, nesse sentido, mais um tijolo na construção de uma arquitetura institucional que o Brasil ainda está aprendendo a erguer, mas que, dado o ritmo das exportações e o volume de parcerias sendo firmadas, parece estar ganhando velocidade e consistência. 

17 abril, 2026

ALADA: de catalisadora espacial a protagonista das exportações de defesa do Brasil

Estatal aeroespacial da FAB acumula quatro MoUs estratégicos na FIDAE 2026 e consolida papel inédito como intermediária governamental para negócios G2G da Base Industrial de Defesa


*LRCA Defense Consulting - 17/04/2026

Em menos de um ano de existência, a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. - ALADA já reescreveu seu próprio enredo. Criada em julho de 2025 com a missão de fortalecer o setor aeroespacial nacional e impulsionar o Programa Espacial Brasileiro, a estatal vinculada à Força Aérea Brasileira revelou, durante a FIDAE 2026, em Santiago, um segundo e igualmente estratégico propósito: tornar-se o principal instrumento do Estado brasileiro para viabilizar exportações de defesa no modelo governo a governo, o chamado G2G.

A revelação não foi discreta. Em plena Feira Internacional de Aeronáutica e Espaço do Chile, o Ministério da Defesa formalizou memorandos de entendimento com três de suas empresas vinculadas, a ALADA, a Empresa Gerencial de Projetos Navais (EMGEPRON) e a Indústria de Material Bélico do Brasil (IMBEL), criando a base legal para que essas estatais atuem como intermediárias em negociações de defesa intergovernamentais. No mesmo evento, a ALADA assinou ainda um MoU próprio com a Embraer e outro com a AEL Sistemas, completando uma agenda de acordos que surpreendeu o setor pelo escopo e pela velocidade.

O nó jurídico que travava o Brasil
Para entender o significado dessa movimentação, é preciso compreender um obstáculo histórico que até então tornava o Brasil uma exceção incômoda no mercado global de defesa. A equipe jurídica do Ministério da Defesa entendia que a legislação brasileira não permitia que o país fizesse a intermediação de vendas de empresas privadas em contratos G2G; o modelo só podia ser usado em negociações com estatais. O problema era que as estatais não produzem os produtos necessários para atender à demanda internacional.

O resultado prático era que países que adotam o G2G como condição para adquirir equipamentos militares - prática comum na África, no Oriente Médio e em parte da América Latina - encontravam no Brasil uma porta fechada. Empresas como a Embraer, de capital aberto e natureza privada, simplesmente não se encaixavam num formato de contrato entre estados soberanos.

A solução encontrada foi criativa: uma estatal pode fechar um acordo de colaboração com a empresa privada para produtos específicos e atuar como sua representante durante as negociações. Os MoUs assinados na FIDAE 2026 institucionalizam exatamente essa estratégia. A ALADA, designada pelo Ministério da Defesa como entidade autorizada a conduzir esse tipo de contratação em nome do Estado, passa a ocupar o papel que faltava na arquitetura exportadora brasileira.

Embraer: o teste de maior visibilidade
O acordo de maior repercussão na FIDAE foi, sem dúvida, o MoU firmado entre a ALADA e a Embraer. O foco é específico: contratos do tipo G2G, modalidade em que o Estado brasileiro atua como interlocutor direto na negociação com países compradores. O acordo chega num momento em que a Embraer busca ampliar sua presença em mercados estratégicos na América Latina e na África.

Para Fabio Caparica, vice-presidente de Contratos da Embraer Defesa, o memorando abre uma opção que antes simplesmente não existia. Em sua avaliação, o acordo permitirá que países que exijam contratos entre governos acessem uma nova modalidade de negociação para adquirir produtos e soluções da empresa. Os principais equipamentos em foco são o KC-390 Millennium, cargueiro tático considerado o mais moderno de sua classe, e o A-29 Super Tucano, líder global em missões de ataque leve e treinamento avançado.

Além de destravar mercados antes inacessíveis, o modelo G2G oferece à Embraer um argumento menos óbvio, mas igualmente relevante: credibilidade política junto a clientes que tradicionalmente desconfiam de fornecedores puramente comerciais em contratos de defesa. Ao transitar por uma entidade oficial como a ALADA, o KC-390 e o Super Tucano deixam de ser apenas produtos de uma empresa privada brasileira e passam a carregar, ao menos formalmente, o endosso institucional do governo federal.

AEL Sistemas: tecnologia de ponta no circuito G2G
A parceria com a AEL Sistemas, subsidiária israelense-brasileira, amplia o alcance da iniciativa para o segmento de sistemas eletrônicos de defesa. A iniciativa reforça o papel da ALADA como articuladora de oportunidades para a Base Industrial de Defesa, especialmente em negociações que envolvem contratos diretos entre governos.

O presidente da ALADA, Sergio Roberto de Almeida, destacou o potencial competitivo embutido no acordo. Para ele, a parceria evidencia a qualidade tecnológica de produtos como o WAD, utilizado no caça Gripen, e o Link-BR2, que demonstram o potencial competitivo do Brasil no cenário internacional. Já Samir Mustafá, diretor de Desenvolvimento de Negócios da AEL, ressaltou que o memorando abre espaço para negociações G2G que fortalecem a cooperação institucional e as relações estratégicas do Brasil com parceiros internacionais.

Uma nova arquitetura para as exportações brasileiras de defesa
O secretário de Produtos de Defesa, Heraldo Luiz Rodrigues, coordenou os acordos e foi enfático ao defender a iniciativa. Para ele, operações dessa natureza são fundamentais para estimular e fortalecer a exportação de produtos fabricados no Brasil, conferindo credibilidade institucional às negociações e ampliando o acesso a novos mercados. O secretário destaca que as empresas brasileiras possuem capacidade instalada expressiva e produtos com reconhecimento mundial de alta qualidade, o que favorece o crescimento das vendas externas.

Os números do setor sustentam o otimismo. O Brasil mais do que dobrou suas exportações de produtos de defesa no primeiro trimestre de 2026: saltaram de US$ 457 milhões no mesmo período de 2025 para US$ 931 milhões. O resultado mantém uma trajetória de crescimento que já havia registrado recordes consecutivos em 2024 e 2025, com Alemanha, Bulgária, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos e Portugal entre os principais destinos.

Das estrelas ao mercado global: a dupla vocação da ALADA
Esse novo papel estratégico não apaga a missão original da empresa. Concebida como um catalisador do Programa Espacial Brasileiro, a estatal tem por missão fortalecer a indústria aeroespacial nacional, maximizar o potencial estratégico do país no setor e promover a autossuficiência em materiais aeronáuticos e espaciais, reduzindo a dependência de fornecedores estrangeiros em tecnologias sensíveis.

Já no segundo semestre de 2025, a ALADA demonstrava essa vocação dupla. Em setembro daquele ano, a empresa promoveu encontros com representantes das Embaixadas dos Estados Unidos e da Alemanha, discutindo as potencialidades dos centros de lançamento da Força Aérea Brasileira, especialmente o Centro Espacial de Alcântara, e buscando ampliar a cooperação técnica e identificar novas oportunidades de negócios.

A síntese dessa trajetória foi expressa pelo próprio presidente da ALADA ao discursar na cerimônia de ativação da empresa, em julho de 2025: para ele, a ALADA não é apenas uma empresa, mas um instrumento de transformação nacional, a materialização do sonho brasileiro de alçar voos cada vez mais altos, literal e figurativamente.

ALADA integra o SIMDES e reforça presença na Base Industrial de Defesa
A consolidação da ALADA como peça central da estratégia de defesa brasileira ganhou um novo capítulo durante a LAAD 2026, um dos principais eventos do setor na América Latina: a estatal aeroespacial formalizou sua entrada no SIMDES - Sindicato Nacional das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança, passando a integrar oficialmente o ecossistema da Base Industrial de Defesa.

A adesão vai além do simbolismo institucional. Ao ingressar no SIMDES, a ALADA passa a participar de fóruns estratégicos, comitês temáticos e iniciativas voltadas ao desenvolvimento tecnológico, à cooperação setorial e à competitividade da indústria nacional, espaços onde política industrial e agenda exportadora se constroem coletivamente. Para uma empresa que acumula MoUs com Embraer, AEL Sistemas, EMGEPRON e IMBEL e que foi designada pelo Ministério da Defesa como intermediária oficial em contratos G2G, essa inserção amplia consideravelmente sua capacidade de articulação com o setor privado.

O ingresso também sinaliza convergência de agendas. O SIMDES apresentou, durante o encontro, seu Planejamento Estratégico 2026–2030, estruturado em três eixos: Inovar, Escalar e Exportar, que orientam a atuação da entidade na construção de uma base industrial mais robusta e integrada. O alinhamento com a missão da ALADA é direto: a estatal nasceu, justamente, para ser o elo entre inovação aeroespacial, projetos estratégicos e mercado internacional.

Com menos de um ano de existência, a ALADA já acumula uma agenda que poucos esperavam para uma empresa tão jovem: acordos com gigantes da indústria de defesa, credenciamento para negociações G2G e, agora, assento formal no principal fórum sindical da Base Industrial de Defesa brasileira. O movimento consolida sua posição não apenas como executora de projetos aeroespaciais, mas como articuladora de um ecossistema que o Brasil precisava construir há décadas. 

Formalização da adesão ao SIMDES

Os desafios do caminho
Analistas do setor, contudo, advertem que a assinatura de memorandos de entendimento é apenas o ponto de partida. Um MoU é, por definição, uma declaração de intenções, não um contrato. O impacto real sobre as receitas e o portfólio de exportações só se materializará se a ALADA conseguir conduzir operações G2G concretas até o fechamento de negócios efetivos.

O principal risco apontado é burocrático: se a estatal introduzir etapas adicionais de aprovação sem contrapartida em agilidade ou financiamento soberano, pode acabar funcionando como mais uma camada de processo num setor onde a velocidade de negociação frequentemente é fator decisivo. Concorrentes como Estados Unidos, França e Itália já operam há décadas com estruturas G2G consolidadas, que combinam financiamento governamental, garantias políticas e suporte logístico de longo prazo. O acordo Embraer-ALADA é uma primeira resposta estruturada do Brasil a essa realidade.

Se a ALADA conseguir converter seus MoUs em contratos efetivos com parceiros africanos e latino-americanos, o Brasil terá dado um salto qualitativo na sua estratégia de inserção no mercado global de defesa. A Base Industrial de Defesa brasileira reúne 283 empresas e 2.064 produtos cadastrados no Ministério da Defesa, incluindo aeronaves, embarcações, soluções cibernéticas, radares, sistemas de comunicação e armamento. Todo esse portfólio agora tem, pela primeira vez, uma vitrine institucional estruturada para alcançar governos que antes o Brasil simplesmente não conseguia alcançar.

O mercado e os ministérios de defesa, de Nairóbi a Bogotá, estarão de olho.

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