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25 janeiro, 2020

Brasil deve ganhar acesso a fundo de US$ 100 bi dos EUA na Área de Defesa



*Por Daniel Rittner, Valor — Davos (Suíça) - 24/01/2020

Após a designação do Brasil como aliado preferencial Extra-Otan pelos Estados Unidos, os dois países tentam fechar acordo de cooperação militar que pode dar às empresas brasileiras de defesa acesso a um fundo americano de quase US$ 100 bilhões anuais para o desenvolvimento de produtos na vanguarda tecnológica do setor.

O acordo, que está em reta final de negociação, é encarado por autoridades dos dois lados como um avanço inédito no relacionamento bilateral. Poucos países fora da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) têm um acordo RDT&E (sigla em inglês para pesquisa, desenvolvimento, testes e avaliação) firmado com os Estados Unidos.

É o caso de aliados importantes dos americanos em regiões com potencial conflito, como Israel e Coreia do Sul. Nem todos os europeus chegaram a esse tipo de parceria. O fundo RDT&E teve US$ 96 bilhões no ano fiscal de 2019 e é o principal instrumento do Departamento de Defesa (DoD) dos Estados Unidos para manter a supremacia tecnológica na área militar.

O governo Donald Trump tem buscado fortalecer esse fundo nos últimos anos como forma de fazer frente aos crescentes investimentos da Rússia e da China em equipamentos bélicos de ponta. Centenas de projetos estão sendo desenvolvidos — cada um possui uma rubrica específica no orçamento do DoD — com esses recursos.

Caças de quinta geração, novos armamentos hipersônicos, sistemas de defesa aérea, tecnologias de defesa submarina, mísseis balísticos e de cruzeiro fazem parte da lista. Se o acordo bilateral for realmente fechado, empresas brasileiras poderão estabelecer parcerias com americanas para trabalhar no desenvolvimento compartilhado de um novo produto e tecnologia, bem como ter acesso ao fundo.

Algumas áreas, como defesa cibernética, já são apontadas pelo governo brasileiro como candidatas a uma parceria mais aprofundada. Nos Estados Unidos, há interesse do Escritório de Pesquisas Navais (ONR) e do Comando de Desenvolvimento de Capacidade de Combate (RDECOM) em iniciativas conjuntas.

O Itamaraty e o Ministério de Defesa tratam diretamente do assunto e apostam na conclusão do acordo neste ano. Em nota, a embaixada americana em Brasília confirmou o estágio avançado das negociações.

“Estamos ansiosos para concluir um acordo RDT&E com o Brasil e fazer bons progressos. O ‘timing’ da assinatura ainda não está determinado, mas o forte compromisso mútuo para alcançar o acordo referente a nossa crescente relação bilateral em múltiplas frentes”, afirmou a embaixada.

Os Estados Unidos queriam a entrada imediata em vigência, alegando que ele é um desdobramento de outro já implementado, o Acordo sobre Cooperação em Matéria de Defesa (DCA) — firmado em 2010 e ratificado em 2015 —, e do Acordo Mestre de Troca de Informações (MIEA).

A consultoria jurídica do Itamaraty tem o entendimento de que esses dois tratados não dispensam a tramitação legislativa do RTD&E. O problema é que isso ainda pode levar vários anos depois da assinatura.

Segundo fontes do governo brasileiro, o status de aliado extra-Otan não é um pré-requisito para evoluir no assunto, mas facilita a cooperação efetiva entre os dois países e a concretização de parcerias.

A designação, que ocorreu durante visita do presidente Jair Bolsonaro a Washington em março do ano passado, representa uma espécie de “atestado de confiança” da Casa Branca para o desenvolvimento de projetos comuns.

A diplomacia brasileira avalia que o novo acordo se tornará uma das grandes colheitas da aproximação entre Bolsonaro e Trump, que já resultou no tratado de salvaguardas tecnológicas para a exploração comercial da base de Alcântara e no apoio americano à entrada do Brasil na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Fonte e Créditos da Matéria: Valor Econômico – https://valor.globo.com/brasil/noticia/2020/01/23/brasil-deve-ganhar-acesso-a-fundo-de-us-100-bi-dos-eua-na-area-de-defesa.ghtml

Valor Econômico é um jornal de economia, finanças e negócios brasileiro, criado a partir de uma parceira entre os grupos Folha e Globo, respectivamente responsáveis por também publicar os jornais Folha de S.Paulo e O Globo.

Nota Smart Defesa
: Estamos apurando a notícia que, se confirmada, terá grande impacto sobre a BID brasileira e muito em breve publicaremos um artigo específico para comentar o assunto.

Comunicado Conjunto Brasil-Índia: Setor de Defesa é um dos focos


Comunicado Conjunto Brasil-Índia por ocasião da Visita de Estado do Presidente da República Federativa do Brasil à Índia (25-27 de janeiro de 2020)




*Ministério das Relações Exteriores - 25/01/2020

  1. O Presidente da República Federativa do Brasil, Sua Excelência o Senhor Jair Bolsonaro, realizou visita de Estado à Índia de 25 a 27 de janeiro de 2020, a convite do Primeiro-Ministro Narendra Modi. Trata-se da primeira visita de Estado à Índia do Presidente Bolsonaro, na qual também participou como convidado de honra das comemorações do Dia da República da Índia, em 26 de janeiro de 2020, o que reflete a importância atribuída ao relacionamento bilateral. O Presidente Bolsonaro esteve acompanhado de delegação de alto nível, que incluiu o Ministro das Relações Exteriores; o Ministro-Chefe, substituto, da Casa Civil; a Ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; o Ministro de Minas e Energia; o Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; o Ministro-Chefe da Secretaria de Governo e o Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional, além de parlamentares, altas autoridades do governo brasileiro e de extensa delegação empresarial.
  2. O Presidente Bolsonaro foi recebido em cerimônia de boas-vindas no dia 25 de janeiro de 2020 no pátio principal do Rashtrapati Bhavan (Palácio Presidencial), em Nova Delhi. O Presidente Bolsonaro prestou homenagem a Mahatma Gandhi, Pai da Nação, no Raj Ghat (Memorial Mahatma Gandhi). O Presidente Ram Nath Kovind ofereceu banquete em homenagem ao dignitário visitante. O Vice-Presidente da Índia, Venkaiah Naidu, e o Ministro dos Negócios Exteriores da Índia, Dr. Subrahmanyam Jaishankar, encontraram-se com o Presidente do Brasil.
  3. O Presidente Bolsonaro e o Primeiro-Ministro Modi mantiveram encontro privado e reunião ampliada, sob atmosfera calorosa, cordial e amistosa, e intercambiaram pontos de vista sobre temas bilaterais, regionais e internacionais de interesse mútuo.
  4. O Primeiro-Ministro Modi recordou com apreço sua visita a Brasília durante a XI Cúpula do BRICS, em novembro de 2019, e parabenizou o Presidente Bolsonaro pela exitosa realização da Cúpula. Os líderes concordaram em trabalhar conjuntamente para fortalecer a cooperação no âmbito do BRICS para o benefício e o bem-estar de seus povos e para fortalecer seus tradicionais laços de amizade.
Fortalecimento da Parceria Estratégica
  1. Ambos os lados sublinharam seu compromisso de dinamizar e fortalecer o estreito e duradouro relacionamento estratégico. Ambos os líderes reafirmaram que as relações entre o Brasil e a Índia se baseiam em valores comuns, em ideais democráticos compartilhados e em compromisso com a promoção do crescimento econômico de seus países.
  2. Com o objetivo de fortalecer e revitalizar compromissos existentes e de fomentar novas áreas de cooperação, os líderes adotaram o Plano de Ação para Fortalecer a Parceria Estratégica entre o Brasil e a Índia. O Plano de Ação constitui documento abrangente e inovador que define ações em todas as esferas de cooperação, inclusive (a) Coordenação Político-Estratégica; (b) Comércio, Investimentos, Agricultura, Aviação Civil e Energia; (c) Ciência, Tecnologia e Inovação, Cooperação Espacial, Cooperação Técnica e em Meio Ambiente, Saúde; (d) Defesa e Segurança; (e) Cultura e Educação; e (f) Temas Consulares, Previdência Social e Cooperação Jurídica.
  3. Ambos os líderes reiteraram apoio mútuo à aspiração de seus países a assento permanente em um Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) ampliado. Reafirmaram seu compromisso com a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), em particular do CSNU, mediante a expansão de assentos nas categorias permanente e não permanente, com aumento da representação de países em desenvolvimento em ambas, a fim de aprimorar sua representatividade, efetividade, eficiência e legitimidade e de melhor atender aos desafios contemporâneos enfrentados pela comunidade internacional. Ambos os líderes ressaltaram a prioridade atribuída por seus governos à reforma da ONU para torná-la mais efetiva e alinhada com a realidade atual.
  4. O Brasil e a Índia continuarão a trabalhar conjuntamente no âmbito do G4 com vistas a concretizar suas aspirações de servir como membros permanentes em um CSNU reformado e ampliado, de modo a tornar o órgão mais democrático, representativo e alinhado à ordem mundial transformada.
  5. O Primeiro-Ministro Modi agradeceu o Presidente Bolsonaro por reiterar o apoio brasileiro à candidatura da Índia ao Grupo de Supridores Nucleares (NSG). Os dois líderes enfatizaram o compromisso comum de seus países com o desarmamento nuclear e a não proliferação e reafirmaram o direito aos usos pacíficos da energia nuclear.
Cooperação abrangente na área de defesa
  1. Os líderes reiteraram a importância da cooperação bilateral abrangente na área de defesa para fortalecer a Parceria Estratégica. Nesse contexto, estimularam diálogos estruturados e destacaram os avanços obtidos durante a reunião do Comitê Conjunto de Defesa, ocorrida em Brasília, em fevereiro de 2019. Tomaram nota da realização de evento sobre a indústria de defesa, que ocorrerá em 27 de janeiro de 2020, em Nova Delhi.
  2. Reconhecendo a “expertise” da indústria de defesa de ambos os países, os líderes instaram a pronta realização da primeira reunião da Comissão Conjunta de Trabalho sobre Cooperação Industrial na Área de Defesa e exortaram as autoridades de ambos os lados a trabalhar em áreas de cooperação a serem identificadas pela Comissão.
  3. Os dois líderes reconheceram a importante contribuição de ambos os países para as missões de paz das Nações Unidas. Expressaram satisfação com o frequente intercâmbio – que decidiram fortalecer – entre suas Forças Armadas, por meio da continuada interação entre especialistas em áreas de interesse mútuo no que se refere a treinamento, temas operacionais e conceituais. Ressaltaram que os exercícios marítimos IBSAMAR têm contribuído para melhorar a segurança marítima. Reiteraram seu desejo de colaborar no treinamento, assim como no intercâmbio de informações sobre operações de paz das Nações Unidas. Expressaram sua intenção de fortalecer ainda mais a coordenação entre o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil e o Centro Indiano para Operações de Paz das Nações Unidas. Concordaram, igualmente, em explorar possibilidades de cooperação em áreas como defesa cibernética e sistemas de defesa, entre outras.
  4. A Índia saudou a participação de delegação de alto nível do Brasil e de sua indústria de defesa na DEFEXPO, agendada para o período de 5 a 8 de fevereiro de 2020, em Lucknow, Índia.
Incentivo ao potencial de cooperação espacial
  1. Os dois líderes expressaram desejo de fortalecer a cooperação em pesquisa espacial em áreas como sensoriamento remoto, compartilhamento de dados, pequenos satélites e previsão meteorológica. Tomaram nota, igualmente, de que as agências espaciais do Brasil e da Índia mantiveram, recentemente, contatos frutíferos e que anseiam progredir na cooperação em áreas de interesse mútuo e no compartilhamento de conhecimento para benefício comum por meio do Grupo de Trabalho Conjunto em Cooperação Espacial. Os dois líderes enfatizaram, igualmente, o potencial para a cooperação comercial bilateral no setor espacial.
Combate ao crime e ao terrorismo e cooperação em segurança cibernética
  1. Convencidos da necessidade de ampliar a cooperação bilateral em segurança, a fim de combater o terrorismo internacional, o crime organizado transnacional e o tráfico ilícito de drogas e entorpecentes, os dois líderes manifestaram confiança na rápida conclusão do Acordo para Cooperação no Combate ao Terrorismo Internacional e ao Crime Organizado Transnacional.
  2. Os líderes reafirmaram que o terrorismo internacional constitui uma das ameaças mais sérias à paz e à segurança e enfatizaram a necessidade de ação concertada e coordenada da comunidade internacional com o objetivo final de erradicar o terrorismo em todas as suas formas e manifestações, inclusive o terrorismo transfronteiriço. Reafirmaram seu apoio à implementação de medidas de combate ao terrorismo previstas em resoluções do Conselho de Segurança da ONU e ressaltaram que a cooperação internacional para combater o terrorismo deve ser conduzida em conformidade com os princípios da Carta da ONU, o direito internacional e as convenções internacionais pertinentes.
  3. O Primeiro-Ministro da Índia e o Presidente do Brasil também reiteraram seu interesse em trabalhar de maneira próxima no Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) em temas relacionados a lavagem de dinheiro, financiamento ao terrorismo, terrorismo patrocinado por estados, entre outros. Encorajaram a pronta adoção da Convenção Abrangente sobre Terrorismo Internacional. Conclamaram, também, todos os países a trabalhar com vistas a eliminar refúgios e infraestruturas usados pelo terrorismo, desmantelar redes terroristas e canais de financiamento, além de sustar movimentos transfronteiriços de terroristas. Sublinharam a necessidade de os países assegurarem que seus territórios não sejam utilizados para o lançamento de ataques terroristas contra outros países. Ressaltaram a necessidade de uma parceria internacional mais intensa para conter o terrorismo e o extremismo violento, inclusive mediante maior compartilhamento de informações de inteligência completas, tempestivas e úteis. Incentivaram, ainda, cooperação bilateral ampliada a esse respeito e concordaram em cooperar contra ameaças terroristas específicas identificadas por cada país.
  4. Cientes do grande potencial das tecnologias de informação e comunicação (TICs) para a promoção de objetivos econômicos e sociais, o Presidente Jair Bolsonaro e o Primeiro-Ministro Narendra Modi coincidiram sobre a importância de um espaço cibernético aberto, livre, seguro, estável, pacífico e acessível, que possibilite o crescimento econômico e a inovação. Em particular, reafirmaram o enfoque multissetorial para a governança da internet e seu desejo de aprofundar discussões sobre a aplicabilidade ao espaço cibernético do direito internacional e de normas estabelecidas de comportamento responsável dos Estados, à luz de graves desafios de segurança causados pelo aumento preocupante dos usos maliciosos das TICs. Ao destacar sua intenção de ampliar a cooperação bilateral em temas relacionados às TICs, os dois líderes saudaram o estabelecimento de um Grupo de Trabalho Aberto da ONU e de nova edição do Grupo de Especialistas Governamentais, em consonância, respectivamente, com as Resoluções A/RES/73/27 e A/RES/73/266, que constituem mecanismos consultivos importantes para a promoção do comportamento responsável dos Estados no espaço cibernético mediante princípios, normas e regras acordados. Saudaram, também, a assinatura do Memorando de Entendimento sobre Cooperação na área de Segurança Cibernética.
Estímulo à cooperação econômica por meio do comércio e de investimentos
  1. Os dois líderes notaram com satisfação os fortes laços econômicos entre o Brasil e a Índia e comprometeram-se a trabalhar de forma mutuamente benéfica e orientada a resultados, por meio de renovado ímpeto a amplas relações econômicas entre os dois países. Os líderes manifestaram confiança em poder alcançar uma meta de US$ 15 bilhões no comércio bilateral até 2022. O Primeiro-Ministro Modi convidou o empresariado brasileiro a explorar oportunidades de negócios na Índia em infraestrutura, processamento de alimentos, biocombustíveis e outras fontes de energia renovável, bem como nos setores de pecuária e agricultura. O Presidente Bolsonaro também convidou empresários indianos a identificar oportunidades de negócios no Brasil nos setores automotivo, de couros, petróleo e gás, inclusive refino, farmacêutico, elétrico e químico. Os líderes tomaram nota do progresso realizado na 5ª reunião do Mecanismo de Monitoramento do Comércio (MMC), ocorrida em 24 de janeiro de 2020, em Nova Delhi. Concordaram em convocar a próxima edição do MMC no Brasil no ano seguinte.
  2. Ao reafirmar o compromisso de facilitar um ambiente favorável à ampliação do comércio bilateral e dos investimentos, os líderes:
  3. a) saudaram a assinatura do Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos (ACFI) e expressaram confiança na pronta conclusão do Protocolo Alterando a Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda, bem como do Acordo para o Reconhecimento Mútuo dos respectivos Programas de Operadores Econômicos Autorizados.
  4. b) saudaram a assinatura do Acordo de Previdência Social, que avaliaram como passo importante para facilitar o movimento de profissionais e empresários, bem como um avanço na melhoria das condições de mobilidade de pessoas entre os dois países.
  5. c) saudaram a realização do Fórum Empresarial Brasil-Índia em 27 de janeiro de 2020, ocasião em que lideranças empresariais de diversos setores do Brasil e da Índia terão oportunidade de interagir. Estimularam ambos os lados a organizar contatos empresariais regulares com vistas a atingir o pleno potencial de complementaridade das duas economias.
  6. Ambos os líderes enfatizaram que a Organização Mundial do Comércio é elemento central para o apoio ao crescimento de países em desenvolvimento. Ao reconhecer a natureza complementar entre comércio e investimentos, coincidiram também em que os mecanismos bilaterais existentes poderiam ser devidamente utilizados para estimular maior cooperação.
Índia-MERCOSUL
  1. O Brasil e a Índia destacaram a importância da diversificação do comércio entre os dois países e reiteraram o interesse de ambos na expansão do Acordo de Comércio Preferencial MERCOSUL-Índia com vistas a acordo mais abrangente e aprofundado.
Rumo a uma parceria mais sólida em petróleo e gás, bioenergia e outras fontes de energia renovável
  1. Ambos os países desempenham importante papel na segurança energética de cada um. O petróleo e produtos derivados têm sido os principais itens da pauta comercial bilateral. Há significativo potencial para fortalecer a parceria energética, considerando que a Índia é um dos principais países responsáveis pelo crescimento da demanda global por petróleo e que o Brasil espera aumentar exponencialmente sua produção petrolífera na próxima década, tornando-se um dos maiores exportadores dessa commodity e contribuindo para a segurança energética mundial. Os líderes comprometeram-se, portanto, a explorar formas de aprofundar as relações bilaterais no campo energético.
  2. Ao reconhecer o papel estratégico dos biocombustíveis para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e para diversificar nossa matriz energética, bem como a importância da energia renovável para a segurança e a eficiência energéticas, os líderes saudaram a assinatura do Memorando de Entendimento sobre Cooperação em Bioenergia e do Memorando de Entendimento para Cooperação no Setor de Petróleo e Gás Natural. Registraram, também, a assinatura do Memorando de Entendimento entre o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais – CNPEM e a Indian Oil Corporation Limited para o estabelecimento de um centro de excelência na Índia para conduzir pesquisa em bioenergia. Os líderes convidaram empresários de ambos os países a alavancar sua “expertise” e investir no setor de bioenergia no Brasil e na Índia. Os dois lados reconheceram a importância da cooperação bilateral no setor de bioenergia para alcançar seus objetivos econômicos, energéticos e ambientais. Nesse sentido, registraram o grande potencial para aumento da produção de etanol e sua adoção na matriz de combustíveis indiana e manifestaram expectativa de ampliação da cooperação entre os dois países nesse tema, inclusive mediante a conferência “Mobilidade Sustentável: Discussões sobre o Etanol” (Sustainable Mobility: Ethanol Talks), a ser realizada em Nova Delhi, em fevereiro de 2020.
  3. Ambos os lados estimularão suas empresas a explorar maneiras de promover investimentos e cooperação nas áreas de exploração, refino e distribuição (upstream, midstream and downstream), por meio de cooperação técnica, compartilhamento de experiências e conhecimento técnico, transferência de tecnologia, inclusive por meio de pesquisa aplicada e atividades conjuntas de desenvolvimento em projetos de petróleo e gás no Brasil e na Índia, além de projetos conjuntos em terceiros países. Registrou-se que o setor brasileiro de petróleo e gás oferece oportunidades de investimentos para empresas indianas em razão da liberalização de políticas públicas, assim como de programas de desinvestimento da Petrobras nos setores de transporte e distribuição de gás e refino de petróleo. Registrou-se, também, que o setor de petróleo e gás indiano oferece oportunidades de investimentos para empresas brasileiras na exploração e licenciamento de novos campos, na operacionalização de campos já existentes e em projetos relacionados.
  4. Ao reconhecer a importância da energia renovável em suas matrizes energéticas e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável e a segurança energética, ambos os países concordaram em promover investimentos recíprocos com vistas a alcançar suas respectivas metas de energia renovável. Manifestaram seu compromisso com o fortalecimento da Aliança Solar Internacional e da Plataforma para o Biofuturo. Ao saudar a assinatura do Acordo-Quadro para o Estabelecimento da Aliança Solar Internacional, a Índia expressou sua expectativa pela ratificação do instrumento pelo Brasil.
Mineração
  1. Ambos os lados manifestaram seu desejo de promover a cooperação bilateral para o desenvolvimento de conhecimento geológico, pesquisa e exploração de recursos minerais. Concordaram haver potencial significativo para a ampliação da cooperação bilateral em atividades mineradoras e investimentos no setor. Registraram, nesse sentido, a conclusão do Memorando de Entendimento sobre Cooperação no Campo da Geologia e Recursos Minerais entre o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e o Serviço Geológico da Índia (Geological Survey of India).
Agricultura, Pecuária e Processamento de Alimentos
  1. Ambos os líderes manifestaram interesse em promover a cooperação para o estabelecimento de parcerias mutuamente benéficas nas áreas de agricultura, pecuária e setores afins. Reconheceram a importância de se realizar reuniões regulares do Grupo de Trabalho Conjunto em Agricultura com vistas à discussão, particularmente em nível técnico, de propostas específicas, ao avanço da cooperação em agricultura, inclusive no que se refere ao compartilhamento de melhores práticas em colheita e saúde animal, e assim obter maior sinergia.
  2. Enfatizaram a importância do aprofundamento da cooperação em pesquisa agrícola entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Conselho Indiano de Pesquisa Agrícola (Indian Council of Agricultural Research - ICAR). Ao mencionar coco, leite, búfalo, cana-de-açúcar e grãos de leguminosas como temas acordados para pesquisa conjunta, no âmbito do Memorando de Entendimento sobre Cooperação nas Áreas de Recursos Genéticos, Agricultura, Pecuária, Recursos Naturais e Pesqueiros, assinado em 2016, os líderes incentivaram a pronta conclusão do plano de trabalho para pesquisa em agricultura.
  3. Os dois líderes expressaram satisfação com a assinatura da Declaração Conjunta sobre Colaboração na Área de Pecuária e Produção Leiteira. Ambos os líderes manifestaram interesse na área de genoma bovino, assim como na pronta implementação do programa de treinamento de profissionais indianos em tecnologia de reprodução IVF (fertilização in-vitro) entre a EMBRAPA e o Departamento de Pecuária e Lácteos da Índia (Department of Animal Husbandry and Dairying of India). Também saudaram os planos para o estabelecimento de um centro de excelência em genoma bovino em Kalsi, Uttarakhand, na Índia, em colaboração com instituição brasileira.
  4. Os líderes incentivaram a cooperação para o estabelecimento de cadeias frias e mercados finais de frutas, legumes e outros produtos perecíveis à luz das estruturas existentes na Índia, com a colaboração brasileira.
  5. Os líderes saudaram a abertura do mercado indiano para exportações brasileiras de gergelim e a abertura do mercado brasileiro para exportações indianas de sementes de milho. Ambas as partes concordaram em prosseguir entendimentos com vistas ao pronto acesso a mercado para abacate, cítricos e madeira de ipê, provenientes do Brasil, e milheto, sorgo, canola e algodão, da Índia.
  6. Os líderes reconheceram como critério para o estabelecimento da análise de risco os padrões científicos recomendados pelas três instituições internacionais “irmãs” do setor (Organização Mundial da Saúde Animal - OIE, Convenção Internacional para a Proteção dos Vegetais - IPPC e Codex Alimentarius). O não reconhecimento dos padrões recomendados por essas organizações enfraquece a credibilidade, aumenta a probabilidade de equívocos e compromete a segurança e a seguridade alimentares, prejudica a harmonização de regulamentos, assim como a comunicação. Por tais razões, a ciência deve ser o fundamento para a adoção de medidas, as quais devem ser embasadas em princípios sólidos de evidência científica para a análise de risco e não em enfoques aleatórios. Nesse contexto, a análise de risco assegura os mais elevados padrões de medidas regulatórias à proteção da saúde pública e do meio ambiente, assim como evita distúrbios desnecessários ao comércio mundial.  
Ciência, tecnologia e inovação
  1. Ao reconhecer com satisfação a duradoura cooperação bilateral em ciência e tecnologia, os líderes concordaram que, como duas grandes economias emergentes, o Brasil e a Índia poderiam trabalhar em conjunto em áreas de tecnologias emergentes mediante o compartilhamento de boas práticas e a realização de pesquisas conjuntas em áreas de interesse mútuo, conforme definido no Programa de Cooperação Científica e Tecnológica. Saudaram a assinatura do Programa de Cooperação Científica e Tecnológica para 2020-2023. Registraram com satisfação a realização de reuniões periódicas da Comissão Mista sobre Cooperação Científica e Tecnológica.
  2. Ambos os líderes saudaram o anúncio da primeira edição do Programa Agritech Brasil-Índia de Incubação Cruzada com vistas a estimular o intercâmbio de startups inovadoras e a implementação de novas tecnologias no setor agrícola.
  3. O Primeiro-Ministro Modi congratulou o Presidente Bolsonaro pela abertura da nova Estação Antártica Comandante Ferraz, do Brasil, neste mês. Ambos os líderes expressaram sua satisfação com os recentes entendimentos entre o Programa Antártico Brasileiro e o Centro Nacional para Pesquisa Polar e Oceânica do Ministério de Ciências da Terra da Índia (Centre for Polar and Ocean Research of the Ministry of Earth Sciences of India), com vistas a cooperar no campo da pesquisa antártica, inclusive mediante o intercâmbio de cientistas entre as estações antárticas brasileira e indiana.
  4. Os líderes reconheceram a importância de ampliar a resiliência de infraestruturas, tanto em espaços urbanos quanto rurais. Ressaltaram, ainda, a importância da adoção de enfoques abrangentes para proteger a vida e a subsistência e para reduzir prejuízos econômicos decorrentes de desastres. O Brasil saudou os esforços da Índia para o lançamento da Coalizão para Infraestruturas Resilientes a Desastres (Coalition for Disaster Resilient Infrastructure – CDRI).
Saúde e medicina tradicional
  1. Os líderes concordaram que o setor de saúde também apresenta significativo potencial para ampliação da cooperação. Nesse contexto, saudaram a conclusão do Memorando de Entendimento em Cooperação no Campo da Saúde e da Medicina. Ressaltaram a importância de promover o intercâmbio de informações e a cooperação em práticas regulatórias da saúde, com vistas a permitir o acesso a medicamentos e produtos de saúde seguros, efetivos, acessíveis e de qualidade.
  2. O Primeiro-Ministro Modi saudou as iniciativas brasileiras de promoção da Yoga e do Ayurveda no Brasil. Os líderes saudaram a conclusão do Memorando de Entendimento sobre Cooperação no Campo dos Sistemas Tradicionais de Medicina e Homeopatia.
Primeira Infância
  1. Ambos os líderes manifestaram satisfação com o crescente intercâmbio de experiências e de conhecimento técnico para o aprimoramento de políticas públicas na área da primeira infância. Saudaram, nesse contexto, a conclusão de memorando de entendimento para fortalecer a colaboração nesse campo entre o Brasil e a Índia.
Conectividade
  1. Os líderes reconheceram o importante papel desempenhado pela conectividade na promoção do crescimento econômico e dos intercâmbios interpessoais no século XXI. Ao recordar o Acordo de Serviços Aéreos assinado em 2011 entre o Brasil e a Índia, ambos os líderes reafirmaram a importância de alcançar a conectividade aérea direta entre os dois países. Ambos enfatizaram, igualmente, a necessidade de baratear e conferir eficiência ao frete marítimo, com vistas a reduzir o custo e o prazo do transporte de bens entre o Brasil e a Índia.
Intercâmbios interpessoais, vistos e outros assuntos consulares
  1. Ao ressaltar a centralidade das pessoas nas relações bilaterais entre o Brasil e a Índia, os dois líderes estimularam o intercâmbio interpessoal por meio da cooperação e da interação nas áreas de esporte, juventude, cinema, cultura, educação e turismo.
  2. Os líderes ressaltaram a importância, para ambos os países, de se estimular o turismo, facilitar vínculos comerciais e promover contatos interpessoais entre os dois países. O Brasil implementará mecanismos para facilitar a entrada isenta de vistos de turistas e viajantes indianos a negócios de curto prazo.
  3. Os líderes registraram com satisfação a assinatura do Acordo sobre Assistência Jurídica Mútua em Matéria Penal e estimularam a pronta finalização do Acordo de Cooperação Jurídica em Matéria Civil e Comercial.
Cultura
  1. Ambos os líderes registraram com satisfação as crescentes trocas culturais entre o Brasil e a Índia e saudaram a assinatura do Programa de Intercâmbio Cultural para o período 2020-24, que visa à maior promoção do intercâmbio bilateral nessa área. Instruíram suas autoridades a iniciar cooperação interinstitucional para implementar atividades do calendário cultural de cada país. Os líderes também instruíram suas equipes a estudar a elaboração de programa para celebrar de maneira adequada o Jubileu de Platina do estabelecimento das relações bilaterais entre o Brasil e a Índia em 2023.
  2. Reconhecendo que a mídia e conteúdos audiovisuais públicos constituem instrumentos importantes de promoção do entendimento e da amizade mútuos, os líderes encorajaram as duas partes a avançar na cooperação nessa área, no âmbito do Acordo de Coprodução Audiovisual, de 2007, e do Memorando de Entendimento entre a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e a Prasar Bharati da Índia, assinado em 2016.
  3. Os dois líderes saudaram as novas ações adotadas no âmbito da promoção do ensino do português brasileiro na Índia e do ensino do idioma hindi no Brasil, bem como de avaliação de proficiência. Essas ações têm como objetivo facilitar os intercâmbios interpessoais, inclusive a admissão, em cursos de graduação e de pós-graduação, de brasileiros na Índia e de indianos no Brasil.
  4. As discussões ocorreram em atmosfera calorosa e de confiança, com o objetivo de fortalecer ainda mais as relações amistosas e a cooperação multifacetada entre os dois países. O Presidente Bolsonaro agradeceu o Primeiro-Ministro Modi e o governo e o povo da Índia pela honra especial concedida a ele e ao povo da República Federativa do Brasil por ocasião das celebrações do 71º Dia da República da Índia, bem como a calorosa hospitalidade conferida a ele e sua delegação.

Embraer e Força Aérea Brasileira estudam nova aeronave



A Embraer e a Força Aérea Brasileira (FAB) assinaram nesta quinta-feira (19) em Brasília um memorando de entendimento que irá viabilizar o estudo do potencial desenvolvimento de uma nova aeronave leve de transporte militar.

O estudo pretende identificar soluções e alternativas para atender às necessidades operacionais da FAB, em especial na região Amazônica, em pistas extremamente curtas, estreitas, não pavimentadas, desprovidas de infraestrutura e em localidades remotas.

O trabalho também vai procurar explorar alternativas na aplicação de novas tecnologias que trarão respostas ainda mais eficientes às demandas extremas da FAB, como diferentes arquiteturas de sistemas, soluções inovadoras de plataforma, propulsão híbrida-elétrica, entre outras.

Em 2019, a FAB recebeu as primeiras unidades do moderno KC-390 Millennium, avião de transporte militar tático multimissão. Com este estudo, ela pretende complementar e modernizar sua capacidade de transporte nos segmentos inferiores para atender melhor as necessidades do País.

Com base no histórico de cooperação que une a capacidade de execução e a elaboração de requisitos inovadores e de alto desempenho da FAB, o estudo vai buscar cobrir também o atendimento às demandas atuais do mercado global.

Pelo acordo firmado, a Embraer vai realizar pesquisas de mercado para desenvolver a nova aeronave, enquanto a FAB vai compartilhar sua experiência na operação de aviões nesse segmento.

Estamos certos de que a experiência da Força Aérea Brasileira nos ajudará a estabelecer os requisitos mais adequados para esse estudo, resultando em um avião extremamente capaz”, disse em nota o presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, Jackson Schneider (na foto, à direita).

Esse novo projeto será de grande importância para manter e aprimorar as capacidades de engenharia e tecnologia da Embraer para atender às desafiadoras demandas da FAB e de seus demais clientes em todo o mundo”, completou.

Segundo Tenente-Brigadeiro do Ar Antonio Carlos Bermudez, “o objetivo desse memorando foi formalizar a intenção da Embraer em desenvolver uma aeronave leve para transporte de carga e pessoal. Esse projeto conta com a participação da Força Aérea no que tange, principalmente, ao compartilhamento de expertises, do que nós já desenvolvemos em parceria, em atendimento às necessidades operacionais da Força Aérea”, disse Bermudez, que também é Comandante da Aeronáutica, em nota (na foto, à esquerda.).

Longe dos holofotes, comitiva com executivos da Taurus acompanha Bolsonaro na Índia, o 2º comprador de armas do mundo

Oficiais do Ministério da Defesa e CEOs de empresas brasileiras de armas acompanham a comitiva presidencial na Índia

*UOL Notícias / BBC News Brasil - 25/01/2020

Distante dos holofotes, um pelotão de dez grandes empresas brasileiras de armas, munição, equipamentos de vigilância, aviação e inteligência militar acompanha a visita oficial do presidente Jair Bolsonaro à Índia, que acontece entre os dias 24 e 28 de janeiro.

Oficiais do Ministério da Defesa, junto a CEOs da Altave, Atech, Avibras, Companhia Brasileira de Cartuchos, Condor, Embraer, Iveco, Macjee, Omnisys e Taurus, estão na capital Nova Déli junto à comitiva presidencial para participarem de um seminário conjunto de indústrias de Defesa dos dois países.

O objetivo dos executivos brasileiros que viajaram ao país sul-asiático —entre os quais Salésio Nuhs, presidente da Taurus— é ampliar exportações e conseguir licenças do governo do primeiro-ministro Narendra Modi para a produção de armas e equipamentos de segurança em território indiano.

Segundo um oficial do governo próximo às negociações, esta é a primeira vez na história em que representantes dos governos e da indústria de defesa dos países se encontram em um evento bilateral do setor.

As compras na área da Defesa costumam ser exclusivamente governamentais e se destinam ao abastecimento de forças de segurança pública e militares.

A Índia é o segundo maior comprador de equipamentos de defesa do planeta, atrás apenas da Arábia Saudita, e tem o quarto maior orçamento militar do mundo.

Em 2019, o Brasil registrou aumento de 30% nas autorizações de exportações de produtos de Defesa, em relação a 2018 -um salto de US$ 915 milhões para US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões).

Seminário
Chamado 1º Brazil-India Defence Industry Dialogue, o seminário da indústria de defesa acontece na tarde do dia 27 e será aberto por Marcos Degaut, secretário de produtos de defesa do governo Bolsonaro, e por Ajay Kumar, secretário de defesa da Índia.

Apesar do ineditismo, o encontro não foi divulgado nos canais oficiais do Ministério de Defesa, nem aparece no calendário de eventos da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), co-organizadora do seminário. Até a publicação desta reportagem, não havia referência ao evento nos sites de nenhuma das empresas com participação confirmada.

Segundo a programação, o representante do governo brasileiro apresentará projetos estratégicos do Ministério da Defesa para empresários indianos.

Já os anfitriões vão mostrar o braço do "Make in India", um mega projeto bilionário lançado em 2014 pelo primeiro-ministro Narendra Modi para ampliar investimentos internos e estrangeiros na indústria Indiana em diversos setores.

Um dos principais objetivos do governo indiano é reduzir sua dependência de importações na área de Defesa —hoje, Rússia, Israel, França e os EUA são os principais fornecedores do país no setor.

Além de trocas comerciais, entre os resultados da viagem oficial é esperada a assinatura de um memorando de cooperação na área de segurança cibernética entre o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência e o Minstério de Tecnologia da Informação da Índia.

Taurus e CBC
O lobby da indústria bélica brasileira tenta aproveitar a abertura para a produção e venda de armas na Índia por meio da Taurus, que está na reta final de negociações para a criação de uma joint venture com a fabricante de aço indiana Jundal Group.

Principal acionista da Taurus, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) recebeu em agosto de 2019 licença para produzir munição junto à indiana SSS Springs.

Até 2021, a joint venture deve inaugurar uma fábrica em Anantapur para a produção de munição para uso militar e de caça.

Uma das prioridades da visita, segundo a reportagem apurou, é tentar acelerar a aprovação pelo ministério do Interior da Índia das regras de transferência de tecnologia para a fabricação de cartuchos na nova fábrica.

Hoje, a brasileira CBC é a maior produtora de munição para armas portáteis do planeta e a segunda maior produtora em termos gerais do mundo.

Em seus balanços, a empresa informa que produz mais de 1,7 bilhão de cartuchos por ano, boa parte deles vendidos para a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

24 janeiro, 2020

Presidente da Azul anuncia compra de 75 aviões da Embraer



*Poder 360 - 16/01/2020

No dia 16 deste mês, o presidente da Azul Linhas Aéreas, John Rodgerson, anunciou que a companhia comprará 75 aeronaves da Embraer. A fala foi durante encontro com o presidente Jair Bolsonaro. Mais cedo, ele havia dito que a empresa vai ampliar a cobertura de voos no país.

“Estou aqui para anunciar para você que vamos comprar 75 (aviões comprados da Embraer)”, disse Rodgerson. O CEO disse ainda que a empresa receberá 27 aeronaves ainda neste ano e que a companhia “acredita muito” em Bolsonaro.

Mais cedo, depois de uma reunião com o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, em Brasília, John Rodgerson afirmou que estabeleceu 1 plano para ampliar –no período de 3 a 4 anos– a cobertura da empresa para 200 destinos nacionais. Atualmente, segundo ele, a operação abrange cerca de 150 destinos.

“A gente está em 150 cidades agora, mas queremos chegar a 200 cidades no país nos próximos 3 a 4 anos”, disse ele a jornalistas, acrescentando que a companhia passará, em junho, a oferecer voos de Viracopos, em Campinas (SP), para Nova York.

CBC apresenta novos produtos na Shot Show, maior feira de armas e munições do mundo



Evento que acontece essa semana em Las Vegas deve receber mais de 60 mil pessoas

 

*Segs - 24/01/2020

A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) está presente na 42ª edição da Shot Show 2020, maior feira de armas e munições do mundo que acontece de 21 a 24 de janeiro em Las Vegas (EUA).

Da linha de produtos da companhia, estarão expostas soluções inovadoras e de alto desempenho desenvolvidas especificamente para o segmento militar, policial e civil. 

Focada em inovação, a CBC lança esse ano diversos novos produtos no segmento civil, como a munição 6.5 Creedmoor. A empresa também está desenvolvendo uma linha completa de munições para defesa. Outra novidade é a munição “Green”, que será totalmente livre de chumbo, eliminando a exposição desse componente aos atiradores.

Com um papel de destaque no mercado civil americano, o Grupo CBC é considerado líder mundial em munições para armas portáteis. A confiabilidade de seus produtos é atestada por 130 países, nos 5 continentes. No segmento militar, a CBC também atua como uma das principais fornecedoras de munição para países membro da OTAN, incluindo diversos países europeus, e, recentemente, a Marinha norte-americana.

Saiba mais:

Pistola Taurus TX 22 recebe o prêmio Handgun of the Year na Shot Show 2020


*LRCA Consulting - 24/01/2020


No dia 21 de janeiro, dia de abertura do Shot Show 2020, em Las Vegas, a Turus Armas recebeu oficialmente o tão cobiçado prêmio Handgun of the Year (Arma do Ano), da revista americana Guns&Ammo, por sua pistola TX 22.

Estavam presentes na cerimônia o CEO Global da Taurus, Salesio Nuhs, o atual CEO da Taurus USA, Bret Vorhees, e seu antecessor, David Blenker.

A pistola TX 22 é produzida nas modernas instalações da nova fábrica americana da Tauris, na Geórgia, e já está sendo comercializada nas lojas brasileiras do ramo.

Senador brasileiro visita o estande da Taurus na Shot Show
O Senador Flavio Bolsonaro visitou o estande da Taurus Armas na Shot Show, acompanhado pelo Deputado Federal Hélio Bolsonaro e pelo Secretario de Estado do RS, Ruy Irigaray.

Em suas palavras, o Senador comentou sobre seu orgulho em estar no estande de uma grande empresa brasileira que gera empregos para o Brasil e que tem reconhecimento internacional devido a um padrão de excelência capaz de competir com as maiores empresas mundiais do setor. Disse também que "a gente tem que abraçar a prata da casa".



Veja também:
- Pistolas da Taurus são destaques nos Estados Unidos
- Taurus lança no Brasil sua primeira pistola em calibre .22 LR

WEG: uma empresa brasileira na Índia desde 2011

 
 
*Com informações de NSC Total e Tecnologia & Defesa

A WEG, empresa catarinense que tem matriz em Jaraguá do Sul e unidade em Blumenau, iniciou suas atividades na Índia em 2011, com a inauguração de uma fábrica de 32 mil metros quadrados na cidade industrial de Hosur, que produz motores de indução e geradores de média e alta tensão.

Em outubro de 2019, a empresa anunciou que vai instalar uma nova fábrica de motores elétricos de baixa tensão naquele país. A planta terá 13 mil metros quadrados de área construída e capacidade para produzir até 250 mil equipamentos por ano, além de prestar serviços de engenharia de desenvolvimento e aplicação de produto, vendas e assistência técnica.

A nova unidade será erguida nesse mesmo parque fabril e vai empregar 320 pessoas. Os investimentos serão de cerca de US$ 20 milhões e a previsão de início de operação é 2021.

Com o investimento, a WEG busca ampliar participação no mercado indiano de motores de baixa tensão.

— Além de aumentar o nosso portfólio de produção localizada na Índia e fortalecer a capacidade de distribuição, vamos conseguir entrar num mercado bastante promissor, mantendo o nosso padrão de qualidade, tanto nos produtos quanto no atendimento. Estamos fortalecendo cada vez mais a nossa presença como global player em motores elétricos de baixa tensão — diz o superintendente da unidade de Motores da WEG, Luis Alberto Tiefensee.

No complexo mantido na Índia, a WEG Industries India Pvt Ltd atende a Ásia, o Oriente Médio, a África e a Oceania, com geração de 800 empregos.

Aerogeradores

Em meados deste mês, a empresa assinou com a Aliança Energia os primeiros contratos de fornecimento dos aerogeradores de 4,2 megawatts (MW), máquinas com maior potência e 82% mais eficientes do que as originalmente oferecidas pela empresa.

O diretor superintendente da WEG Energia, João Paulo da Silva, afirmou que a companhia está conversando com outros potenciais clientes dos equipamentos e pretende ofertá-los também na Índia, um dos maiores mercados do mundo para a energia eólica, e onde a WEG já tem um complexo fabril e produz aerogeradores de 2,1 MW.

De acordo com Silva, a aposta na Índia se justifica pelo tamanho do mercado para geração eólica – quase três vezes maior do que o brasileiro – e pelo espaço para competir. “O mercado não é tão exaurido, em termos de concorrência, como o chinês”.

A Weg já está construindo um protótipo da turbina 4,2 MW na Índia, e pode iniciar cotações dos componentes para a fabricação local da máquina ainda no primeiro trimestre.

A ideia é lançar o produto no mercado indiano e, eventualmente, exportá-lo para outros países da região.





23 janeiro, 2020

Enquanto Bolsonaro chega para o Dia da República, veja como Índia e Brasil podem cimentar laços estratégicos



*The Wire - 23/01/2020, por Herik Herejk Ribeiro

Em 26 de janeiro, Jair Bolsonaro será o terceiro presidente brasileiro a participar das comemorações do Dia da República da Índia em 2020. Após o anúncio oficial de sua visita a Nova Délhi, as expectativas voltam a aumentar para novos acordos de cooperação. Ainda não se sabe se Bolsonaro e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi cumprirão essas expectativas.

Apesar da assinatura da parceria estratégica Brasil-Índia em 2006, a distância geográfica e a escassez de interações sociais têm sido grandes restrições que dificultam o estreitamento das relações bilaterais. Enquanto o Brasil e a Índia convergem em suas agendas diplomáticas como potências emergentes do sul - expressas na formação dos grupos IBAS, BRICS e G20 -, é imperativo perceber o potencial de seus laços bilaterais, que podem se tornar genuinamente estratégicos na próxima década. Ambos os países têm interesses complementares e conhecimento técnico que poderiam ser mais explorados nos campos de energia renovável (por exemplo, etanol), nuclear, defesa e tecnologias espaciais.

Atualmente, existem dois sinais importantes que podem levar a uma nova era no relacionamento: primeiro, o Brasil está percebendo gradualmente a necessidade de reorientar suas políticas externas para a Ásia; e a Índia está ainda mais ansiosa por melhorar as relações com a América Latina e o Caribe (ALC), a última fronteira global por sua presença estratégica.

Segundo, as tendências atuais da polarização EUA-China e a incerteza geopolítica estão reduzindo o espaço de manobra das potências emergentes, mas o relacionamento indo-brasileiro tem pouca ou nenhuma restrição externa. Pelo contrário, Bolsonaro e Modi compartilharam ideologias políticas conservadoras que poderiam facilitar ainda mais a cooperação estratégica.

A convergência estratégica indo-brasileira

Brasil e Índia são pioneiros na cooperação Sul-Sul, convergindo em suas agendas diplomáticas de alto nível - do BRICS a instituições multilaterais como o Conselho de Segurança da ONU e a OMC. A sinergia diplomática promoveu um ambiente positivo para o aprimoramento mútuo do alcance estratégico indo-brasileiro. Por exemplo, o Brasil foi fundamental para ingressar nos países do Mercosul para assinar um acordo comercial com a Índia, o primeiro do gênero para o bloco sul-americano.

Juntos, Brasil e Índia expandiram a cooperação Sul-Sul na África, independentemente ou através da conexão sul-africana no IBAS e BRICS. Os países também têm interesses comuns na governança marítima do nexo Atlântico Sul-Oceano Índico , destacados pelos exercícios navais bianuais da IBSAMAR.

Apesar da relevância mútua do Brasil e da Índia entre si, a maioria das iniciativas foi conduzida por múltiplas geometrias, enquanto o relacionamento bilateral foi principalmente orientado por interesses comerciais. Geralmente, os analistas indianos veem a América Latina e o Caribe (ALC) como um ponto relativamente cego no cálculo de Nova Délhi, especialmente quando comparados às iniciativas da China na região.

A abordagem indiana da região da ALC está pronta para mudanças. Desde seu primeiro mandato, Narendra Modi alcançou os países da região, explorando a última fronteira da pegada estratégica global da Índia. Além de ser o maior parceiro comercial da Índia na ALC, o Brasil também é o mercado regional mais forte, com recursos naturais consideráveis ​​e forte expertise em setores estratégicos, como extração de petróleo, energia nuclear e renovável, aeroespacial e indústrias de defesa. Recentemente, as preocupações indianas em energia e segurança alimentar direcionaram suas políticas para o Brasil, especialmente no caso de biocombustíveis como o etanol .

No lado brasileiro, há sinais crescentes de que o país precisa olhar para o leste . Bolsonaro tem se esforçado para formular políticas externas além do alinhamento ideológico com os EUA. Devido a preocupações diplomáticas e econômicas, Bolsonaro reorientou seus esforços para melhorar as relações com a Ásia. Em outubro de 2019, o presidente brasileiro embarcou em sua primeira turnê asiática - visitando o Japão, a China e os países do Golfo - e, pouco depois, sediou a 11ª cúpula do BRICS em Brasília. Para melhorar a cooperação intra-BRICS, Bolsonaro também confirmou os planos de introdução de entradas sem visto para turistas e empresários chineses e indianos que visitam o Brasil.

A recente evolução da geopolítica global também é propícia a um relacionamento mais próximo entre o Brasil e a Índia. Em um mundo em crescente polarização entre os EUA em relação à China e à Rússia, a parceria indo-brasileira tem um espaço relativamente confortável para navegar sem levantar muitas sobrancelhas de ambos os lados.

Atualmente, as ideologias conservadoras de Bolsonaro e Modi estão aproximando os dois países, com o apoio tácito do governo Donald Trump. No entanto, as consequências de suas políticas podem ser duradouras para as aspirações dos países democráticos emergentes no âmbito da cooperação sul-sul.

Parceria estratégica Brasil-Índia: um caminho a seguir

Após sua reunião bilateral nas linhas laterais da 11ª cúpula do BRICS, Bolsonaro e Modi convergiram para estabelecer uma estrutura sólida de cooperação. Durante a visita de Bolsonaro a Nova Délhi, no final deste mês, o Brasil e a Índia devem assinar novos acordos por meio de um 'Plano de Ação'.

Em entrevista recente , o embaixador brasileiro na Índia, André Aranha Corrêa do Lago, propôs o caminho a seguir para a cooperação bilateral. Enquanto as áreas tradicionais - energia renovável, agricultura e saúde - devem se expandir, Lago expressou o interesse emergente do Brasil em cooperar em setores estratégicos, principalmente defesa e espaço. Os dois países também estão trabalhando para assinar um acordo sobre cooperação e facilitação de investimentos.

O Brasil e a Índia devem aproveitar esse momento para ampliar a cooperação em áreas relevantes, com complementaridade e potencial para transformar o relacionamento, como nuclear, defesa e tecnologias espaciais. Em 2016, pela primeira vez, o Brasil apoiou publicamente a candidatura da Índia para ingressar no Grupo de Fornecedores Nucleares, abrindo espaço para cooperação nuclear.

O Brasil possui a terceira e a sexta maiores reservas de tório e urânio no mundo, respectivamente, mas desenvolveu principalmente suas pesquisas sobre urânio, enquanto a Índia possui uma pesquisa mais extensa sobre aplicações de tório. No que diz respeito à tecnologia espacial, o Brasil ganha com a cooperação técnica indiana. A Índia está rapidamente se tornando um centro global na fabricação e lançamento de satélites; O Brasil e outros países da ALC, por sua vez, confiaram fortemente na experiência chinesa e em veículos lançadores de satélite.

Setor de Defesa

No setor de defesa, o Brasil e a Índia possuem ecossistemas ricos e complexos, com crescente participação de grandes empresas privadas, como Embraer e Tata. Após a visita de Bolsonaro, o Brasil deverá aumentar seu portfólio internacional de vendas e investimentos na Índia por meio da plataforma Make in India. Além disso, o Brasil e a Índia mantêm relações estratégicas tecnológicas e de defesa com a França, Israel e os EUA, abrindo várias oportunidades para melhorar conjuntamente a fabricação, a pesquisa e o desenvolvimento da defesa indo-brasileira.

A questão relevante é como transformar as mentalidades brasileira e indiana, quebrando barreiras geográficas e psicológicas. É necessário conectar-se além das burocracias e setores empresariais de alto nível, expandindo iniciativas nas esferas acadêmica e social para aumentar a conscientização do público. As interações em todos os níveis aumentariam os incentivos internos à cooperação e reduziriam a lacuna de conhecimento mútuo. Enquanto isso, uma coordenação estratégica mais estreita depende da ambição da liderança em dar o salto.

*Erik Herejk Ribeiro é pesquisador associado do Centro Brasileiro de Estratégia e Relações Internacionais (Nerint) e doutor em Estudos Estratégicos Internacionais na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Brasil.

Embraer estuda família de turboélices em parceria com Boeing





A Embraer está em estágio avançado de análise para lançamento de um novo turboélice a ser desenvolvido em parceria com a Boeing, afirmou o principal executivo de sua divisão de aviação comercial nesta segunda-feira (20).

A aeronave será do mesmo tamanho ou maior que o turboélice ATR-72, de 70 lugares, que é produzido por grupo franco-italiano e que atualmente domina o segmento, afirmou o presidente-executivo da divisão de aviação comercial da Embraer, John Slattery, à Reuters. A compra do controle da divisão da companhia brasileira pela Boeing está aguardando aprovação de autoridades europeias.

"Ele fica dentro de nosso mercado alvo, que sempre fomos claros em dizer que é abaixo de 150 lugares, e terá uma adjacência natural com a família E2, disse Slattery, referindo-se à família de jatos regionais de 80 a 120 lugares da Embraer. "O estudo do modelo de negócios está indo bem."

O executivo afirmou que a Embraer não seguirá adiante com o projeto do turboélice se tiver de desenvolvê-lo sozinha por causa do custo estimado em bilhões de dólares, além de outras prioridades da companhia. Mas ele afirmou que não há relação entre o estudo do turboélice e as negociações com reguladores sobre o restante das atividades de aviação comercial da Embraer.


"O volume de recursos necessários para uma nova aeronave comercial estado da arte é de uma ordem de magnitude que nós simplesmente não temos apetite para desenvolver fora do ambiente da joint-venture (com a Boeing)", disse Slattery. "Sem joint-venture, sem turboélice."

Ele afirmou que a Embraer continua confiante sobre a venda do controle de sua principal divisão para a Boeing e citou apoio de várias companhias aéreas clientes da empresa. A Embraer também está tendo negociações "significativas" com General Electric, Rolls-Royce e Pratt & Whitney Canada sobre o fornecimento do motor para o possível novo turboélice da companhia.

Analistas afirmam que turboélices são mais eficientes que jatos em distâncias curtas, especialmente em momentos de alta nos preços do petróleo.

A ATR, co-controlada pela Airbus e pela italiana Leonardo, controla cerca de 80% do mercado de turboélices do mundo, com o restante sendo atendido pelo De Havilland Canada DHC-8. A China também está buscando atuar no mercado de turboélices com o futuro Xian MA700.

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