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02 junho, 2022

Egito poderá comprar mísseis Avibras AV-TM 300 e Sistemas Astros II MK6, além de outros produtos de defesa brasileiros

Caso seja confirmada a venda de mísseis de cruzeiro AV-TM 300 e os seus sistemas de lançamento Astros II MK6, o negócio poderá representar um bem-vindo fôlego para a Avibras.


*Tactical Report e LRCA Defense Consulting - 02/06/2022 (atualizada às 13h27)

O Egito está próximo de adquirir mísseis AV-TM 300 junto com sua plataforma de lançamento, o sistema Avibras Astros II MK6.

Diz-se que este acordo faz parte de uma série mais ampla de acordos que foram recentemente assinados entre o Egito e as empresas de defesa brasileiras.

Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300
O Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 é uma nova munição em estágio de pesquisa e desenvolvimento, com o propósito de ser lançado a partir da plataforma do Sistema ASTROS em uso pelo Exército Brasileiro. 

O míssil está sendo concebido para levar 200 kg de carga bélica convencional a uma distância de até 300 km com precisão em Círculo de Erro Provável (CEP) menor ou igual a 30 m, e produzindo o mínimo de dano colateral.

O Míssil Tático de  Cruzeiro AV-TM 300 poderá atingir alvos estratégicos de eventuais oponentes muito além dos alvos táticos atualmente batidos pelos foguetes do Sistema ASTROS, conferindo ao Exército Brasileiro uma maior capacidade de dissuasão extrarregional.

Novo míssil brasileiro é 'espetacular' e capaz de destruir infraestrutura  inimiga, diz especialista - Sputnik Brasil

Um novo fôlego para a Avibras
Caso seja confirmada a venda de mísseis de cruzeiro AV-TM 300 e os seus sistemas de lançamento Astros II MK6 para o Egito, o negócio poderá representar um bem-vindo fôlego para a combalida Avibras, que enfrenta um difícil período de recuperação judicial devido ao grande endividamento que tem e ao encolhimento de suas vendas internacionais.

Parceria de Defesa com o Egito vem sendo construída
As negociações entre o Brasil e o Egito na área de Defesa se intensificaram em julho de 2020, quando houve um encontro virtual organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) em parceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em que representantes do segmento e de órgãos oficiais do Egito e do Brasil discutiram o tema.

O evento serviu também como preparação para a participação na Egypt Defense Expo (EDEX), feira que ocorreu de 7 a 10 de dezembro desse ano no Cairo, e na qual o Brasil teve estande. Segundo o presidente da ABIMDE, Roberto Gallo, 12 empresas participaram. O espaço foi promovido pela associação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Na época, o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, o general Luis Antônio Duizit Brito, afirmou no encontro que o Brasil queria parcerias de longo prazo na área de defesa com o Egito. “Não queremos vender, porque o que se vende, se consome no outro dia, o que queremos é fazer parceria”, falou. 

Em fevereiro de 2021, empresas fabricantes de materiais de defesa do Brasil mantiveram  contatos e negociações na International Defence Exhibition And Conference (IDEX), feira do segmento que ocorreu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos e foi o primeiro grande evento de defesa presencial do qual as empresas do Brasil participam desde o início da pandemia, orquestradas pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). Entre as empresas brasileiras que expuseram na feira estavam Atech, Avibras, Avionics, Condor, Embraer, Gespi, Kryptus, MacJee, M&K Logistics, Siatt e Taurus.

Em 23 Fev, o destaque na IDEX foi a visita da delegação do Egito, cujos integrantes demonstraram interesse em conhecer os produtos e serviços da BIDS (Base Industrial de Defesa e Segurança) e firmar negócios com as empresas brasileiras.

Em Out 21, aconteceu a Milipol Paris 2021, com a participação do Brasil entre os países presentes nesta que é considerada a principal feira internacional de segurança e proteção do mundo. Participam do evento a ABIMDE (Associação Brasileira da Indústria de Defesa e Segurança) e sete empresas associadas: BCA, CBC, Condor, Kryptus, M&K, Taurus e VMI. 

Em Dez 21, foi noticiada que a estratégia de exportações envolvendo a indústria de defesa passou a ter países específicos em foco. Alguns deles são Malásia, Filipinas e Indonésia, no sudeste asiático, pois a região vive um clima de forte tensão com a expansão militar promovida por Pequim na região marítima ao sul da China. Outro foco de interesse é o norte da África, especialmente a Tunísia e o Egito. 


Ainda em dezembro de 2021, delegações de quatro países árabes estiveram na 6ª Mostra BID Brasil, que ocorreu em Brasília com a exposição de produtos e serviços brasileiros de segurança e defesa. Representantes dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Egito visitaram a exposição, formando maioria entre as seis missões estrangeiras presentes no evento. As delegações árabes que estiveram na Mostra eram todas oficiais, ou seja, representantes dos governos e de seus ministérios.

A participação árabe foi reflexo do forte relacionamento que o setor de defesa brasileiro está criando com a região. Em 2021, liderada pela ABIMDE, a indústria brasileira de defesa e segurança participou de três feiras em países árabes: a Idex e a Dubai AirShow, nos Emirados, e a Milipol, no Catar. “Nós fomos até a região árabe e eles vieram até nós”, disse um executivo como exemplo dessa relação. Na Mostra, os árabes puderam conhecer melhor as indústrias nacionais de defesa pois, como na maioria dos setores, mas especialmente neste, os negócios costumam ter um bom tempo de relacionamento e de maturação antes de se concretizarem.

Em Jan 22, a ABIMDE, a APEX-Brasil e os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores definiram os países que serão alvo das ações estratégicas do convênio para o biênio 2022-2023. O evento online contou ainda com a participação de associadas.

Os países-alvo definidos para esse biênio são: Catar, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Filipinas, Indonésia, Índia, Egito e Mauritânia. A escolha foi feita com base em pesquisa quantitativa e qualitativa realizada pela APEX-Brasil junto às associadas da ABIMDE, e análises conjunturais dos especialistas do MD e MRE.

De 17 de maio a 06 de junho de 2022, o governo do Brasil está promovendo uma missão comercial a dez países árabes. Quem coordena a viagem é a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, e a delegação conta com empresários e representantes de associações dos setores de defesa, agronegócio e infraestrutura. Os países árabes que estão sendo visitados são Marrocos, Egito, Emirados Árabes, Omã, Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. 

Um pequeno grupo da delegação visitou também o Iraque para cumprir agenda específica. O governo do Iraque tem procurado novos parceiros para aquisição de armamento. No mercado internacional sabe-se do desejo daquele país de equipar sua força policial com armas leves, como as fabricadas por Taurus e CBC, por exemplo.

No final do circuito pelo Oriente Médio, a delegação brasileira vai passar por Hungria e República Tcheca, dois países com quem o governo Bolsonaro mantém boas relações.

Estrategicamente, a viagem está sendo feita em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), um KC-390, modelo militar da Embraer que foi adaptado para o voo com acomodações de classe econômica.

17 maio, 2022

Iraque tem interesse em adquirir armamento leve para sua força policial. Emissário brasileiro viajou ao país e à região


*Diário de Goiás - 17/05/2022

O almirante Flávio Rocha, secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, embarca nesta quarta-feira, 18, para uma viagem ao Iraque. Além do petróleo, a visita tem interesse comercial direto da indústria de Defesa nacional, que anseia ampliar a venda de equipamentos bélicos àquele país. O governo de Jair Bolsonaro também se movimenta para estreitar os laços de empresas de armas leves com os iraquianos.

País tem interesse em armamento leve

O governo do Iraque tem procurado novos parceiros para aquisição de armamento. No mercado internacional sabe-se do desejo daquele país de equipar sua força policial com armas leves. Empresas como Taurus e CBC, a primeira fabricante de armas, a segunda, de munições, podem se credenciar para este mercado.

Além do Iraque, a missão chefiada pelo almirante Rocha irá a Marrocos, Egito, Emirados Árabes, Omã, Kuwait, Bahrein, Qatar e Arábia Saudita. A viagem começa nesta quarta-feira e dura até o dia 7 de junho. No final do circuito pelo Oriente Médio, a delegação brasileira vai passar por Hungria e República Tcheca, dois países com quem o governo Bolsonaro mantém boas relações.

Área econômica
A viagem é vista com reservas pela área econômica do governo. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, gostaria que o governo desse prioridade neste momento a contatos com países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Mas o Planalto considera que a visita não teria implicações diplomáticas já que boa parte dos países atualmente tem interesse em fazer negócios com o Iraque.

Atualmente, as importações brasileiras do Iraque se restringem ao petróleo. As exportações são concentradas em açúcar e carnes de aves, bovina e de animais vivos. Na década de 1980, o Brasil teve o Iraque como um dos principais compradores de veículos militares fabricados pela Engesa, como o Urutu e o Cascavel. O Brasil também comercializou foguetes Astros e ainda haveria lançadores brasileiros antigos que demandam modernização, assim como os veículos militares.

A possibilidade de o próprio presidente Jair Bolsonaro participar dessa visita chegou a ser discutida no Palácio do Planalto. Nesse caso, a viagem se transformaria em visita de Estado, e certamente haveria uma agenda com o primeiro-ministro iraquiano, Mustafa al Kadhimi.

No fim do ano passado, Bolsonaro planejou a visita a Bagdá, mas a ideia foi abortada, entre outros motivos, por falta de segurança. Às vésperas da missão brasileira, o primeiro-ministro foi alvo de um atentado com drones. Ele escapou do ataque a sua residência.

Na ocasião, Bolsonaro ficou quase uma semana fora do Brasil. Ele passou pelo Oriente Médio em novembro e visitou Bahrein, Qatar e Emirados Árabes Unidos. A promoção de material bélico fabricado no Brasil foi um dos pontos altos do tour pelos países árabes.

No Planalto, o contato mais próximo de Bolsonaro com líderes do Iraque e de países em conflito é considerado valioso diplomaticamente por causa da presença do Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ele já esteve duas vezes em nações árabes do Oriente Médio, e uma em Israel.

Depois de uma aproximação ideológica na campanha de 2018, o presidente buscou equilibrar as relações com os árabes, por receio de retaliações comerciais ao reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, com a promessa nunca concretizada de transferência da embaixada brasileira, que permanece em Tel Aviv Bolsonaro também avalia oportunidades de vista a países como o Kuwait, entre outros. Os países da região buscam desenvolvimento agrícola e diversificação das respectivas economias.

Parceiro histórico
O Iraque é considerado parceiro histórico do Brasil e, no ano passado, o premiê Kadhimi acertou com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, o fim da participação de tropas americanas em confrontos no país, onde lutam contra o Estado Islâmico. Presentes desde a invasão em 2003, quando derrubaram o ditador Saddam Hussein, os militares americanos, também parceiros das Forças Armadas no Brasil, continuarão prestando auxílio e treinamento ao Exército iraquiano.

A maior parte das agendas tem sugestão da Secretaria de Produtos de Defesa, do Ministério da Defesa, em discussão com a Secretaria de Assuntos Estratégicos. Numa estratégia comercial, o atual secretário de produtos de Defesa, Marcos Degaut, será o próximo embaixador do Brasil em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes.

Questionados sobre a ida ao Iraque, a Secretaria Especial de Comunicação Social disse não ter informações sobre a agenda. A Secretaria de Assuntos Estratégico e o Ministério da Defesa não responderam.

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