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28 janeiro, 2026

Avibras busca retomada na Indonésia enquanto luta por sobrevivência no Brasil

Visita de executivos da empresa brasileira ao Exército indonésio revela tentativa de preservar contratos milionários em meio à grave crise financeira


 *LRCA Defense Consulting - 28/01/2026

Em uma tentativa de manter viva uma de suas principais relações comerciais internacionais, a brasileira Avibras Indústria Aeroespacial realizou recentemente uma visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio (Pussenarmed). A visita, documentada no Instagram oficial da entidade militar indonésia, contou com a presença de Sami Youssef Hassuani, ex-presidente da Avibras e atual assessor da nova gestão da empresa, e representantes da PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia com histórico de atuação em diversos setores, incluindo defesa, que possui uma homônima no Brasil registrada em 2022.

A missão tem um contexto delicado: a Avibras atravessa sua terceira recuperação judicial desde 2022, acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão e está paralisada há quase três anos. A empresa, que já foi referência mundial em sistemas de artilharia de saturação, agora luta por sua sobrevivência, e a Indonésia representa um dos últimos fios de esperança comercial.

Um cliente estratégico em jogo
A Indonésia é um dos principais clientes internacionais da Avibras. Entre 2012 e 2020, o país adquiriu 63 unidades do sistema ASTROS II Mk6, a versão mais moderna do lançador múltiplo de foguetes desenvolvido pela empresa brasileira. Os contratos, que somaram entre US$ 350 milhões e US$ 400 milhões, foram divididos em duas etapas: 36 unidades na primeira encomenda (2012) e 27 unidades entregues em junho de 2020.

Os sistemas ASTROS II operam ativamente no Exército indonésio, equipando batalhões de artilharia e sendo utilizados em exercícios militares regulares, como o realizado em agosto de 2025 em Java Central. A aquisição foi vista como estratégica para o fortalecimento da defesa em áreas sensíveis, como o disputado Mar de Natuna, onde as tensões geopolíticas com a China têm aumentado.

Porém, com a paralisação da Avibras desde setembro de 2022, surgem questões críticas: quem prestará manutenção e fornecerá peças de reposição para os sistemas já entregues? Quem treinará novos operadores? E, principalmente, haverá novos contratos?

Sami Youssef Hassuani: o arquiteto que retorna
A presença de Sami Youssef  Hassuani na delegação é emblemática. Engenheiro com vasta experiência na indústria de defesa brasileira, Sami foi presidente da Avibras e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). Apesar de não ocupar mais o cargo de CEO (que atualmente pertence a Fábio Guimarães Leite, nomeado em agosto de 2025), Sami retornou à empresa como assessor técnico da nova administração.

Fontes próximas à empresa revelam que Sami foi cotado para liderar a chamada 'Nova Avibras', nome dado ao projeto de reestruturação proposto pelo fundo Brasil Crédito, principal credor da companhia. Sua participação em reuniões com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos em maio de 2025, quando ainda representava o Brasil Crédito, demonstra seu papel central nas negociações pela recuperação da empresa.

A visita à Indonésia, portanto, não é casual. Sami conhece profundamente o mercado indonésio, tendo participado das negociações que resultaram nas vendas milionárias do ASTROS II. Sua presença sinaliza uma tentativa de tranquilizar o cliente sobre a continuidade do suporte técnico e, possivelmente, abrir caminho para novos negócios.

 

PT Poris Duta Sarana: o elo indonésio
A PT Poris Duta Sarana, empresa indonésia que acompanhou a delegação, adiciona outra camada à narrativa. Com sede em Jacarta e atuação em diversos setores, incluindo fornecimento de materiais técnicos e serviços de importação, a Poris possui histórico no setor de defesa indonésio, embora detalhes específicos de sua participação em contratos militares sejam escassos.

Registros de importação indicam envolvimento da empresa com materiais de alta performance, como primers epóxi industriais. Curiosamente, a PT Poris Duta Sarana também possui registro no Brasil desde abril de 2022, com atividade declarada no comércio varejista de móveis, um contraste com suas operações mais técnicas na Indonésia.

A participação da Poris sugere que pode estar atuando como intermediária local, facilitando negociações entre a Avibras e o Exército indonésio, um papel comum em contratos de defesa internacionais, onde empresas locais auxiliam fabricantes estrangeiros a navegar pelas complexidades burocráticas e regulatórias.

O que está em jogo?
A visita ao Pussenarmed pode ter múltiplos objetivos. O primeiro e mais óbvio é a manutenção dos sistemas já entregues. Com a Avibras paralisada, o Exército indonésio enfrenta o risco de ficar sem suporte técnico para suas 63 unidades do ASTROS II, um problema grave para equipamentos militares complexos que exigem manutenção regular, peças de reposição e treinamento contínuo de operadores.

Um segundo objetivo provável é tranquilizar o cliente sobre a capacidade da Avibras de retomar operações. A nova administração, liderada por Fábio Guimarães Leite desde agosto de 2025, anunciou planos para retomar gradualmente as atividades, começando com setores administrativos e de engenharia. Em setembro de 2025, a empresa informou estar em processo de reestruturação, com diligências, auditorias e manutenção das instalações industriais em andamento.

Mas há também a possibilidade de negociações para novos contratos. A Indonésia vem modernizando suas Forças Armadas e o ASTROS II provou ser eficaz em exercícios de artilharia. Contratos adicionais para munições, upgrades tecnológicos ou até mesmo novas baterias do sistema poderiam representar uma injeção crucial de recursos para a Avibras.

Documentos da nova gestão indicam que a empresa já retomou visitas e reuniões técnicas com os principais clientes, incluindo prospecções no Oriente Médio e avanços em negociações com o Exército Brasileiro. A Indonésia, portanto, faz parte de uma estratégia mais ampla de reativação comercial.

A crise da Avibras: um contexto sombrio
A Avibras, fundada em 1961 e uma das poucas empresas brasileiras com capacidade de desenvolver sistemas complexos de artilharia, vive sua pior crise. Após entrar em recuperação judicial pela terceira vez em março de 2022, a empresa acumula dívidas estimadas em R$ 1,5 bilhão, incluindo cerca de R$ 200 milhões com o governo federal.

Os aproximadamente 900 trabalhadores estão em greve desde setembro de 2022, com 28 meses de salários atrasados. A fábrica em Jacareí (SP) permanece paralisada, com instalações e equipamentos em risco de obsolescência. Vários planos de venda falharam: uma tentativa com a australiana DefendTex em 2024 não se concretizou; negociações com a chinesa Norinco também não avançaram; e, mais recentemente, conversas com a saudita Black Storm Military Industries permanecem em andamento, mas sem conclusão.

Em agosto de 2025, houve uma mudança significativa: Fábio Guimarães Leite, através da empresa Vita Gestão e Investimentos, tornou-se acionista majoritário com 99% das ações, após a saída do ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite. Um plano alternativo de recuperação judicial foi aprovado pelos credores em maio de 2025, mas sua homologação ainda enfrenta recursos legais do Banco Fibra e da União.

Em março de 2025, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional chegou a pedir a conversão da recuperação judicial em falência, devido ao não cumprimento de parcelas de refinanciamento de dívidas tributárias. A situação permanece crítica, com a Avibras dependendo de acordos com credores, governo e trabalhadores para viabilizar sua reestruturação.

A Avibras informou hoje (28) ao Sindicato dos Metalúrgicos de SJC que pretende retomar atividades da fábrica em 16 de março, desde que seja fechado o acordo de pagamento das dívidas trabalhistas e resolvida a pendência da recuperação judicial no TJ-SP.

 
Vídeo do encontro em Jacarta (Instagram)

Implicações estratégicas
A visita à Indonésia transcende o aspecto comercial imediato. Ela representa uma tentativa de preservar um dos últimos ativos valiosos da Avibras: sua reputação internacional e sua base de clientes consolidada. Perder o mercado indonésio não significaria apenas a perda de receita, mas também o fim da credibilidade da empresa no mercado global de defesa.

Para a Indonésia, a situação também é delicada. Depender de um fornecedor em crise para manter sistemas de defesa estratégicos é um risco. O país pode ser forçado a buscar alternativas, como a transferência de tecnologia para produção local ou a aquisição de novos sistemas de outros fabricantes, como o sul-coreano K239 Chunmoo ou o israelense PULS.

Do ponto de vista brasileiro, a crise da Avibras é um sinal alarmante sobre a fragilidade da base industrial de defesa nacional. A empresa é certificada como Empresa Estratégica de Defesa (EED) e domina tecnologias críticas de propulsão, integração de sistemas e fabricação de veículos militares. Sua falência representaria não apenas a perda de empregos qualificados, mas também de capacidades tecnológicas que levaram décadas para serem desenvolvidas.

Perspectivas e incertezas
A visita ao Pussenarmed é, em muitos aspectos, um teste para a 'Nova Avibras'. Se a empresa conseguir demonstrar capacidade de retomar o suporte aos sistemas indonésios e, idealmente, fechar novos contratos, isso poderia catalisar sua recuperação. Contratos internacionais trariam não apenas recursos financeiros, mas também credibilidade junto a credores e ao governo brasileiro.

Por outro lado, o fracasso em manter essa relação comercial poderia acelerar o declínio da empresa. Clientes internacionais tendem a ser avessos a riscos quando se trata de equipamentos militares críticos. Uma vez perdida a confiança, é extremamente difícil recuperá-la.

A escolha de Sami Youssef Hassuani para liderar a delegação é estratégica. Sua experiência, reputação no mercado internacional e conhecimento profundo dos sistemas ASTROS II fazem dele o emissário ideal. Mas mesmo o melhor diplomata corporativo não pode compensar indefinidamente a falta de capacidade operacional.

A Avibras precisará demonstrar resultados concretos: retomada da produção, solução das dívidas trabalhistas, regularização tributária e, crucialmente, capacidade de entregar suporte técnico e novos equipamentos. Promessas não serão suficientes.

 

Missão de sobrevivência
A visita ao Centro de Armamento de Artilharia de Campanha do Exército Indonésio representa muito mais do que um encontro diplomático de rotina. É uma missão de sobrevivência. Para a Avibras, manter viva sua relação com a Indonésia pode ser a diferença entre uma recuperação bem-sucedida e o fim definitivo de uma das mais importantes empresas de defesa brasileiras.

Para a Indonésia, é uma questão de garantir que seus investimentos milionários em sistemas ASTROS II não se transformem em equipamentos obsoletos por falta de suporte. E para o Brasil, é mais um capítulo doloroso na saga de uma indústria de defesa que luta para manter relevância internacional enquanto enfrenta crises internas profundas.

O desfecho dessa história ainda está sendo escrito. Mas uma coisa é certa: os próximos meses serão decisivos para determinar se a Avibras terá uma segunda chance ou se tornará apenas mais um caso de estudo sobre a fragilidade da base industrial de defesa em países em desenvolvimento.
 

27 janeiro, 2025

Míssil brasileiro anti-navio MANSUP está pronto para defesa costeira, um marco significativo para a segurança nacional


*LRCA Defense Consulting - 27/01/2025

Em dezembro de 2024, o Corpo de Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil lançou pela primeira vez, em colaboração com a SIATT, o míssil MANSUP de uma plataforma terrestre.

Após este evento sem precedentes, a SIATT anuncia que o míssil anti-navio MANSUP (Míssil Anti-navio Nacional de Superfície) está oficialmente pronto para ser integrado e utilizado em operações de defesa costeira. Esse avanço representa um marco significativo para a segurança nacional, ampliando a capacidade de defesa da costa brasileira.

O Míssil MANSUP é um sistema de armas de alta precisão desenvolvido para garantir a proteção das águas territoriais brasileiras. Projetado para neutralizar navios de combate que representam uma ameaça à soberania marítima, o MANSUP é um míssil que atualmente pode ser lançado de plataformas terrestres ou navais.

A grande vantagem de integrar o míssil MANSUP ao lançador do sistema de foguetes de artilharia para saturação de área é que os usuários do sistema poderão expandir sua capacidade de atingir alvos no mar com altíssima precisão.


Paulo Salvador, Diretor da SIATT, disse: “Esta integração oferece uma solução mais completa e robusta para proteção costeira e dissuasão de ameaças. Ele pode ser oferecido internacionalmente usando o MANSUP como vetor.”

Robson Duarte, sócio-gerente da SIATT, destacou: “Com o Míssil MANSUP, o Brasil fortalece sua capacidade de proteção de sua zona costeira, principalmente em regiões de grande importância econômica e estratégica. Este sistema de defesa pode ser integrado com outras plataformas, como sistemas de radar e unidades navais. No caso do Brasil, ele poderá receber informações do SisGAAz (Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul) para lançar o míssil.”

O míssil MANSUP está pronto para operações de defesa costeira e litorânea, marcando um novo patamar na segurança nacional. A expectativa é que ele seja rapidamente integrado às Forças Armadas brasileiras, contribuindo para a segurança da navegação e das fronteiras marítimas.

Sobre a SIATT
A SIATT é uma empresa brasileira de Defesa Estratégica, especializada no desenvolvimento e produção de sistemas complexos de defesa. Atualmente, é responsável por vários programas estratégicos, como os mísseis anti-navio MANSUP e MANSUP-ER, o míssil anti-tanque MAX 1.2 AC e o Sistema de Monitoramento do Atlântico Azul (SisGAAz).

25 janeiro, 2025

IAV 2025: Exército Brasileiro busca adquirir MBT e IFV com alto grau de comunalidade


*European Security & Defence, por Pedro Felstead - 24/01/2025

Em seus planos de modernização para adquirir novos carros de combate principais (MBTs) e veículos de combate de infantaria (IFVs), o Exército Brasileiro está buscando obter soluções com alto grau de comunalidade, conforme foi revelado.

Em discurso na conferência internacional de veículos blindados (IAV 2025) da Defence iQ, realizada em Farnborough (Inglaterra) de 21 a 23 de janeiro, o general Hertz Pires do Nascimento, comandante do Comando Militar Sul do Exército Brasileiro, disse em 21 de janeiro que, ao substituir os MBTs Leopard 1 e os veículos blindados de transporte de pessoal (APCs) M113 do Brasil, o exército "está buscando plataformas com o mais alto nível possível de comunalidade".

O general observou que o projeto MBT está programado para começar em 2028 com o objetivo de fornecer ao exército uma frota de tanques “em linha com as tendências atuais na guerra de tanques”, mas que um subprograma “também inclui a implementação de um projeto de veículo de combate de infantaria”.

O Gen Hertz não deu mais detalhes sobre o programa, que poderia, por exemplo, envolver a aquisição de um IFV pesado sobre esteiras com uma variante de apoio de fogo direto, mas acrescentou: “Estamos buscando oportunidades de mercado internacional e potenciais parceiros para cooperar no desenvolvimento desses projetos com o objetivo de construí-los no Brasil”.

Em uma apresentação abrangente, o Gen Hertz também detalhou os atuais esforços de modernização do Exército Brasileiro. Em relação ao desenvolvimento das forças blindadas, ele observou que o Guarani 6×6 APC é o foco principal. Desenvolvido pela Iveco em colaboração com o Exército Brasileiro, o Guarani já está em serviço operacional, com o Gen Hertz observando que mais de 1.300 APCs Guarani serão finalmente entregues em diversas variantes, incluindo uma variante armada com um canhão Elbit de 30 mm operado remotamente, um veículo de posto de comando, veículos de defesa aérea com unidades de disparo e radar, veículos de comunicação e variantes de ambulância, além do APC básico. Uma variante de engenharia blindada, acrescentou o general, está nos estágios finais de avaliação e subsequente produção em série.

Para modernizar seus regimentos de cavalaria mecanizada e substituir seus carros blindados Engesa 6×6 Cascavel armados com canhões de 90 mm, o Exército Brasileiro selecionou o Centauro II armado com um canhão de 120 mm e construído pelo Consórcio Iveco – Oto Melara (CIO), disse o Gen Hertz. Ele acrescentou que o Exército Brasileiro concluiu a avaliação técnica e operacional de dois veículos de amostra e em breve espera assinar um contrato para 98 veículos. Enquanto isso, 98 Cascavel serão atualizados por um consórcio de empresas brasileiras contratadas em 2023 para estender suas vidas úteis, acrescentou o general. Enquanto os canhões de 90 mm dos Cascavel serão mantidos, parte da frota será armada com o míssil anti-tanque brasileiro MAX 1.2 AC (da SIATT) para aumentar seu poder de fogo.

Em relação aos veículos mais leves, o Gen Hertz disse que a introdução dos Iveco LMV-BR 2 4×4s “representa uma mudança significativa nas capacidades das brigadas mecanizadas”, acrescentando que algumas dessas plataformas já estão em serviço e que 420 veículos devem ser entregues até 2033 para substituir os veículos de carroceria macia atualmente em serviço.

Em termos de artilharia, o Gen Hertz observou o sucesso do programa estratégico de lançadores múltiplos de foguetes Astros do Brasil. Enquanto o sistema de artilharia Astros II entrou em serviço com o Exército Brasileiro no início dos anos 1990, o Astros II Mk6, que entrou em serviço em 2014, pode disparar mísseis de cruzeiro AVMT-300 brasileiros com alcance de 300 km.

O general também destacou o programa do Exército Brasileiro para adquirir obuses autopropulsados ​​(SPHs) de 155 mm. Em abril de 2024, foi anunciado que o exército havia selecionado a Elbit Systems de Israel para fornecer 36 de seus SPHs sobre rodas ATMOS, embora um contrato para esses sistemas tenha sido adiado pelo governo brasileiro em vista da conduta de Israel na guerra em Gaza.

11 maio, 2023

Avibras apresenta o ASTROS III, novo sistema de lançamento de mísseis e foguetes

A Avibras projetou o lançador de mísseis e foguetes ASTROS III AV-LMU para oferecer significativo poder de fogo de saturação de artilharia. (Avibras)

*Janes, por Victor Barreira - 11/05/2023

A Avibras Indústria Aeroespacial está considerando a construção de um protótipo de seu recém-projetado Sistema de Foguete de Saturação de Artilharia (ASTROS) III autopropelido e sistema de lançamento de foguetes.

O desenvolvimento do ASTROS III foi impulsionado pelas lições aprendidas com o conflito militar na Ucrânia, onde os sistemas de saturação de artilharia têm sido procurados e eficazes, disse João Brasil Carvalho Leite, presidente da empresa, a Janes .

A unidade ASTROS III Avibras Universal Multiple Rocket Launchers (AV-LMU) é baseada em um chassi pesado de alta mobilidade T 815 - 7T3B41 8×8 da Tatra Truck e oferecerá maior poder de fogo em comparação com a geração 6×6 ASTROS II Mk6 fornecida para o Brasil e Indonésia, acrescentou Leite.

A Avibras poderia usar um chassi T 815 - 7T3B41 8 × 8 que possui em seu estoque para potencialmente produzir a unidade de lançamento 8 × 8 ASTROS III AV-LMU, disse Leite.

O ASTROS III também estará disponível na configuração do veículo de reabastecimento de munição, AV-RMD, disse Leite.

Maior poder de fogo
A unidade de lançamento ASTROS III vem com uma plataforma de lançamento múltiplo multicalibre AV-PLM para quatro mísseis de cruzeiro tático AV-MTC por lançador (dois para o ASTROS II), 72 foguetes AV-SS 30 por lançador (32 para o ASTROS II), 40 Foguetes AV-SS 40 de 180 mm por lançador (16 para o ASTROS II), 12 foguetes AV-SS 60 por lançador (quatro para o ASTROS II), 12 foguetes AV-SS 80 por lançador (quatro para o ASTROS II) e 12 foguetes AV-SS 150 por lançador (dois para o ASTROS II).

A matéria completa da Janes está no link acima.

*Nota da LRCA Defense Consulting
Já que o desenvolvimento do ASTROS III foi impulsionado pelas lições aprendidas com o conflito militar na Ucrânia, esta Consultoria acredita que o ASTROS III, além de acumular todo o legado tecnológico do ASTROS MK6, já venha configurado da mesma maneira que o novo ASTROS II AFC, ao qual a Avibras integrou seu próprio sistema automatizado de controle de tiro, possibilitando que cada lançador seja usado também de forma autônoma, de maneira similar ao M142 HIMARS.

Saiba mais:
- Avibras traz grandes novidades para a LAAD Defence & Security 2023

22 abril, 2023

Brasil apresenta ASTROS II atualizado e adaptado para TCM, tornando-o similar ao HIMARS

- A questão não está apenas no conceito do complexo, mas também no fato de que ninguém na América Latina tem seu próprio OTRK (míssil balístico tático).
-
Agora, cada um dos lançadores pode ser usado de forma autônoma, como no M142 HIMARS.


*Defence Express, por Sofia Syngaivska (Ucrânia) - 22/04/2023

A empresa brasileira de defesa Avibras apresentou duas novas variantes do ASTROS II (Artillery Saturation Rocket System) na exposição LAAD Defense & Security 2023 – a versão MK6 com o Tactical Cruise Missile (TCM - míssil tático de cruzeiro) capaz de neutralizar alvos até 300 km e a modificação AFC que possui maior poder de fogo e capacidade de cálculo de elementos de tiro.

Ambos os desenvolvimentos merecem atenção especial. Porque aqui em si parece inesperado que o Brasil tenha seu próprio análogo do sistema HIMARS, e que o mesmo país tenha desenvolvido seu próprio OTRK (míssil balístico tático) com alcance de tiro de até 300 km, cujo "núcleo" é um KR subsônico, e isso apesar do fato de que ninguém mais na América Latina possui seus próprios sistemas de mísseis de longo alcance. Bem, o fato de tais desenvolvimentos ambiciosos terem mais desenvolvimentos ambiciosos é frequentemente distinguido por declarações "pacíficas" sobre a guerra da Federação Russa contra a Ucrânia.

O ASTROS II foi desenvolvido no início dos anos 80 pela Avibras para uso no Brasil e exportação. Foi o primeiro sistema a oferecer vários tipos de foguetes de artilharia a partir do mesmo sistema de lançamento. O Brasil foi o primeiro país a usar o ASTROS II, mas a maioria dos sistemas foi exportada para o Oriente Médio, incluindo Líbia, Arábia Saudita e Iraque, num total de US$ 1 bilhão.

O sistema de mísseis foi vendido para seis países e o volume total de produção do ASTROS II é de cerca de 270 unidades. De acordo com o The Military Balance 2022, o Exército Brasileiro tinha apenas 18 unidades ASTROS II Mk3M e 18 unidades ASTROS II Mk6.

A primeira adaptação do ASTROS II MK6 para o TCM foi anunciada no final de 2019, quando o míssil foi apresentado. O AV-TCM possui um motor de combustível sólido, um sistema de orientação combinado (inercial + GPS), um comprimento de fuselagem de 5,5 metros, um peso de voo de 1400 kg, incluindo um peso de ogiva de 200 kg. As opções para equipar a ogiva são fragmentação unitária de alto explosivo ou cassete com 64 submunições. Cada lançador do ASTROS II MK6 pode atualmente acomodar dois TCMs.

Atualmente, um lançador ASTROS II Mk6 contém dois mísseis AV-MTC. Na primavera de 2022, o Egito estava interessado no sistema ASTROS II Mk6 com o míssil AV-MTC, mas se um contrato de compra foi concluído - ainda não é conhecido.

O ASTROS II requer um “batalhão de tiro” de 18 sistemas para operar, junto com cinco veículos de apoio para controle de fogo. Todos os 18 sistemas de foguetes e veículos de controle devem ser localizados de maneira concentrada, o que reduz significativamente a capacidade de sobrevivência, principalmente durante o fogo de contrabateria.

O ASTROS II tem uma tripulação de 3 pessoas, e o inventário de mísseis para este sistema é o seguinte:

SS-09TS – não guiado, até 40 mísseis por PU, alcance de tiro de até 10 km;
SS-30 – não guiado, até 32 mísseis por PU, alcance de tiro de até 30 km;
SS-40G – guiado, até 16 mísseis por PU, alcance de tiro de até 40 km;
SS-60 – não guiado, até 4 mísseis por PU, alcance de tiro de até 60 km;
SS-80G – guiado, até 4 foguetes por PU, alcance de tiro de até 90 km.

Agora, cada um dos lançadores pode ser usado de forma autônoma, como o HIMARS
Assim, a Avibras integrou seu próprio sistema automatizado de controle de tiro ao ASTROS II AFC para resolver esse problema, que agora permite que cada lançador seja usado de forma autônoma, como, por exemplo, o M142 HIMARS.

Além disso, a empresa melhorou o poder de fogo do ASTROS II AFC aumentando o número de tubos lançadores. Por exemplo, o sistema poderá lançar até quatro TCMs ou seis mísseis guiados SS-150 com um alcance de tiro de até 150 km. A empresa está planejado usar o chassi T815-790R39 6x6 e T815-7A0R59 4x4 da Tatra em vez do chassi básico Mercedes-Benz 2028A 6x6.

11 abril, 2023

Avibras traz grandes novidades para a LAAD Defence & Security 2023


*LRCA Defense Consulting - 11/04/2023

Especializada no desenvolvimento de soluções tecnológicas inovadoras nas áreas de Defesa, Aeronáutica, Espaço, Eletrônica e Veicular, a Avibras Indústria Aeroespacial estará presente em mais uma edição da LAAD Defence & Security, evidenciando o seu portfólio de produtos reconhecidos no mercado mundial de Defesa e Segurança. A feira, que é considerada a maior e mais importante feira de defesa e segurança da América Latina, será realizada de 11 a 14 de abril no Riocentro – Centro de Convenções e Exposições no Rio de Janeiro.

Guiada pela excelência e inovação, a Avibras apresentará em seu estande localizado no Pavilhão 4 – R50, novidades e produtos de vanguarda como:

- O ASTROS II MK6 (Sistema de Artilharia de Foguetes e Mísseis), referência mundial em sua classe e provado em combate;

- O míssil tático de cruzeiro (MTC) capaz de neutralizar alvos até 300 km;

- O novo ASTROS AFC (Autonomous Firing Calculation) que é uma versão destinada a oferecer excelente custo-benefício, permitindo operar isoladamente ou em seção, sendo que sua lançadora possui maior poder de fogo e capacidade de calcular os elementos de tiro, efetuar o disparo e buscar abrigo (“Shoot & Scoot”), minimizando a exposição do Sistema AFC;

- O C4ISTAR que é escalável de Batalhão à Divisão e baseado na experiência de décadas da Avibras no Sistema de Comando e Controle do ASTROS, possuindo as interfaces para integração das funções de Inteligência, Vigilância, Busca de Alvo e Reconhecimento e sua respectiva ligação com Sistemas de Comando e Controle de escalões superiores;

- A família de Sistemas de Mísseis terra-terra, ar-terra, mar-terra e anti-navio;

- E o ASTROS III, baseada em viatura 8x8, que terá o dobro do poder de fogo do ASTROS AFC e acumulará todo o legado tecnológico do ASTROS MK6, lançando foguetes balísticos, foguetes guiados, mísseis balísticos e mísseis táticos de cruzeiro.

A companhia também levará o seu pioneirismo e a sua expertise na área espacial com o VSB-30, veículo suborbital de grande sucesso no Programa Espacial Brasileiro e o S50, o maior motor-foguete já fabricado no Brasil com 12 toneladas de propelente sólido e tecnologias inovadoras como o uso de fibra de carbono para a produção do envelope-motor, o que o torna mais leve e eficiente.

Com sua participação em mais esta edição, a Avibras reforça a sólida parceria e o comprometimento com as Forças Armadas do Brasil para o desenvolvimento de tecnologias de alto valor agregado que visam a soberania do País, como é o caso do míssil tático de cruzeiro em fase de certificação junto ao Exército Brasileiro, além de reforçar que é uma parceira confiável para impulsionar o conhecimento tecnológico de vanguarda tanto no Brasil quanto no exterior.

 

02 junho, 2022

Egito poderá comprar mísseis Avibras AV-TM 300 e Sistemas Astros II MK6, além de outros produtos de defesa brasileiros

Caso seja confirmada a venda de mísseis de cruzeiro AV-TM 300 e os seus sistemas de lançamento Astros II MK6, o negócio poderá representar um bem-vindo fôlego para a Avibras.


*Tactical Report e LRCA Defense Consulting - 02/06/2022 (atualizada às 13h27)

O Egito está próximo de adquirir mísseis AV-TM 300 junto com sua plataforma de lançamento, o sistema Avibras Astros II MK6.

Diz-se que este acordo faz parte de uma série mais ampla de acordos que foram recentemente assinados entre o Egito e as empresas de defesa brasileiras.

Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300
O Míssil Tático de Cruzeiro AV-TM 300 é uma nova munição em estágio de pesquisa e desenvolvimento, com o propósito de ser lançado a partir da plataforma do Sistema ASTROS em uso pelo Exército Brasileiro. 

O míssil está sendo concebido para levar 200 kg de carga bélica convencional a uma distância de até 300 km com precisão em Círculo de Erro Provável (CEP) menor ou igual a 30 m, e produzindo o mínimo de dano colateral.

O Míssil Tático de  Cruzeiro AV-TM 300 poderá atingir alvos estratégicos de eventuais oponentes muito além dos alvos táticos atualmente batidos pelos foguetes do Sistema ASTROS, conferindo ao Exército Brasileiro uma maior capacidade de dissuasão extrarregional.

Novo míssil brasileiro é 'espetacular' e capaz de destruir infraestrutura  inimiga, diz especialista - Sputnik Brasil

Um novo fôlego para a Avibras
Caso seja confirmada a venda de mísseis de cruzeiro AV-TM 300 e os seus sistemas de lançamento Astros II MK6 para o Egito, o negócio poderá representar um bem-vindo fôlego para a combalida Avibras, que enfrenta um difícil período de recuperação judicial devido ao grande endividamento que tem e ao encolhimento de suas vendas internacionais.

Parceria de Defesa com o Egito vem sendo construída
As negociações entre o Brasil e o Egito na área de Defesa se intensificaram em julho de 2020, quando houve um encontro virtual organizado pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE) em parceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em que representantes do segmento e de órgãos oficiais do Egito e do Brasil discutiram o tema.

O evento serviu também como preparação para a participação na Egypt Defense Expo (EDEX), feira que ocorreu de 7 a 10 de dezembro desse ano no Cairo, e na qual o Brasil teve estande. Segundo o presidente da ABIMDE, Roberto Gallo, 12 empresas participaram. O espaço foi promovido pela associação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Na época, o diretor do Departamento de Promoção Comercial do Ministério da Defesa, o general Luis Antônio Duizit Brito, afirmou no encontro que o Brasil queria parcerias de longo prazo na área de defesa com o Egito. “Não queremos vender, porque o que se vende, se consome no outro dia, o que queremos é fazer parceria”, falou. 

Em fevereiro de 2021, empresas fabricantes de materiais de defesa do Brasil mantiveram  contatos e negociações na International Defence Exhibition And Conference (IDEX), feira do segmento que ocorreu em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos e foi o primeiro grande evento de defesa presencial do qual as empresas do Brasil participam desde o início da pandemia, orquestradas pela Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (ABIMDE). Entre as empresas brasileiras que expuseram na feira estavam Atech, Avibras, Avionics, Condor, Embraer, Gespi, Kryptus, MacJee, M&K Logistics, Siatt e Taurus.

Em 23 Fev, o destaque na IDEX foi a visita da delegação do Egito, cujos integrantes demonstraram interesse em conhecer os produtos e serviços da BIDS (Base Industrial de Defesa e Segurança) e firmar negócios com as empresas brasileiras.

Em Out 21, aconteceu a Milipol Paris 2021, com a participação do Brasil entre os países presentes nesta que é considerada a principal feira internacional de segurança e proteção do mundo. Participam do evento a ABIMDE (Associação Brasileira da Indústria de Defesa e Segurança) e sete empresas associadas: BCA, CBC, Condor, Kryptus, M&K, Taurus e VMI. 

Em Dez 21, foi noticiada que a estratégia de exportações envolvendo a indústria de defesa passou a ter países específicos em foco. Alguns deles são Malásia, Filipinas e Indonésia, no sudeste asiático, pois a região vive um clima de forte tensão com a expansão militar promovida por Pequim na região marítima ao sul da China. Outro foco de interesse é o norte da África, especialmente a Tunísia e o Egito. 


Ainda em dezembro de 2021, delegações de quatro países árabes estiveram na 6ª Mostra BID Brasil, que ocorreu em Brasília com a exposição de produtos e serviços brasileiros de segurança e defesa. Representantes dos Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Catar e Egito visitaram a exposição, formando maioria entre as seis missões estrangeiras presentes no evento. As delegações árabes que estiveram na Mostra eram todas oficiais, ou seja, representantes dos governos e de seus ministérios.

A participação árabe foi reflexo do forte relacionamento que o setor de defesa brasileiro está criando com a região. Em 2021, liderada pela ABIMDE, a indústria brasileira de defesa e segurança participou de três feiras em países árabes: a Idex e a Dubai AirShow, nos Emirados, e a Milipol, no Catar. “Nós fomos até a região árabe e eles vieram até nós”, disse um executivo como exemplo dessa relação. Na Mostra, os árabes puderam conhecer melhor as indústrias nacionais de defesa pois, como na maioria dos setores, mas especialmente neste, os negócios costumam ter um bom tempo de relacionamento e de maturação antes de se concretizarem.

Em Jan 22, a ABIMDE, a APEX-Brasil e os Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores definiram os países que serão alvo das ações estratégicas do convênio para o biênio 2022-2023. O evento online contou ainda com a participação de associadas.

Os países-alvo definidos para esse biênio são: Catar, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Filipinas, Indonésia, Índia, Egito e Mauritânia. A escolha foi feita com base em pesquisa quantitativa e qualitativa realizada pela APEX-Brasil junto às associadas da ABIMDE, e análises conjunturais dos especialistas do MD e MRE.

De 17 de maio a 06 de junho de 2022, o governo do Brasil está promovendo uma missão comercial a dez países árabes. Quem coordena a viagem é a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, e a delegação conta com empresários e representantes de associações dos setores de defesa, agronegócio e infraestrutura. Os países árabes que estão sendo visitados são Marrocos, Egito, Emirados Árabes, Omã, Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. 

Um pequeno grupo da delegação visitou também o Iraque para cumprir agenda específica. O governo do Iraque tem procurado novos parceiros para aquisição de armamento. No mercado internacional sabe-se do desejo daquele país de equipar sua força policial com armas leves, como as fabricadas por Taurus e CBC, por exemplo.

No final do circuito pelo Oriente Médio, a delegação brasileira vai passar por Hungria e República Tcheca, dois países com quem o governo Bolsonaro mantém boas relações.

Estrategicamente, a viagem está sendo feita em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), um KC-390, modelo militar da Embraer que foi adaptado para o voo com acomodações de classe econômica.

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