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06 outubro, 2026

Avibras Aeroco faz primeira entrega ao Exército e transforma retomada industrial em resultado concreto

Cinco meses após reiniciar as operações, empresa entrega lote de munições em Formosa; marco ocorre dias depois da transferência de contrato de R$ 60,8 milhões que prevê 3.072 foguetes ASTROS



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LRCA Defense Consulting - 06/10/2026

A Avibras Aeroco alcançou nesta terça-feira, 6 de outubro, um dos marcos mais relevantes desde a retomada de suas operações: a entrega do primeiro lote de munições ao Exército Brasileiro (EB). O material foi recebido no Centro de Logística de Mísseis e Foguetes (C Log Msl Fgt), em Formosa (GO), principal estrutura logística de apoio ao Sistema ASTROS da Força Terrestre.


A entrega ocorre apenas cinco meses depois do início oficial das atividades da nova empresa, em maio, após um longo período de crise financeira, recuperação judicial e paralisação industrial da antiga Avibras. Mais do que cumprir uma etapa contratual, o evento representa a primeira demonstração concreta de que a reorganização empresarial conseguiu reativar a cadeia produtiva, recompor equipes especializadas e voltar a colocar material de emprego militar nas mãos do principal cliente nacional da companhia.

Que munições foram entregues? 

A Avibras Aeroco não informou, em seu comunicado, o tipo nem a quantidade das munições que compõem o primeiro lote. Esse ponto impede afirmar, neste momento, que a entrega corresponda a um contrato específico.

Há, entretanto, uma coincidência relevante. Em 25 de setembro, poucos dias antes da entrega, foi publicada a sub-rogação total do Contrato nº 130/2023, pelo qual a Avibras Aeroco assumiu da Avibras Divisão Aérea e Naval S.A. todos os direitos e obrigações de uma encomenda do Exército no valor de R$ 60.800.818,56, com vigência até 31 de dezembro de 2026.

Como o LRCA Defense Consulting revelou em 28 de setembro, a documentação original desse contrato prevê 3.072 foguetes para o Sistema ASTROS: 2.624 AV-SS-09 TS, destinados ao treinamento das guarnições, e 56 contêineres completos AV-CL/SS-30, cada um contendo oito foguetes SS-30, totalizando outras 448 munições.

Os AV-SS-09 TS representam a maior parcela quantitativa da encomenda e somam R$ 37,96 milhões. Os contêineres com os 448 SS-30 correspondem a outros R$ 22,85 milhões. Embora a proximidade entre a transferência contratual e a entrega desta terça-feira torne plausível uma relação entre os dois fatos, não há, até o momento, confirmação pública da empresa ou do Exército que permita estabelecer essa vinculação como fato. 



De uma fábrica paralisada à primeira entrega em cinco meses 
A velocidade da retomada é um dos aspectos mais relevantes do anúncio. A Avibras Aeroco iniciou oficialmente suas operações em maio de 2026, reunindo ativos estratégicos, instalações e o portfólio tecnológico transferidos no processo de reorganização da antiga Avibras Indústria Aeroespacial.

A reativação foi apoiada por uma captação privada de aproximadamente R$ 300 milhões coordenada pelo Fundo Brasil Crédito. O processo permitiu reintegrar trabalhadores, contratar profissionais especializados, recompor fornecedores e colocar novamente em funcionamento áreas ligadas à fabricação de mísseis, foguetes, veículos especiais e sistemas aeroespaciais.

Em maio, a nova companhia também foi credenciada pelo Ministério da Defesa como Empresa Estratégica de Defesa (EED). Em julho, durante visita às instalações de Jacareí (SP), o Ministério da Defesa registrou que a fábrica já operava na produção de componentes metálicos para mísseis e foguetes, na montagem de sistemas de defesa e na fabricação de veículos especiais.

Segundo o comunicado divulgado nesta terça-feira, a empresa precisou, nesses cinco meses, ativar áreas produtivas, incorporar mão de obra especializada e restabelecer elos de sua cadeia de suprimentos. A primeira entrega mostra que essa recomposição ultrapassou a fase de preparação fabril e chegou efetivamente à etapa de produção, aceitação logística e fornecimento ao cliente.

O Exército como elemento central da recuperação 
O Exército Brasileiro tem exercido papel central na retomada da Avibras Aeroco. Já em 6 de maio, representantes da empresa reuniram-se no Centro Tecnológico do Exército (CTEx), no Rio de Janeiro, com autoridades responsáveis por fabricação, tecnologia, avaliação e artilharia para alinhar demandas em andamento e discutir futuros contratos.

Em julho, nova reunião na unidade industrial de Jacareí reuniu a Diretoria de Fabricação, o Comando de Artilharia do Exército, as gerências do Programa Estratégico ASTROS-FOGOS e do Subprograma Artilharia de Campanha, além da Comissão de Absorção de Conhecimentos e Transferência de Tecnologia. O encontro tratou tanto dos contratos existentes quanto de novas possibilidades de cooperação.

A escolha de Formosa para a primeira entrega é igualmente significativa. O Forte Santa Bárbara concentra o Comando de Artilharia do Exército e organizações diretamente ligadas ao emprego, treinamento, manutenção e logística de mísseis e foguetes. É ali que se encontra o Centro de Logística de Mísseis e Foguetes, responsável por sustentar a capacidade operacional do ASTROS.

ASTROS volta ao centro da atividade industrial 

O Sistema ASTROS continua sendo o principal ativo tecnológico e comercial da Avibras Aeroco. Desenvolvido no Brasil e exportado para diferentes países, o sistema permite empregar munições de diferentes calibres e alcances a partir de uma arquitetura móvel de lançadores, viaturas de comando, remuniciamento, apoio e controle de tiro.

Para o Exército, a disponibilidade regular de foguetes não se limita à formação de estoques. As munições de treinamento são necessárias para manter guarnições qualificadas, realizar exercícios de tiro e preservar a prontidão de unidades especializadas. Já os foguetes operacionais recompõem e ampliam a capacidade de fogo da Força Terrestre.

A retomada industrial ocorre paralelamente à evolução tecnológica do próprio ASTROS. Em agosto, Avibras Aeroco e Exército realizaram com sucesso mais uma etapa da certificação do Míssil Tático de Cruzeiro (MTC), no Centro de Avaliações do Exército, na Restinga da Marambaia (RJ). O armamento, integrado ao sistema, foi desenvolvido para alcançar alvos a até 300 quilômetros.

O Programa Estratégico ASTROS-FOGOS também contempla a evolução da artilharia brasileira para capacidades de maior alcance e precisão, incluindo o foguete guiado SS-40G e o MTC, além da modernização mais ampla da Artilharia de Campanha. 


Mudança de controle avança em paralelo 
A recuperação operacional ocorre ao mesmo tempo em que a estrutura de controle da empresa passa por nova transformação. Em agosto, a Globe Investimentos, veículo de investimentos pessoais de Joesley e Wesley Batista, acertou a aquisição da Nova AVB S.A., holding que controla integralmente a Avibras Aeroco.

Em 14 de setembro, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou a operação sem restrições, ao concluir que a transação representava essencialmente uma substituição de agente econômico, sem potencial de produzir problemas concorrenciais. O valor da aquisição não foi divulgado.

A combinação de novo capital, continuidade dos contratos militares e retomada das linhas industriais cria uma situação bastante diferente daquela enfrentada pela companhia nos últimos anos. A sustentabilidade dessa recuperação, porém, continuará dependendo de encomendas domésticas, exportações, investimentos em desenvolvimento tecnológico e capacidade de manter uma cadeia de fornecedores compatível com produtos de defesa de alta complexidade.

Um marco que pode ser mais importante que o tamanho do lote 

Mesmo sem a divulgação da quantidade entregue nesta terça-feira, o significado industrial do evento é claro. Para uma fabricante de sistemas complexos, voltar a produzir não significa apenas religar máquinas. É necessário requalificar processos, restabelecer fornecedores, assegurar matérias-primas e componentes, recompor equipes de engenharia e produção, executar controles de qualidade e atender aos requisitos de aceitação do cliente militar.

A primeira entrega ao Exército indica que a Avibras Aeroco conseguiu percorrer esse ciclo em aproximadamente cinco meses. Trata-se de um indicador concreto de recuperação de capacidade produtiva, ainda que não seja suficiente, isoladamente, para assegurar a sustentabilidade financeira de longo prazo da companhia.

O próximo ponto a observar será a cadência das entregas. Caso o lote esteja relacionado ao Contrato nº 130/2023, a empresa terá diante de si uma encomenda que, em sua configuração original, envolve milhares de foguetes e prazo contratual até o fim de dezembro. Se pertencer a outro instrumento, a entrega continuará tendo relevância própria e reforçará a existência de uma carteira em execução.

De qualquer forma, cinco meses depois de iniciar uma nova etapa empresarial, a fabricante do ASTROS voltou a fazer aquilo que constitui a razão central de sua existência: transformar tecnologia nacional em sistemas e munições entregues às Forças Armadas brasileiras.

06 julho, 2026

Plano para destravar o ATMOS une Elbit e Avibras Aeroco em Jacareí

Segundo o Estadão, o Ministro José Múcio obteve aval de Lula para acordo que tornaria o obuseiro israelense montado no Brasil; AEL Sistemas negocia com a Avibras Aeroco e o sistema PULS, da Elbit, entra no pacote; comandante do Exército visitou as 18 unidades fabris de Jacareí em 1º de julho; inauguração oficial do complexo foi adiada a pedido da Presidência 

ATMOS 2000

*LRCA Defense Consulting - 06/07/2026

A AEL Sistemas, subsidiária brasileira da israelense Elbit Systems, está negociando com a Avibras Aeroco um acordo que pode finalmente destravar a licitação bilionária por meio da qual o Exército Brasileiro pretende adquirir 36 viaturas blindadas de combate obuseiro autopropulsado de 155 mm sobre rodas (VBCOAP 155 mm SR). A informação é da coluna do jornalista Marcelo Godoy, publicada nesta segunda-feira (7) pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Segundo a coluna, o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro Filho, obteve do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o sinal verde para o acordo, que tornaria o ATMOS 2000 "100% nacional", expressão que traduz o enquadramento político da solução, não uma realidade industrial estrita, já que o obuseiro em si é produto israelense. A ideia é que a Avibras Aeroco, que retomou as operações em seu complexo de Jacareí (SP) após aporte de R$ 300 milhões de um grupo de investidores que inclui os irmãos Joesley e Wesley Batista, seja responsável pela montagem e integração local do sistema.

Licitação vencida, contrato suspenso
O ATMOS 2000, montado sobre chassi Tatra T-815 6×6, venceu em abril de 2024 a licitação internacional RFP/RFT COLOG nº 01/2023, superando o Zuzana 2 (Excalibur International, Tchéquia), o CAESAR (KNDS, França) e o SH-15 (Norinco, China). O valor estimado do contrato é de cerca de US$ 210 milhões (aproximadamente R$ 1 bilhão ou 180 milhões de euros, dependendo da cotação). A escolha foi considerada tecnicamente superior em desempenho, alcance, precisão e proposta de transferência de tecnologia.

O contrato, no entanto, foi suspenso ainda em 2024. O PT e aliados entendiam que a compra poderia contribuir indiretamente para o esforço de guerra israelense na Faixa de Gaza. Apesar do aval técnico do Tribunal de Contas da União (TCU), que em dezembro de 2024 rejeitou a medida cautelar da KNDS contra o resultado, e do visto político que o próprio Lula havia dado à compra original, as negociações permaneceram paralisadas. Como escreveu Godoy, parte do governo parecia seguir o ensinamento de Hans Morgenthau: as Forças Armadas são instrumento da política externa, não o seu senhor.

A Avibras como chave política e industrial
A solução desenhada pelo ministério serve a dois objetivos simultâneos. O primeiro é político: associar uma empresa brasileira de grande porte ao projeto reduz o peso simbólico da compra israelense e oferece ao governo uma narrativa de fortalecimento da indústria nacional. O segundo é industrial: a Avibras Aeroco, dona do maior complexo fabril de defesa da América Latina, com 2,7 milhões de metros quadrados e 18 unidades fabris encravadas na Serra do Mar, perto da Rodovia dos Tamoios, já opera o chassi Tatra, o mesmo utilizado no ASTROS II e previsto para o ATMOS.

Em 1º de julho, o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, acompanhado do comandante do Sudeste, general Ricardo Piai Carmona, e dos generais Everton Pacheco da Silva (Escritório de Projetos do Exército), Erb Lyra Leal (Departamento de Ciência e Tecnologia), Marcelo Lorenzi Zucco (2ª Divisão de Exército) e Evandro Luís Amorim Rocha (Aviação do Exército), visitou todas as unidades fabris do complexo de Jacareí. Embora o tema do ATMOS não tenha sido tratado diretamente na visita, a coluna do Estadão informa que a alternativa de nacionalização da montagem já é objeto de "conversas iniciais" entre a Força Terrestre, a Avibras Aeroco e a Elbit/AEL. Entre os generais, a solução é vista positivamente como vetor de desenvolvimento da Base Industrial de Defesa (BID).

A empresa hoje conta com 500 funcionários, cerca de um terço do efetivo de quando operava a pleno vapor, e deve entregar os primeiros dois lotes de munições ao Exército ainda em 2026. A Avibras Aeroco trata o tema do ATMOS com cautela, tanto por razões empresariais quanto políticas, já que está em fase inicial de retomada.

Sistema PULS

O PULS e a artilharia de precisão integrada
O pacote negociado vai além do obuseiro. Segundo a coluna do Estadão, a AEL Sistemas pode oferecer à Avibras Aeroco também o sistema de lançamento múltiplo de foguetes e mísseis Precise & Universal Launching System (PULS), desenvolvido pela Elbit. O PULS é uma plataforma de alta precisão e flexibilidade, capaz de disparar diferentes tipos de munições: foguetes não guiados, foguetes guiados e mísseis balísticos de teatro (TBMs - projéteis de curto e médio alcance projetados para atingir alvos dentro de um "teatro de operações" militar específico) a partir de uma mesma unidade de lançamento.

Tanto o ATMOS quanto o PULS podem ser montados sobre o chassi Tatra, o mesmo utilizado pela Avibras no ASTROS II. Segundo oficiais do Exército ouvidos pela coluna, essa compatibilidade abre caminho para uma evolução natural do ASTROS, com ganho expressivo de capacidade de fogo de precisão a longa distância. A integração simplificaria também a cadeia logística da Força Terrestre, que já opera e mantém o chassi tcheco.

É por meio do ASTROS que a Avibras Aeroco planeja lançar o Míssil Tático de Cruzeiro (MTC-300), com alcance de até 450 km e previsto para teste em novembro de 2026, e o futuro Míssil Tático Balístico (S+100), de natureza hipersônica. A eventual incorporação do PULS ao mesmo sistema de lançamento criaria uma plataforma de fogo de precisão que abrangeria desde foguetes não guiados até mísseis de teatro.

O contexto que pressiona por uma decisão
A urgência em torno do programa vai além do impasse político com Israel. O Exército Brasileiro opera hoje obuseiros com projetos de cerca de 70 anos. O general Tomás Paiva tem reiterado publicamente a necessidade de modernização da artilharia divisionária diante do novo cenário geopolítico, citando os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio como demonstração da centralidade do fogo de precisão, dos drones e dos mísseis no campo de batalha moderno. Na sexta-feira (4), o general reafirmou à coluna do Estadão com síntese direta: "Nós queremos drones."

No SSNTFT 2026, realizado em Brasília em 27 de maio, o mesmo general havia rompido com décadas de discurso oficial ao afirmar: "No passado, não tínhamos nenhuma ameaça na América do Sul. Hoje temos uma percepção de ameaça." Dias antes, o ministro Múcio, em encontro reservado com representantes da BID, havia sido ainda mais contundente: "A Defesa é precaríssima. A Defesa brasileira é incompatível com o tamanho e as potencialidades do Brasil. Nós não temos defesa."

É nesse ambiente que a solução Elbit/AEL/Avibras ganha tração. A perspectiva de um acordo de paz no Oriente Médio, somada à nacionalização da montagem, oferece ao governo Lula uma saída que preserva a escolha técnica do Exército sem o custo político de um contrato direto com empresa israelense em plena guerra. Para a BID brasileira, representa a possibilidade de que o maior programa de artilharia do Exército em décadas ancore capacidade produtiva real em território nacional.

Próximos passos... e um adiamento que fala por si
As conversas entre Exército, Avibras Aeroco e Elbit/AEL estão em estágio inicial. Não há anúncio oficial de contrato assinado. O desfecho depende da conclusão das negociações entre as empresas, da formalização do aval presidencial em instrumento contratual e, possivelmente, da evolução do quadro diplomático no Oriente Médio.

Nesse contexto, um detalhe da agenda chama atenção. A inauguração oficial do complexo de Jacareí, originalmente marcada para 2 de julho de 2026, foi adiada com poucos dias de antecedência a pedido formal da Presidência da República, para permitir a participação de autoridades do governo federal. 

A justificativa oficial é protocolar. Mas a coincidência com o momento em que o sinal verde presidencial para o acordo ATMOS/Avibras acaba de ser dado, segundo a coluna do Estadão, abre uma leitura alternativa, além de uma possível injeção de novos recursos e da mera capitalização política do evento: o governo pode preferir que a cerimônia ocorra já num estágio mais avançado ou formalizado das negociações, transformando a inauguração num marco político de peso, não apenas para a Avibras Aeroco, mas para o próprio governo Lula, que teria, enfim, uma narrativa de solução para um impasse que se arrasta há mais de dois anos.

09 outubro, 2025

MANSUP entra em nova fase: SIATT adapta viatura ASTROS dos Fuzileiros Navais para lançadores de mísseis


*LRCA Defense Consulting - 09/10/2025

A SIATT (Sistemas Integrados de Alto Teor Tecnológico) recebeu nesta semana a primeira viatura dos Fuzileiros Navais que passará por um extenso processo de modernização para operar os sistemas de lançamento do míssil antinavio brasileiro MANSUP (Míssil Antinavio Nacional de Superfície) e de sua variante de maior alcance, o MANSUP-ER (Extended Range).

O veículo, originalmente empregado em missões de apoio de fogo e transporte de lançadores convencionais, será adaptado para integrar plenamente as tecnologias nacionais desenvolvidas no âmbito do Programa MANSUP da Marinha do Brasil. Entre as modificações previstas estão reforços estruturais para acomodar o lançador e seus dispositivos de sustentação, instalação de sistemas de controle de tiro compatíveis com os novos armamentos, integração de comunicações seguras e modernização da arquitetura elétrica e eletrônica para suportar operações em ambientes marítimos e costeiros.

Esta etapa decorre diretamente da bem-sucedida prova de conceito realizada em dezembro de 2024, quando a Marinha efetuou o primeiro disparo operacional do MANSUP a partir de terra, validando a eficácia do sistema e sua integração com plataformas navais e terrestres. O MANSUP, com alcance aproximado de 70 km, e o MANSUP-ER, projetado para exceder 150 km, representam o núcleo da estratégia brasileira de autossuficiência em armamentos guiados antinavio, reduzindo dependência de fornecedores externos e garantindo maior autonomia tecnológica.

O projeto, conduzido em parceria entre a SIATT, a Marinha do Brasil e empresas do setor de defesa, faz parte de um esforço mais amplo de nacionalização de sistemas estratégicos, enquadrado no portfólio da Estratégia Nacional de Defesa. A viatura modernizada deverá servir tanto para missões de defesa costeira e proteção de infraestruturas marítimas críticas quanto para exercícios conjuntos com outras forças, ampliando consideravelmente a capacidade de dissuasão e resposta dos Fuzileiros Navais.

Além do aspecto tecnológico, a adaptação de veículos para o lançamento do MANSUP e MANSUP-ER cria novas oportunidades para a indústria nacional, que passa a dominar processos de integração complexos envolvendo sensores, controle de tiro, sistemas de navegação inercial e integração com radares de vigilância. Para a SIATT, especializada em sistemas inteligentes de missão, este marco simboliza mais um passo na consolidação do Brasil como desenvolvedor de soluções de alto desempenho no cenário internacional de defesa. 

21 março, 2025

FAB realiza transporte inédito da viatura ASTROS da Marinha acoplada ao Míssil MANSUP

 


*LRCA Defense Consulting - 21/03/2025

O Brasil avança na modernização de sua defesa com a integração entre poder aéreo e mísseis de longo alcance. Em uma operação conjunta, a Força Aérea Brasileira (FAB) e a Marinha do Brasil (MB) demonstram a capacidade do KC-390 Millennium de transportar o Sistema ASTROS II acoplada ao míssil anti-navio MANSUP (Míssil Anti-navio Nacional de Superfície).

A ação representa um salto estratégico para as Forças Armadas, que passam a contar com maior interoperabilidade, flexibilidade, pronta resposta e alcance no deslocamento de armamentos pesados, como o míssil anti-navio MANSUP. O transporte do ASTROS pelo KC-390 garante que o Brasil possa reposicionar rapidamente seu poder de fogo para qualquer região do país, reforçando a capacidade de defesa e dissuasão.

“Essa missão em conjunto com a Marinha do Brasil é fundamental tanto para a realização do exercício operacional em Fortaleza quanto para o fortalecimento dos laços entre as Forças”, destacou o Comandante da aeronave, Capitão Aviador Israel Amorim Barbosa Leal.

Mobilidade Estratégica
A Operação coordenada pelo Comando de Operações Aeroespaciais (COMAE) por meio do Primeiro Grupo de Transporte de Tropa (1º GTT) - Esquadrão Zeus - unidade da FAB responsável pela operação do KC-390, realizou, pela primeira vez, nesta sexta-feira (21/03), o transporte do sistema de artilharia ASTROS, com saída na Base Aérea do Galeão (BAGL) e destino a Fortaleza (CE), realizando uma escala técnica em Salvador (BA). O ASTROS, que pesa aproximadamente 24 toneladas, foi embarcado na aeronave e deslocado para o Nordeste em poucas horas, pousando às 16h30 em Fortaleza, demonstrando a rapidez com que as Forças Armadas podem redistribuir seus meios de combate.

Essa mobilidade estratégica permite que o Brasil projete seu poder militar com rapidez, seja para a defesa de suas fronteiras terrestres, seja para a proteção da Amazônia Azul, área marítima de 5,7 milhões de quilômetros quadrados sob jurisdição brasileira.

Operação “Jeanne d’Arc 2025”
O envio do sistema de mísseis Astros está relacionado à operação da Marinha do Brasil (MB) e da Marinha Nacional da França (MNF), que iniciaram, no dia 16/03, a Operação "Jeanne d'Arc 2025". O exercício conjunto, que ocorre até 02/04 nas proximidades de Fortaleza, tem como objetivo aprimorar a interoperabilidade entre as Forças e fortalecer a cooperação bilateral.

Interoperabilidade entre as Forças
A operação reflete um novo paradigma na defesa nacional, em que Exército, Marinha e FAB atuam de forma integrada. O ASTROS II, desenvolvido no Brasil, é um dos mais avançados sistemas de lançamento de foguetes do mundo e, agora, pode ser reposicionado rapidamente pelo KC-390 para reforçar pontos estratégicos do país.

Além disso, o sistema é capaz de disparar o míssil anti-navio MANSUP (Míssil Anti-navio Nacional de Superfície), projetado para atingir alvos a distâncias superiores a 70 quilômetros. Essa capacidade amplia a defesa do litoral brasileiro, permitindo que o Exército e a Marinha possam neutralizar ameaças navais.

Pronta Resposta
Com o uso do KC-390, a FAB pode posicionar o ASTROS em qualquer local do território nacional em até 24 horas. Além da velocidade no deslocamento, o KC-390 tem capacidade de operar em pistas não preparadas, o que significa que pode pousar em regiões remotas e estratégicas. Isso amplia as possibilidades de emprego da artilharia de foguetes, que pode ser usada em qualquer ponto do Brasil em um curto espaço de tempo.

Capacidades Operacionais do KC-390 Millennium
O KC-390 Millennium é um cargueiro estratégico com capacidade para transportar até 26 toneladas de carga, incluindo veículos pesados, equipamentos e até mesmo cargas humanitárias, sendo capaz de realizar diversas missões, como transporte aéreo logístico, reabastecimento em voo, evacuação aeromédica, busca e salvamento, entre outras. A aeronave é reconhecida por sua alta capacidade de carga, velocidade e alcance, características que a posicionam como uma das mais avançadas de sua categoria.




*Com informações da Força Aérea Brasileira e da Marinha do Brasil

10 fevereiro, 2024

Protegendo o litoral – por que a Artilharia de Costa está de volta à agenda

Míssil antinavio ucraniano R-360 Neptune logo após o lançamento, mostrando o propulsor que cai após o motor turbojato principal ser ligado

*Shephard Media, por Christopher F Foss - 09/02/2024

Acontecimentos como o naufrágio do cruzador russo Moskva pela Ucrânia, em Abril de 2022, utilizando um sistema de mísseis Neptune, realçaram a crescente ênfase colocada na defesa costeira por vários países, especialmente na Europa.

Na maioria dos países ocidentais, a artilharia de costa desapareceu há muitos anos (na década de 1950, no Reino Unido e nos EUA), mas as nações nórdicas, como a Dinamarca, a Noruega, a Finlândia e a Suécia, mantiveram as suas defesas até ao final da Guerra Fria.

Eram uma mistura de canhões de torre estática, como o Bofors ERSTA de 120 mm implantado pela Noruega e pela Suécia, artilharia móvel e mísseis.

Mas hoje em dia, um número crescente de países procura expandir a sua capacidade de disparos costeiros de longo alcance, principalmente com mísseis superfície-superfície altamente móveis.

Dado o seu sucesso em combate, o sistema R-360 Neptune da Ucrânia pode ser visto como um exemplo desta tecnologia. O míssil, que também pode ser lançado do ar, foi desenvolvido pelo departamento de design Luch.

De acordo com o contratante principal, uma bateria típica de defesa costeira de Neptuno consistiria num posto de comando móvel, 48 mísseis, quatro lançadores autopropulsados ​​cada um com quatro munições, quatro veículos de carregamento, quatro veículos de transporte e um conjunto de equipamento de apoio terrestre.

Todas as unidades são baseadas em uma plataforma com rodas 8x8 ou 6x6 para mobilidade estratégica, com velocidades máximas declaradas de 70 km/h.

O míssil de propulsor sólido de 420 mm de diâmetro tem um alcance máximo de disparo de 300 km e usa um buscador de radar ativo montado no nariz, com até oito pontos de referência para dificultar a detecção.

Logo após o míssil deixar o lançador, o propulsor cai e o motor principal é ligado; na fase terminal o míssil está apenas três a dez metros acima das ondas.

Os lançadores podem estar localizados a até 25 km da costa com alvos detectados por via aérea (incluindo UAVs), satélites e radares terrestres ou marítimos.

O número de mísseis lançados depende do alvo, como os dois que atingiram o Moskva (nau capitânia da frota russa no Mar Negro) , infligindo pesados ​​danos que mais tarde o afundaram enquanto estava sendo rebocado.

Os quatro lançadores podem disparar uma salva de 16 mísseis ao mesmo tempo contra alvos bem defendidos para superar as contramedidas do navio, sendo o intervalo entre as salvas de três a cinco segundos.

Assim que a missão de fogo for concluída, os lançadores e veículos associados se moverão para serem recarregados e evitar a detecção.

Além desta capacidade interna, os EUA também concordaram recentemente em fornecer à Ucrânia duas baterias de mísseis Boeing Harpoon para a função de defesa costeira.

Este sistema dos EUA também é favorecido noutro potencial ponto de conflito, Taiwan, com os EUA a aprovarem a venda a Taipei de um sistema de defesa costeira baseado no mais recente modelo Harpoon, que inclui 100 lançadores, 400 mísseis Block II e equipamento de treino.

Na Turquia, a Roketsan desenvolveu o míssil antinavio Atmaca como substituto dos Harpoons fornecidos pelos EUA e está a ser comercializado um modelo de veículo de defesa costeira. O Atmaca tem um alcance de pelo menos 220 km com uma ogiva de 220 kg.

Enquanto isso, a China desenvolveu uma tecnologia baseada em armas para esta função, com a NORINCO comercializando um 'Sistema de Armas de Defesa Costeira de 155 mm' normalmente consistindo de três baterias, cada uma com seis obuseiros rebocados de 45 ou 52 cal e radar de apoio, postos de comando e observação.

O alcance máximo depende do projétil e da carga, mas disparar um projétil assistido por foguete de alcance total e de alcance estendido (ERFB-BB) a partir de um sistema 52cal é eficaz em até 51 km. Além disso, projéteis de artilharia guiados por laser podem ser usados ​​para efeito de precisão.

De volta à Europa, a Espanha oferece um equivalente com uma versão do obus SBT General Dynamics European Land Systems-Santa Barbara Sistemas 155mm 155/52 APU otimizado para a missão de defesa costeira e acoplado a um posto de comando e radar associado.

Ao disparar um projétil M107 HE padrão, o alcance máximo é de 18 km, mas pode ser estendido para 41 km usando um projétil ERFB BB.

O equivalente da Marinha Russa é o sistema de artilharia costeira móvel A-222 Bereg 130 mm, oferecido para exportação como Bereg-E.

Os três elementos principais do sistema de artilharia costeira russo A-22 2 Bereg 130 mm são vistos aqui: o veículo de apoio ao combate MOBD, o posto CPU C2 e a unidade de fogo SAU. (Foto: Rosoboronexport)

Todos os elementos são baseados no chassi do caminhão MAZ-543M 8x8, que possui um alto nível de mobilidade cross-country. Como estes não são mais construídos, seria necessária uma nova plataforma para qualquer produção futura. Um sistema Bereg completo normalmente consistiria em um veículo C2 (CPU), um veículo de apoio ao combate (MOBD) e até seis unidades de fogo (SAU).

Os SAUs são equipados com um canhão de 130 mm montado na torre, que também é encontrado a bordo de alguns navios da marinha russa e dispara os mesmos tipos de munição a um alcance máximo de 22 km, com uma cadência máxima de tiro de 12 tiros por minuto.

Embora a Suécia tenha dissolvido o seu braço de artilharia costeira há anos, manteve alguns mísseis Saab RBS 15 instalados em caminhões Scania 6x6, bem como lançadores para o Hellfire dos EUA otimizados para a missão de defesa costeira. Esses Hellfires guiados por laser têm a designação sueca RBS 17 e são equipados com uma ogiva de fragmentação de explosão projetada localmente.

Além da Suécia, a Croácia e a Finlândia também utilizam o RBS 15 para a defesa costeira. A plataforma do caminhão 6x6 normalmente possui quatro mísseis em recipientes que são elevados antes do lançamento.

De acordo com a Saab, o sistema foi projetado para fornecer um alto grau de semelhança entre instalações em navios e em terra, o que significa que mísseis e outros equipamentos podem ser compartilhados e usados ​​em diferentes plataformas.

O míssil de produção atual é o RBS 15 Mk 3, disponível no mercado com alcance máximo de cerca de 200 km. Uma característica fundamental do sistema RBS 15 mais amplo é que ele é modular e extensível, permitindo ao cliente dimensionar e adaptar a cobertura de lançadores, radares e postos de comando para corresponder a novos perfis de ameaça.

O desenvolvimento da próxima geração do RBS 15, o Mk 4 Gungnir, está em andamento, com o compromisso de compatibilidade, permitindo uma transmissão suave para os operadores do Mk 3.

O Míssil de Ataque Naval (NSM) de Kongsberg, normalmente lançado em navios, também constitui a base do Sistema de Defesa Costeira (CDS) comercializado pela empresa norueguesa. Isto já foi exportado, primeiro para a Polônia e, mais recentemente, para a Romênia e a Letônia através do sistema FMS dos EUA.

O núcleo do NSM CDS é o Fire Control Center (FCC), que também fornece gerenciamento de batalha C4I. Isto aproveita o Centro de Direção de Fogo usado no sistema de mísseis de defesa aérea NASAMS de Kongsberg, com mais de 120 unidades já entregues.

O lançador do CDS normalmente fica em um caminhão 8x8 ou 6x6, que pode ter cabine protegida, com quatro NSMs implantados em vasilhames na traseira do veículo. O elemento final é um radar de vigilância e rastreamento marítimo que normalmente seria selecionado pelo cliente.

Lançador do Sistema de Defesa Costeira Polonês Kongsberg NSM baseado em um chassi Jelcz 6x6 com cabine protegida dispara um de seus mísseis de ataque naval. (Foto: Kongsberg)

O NSM CDS foi implantado pela Marinha Polaca na sequência de contratos assinados em 2008 e 2011 abrangendo 50 mísseis. Este sistema está operacional há mais de 12 anos e seus lançadores são baseados no caminhão local Jelcz 6x6, juntamente com radares TRS-15C, veículos de controle e comando de fogo. Um segundo lote de mísseis e lançadores foi encomendado.

Mais recentemente, o NSM foi selecionado pelo USMC como parte do Sistema de Interdição de Navios Expedicionários da Marinha (NMESIS). O lançador para esta aplicação é um veículo tático leve conjunto Oshkosh controlado remotamente que transporta dois mísseis.

Em busca de novas oportunidades, Kongsberg se uniu à Thales Australia para oferecer o conceito de equipe de fogo StrikeMaster para atender aos requisitos do sistema antinavio terrestre Land 4100 Fase 2 de Canberra.

Todos os elementos do veículo seriam baseados no Thales Australia Bushmaster 4x4, que já está em serviço na Austrália e em outras operadoras. A FCC proposta é semelhante àquela usada com NASAMS pelo Exército Australiano.

Um ponto a favor desta candidatura é que o NSM já foi escolhido para navios da Marinha Real Australiana. De acordo com Kongsberg, “o sistema NSM é insuperável no esperado ambiente negado do futuro e pode ser transferido entre caminhões e navios, se necessário”.

Também competindo neste espaço está o MBDA com o Sistema de Defesa Costeira de Marte (MCDS), que utiliza os mísseis Marte Mk 2/N ou Marte Extended Range (ER).

Normalmente haveria quatro caminhões lançadores com quatro mísseis cada (ou os mísseis podem ser disparados de um palete sobre macacos), além de um centro C2 em contêiner e um módulo logístico.

O atual Marte Mk 2/N é supersônico e possui uma ogiva HE semiperfurante equipada com fusíveis de impacto e proximidade com um alcance máximo de cerca de 30 km. O ER mais recente tem um alcance máximo de mais de 100 km e é guiado usando navegação inercial no meio do curso através de waypoints e uma fase terminal de radar ativo.

O primeiro cliente do MCSD é o Qatar, que também encomendou o mais recente Exocet MM40 Block III.

Outro concorrente para contratos de defesa costeira é o míssil Blue Spear desenvolvido pela Proteus Advanced Systems, uma JV entre a IAI de Israel e a ST Engineering para atender aos requisitos da Marinha da República de Singapura.

Foi desenvolvida uma versão terrestre e, em outubro de 2021, o Centro Estônio para Investimento em Defesa assinou um contrato com a Proteus para fornecer a Blue Spear para a função de defesa costeira.

O Blue Spear tem um alcance de pelo menos 290 km a uma velocidade subsônica de Mach 0,85. Ele possui modos de operação disparar e esquecer e disparar e atualizar, com capacidade de navegação no mar em baixo nível.

A Rússia também utiliza mísseis para missões de defesa costeira há muitos anos, sendo alguns deles exportados.

Os antigos mísseis antinavio terrestres 4K51 Rubezh (alcance máximo de 80 km) e P-35B Redut (270 km) foram substituídos na Marinha Russa pelos mais capazes K-300P Bastion P e 3K60 Bal.

O Bastion-P é transportado e lançado a partir de uma plataforma 8x8 e lança verticalmente dois mísseis P-800 Oniks que possuem um motor propelente sólido e um ramjet para capacidade supersônica.

O alcance máximo é estimado em 300 km e o Oniks usa um buscador de radar ativo, um buscador de imagens IR e uma ogiva de 200/250 kg. Além disso, existe uma versão estática chamada Bastion-S.

O 3K60 Bal também é baseado em uma plataforma MZKT-7930 8x8 e carrega oito mísseis subsônicos 3M-24 em duas camadas de quatro. Estes têm um alcance máximo de até 120 km com uma ogiva semiperfurante. Mais recentemente, uma versão melhorada foi lançada com maior alcance e é usada em conjunto com orientação por satélite.

Uma bateria típica compreenderia um veículo de comando, dois veículos lançadores e dois veículos de reabastecimento. Estes sistemas russos têm os seus próprios elementos C2 e radares, mas normalmente estariam ligados a uma rede global mais ampla com outros recursos.

Além de armas e mísseis, sistemas de foguetes de artilharia também são implantados por alguns países na função de defesa costeira.

A Avibras do Brasil desenvolveu uma versão específica para a missão do lançador múltiplo de foguetes Astros II, enquanto os Emirados Árabes Unidos implantam o lançador de berço múltiplo de 122 mm da Jobaria Defense Systems na função antianfíbio. Isto pode ser equipado com cápsulas de foguetes não guiados Roketsan de 122 mm ou 300 mm que seriam disparados contra embarcações de desembarque que se aproximassem.

O Avibras Astros II é um dentre um número relativamente pequeno de sistemas de foguetes de artilharia oferecidos especificamente para a função de defesa costeira. (Foto: Avibras)

É então evidente que, em pontos de conflito atuais e potenciais em todo o mundo, desde o Báltico ao Mar Vermelho e ao Estreito de Taiwan, um número crescente de tecnologias de mísseis, obuseiros e foguetes estão sendo adaptados e implantados para dissuadir e derrotar ameaças navais. Se isto representa uma reposição ou adição de defesas que ocorre uma vez numa geração, ou se este foco continuará a longo prazo, dependerá em grande parte das mudanças geopolíticas e do curso dos conflitos.
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Mísseis antinavio MANSUP
A LRCA Defense Consulting lembra que a brasileira SIATT, em parceria com o Grupo EDGE, está desenvolvendo os mísseis antinavio MANSUP e MANSUP-ER que equiparão as novas fragatas da classe Tamandaré da Marinha do Brasil e que também poderão receber a configuração terrestre para atuar como Artilharia de Costa.

As soluções MANSUP estão passando por testes intensivos pela frota naval do Brasil e, eventualmente, também serão adaptadas para integração em sistemas aéreos e terrestres selecionados.

Outro destaque a lembrar é a crescente capacidade da Índia em produzir mísseis de todos os tipos, como o míssil supersônico de cruzeiro BrahMos para a defesa costeira, que já foi exportado para as Filipinas.

01 novembro, 2023

A principal artilharia de foguetes do exército brasileiro (visão da mídia oficial do exército vietnamita)

O Jornal do Exército Popular do Vietnã (Quân dôi nhân dân) trouxe hoje sua visão sobre o Sistema Astros II.

Lançador de foguetes Astros II. Foto de: Portaldefesa
 

*Quân dôi nhân dân - 01/11/2023

Astros II é um sistema de foguetes de lançamento múltiplo projetado, desenvolvido e fornecido pela empresa de defesa brasileira Avibras para as forças armadas do país, bem como para exportação.

Baseado no chassi do veículo blindado com rodas 6x6 Tectran VBT-2028, todo o sistema Astros II tem peso de 24 toneladas, comprimento de 9,9m, largura de 2,8m e altura de 3,2m, com tripulação de 4 pessoas. Dependendo do tamanho da bala, os contêineres contêm 32, 8 ou 4 foguetes.

Se comparado com outros modelos do mesmo segmento, como o BM-21 Grad da Rússia ou o M142 HIMARS da América, o Astros II não é muito notável. No entanto, possui uma vantagem significativa que outras linhas de artilharia de foguetes não possuem, que é a capacidade de implantar muitos tipos diferentes de foguetes para cada tipo específico de missão.

Assim, o Astros II pode disparar 4 tipos de foguete: SS-30 127mm (alcance 30km), SS-40 180mm (35km), SS-60 300mm (60km) e SS-80 300mm (85-90km).

Por outro lado, um sistema Astros II  pode lançar muitos tipos diferentes de munição simultaneamente quando seu lançador móvel é projetado aberto com compartimentos de munição separados.

Além disso, os componentes do sistema Astros II  MLRS também incluem um veículo de reconhecimento e um veículo de comando por radar que permitem que as unidades se coordenem entre si de forma mais eficaz, especialmente quando esta arma está equipada com foguete guiados.

Com base em alguns dos parâmetros básicos mencionados acima, podemos concluir temporariamente que o Astros II possui capacidades de combate abrangentes para um modelo moderno de artilharia de foguetes de lançamento múltiplo, adequado para todas as forças de artilharia.

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