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30 abril, 2023

Em AGO/AGE, Taurus aprova recompra de ações, dividendos e reserva estatutária


*LRCA Defense Consulting - 30/04/2023

Em AGO/AGE ocorrida no dia 28 de abril, os acionistas da Taurus Armas S.A. aprovaram a pauta de propostas apresentada pelo Conselho de Administração e pela Diretoria da empresa.

As principais medidas aprovadas dizem respeito à atualização/alteração do Estatuto Social, à distribuição de dividendos e à criação da Reserva Estatutária.

Assim, foi aprovada a proposta de alteração do Artigo 41 e parágrafo único do Estatuto Social, para a criação de Reserva Estatutária, que passa a vigorar com a seguinte redação:

Artigo 41. A parcela dos lucros que remanescer após as deduções previstas nos artigos anteriores, observada proposta da administração, será destinado para a constituição de reserva para investimentos, com a finalidade de preservar a integridade do patrimônio social, fazer frente a planos de investimentos e acréscimo de capital de giro, permitir programas de recompra de ações de emissão da Companhia, viabilizar planos de outorga de opções de compra de ações e de outros planos de remuneração baseados em ações ou benefícios aos administradores e/ou empregados da Companhia ou de sociedades sob seu controle, permitir a absorção de prejuízos, sempre que necessário, e permitir a distribuição de dividendos a qualquer momento.

Parágrafo Único - O saldo dessa reserva, em conjunto com as demais reservas de lucros, exceto as para contingências, de incentivos fiscais e de lucros a realizar, não poderá ultrapassar o valor do capital social realizado. Atingido esse limite, a Assembleia deverá destinar o excesso à integralização ou aumento do capital social, ou à distribuição de dividendos
."

Nessa alteração, os textos grifados acima por esta Consultoria são os mais relevantes, haja vista que viabilizam um programa de recompra de ações (buyback) e a distribuição de dividendos a qualquer momento, dois itens que eram reivindicações recorrentes dos acionistas da empresa.

Observa-se aqui que a Reserva, "caso ultrapasse o valor do Capital Social", obrigará a empresa, em Assembleia, a "destinar o excesso à integralização ou aumento do capital social, ou à distribuição de dividendos". É relevante ressaltar que, segundo o Art. 41, para a Taurus realizar um programa de recompra de ações ou distribuir dividendos intercalares, basta apenas haver a Reserva, não sendo necessário que o valor desta iguale ou ultrapasse o valor do Capital Social.

Para este ano, foi aprovada uma Reserva no valor de R$ 304.701.727,29, correspondente à parcela dos lucros que remanesceu após as deduções previstas, observada a proposta da administração.

Foi também aprovada a distribuição de R$ 164.070.160,85 correspondentes aos dividendos obrigatórios da Companhia, equivalentes a 35% do lucro líquido ajustado, no valor de R$ 1,29562043803978 por ação ordinária ou preferencial. O pagamento dos dividendos ocorrerá em 09 de maio de 2023, sem qualquer atualização ou juros entre a data da Assembleia e a data do seu pagamento, utilizando-se como base a posição dos acionistas em 28/04/2023.

Foi ainda atualizado o capital social da Companhia (Art. 5º do Estatuto), passando a ser de R$ 367.935.517,53, representado por 126.634.434 ações, sendo 46.445.314 ações ordinárias e 80.189.120 ações preferenciais, todas nominativas, escriturais e sem valor nominal. Com esta quantidade de ações, e apenas em um exercício hipotético, caso a empresa resolvesse destinar toda a Reserva Estatutária para novos dividendos, isso representaria mais R$ 2,40 por ação. No entanto, como é bastante provável que, dos R$ 304 milhões, uma parcela seja destinada ao Programa de Recompra de Ações, esta Consultoria estima que tal valor possa se situar entre R$ 1,50 e R$ 1,80.

Outras propostas aprovadas: a fixação do número de seis vagas para compor o Conselho de Administração da Companhia para o novo mandato a ter início após a posse dos eleitos nessa Assembleia; a eleição dos membros para compor o Conselho de Administração com mandato de dois anos, até a Assembleia Geral Ordinária a ser realizada em 2025; a eleição ou recondução dos membros titulares e respectivos suplentes para compor o Conselho Fiscal; a remuneração anual global do Conselho de Administração, da Diretoria e do Conselho Fiscal para o exercício social de 2023; a substituição do Plano de Outorga de Opção de Compra de Ações (Stock Options) por novo Plano de Outorga de Ações (Stock Grant), nos termos propostos pela administração; e a consolidação do Estatuto Social da Companhia.

03 abril, 2023

Taurus criará reserva estatutária para dividendos complementares, recompra de ações e investimentos


*LRCA Defense Consulting - 03/04/2023

Na AGO/AGE marcada para 28 de abril próximo, a Taurus Armas S.A. submeterá a seus acionistas, entre outras propostas, o pagamento de dividendos anuais obrigatórios (35% do LLA) no valor de R$ 1,295620 por ação e criação de reserva estatutária no valor de R$ 304.702,00, esta com a finalidade de utilização dos recursos para fazer frente a:
- recompra de ações no âmbito do Plano de Outorga de ações (Stock Grant) que, caso aprovado, substituirá o atual Plano de Opção de Compra;
- investimentos, nos termos do plano de investimentos da Companhia;
- absorção de prejuízos, quando necessário;
- distribuição de dividendos a qualquer momento, conforme propostas a serem apresentadas ao longo do exercício, desde que tal pagamento não afete o caixa operacional da Companhia.



 

 

23 fevereiro, 2023

Apesar de queda nas vendas e no lucro de 2022, ações da Ruger, concorrente da Taurus nos EUA, disparam


*LRCA Defense Consulting - 23/02/2023

A Ruger, concorrente da Taurus Armas nos Estados Unidos, divulgou hoje seus números relativos ao 4T22 e ao ano de 2022, reportando queda na margem bruta, nas vendas líquidas e no lucro em relação a 2021, ano em que a demanda foi fora da curva e atipicamente alta devido às eleições presidenciais, à pandemia e aos distúrbios civis que abalaram os EUA.

Por outro lado, os números do 4T22 encorajam a empresa, que se mantém firme no propósito de continuar com uma "abordagem disciplinada", "foco no longo prazo", "forte geração de caixa", "desenvolvimento de novos produtos" e dívida equacionada.

As boas perspectivas da empresa e o anúncio de dividendos correspondentes a 40% do lucro líquido animaram os investidores americanos, que valorizaram suas ações em quase 8%, após terem subido mais de 9% durante o pregão.

Um especialista consultado por esta editoria sobre o motivo de tal alta, mesmo com as quedas verificadas no lucro e nas vendas em 2022 com relação a 2021, respondeu que "além do fato de 2021 ter sido incomparável, o investidor americano é muito mais maduro e tem foco no longo prazo, diferentemente do investidor comum brasileiro, que se atém ao curtíssimo prazo e às manchetes superficiais de sites e jornais. O que o americano analisa é a saúde da empresa e suas perspectivas de crescer, gerar caixa e proporcionar valor para o acionista".

Confira a matéria da Yahoo Finance:

*Yahoo! Finance - 23/02/2023

A Sturm, Ruger & Company, Inc. (NYSE-RGR) anunciou hoje que para 2022 a empresa reportou vendas líquidas de US$ 595,8 milhões e ganhos diluídos de US$ 4,96 por ação, em comparação com vendas líquidas de US$ 730,7 milhões e ganhos diluídos de US$ 8,78 por ação em 2021.

No quarto trimestre de 2022, as vendas líquidas foram de US$ 149,2 milhões e os ganhos diluídos foram de US$ 1,06 por ação. Para o período correspondente em 2021, as vendas líquidas foram de $ 168,0 milhões e os ganhos diluídos foram de $ 2,14 por ação.

A Empresa também anunciou hoje que seu Conselho de Administração declarou um dividendo de 42 centavos por ação para o quarto trimestre para os acionistas registrados em 10 de março de 2023, pagável em 24 de março de 2023. Esse dividendo varia a cada trimestre porque a Empresa paga um percentual de lucro em vez de um valor fixo por ação. Esse dividendo é de aproximadamente 40% do lucro líquido.

O CEO Christopher J. Killoy comentou sobre os resultados financeiros do ano: "A demanda do consumidor em 2022 ficou abaixo do nível de demanda em 2021, atenuada em parte pelas pressões inflacionárias, que muitas vezes restringem os gastos discricionários. Isso levou a uma redução de 18% em nossas vendas em relação ao ano anterior. No entanto, estamos encorajados por nossas vendas e produção trimestrais aumentadas no quarto trimestre. Nossa abordagem disciplinada e foco de longo prazo renderam forte fluxo de caixa, investimento em nosso desenvolvimento de novos produtos e uma dívida robusta.

O Sr. Killoy reiterou o compromisso da empresa com o desenvolvimento de novos produtos: "Continuamos a aprimorar nosso catálogo de produtos com novas armas de fogo empolgantes e inovadoras que atenderam à forte demanda do mercado.

O Sr. Killoy concluiu reafirmando a filosofia de capital da empresa: "Nosso foco na disciplina financeira e no cultivo de valor de longo prazo para os acionistas é inabalável. Continuamos a avaliar as oportunidades, mas as perseguiremos apenas se elas fornecerem valor de longo prazo para nossos acionistas. Quando acreditarmos que nossa posição de caixa excede significativamente nossos requisitos de financiamento previsíveis para operações, incluindo investimento de capital, dividendos trimestrais e necessidades de capital de giro, devolveremos caixa a nossos acionistas, como fizemos recentemente em janeiro com um dividendo especial de $ 5,00 por ação."

O Sr. Killoy fez as seguintes observações relacionadas ao desempenho da Empresa em 2022:

- A venda unitária estimada dos produtos da Empresa dos distribuidores independentes para os varejistas diminuiu 25% em 2022 em comparação com o período do ano anterior. No mesmo período, as verificações de antecedentes do NICS, conforme ajustado pela National Shooting Sports Foundation, diminuíram 11%. Essas reduções são atribuíveis à diminuição da demanda do consumidor por armas de fogo em relação aos níveis sem precedentes do aumento que começou em 2020 e permaneceu durante a maior parte de 2021. A maior redução na venda de produtos da empresa em relação às verificações de antecedentes NICS ajustadas pode ser atribuída a a seguir:

  • Promoções mais agressivas, descontos, abatimentos e extensão dos prazos de pagamento oferecidos por nossos concorrentes,
  • Um aparente aumento nas vendas de armas de fogo usadas no varejo, que estão incluídas nas verificações ajustadas do NICS, mas não são diferenciadas das vendas de armas novas, e
  • A diminuição dos estoques dos varejistas como a antecipação de mais descontos pode estar encorajando um comportamento de compra cauteloso por parte dos varejistas.

- As vendas de novos produtos, incluindo a pistola MAX-9, a pistola LCP MAX, os rifles Marlin 1895 de ação de alavanca, LC Carbine, PC Charger e Small-Frame Autoloading Rifle representaram US$ 78,4 milhões ou 14% das vendas de armas de fogo em 2022. Vendas de novos produtos incluem apenas os principais novos produtos que foram introduzidos nos últimos dois anos.

- Nossa lucratividade diminuiu em 2022 em relação a 2021, pois nossa margem bruta diminuiu de 38% para 30%. A margem mais baixa foi impulsionada pela desalavancagem desfavorável dos custos fixos resultante da diminuição da produção e das vendas, bem como aumentos de custo inflacionários em materiais, commodities, serviços, energia, combustível e transporte, que foram parcialmente compensados ​​pelo aumento dos preços.

- Em 2022, o estoque de produtos acabados da Companhia e os estoques dos distribuidores de produtos da Companhia aumentaram 92,2 mil unidades e 134,2 mil unidades, respectivamente, voltando a um nível razoável que permitirá o rápido atendimento da demanda do varejista.

- O caixa gerado pelas operações durante 2022 foi de US$ 77,2 milhões. Em 31 de dezembro de 2022, nosso caixa e investimentos de curto prazo totalizaram US$ 224,3 milhões. Nossa relação atual é de 2,2 para 1 e não temos dívidas.

- Em 2022, os gastos de capital totalizaram US$ 27,7 milhões relacionados ao lançamento de novos produtos, atualizações de nossos equipamentos e instalações de fabricação e a compra de uma instalação de 225.000 pés quadrados previamente alugada em Mayodan, Carolina do Norte, por US$ 8,3 milhões para uso nas operações de fabricação e armazenamento da empresa. .

- Em 2022, a Empresa devolveu US$ 42,9 milhões a seus acionistas, principalmente por meio do pagamento de dividendos. Um adicional de $ 88,3 milhões foi devolvido aos seus acionistas em 5 de janeiro de 2023 por meio do pagamento de um dividendo especial de $ 5,00 por ação aos acionistas.

- Em 31 de dezembro de 2022, o patrimônio líquido era de US$ 316,7 milhões, o que equivale a um valor contábil de US$ 17,93 por ação, dos quais US$ 12,70 por ação eram caixa e investimentos de curto prazo.

08 dezembro, 2022

Na APIMEC, Taurus mostra força e sugere dividendos extraordinários e crescimento por novas JVs ou aquisições


*LRCA Defense Consulting - 08/12/2022

Em apresentação na APIMEC realizada ontem (07), a Taurus Armas S.A. trouxe importantes informações ao mercado sobre sua atualidade e perspectivas.

Para tanto, em boa parte do evento a empresa procurou "excluir" os números de 2020 e de 2021, haja vista que foram anos completamente atípicos, já que, nesse período, a excepcional demanda havida no mercado dos EUA foi totalmente fora do normal devido à "tempestade perfeita" causada pela pandemia, pela conturbada eleição presidencial e pelos distúrbios civis que ocorreram. Como o seu Setor de Inteligência de Mercado anteviu o fato, a empresa pode surfar nessa demanda, obtendo seus melhores e históricos resultados.

No entanto, após cessados tais fatores, o mercado americano não retornou à sua normalidade pré-pandemia. A intenção de compras de armas medida pelo número NICS ajustado tem demonstrando que os consumidores continuam buscando o produto em níveis elevados e muito superiores às médias do período anterior. Com uma longa sequência de meses com o número NICS ajustado no patamar acima de 1 milhão, analistas americanos do setor acreditam que este tenha passado a se constituir no "novo normal" para o mercado de armas de fogo dos EUA. Corroborando essa tese, o NICS ajustado dos primeiros nove meses deste ano (9M22) é o terceiro maior da história, sendo 60,5% superior à média pré-pandemia. 

A Taurus mostrou que suas vendas cresceram 50,6%, comparando os 9M18 com os 9M22, enquanto que o NICS cresceu 29,3% na mesma base de comparação, o que leva a concluir que a empresa teve um significativo aumento de market share no mercado americano.



Liderança nos EUA e referência mundial
Em outro slide, foi mostrado que o volume de produção da Taurus está bastante superior aos níveis pré-pandemia, a ponto de a empresa brasileira ter assumido a liderança em relação à Smith & Wesson e à Ruger no mercado mercado americano, que é o maior do mundo para armas curtas.

No comparativo 9M22 x 9M19, a Receita Líquida teve um salto de 167%; o Lucro Bruto cresceu 261,4%; o incremento no EBITDA foi 448,3% e o Lucro Líquido aumentou quase 19 vezes (1773%). Entre 2018 e 2022, a dívida caiu de R$ 881 milhões para apenas R$ 218 milhões. Com o crescimento exponencial do EBITDA e a drástica redução da dívida, a alavancagem financeira da empresa (Dívida líquida/Ebitda), despencou de 11,2 em 2018 para apenas 0,2 em 2022. 

Com tais números, a Taurus passou a se constituir em referência mundial entre as empresas fabricantes de armas curtas.







Dever de casa está sendo feito com maestria
Os comparativos acima permitem concluir que a Taurus está fazendo com maestria o seu dever de casa, ou seja:
- completou seu turnaround, focando em qualidade, tecnologia e dinâmica de vendas/distribuição;
- aumentou significativamente seus números (produção, vendas, lucros, EBITDA), a ponto de se tornar referência mundial no mercado;
- diminuiu drasticamente seu endividamento e alavancagem para números totalmente confortáveis;
- surfou nos anos atípicos de 2020 e 2021, obtendo resultados históricos;
- aumentou seu market share no atual maior mercado mundo (EUA);
- em breve começará a produzir na Índia, país que, juntamente os demais (não comunistas) da Ásia, representa o maior e mais inexplorado mercado mundial para armas curtas modernas.

Investimentos e automação
A empresa investiu pesado nos últimos anos, tendo agora uma perspectiva de redução do ritmo de investimento para 2023. Os próximos passos são a 1ª célula de manufatura autônoma, com uma linha piloto de produção com robô 100% automatizada, e o STV - Sistema Tracionado de Valor, a serem implantados em 2023. Com isso, haverá um aumento de produção e a dinamização dos processos de fabricação de componentes estratégicos, o que levará a unidade de São Leopoldo a se transformar em um hub mundial para suprir de peças, kits e/ou produtos acabados as unidades dos EUA e da Índia.


Índia: ampliação da possibilidade de negócios
Com relação à Índia, a Taurus confirmou que a unidade fabril nesse país entrará em operação no início de 2023. Porém, as informações mais significativas  dizem respeito à ampliação das possibilidades de negócios que já estão na mesa:
- Exército: licitação de 425 mil fuzis e compra emergencial de 5 mil submetralhadoras.
- Forças Policiais: aquisição emergencial de 5 mil fuzis e 5 mil pistolas, além de estar aguardando aprovação de mais 15 mil fuzis.
- Forças de Segurança: licitação de 4 mil pistolas (fase de testes).
- Guarda Nacional: possibilidade de aquisição de pistolas e fuzis (mais de 1 milhão de integrantes).


Crescimento por novas JVs e/ou aquisições
Uma outra informação relevante quer a Taurus trouxe ao mercado foi a possibilidade realizar novas joint ventures e/ou adquirir uma empresa estrangeira, possibilitando assim um crescimento sinérgico independente da ampliação de uma ou mais das três atuais unidades fabris.


Dividendos e recompra de ações
Voltando a enfatizar que seu foco é a remuneração dos acionistas, a empresa sinalizou a possibilidade de, como fez neste ano, pagar um dividendo extraordinário em 2023, haja vista que os grandes investimentos já foram realizados, está com um endividamento totalmente sustentável, sua alavancagem é baixíssima e tem uma forte geração de caixa. 

A título de ilustração (ou não), foi divulgado um slide que mostra o lucro líquido ajustado (R$ 194 milhões) que foi totalmente distribuído como dividendos em 2022, e que mostra também o lucro líquido dos primeiros 9M22, no valor de R$ 399 milhões.

A Taurus informou ainda que passará a pagar dividendos mais frequentes a partir de 2023 (provavelmente trimestrais) e que fará um programa de recompra de ações, com a intenção de possibilitar que estas atinjam os patamares que considera justos para seus acionistas.

19 novembro, 2022

Taurus comemora 83 anos preparada para remunerar acionistas e ingressar na Índia


*LRCA Defense Consulting - 19/11/2022

A Taurus, Empresa Estratégica de Defesa e maior vendedora de armas leves do mundo, completa 83 anos neste mês de novembro e se mostra pronta para um futuro inovador. Com uma trajetória de sucesso em seu segmento de atuação, a companhia continua a se reinventar e a trazer novidades para dentro e fora da empresa.

Pensando na remuneração dos acionistas, a Taurus pretende ao final do exercício de 2022 criar reservas legais necessárias para pagar dividendos com maior frequência e fazer um programa de recompra de ações.

Nos últimos dois anos a empresa investiu mais de R$ 330 milhões em estrutura física (renovação do parque fabril), em pesquisa & desenvolvimento e em modernos equipamentos, de modo a dar sustentação ao crescimento da companhia, aumentando ainda mais sua competitividade.

A fabricante, que começou em Porto Alegre, no ano de 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, com uma pequena produção de ferramentas estabelecida por um grupo de empresários do Rio Grande do Sul, atualmente é uma gigante multinacional brasileira, líder mundial na fabricação de revólveres e uma das maiores produtoras de pistolas do mundo, além de ser a marca mais importada no exigente e competitivo mercado dos Estados Unidos (maior mercado de armas do mundo).

Sediada em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, e com mais duas unidades produtivas, uma em Bainbridge, na Geórgia (EUA), e outra no estado de Haryana, na Índia, a Taurus possui entre os seus diferenciais um completo portfólio de produtos composto por revólveres, pistolas, submetralhadoras, fuzis, carabinas, rifles e espingardas, atendendo os mercados civil, militar e policial. A empresa emprega cerca de 3.700 pessoas e movimenta uma grande cadeia de fornecedores que geram milhares de empregos indiretos, recolhe mais de R$ 881 milhões em impostos por ano, desenvolve tecnologia nacional de ponta, exporta para mais de 100 países e colabora com a balança comercial brasileira.

O caminho que a trouxe até esse ponto foi pavimentado com cuidado, tornando hoje a Taurus uma empresa bem estruturada, que conta com processos sólidos de gestão, de operação e de governança corporativa, assim como um planejamento estratégico bem definido para os próximos anos baseado no desenvolvimento de pessoas, investimento em tecnologia e inovação, focando em um ambiente colaborativo junto à sociedade.

“Só chegamos nessa posição porque temos o apoio de nossos acionistas, o contínuo acompanhamento e direcionamento de nosso Conselho de Administração, a confiança de nossos parceiros e clientes e o trabalho de toda a equipe de colaboradores da Taurus, no Brasil e nos EUA. Agradeço a todos por seguir conosco nesse caminho de sucesso. É um orgulho e um feito muito importante completar 83 anos de história no Brasil. São poucas as empresas no país que conseguem comemorar uma data como essa com sucesso, motivos para alegria e muita história para contar, como a Taurus. O touro, símbolo da empresa, representa força e vigor. E é isso que nos orienta na gestão desta companhia”, afirma Salesio Nuhs, CEO Global da Taurus.

Comemoração
Para marcar os 83 anos de fundação, a Taurus inaugurou esta semana um novo espaço de convivência em sua unidade fabril em São Leopoldo (RS), projetado para o entretenimento e bem-estar dos colaboradores em seus intervalos de trabalho.

A área de 500m² conta com diversos sofás ecológicos de paletes com almofadas, arquitetura paisagista e é equipada com jogos de pebolim e tênis de mesa. A ideia é proporcionar mais conforto e um ambiente agradável, de lazer, onde os colaboradores possam descansar e interagir uns com os outros.

O planejamento e a reforma da área foram realizados pela equipe Kaizen da Taurus, composta por 17 colaboradores de diversas áreas da empresa.

A revitalização da área de convivência faz parte do projeto da Taurus de desenvolvimento corporativo, que visa melhorias contínuas nas áreas externas e internas com o objetivo de cuidar das pessoas, proporcionando ambientes seguros e saudáveis, valorizando a satisfação dos colaboradores no ambiente de trabalho.

Este projeto também visa: incluir as pessoas com deficiência, capacitando-as para desempenhar as atividades e com um ambiente preparado para recebê-las; desenvolver a competência dos profissionais, tornando a empresa mais atrativa; assim como promover engajamento e interação entre a companhia e a comunidade.






83 anos de história
A Taurus foi fundada em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Nos anos que a antecederam, o então presidente do Brasil, Getúlio Vargas, incentivava uma maior industrialização. Com o apoio dele, um grupo de empresários do Rio Grande do Sul estabeleceu uma pequena fábrica de ferramentas. E logo começaram a projetar sua própria arma.

Em 1942, os primeiros revólveres Taurus entraram em plena produção. Em 1950, foi construída uma nova fábrica para atender à demanda, cada vez maior, e a companhia começou a fabricar suas próprias ferramentas.

Nos anos 60 e 70 a expansão da produção e a diversificação de produtos continuaram intensamente, exigindo que fosse construída uma terceira fábrica para dar conta de todos os pedidos. Essa expansão significou para a empresa um grande investimento em infraestrutura e acabou abrindo as portas para que a Taurus começasse a sua expansão internacional.

Em 1981, foi inaugurada a Taurus International Manufacturing em Miami, no sul da Flórida. Foi um marco importante, pois era o início da história da marca nos Estados Unidos. Logo a Taurus receberia reconhecimento internacional, se tornando um dos principais fabricantes de armas do mundo. Ao longo desse caminho, a companhia recebeu 37 prêmios internacionais, entre eles o NASGW-POMA Caliber, uma das premiações mais importante da indústria de armas norte americana, que elegeu a pistola Taurus GX4 como "Melhor Nova Arma de 2021" e "Melhor Novo Produto Geral", e o cobiçado prêmio Handgun of the Year 2022, da revista americana GUNS & AMMO.

A Taurus continuou avançando com ousadia. A sede nos Estados Unidos mudou, no final de 2019, para um novo centro de fabricação com mais de 18 mil m² no sul do estado da Geórgia. Esta mudança foi fundamental para a expansão das capacidades de engenharia e manufatura, para atender à crescente demanda por produtos Taurus, atendendo às altas expectativas de seus clientes.

Em 2020, a empresa assinou uma joint venture com uma importante empresa indiana, atendendo o programa do governo indiano “Make in India”, que visa atrair fabricantes de alta tecnologia a instalar fábricas no país, como forma de impulsionar a industrialização de alta performance em todas as áreas, inclusive no mercado de armas. O projeto contempla a fabricação de armamentos na Índia e a transferência de tecnologia brasileira, e dará à Taurus posição privilegiada nesse importante mercado de armas e na região da Ásia, assim como colocará a empresa em uma posição ainda maior de destaque no mercado mundial. A infraestrutura da fábrica na Índia está pronta, esperando que a aprovação da planta seja concedida a qualquer momento, permitindo o início da produção em breve.

JHind Taurus India

No Brasil, mirando os próximos anos, a companhia promoveu a maior reestruturação de sua história, redesenhando toda sua gestão e tendo como alvo a constante melhora na qualidade dos seus produtos e no apoio e satisfação dos clientes. Em 2015, a Taurus concentrou toda a operação em uma única fábrica, no município gaúcho de São Leopoldo.

Em janeiro de 2019, a antiga Forjas Taurus passou a se chamar Taurus Armas. A mudança fez parte da estratégia da empresa de focar no seu core business - a produção e venda de armas, bem como o desenvolvimento de novos produtos a fim de atender as necessidades do mercado.

A companhia reforçou sua área de engenharia no Brasil e unificou com a engenharia norte-americana, criando o Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/EUA (CITE), o que garantiu mais agilidade ao desenvolvimento de novos produtos e tecnologia, sempre com foco nos desejos dos clientes e em linha com as mais avançadas soluções tecnológicas do mundo.

Foram firmadas parcerias inéditas com renomadas instituições de ensino da região Sul, entre elas a UFRGS, UCS, UNISINOS e a UFSC, com o objetivo de fomentar a pesquisa e o desenvolvimento de todos os tipos de tecnologias voltadas a produtos e processos, passo fundamental para o avanço da Taurus na Indústria 4.0. Além de criar o Programa de Capacitação em Pesquisa e Inovação Taurus, com treinamentos para todos os níveis de colaboradores e para a diretoria.

Outra importante iniciativa foi a expansão, em 2021, do seu complexo industrial em São Leopoldo, no qual fornecedores estratégicos já estão atuando, otimizando os processos e reduzindo custos de produção e logísticos. O Projeto Estratégico Condomínio além de promover contribuições econômicas e sociais para a região, possibilita a Taurus uma ampliação em sua capacidade produtiva, além de torná-la um hub de distribuição de componentes estratégicos para suas unidades de manufatura no Brasil, Estados Unidos e na Índia.

Ampliação da planta fabril brasileira

A empresa vem se dedicando a outros novos projetos, pautados no compromisso com a excelência, de modo a continuar crescendo. Depois de lançar a pistola GX4 Graphene, que colocou o Brasil como pioneiro no uso do grafeno em componentes de uma arma, outros projetos estão em andamento, como a aplicação de nano partículas de nióbio, de DLC (Diamond Like Carbon) e de polímeros de fibras longas.

A Taurus também vem empenhando grandes esforços no desenvolvimento e consolidação de ações quanto à pauta ESG (sigla em inglês para “ambiental, social e governança corporativa”). Depois de realizado o levantamento de seu posicionamento em termos ESG pela assessoria técnica da Ernst & Young (E&Y), a Taurus montou em 2022 uma área dedicada, um grupo de trabalho multidisciplinar voltado para esses temas e o Comitê ESG, formado por toda a alta direção. Mais uma vez, a Taurus está sendo pioneira em seu setor, criando a cultura ESG, trazendo para dentro da companhia essa questão de maneira formal.

Os trabalhos já realizados envolvem o mapeamento da matriz de materialidade, a elaboração de indicadores ESG e a avaliação e quantificação de dados para preparação do Inventário de Emissão de Gases do Efeito Estufa da Taurus. A empresa também está elaborando o primeiro Relatório Anual de Sustentabilidade que será apresentado entre os meses de abril e maio de 2023.

As profundas transformações asseguraram um patamar diferenciado à multinacional gaúcha, tanto no mercado nacional quanto no internacional, e com os novos e promissores projetos que estão em andamento tem tudo para assegurar um futuro marcante e inovador.

18 agosto, 2022

Taurus revela as novas estratégias para se manter rentável e foca em seus acionistas


*LRCA Defense Consulting - 17/08/2022

Passada a "corrida às armas" vista nos EUA durante os anos de 2020 e 2021 - motivada pela pandemia, eleições e distúrbios civis - o mercado americano dá sinais de ter diminuído o ímpeto de compras daqueles períodos, ainda que as mantenha em patamares significativamente mais altos do que no período pré-pandemia, registrando números superiores a 1 milhão de verificações de antecedentes para a venda de uma arma de fogo ao longo dos últimos 36 meses. Isso demonstra que os consumidores americanos continuam buscando esse produto em níveis elevados.  

Ao comentar sobre os resultados do 2T22, alguns jornalistas e analistas mais apressados, ativeram-se à queda do lucro líquido e produziram manchetes com o fato, esquecendo de observar que, em primeiro lugar, 2021 foi um ano incomparável, devido ao boom de compras históricas e atípicas pelos motivos já citados, que fez com que a Taurus tivesse o melhor resultado de sua história.

Em segundo lugar, faltou observar também que, embora tenha produzido 1,7% a mais no 1º semestre deste ano e vendido 9,7% a menos que no 1S21, a Taurus teve um aumento de mais de 8% na receita líquida do período em relação ao ano passado. De igual forma, mesmo com dólar médio de R$ 4,93, a empresa obteve margem bruta de 47,6% no 2T22 e lucro líquido de R$ 295,8 milhões no 1S22, 13% acima do 1S21. Isso sem falar no Ebitda semestral de R$ 447,8 milhões, 12,0% superior ao 1S21, com margem de 34,4% e aumento de 1,1%. 

Mas então, se a empresa vendeu um pouco menos que no 1S21, o que explica esse forte rendimento operacional?

As novas estratégias da Taurus
Nas quatro lives públicas (Sara Invest, Eleven, Ticker e Órama) sobre os resultados do 2T22/1S22, Salesio Nuhs, CEO Global, e Sérgio Sgrillo Filho, CFO e DRI da empresa, trouxeram importantes informações sobre a confortável situação atual da Taurus, os seus planos para o futuro e as excelentes perspectivas que possui, especialmente as relacionadas ao desempenho na Índia. 

No entanto, na penúltima live, com a Ticker Research, os executivos trataram quase que exclusivamente sobre as estratégias que a empresa vem utilizando desde que seu Setor de Inteligência de Mercado percebeu que as vendas nos EUA iriam entrar no chamado "novo normal", ou seja, um patamar menor do que nos anos atípicos de 2020/21, mas ainda muito superior aos anos pré-pandemia.

Para esse novo cenário, ao qual se antecipou com oportunidade, a Taurus passou, então, a priorizar a oferta de um mix de produtos de maior valor agregado, com o desenvolvimento de novas armas desejadas pelos consumidores americanos, já que um alto volume só se justificava quando a demanda era excessiva, sendo necessário suprir o mercado com rapidez. 

Desta maneira, a empresa está auferindo melhores resultados com os produtos ofertados, conseguindo obter um forte rendimento operacional e, assim, aumentar suas margens, mesmo que com uma produção praticamente igual à de 2021 e com vendas um pouco menores.

Para ilustrar o fato, o Salesio Nuhs confidenciou que, em 2018, um dos objetivos da Taurus era ter indicadores semelhantes aos da americana Ruger e que, hoje, já ultrapassou essa empresa, obtendo margem Ebitda superior à margem bruta dela. 

Oferecendo novidades mais tecnológicas desejadas por seus clientes e ocupando nichos de mercado onde ainda não estava presente, a Taurus aumentou seu market share (participação no mercado) nos Estados Unidos (e também no Brasil) e percebeu que os consumidores estavam valorizando mais seus produtos, o que a fez poder rentabilizá-los ainda mais, aumentando o ticket médio (TM) significativamente. Para se ter uma ideia, o TM das armas Taurus nos EUA, que era de US$ 199,00 em 2019, passou para US$ 226,00 em 2021 e para US$ 262,00 no segundo trimestre de 2022.

Rentabilização agressiva e constante ao acionista
Segundo os executivos, na fase em que priorizou o volume de produção, a empresa produzia e crescia muito rápido, mas recebia a prazo, o que fazia o working capital (capital de giro) ser mais alongado no tempo. Agora, no novo cenário, há a tendência de estabilização do working capital e a geração de caixa passa a ser ainda mais forte. 

No entender deles, este (geração de caixa) será o principal indicador financeiro de 2022, ressaltando ainda que a Taurus já contabilizou um caixa de R$ 260 milhões no 1S22 e que, como o segundo semestre historicamente se caracteriza por maiores vendas, pode ser esperado um significativo aumento nesse valor.

Sérgio Sgrillo observou também que, nos últimos três anos, além de as ações terem se valorizado, o valor da empresa também aumentou significativamente, mesmo com a diluição havida pela conversão dos bônus de subscrição, bônus estes este que acabarão em outubro, com a conversão do último lote, o que deve deixar as ações mais "livres" para refletirem o bom momento da empresa.

Com isso, e como também não tem mais prejuízos anteriores a abater, a estratégia da Taurus é agora provisionar reservas para rentabilizar agressivamente seus acionistas por meio de dividendos atraentes e pagos trimestralmente, no intuito de fidelizá-los. Além disso, a empresa também realizará um programa de recompra de ações, visando gerar ainda mais valor aos detentores de suas ações.

Por fim, foi comentado também sobre os grandes investimentos que a empresa está fazendo e que ainda fará para cumprir o seu ambicioso plano de expansão e de modernização tecnológica que está em curso. Para atender a essa necessidade e preservar seu caixa para a rentabilização de seus acionistas, a Taurus julga que está na hora de voltar ao mercado e captar recursos, pois a atual relação Dívida Líquida/Ebitda é de apenas 0,3x, indicando que 30% da geração de caixa anual medida por esse indicador seria suficiente para quitar a totalidade da dívida bancária.

Assim, está estudando possíveis captações com taxas atraentes, seja junto à FINEP, seja no mercado internacional, de modo a levar a relação Dívida Líquida/Ebitda até um índice de 0,8x ou de 1x, o que manterá a alavancagem em níveis ainda totalmente confortáveis e proporcionará os recursos necessários aos investimentos planejados.

Com tais estratégias, os executivos da Taurus acreditam que o valor das ações da empresa possam  galgar novos patamares e começar a se aproximar do valor que hoje o mercado paga por algumas das poucas companhias abertas tão rentáveis e agressivas como ela.

Na compilação abaixo, assista Salesio Nuhs e Sérgio Sgrillo detalhando essas estratégias:


Veja, abaixo, a íntegra das quatros lives públicas com os dois executivos da Taurus:
- Sara Invest: https://www.youtube.com/watch?v=rORVjajONfY
- Eleven Research: https://www.youtube.com/watch?v=99O8GZorRkA
- Ticker Research: https://www.youtube.com/watch?v=k_mLzLMAzXA
- Órama Trader: https://www.youtube.com/watch?v=gLqH_u1FZ4c

 

 

14 abril, 2022

Taurus deve pagar dividendos recordes após reestruturação, mas estratégia é sustentável?

 

*InfoMoney - 14/04/2022

Após nove anos, a fabricante de armas Taurus (TASA4) anunciou que voltará a pagar dividendos aos acionistas, e em valor recorde. Em processo de turnaround desde 2018, a distribuição prevista de R$ 194 milhões em proventos, que ocorrerá no dia 29 de abril, marca o fim de uma reestruturação considerada bem-sucedida e deve inaugurar uma nova fase para a companhia.

Considerando um total de 118 milhões de ações da empresa, o valor correspondente em proventos para cada ação preferencial (TASA4) e ordinária (TASA3) é de R$ 1,65. O valor é muito superior ao que foi pago na última vez que a companhia distribuiu dividendos. Em maio de 2013, a Taurus pagou R$ 3,49 milhões em dividendos, o equivalente a R$ 0,027 por ação.

O valor pode diminuir alguns centavos, após serem contabilizados bônus de subscrição que estão sendo exercidos por investidores no momento. Os dividendos finais serão anunciados no dia 19 de abril. Apesar disso, o montante ainda é o maior já distribuído pela Taurus.

A reestruturação, que durou de 2018 a 2021, foi necessária devido a uma série de fatores que marcaram a história recente da companhia – e não apenas no aspecto financeiro.

O endividamento elevado foi só uma das dificuldades. No passado, a companhia enfrentou erros graves de gestão, acusação de fraude, más decisões de investimentos, além de diversos problemas em relação à qualidade dos seus produtos – envolvendo, inclusive, disparos acidentais que provocaram mortes.

Segundo Fabiano Vaz, analista da Nord Research, a antiga Taurus não investia na qualidade dos produtos, nem em novas tecnologias. Além disso, fazia investimentos que não eram condizentes com seu modelo de negócios – como a compra de uma fábrica de capacetes para motociclistas.

O peso recaiu sobre as vendas, e a Taurus acumulou prejuízos.

Uma nova diretoria, liderada pelo CEO Salesio Nuhs, assumiu em 2018 colocando para andar um tripé estratégico que visava recuperar a confiança do mercado. Era baseado na reorganização operacional da companhia, na reestruturação da empresa no Brasil e nos Estados Unidos e na criação de um centro tecnológico, com engenheiros para assegurar a qualidade e o desenvolvimento de novos produtos.

Segundo Nuhs, foi nessa gestão que a Taurus passou a enxergar os Estados Unidos – onde já tinha alguma presença – como uma via de crescimento para dar a volta por cima. Atualmente, o país representa 80% da receita da companhia. “Estados Unidos é o maior mercado de armas do mundo, qualquer fabricante que não tenha mais de 70% da sua produção vendida lá não tem uma boa participação no mercado americano”, aponta.

Virada a página da reestruturação, investidores se questionam sobre o que ainda está por vir.  A Taurus agora se apresenta como uma empresa geradora de caixa e pagadora de dividendos. Ao mesmo tempo, a valorização das ações não deixou a desejar.  Nos últimos cinco anos, as ações TASA4 e TASA3 acumularam alta, respectivamente, de 1.262% e 1.370%, segundo a Comdinheiro.

Embora a companhia estivesse em reestruturação, o analista João Daronco, da Suno Research, justifica que a forte valorização foi fruto de um processo bem-sucedido de turnaround. “Melhoraram qualidade, diminuíram endividamento e ganharam market share“, afirma.

É hora de investir na Taurus? Se sim, o foco deve estar nos dividendos ou no potencial de valorização das ações? Além disso, num momento em que a preocupação com critérios ESG se torna cada vez mais urgente, faz sentido investir numa fabricante de armas? Para responder a essas questões, o InfoMoney entrevistou o CEO da Taurus, Salesio Nuhs, e consultou analistas especializados. Confira:

De onde vem a receita da Taurus?
A Taurus é atualmente líder no mercado de armas leves (revólveres e pistolas) no mundo. A sua principal fonte de receita é o mercado americano, que responde por cerca de 80% dos ganhos.

A companhia também tem presença na Índia, por meio de uma joint venture com o Jindal Group. Além disso, o mercado brasileiro é responsável por até 12% da receita. A empresa ainda exporta para mais de 100 países, principalmente participando de licitações.

Nuhs afirma que a companhia está focada no mercado civil, e não no militar, muito dependente de licitações. Por este motivo, a Taurus tem uma previsibilidade de geração de caixa maior.

Para 2022, o objetivo de Nuhs é manter a liderança na venda de armas leves nos Estados Unidos. Embora considere que o mercado não terá um forte crescimento e deve se manter estável, o objetivo da Taurus será ganhar participação com o lançamento de novos produtos.

Na Índia, a joint venture com o Jindal Group inclui a produção de fuzis para o mercado militar. Com a participação da empresa indiana, as chances de integrar licitações das forças armadas e policiais aumentam, beneficiando a receita da companhia.

Segundo Daronco, da Suno, o mercado da Índia é o que oferece o maior potencial para Taurus em 2022, dado que as forças armadas incluem mais de 1,3 milhão de integrantes, as forças de segurança têm um efetivo de mais de 1,4 milhão de policiais e a segurança privada conta com mais de 7 milhões de membros.

“O principal benefício para os investidores seria a exposição a um mercado com elevado potencial”, diz Daronco.

A fábrica de armas na Índia acabou de ser concluída e, segundo a Taurus, a previsão é de que a operação comece em menos de seis meses. De acordo com o CEO, a produção de armas deve ter início até o começo do segundo semestre deste ano. O investidor deve ver o impacto da operação ainda no balanço de 2022.

Como os dividendos alcançaram patamar recorde?
Conforme a companhia avançou no tripé estratégico da sua reestruturação, uma das frentes que passou a ser atacada foi o seu nível de endividamento.

“Quando a gente fez o primeiro Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) positivo, em 2018, a nossa relação dívida/Ebitda era de 11,7 vezes. Em 2021, entregamos em 0,4 vezes. Isso é uma empresa fortemente geradora de caixa”, comenta Nuhs, CEO da empresa.

Mas antes de alcançar números saudáveis, a Taurus precisou absorver prejuízos de exercícios anteriores. O primeiro movimento nesse sentido – para fazer frente a R$ 740,7 milhões de prejuízos acumulados – foi uma redução de capital, que aconteceu em 2021. A conta negativa diminuiu para R$ 333,7 milhões na ocasião.

E para zerar a conta, Nuhs afirma que foi necessário abater as perdas restantes do lucro da Taurus no exercício de 2021.

Segundo o CEO, esta estratégia muitas vezes causa confusão entre os investidores. A companhia teve lucro de R$ 635 milhões no ano passado, dos quais foram descontados os prejuízos remanescentes de mais de R$ 300 milhões e ainda valores destinados a reservas legais. Restaram os R$ 194 milhões propostos como dividendos.

Segundo seu estatuto, a Taurus tinha a obrigação de pagar apenas 35% desse valor – ou seja, cerca de R$ 68 milhões (R$ 0,58 por ação). Mas a empresa decidiu distribuir 65% do lucro na forma de dividendos extraordinários – ou R$ 126,284 milhões, equivalentes a R$ 1,07 por ação.

Aos preços atuais, os dividendos totais representam um dividend yield (taxa de retorno com dividendos) de 6% a 7%. A distribuição está pendente da aprovação da Assembleia Geral de Acionistas (AGO). Quem tiver ações da Taurus até o dia 19 de abril terá direito aos proventos, pagos no dia 29 deste mês.

O valor por ação ainda pode sofrer uma leve variação para baixo por conta de uma subscrição de ações. Nuhs apontou ao InfoMoney que existiam 8 milhões de papéis disponíveis para subscrição até o dia 15 de abril. Se todas forem efetivamente subscritas, os investidores receberiam dividendos de R$ 1,54 por ação. O novo valor dos dividendos será divulgado em 19 de abril.


Investidores questionam: os dividendos se sustentam?
Receber dividendos de R$ 1,65 por ação surpreendeu os investidores. Mas também surgiram dúvidas quanto à sustentabilidade dos pagamentos. Seria uma distribuição fora da curva, fruto de um ano positivo para a Taurus, ou é de se esperar uma remuneração equivalente nos próximos exercícios?

O professor de ensino médio Guilherme Santana de Oliveira questionou-se a respeito. Morador de Londrina (PR), ele conta que decidiu comprar TASA4 em outubro de 2021, quando os papéis estavam cotados a R$ 20,95, após ouvir de um analista que a empresa tinha receita dolarizada e baixa exposição ao mercado do Brasil.

Na época, ele adquiriu os papéis com foco na valorização, mas ao receber os dividendos se perguntou: “Será que a empresa consegue sustentar esse valor outros anos? Vender arma é um negócio que gera caixa e receita crescente?”

Atualmente, no seu estatuto, a Taurus se compromete a distribuir 35% do seu lucro líquido ajustado de forma obrigatória. Segundo Louise Barsi, sócio-fundadora do Ações Garantem o Futuro, esse payout (parcela do lucro líquido destinada ao pagamento de proventos) já é considerado generoso, por estar acima do habitual entre as empresas de capital aberto – a distribuição de 25%.

Fabiano Vaz, analista da Nord Research, acredita que a Taurus tem capacidade de distribuir dividendos maiores nos próximos anos, superando os 35% obrigatórios. No entanto, por se tratar de uma empresa com potencial de crescimento, é possível que em algum momento decida segurar caixa para investimentos na produção ou em aquisições.

A política de dividendos da Taurus se encontra atualmente em revisão, no aguardo de parecer de uma consultoria jurídica (previsto para abril) para depois ser apresentada ao Conselho de Administração. Ao InfoMoney, Nuhs apontou que planeja sugerir o pagamento de dividendos trimestrais – intermediários ou intercalares – e dividendos maiores no final do exercício anual.

A diferença entre as duas modalidades de dividendos é que os intermediários precisam da aprovação em Assembleia de acionistas, enquanto os intercalares podem ser pago antes dela.

Desta forma, a cada publicação de resultados trimestrais, a Taurus distribuiria 35% do lucro líquido ajustado. “Serão três pagamentos neste formato em 2022 e um no final do exercício”. Segundo o CEO da Taurus, a nova política de dividendos da companhia deve ser anunciada junto com os resultados do primeiro trimestre de 2022.

Crescimento ou dividendos: afinal, o que é a “nova” Taurus?
Embora esteja comprometida em remunerar os seus acionistas com a distribuição de proventos, a Taurus precisa fazer investimentos constantes em tecnologia e produção para ganhar espaço no mercado. Prova disso é que em 2021 a empresa aportou R$ 175 milhões na expansão de uma fábrica em São Leopoldo (RS) e, para 2022, prevê o investimento de R$ 250 milhões.

Apesar disso, o CEO da empresa lembra que em 2021 a companhia conseguiu zerar prejuízos, fazer investimentos na produção e ainda pagar dividendos extraordinários. “O nosso planejamento continua o mesmo, mas precisamos entender como vai se comportar o mercado neste ano”, destaca Nuhs.

Os especialistas consultados pelo InfoMoney definem a nova Taurus como uma companhia que mistura uma estratégia de dividendos com crescimento. Vaz, da Nord, acredita que o modelo da Taurus se assemelha ao da Weg (WEGE3), uma empresa que se caracteriza pelo crescimento resiliente e que paga bons dividendos.

“Às vezes, pode ter um yield interessante, mas nem sempre o dividendo é tão grande assim. Pode acontecer de a empresa encontrar algum projeto para investir e segurar o caixa”, aponta. “Não é uma Itaúsa, que paga dividendos com recorrência”.

Já Daronco encontra semelhanças no modelo da Taurus com a Irani (RANI3), enquanto Louise Barsi cita como exemplo a Unipar (UNIP6) – empresas que crescem e pagam dividendos.

Investidores como Luiz Barsi veem potencial na empresa
Os dividendos da Taurus atraem os olhares de grandes investidores há alguns anos. É o caso de Luiz Barsi Filho, considerado um dos maiores investidores individuais da B3, voltado para uma estratégia de investir em empresas que pagam bons dividendos. Ele comprou a ação quando custava centavos almejando os proventos futuros e por ser uma das poucas empresas brasileiras que exportam um produto manufaturado.

“As nossas exportações são de grãos. A Taurus representa a indústria e é co-líder em vários países, inclusive nos Estados Unidos”, afirmou em entrevista ao InfoMoney.

Segundo dados da Comdinheiro, Barsi detém atualmente 3,814% de participação na companhia, com 4,130 milhões de ações preferenciais e 374 mil ações ordinárias. Considerando os dividendos previstos para serem pagos pela Taurus agora em abril, ele deve embolsar cerca de R$ 7,4 milhões.

Louise Barsi, filha de Luiz Barsi, mudou a empresa da carteira de oportunidades para a de dividendos, considerando as ações ainda baratas. “Mas não se compara aos bancos, porque ainda tem muito para investir, muitos projetos nem entraram em fase de produção e maturação, como a joint venture da Índia”, destaca.

Louise aponta que a Taurus tem uma meta audaciosa de produzir 15 mil armas por dia até 2023. Desta forma, o investidor pode ainda esperar um crescimento bem robusto no balanço, se a companhia mantiver austeridade nos custos. “Não acredito que seja um crescimento de três dígitos, mas ainda um crescimento expressivo de dois dígitos nos próximos anos”, avalia.

Mesmo em um cenário conservador, sem crescimento de lucro, Louise calcula que as ações da Taurus, até uma cotação de R$ 31,39, garantiriam um retorno com dividendos de 6% ao ano, considerando o payout de 35%. O ganho é maior aos preços atuais, perto de R$ 24, que asseguram um dividend yield de 7,6%. “Se admitirmos o mesmo lucro deste ano, a companhia ainda está barata. Mas deve crescer dois dígitos, provavelmente”, aponta. O preço ideal de compra, na sua visão, é de R$ 21.

17 março, 2022

Taurus traz mais uma novidade ao mercado e lança fuzil T4 MLOK


*LRCA Defense Consulting - 17/03/2022

A Taurus Armas S.A. segue trazendo inovação e versatilidade ao mercado e lança uma nova versão do consagrado fuzil T4, calibre 5,56 NATO, na configuração customizada MLOK de fábrica.
 
A novidade conta com o guarda-mão (handguard) no moderno padrão MLOK (Modular Lock), que proporciona melhor ergonomia, e miras rebatíveis (flip up), que agregam a possibilidade de utilização de equipamentos óticos variados e atendem as mais diversas particularidades nas operações especiais. O MLOK proporciona ao usuário um guarda mão mais fino e leve, adaptável às necessidades de cada aplicação ao permitir a montagem de acessórios apenas e como o usuário desejar.

Com alta confiabilidade em campo, assim como a sua versão tradicional, o fuzil T4 MLOK é uma arma semiautomática, que opera por ação direta dos gases, trancamento rotativo do ferrolho, com capacidade de 30 tiros no carregador, de polímero, calibre 5,56 NATO.

A Taurus desenvolveu o armamento em dois modelos, com cano de 11,5” ou 14,5”, ambos com passo de raia 1:7 polegadas.

O lançamento será comercializado nas lojas revendedoras (https://taurusarmas.com.br/pt/como-comprar/lojistas) e no portal de vendas da Taurus (www.armasmunicoes.com.br), voltado a militares, policiais, CACs e civis que integram categorias autorizadas a adquirir estes produtos, conforme legislação vigente.

Para informações técnicas sobre o novo fuzil T4 MLOK e a linha completa de produtos Taurus, acesse https://taurusarmas.com.br/pt/produtos/ 

Aos clientes que já possuem a versão clássica do fuzil T4, calibre 5,56 NATO, a Taurus oferece em seu portfólio de acessórios o kit de conversão para esta plataforma.

15 março, 2022

Com Ebtida de mais de R$ 1 bilhão, Taurus se torna a maior do mundo e pagará dividendos de R$ 1,6451 por ação

 


*LRCA Defense Consulting - 15/03/2022

Após o fechamento do mercado, a Taurus Armas S.A. divulgou seus resultados e, mais uma vez, surpreendeu analistas, acionistas e o público em geral que acompanha a empresa.

Esta editoria destacará alguns pontos mais relevantes entre os muitos apresentados no balanço, valendo a pena consultar a íntegra do documento publicado pela Taurus para constatar a pujança dos números, realizações e perspectivas da empresa.

Ebitda de mais de 1 bilhão
Com um Ebitda de R$ 1.002,9 milhões em 2021 - 111,4% acima do registrado em 2020, e margem de 36,6% (alta de 11,1 p.p.), a empresa quebra uma barreira importante que reflete o seu atual padrão de desempenho operacional, consubstanciado por um lucro líquido de R$ 635,1 milhões, seu terceiro resultado positivo consecutivo, multiplicando por 2,4 (140,9%) o apurado no exercício anterior. Assim, após o Ebitda apresentar crescimento de 270,6% entre 2020 e 2019, a Taurus mais do que duplicou esse indicador em 2021.

Dividendos de 100% do LLA, ou R$ 1,6451 por ação
Esse resultado possibilitou que, em 2021, um dos grandes objetivos da atual administração fosse atingido: a criação de valor para todos os seus acionistas e, portanto, também o pagamento de uma significativa remuneração a estes. Assim, será proposto em assembleia geral, a ocorrer no dia 19 de abril, o pagamento de dividendos de 100% sobre o Lucro Líquido Ajustado (LLA), totalizando o montante de R$ 194.284,00 milhões, o que representa cerca de R$ 1,6451 por ação. Após aprovado, esse fato consolidará e encerrará o processo de turnaround da Taurus.

A maior do mundo em armas leves
Menos de dois anos após o dia em que o dinâmico e incansável CEO Global da empresa, Salesio Nuhs, divulgou publicamente sua intenção de ser a maior empresa de armas leves do mundo, a Taurus atingiu a expressiva marca de 2,25 milhões de armas fabricadas em 2021 (+44,5%), com média de 9,3 mil unidades diárias no ano. O número de armas vendidas foi de 2,348 milhões, o que a levou à posição de maior vendedora de armas leves no mundo, considerando-se o universo das principais companhias dos Estados Unidos, tais como Smith & Wesson e Ruger, e muito maior do que outras empresas tradicionais do setor sobre as quais são conhecidas informações, como Colt, Springfield, Beretta, SIG, CZ, Colt, Walther, FN e HK.

Demanda segue aquecida e Taurus ganha market share nos EUA
Nos EUA, maior mercado do mundo para armas leves, a demanda seguiu aquecida em 2021, atingindo o segundo maior patamar desde que foi criado o controle do FBI sobre a intenção de compra (NICS). Ainda assim, em relação ao recorde histórico registrado em 2020, houve redução de 12% nessas intenções.

No entanto, as vendas da Taurus no país apresentaram tendência inversa ao NICS, com crescimento de 23,4% em 2021, evidenciando o aumento do market share da marca. 

Para 2022, caso a questão da invasão russa na Ucrânia se resolva e não haja outra crise que leve a um aumento intempestivo de demanda, a percepção é que o cenário será semelhante, com a demanda norte-americana perdendo um pouco de força em relação aos dois últimos anos, enquanto as vendas da Taurus devem seguir vigorosas, com aumento de participação do mercado.

No segmento de revólveres, por exemplo, a empresa detém liderança de mercado absoluta nos EUA. Em 2020, 41% do total dos revólveres vendidos nesse país foram da marca Taurus e, em 2021, a estimativa é que essa participação de mercado tenha alcançado 61%. 

Comparando o preço médio de venda da Taurus com o de concorrentes internacionais que, como empresas de capital aberto, divulgam seus dados, a empresa tem ainda espaço para atingir faixas mais altas em seu mix de vendas, uma vez que se mantém abaixo desses. A estratégia da Taurus inclui novos produtos com menor custo e maior valor agregado, ampliação de sua linha de armas longas e o lançamento de produtos em nichos de mercado, criando um mix de valor crescente em sua linha, sem concorrer com seus produtos atuais.


Backorder de quase 1 milhão de armas: cinco meses de produção
Ao final do exercício, a Taurus registrava backorder de 982 mil unidades de armas para entrega nos mercados norte-americano e brasileiro, volume equivalente a mais de cinco meses de produção integrada nos dois países.

Tranquilidade no endividamento e na alavancagem
Comparando a posição da dívida bruta no encerramento dos exercícios de 2021 e de 2020, houve redução de 20,0% ou R$ 173,4 milhões na dívida bruta no período. Ao mesmo tempo, dado o aumento do saldo de caixa e aplicações, a dívida líquida diminuiu em R$ 338,7 milhões ou 43,7%.

A dívida líquida vem sendo reduzida de forma contínua e consistente nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a empresa se consolidou como forte geradora de caixa. Dessa forma, sua alavancagem financeira passou por completa reversão de perfil, com drástica redução do indicador dívida líquida/Ebitda que, no encerramento do exercício de 2021, atingiu 0,4x.

Simulando uma situação na qual é abatido do total da dívida em 31/12/21 valores que serão destinados a esse fim quando efetivados, a saber, ativos à venda – fábrica de capacetes e terreno da antiga fábrica em Porto Alegre – e saldo dos bônus de subscrição a vencer, a dívida líquida na data seria de R$ 236,7 milhões. Com esse cenário, o indicador de alavancagem financeira dívida líquida/Ebitda seria de 0,2x ao final do exercício.

Índia: o novo e poderoso front da Taurus
A construção do prédio da joint venture Jindal Taurus na Índia está sendo concluída e, em fevereiro, a primeira equipe da Taurus do Brasil foi a esse país para uma visita técnica. A JV, mesmo antes do início das operações industriais, já está criando oportunidades comerciais. A equipe da Taurus que viajou ao país realizou demonstração técnica para autoridades das Forças Armadas indianas, evidenciando as características, a performance de tiro e a resistência do Fuzil Taurus T4 em suas diferentes versões, para um futuro processo de licitação em andamento.

Outras oportunidades comerciais no mercado institucional indiano, como a venda de submetralhadoras SMT9 para a Guarda de Segurança Nacional (NSG), pistolas TH9 e TS9 para a polícia da cidade de Aizawl (capital do estado indiano de Mizoram), além de mais uma venda de fuzis T4 para a polícia de um estado indiano que poderá adquirir até 4.000 unidades da arma, estão em diferentes etapas do processo de negociação.

Na visão desta Consultoria, a JV Jindal Taurus Defence Systems Private Ltd. tem um gigantesco mercado potencial, civil e militar, sem parâmetros no mundo capitalista, o que levou o CEO e o CFO da multinacional brasileira a afirmarem, por mais de uma vez, que, no momento em que a Taurus entrar lá, mudará completamente a perspectiva da empresa. Segundo tudo indica, esse fato está bem próximo de se tornar real.

República das Filipinas compra mais 9,5 mil pistolas TS9
Em dezembro de 2021, após ter vendido e entregue 20.000 unidades da pistola TS9 para a Polícia Nacional das Filipinas, a Taurus foi vencedora de novo processo licitatório de mais  9,5 mil pistolas do mesmo modelo para essa corporação, cuja entrega está programada para o segundo semestre, em função da atual capacidade x demanda.

Ampliações e investimentos
Para garantir o aumento da oferta e da continuidade do seu crescimento, conforme o planejamento estratégico em curso, a empresa está investindo em estrutura física, em pesquisa & desenvolvimento e em modernos equipamentos e maquinários.

A palavra-chave na Taurus é “inovação”, o que proporciona mais produtividade, manutenção de baixos custos (hoje tem o menor custo de produção do mundo), maior volume de produção e, também, maiores vendas, já que o consumidor cada vez mais reconhece o valor que tem sido agregado aos produtos que entrega no mercado.

Com isso, ao mesmo tempo que tem segurança no aumento das vendas, em termos de estrutura operacional está sempre um passo à frente, preparando-se continuamente para atender esse aumento. Como exemplo disso, foi contratado um Vice-presidente de vendas para reforçar a estrutura comercial nos EUA.

Como tecnologia é essencial para atender o planejamento, a empresa reforçou a área com a criação do Centro Integrado de Tecnologia e Engenharia Brasil/EUA (CITE), que hoje conta com 250 engenheiros nas áreas de produtos, processos e qualidade e já rendeu excelentes frutos, como a revolucionária pistola microcompacta GX4 e a adição de grafeno às novas armas, por exemplo.

Em termos de infraestrutura, o condomínio industrial foi entregue em dezembro e os cinco fornecedores parceiros que vão desenvolver ali suas operações estão em processo de instalação. Com essa estrutura em pleno funcionamento, a Taurus tem mais agilidade e qualidade na cadeia de suprimentos, com redução de custos.

Outro passo dado no projeto de expansão da unidade industrial do Brasil foi a aquisição de área de 100 mil m2 ao lado do complexo industrial atual.

A fábrica dos EUA atingiu a produção de 868 mil unidades no ano, acima da capacidade máxima estimada de 800 mil armas/ano, considerando a estrutura original, que não demandou investimentos em função do acordo firmado com o governo do Estado da Georgia. O prédio tem ainda cerca de 60% de sua área disponível, com espaço para ampliação da capacidade a partir de novos investimentos.

Para 2022, o planejamento da empresa considera investimentos da ordem de R$ 250 milhões, seguindo com a modernização e a ampliação da estrutura industrial, de modo a dar sustentação ao crescimento da empresa, aumentando ainda mais sua competitividade.

Maior e mais rentável fabricante de armas leves do mundo
Em um cenário mundial recente tão conturbado devido à pandemia da COVID-19, a Taurus Armas se apresenta como uma empresa blindada e capaz de crescer muito, seja em tempos de crise ou seja em tempos de calmaria, como bem frisou o especialista Christian Lima, evidenciando que, no decorrer do seu turnaround, a empresa adquiriu as características de ser plenamente antifrágil.

Aumentando significativamente a produção e a produtividade, reduzindo custos, incrementando ainda mais a qualidade e a tecnologia de seus produtos e processos, desbravando novas fronteiras de negócios e, agora, remunerando significativamente seus acionistas, a Taurus está se tornando a maior e mais rentável fabricante de armas leves do mundo, gerando orgulho e divisas para o Brasil.

01 dezembro, 2021

Taurus reduziu seu capital social, mas o que isso significa?


*LRCA Defense Consulting - 01/12/2021

A Taurus Armas S.A. comunicou ao mercado nesta terça-feira (30), que aprovou, em assembleia geral extraordinária, a redução do capital social da companhia no valor total de R$ 370.964.873,08, sem que tenha havido cancelamento de ações.

Segundo a empresa, essa redução se destina à “absorção parcial do saldo de prejuízos acumulados registrados nas demonstrações financeiras de 31 de dezembro de 2020”.

Com isso, o capital social da companhia foi reduzido de R$ 673.092.079,61 para R$ 302.127.206,53, representado por 117.110.796 de ações, sendo 46.445.314 ações ordinárias (TASA3) e 70.665.482 ações preferenciais (TASA4).

Mas o que isso significa?
Concretizada a aprovação, a empresa agora poderá apreciar parte do resultado positivo dos três primeiros trimestres deste ano, somando-a à redução. Com isso, acontecerá uma "soma de resultado zero", ou seja, uma operação meramente contábil (em que não há desembolso financeiro) que resultará na eliminação do registro de prejuízos anteriores acumulados no balanço da companhia.

Superado esse obstáculo, a Taurus poderá concretizar aquilo que o CFO da empresa chamou de "cereja do bolo do turnaround", ou seja, a remuneração de seus acionistas por meio do pagamento de dividendos já a partir deste ano, já que esta é a firme intenção manifestada pelo CEO Global Salesio Nuhs e pelo CFO/DRI Sérgio Sgrillo em diversas lives e entrevistas havidas desde 2020. Evidentemente, por uma questão contábil, esse fato só deverá ser registrado nas próximas ITR (Informações Trimestrais), que serão relativas ao 4T21 e ao ano de 2021.

Ainda sobre a questão dos dividendos, recentemente, durante uma live relativa aos resultados do 3T21, o CEO da companhia afirmou que a intenção é pagar a seus acionistas dividendos tão agressivos quanto tem sido seus resultados. A propósito, é importante lembrar que a Taurus tem, em seus estatutos, a obrigação de pagar um dividendo mínimo de 35% sobre o lucro líquido anual a seus acionistas (10% acima do mínimo previsto em lei). 

Uma outra informação também veiculada via live foi a de que, após a zeragem dos prejuízos acumulados, ainda sobrará um saldo positivo de R$ 13 milhões, que será somado ao lucro ajustado do 4T21 para que, então, possa ser calculado o valor dos dividendos de 2021 a serem pagos aos acionistas. 

No programa BM&C News, em uma das edições deste ano, o estrategista e gestor de clube de investimentos Fábio Bacha, quando comentava sobre a Taurus Armas, mostrou-se bastante entusiasmado com a empresa e afirmou que ela poderá ser uma "máquina de distribuir dividendos em 2022".

Certamente, não é sem motivo que o megainvestidor Luiz Barsi Filho, conhecido por sua devoção aos dividendos como estratégia de investimento em ações, tem a maior posição nas ações preferenciais da empresa e a segunda maior nas ordinárias.

Mais consequências positivas
Agora, a Taurus - uma multinacional fundamentalmente exportadora, com uma unidade nos EUA e outra na Índia (2022) - está com seu endividamento equacionado e reduzido a níveis normais, tem Patrimônio Líquido Positivo, é uma das empresas que mais geram caixa no País, seu balanço está limpo de prejuízos anteriores e suas perspectivas de crescimento são simplesmente de dar inveja a qualquer outra. Portanto, além do pagamento de dividendos, a partir de agora todas as opções abaixo são factíveis, isoladas ou conjugadas:

  • possibilidade de investimento em suas ações por grandes fundos e gestoras de capital nacionais e internacionais, até então impedidos de fazê-lo;
  • acesso a financiamentos nacionais e internacionais em condições vantajosas (vide o realizado com o BTG recentemente);
  • eventuais aquisições (M&A) e/ou novas joint ventures estratégicas;
  • recompra estratégica de ações para mantê-las em tesouraria, valorizando-as;
  • listagem de seus títulos em uma bolsa de valores norte-americana, seja por meio de ADR, seja por IPO da unidade americana (Taurus USA), ou seja ainda pela migração de suas ações para uma bolsa de valores dos EUA. 
Por fim, é sempre relevante lembrar que o objetivo da Taurus, manifesto de forma constante por seus executivos, é o de se tornar a maior e mais rentável fabricante de armas leves do mundo, gerando valor para seus acionistas, além de orgulho e divisas para o Brasil.

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